As perdas seguradas provocadas por catástrofes naturais no mundo somaram US$ 46 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 45% em relação aos US$ 84 bilhões registrados no mesmo período do ano passado e 28% abaixo da média dos últimos dez anos, de US$ 64 bilhões. Os dados são do relatório H1 2026 Natural Catastrophe and Climate Report, divulgado pela corretora global de resseguros Gallagher Re.
O volume representa o menor total de perdas seguradas para um primeiro semestre desde 2018, refletindo um período de menor severidade para o mercado global de seguros. Segundo o levantamento, este também foi o quinto trimestre consecutivo sem uma única catástrofe com perdas seguradas superiores a US$ 10 bilhões.

No período, apenas 11 eventos geraram perdas acima de US$ 1 bilhão, abaixo da média histórica de 16 ocorrências. As perdas econômicas totais também recuaram, atingindo US$ 142 bilhões, cerca de 10% inferiores à média da última década. Foram contabilizados 30 eventos com prejuízos econômicos superiores a US$ 1 bilhão, contra média histórica de 33.
As tempestades severas responderam por aproximadamente US$ 26 bilhões das perdas seguradas, mantendo-se como o risco mais oneroso para o mercado de seguros da América do Norte.
Apesar do desempenho mais favorável no primeiro semestre, a Gallagher Re alerta que os riscos climáticos continuam se intensificando. O relatório destaca a onda de calor histórica na Europa, o surgimento das condições de El Niño em junho, a sequência de terremotos na Venezuela, enchentes na China e no Canadá, secas em partes das Américas e a continuidade das tempestades severas nos Estados Unidos.
Segundo a corretora, existe 97,4% de probabilidade de 2026 terminar entre os cinco anos mais quentes já registrados. Embora o El Niño costume reduzir a atividade de furacões no Atlântico, o fenômeno não elimina os riscos, mas desloca as áreas de maior exposição.
Para Steve Bowen, diretor científico da Gallagher Re, os números de perdas contam apenas parte da história. “As mudanças nos padrões climáticos e a evolução dos riscos estão ampliando os impactos sobre a sociedade, mesmo quando não resultam em perdas seguradas recordes”, afirmou.
O executivo destacou ainda que o calor extremo observado na Europa evidencia que eventos climáticos podem provocar grandes impactos humanitários e também afetar o setor segurador por meio de danos estruturais e interrupções de negócios. Bowen acrescenta que a chegada do El Niño reforça a necessidade de seguradoras, resseguradoras, empresas e governos concentrarem esforços na compreensão de como os riscos estão mudando geograficamente, e não apenas na frequência dos eventos extremos.






















