Seguros entram na agenda do saneamento para ampliar segurança das concessões

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LISBOA – O desafio de universalizar o saneamento básico até 2033 exige mais do que ampliar investimentos. Exige também criar mecanismos capazes de oferecer segurança aos investidores, financiadores, operadores e ao próprio poder público. Essa foi uma das principais mensagens do painel “Infraestrutura de Saneamento na Nova Ordem Sustentável”, realizado durante o Fórum de Lisboa, onde o mercado segurador apresentou uma proposta para ampliar sua participação na estruturação dos projetos de infraestrutura do país.

Representando a CNseg, a confederação das seguradoras, o diretor de Relações Institucionais, Hailton Madureira, defendeu uma atuação mais próxima entre seguradoras e órgãos públicos para garantir que os contratos de concessão contemplem coberturas compatíveis com os riscos envolvidos. Segundo ele, a entidade já mantém parcerias com o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o Ministério de Portos e Aeroportos e diversas agências reguladoras para apoiar tecnicamente a elaboração dos editais.

“Muitas vezes o poder público quer proteger determinado ativo ou serviço, mas isso não está corretamente especificado no edital. Em alguns casos, o bem vale R$ 1 bilhão e está segurado por apenas R$ 100 milhões. O risco existe, mas não está adequadamente protegido”, afirmou Madureira em entrevista ao Sonho Seguro após sua participação no painel.

Segundo ele, o objetivo da iniciativa não é comercial. “A CNseg não vende seguro. O que fazemos é mostrar quais soluções existem, quais riscos cada cobertura protege e ajudar para que os contratos de concessão já saiam com os seguros adequados às necessidades do poder público”, explicou.

A proposta surge em um momento decisivo para o saneamento brasileiro. Durante o debate, especialistas lembraram que o marco legal do setor estabelece metas ambiciosas para 2033: levar água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% dos brasileiros. Para isso, porém, será necessário acelerar significativamente os investimentos.

Ricardo Simonsen, diretor da Central de Qualidade da FGV e moderador do painel, destacou que o país investe atualmente menos de R$ 40 bilhões por ano em saneamento, enquanto o volume necessário para atingir as metas legais supera R$ 56 bilhões anuais. “O ritmo atual ainda não é suficiente para garantir a universalização dentro do prazo previsto”, observou.

O debate mostrou que o desafio não se resume à disponibilidade de recursos. A capacidade de atrair investidores de longo prazo também depende da redução dos riscos percebidos nos projetos. Para Madureira, é justamente nesse ponto que o seguro pode contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

“O investidor quer saber se a empresa vai sobreviver caso aconteça algo inesperado. O banco quer entender como a obra será retomada diante de uma calamidade. O poder público precisa garantir que as metas de universalização serão cumpridas. E o usuário quer a continuidade do serviço. O seguro ajuda a dar estabilidade para todos esses agentes”, afirmou.

Entre as modalidades apontadas como relevantes para os projetos de saneamento estão seguro garantia, seguro de engenharia, responsabilidade civil, seguro de crédito, coberturas operacionais e seguros ambientais e climáticos. O executivo citou como exemplo os impactos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, que deixaram o Aeroporto Salgado Filho meses sem operação.

“O que estamos discutindo é se os pacotes de seguros contratados estavam preparados para responder a uma calamidade daquela magnitude. O mercado segurador pode contribuir para que a recuperação seja mais rápida e menos dependente de recursos extraordinários do Tesouro”, disse.

Durante sua apresentação, Madureira afirmou que a CNseg tem defendido uma atuação preventiva junto aos órgãos públicos, participando da fase de modelagem dos projetos antes mesmo da publicação dos editais.

A entidade já conversa com ministérios, agências reguladoras e órgãos concedentes para identificar quais riscos precisam ser protegidos em cada empreendimento e quais instrumentos de seguro podem ser utilizados. Entre os exemplos citados estão concessões de portos, projetos habitacionais, infraestrutura de transporte e obras de saneamento.

“Às vezes não é uma questão de legislação. É uma questão de o edital sair mais claro e melhor estruturado. Existem seguros para garantir a conclusão de uma obra, proteger receitas de aluguel, cobrir riscos operacionais ou garantir a continuidade dos serviços. O importante é que esses instrumentos sejam considerados desde a origem do projeto”, afirmou.

Segundo o executivo, contratos mais robustos também contribuem para evitar problemas observados em algumas concessões brasileiras ao longo das últimas décadas. “O Brasil acumulou experiência. As primeiras concessões foram pioneiras e naturalmente enfrentaram dificuldades. Hoje temos mais conhecimento, mais dados e melhores instrumentos para estruturar contratos mais estáveis e previsíveis”, disse.

O painel reuniu representantes do setor público, operadores privados, financiadores e especialistas jurídicos para discutir os desafios da infraestrutura sustentável. Participaram do debate Rafael Rolim, presidente da Cedae; Anselmo Leal, CEO da Águas do Rio; Flávio Boson Gambogi, desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 6ª Região; Walter Baère Filho, diretor jurídico do BNDES; e Fernanda Rodrigues de Morais, consultora jurídica do Ministério das Cidades.

Entre os consensos do encontro esteve a necessidade de ampliar a cooperação entre governo, empresas, financiadores, reguladores e mercado segurador para acelerar a universalização dos serviços. Para a CNseg, a construção dessa agenda passa por um conceito simples: quanto maior a previsibilidade dos contratos, maior a capacidade de atrair investimentos privados para um setor que ainda enfrenta um déficit bilionário de recursos.

“O saneamento precisa avançar sem discussão. Nenhum país se tornou desenvolvido convivendo com rios poluídos e sem acesso universal à água tratada. O mercado segurador está pronto para ajudar a trazer mais crédito, mais investidores e mais segurança para que essas metas sejam alcançadas”, concluiu Madureira.

Bastidores: Fidelidade, maior seguradora de Portugal, tem agenda tomada por executivos brasileiros

Entre um conversa aqui e outra acolá, armazenei memória de dezenas de conversas nos dois dias do XIX Fórum de Lisboa, que acontece de 1 a 3 de junho em Lisboa, para escrever este texto com mais propriedade, podendo separar o que é boato, o que é notícia, o que é agenda apenas em função do evento de seguros que organizam para esta quarta-feira, e o que é pânico de executivos concorrentes.

A seguradora portuguesa Fidelidade, líder do mercado de seguros em Portugal e controlada pelo grupo chinês Fosun, voltou a despertar atenção no mercado brasileiro diante de movimentações que indicam o interesse da companhia em ampliar sua presença na América Latina. Embora ainda não haja anúncio oficial, fontes do setor acompanham com atenção os passos da empresa, que já construiu uma plataforma relevante na região por meio de aquisições e operações próprias.

Fundada em 1835, a Fidelidade é a maior seguradora de Portugal e atua em praticamente todos os segmentos do mercado, incluindo seguros de vida, saúde, automóveis, patrimoniais, empresariais, responsabilidade civil e grandes riscos. Em 2025, o grupo registrou lucro líquido de 201 milhões de euros e administra ativos superiores a 21 bilhões de euros.

