Dados e inteligência artificial transformam gestão de riscos climáticos e ampliam capacidade de prevenção

LISBOA – A combinação entre ciência climática, inteligência artificial e análise de dados está criando uma nova geração de ferramentas para medir riscos, antecipar perdas e apoiar decisões de adaptação às mudanças climáticas. O tema foi debatido no painel “Dados e Inteligência Climática”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar. 

Logo no início da apresentação, Pedro Matos Soares, pesquisador do Instituto Dom Luiz (IDL), destacou que os riscos climáticos não podem ser analisados apenas pela ótica da mudança do clima. Segundo ele, o risco resulta da combinação entre três fatores: perigosidade climática, exposição e vulnerabilidade. “Não é apenas o clima que está mudando. A sociedade aumentou enormemente sua exposição e, em muitos casos, também sua vulnerabilidade”, afirmou. 

O pesquisador apresentou dados que mostram a aceleração dos impactos climáticos globais. Segundo ele, a taxa de elevação do nível médio do mar multiplicou-se por cinco nas últimas décadas, enquanto os eventos extremos de precipitação, ondas de calor e incêndios florestais se tornaram mais frequentes e intensos. Apenas na União Europeia, perdas econômicas relacionadas a eventos meteorológicos e climáticos ultrapassaram € 650 bilhões nos últimos 42 anos. 

Segundo Soares, os modelos globais conseguem hoje representar atmosfera, oceanos, vegetação, gelo e ciclo de carbono, mas ainda operam em escalas insuficientes para a tomada de decisão empresarial. Para superar essa limitação, pesquisadores vêm combinando modelagem climática regional, imagens de satélite e inteligência artificial para gerar informações cada vez mais precisas sobre ativos específicos, cidades, infraestruturas e carteiras de seguros. 

O especialista apresentou exemplos aplicados a Portugal, São Paulo e Estados Unidos, mostrando como essas ferramentas permitem identificar ilhas de calor urbanas, riscos de inundação, vulnerabilidade costeira, produtividade agrícola e impactos sobre redes elétricas. Segundo ele, a nova geração de dados climáticos permitirá que seguradoras, empresas e governos tomem decisões mais precisas sobre investimentos, adaptação e precificação de riscos. 

Na avaliação de Pedro Baptista, chefe da Unidade de Adaptação e Financiamento Climático, Agência para o Clima, um dos principais desafios atuais não é a ausência de dados, mas a dificuldade de organizar e transformar essas informações em instrumentos efetivos de decisão. “Hoje existe muita informação disponível. O desafio é recolher, sistematizar, trabalhar esses dados e apresentá-los de forma acionável para os diversos atores”, afirmou. 

Segundo o representante da Agência para o Clima, a nova Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas de Portugal busca justamente integrar dados produzidos por universidades, órgãos públicos e instituições internacionais para apoiar políticas públicas e investimentos privados.

Baptista ressaltou ainda a importância de ampliar a coleta de dados sobre perdas e danos provocados por eventos extremos, informação considerada fundamental para o planejamento de medidas de adaptação e para o desenvolvimento de mecanismos de proteção financeira. 

Um desafio para seguradoras

Representando a CNseg, Antonio Trindade observou que o setor segurador passa por um momento de transformação diante do aumento dos riscos climáticos. Em tom bem-humorado, afirmou que, após ouvir os dados apresentados nos dois primeiros painéis do fórum, sua reação inicial como ex-executivo de seguradora seria recomendar cautela extrema na subscrição desses riscos.

Mas logo em seguida destacou que a enorme quantidade de informações hoje disponível cria uma oportunidade inédita para o desenvolvimento do mercado. “O grande desafio é organizar os dados, dar confiabilidade a essas informações e educar o mercado segurador para utilizá-las adequadamente”, afirmou. 

Segundo Trindade, a CNseg já trabalha na construção de um hub de informações voltado inicialmente para riscos de inundação e seca. O objetivo é integrar dados climáticos, informações de infraestrutura, histórico de perdas e experiências internacionais para apoiar políticas de prevenção e ampliar a capacidade de subscrição das seguradoras brasileiras. 

O executivo citou como exemplo as enchentes do Rio Grande do Sul e observou que parte dos danos poderia ter sido mitigada por investimentos preventivos e melhor manutenção de infraestruturas de contenção. “A prevenção continua sendo o melhor seguro”, resumiu. 

Trindade também destacou a proposta que a CNseg vem desenvolvendo junto ao governo federal para a criação de um seguro de catástrofes voltado às populações mais vulneráveis. Segundo ele, a ideia é estruturar um mecanismo de caráter assistencial, com indenizações de menor valor, destinado a famílias que vivem em áreas mais expostas a enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos.

Na avaliação do executivo, a iniciativa pode tornar mais rápida e eficiente a chegada dos recursos às vítimas de desastres naturais. “O mercado segurador tem capacidade de fazer esse dinheiro chegar mais rapidamente a quem precisa. Em vez de passar por diversas instâncias administrativas, os recursos podem alcançar diretamente as famílias atingidas”, afirmou.

Segundo Trindade, o projeto também pode representar um primeiro passo para a construção de um mercado mais robusto de proteção contra catástrofes no Brasil. Para isso, defendeu a participação conjunta de seguradoras, resseguradoras, fundos públicos e mecanismos de compartilhamento de riscos. “Precisamos construir uma solução capaz de proteger as comunidades mais vulneráveis e aumentar a resiliência do país diante dos eventos climáticos extremos”, disse.

Ao encerrar sua apresentação, Pedro Matos Soares fez um alerta sobre a necessidade de transformar conhecimento científico em decisões concretas. Segundo ele, apesar dos avanços na modelagem climática, na inteligência artificial e na produção de dados de alta resolução, essas informações ainda são subutilizadas por governos, empresas e instituições.

