Bastidores: Fidelidade, maior seguradora de Portugal, tem agenda tomada por executivos brasileiros

Entre um conversa aqui e outra acolá, armazenei memória de dezenas de conversas nos dois dias do XIX Fórum de Lisboa, que acontece de 1 a 3 de junho em Lisboa, para escrever este texto com mais propriedade, podendo separar o que é boato, o que é notícia, o que é agenda apenas em função do evento de seguros que organizam para esta quarta-feira, e o que é pânico de executivos concorrentes.

A seguradora portuguesa Fidelidade, líder do mercado de seguros em Portugal e controlada pelo grupo chinês Fosun, voltou a despertar atenção no mercado brasileiro diante de movimentações que indicam o interesse da companhia em ampliar sua presença na América Latina. Embora ainda não haja anúncio oficial, fontes do setor acompanham com atenção os passos da empresa, que já construiu uma plataforma relevante na região por meio de aquisições e operações próprias.

Fundada em 1835, a Fidelidade é a maior seguradora de Portugal e atua em praticamente todos os segmentos do mercado, incluindo seguros de vida, saúde, automóveis, patrimoniais, empresariais, responsabilidade civil e grandes riscos. Em 2025, o grupo registrou lucro líquido de 201 milhões de euros e administra ativos superiores a 21 bilhões de euros.

A internacionalização tornou-se um dos principais pilares da estratégia da companhia. Atualmente, mais de 30% do volume de negócios da Fidelidade é gerado fora de Portugal. A América Latina ocupa posição central nesse movimento e já responde pela maior parte das receitas internacionais do grupo.

A presença regional foi construída principalmente a partir da aquisição da seguradora peruana La Positiva, uma das líderes daquele mercado. O grupo também controla operações na Bolívia, Paraguai e Chile, onde atua tanto em seguros de pessoas quanto em ramos elementares e corporativos.

Na avaliação de especialistas, uma eventual entrada no Brasil faria sentido dentro da estratégia de crescimento da companhia em mercados com baixa penetração de seguros e elevado potencial de expansão. O país representa o maior mercado segurador da América Latina e atravessa um momento de transformação regulatória, impulsionado pelo novo marco legal dos seguros, pela modernização conduzida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e pela ampliação da concorrência.

Nos bastidores, participantes do setor observam que a Fidelidade possui experiência tanto na aquisição de operações já estabelecidas quanto na criação de novas plataformas de negócios. Ainda não está claro qual modelo seria adotado no Brasil, mas o interesse da companhia reforça a atratividade do mercado brasileiro para grupos internacionais em busca de crescimento em economias emergentes.

Caso o projeto avance, a chegada da seguradora portuguesa poderá ampliar a disputa em segmentos estratégicos, especialmente nos ramos de pessoas, saúde, patrimonial e linhas corporativas, áreas nas quais a companhia acumula experiência em seus mercados de atuação.

Vamos entrevistar a Fidelidade amanhã e trazer mais detalhes.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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