A internacionalização tornou-se um dos principais pilares da estratégia da companhia. Atualmente, mais de 30% do volume de negócios da Fidelidade é gerado fora de Portugal. A América Latina ocupa posição central nesse movimento e já responde pela maior parte das receitas internacionais do grupo.

A presença regional foi construída principalmente a partir da aquisição da seguradora peruana La Positiva, uma das líderes daquele mercado. O grupo também controla operações na Bolívia, Paraguai e Chile, onde atua tanto em seguros de pessoas quanto em ramos elementares e corporativos.

Na avaliação de especialistas, uma eventual entrada no Brasil faria sentido dentro da estratégia de crescimento da companhia em mercados com baixa penetração de seguros e elevado potencial de expansão. O país representa o maior mercado segurador da América Latina e atravessa um momento de transformação regulatória, impulsionado pelo novo marco legal dos seguros, pela modernização conduzida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e pela ampliação da concorrência.

Nos bastidores, participantes do setor observam que a Fidelidade possui experiência tanto na aquisição de operações já estabelecidas quanto na criação de novas plataformas de negócios. Ainda não está claro qual modelo seria adotado no Brasil, mas o interesse da companhia reforça a atratividade do mercado brasileiro para grupos internacionais em busca de crescimento em economias emergentes.

Caso o projeto avance, a chegada da seguradora portuguesa poderá ampliar a disputa em segmentos estratégicos, especialmente nos ramos de pessoas, saúde, patrimonial e linhas corporativas, áreas nas quais a companhia acumula experiência em seus mercados de atuação.

Vamos entrevistar a Fidelidade amanhã e trazer mais detalhes.

Marco legal de seguros e mudanças climáticas exigem ação conjunta entre mercado e poder público, defendem especialistas

LISBOA – O novo marco legal dos seguros, a crescente frequência dos eventos climáticos extremos e a necessidade de ampliar a proteção da população estiveram no centro do debate “O Marco Legal dos Seguros no Brasil frente à Nova Ordem Ambiental e Acordos Bilaterais”, realizado durante o XIV Fórum de Lisboa. O painel reuniu representantes do setor segurador, do meio jurídico, do Legislativo e da área da saúde para discutir os desafios da adaptação climática e os limites da proteção oferecida pelos seguros diante de catástrofes cada vez mais recorrentes.

A diretora de Sustentabilidade da CNseg foi uma das vozes centrais do painel ao defender uma abordagem integrada entre prevenção, adaptação climática e transferência de riscos. Segundo Cláudia Prates, os impactos econômicos das mudanças climáticas já são uma realidade no país. Dados do Radar de Eventos Climáticos apontam perdas econômicas de aproximadamente R$ 60 bilhões por ano nos últimos quatro anos, mas apenas 9% desses prejuízos estavam protegidos por seguros.

A executiva chamou atenção para a baixa penetração da proteção securitária no Brasil. Segundo ela, apenas cerca de 17% das residências possuem seguro e a cobertura específica para alagamentos alcança menos de 1% dos imóveis brasileiros. “Quando ocorre um evento extremo, quem acaba socorrendo a população é o governo. Precisamos discutir formas mais eficientes de compartilhamento desses riscos”, afirmou.

Cláudia destacou ainda que os eventos climáticos produzem impactos que vão muito além dos prejuízos materiais. Enchentes favorecem a disseminação de vírus e bactérias, enquanto períodos prolongados de seca afetam a atividade econômica e geram reflexos na saúde da população. “Tudo está interligado. Os riscos climáticos, os impactos econômicos e os efeitos sobre a saúde caminham juntos”, observou.

Na avaliação da diretora da CNseg, o novo marco legal dos seguros cria condições para o desenvolvimento de contratos mais modernos e soluções capazes de ampliar a proteção da sociedade. Ela defendeu maior aproximação entre setor público, mercado segurador e mercado de capitais para financiar mecanismos de adaptação climática, lembrando que países desenvolvidos registram índices de cobertura entre 40% e 60%, muito superiores aos observados no Brasil. “O setor segurador está preparado para participar da construção dessas soluções e contribuir para uma economia mais protegida e resiliente”, afirmou.

O deputado federal Fernando Monteiro defendeu que a agenda climática seja tratada com mais urgência pelo poder público. Segundo ele, o país precisa avançar na definição legal do conceito de evento climático extremo e construir instrumentos capazes de acelerar a recuperação das áreas atingidas por catástrofes. O parlamentar propôs uma estrutura baseada em três pilares: mecanismos de proteção para a população atingida, recursos destinados aos municípios para reconstrução da infraestrutura urbana e instrumentos que permitam a retomada rápida das atividades econômicas. “Os eventos climáticos estão batendo à nossa porta todos os dias. Precisamos tratar esse tema com mais urgência e atenção”, afirmou o deputado, ao defender uma discussão mais ampla sobre seguros voltados a catástrofes naturais.

Coube ao advogado e professor Paulo Roque Khouri trazer um contraponto importante ao debate. Embora reconheça a relevância dos seguros como instrumento de proteção financeira, ele alertou que o setor não pode ser visto como solução única para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. “O seguro não resolve tudo”, afirmou. Segundo Khouri, a principal função do seguro é impedir o empobrecimento das vítimas após a ocorrência de um sinistro, funcionando como um amortecedor das perdas econômicas. No entanto, ele ponderou que os danos provocados por grandes catástrofes frequentemente superam a capacidade de cobertura das apólices e exigem a atuação coordenada do Estado.

Ao citar as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, Khouri lembrou que os prejuízos totais ultrapassaram R$ 100 bilhões, enquanto as indenizações pagas pelo mercado segurador ficaram próximas de R$ 6 bilhões. Segundo ele, cerca de 90% das famílias atingidas não possuíam qualquer tipo de cobertura securitária. “O seguro ajuda a reduzir os impactos, mas não substitui políticas públicas de prevenção, planejamento urbano, obras de infraestrutura e adaptação climática”, afirmou.

O especialista também destacou avanços promovidos pela regulamentação da Superintendência de Seguros Privados (Susep), especialmente na ampliação das coberturas relacionadas aos riscos ambientais e aos grandes riscos no marco legal, vigorando desde dezembro passado. Para ele, o novo marco legal fortalece a relação entre seguradoras e segurados ao ampliar a transparência e tornar a informação um dos pilares centrais dos contratos.

Douglas Figueredo abordou o segmento de saúde e destacou que o marco legal contribui para reduzir conflitos e trazer maior segurança jurídica para segurados e operadoras. O executivo também chamou atenção para a importância da atenção primária à saúde e do monitoramento contínuo dos beneficiários como ferramentas de prevenção, melhoria da gestão e redução de custos assistenciais. 