“No Brasil existe ainda uma cultura limitada de dados abertos. Hoje gera-se economia com dados. Temos informações sobre riscos climáticos há muitos anos, com diferentes níveis de granularidade e sofisticação, mas elas continuam sendo pouco utilizadas na tomada de decisão”, afirmou.

Para o pesquisador, a informação climática deve ser encarada como uma ferramenta operacional de gestão de riscos. Na sua avaliação, embora seja difícil alterar a evolução do clima no curto prazo, governos, empresas e seguradoras podem agir sobre dois fatores fundamentais do risco: a exposição e a vulnerabilidade. “Quando decidimos investir em locais sujeitos a determinados riscos e não levamos essa informação em consideração, estamos tomando uma má decisão. Os dados existem justamente para apoiar escolhas mais resilientes e eficientes”, concluiu.

Ao final do painel, os participantes convergiram na avaliação de que dados, modelagem climática e inteligência artificial deixarão de ser ferramentas complementares para se tornar elementos centrais da gestão de riscos nas próximas décadas. Para eles, a capacidade de transformar informação científica em decisões práticas será um dos principais diferenciais para governos, empresas e seguradoras em um mundo cada vez mais exposto aos efeitos das mudanças climáticas. 

Mudanças climáticas pressionam contas públicas e ampliam debate sobre seguros de catástrofe

LISBOA – As mudanças climáticas deixaram de ser um desafio futuro para se tornar uma realidade econômica, social e financeira. A avaliação foi compartilhada pelos participantes do painel “Gerir o Clima é Gerir Risco”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, que reuniu especialistas em sustentabilidade, regulação e seguros para discutir como ampliar a resiliência das economias diante da intensificação dos eventos extremos. Participaram do debate Duarte Cordeiro, presidente Sócio da Shiftify Estratégias de Sustentabilidade, Carlos Guiné, diretor de sustentabilidade da Eiopa, autoridade europeia de supervisão de seguros e previdência, e Cláudia Prates, diretora de sustentabilidade da CNseg, a confederação das seguradoras do Brasil. O painel foi moderado por João Mestre.

Na palestra principal do painel, Duarte Cordeiro apresentou um diagnóstico detalhado dos impactos das mudanças climáticas em Portugal e na Europa. Segundo ele, o continente aquece a uma velocidade aproximadamente duas vezes superior à média global e já registra efeitos concretos das alterações climáticas sobre a economia e a qualidade de vida da população.

O especialista destacou que quatro dos cinco anos mais quentes da história de Portugal ocorreram entre 2022 e 2025. Apenas em 2025 o país enfrentou seis ondas de calor, enquanto cinco dos dez anos mais secos já registrados ocorreram desde o ano 2000. A erosão costeira também avança de forma acelerada: entre 1958 e 2020, Portugal perdeu 13 quilômetros quadrados de território para o mar.

Segundo Cordeiro, os impactos financeiros já são expressivos. Somente os eventos climáticos registrados no inverno de 2026 provocaram prejuízos estimados em € 5,3 bilhões. Além disso, dados internacionais mostram que cerca de 57% das perdas econômicas relacionadas a eventos climáticos permanecem sem cobertura securitária.

Para o especialista, os desafios geopolíticos atuais, incluindo tensões comerciais, conflitos internacionais e pressões sobre o custo da energia, tornam ainda mais complexa a implementação das políticas climáticas. Ainda assim, ele defendeu que governos e empresas mantenham os compromissos assumidos no Acordo de Paris e reforcem investimentos em adaptação. “Grande parte das perdas acontece porque continuamos construindo em áreas de risco. O risco não entra na conta. Quando ele passar a entrar, muitas decisões econômicas serão diferentes”, afirmou.

Segundo Cordeiro, seguradoras podem desempenhar papel decisivo ao fornecer dados, estudos e mecanismos capazes de aumentar a consciência dos agentes públicos e privados sobre os riscos climáticos, contribuindo para decisões mais adequadas de ocupação do território e planejamento urbano.

Claudia Prates, da CNseg, detalhou como os impactos climáticos já afetam a economia brasileira e evidenciam uma enorme lacuna de proteção. Segundo Cláudia Prates, entre 2020 e 2024 o Brasil registrou perdas econômicas médias superiores a R$ 12 bilhões por ano associadas a 67 eventos climáticos extremos analisados pela entidade. Apesar disso, aproximadamente 90% dessas perdas não possuíam cobertura securitária. “O Brasil ainda possui uma lacuna de proteção muito elevada. Quando olhamos para esses números, fica evidente que precisamos avançar na construção de uma economia mais resiliente”, afirmou.

A executiva destacou que o país gasta atualmente cerca de dez vezes mais recursos na recuperação de desastres do que em adaptação climática, situação que considera insustentável diante da crescente frequência dos eventos extremos. Segundo ela, estudo recente do Lloyd’s mostrou que cada redução de 1% na lacuna de proteção pode evitar cerca de 22% dos gastos posteriores com recuperação e reconstrução.

Para Cláudia, o setor segurador precisa ocupar papel estratégico nesse processo, trabalhando ao lado do governo, do mercado de capitais e do sistema financeiro para financiar a adaptação climática e fortalecer a gestão de riscos. “Não adianta reconstruir no mesmo local sem adaptação. Não adianta uma empresa aumentar sua resiliência se o município não fizer sua parte. Os riscos climáticos precisam ser vistos de forma integrada”, afirmou.

