Bradesco Saúde lança campanha estrelada por Tony Ramos e reforça valores de credibilidade, confiança e reputação

A Bradesco Saúde apresenta sua nova campanha publicitária estrelada por Tony Ramos, um dos atores mais admirados e respeitados do Brasil, com mais de 60 anos de carreira. A iniciativa reforça atributos que são pilares da marca — credibilidade, segurança e confiança — e evidencia diferenciais que consolidam a seguradora como uma das principais referências em planos de saúde no país.

Com uma trajetória marcada pela consistência e pela credibilidade, Tony Ramos estabelece uma conexão natural com os valores da Bradesco Saúde. Além de simbolizar confiança para diferentes gerações, o ator também é cliente da Bradesco Saúde há mais de 35 anos, o que torna sua participação ainda mais autêntica e alinhada ao propósito da campanha. “Quando uma relação dura tanto tempo, ela naturalmente se transforma em confiança. É isso que sinto em relação à Bradesco Saúde e é essa mensagem que tenho orgulho de compartilhar nesta campanha”.

A campanha conta com dois filmes – um que acaba de estrear e outro com previsão de ir ao ar em agosto – e aborda situações cotidianas que destacam a importância de fazer escolhas bem fundamentadas quando o assunto é saúde. 

Neste primeiro filme, Tony Ramos faz uma conexão direta entre a carreira bem-sucedida do ator e a importância de decisões feitas com responsabilidade ao longo do tempo. Em conversa direta com o telespectador, ele fala sobre como construiu sua trajetória profissional pautada pelo comprometimento, dedicação e seriedade, estabelecendo um paralelo com a escolha de um plano de saúde que também gera credibilidade, segurança e confiança. Como cenário, os bastidores do estúdio ganham destaque, com grandes telões exibindo imagens relacionadas ao cuidado com a saúde e o bem-estar, reforçando visualmente o conceito da campanha. 

Composta por filmes de 30 e 15 segundos, a campanha foi criada pela agência AlmapBBDO e reforça o conceito criativo: “Plano de saúde tem vários. Bradesco Saúde, só tem um.”

“A comunicação valoriza a construção de relações duradouras, baseadas na confiança e na solidez de uma marca que, ao longo do tempo, se consolidou por oferecer cuidado, segurança e excelência em seus serviços. A escolha de Tony Ramos traduz esse posicionamento, ao associar sua carreira consistente à reputação construída pela Bradesco Saúde”, afirma Alexandre Nogueira, diretor de Marketing do Grupo Bradesco Seguros.

O plano de mídia da campanha prevê ampla divulgação em canais off-line, sites e redes sociais, fortalecendo a presença da marca e ampliando o alcance da mensagem junto a empresas, corretores e beneficiários em todo o Brasil.

Novo marco legal dos seguros mobiliza mercado internacional e será tema de debate em Londres

O novo marco legal dos seguros continua no centro das atenções do mercado brasileiro e internacional. Após dominar os debates do Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, realizado em maio, o tema agora ganha espaço em Londres, principal centro global de resseguros, em um evento promovido pela Uplift Strategy Consulting, com patrocínio da corretora Oneglobal, que reunirá executivos, consultores e especialistas jurídicos para discutir os efeitos práticos das mudanças regulatórias em curso no Brasil.

A discussão ocorre em um momento estratégico para o setor. A regulamentação da Lei nº 15.040, conhecida como Marco Legal dos Seguros, segue avançando paralelamente às discussões conduzidas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) sobre a modernização das regras de resseguro, retrocessão, contratação internacional e operações em moeda estrangeira.

Durante o Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, representantes do mercado destacaram que o ambiente atual combina oportunidades de crescimento com desafios de adaptação contratual e operacional. Um dos pontos mais debatidos foi justamente a necessidade de alinhar contratos, cláusulas e procedimentos às novas exigências regulatórias, especialmente em operações envolvendo riscos complexos e capacidade internacional.

Entre os participantes do encontro em Londres estará Rafaela Barreda, presidente da Lloyd’s Brasil, que apresentará a visão da representação local do Lloyd’s sobre o posicionamento do mercado brasileiro, os principais temas monitorados pela instituição e a leitura do ambiente regulatório sob a ótica dos investidores e subscritores internacionais.

A programação também contará com Simone Camilla Oliveira, fundadora e CEO da Uplift Strategy Consulting, que abordará os impactos comerciais e operacionais das mudanças para subscritores, equipes de operações e profissionais envolvidos em toda a jornada do seguro, desde a estruturação da oferta até a liquidação de sinistros.

“Fico muito feliz em contribuir com essa ponte entre o Brasil e o mercado de Londres. A nova Lei de Seguros já vem sendo muito discutida sob a ótica jurídica, mas o mercado aqui tem pedido conversas mais práticas, sem juridiquês, sobre como isso afeta o dia a dia de quem subscreve riscos, das equipes de operações, de quem estrutura programas, revisa slips e oferece capacidade para riscos brasileiros. Ter a Carolina Oger ao meu lado, trazendo toda a sua vivência na discussão da lei no Brasil, a Rafaela Barreda, do Lloyd’s Brasil, e a Oneglobal como anfitriã e patrocinadora torna esse diálogo ainda mais relevante para o mercado internacional”, conta Simone.