O desembargador Humberto Dalla afirmou que a Lei nº 15.040 representa um avanço institucional importante ao colocar o Brasil em linha com países que já possuem legislação específica para contratos de seguro, como Itália, França, Espanha e Portugal. Segundo ele, a nova legislação estabelece regras mais claras para a relação entre segurados e seguradoras, trazendo maior previsibilidade jurídica para o mercado. “Passamos a ter uma lei específica para o contrato de seguro, com regras claras sobre agravamento de risco, dever de informação e questionários de subscrição, temas que frequentemente geravam conflitos judiciais”, afirmou.

Dalla observou que a nova legislação ainda deverá enfrentar desafios interpretativos nos tribunais, especialmente em relação à aplicação da lei aos contratos firmados antes de sua entrada em vigor. Segundo ele, a tendência predominante na doutrina e na jurisprudência é de que a norma seja aplicada apenas aos contratos celebrados após sua vigência, embora situações específicas possam gerar discussões judiciais futuras. O magistrado também destacou que o fortalecimento do mercado segurador é peça fundamental para enfrentar os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. “Não há desenvolvimento econômico sustentável sem um mercado de seguros forte, um marco regulatório adequado e instituições capazes de oferecer segurança jurídica”, afirmou.

Ao final do painel, os participantes convergiram em um diagnóstico comum: os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a representar um desafio permanente para governos, empresas e sociedade. Nesse cenário, o novo marco legal dos seguros surge como uma ferramenta importante para ampliar a proteção financeira e reduzir perdas econômicas, mas sua efetividade dependerá da combinação entre cultura de prevenção, investimentos públicos em adaptação climática e mecanismos de compartilhamento de riscos entre os setores público e privado.

Nova Lei do Seguro domina debate entre Brasil e Portugal

Os impactos da nova Lei do Contrato de Seguro (Lei nº 15.040/2024) e o risco de aumento da judicialização no mercado segurador brasileiro estiveram no centro do debate promovido pela Associação Internacional de Direito dos Seguros (AIDA), na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Durante o encontro, a diretora jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, alertou que a fase inicial de implementação da nova legislação deverá gerar desafios interpretativos e ampliar o número de disputas judiciais envolvendo contratos de seguro.


Segundo a executiva, o Brasil vive os primeiros meses de vigência de uma norma que passou mais de duas décadas em discussão no Congresso Nacional e que agora inicia sua fase mais delicada: a aplicação prática por reguladores, seguradoras, consumidores e tribunais. “Estamos engatinhando em uma lei que tem cerca de cinco meses de vigência”, afirmou.


Ao comparar o cenário brasileiro com a experiência portuguesa, cuja Lei do Contrato de Seguro está em vigor há quase duas décadas, Glauce destacou que o amadurecimento jurisprudencial será determinante para a consolidação da nova legislação. 


Para Glauce, parte das incertezas decorre do fato de que diversos aspectos da nova legislação ainda dependem de regulamentação complementar da Superintendência de Seguros Privados (Susep).


A executiva lembrou que a autarquia já submeteu à consulta pública uma proposta regulatória com mais de 100 artigos para os seguros de danos, buscando disciplinar a aplicação da nova lei. O texto recebeu contribuições do mercado, mas ainda aguarda definição final do regulador. “A lei trouxe princípios importantes, mas remeteu muitos aspectos para regulamentação. O mercado acompanha com atenção esse processo porque ele será fundamental para a segurança jurídica”, observou. 


A declaração foi feita durante mesa compartilhada com o professor Francisco Rodrigues Rocha, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e da AIDA Portugal, dedicada à análise comparada dos regimes jurídicos de seguros dos dois países.


Lei brasileira ainda passará pelo teste dos tribunais

Na avaliação do professor Francisco, a nova legislação brasileira possui estrutura mais sintética do que a portuguesa e deverá depender fortemente da regulamentação e da interpretação dos tribunais para solucionar questões que ainda permanecem abertas.


Para o especialista, embora Brasil e Portugal compartilhem princípios fundamentais do direito dos seguros, como o princípio indenitário e a proteção do equilíbrio contratual, a efetividade da nova lei brasileira será medida pela forma como seus dispositivos serão aplicados nos próximos anos.


O consenso entre os participantes do painel foi que a Lei nº 15.040/2024 representa uma das mais importantes mudanças do mercado segurador brasileiro nas últimas décadas, mas que seus efeitos práticos ainda serão construídos por reguladores, operadores do direito e pelo próprio Poder Judiciário.

Relatório de Sustentabilidade da AXA no Brasil aponta crescimento de 92% no portfólio de energia

A AXA no Brasil publicou seu Relatório de Sustentabilidade referente ao exercício de 2025. Esta edição apresenta um avanço significativo ao incorporar os indicadores da European Sustainability Reporting Standards (ESRS), padrão vinculado à diretiva europeia CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) e referência global do Grupo AXA. A adoção de novos padrões internacionais, somada à manutenção da aderência ao Global Reporting Initiative (GRI) e à Circular nº 666/2022 da Susep, eleva o nível de transparência e comparabilidade da companhia ao mesmo patamar de operações globais.

O relatório consolida a nova estratégia local de sustentabilidade da companhia e destaca sua participação ativa na COP30, em Belém, oportunidade em que a AXA defendeu o setor segurador como viabilizador financeiro da transição climática. 

“Nossa visão de futuro revela que o seguro é um componente indissociável da resiliência econômica e ambiental. Acreditamos que o papel da seguradora vai além da compensação financeira. Este relatório reforça nossa estratégia de transformar o setor em uma ferramenta de inteligência climática, premissa que levamos à nossa participação na COP30, demonstrando nossa capacidade de viabilizar projetos de baixo carbono e a transição da sociedade, nos posicionando como agentes de prevenção”, destaca Erika Medici, CEO da AXA no Brasil.

O amadurecimento estratégico da seguradora refletiu diretamente nos resultados comerciais e operacionais ligados à mitigação climática. Com o AXA Verde, pilar estratégico de negócio que adapta o portfólio de produtos com atributos ASG, a empresa registrou um crescimento de 92% na carteira de energia na comparação com 2024, segmento que passou a representar 24% da linha Property. Em suas operações, o foco no chamado “sinistro verde” evitou o deslocamento de mais de 293 mil quilômetros graças a vistorias remotas e esteiras de fast track. A companhia também reportou um alto índice de reparabilidade (91%), com 1.191 itens que deixaram de ser descartados.

Na gestão da própria pegada de carbono, a companhia adotou oficialmente uma metodologia GHG Protocol no inventário de emissões (escopos 1, 2 e 3). O ganho principal deste movimento é termos uma abordagem que considera o cenário do país e nos fornece maior acuracidade nas informações. Já no eixo social, a publicação apresenta recorde histórico de voluntariado: 77% dos colaboradores participaram de 24 iniciativas ao longo de 2025, totalizando mais de 4.200 horas.

Segundo Alexandre Campos, Vice-Presidente de RH, Jurídico, Compliance e ASG da AXA no Brasil, a maturidade das métricas abre portas para um diálogo mais aprofundado com a sociedade. “O padrão ESRS reforça nosso compromisso de prestar contas com máximo rigor. Essa governança sólida serve de base para o que realmente importa, que é o impacto que geramos. Batemos nosso recorde absoluto alcançando 77% de engajamento do nosso time em ações de voluntariado. Consolidamos também nosso compromisso estrutural com a equidade, no qual as mulheres já representam 53% do nosso quadro de colaboradores”, pontua.