A diretora da CNseg chamou atenção para a vulnerabilidade da infraestrutura brasileira. Segundo ela, escolas, hospitais, rodovias e outras estruturas públicas continuam amplamente expostas aos riscos climáticos, enquanto o agronegócio — responsável por parcela relevante do PIB nacional — permanece entre os setores mais suscetíveis aos efeitos das mudanças do clima.

Outro ponto destacado pela executiva foi a necessidade de ampliar a consciência da população sobre os riscos. Ela lembrou que a CNseg desenvolveu ferramentas para permitir que cidadãos consultem o nível de exposição de seus imóveis a eventos como inundações, além de defender a criação de mecanismos de proteção social para catástrofes climáticas voltados às populações mais vulneráveis.

“Quem mais sofre com os eventos extremos são as populações vulneráveis. Quando ocorre uma enchente, não há apenas a perda patrimonial. Há queda de arrecadação, endividamento das famílias, dificuldades para as empresas se reerguerem e enfraquecimento da economia local”, afirmou.

Seguradoras devem deixar de ser apenas pagadoras de sinistros

Representando a autoridade europeia de supervisão de seguros, Carlos Guiné destacou que as mudanças climáticas já começam a produzir um fenômeno preocupante em algumas regiões da Europa: áreas onde o seguro se torna excessivamente caro ou simplesmente deixa de estar disponível. Segundo ele, o setor segurador precisa assumir um papel mais ativo na prevenção e na redução dos riscos. “O seguro não pode atuar apenas depois que o sinistro acontece. As seguradoras precisam tornar-se parceiras na gestão do risco e na construção da resiliência”, afirmou.

Guiné explicou que o preço do seguro funciona como um importante sinalizador econômico. Ao refletir adequadamente o risco, as seguradoras podem incentivar investimentos em prevenção, adaptação e construção resiliente. Também destacou o potencial do setor para apoiar processos de reconstrução sustentável após eventos extremos. Na avaliação do regulador europeu, o futuro do mercado passa por uma transformação de papel: deixar de atuar apenas como pagador de sinistros para se tornar um agente ativo de prevenção, orientação e gestão de riscos.

Brasil e Portugal lançam fórum para ampliar cooperação em seguros e adaptação climática

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LISBOA – A cooperação entre Brasil e Portugal para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e ampliar a capacidade de resposta da sociedade a eventos extremos marcou a abertura do 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, realizado nesta terça-feira, em Lisboa, numa parceria entre a CNseg, confederação das seguradoras do Brasil, e a seguradora Fidelidade, a maior de Portugal. O encontro reúne representantes do mercado segurador, autoridades públicas, especialistas e acadêmicos para debater o papel dos seguros na construção de economias mais resilientes e preparadas para os desafios ambientais, econômicos e sociais das próximas décadas.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho Diretor da CNseg, Roberto Santos, destacou que a iniciativa nasce com o objetivo de criar uma ponte permanente de cooperação entre os dois países. Segundo ele, o intercâmbio de experiências pode contribuir para o desenvolvimento de novas soluções, o fortalecimento das capacidades técnicas do setor e a ampliação da capacidade de resposta diante de eventos extremos.

“Queremos compartilhar experiências, conhecimento atuarial, tecnologia e inovação para desenvolver produtos e construir uma capacidade cada vez maior de adaptação. Este fórum nasce para ser uma ponte permanente entre Brasil e Portugal”, afirmou. O executivo ressaltou que o papel do seguro vem se ampliando em todo o mundo. Mais do que indenizar perdas após a ocorrência de um sinistro, o setor passou a atuar na prevenção, na gestão de riscos e na promoção da resiliência econômica e social.

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A mesma visão foi compartilhada por Rogério Campos Henriques. O executivo português lembrou que a aproximação entre a Fidelidade e a CNseg ganhou força durante as últimas conferências climáticas da ONU e resultou na criação do fórum como espaço permanente de diálogo entre os mercados seguradores dos dois países. Para Henriques, embora temas como geopolítica, defesa e segurança energética tenham ganhado espaço no debate público internacional, as mudanças climáticas continuam avançando e produzindo impactos cada vez mais relevantes sobre a economia e a sociedade. “As alterações climáticas não entram de férias”, afirmou. “O debate já não é se esses eventos vão afetar as nossas economias. A questão é como vamos nos adaptar.”

Segundo o executivo, o setor segurador possui uma posição única nesse processo porque atua não apenas na reparação das perdas, mas também na redução das vulnerabilidades e na aceleração da recuperação econômica após eventos extremos. “O seguro existe para transformar risco em resiliência”, afirmou. Henriques destacou ainda que nenhum agente conseguirá enfrentar sozinho os desafios climáticos. Na sua avaliação, governos, seguradoras, empresas, universidades e centros de pesquisa precisarão atuar de forma coordenada para construir soluções de adaptação capazes de proteger a população e sustentar o crescimento econômico.

Henriques classificou o fórum como um momento histórico para o setor, assinalando que pela primeira vez Portugal e Brasil se uniram formalmente, ao nível setorial, para debater estratégias de adaptação climática e explorar vias de colaboração.

A dimensão internacional da cooperação foi reforçada pelo embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro. Segundo ele, Brasil e Portugal compartilham não apenas laços históricos e culturais, mas também desafios comuns relacionados à sustentabilidade, à proteção financeira e aos impactos dos eventos climáticos extremos.

Ao citar as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e os incêndios florestais e tempestades que afetaram Portugal nos últimos anos, Carreiro observou que os dois países enfrentam situações semelhantes e podem se beneficiar do intercâmbio de experiências e soluções. “O setor de seguros vai muito além da mitigação de riscos. Ele ajuda a organizar expectativas, viabilizar investimentos e fortalecer a confiança, elementos indispensáveis para o desenvolvimento econômico e social”, afirmou.