A análise jurídica ficará a cargo de Carolina Oger, especialista em seguros e resseguros que acompanha de perto os debates entre regulador, seguradoras e resseguradoras. A advogada discutirá temas que vêm ganhando relevância nas mesas de negociação do mercado, como a aplicação do Artigo 64, controle de sinistros, cláusulas padrão internacionais (LMAs) e os pontos em que a arquitetura contratual está sendo testada pelas novas regras.

A Oneglobal, corretora de resseguros sediada em Londres e anfitriã do evento, trará a perspectiva do mercado internacional sobre como os fluxos de capacidade, as estruturas de colocação e os clausulados estão sendo ajustados para atender às novas demandas do mercado brasileiro.

O debate também dialoga com tendências observadas no Encontro de Resseguros do Rio. Executivos destacaram que o mercado atravessa um momento de elevada competição, abundância de capacidade em diversas linhas de negócios e busca crescente por especialização técnica. Ao mesmo tempo, temas como mudanças climáticas, riscos cibernéticos, inteligência artificial, judicialização e segurança jurídica vêm ampliando a complexidade das operações e exigindo maior sofisticação na gestão de riscos.

Nesse contexto, o Brasil desperta atenção crescente do mercado global. Além de ser um dos maiores mercados seguradores da América Latina, o país vive uma fase de modernização regulatória que pode ampliar a atratividade para investidores internacionais e fortalecer a integração com os grandes centros mundiais de seguros e resseguros.

O encontro em Londres reforça essa percepção. Mais do que discutir mudanças regulatórias, o evento pretende avaliar como o mercado está se preparando para uma nova etapa de desenvolvimento, em que inovação, segurança jurídica e eficiência operacional serão determinantes para o crescimento sustentável do setor.

Junto Seguros cresce 20% no 1º quadrimestre e reforça estratégia centrada no corretor

Guilherme Malucelli Junto Seguros

O mercado brasileiro de Seguro Garantia mantém ritmo acelerado de crescimento em 2026, impulsionado pelo avanço das concessões, o aumento da demanda por garantias contratuais e a necessidade de projetos estruturados no país. Nesse cenário, a Junto Seguros iniciou o ano com resultados consistentes, reforçando sua estratégia de crescimento com foco em proximidade com o corretor e eficiência operacional.

No primeiro quadrimestre de 2026, a companhia cresceu 20% em prêmio comparado com o mesmo período do ano anterior. O volume de documentos emitidos avançou 40%, enquanto o número de corretores ativos cresceu 22%. A base de empresas emitindo também aumentou 33%, refletindo maior fidelização e recorrência da carteira.

À frente da estratégia comercial, novos negócios e produtos da Junto Seguros, Guilherme Malucelli, vice-presidente da companhia, destaca que o crescimento reflete uma atuação cada vez mais integrada entre especialização técnica, experiência do corretor e evolução digital da operação. Além da área comercial, o executivo também lidera iniciativas ligadas ao Fidelize, aos canais de atendimento, às APIs e aos produtos digitais da companhia.

“Nosso foco é construir uma experiência cada vez mais fluida para o corretor e para o cliente. Investimos na integração dos canais, em automação da jornada e em soluções digitais que aumentem agilidade e previsibilidade sem manter o foco na profundidade técnica. Esse crescimento mostra que o mercado valoriza eficiência, proximidade e capacidade de entrega”, afirma Malucelli.

Para o CEO da Junto Seguros, Roque de Holanda Melo, os resultados acompanham um movimento mais amplo de amadurecimento do seguro garantia no Brasil. “O produto vem ganhando escala, capilaridade e relevância estratégica no país. Temos investido fortemente em tecnologia, conhecimento e relacionamento com o corretor para ampliar o acesso ao seguro garantia e tornar a jornada mais eficiente, sem perder a profundidade técnica. Há espaço para expandir o mercado de forma sustentável, com geração real de valor para clientes e parceiros”, ressalta.

Nos últimos anos, a companhia intensificou investimentos em digitalização, automação da jornada de cotação e emissão, integração via APIs e fortalecimento dos canais de relacionamento, ampliando a eficiência operacional e a proximidade com os parceiros comerciais. Hoje, cerca de 30% das apólices emitidas pela companhia são originadas por integrações via API, permitindo que corretores realizem emissões diretamente de seus sistemas, com mais agilidade e eficiência operacional.

As perspectivas para os próximos meses seguem positivas. No Seguro Garantia Judicial, o mercado ainda reúne mais de R$ 670 bilhões em depósitos judiciais já realizados nos tribunais, além de cerca de R$ 800 bilhões em processos pendentes de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Em infraestrutura, o calendário federal prevê 14 leilões rodoviários, oito projetos ferroviários e novas concessões de aeroportos, portos e hidrovias, em um volume estimado próximo a R$ 300 bilhões em investimentos. Já em Fiança Locatícia, o segmento logístico segue como principal vetor de expansão, sustentado pela baixa vacância e pela absorção líquida superior a 1 milhão de m² em galpões em 2025.

“O mercado está mais dinâmico e exige integração entre tecnologia e relacionamento. Estamos preparados para crescer mantendo o corretor no centro da estratégia e ampliando nossa capacidade de atendimento em diferentes segmentos”, pontua Malucelli.