Os avanços presentes neste segundo relatório reforçam o compromisso da nova estratégia de sustentabilidade da companhia, lançada em 2025, garantindo que o progresso da sustentabilidade nacional seja mensurável, público e promova um legado de proteção e impacto positivo.

Embedded insurance entra em nova fase no Brasil e exige integração, dados e escala, diz MetLife

O embedded insurance deixou de ser apenas uma aposta de inovação para se consolidar como uma das principais frentes de crescimento do setor segurador. Impulsionado pela digitalização do consumo, pela expansão dos ecossistemas financeiros e pelo avanço das plataformas digitais, o modelo vem reposicionando o seguro dentro da jornada do cliente — de forma mais contextual, integrada e menos dependente dos canais tradicionais.

Para Paula Toguchi, AVP Business Solutions da MetLife Xcelerator LatAm, os modelos com maior potencial de escala no Brasil são justamente aqueles construídos sobre plataformas que já possuem relacionamento recorrente, dados e frequência de interação com o consumidor. “Os modelos que mais geram valor são aqueles integrados a ecossistemas financeiros, varejo digital, marketplaces e plataformas de serviços. O diferencial hoje não está apenas na distribuição, mas na capacidade de inserir proteção de forma fluida e contextual dentro da experiência digital do cliente”, afirma.

Segundo a executiva, o mercado vem migrando de uma lógica puramente transacional para modelos de proteção contextual, em que o seguro passa a funcionar como parte natural da jornada de consumo. esse cenário, a integração tecnológica ganha protagonismo. Paula destaca que os projetos mais escaláveis são sustentados por APIs integradas à jornada nativa dos parceiros, uso inteligente de dados para ofertas mais aderentes e modelos “insurance as a service”, nos quais a seguradora fornece estrutura operacional, produto e precificação enquanto o parceiro mantém a experiência do usuário.

“As insurtechs também exercem um papel estratégico ao acelerar time-to-market, permitir testes rápidos e trazer flexibilidade tecnológica para nichos ainda pouco explorados”, diz. Apesar do avanço do embedded insurance, o desafio de equilibrar experiência, compliance e rentabilidade continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor.

“No campo da experiência, o desafio é incorporar seguros em jornadas que originalmente não foram desenhadas para produtos de proteção. Isso exige simplicidade, clareza de valor e mínima fricção”, explica. Ao mesmo tempo, o avanço da distribuição embarcada amplia a necessidade de governança em temas como LGPD, transparência de oferta e aderência regulatória junto à Susep — sem comprometer velocidade de integração e lançamento. Do ponto de vista econômico, a Paula aponta que canais de alto volume e ticket médio reduzido exigem um nível maior de eficiência operacional, automação e sofisticação de pricing para garantir sustentabilidade financeira.

Além das questões regulatórias e operacionais, Paula avalia que o mercado ainda possui oportunidades relevantes pouco exploradas, especialmente em produtos mais modulares, coberturas associadas a serviços digitais e soluções voltadas a públicos historicamente subatendidos. “Existe um espaço importante em produtos simplificados, de curta duração e mais conectados a eventos específicos da jornada do consumidor. Também vemos potencial em segmentos como trabalhadores autônomos, profissionais de plataformas digitais e pequenas empresas”, afirma.

A executiva acredita que o crescimento do embedded insurance dependerá menos da criação de produtos complexos e mais da capacidade de adaptar ofertas existentes a novos contextos de consumo, com linguagem simples e percepção clara de benefício.

Outro tema que vem ganhando espaço no setor é o uso de inteligência artificial aplicada à personalização e eficiência operacional. Para Paula, a IA deve funcionar como um habilitador da experiência, mas sempre acompanhada de transparência e governança.

“A MetLife enxerga a IA como um elemento importante para ganho de eficiência e escala, mas confiança continua sendo um ativo central no setor de seguros. Isso exige uso responsável de dados, explicabilidade dos modelos e clareza para o cliente sobre como as informações são utilizadas”, afirma.

Segundo ela, o mercado segurador também entrou em uma nova etapa de maturidade na relação entre seguradoras tradicionais e insurtechs. Se antes predominava uma lógica de disrupção, agora o foco está em complementaridade de capacidades e geração de valor em escala.

“O ecossistema amadureceu. Hoje existe uma visão muito mais pragmática e colaborativa. A inovação sustentável depende da combinação entre solidez técnica e regulatória das seguradoras com a velocidade e especialização tecnológica das insurtechs”, diz.

Nesse contexto, a estratégia da MetLife passa por atuar como uma orquestradora de ecossistemas, conectando tecnologia, dados, distribuição e parceiros estratégicos por meio da plataforma MetLife Xcelerator. “Mais do que acompanhar a transformação do setor, queremos contribuir para construir modelos mais acessíveis, escaláveis e alinhados às novas expectativas do consumidor digital”, conclui.

Seguros ganham espaço no debate sobre desenvolvimento econômico e saúde em Lisboa

O setor de seguros esteve presente em dois dos principais debates do primeiro dia do XIV Fórum de Lisboa, evento que reúne autoridades, magistrados, parlamentares, reguladores, acadêmicos e representantes da iniciativa privada para discutir os desafios da nova ordem internacional. Em painéis dedicados ao desenvolvimento econômico e à saúde suplementar, representantes da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) defenderam maior previsibilidade institucional, gestão de riscos e sustentabilidade dos sistemas de proteção diante das transformações tecnológicas, demográficas e climáticas.

Realizado entre os dias 1º e 3 de junho, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), o encontro se consolidou como um dos principais espaços de diálogo jurídico, institucional e político da comunidade lusófona. Com o tema “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”, a edição deste ano reúne mais de 450 debatedores distribuídos em mais de 70 painéis.

A abertura contou com a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, idealizador do evento, além do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do ministro do Superior Tribunal de Justiça Luís Felipe Salomão e de representantes da academia brasileira e portuguesa. Embora tradicionalmente associado ao debate jurídico, o fórum abriu espaço para temas ligados ao desenvolvimento econômico, à saúde e à transformação tecnológica, áreas nas quais o setor segurador vem assumindo papel cada vez mais relevante.

Em entrevista após a abertura, Gilmar Mendes disse que o Brasil tem sabido defender sua soberania. “Fizemos isso nas discussões sobre a Magnitsky e das redes sociais, de modo que eu confio na institucionalidade e na defesa institucional da nossa soberania”, afirmou, referindo-se ao debate sobre precedentes que podem ser criados com a classificação pelo governo dos Estados Unidos das facções como PCC e Comando Vermelho como organizações criminosas, tema que tem preocupado as seguradoras e as resseguradoras, tanto pelos riscos inerentes a tal situação como também pelo compliance daquelas que são subsidiárias de grupo internacionais.