O embaixador também aproveitou a abertura para lançar uma provocação ao setor. Segundo ele, uma das agendas que merecem maior atenção é a criação de mecanismos de proteção para trabalhadores de aplicativos de transporte e entrega, grupo que cresce em diversos países e frequentemente atua sem proteção previdenciária ou cobertura securitária adequada.

“Os hospitais brasileiros estão cheios de jovens trabalhadores de aplicativos envolvidos em acidentes sem qualquer proteção financeira ou benefício trabalhista. Talvez daqui possa surgir uma ideia para os governos dos dois países sobre como ampliar essa proteção”, afirmou.

Carreiro também destacou a relevância dos seguros para o agronegócio, setor estratégico para as economias brasileira e portuguesa. Segundo ele, instrumentos de proteção financeira contribuem para garantir estabilidade produtiva, segurança alimentar e geração de riqueza em um cenário de crescente exposição aos riscos climáticos.

O fórum assume o compromisso das duas organizações de dar continuidade ao diálogo, aprofundando a cooperação bilateral no domínio dos seguros e da adaptação climática, num contexto em que o setor segurador assume crescente protagonismo nas negociações climáticas internacionais, reconhecido pela Agenda de Ação da COP30.

Generali Brasil amplia parceria cultural e assume naming rights da 8½ Festa do Cinema Italiano 

A 13ª edição da 8½ Festa do Cinema Italiano chega com uma novidade: a seguradora Generali amplia sua parceria com o evento, assume seus naming rights e passa a adotar o nome 8½ Festa do Cinema Italiano por Generali.
 

Realizada entre 25 de junho e 1º de julho, com edições confirmadas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Aracaju, Recife, Porto Alegre e Florianópolis, a festa é reconhecida como o principal evento dedicado ao cinema italiano no país. O público tem acesso a uma seleção de obras contemporâneas, além de encontros com profissionais do setor e exibições exclusivas.
 

A iniciativa reforça a conexão histórica da Generali com a cultura italiana e sua trajetória no Brasil, onde está presente há mais de 100 anos. Com histórico de apoio a exposições, mostras e iniciativas ligadas à herança italiana, a seguradora atua desde 2020 como principal patrocinadora da Festa do Cinema Italiano e, agora, ao assumir seus naming rights, amplia seu investimento cultural e fortalece sua contribuição para aproximar o público brasileiro da pluralidade e criatividade do cinema italiano. 

A programação deste ano reúne dez filmes já confirmados e traz nomes consagrados e novas produções do cinema italiano contemporâneo. Entre os destaques está Caro diario, clássico de Nanni Moretti, que será exibido em cópia restaurada. O longa recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Música no David di Donatello, além de reconhecimento no Festival de Cannes.

Outro destaque é Modi- Três dias nas asas da loucura, drama de época dirigido por Johnny Depp, que marca seu retorno à direção após 29 anos e reúne Al Pacino e Riccardo Scamarcio no elenco. Inspirado na trajetória de Amedeo Modigliani, o filme mistura humor e liberdade criativa ao retratar a vida do artista italiano.

A seleção inclui ainda Fuori, de Mario Martone, indicado à Palma de Ouro em Cannes de 2025, o documentário ítalo-brasileiro Irmãos Segreto, que retrata a trajetória de pioneiros italianos do cinema no Brasil, e a Última Rodada (Le città di pianura), dirigido por Francesco Sossai e considerado um dos destaques italianos apresentados em Cannes.

Também integram a programação produções como Primavera, que marca estreia em longas-metragens do diretor de ópera Damiano Michieletto, o thriller dramático Il nibbio, o Menino da Calça Rosa (Il ragazzo dai pantaloni rosa), um dos filmes italianos de maior público em 2025, Três Vezes Adeus, adaptação da obra de Michela Murgia, e o documentário Agnus Dei, exibido no Festival de Veneza.
 

A programação completa será divulgada em breve no site oficial do evento: festadocinemaitaliano.com.br.

O festival “8 ½ Festa do Cinema Italiano por Generali” é uma realização do Ministério da Cultura, da Associação Il Sorpasso e da Risi Film Brasil, com o apoio e promoção da Embaixada da Itália, dos Institutos Italianos de Cultura do Rio de Janeiro e de São Paulo e do Consulado Geral do Rio de Janeiro, e com apoio institucional do Consulado Geral de São Paulo e dos Consulados de Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife.

Previdência privada: aportes superam R$ 54 bilhões em planos abertos no 1º quadrimestre do ano 

O último relatório realizado pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida — Fenaprevi mostra que a captação bruta em planos de previdência privada aberta caiu no primeiro quadrimestre de 2026, totalizando R$ 54,1 bilhões ou uma retração de 8,3% quando comparado ao mesmo intervalo do ano anterior.

Os resgates também diminuíram na mesma base de comparação (em 8,5%), somando R$ 47,4 bilhões. Logo, a captação líquida – calculada com base nos aportes menos as retiradas – foi de R$ 6,7 bilhões, valor 7,8% abaixo do observado no mesmo período de 2025.

Em abril, os ativos dos planos de previdência privada aberta somaram R$ 1,9 trilhão, o que representa cerca de 14% do PIB do Brasil. O montante teve evolução de 12,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

Mais de 13 milhões de planos

Os valores estão distribuídos em 13,6 milhões de planos de previdência privada aberta no país. Eles pertencem às 11,2 milhões de pessoas preocupadas com o longo prazo e que se esforçam para construir uma reserva para o futuro.

Do total, 8,9 milhões de pessoas (cerca de 80%) estão na modalidade individual, ou seja, quando a iniciativa partiu da própria pessoa.