Icatu Seguros é premiada pelo Instituto MESC

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A Icatu Seguros foi reconhecida pelo Instituto MESC como a melhor empresa em satisfação do cliente de 2026 nas categorias Previdência e Capitalização. O reconhecimento parte da avaliação dos próprios consumidores, por meio de pesquisa de satisfação, análise de reputação de marca e metodologia de cliente oculto.

Esta é a sexta vez que a companhia conquista o primeiro lugar no Prêmio MESC, evidenciando o compromisso da Icatu com o relacionamento com seus públicos. Em sua 11ª edição, o Prêmio MESC (Melhores Empresas em Satisfação do Cliente) destaca companhias que se sobressaem na qualidade do relacionamento e da experiência entregue aos clientes.

Ao longo de 2025, a Icatu intensificou sua estratégia de transformação da experiência do cliente, com iniciativas voltadas à evolução das jornadas digitais, ampliação dos autosserviços e modernização da operação de atendimento. As ações contribuíram para ganhos de eficiência e resolutividade, refletidos no aumento de 54% no índice de resolução no primeiro contato (FCR) em 2025, em comparação com 2024, e na evolução da retenção no bot do WhatsApp, que alcançou 85% no primeiro quadrimestre de 2026.

“O reconhecimento reflete a evolução contínua da nossa estratégia de experiência do cliente, combinando tecnologia, eficiência operacional e atendimento humanizado. Em 2025, avançamos fortemente na transformação das jornadas, ampliação dos autosserviços e fortalecimento da cultura centrada no cliente, sempre buscando reduzir esforço, aumentar resolutividade e entregar experiências mais ágeis e acolhedoras” afirma Antonio Nicolella, Diretor de Operações e CRC da Icatu Seguros. 

A premiação também fortalece o posicionamento institucional da Icatu em um contexto de crescente valorização da experiência do cliente como diferencial competitivo no setor de seguros. O evento oficial de premiação será realizado em 1º de setembro, em São Paulo, ocasião em que também serão anunciadas as 100 Melhores Empresas em Satisfação do Cliente do Brasil.

XP Seguridade amplia sua oferta de proteção e oferece seguro viagem da SulAmérica em seu portfólio

A XP avança em sua terceira onda de crescimento, com foco na excelência em servir, e dá mais um passo na integração entre proteção e construção patrimonial. A XP Seguridade, vertical de seguros e consórcio da companhia, amplia seu portfólio de proteção e passa a oferecer o seguro viagem em parceria com a SulAmérica, líder em seguros na América Latina. O produto também está disponível para clientes da Rico. 

A iniciativa faz parte do novo momento de seguridade, pilar relevante na proposta de valor da XP. Mais do que ampliar o portfólio, a novidade reforça a integração de proteção ao planejamento financeiro do cliente. 

“A terceira onda da XP é foco total na excelência em servir o cliente, o que inclui proteger seu patrimônio e sua vida. Somos uma empresa de serviços, e isso exige visão de longo prazo e disciplina na construção de valor”, afirma André Lauzana, CEO da XP Seguridade.  

A solução oferecida aos clientes XP e Rico contempla coberturas para deslocamentos no Brasil e no exterior, com diferentes faixas de proteção e opções adaptadas a variados perfis de viajantes, com planos a partir de R$2,33/dia em viagens nacionais e a partir de R$18,66/dia para viagens internacionais.  

“A SulAmérica vê a proteção financeira de forma estratégica, assim como a XP. Somos uma companhia com uma trajetória consolidada e baseada em cuidado, proteção e proximidade com seus clientes. A parceria reforça nosso posicionamento, tornando o seguro viagem mais acessível e integrado à jornada de quem faz viagens com mais segurança”, afirma Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos. 

A jornada de contratação é totalmente digital e pode ser realizada em quatro etapas pelo aplicativo da XP e Rico, com possibilidade de incluir até dez viajantes em uma mesma contratação. A jornada também permite acompanhar todas as informações da cobertura, como vigência, destino e status, além de acessar diretamente o processo de abertura de sinistros junto à SulAmérica. 

A iniciativa ocorre em um segmento em expansão e a XP Seguridade busca ampliar sua atuação ao conectar proteção a momentos-chave da jornada financeira do cliente e reforçar a oferta de soluções integradas. 

“Nosso objetivo não é a oferta isolada de produtos, mas a construção de soluções que façam sentido dentro da jornada do cliente, conectando investimento, planejamento e proteção em uma mesma experiência. Já oferecemos cartão e conta internacional, câmbio e agora seguro viagem”, conclui Lauzana. 

Além de ampliar o portfólio, o lançamento fortalece a estratégia de aprofundamento do relacionamento com a base, ao incorporar proteção de forma mais estruturada e ampliar o engajamento e o cross-sell. 

O avanço em seguridade reflete a evolução do modelo da XP, cada vez mais orientado a serviço, planejamento financeiro e relação de longo prazo. Ao integrar proteção à jornada do investidor, a XP Seguridade oferece na mesma plataforma uma gama completa de produtos: consórcio, seguro de vida e cartão, previdência, seguro corporativo e empresarial. Com isso, a companhia reforça seu posicionamento e impulsiona a seguridade como um dos principais vetores de crescimento dentro da estratégia de excelência em servir. 