A presença da CNseg em dois painéis da programação reflete um movimento cada vez mais frequente do setor segurador de participar de discussões que vão além dos temas tradicionais do mercado. “Questões como competitividade econômica, transformação tecnológica, mudanças climáticas, longevidade, saúde e gestão de riscos passaram a integrar a agenda estratégica das seguradoras, que buscam posicionar o seguro não apenas como instrumento de proteção patrimonial, mas também como ferramenta de desenvolvimento econômico e resiliência social”, comentou o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, durante almoço com jornalistas.

No painel “Política Industrial, Soberania e Desenvolvimento em um Mundo Globalizado”, Oliveira defendeu uma agenda voltada ao aumento da competitividade brasileira, com foco em educação, infraestrutura, produtividade e gestão de riscos. Ao lado do ministro do STJ João Otávio de Noronha, do senador Laércio Oliveira, do ex-presidente da ApexBrasil Jorge Viana, do diplomata Ciro Leal e do presidente executivo da TelComp Luiz Henrique Barbosa, o executivo chamou atenção para a perda de dinamismo da indústria nacional nas últimas décadas.

Oliveira destacou três elementos centrais para o desenvolvimento econômico: a necessidade de ampliar a competitividade do país, a formação de capital humano qualificado para a nova economia e a construção de um ambiente marcado por previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade institucional. “O desenvolvimento econômico exige capacidade de planejamento de longo prazo. Sem segurança jurídica, estabilidade institucional e um ambiente favorável aos investimentos, torna-se muito difícil transformar potencial em prosperidade”, afirmou.

Segundo o presidente da CNseg, a perda de dinamismo da indústria brasileira nas últimas décadas reforça a necessidade de avanços em educação, infraestrutura, tributação e gestão de riscos, temas que vêm ganhando espaço crescente na agenda do setor segurador. Na avaliação do executivo, empresas e governos precisam incorporar uma cultura mais robusta de gestão de riscos, capaz de reduzir vulnerabilidades associadas a eventos climáticos extremos, interrupções de cadeias produtivas e outros fatores que afetam diretamente a atividade econômica.

Oliveira observou ainda que esses fatores influenciam diretamente a geração de empregos, os investimentos produtivos e as oportunidades de desenvolvimento regional. Para ele, o Brasil possui vantagens competitivas relevantes, mas precisa transformá-las em uma estratégia nacional consistente de crescimento sustentável.

Saúde suplementar sob pressão

O segundo painel com participação do setor de seguros tratou dos impactos da tecnologia, da economia e das transformações sociais sobre a saúde suplementar. O tema judicialização ganhou espaço relevante no debate que reuniu a diretora jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, o presidente da ANS, Wadih Damous, a conselheira do CNJ, Daiane Nogueira de Lira, e o ministro aposentado do STJ Antonio Saldanha Palheiro.

Ao comentar os dados apresentados por Daiane Nogueira de Lira, Glauce Carvalhal destacou que o ritmo de crescimento da judicialização da saúde suplementar desacelerou de cerca de 30% ao ano para 6%, mas alertou que os números continuam elevados. “Nós vínhamos de crescimentos próximos de 30% ao ano. Agora estamos falando de algo em torno de 6%. É um avanço importante, mas ainda estamos diante de números muito elevados”, afirmou.

Segundo os dados apresentados no painel, atualmente tramitam cerca de 931 mil processos relacionados à saúde no país. Apenas no primeiro quadrimestre de 2026 foram registrados aproximadamente 112 mil novos processos envolvendo saúde suplementar, volume que superou pela primeira vez os 110 mil casos relacionados à saúde pública. Para Glauce, o cenário reforça a necessidade de maior previsibilidade jurídica e de decisões apoiadas em evidências científicas.

A executiva também defendeu que a saúde suplementar seja tratada como infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico. Segundo ela, o setor responde por 2,7% do PIB brasileiro, gera mais de 5 milhões de empregos e movimenta cerca de R$ 320 bilhões por ano para atender aproximadamente um quarto da população do país. Mais de 80% das receitas hospitalares brasileiras têm origem na saúde suplementar, o que evidencia sua importância para toda a cadeia assistencial.

Glauce destacou ainda que o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à incorporação de novas tecnologias, especialmente terapias gênicas e medicamentos de alto custo. Na sua avaliação, será necessário ampliar mecanismos de compartilhamento de riscos, negociação de preços e avaliação contínua dos resultados clínicos para garantir a sustentabilidade do sistema.

Para Wadih Damous, o envelhecimento da população, o avanço da inteligência artificial e o surgimento de novos tratamentos exigem uma nova visão sobre sustentabilidade da saúde suplementar. Em sua manifestação, o presidente da ANS defendeu uma nova síntese entre tecnologia, economia e regulação. Segundo ele, o setor precisa abandonar a lógica centrada em procedimentos isolados e avançar para um modelo baseado em linhas de cuidado, uso de dados, avaliação de desfechos clínicos e remuneração por valor em saúde.

Na avaliação do regulador, a sustentabilidade do sistema não pode ser analisada apenas sob a ótica financeira, mas também pela capacidade de garantir acesso, qualidade assistencial e proteção aos beneficiários. Damous destacou que a inteligência artificial deve ser utilizada como instrumento de prevenção, promoção da saúde e coordenação do cuidado, nunca como mecanismo de exclusão de pacientes. “Identificar o risco não significa excluir; a obrigação do sistema é cuidar”, afirmou.

O ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça, Antonio Saldanha Palheiro, defendeu o fortalecimento das agências reguladoras brasileiras como instrumento para reduzir a judicialização dos conflitos na saúde suplementar. Segundo ele, diferentemente do que ocorre em alguns países, as agências nacionais ainda possuem capacidade limitada para fiscalizar, impor sanções e fazer cumprir suas determinações de forma efetiva.

Na sua avaliação, uma atuação regulatória mais robusta e com maior poder coercitivo permitiria resolver parte dos conflitos antes que chegassem ao Poder Judiciário, ampliando a segurança jurídica e a previsibilidade para consumidores e operadores do sistema. Saldanha também destacou o trabalho desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça na capacitação dos magistrados para decisões relacionadas à saúde e chamou atenção para o crescimento das fraudes, fenômeno que considera menos visível do que a judicialização, mas igualmente danoso para a sustentabilidade do setor.

Embora tenham participado de painéis distintos, Dyogo Oliveira e Glauce Carvalhal apresentaram uma mensagem convergente durante o Fórum de Lisboa: o desenvolvimento econômico e social depende cada vez mais da capacidade das instituições de antecipar riscos, garantir previsibilidade e construir mecanismos sustentáveis de proteção. Seja no debate sobre competitividade industrial ou nos desafios da saúde suplementar, a avaliação dos representantes da CNseg foi que gestão de riscos, segurança jurídica, inovação e planejamento de longo prazo deixaram de ser temas setoriais para se tornar elementos centrais das estratégias de desenvolvimento das nações.