VGBL é a principal escolha 

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) lidera com 8,6 milhões de planos, ou 63% do total. Ainda em abril, 3,2 milhões eram do tipo PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), cerca de 23,1% da totalidade, e os demais 13,9% se referem aos modelos Tradicionais, somados aos planos de acumulação e FAPI.

Já em termos de contribuições, os planos VGBL receberam R$ 49 bilhões em aportes no 1º quadrimestre de 2026, ou (90,5%). Outros 7,9% ou R$ 4,3 bilhões se referem ao tipo PGBL e 1,7% foi destinado aos planos Tradicionais.

Sicoob e HDI anunciam parceria que une crédito e seguro em uma única operação

Financiar um veículo e sair com ele já segurado, na mesma operação, sem burocracia e com muita agilidade na contratação. Essa é a proposta do Seguro Auto Financiado, desenvolvido pelo Sicoob em parceria com o Grupo HDI e já disponível no mercado. A iniciativa nasce de uma lacuna na jornada de crédito veicular: o intervalo que sempre existiu entre a concessão do financiamento e a contratação da proteção. Ao unir os dois momentos em uma única operação, o Sicoob entrega conveniência, reduz fricções e amplia o valor percebido pelo cooperado sem exigência de vistoria prévia, garantindo assim a proteção integral para a pessoa cooperada e a cooperativa. 
 

O modelo se enquadra no conceito de embedded insurance, tendência global que redefine a forma como seguros são distribuídos. Em vez de tratar a proteção como um produto autônomo, a ser buscado separadamente após a compra, o embedded insurance integra o seguro ao próprio processo de aquisição do bem, tornando-o parte natural e invisível da jornada do cliente. No contexto do financiamento veicular, isso significa que o cooperado não precisa pesquisar seguradoras, comparar coberturas ou enfrentar burocracia adicional: a proteção já está incluída quando o crédito é concedido. É uma mudança de lógica do seguro como etapa extra para o seguro como parte da experiência.
 

“O Sicoob já conta com um portfólio robusto de soluções de seguro auto, construído ao longo dos anos para atender diferentes perfis e necessidades dos cooperados. A parceria com o Grupo HDI representa um avanço nessa trajetória: trouxemos para dentro do fluxo de financiamento uma proteção que antes exigia uma jornada separada, eliminando fricções e barreiras na experiência de compra. É a combinação de duas expertises, a do cooperativismo financeiro e a de uma das maiores seguradoras do Brasil a serviço de uma experiência mais completa para o cooperado”, afirma Guilherme Palma Neto, Coordenador Comercial de Seguros Gerais do Sicoob.

O Seguro Auto Financiado é resultado de uma colaboração entre o Sicoob e o Grupo HDI, seguradora com reconhecida atuação no mercado de automóvel no Brasil. A parceria resultou em um programa exclusivo de afinidade para o sistema, desenhado para respeitar as especificidades da relação entre cooperativa e cooperado, e não apenas replicar produtos do varejo bancário tradicional.

“Acreditamos no potencial do cooperativismo financeiro como canal de distribuição de seguros com alto valor percebido. Construir esse programa junto ao Sicoob foi uma oportunidade desenvolver algo genuinamente novo para o mercado”, comenta Gustavo Peri, Gerente Comercial de Cooperativas do Grupo HDI. 

HDI Seguros renova patrocínio à Maratona de Floripa e reforça incentivo ao esporte e bem-estar

A HDI Seguros renovou o patrocínio à Maratona Internacional da Cidade de Florianópolis – Maratona de Floripa, reforçando sua estratégia de proximidade com o mercado catarinense e consolidando a presença da marca na região Sul do país. Reconhecida como uma das principais provas de corrida de rua do Brasil, a competição será realizada no dia 7 de junho, em Florianópolis, com percursos de 42 km, 21 km e 5 km. As largadas estão previstas para ocorrer a partir das 6h, na Beira-Mar Continental. As inscrições seguem abertas e podem ser realizadas diretamente pelo site oficial da Maratona de Floripa. 
 

O apoio à maratona amplia a atuação da seguradora em iniciativas voltadas à promoção de qualidade de vida, bem-estar e incentivo à prática esportiva, fortalecendo o relacionamento com o público da região por meio de experiências e ativações ao longo do evento. Além disso, a ação reforça o posicionamento institucional da HDI de valorização dos corretores e parceiros de negócios, fundamentais para o crescimento sustentável da operação no estado. Santa Catarina ocupa papel relevante na atuação da marca, tanto pelo potencial econômico quanto pela forte conexão com o mercado regional, em linha com o território de marca da HDI, pautado pela proximidade, cuidado e construção de relações duradouras. 
 

Com percurso à beira-mar e estrutura voltada para corredores de diferentes níveis, a prova movimenta o calendário esportivo e turístico da capital catarinense, reunindo atletas de diversas regiões do país. A programação contará com percursos de maratona, meia maratona e corrida de 5 km, além de áreas de apoio e serviços aos participantes. Entre as ações previstas da seguradora estão a disponibilização de um espaço de apoio para convidados, com estrutura de alimentação e hidratação, além da distribuição de brindes para parceiros comerciais. A presença da marca também contará com ativações especiais e ações de engajamento ao longo da programação, como um instagramável em formato de pódio para interação do público. 

“Mais do que oferecer seguros, queremos contribuir para que as pessoas vivam com mais qualidade e bem-estar. Apoiar a Maratona de Florianópolis reforça a conexão da HDI com iniciativas que incentivam saúde, superação e integração social, valores que fazem parte do nosso território de marca e da forma como nos relacionamos com clientes, corretores e parceiros. O esporte tem um papel importante como ferramenta de transformação e aproximação, e eventos como esse também fortalecem nossa estratégia de gerar impacto positivo nas comunidades onde atuamos”, afirma Rubens Oliboni, Diretor Regional de Santa Catarina e Rio Grande do Sul da seguradora.