O novo seguro será disponibilizado gradualmente para os clientes da XP e da Rico. A primeira fase de lançamentodo produto nas plataformas da XP e Rico começará em 1º de junho. 

Missão do setor segurador a Londres tem apoio da Guy Carpenter e foco em clima e resiliência

No fim de junho próximo, executivos das principais seguradoras nacionais e internacionais que operam no Brasil embarcam para uma semana de importantes discussões em Londres. A participação ativa do setor na London Climate Action Week faz parte da estratégia para inserção do setor segurador brasileiro nas discussões globais de sustentabilidade e mudanças climáticas da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).


Para o CEO da Guy Carpenter Brasil, Pedro Farme D’Amoed, patrocinadora da missão internacional pelo terceiro ano consecutivo, o apoio é uma maneira de destacar o Brasil e as soluções do mercado brasileiro no cenário internacional, uma vez que o país é pioneiro em várias coberturas. “Sabemos que é um mercado cada vez mais globalizado, com players internacionais atuando no Brasil em seguro e resseguro e players brasileiros atuando fora do país. Nesse cenário, entendemos também o quanto estamos competindo por capital e atenção para o aporte de recursos para o desenvolvimento do nosso mercado”, destaca. 


Pedro D’Amoed destaca também a importância da troca de experiências entre empresas e entidades internacionais para o crescimento do setor no Brasil, especialmente nas questões relacionadas às mudanças climáticas. “Buscamos aprender com soluções e endereçamentos que seguradoras de outros países realizam, o que é muito importante para que a gente adapte para a realidade brasileira as soluções que o nosso mercado necessita. Como exemplo, temos as soluções de clima: vimos as mudanças climáticas acelerando preocupações de cobertura aqui no Brasil, além do desenvolvimento de produtos novos, como estamos vendo para a área de crédito de carbono, entre outros. Então, estar lá mostrando a força do mercado brasileiro é muito importante para a Guy Carpenter”, avalia.


A missão

A missão conta com três importantes agendas no âmbito da London Climate Action Week (LCAW) que fazem parte da estratégia maior da Confederação, que se iniciou em 2023 com a primeira participação na 28ª edição da Conferência do Clima, em Dubai, e veio ganhando força à medida que as empresas também se engajaram nas discussões.


A primeira agenda é a 2ª edição do Brazil – UK Insurance Forum, em parceria com a Associação Britânica de Seguradoras (ABI), e que tem como propósito fortalecer o intercâmbio de boas práticas e identificar oportunidades de crescimento do setor de seguros do Brasil e do Reino Unido. O fórum busca explorar possibilidades de cooperação, com foco nos impactos econômicos e sociais da transição climática, com destaque para investimentos em infraestrutura que ampliem a resiliência econômica e social dos países. 


Organizado em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (ICs), o segundo evento da missão é o fórum “Seguros, Clima e Natureza: Diálogo sobre resiliência e redução de riscos em investimentos sustentáveis”, que teve sua primeira edição durante a COP30, em Belém, na Casa do Seguro. O fórum tem como objetivo reunir especialistas para tratar do atual gap de proteção (diferença entre as perdas econômicas e as perdas seguradas) e o gap de financiamento entre as necessidades de investimento em resiliência e o capital disponível.


Por fim, a missão inclui ainda o Brazil Day, organizado em parceria com a UNEP FI, braço de finanças e seguros das Nações Unidas, e que reunirá Cnseg, Febraban e Ambima para compartilhar com a comunidade financeira do Reino Unido e global, boas práticas e explorar oportunidades de cooperação internacional. As discussões abordarão a evolução do planejamento de transição e as mudanças nas expectativas dos investidores daqui para frente, bem como oportunidades de investimento no Brasil.

CNP Seguradora faz parceria com Casas Bahia Pay para oferta de seguro prestamista digital

A CNP Seguradora firmou parceria com a Casas Bahia Pay, banco digital da Casas Bahia, para a oferta de seguro prestamista vinculado a empréstimos pessoais, em uma operação totalmente digital realizada por meio do aplicativo da plataforma.

Entre os principais benefícios estão a redução da taxa de juros do financiamento e a possibilidade de cashback, além de uma experiência de contratação simples e totalmente digital. A cobertura inclui morte, invalidez permanente, perda involuntária de emprego e perda temporária de renda por incapacidade causada por acidente, ampliando o acesso à proteção financeira para consumidores das classes C e D.

Criado em 2019 e autorizado pelo Banco Central desde 2021, a Casas Bahia Pay é o banco digital da Casas Bahia e está integrado ao ecossistema físico e digital da varejista. Atualmente, a plataforma soma 8 milhões de contas abertas, 4,9 milhões de cartões emitidos, 21,3 milhões de downloads do aplicativo e mais de R$ 25,4 bilhões em transações acumuladas.

A parceria reforça a estratégia B2B2C da CNP Seguradora e tem previsão de faturamento de aproximadamente R$ 220 milhões ao longo dos próximos cinco anos, ampliando a atuação da companhia em canais digitais de grande escala e alto potencial de crescimento. “Essa parceria nos permite levar soluções de proteção financeira a milhões de brasileiros por meio de uma experiência simples, acessível e totalmente digital, além de fortalecer nossa atuação em canais com grande potencial de crescimento”, afirma François Tritz, CEO da CNP Seguradora.