Fator Seguradora lança e-book sobre Garantias Judiciais e reforça atuação técnica no segmento

Em um mercado em que prazo, documentação correta e precisão técnica fazem diferença direta no fechamento das operações, transformar conhecimento especializado em orientação prática passou a ser um diferencial competitivo. É com esse objetivo que a Fator Seguradora lança um novo e-book sobre Garantias Judiciais, idealizado por Agatha Lopes Mateus, gerente de Garantia Judicial da companhia, em conjunto com o time de especialistas da seguradora.

O material reúne a experiência acumulada pela Fator Seguradora ao longo de 18 anos de atuação no Seguro Garantia e apresenta, de forma objetiva, os principais pontos que fazem parte da rotina das operações judiciais, da subscrição às exigências documentais e operacionais que impactam a agilidade dos negócios. O e-book chega ao mercado como uma contribuição técnica da companhia e reforça o posicionamento da Fator Seguradora como referência em Garantia Judicial.

Leia os principais trechos da entrevista com Aghata Mateus:

A Fator Seguradora decidiu lançar um e-book sobre Garantias Judiciais em um tema que exige conhecimento técnico e aplicação prática no dia a dia. O que levou a companhia a colocar esse assunto na agenda agora?

O Seguro Garantia Judicial exige análises céleres e prazos de entrega extremamente curtos aos tomadores, uma vez que está diretamente vinculado a prazos processuais. Com o aumento da demanda e da complexidade das operações, percebemos também a necessidade de transformar um conhecimento que, muitas vezes, ficava concentrado na vivência prática dos especialistas, em materiais mais organizados e didáticos. Foi assim que surgiu, no nosso time de Garantias Judiciais, uma pergunta simples, mas poderosa: e se a gente organizasse esse conhecimento? E se aquilo que sempre foi experiência individual virasse construção coletiva? Esse e-book nasce justamente com esse propósito: reunir a expertise construída pela Fator Seguradora ao longo de 18 anos em um conteúdo prático, acessível e alinhado aos desafios reais de quem atua com Garantia Judicial no dia a dia.

O material foi pensado para transformar um tema técnico em orientação objetiva e útil para o mercado. Que valor isso entrega a quem precisa cotar, estruturar e fechar operações com mais segurança?

Mais do que um material técnico, o e-book foi criado para transformar conhecimento em vantagem competitiva. Consolidamos, de forma prática, informações que normalmente estão espalhadas entre legislações, portarias estaduais específicas para garantias fiscais e vivências do mercado, facilitando a tomada de decisão e trazendo mais agilidade e segurança para as operações. O conteúdo reúne temas fundamentais para quem atua com Garantia Judicial, como regras estaduais para garantias fiscais, exigências de vigência mínima das apólices e interpretações práticas dos processos judiciais. Também esclarece a formalização do Contrato de Contragarantia, o CCG, etapa que viabiliza a emissão de apólices de Seguro Garantia e, portanto, destrava negociações e dá mais eficiência ao fechamento dos negócios.

O e-book trata de pontos centrais da rotina de Garantia Judicial, como análise de crédito, escolha da modalidade, renovação de apólices e exigências operacionais. Na visão da Fator Seguradora, quais são hoje os erros mais comuns que afetam a fluidez dessas operações?

Os principais entraves nas operações de Garantia Judicial ainda estão relacionados à falta de informações e à ausência de documentos essenciais, fatores que impactam diretamente a agilidade das análises e emissões. Hoje, enxergamos esses desafios em três frentes principais: a formalização do CCG, quando faltam atos societários que comprovem os poderes de assinatura; a subscrição, especialmente em processos sob segredo de justiça ou com relatórios de risco incompletos; e o pós-venda, com solicitações de cancelamento ou alteração de apólices sem decisão judicial. Esse é um mercado em que prazo é decisivo. Por isso, informações e documentação alinhadas garantem mais agilidade.

Muita gente ainda enxerga o Seguro Garantia Judicial como um produto padronizado. O e-book mostra o contrário: há análise, critério e acompanhamento ao longo da vigência. O que essa visão diz sobre a forma como a Fator Seguradora atua nesse segmento?

Durante muito tempo, o Seguro Garantia Judicial foi tratado pelo mercado como uma operação puramente transacional: havendo limite, emite-se a apólice. Na Fator Seguradora, a visão sempre foi diferente. Entendemos que a solidez do mercado depende de análise técnica, critério de subscrição e acompanhamento constante dos riscos. Mesmo com clausulados padronizados, cada operação exige avaliação especializada ao longo de toda a vigência da apólice. Por isso, atuamos de forma consultiva e próxima aos parceiros, com uma equipe especializada em Garantia Judicial e formação jurídica, preparada para apoiar clientes e corretores em cada etapa.

Como plataformas digitais, como o FatorConnect, contribuíram para ampliar escala, agilidade e organização na emissão de Garantias Judiciais?

Plataformas digitais como o FatorConnect tiveram papel fundamental para trazer mais escala, velocidade e eficiência operacional às emissões de Garantia Judicial. Com uma jornada 100% digital e autônoma, corretores conseguem cotar, emitir e acompanhar operações em tempo real, sem depender de análises de mesa para operações elegíveis à emissão automática. Na prática, isso representa ganho de produtividade, mais agilidade no atendimento ao cliente e maior capacidade de operar um volume maior de negócios com organização e segurança. Além de simplificar processos, a plataforma reduz burocracias e torna a rotina operacional muito mais eficiente para o corretor.

Esse movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de consolidação da marca como referência em Garantia Judicial e Seguro Garantia?

Esse movimento reflete o próprio DNA da Fator Seguradora. O Seguro Garantia faz parte da nossa origem e, ao longo desses 18 anos, construímos uma reputação pautada por conhecimento técnico, agilidade, consistência e proximidade com o mercado. O e-book surge como uma extensão natural desse posicionamento. Mais do que oferecer soluções, queremos contribuir ativamente para o desenvolvimento do setor. Isso fortalece a Fator Seguradora como uma referência em Garantia Judicial e reforça nosso papel como parceiro estratégico de corretores, clientes e operadores do mercado.

Para encerrar: além deste lançamento, o que faz da Fator Seguradora uma escolha consistente para o corretor de seguros que atua com Garantias Judiciais?

Para o corretor que atua com Garantias Judiciais, a escolha da seguradora parceira impacta diretamente a confiança transmitida ao cliente e a credibilidade da sua atuação. Por isso, é fundamental contar com uma companhia que ofereça segurança técnica, agilidade e proximidade em todas as etapas da operação. Na Fator Seguradora, unimos capacidade de análise, rapidez nas decisões e relacionamento próximo com o mercado, garantindo acesso direto aos times responsáveis pelas operações. Isso reduz burocracias, acelera os retornos e proporciona mais eficiência no atendimento ao cliente final. Além da solidez financeira, oferecemos acompanhamento contínuo durante toda a vigência da apólice, com suporte técnico e operacional dedicado. Assim, o corretor ganha mais segurança para estruturar negócios, atender com agilidade e conduzir operações de forma mais eficiente e estratégica.