Brasil e Portugal fecham parceria no setor de seguros contra riscos climáticos

Fonte: Público Brasil

A parceria entre a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), entidade que representa o mercado segurador brasileiro, e a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), principal representante do setor em Portugal, avança e o objetivo é ampliar a proteção de consumidores, empresas e produtores rurais diante do aumento das catástrofes climáticas e dos riscos cibernéticos.

A cooperação institucional prevê intercâmbio de conhecimento, desenvolvimento de novos produtos, compartilhamento de experiências regulatórias e fortalecimento dos mecanismos de proteção financeira nos dois países. Segundo o presidente da CNSeg, Dyogo Oliveira, a aproximação permite oferecer seguros mais adequados às necessidades da população, além de impulsionar projetos conjuntos voltados à adaptação climática, inovação e gestão de riscos emergentes.

O fortalecimento dessa agenda ocorre em um momento em que Brasil e Portugal enfrentam desafios semelhantes provocados pela intensificação dos eventos extremos, a exemplo de enchentes, secas prolongadas, incêndios florestais, tempestades severas e ondas de calor que têm provocado prejuízos, além de afetar populações vulneráveis, infraestruturas públicas e cadeias produtivas estratégicas.

Para Oliveira, as mudanças climáticas e os riscos cibernéticos já estão entre os principais desafios contemporâneos para o mercado segurador, e isso exige soluções mais modernas e cooperação internacional para ampliar a capacidade de proteção das sociedades.

A aproximação entre os mercados seguradores brasileiro e português ganhou força, segundo Oliveira, durante a COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, em 2024. Naquele momento, representantes dos dois países iniciaram discussões que resultariam, em 2025, na construção de uma agenda permanente de cooperação. E esse movimento ganha novo impulso com a realização, nesta quarta-feira, 3 de maio, do primeiro Fórum Brasil–Portugal de Seguros, promovido pela CNSeg e pelo Grupo Fidelidade, com apoio da APS, no Técnico Innovation Center, em Lisboa.

A iniciativa busca aproximar lideranças do setor, fomentar cooperação técnica e desenvolver soluções conjuntas para riscos emergentes que desafiam seguradoras, governos e economias em ambos os lados do Atlântico. O objetivo é claro: criar um ambiente permanente de troca de experiências capaz de acelerar a inovação e fortalecer a resiliência dos mercados.

A agenda conjunta também mira um compromisso de longo prazo. Após os avanços obtidos nas discussões iniciadas durante a COP29, Brasil e Portugal pretendem ampliar a coordenação internacional na COP31, este ano na Turquia, quando, segundo ele, voltarão a defender o papel estratégico do setor segurador na mitigação dos impactos climáticos e na construção de mecanismos mais eficientes de proteção social e financeira.

A colaboração entre as entidades ocorre em um contexto de crescente preocupação global com os efeitos das alterações climáticas. No Brasil, o ano de 2025 foi marcado por enchentes, estiagens, ondas de calor, chuvas de granizo, tornados e incêndios florestais que afetaram mais de 336 mil pessoas e geraram prejuízos estimados em 663 milhões de euros. Dados do Radar de Eventos Climáticos e Seguros, da CNSeg, apontam que apenas no primeiro semestre do ano passado, as perdas associadas aos eventos climáticos alcançaram 5,2 bilhões de euros.

Por outro lado, em Portugal, o cenário também se agravou. Dados da Agência Portuguesa do Ambiente registraram o mês de maio mais chuvoso dos últimos 50 anos, seguido por períodos de calor extremo que elevaram significativamente os riscos de incêndios florestais em diversas regiões do país.

A frequência desses eventos, em escala crescente, tem provocado uma mudança estrutural na forma como o setor segurador avalia riscos e projeta cenários futuros, conforme Oliveira. Modelos historicamente baseados em séries estatísticas passadas começam a perder eficiência diante de uma realidade climática mais instável e imprevisível.

“As mudanças climáticas não estão apenas elevando o volume de indemnizações pagas pelo setor de seguros, mas transformando a própria essência da atividade seguradora”, afirma o presidente da CNseg, que participa do XIV Fórum de Lisboa. Segundo ele, um dos maiores desafios para os próximos anos será justamente revisar os modelos tradicionais de avaliação de risco. “A realidade atual já não se comporta como no passado. Portanto, olhar apenas para os dados históricos deixou de ser suficiente para avaliar o risco futuro”.

Os reflexos desse novo cenário já podem ser observados em setores estratégicos da economia, especialmente no agronegócio. O seguro rural, considerado um dos principais instrumentos de proteção para produtores, enfrenta dificuldades crescentes de precificação diante da maior incidência de perdas climáticas.

Nos últimos anos, o Brasil chegou a contar com cerca de 13,7 milhões de hectares protegidos por seguro rural. Em 2025, porém, a área segurada recuou para pouco mais de 3 milhões de hectares, o equivalente a apenas 3,3% da área plantada do país. Entre os fatores apontados para essa retração está a redução dos recursos destinados à subvenção federal que auxilia pequenos e médios produtores na contratação de seguros, de acordo com dados fornecidos pela CNSeg.

Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção financeira para o campo, especialmente diante da crescente exposição do agronegócio aos riscos climáticos. Nesse contexto, experiências internacionais têm despertado interesse dos mercados brasileiro e português. Na Turquia, por exemplo, o seguro contra desastres naturais é incluído diretamente na conta de energia elétrica.