O acordo também prevê o direito de preferência da CNP Seguradora para a oferta futura de produtos como capitalização, seguros e planos odontológicos dentro da plataforma Casas Bahia Pay.

Com integração rápida e modelo operacional escalável, a parceria também funcionará como um ambiente de testes para aprimorar processos como contratação digital, comunicação com clientes e automação de sinistros.

Seguros e vinícolas: a gestão de risco por trás dos grandes vinhos 

LISBOA – Muitos visitam vinícolas para degustar vinhos, apreciar a gastronomia e contemplar paisagens. No meu caso, a experiência costuma ser um pouco diferente. Gosto de ouvir histórias de empreendedores, aprender com enólogos e observar como a gestão de riscos está presente, ainda que de forma silenciosa, na trajetória de qualquer negócio de sucesso.

Foi exatamente essa reflexão que surgiu durante uma visita à Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, no coração do Alentejo português. Conhecida pelos vinhos da marca Cartuxa, a instituição construiu ao longo de décadas uma reputação que ultrapassa a produção de vinhos e se tornou um símbolo de tradição, qualidade e visão de longo prazo.

A Cartuxa tem em sua posse duas propriedades que são parte da vasta e rica história da região do Alentejo: a Adega Cartuxa Quinta de Valbom e a Adega Cartuxa Monte de Pinheiros. A primeira é um dos centros de estágio dos vinhos produzidos pela Fundação Eugénio de Almeida, vinhos esses que começaram a ser produzidos em 1978 sob a marca Cartuxa, utilizando as vinhas que originalmente pertenciam aos Monges Cartuxos. 

Já a segunda adega, na Herdade de Pinheiros, possui a mais avançada tecnologia e permite receber a totalidade da uva produzida nas vinhas. Todo ano, cerca de seis milhões de garrafas saem de sua linha de engarrafamento totalmente automatizada, distribuídas por vinhos brancos, rosés e tintos das marcas Vinea Cartuxa, EA, Foral de Évora, Cartuxa, Scala Coeli e Pêra-Manca.

Ao caminhar pelas adegas, observar barricas onde os vinhos repousam por anos e conhecer os processos que transformam a uva em alguns dos rótulos mais respeitados de Portugal, fica evidente que cada garrafa representa muito mais do que uma bebida. Ela concentra investimentos de longo prazo, conhecimento técnico, trabalho humano e uma série de riscos que precisam ser administrados diariamente.

A natureza do negócio vitivinícola é, por definição, uma atividade exposta a incertezas. O clima pode comprometer uma safra inteira. Uma geada fora de época, uma onda de calor extremo, incêndios florestais ou chuvas excessivas podem afetar a qualidade das uvas e reduzir a produção. Depois da colheita, surgem novos desafios: armazenamento adequado, controle de temperatura, conservação das barricas, riscos de contaminação, transporte das garrafas e proteção das instalações.

Há ainda a responsabilidade perante visitantes, fornecedores, distribuidores e clientes. Em regiões onde o enoturismo cresce ano após ano, as vinícolas também administram riscos relacionados à circulação de pessoas, degustações, eventos corporativos, casamentos e atividades de hospitalidade.

É nesse ponto que a gestão de riscos deixa de ser apenas um conceito corporativo e passa a integrar a estratégia do negócio. Nenhum empreendedor investe décadas na construção de uma marca para deixar seu patrimônio vulnerável a um evento inesperado. O seguro, nesse contexto, não é apenas um mecanismo de indenização. É uma ferramenta de continuidade operacional e de preservação de valor.

Para Ariel Couto, presidente da operação brasileira do grupo MDS, maior corretora de seguros de Portugal, a proteção acompanha toda a jornada do vinho. “E para que tudo corra bem, de forma tranquila, há seguros para cada fase do processo: desde a plantação das videiras até a comercialização das garrafas, passando por toda a cadeia de produção, armazenagem e transporte do vinho. Com a consultoria de um bom corretor, que atue no segmento, nenhum imprevisto destruirá esse legado”, afirma.

A história da Cartuxa ajuda a ilustrar essa visão. A marca tornou-se uma referência internacional não apenas pela qualidade dos seus vinhos, mas pela capacidade de manter um projeto sustentável ao longo do tempo. E sustentabilidade, quando observada sob a ótica empresarial, significa também proteger ativos, pessoas, receitas e a própria reputação.

Durante a visita, não pude deixar de pensar que o maior risco para uma vinícola nem sempre está dentro da adega. Está do lado de fora. O clima, cada vez mais imprevisível, já afeta diretamente a produção europeia de vinhos. Em Portugal, a safra de 2025 registrou uma das maiores quedas da última década, impactada por condições climáticas adversas e doenças que afetaram os vinhedos.

O tema ganhou ainda mais relevância após as tempestades que atingiram Portugal nos últimos anos. Ventos extremos, chuvas intensas e danos à infraestrutura reforçaram uma preocupação comum entre empresários de diversos setores: como proteger um patrimônio construído ao longo de gerações diante de eventos cada vez mais severos e menos previsíveis.