Insurtech Brasil 2026 reúne 1,5 mil participantes e reforça papel da tecnologia em seguros

insurtech brasil

Com mais de 1,5 mil participantes no Expo Center Norte, em São Paulo, o Insurtech Brasil 2026, realizado no dia 28 de maio, reforçou sua posição como principal encontro de tecnologia, inovação em seguros e canais de distribuição do país. Em sua 9ª edição, o evento reuniu seguradoras, empresas de tecnologia, plataformas digitais, fintechs, investidores e lideranças do setor para discutir os caminhos da transformação do mercado de seguros.

O evento teve como destaque, na abertura, a participação da Susep, representada pelo superintendente Alessandro Octaviani, na palestra “Overview Regulatório 2026: Perspectivas para o Mercado de Seguros”. Octaviani defendeu que a inovação tecnológica deve ocupar papel central na expansão do setor e na construção de um mercado mais acessível, eficiente e conectado às necessidades da sociedade brasileira.

Segundo o superintendente, o Brasil ainda enfrenta baixa penetração do seguro em eventos de grande impacto, especialmente catástrofes climáticas. Ao citar as enchentes no Rio Grande do Sul, lembrou que o mercado de seguros pagou cerca de R$ 6 bilhões em indenizações diante de prejuízos estimados entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões, evidenciando a necessidade de ampliar significativamente a proteção securitária no país. “O mercado de seguros foi rápido, ágil, eficiente, cumpriu tudo o que tinha que cumprir, mas socialmente ainda foi insuficiente para a escala daquilo que aconteceu”, afirmou.

Para Octaviani, o seguro deve ser tratado como uma infraestrutura essencial ao equilíbrio econômico do país, o que exige maior integração entre regulação, inovação e tecnologia. “Não dá para fazer esse tipo de grande política nacional sem muita tecnologia, sem muita capacidade de busca de eficiência. Nós temos que lidar com empresas de alta capacidade tecnológica, cujo DNA seja o da informação”, destacou.

A programação da manhã trouxe ainda uma análise internacional sobre os impactos da inteligência artificial no setor. Em palestra conduzida por Juan Mazzini, CEO global da Celent e cofundador do AI Forum, o executivo defendeu que a tecnologia já deixou de ser uma limitação para o mercado e passou a exigir uma revisão profunda dos modelos operacionais das empresas. Segundo ele, a adoção da inteligência artificial precisa estar ligada a resultados concretos de negócio, e não apenas ao entusiasmo gerado por novas ferramentas.

“Inovação só ganha escala quando está ligada a resultados mensuráveis. Não se trata de usar tecnologia porque ela é interessante, mas de entender como ela melhora o negócio, reduz tempo, aumenta eficiência e melhora a experiência do cliente”, destacou Mazzini, ao reforçar que o desafio das companhias agora está menos na tecnologia disponível e mais na capacidade de adaptação dos modelos operacionais.

Na sequência, o painel “Tendências e Inovações na Voz das Lideranças do Mercado”, moderado por José Prado, CEO do Insurtech Brasil, reuniu Alfredo Lalia, CEO da Sompo; Marcos Couto, CEO da Alper Seguros; e novamente Juan Mazzini para discutir os avanços e desafios da inovação no mercado de seguros.

Entre os principais consensos do debate esteve a percepção de que a inteligência artificial ainda é utilizada predominantemente para ganhos de eficiência operacional, enquanto transformações mais profundas em produtos, experiência do cliente e distribuição seguem avançando de forma gradual. Marcos Couto chamou atenção para a necessidade de simplificar processos antes da adoção de novas tecnologias e criticou a permanência de etapas burocráticas ainda pouco digitalizadas no setor. “Não adianta implantar tecnologia em um fluxo ruim. Primeiro você revisa o fluxo, simplifica, e aí implanta tecnologia”, afirmou.

Alfredo Lalia compartilhou experiências da Sompo na aplicação prática da inteligência artificial, especialmente em automação de subscrição e ganho de produtividade, ressaltando que a tecnologia já contribui para reduzir tempo operacional e acelerar processos internos. O executivo também defendeu que a evolução tecnológica precisa caminhar junto à melhoria da experiência do cliente e ao fortalecimento da gestão de riscos.

Já Juan Mazzini ponderou que, embora ainda existam desafios relevantes, o Brasil é frequentemente visto internacionalmente como referência em inovação no setor financeiro e reúne condições para ampliar seu protagonismo também no mercado de seguros, especialmente diante do avanço das tecnologias aplicadas à distribuição, precificação e prevenção de perdas.

Um painel dedicado à inteligência artificial aplicada ao mercado de seguros aprofundou discussões sobre segurança, governança, integração tecnológica e o papel dos chamados agentes de IA nas operações das empresas. O debate reuniu executivos de seguradoras, corretoras e empresas de tecnologia, incluindo representantes da MAPFRE, Porto, Tokio Marine, Grupo MAG e Brick, reforçando que o principal desafio do setor já não é mais o acesso à tecnologia, mas sua adoção efetiva diante de estruturas legadas, exigências regulatórias e necessidade de integração entre plataformas.

Os participantes também discutiram o impacto da inteligência artificial na rotina de seguradoras e corretoras, reforçando que o futuro tende a combinar automação de tarefas operacionais com uma atuação humana cada vez mais consultiva e orientada à gestão de risco. Entre os exemplos apresentados estiveram aplicações ligadas à automação de processos, análise de dados, produtividade comercial e aceleração da jornada do cliente, evidenciando como grandes grupos do mercado já vêm incorporando IA às operações. Para os debatedores, o corretor deverá ampliar seu papel como orquestrador de soluções e consultor especializado, à medida que processos repetitivos se tornam automatizados.

Ao longo do restante da programação, o Insurtech Brasil 2026 ampliou o debate sobre os diferentes caminhos da transformação do mercado de seguros, reunindo representantes de seguradoras, resseguradoras, plataformas digitais, bancos, empresas de tecnologia, consultorias, fintechs, corretoras e especialistas em dados, regulação e inovação.

Nas salas simultâneas, os painéis aprofundaram temas ligados à distribuição digital, embedded insurance, MGAs, subscrição, meios de pagamento, sinistros, inteligência artificial, dados e experiência do cliente, reunindo executivos de companhias como Porto, Tokio Marine, MetLife, Prudential, Zurich, Sompo, Bradesco Vida e Previdência, Brasilprev, AXA, Swiss Re e SulAmérica, além de empresas de tecnologia e dados como Serasa Experian, Guidewire, Brick, FICO, Taktile, Adyen, .add e InsureMO.

O avanço do seguro embarcado e das novas parcerias de distribuição esteve entre os assuntos centrais, com executivos do C6 Bank, Prudential, MetLife, Sem Parar, RecargaPay e Telefônica Corretora debatendo o papel de plataformas, e-commerce, meios de pagamento e bancos digitais na ampliação do acesso à proteção securitária.