No México, estados somente têm acesso a apoio federal em situações de emergência caso possuam seguros para infraestruturas públicas. Os modelos são vistos como exemplos de como políticas públicas, incentivos e participação privada podem ampliar a cobertura e reduzir vulnerabilidades.

No Brasil, a CNseg também participa de discussões com o Executivo e o Legislativo sobre a criação de um Seguro Social de Catástrofe, proposta que busca ampliar a proteção da população diante de eventos extremos e reduzir impactos econômicos e sociais provocados por desastres naturais.

Paralelamente, o mercado europeu tem intensificado investimentos em inteligência climática e pesquisa aplicada. O Grupo Fidelidade criou um centro especializado para estudar riscos físicos associados às alterações climáticas, cruzando informações sobre incêndios, ondas de calor, precipitações extremas e elevação do nível do mar com impactos socioeconômicos em diferentes territórios.

A iniciativa reúne universidades, centros de pesquisa e especialistas para produzir conhecimento aplicável à formulação de políticas públicas, ao desenvolvimento de produtos seguradores e ao aprimoramento das estratégias de prevenção e adaptação.

Para Dyogo Oliveira, a aproximação entre Brasil e Portugal também abre espaço para o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas diretamente aos consumidores. “Assim como aqui em Portugal, nós temos desenvolvido parcerias com outros países. De início, com os países da América Latina, através da Federação Interamericana de Seguros, da qual somos associados. E temos desenvolvido parcerias bilaterais com Portugal, com a França, com o Reino Unido, e estamos começando também uma aproximação com a Espanha”, comenta.

Ele destaca que estão explorando possibilidades a partir de uma troca de formações e conhecimento entre empresas brasileiras e portuguesas, para terem produtos mais adequados às necessidades das pessoas, tanto em Portugal, que já tem um mercado de seguros bem desenvolvidos quanto no Brasil que ainda tem bastante mercado para crescer.

“O Brasil ainda tem uma lacuna de proteção de seguros grande: muitas casas e carros não têm seguros, muitas pessoas não têm seguro de vida e, por outro lado, há um espaço muito grande para o Brasil crescer e ter a experiência de outros países”, diz Dyogo. E complementa: “O que acho mais importante é compartilhar o conhecimento sobre algumas questões mais graves e recentes que têm acontecido, como catástrofes climáticas, riscos cibernéticos, que têm impactado o mercado de seguros”.

Para ele, a aproximação entre a CNseg e a APS permite uma troca de conhecimento e experiência dos dois mercados que pode melhorar os produtos tanto do Brasil quanto de Portugal. E, dessa maneira, melhorar o atendimento aos clientes e segurados, viabilizando a oferta de seguros mais apropriada para as necessidades das pessoas

Seguros entram na agenda do saneamento para ampliar segurança das concessões

forum de lisboa cnseg

LISBOA – O desafio de universalizar o saneamento básico até 2033 exige mais do que ampliar investimentos. Exige também criar mecanismos capazes de oferecer segurança aos investidores, financiadores, operadores e ao próprio poder público. Essa foi uma das principais mensagens do painel “Infraestrutura de Saneamento na Nova Ordem Sustentável”, realizado durante o Fórum de Lisboa, onde o mercado segurador apresentou uma proposta para ampliar sua participação na estruturação dos projetos de infraestrutura do país.

Representando a CNseg, a confederação das seguradoras, o diretor de Relações Institucionais, Hailton Madureira, defendeu uma atuação mais próxima entre seguradoras e órgãos públicos para garantir que os contratos de concessão contemplem coberturas compatíveis com os riscos envolvidos. Segundo ele, a entidade já mantém parcerias com o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o Ministério de Portos e Aeroportos e diversas agências reguladoras para apoiar tecnicamente a elaboração dos editais.

“Muitas vezes o poder público quer proteger determinado ativo ou serviço, mas isso não está corretamente especificado no edital. Em alguns casos, o bem vale R$ 1 bilhão e está segurado por apenas R$ 100 milhões. O risco existe, mas não está adequadamente protegido”, afirmou Madureira em entrevista ao Sonho Seguro após sua participação no painel.

Segundo ele, o objetivo da iniciativa não é comercial. “A CNseg não vende seguro. O que fazemos é mostrar quais soluções existem, quais riscos cada cobertura protege e ajudar para que os contratos de concessão já saiam com os seguros adequados às necessidades do poder público”, explicou.

A proposta surge em um momento decisivo para o saneamento brasileiro. Durante o debate, especialistas lembraram que o marco legal do setor estabelece metas ambiciosas para 2033: levar água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% dos brasileiros. Para isso, porém, será necessário acelerar significativamente os investimentos.

Ricardo Simonsen, diretor da Central de Qualidade da FGV e moderador do painel, destacou que o país investe atualmente menos de R$ 40 bilhões por ano em saneamento, enquanto o volume necessário para atingir as metas legais supera R$ 56 bilhões anuais. “O ritmo atual ainda não é suficiente para garantir a universalização dentro do prazo previsto”, observou.

O debate mostrou que o desafio não se resume à disponibilidade de recursos. A capacidade de atrair investidores de longo prazo também depende da redução dos riscos percebidos nos projetos. Para Madureira, é justamente nesse ponto que o seguro pode contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

“O investidor quer saber se a empresa vai sobreviver caso aconteça algo inesperado. O banco quer entender como a obra será retomada diante de uma calamidade. O poder público precisa garantir que as metas de universalização serão cumpridas. E o usuário quer a continuidade do serviço. O seguro ajuda a dar estabilidade para todos esses agentes”, afirmou.

Entre as modalidades apontadas como relevantes para os projetos de saneamento estão seguro garantia, seguro de engenharia, responsabilidade civil, seguro de crédito, coberturas operacionais e seguros ambientais e climáticos. O executivo citou como exemplo os impactos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, que deixaram o Aeroporto Salgado Filho meses sem operação.