Os desafios não são exclusivos da Europa. Um dos exemplos mais emblemáticos vem da Califórnia, nos Estados Unidos. Nos últimos anos, diversas vinícolas do Napa Valley sofreram prejuízos milionários por causa de um fenômeno conhecido como smoke taint. Em muitos casos, os vinhedos sequer foram atingidos pelas chamas dos incêndios florestais. Ainda assim, a fumaça contaminou as uvas, alterando o aroma e o sabor do vinho. Safras inteiras precisaram ser descartadas, demonstrando que mesmo negócios consolidados estão expostos a riscos inesperados.

Além da tradição e da excelência reconhecidas internacionalmente, a Cartuxa mantém uma relação cada vez mais próxima com o consumidor brasileiro. Segundo Humberto Fernandes, responsável pela comunicação da Cartuxa, o Brasil ocupa posição estratégica para a marca. “O Brasil é o maior mercado de exportação da Adega Cartuxa. Uma das particularidades da abordagem que é feita pela Cartuxa ao mercado brasileiro traduz-se no facto dos vinhos da Cartuxa estarem presentes em todos os estados brasileiros em cerca de 6 mil pontos de venda. Isso veio consolidar uma relação de proximidade da marca com o consumidor brasileiro cada vez maior”, destaca.

Segundo ele, essa aposta vem sendo construída há vários anos. “O mercado brasileiro representa para a Cartuxa uma aposta estratégica que foi iniciada há alguns anos. Em 2023, a Adega Cartuxa foi o maior exportador europeu de vinhos, em valor, para o Brasil e desde então continua sempre nos primeiros lugares do ranking. O mercado brasileiro representa cerca de um terço da faturação global anual da Adega Cartuxa”, afirma.

Existem entre 800 e 1.100 vinícolas no Brasil. A estimativa varia de acordo com o critério de catalogação, abrangendo desde grandes empresas a pequenos produtores rurais e cooperativas. Geograficamente, a maior concentração continua na Serra Gaúcha, mas o cultivo tem se expandido fortemente para outras áreas do país, como o polo do Vale do Rio São Francisco, na Bahia e Pernambuco, e o planalto catarinense, alem de estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás vêm despontando na produção de vinhos de inverno. 

Isso faz despontar nos setor de seguros corretoras especialistas no tema, como a MDS, a REP Seguros, a Alper Seguros entre outras. Segundo alguns corretores especializados, a gestão de riscos de vinícolas, ainda mais as que mais recentes que ainda nem atingiram o break even, tem relevância estratégica. Uma interrupção na produção, um evento climático severo, um incêndio, um problema de armazenagem ou uma falha logística podem impactar não apenas uma safra, mas uma operação internacional construída ao longo de décadas e presente em milhares de pontos de venda.

Ao ouvir as explicações dos especialistas da Cartuxa sobre o cuidado com cada etapa da produção, fica evidente que a gestão de riscos é muito parecida com a elaboração de um grande vinho. Ambas exigem paciência, planejamento, conhecimento técnico e visão de longo prazo. Nenhuma delas produz resultados imediatos, mas ambas são fundamentais para garantir a longevidade.

Talvez por isso a visita tenha deixado uma impressão que vai muito além da degustação. O vinho ensina paciência. O empreendedorismo ensina coragem. E a gestão de riscos ensina que nenhum patrimônio atravessa gerações sem proteção adequada. O sucesso empresarial não é construído apenas com visão, talento e trabalho. Ele também depende da capacidade de proteger aquilo que foi conquistado. Porque, no fim das contas, os riscos sempre existirão. A diferença está na forma como cada empreendedor escolhe se preparar para eles.

IRB(RE) avança na diversificação e cria duas seguradoras para atuar em danos, vida e previdência

O IRB(RE) anunciou nesta quarta-feira (3) a constituição de duas novas seguradoras, marcando mais um passo em sua estratégia de diversificação e expansão dos negócios. Por meio de sua controlada IRB Holding, a companhia criou a IRB(Seg) Corporate Seguradora S.A., voltada aos ramos de danos (Property & Casualty), com Frederico Knapp como CEO, e a IRB(Seg) Vida e Previdência Seguradora S.A., destinada à atuação nos segmentos de pessoas e previdência privada, que segundo boatos entre executivos do setor terá como CEO Nuno David, com grande experiência no segmento durante seu período na MAG Seguros.

Segundo comunicado ao mercado, a autorização prévia para constituição das empresas já foi concedida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), restando apenas a homologação definitiva da autarquia para o início das operações.

O movimento já vinha sendo antecipado pelo presidente do IRB, Marcos Falcão, dentro da estratégia de crescimento do grupo após a conclusão do turnaround que reposicionou a companhia nos últimos anos. A iniciativa também acompanha uma tendência observada em grandes grupos internacionais, que atuam simultaneamente nos mercados de seguros e resseguros para ampliar fontes de receita e capturar sinergias operacionais.

Em entrevistas recentes, executivos do IRB já haviam sinalizado que a nova seguradora teria foco inicial nos ramos patrimoniais e de engenharia. O grupo reforçou sua estrutura para essa nova etapa com a contratação de dois profissionais de mercado: Santiago Areano para liderar a área de subscrição e Cristiane Abdala para comandar operações e sinistros.

A expectativa da companhia é que a entrada no mercado segurador amplie sua capacidade de originação de negócios sem alterar seu papel histórico como resseguradora local. No comunicado, o IRB destaca que a expansão “não interfere na condução do negócio original”, que continua sendo a oferta de resseguros para seguradoras atuantes no mercado brasileiro.