“O que estamos discutindo é se os pacotes de seguros contratados estavam preparados para responder a uma calamidade daquela magnitude. O mercado segurador pode contribuir para que a recuperação seja mais rápida e menos dependente de recursos extraordinários do Tesouro”, disse.

Durante sua apresentação, Madureira afirmou que a CNseg tem defendido uma atuação preventiva junto aos órgãos públicos, participando da fase de modelagem dos projetos antes mesmo da publicação dos editais.

A entidade já conversa com ministérios, agências reguladoras e órgãos concedentes para identificar quais riscos precisam ser protegidos em cada empreendimento e quais instrumentos de seguro podem ser utilizados. Entre os exemplos citados estão concessões de portos, projetos habitacionais, infraestrutura de transporte e obras de saneamento.

“Às vezes não é uma questão de legislação. É uma questão de o edital sair mais claro e melhor estruturado. Existem seguros para garantir a conclusão de uma obra, proteger receitas de aluguel, cobrir riscos operacionais ou garantir a continuidade dos serviços. O importante é que esses instrumentos sejam considerados desde a origem do projeto”, afirmou.

Segundo o executivo, contratos mais robustos também contribuem para evitar problemas observados em algumas concessões brasileiras ao longo das últimas décadas. “O Brasil acumulou experiência. As primeiras concessões foram pioneiras e naturalmente enfrentaram dificuldades. Hoje temos mais conhecimento, mais dados e melhores instrumentos para estruturar contratos mais estáveis e previsíveis”, disse.

O painel reuniu representantes do setor público, operadores privados, financiadores e especialistas jurídicos para discutir os desafios da infraestrutura sustentável. Participaram do debate Rafael Rolim, presidente da Cedae; Anselmo Leal, CEO da Águas do Rio; Flávio Boson Gambogi, desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 6ª Região; Walter Baère Filho, diretor jurídico do BNDES; e Fernanda Rodrigues de Morais, consultora jurídica do Ministério das Cidades.

Entre os consensos do encontro esteve a necessidade de ampliar a cooperação entre governo, empresas, financiadores, reguladores e mercado segurador para acelerar a universalização dos serviços. Para a CNseg, a construção dessa agenda passa por um conceito simples: quanto maior a previsibilidade dos contratos, maior a capacidade de atrair investimentos privados para um setor que ainda enfrenta um déficit bilionário de recursos.

“O saneamento precisa avançar sem discussão. Nenhum país se tornou desenvolvido convivendo com rios poluídos e sem acesso universal à água tratada. O mercado segurador está pronto para ajudar a trazer mais crédito, mais investidores e mais segurança para que essas metas sejam alcançadas”, concluiu Madureira.

Bastidores: Fidelidade, maior seguradora de Portugal, tem agenda tomada por executivos brasileiros

Entre um conversa aqui e outra acolá, armazenei memória de dezenas de conversas nos dois dias do XIX Fórum de Lisboa, que acontece de 1 a 3 de junho em Lisboa, para escrever este texto com mais propriedade, podendo separar o que é boato, o que é notícia, o que é agenda apenas em função do evento de seguros que organizam para esta quarta-feira, e o que é pânico de executivos concorrentes.

A seguradora portuguesa Fidelidade, líder do mercado de seguros em Portugal e controlada pelo grupo chinês Fosun, voltou a despertar atenção no mercado brasileiro diante de movimentações que indicam o interesse da companhia em ampliar sua presença na América Latina. Embora ainda não haja anúncio oficial, fontes do setor acompanham com atenção os passos da empresa, que já construiu uma plataforma relevante na região por meio de aquisições e operações próprias.

Fundada em 1835, a Fidelidade é a maior seguradora de Portugal e atua em praticamente todos os segmentos do mercado, incluindo seguros de vida, saúde, automóveis, patrimoniais, empresariais, responsabilidade civil e grandes riscos. Em 2025, o grupo registrou lucro líquido de 201 milhões de euros e administra ativos superiores a 21 bilhões de euros.

A internacionalização tornou-se um dos principais pilares da estratégia da companhia. Atualmente, mais de 30% do volume de negócios da Fidelidade é gerado fora de Portugal. A América Latina ocupa posição central nesse movimento e já responde pela maior parte das receitas internacionais do grupo.

A presença regional foi construída principalmente a partir da aquisição da seguradora peruana La Positiva, uma das líderes daquele mercado. O grupo também controla operações na Bolívia, Paraguai e Chile, onde atua tanto em seguros de pessoas quanto em ramos elementares e corporativos.

Na avaliação de especialistas, uma eventual entrada no Brasil faria sentido dentro da estratégia de crescimento da companhia em mercados com baixa penetração de seguros e elevado potencial de expansão. O país representa o maior mercado segurador da América Latina e atravessa um momento de transformação regulatória, impulsionado pelo novo marco legal dos seguros, pela modernização conduzida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e pela ampliação da concorrência.

Nos bastidores, participantes do setor observam que a Fidelidade possui experiência tanto na aquisição de operações já estabelecidas quanto na criação de novas plataformas de negócios. Ainda não está claro qual modelo seria adotado no Brasil, mas o interesse da companhia reforça a atratividade do mercado brasileiro para grupos internacionais em busca de crescimento em economias emergentes.

Caso o projeto avance, a chegada da seguradora portuguesa poderá ampliar a disputa em segmentos estratégicos, especialmente nos ramos de pessoas, saúde, patrimonial e linhas corporativas, áreas nas quais a companhia acumula experiência em seus mercados de atuação.

Vamos entrevistar a Fidelidade amanhã e trazer mais detalhes.