A estratégia também permite ao grupo explorar oportunidades de integração entre seguro e resseguro. Na prática, a nova estrutura poderá utilizar a expertise técnica acumulada pelo IRB em mais de oito décadas de atuação no gerenciamento de riscos e na oferta de capacidade de resseguro para desenvolver produtos próprios de seguros.

O anúncio ocorre em um momento de transformação para o grupo. Além da criação das seguradoras, o IRB vem ampliando sua atuação internacional e buscando novas avenidas de crescimento para reduzir a dependência dos ciclos tradicionais do mercado de resseguros. A iniciativa ganha relevância em um cenário de forte concorrência no setor, marcado pela entrada de novos participantes, aumento da capacidade global e mudanças regulatórias em discussão pela Susep no âmbito da implementação do novo Marco Legal dos Seguros.

Nos bastidores do mercado, a criação das seguradoras é vista como um passo natural para um grupo que já domina a cadeia de transferência de riscos. Ao atuar também na ponta da subscrição, o IRB passa a disputar espaço diretamente com seguradoras estabelecidas, ao mesmo tempo em que amplia sua capacidade de capturar valor em diferentes etapas do negócio segurador.

A homologação final da Susep será o último passo para que as novas empresas iniciem suas operações comerciais. A expectativa do mercado é que as primeiras movimentações ocorram ainda no segundo semestre de 2026.

Seguro rural ganha protagonismo diante do avanço dos riscos climáticos e da baixa proteção no campo

LISBOA – O avanço das mudanças climáticas e o aumento da frequência de eventos extremos estão colocando o seguro rural no centro das discussões sobre segurança alimentar, sustentabilidade da produção agrícola e proteção das economias nacionais. O tema foi debatido no painel “Proteção do Agronegócio no Contexto das Alterações Climáticas”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, que reuniu representantes dos mercados seguradores e do setor agrícola dos três países.

A palestra principal foi conduzida por Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, a confederação das seguradoras do Brasil. Participaram dos debates Luis Souto Barreiros, Presidente, IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas) – TBC, e Silvia Marques dos Santos, Diretora de Produção e Marketing, Agroseguro. Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade, Crédito Agrícola, mediou o debate.

Ao abrir o debate, Dyogo Oliveira destacou que as mudanças climáticas recolocam o setor segurador diante de um desafio semelhante àquele que deu origem ao próprio mercado de seguros séculos atrás: lidar com riscos primários e de grande impacto econômico. “O caminho para enfrentar esse cenário é compreender melhor os riscos, entender como eles funcionam e desenvolver mecanismos de mitigação, diversificação e compartilhamento”, afirmou.

Segundo ele, os eventos climáticos já deixaram de ser fenômenos excepcionais no Brasil. Dados apresentados durante a palestra mostram que o número médio anual de ocorrências climáticas praticamente dobrou na última década. Enquanto entre 2010 e 2014 o país registrava cerca de 2.500 eventos por ano, nos últimos cinco anos a média saltou para aproximadamente 4.500 ocorrências anuais. Os prejuízos econômicos associados a esses eventos alcançaram cerca de R$ 180 bilhões nos últimos três anos, ou aproximadamente R$ 60 bilhões por ano.

Apesar da crescente exposição aos riscos climáticos, Dyogo reconheceu que a proteção securitária no campo brasileiro continua extremamente limitada. Segundo ele, menos de 5% da área produtiva do país possui cobertura de seguro rural. O número efetivo, segundo o executivo, foi de apenas 2,3% da área agrícola segurada no último levantamento. “Isso demonstra um enorme equívoco de política agrícola, um enorme equívoco na percepção de risco dos produtores e também uma incapacidade nossa, como setor segurador, de chegar a esses produtores com a informação adequada”, afirmou.

O presidente da CNseg observou que, historicamente, muitos produtores brasileiros se acostumaram a depender de renegociações de dívidas e programas emergenciais do governo após perdas provocadas por fenômenos climáticos. No entanto, ressaltou que a deterioração fiscal do Estado brasileiro torna esse modelo cada vez mais difícil de sustentar. “O foco da política agrícola brasileira precisa migrar gradualmente do crédito subsidiado para a gestão de riscos. Durante décadas o principal desafio foi ampliar o acesso ao crédito. Hoje o maior problema do agronegócio brasileiro é a gestão dos riscos, especialmente os riscos climáticos”, afirmou.

Seguro rural avança no Congresso

Dyogo destacou como um avanço importante a aprovação, pelo Senado brasileiro, de um projeto que transforma os recursos destinados à subvenção do seguro rural em despesa obrigatória do orçamento público, reduzindo o risco de cortes frequentes nos programas de apoio ao setor. O PL 2.951/2024 prevê taxas de juros menores e prioridade em operações de crédito rural amparadas pelo seguro rural. Também determina que o prêmio do seguro seja subsidiado por um fundo financiado com recursos públicos.

Segundo ele, embora a medida não resolva o problema da baixa cobertura, cria maior previsibilidade para o mercado e pode estimular a expansão gradual da proteção. Outro ponto defendido pelo executivo é a aproximação entre crédito rural e seguro agrícola. Na avaliação dele, financiamentos subsidiados deveriam ser acompanhados por mecanismos de proteção contra perdas climáticas, prática já adotada em outros segmentos da economia.

“O maior risco da operação agrícola é o risco climático. Por isso, faz sentido criar incentivos ou condicionantes para que o produtor que recebe crédito também tenha proteção securitária”, afirmou. Dyogo explicou que o avanço do projeto no Congresso Nacional só foi possível graças ao apoio das entidades do agronegócio, como a Frente Parlamentar da Agropecuária, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e associações de produtores rurais.

Representando o governo português, Luis Souto Barreiros afirmou que os desafios enfrentados por Portugal são semelhantes aos observados no Brasil, embora em uma escala diferente. Segundo ele, a agricultura europeia convive com crescente instabilidade climática, exigindo instrumentos mais robustos para garantir previsibilidade e estimular investimentos no setor.

“O seguro ainda tem uma participação relativamente pequena dentro das ferramentas disponíveis para gestão de riscos agrícolas em Portugal. Temos consciência de que isso precisa mudar”, afirmou. Barreiros destacou que Portugal vem defendendo na União Europeia a criação de instrumentos supranacionais de proteção, incluindo mecanismos de resseguro capazes de ampliar a oferta de cobertura e reduzir custos para os produtores.

Espanha apresenta modelo de referência

A experiência espanhola foi apresentada por Silvia Marques dos Santos, diretora de Produção e Marketing da Agroseguro, considerada uma das referências mundiais em seguro agrícola. A experiência espanhola foi apresentada por Silvia Marques dos Santos, responsável por um dos modelos de seguro rural mais reconhecidos do mundo.

Segundo ela, o sistema espanhol é resultado de uma parceria público-privada construída ao longo de quase cinco décadas. Criado em 1978, o modelo reúne governo central, governos regionais, produtores rurais, resseguradores e um pool formado por 15 seguradoras que compartilham riscos e operam sob uma estrutura única de gestão coordenada pela Agroseguro. 

Atualmente, cerca de 50% do valor do prêmio é subsidiado pelo poder público, por meio de contribuições do governo central e das comunidades autônomas espanholas. O sistema também conta com reservas de estabilização e mecanismos públicos de resseguro que garantem capacidade de pagamento mesmo em anos de elevada sinistralidade. “Aconteça o que acontecer, os agricultores receberão as indenizações correspondentes às suas perdas”, afirmou Silvia. 

Apesar de ser considerado uma referência internacional, a executiva alertou que o modelo enfrenta desafios crescentes decorrentes das mudanças climáticas. Segundo ela, a Espanha não registra apenas aumento da frequência dos sinistros, mas também uma transformação do próprio comportamento dos riscos agrícolas.

Fenômenos como secas, geadas, granizo e ondas de calor tornaram-se mais intensos, menos previsíveis e mais frequentes. “Já não existe uma época específica para determinados eventos. O granizo, por exemplo, pode ocorrer praticamente em qualquer período do ano”, explicou. 

Para responder a essa nova realidade, a Agroseguro vem promovendo ajustes estruturais em seus modelos de subscrição. Um dos principais movimentos é a individualização das coberturas, abandonando gradualmente a lógica de soluções uniformes para todo o território espanhol. “Hoje o clima não é igual em todas as regiões e os produtores também não adotam as mesmas medidas de prevenção. Precisamos adaptar as coberturas à realidade de cada exploração agrícola”, afirmou. 

Outra mudança relevante envolve o uso das séries históricas. Tradicionalmente, o seguro rural utiliza longos períodos de dados para estimar riscos futuros. Segundo Silvia, essa lógica começa a perder eficiência diante da velocidade das transformações climáticas. “Já não podemos olhar para o clima de 15 ou 20 anos atrás e assumir que ele continuará igual. Estamos estudando modelos preditivos capazes de complementar os dados históricos e antecipar melhor os riscos futuros”, explicou. 

A executiva também destacou que a adaptação não pode ser responsabilidade exclusiva das seguradoras. Na avaliação dela, produtores rurais precisarão investir cada vez mais em medidas de resiliência, eficiência hídrica, novas tecnologias e mudanças de práticas agrícolas para reduzir sua exposição aos riscos climáticos.”A adaptação e a resiliência também precisam acontecer dentro das propriedades rurais. Nem tudo pode ser transferido para o seguro”, afirmou.

Ao comentar a experiência espanhola, Dyogo Oliveira reconheceu que o modelo é uma referência internacional, mas alertou que sua adaptação ao Brasil exigirá um processo gradual. “O sistema espanhol é extremamente bem-sucedido, mas foi construído ao longo de décadas. Teremos um longo caminho para alcançar algo semelhante no Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o mercado brasileiro já começou a dar alguns passos nessa direção. Um dos exemplos é a criação de mecanismos voltados à acumulação de reservas em períodos de menor sinistralidade, permitindo suavizar oscilações de preços e ampliar a estabilidade do sistema.

Para o presidente da CNseg, o intercâmbio promovido pelo Fórum Brasil-Portugal demonstra que, embora os países enfrentem realidades distintas, os desafios relacionados às mudanças climáticas são cada vez mais semelhantes. “Através do diálogo e da troca de experiências, conseguimos encontrar soluções mais adequadas para cada realidade nacional”, concluiu.