A evolução das MGAs também ganhou espaço relevante na programação, com discussões envolvendo executivos de empresas como Split Risk, Alba Seguradora, Azos, Munich Re e Pottencial Seguradora sobre estruturação de operações, desafios regulatórios, crescimento sustentável, capitalização e resseguro.

Em tecnologia, os debates reforçaram a consolidação da inteligência artificial como ferramenta prática de eficiência operacional, automação e tomada de decisão. Lideranças da Sompo, Tokio Marine, Porto, AXA, Grupo MAG e Bradesco Seguros discutiram aplicações ligadas à automação de sinistros, modernização de sistemas, arquitetura de dados, APIs, cloud-native, hiperpersonalização e redução de churn.

A agenda também dedicou espaço relevante a segmentos específicos do mercado, incluindo vida e previdência, benefícios corporativos e seguro agro, com a participação de executivos da MetLife, Brasilprev, Bradesco Vida e Previdência, SulAmérica, Zurich, Swiss Re e Alper Seguros para discutir prevenção à fraude, scoring, mudanças climáticas, saúde corporativa e novas formas de análise de risco.

Além dos painéis executivos, o evento abriu espaço para startups e empresas emergentes apresentarem soluções voltadas à digitalização da jornada do cliente, comunicação, engajamento, eficiência operacional e novas formas de distribuição, reforçando o papel do Insurtech Brasil como ambiente de geração de conexões, troca de conhecimento e desenvolvimento de negócios.

Além do conteúdo, o Insurtech Brasil 2026 contou com uma feira de exposições reunindo patrocinadores, empresas de tecnologia, plataformas e provedores de soluções para o mercado de seguros, ampliando o espaço para demonstrações, networking e geração de negócios. Ao longo do dia, os participantes também tiveram momentos dedicados ao relacionamento, incluindo coffee breaks, almoço e happy networking, reforçando a proposta do evento de promover conexões estratégicas entre seguradoras, distribuidores, empresas de tecnologia, fintechs e demais agentes do ecossistema.

Para José Prado, CEO do Insurtech Brasil, a edição de 2026 reforçou o amadurecimento do encontro como ambiente de negócios e construção de soluções para o mercado. “O Insurtech Brasil tem justamente o objetivo de conectar quem regula, quem desenvolve tecnologia, quem distribui e quem opera o mercado. O que vimos nesta edição foi um debate cada vez mais maduro, focado não apenas em tendências, mas na implementação prática da inovação”, afirma.

Juliana Montez, CEO da Pluvon e organizadora do encontro, destacou o sucesso da edição de 2026 e a qualidade do público presente. “Tivemos uma edição extremamente forte, com mais de 1,5 mil participantes, debates consistentes e presença de executivos que estão liderando transformações reais dentro do mercado. O Insurtech Brasil vem amadurecendo junto com o setor e hoje é um ambiente de negócios, relacionamento e construção de soluções para o futuro dos seguros”, afirma.

Bradesco Seguros: AI transforma o segmento de vida e previdência

A inteligência artificial deve acelerar a transformação do mercado de vida e previdência, ampliando a eficiência operacional, a personalização da jornada do cliente e a capacidade de prevenção a fraudes. No entanto, a confiança, a sensibilidade e a tomada de decisão responsável seguem como atributos essencialmente humanos. Essa foi uma das principais reflexões apresentadas por Rafael Barroso, superintendente sênior da Bradesco Vida e Previdência, durante o Insurtech Brasil 2026, realizado em 28 de maio, em São Paulo. 
 
O executivo participou do painel “Vida e Previdência na era da IA: automação de sinistros, resgates e prevenção de fraudes”, que também contou com a presença de outras lideranças. A conversa foi mediada por Vinicius Schroeder, CEO e cofundador da Brick.

Durante o debate, Barroso destacou que o setor passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. Um exemplo citado foi a jornada de sinistros, que alguns anos atrás ainda dependia amplamente de papel e, hoje, em muitos casos, pode ser concluída em poucas horas.

“Há 20 anos, o grande desafio era a digitalização. Hoje, a inteligência artificial abre uma nova fronteira, com potencial para automatizar, personalizar e tornar os processos mais eficientes. Mas isso precisa acontecer sempre com uma boa pilotagem humana, garantindo segurança, responsabilidade e qualidade na experiência do cliente”, afirmou Rafael Barroso. 

Segundo o executivo, a IA deve contribuir para que a digitalização deixe de ser apenas uma ferramenta de eficiência operacional e passe a oferecer uma experiência mais personalizada ao cliente.

“A inteligência artificial pode ajudar a entender melhor o momento de vida do cliente, apoiar uma oferta mais adequada às suas necessidades e tornar a jornada mais simples e assertiva. Personalização em escala.”, destacou.

Apesar dos avanços tecnológicos, o executivo ressaltou que alguns elementos permanecem imutáveis no mercado segurador. Entre eles, a confiança do cliente na instituição em que decide proteger sua família, planejar o futuro ou investir seus recursos.

“Em vida e previdência, a confiança é central. O cliente precisa perceber credibilidade, estar seguro de que está fazendo a escolha certa, da forma correta e com as melhores condições possíveis. A inteligência artificial vai ajudar o mercado a evoluir, mas o toque de sensibilidade continua sendo humano”, concluiu Barroso.

O Insurtech Brasil 2026 reuniu mais de 60 palestrantes e importantes nomes do setor para discutir inovação, tecnologia, canais de distribuição e novas oportunidades de negócios no mercado segurador. O encontro se consolidou como um dos principais fóruns de debate sobre o futuro do seguro no país, conectando seguradoras, insurtechs, especialistas, executivos e lideranças do ecossistema.

Governo teme efeitos sobre seguros e caso Master

Fonte: CNN

A decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas confirmou um cenário que já vinha sendo monitorado pelo Ministério da Justiça. A preocupação não estava apenas no campo da segurança pública, mas também nos efeitos econômicos e financeiros que a medida pode produzir sobre empresas, seguradoras e investigações em andamento no Brasil.

asEntre os principais receios está o impacto sobre o mercado de seguros e resseguros. Como boa parte das seguradoras brasileiras depende de empresas estrangeiras para dividir riscos, a avaliação é que a nova classificação pode aumentar exigências de controle e elevar a percepção de risco sobre operações realizadas no país.

A preocupação é que empresas internacionais passem a considerar determinadas operações no Brasil mais sensíveis diante da presença de grupos agora enquadrados como terroristas.

Isso tende a elevar o custo do resseguro — mecanismo utilizado pelas seguradoras para compartilhar riscos — e pode acabar sendo repassado ao preço final de apólices, financiamentos e outras operações de crédito.

Outro temor discutido dentro do governo envolve possíveis reflexos sobre a estrutura de investigação já existente no país. Integrantes da segurança pública argumentam que órgãos brasileiros, como o Ministério Público e as polícias civis, já possuem equipes especializadas no monitoramento dessas organizações.

A avaliação é que a nova classificação pode gerar sobreposição de estruturas, ampliar disputas de competência e aumentar pressões por mudanças nos mecanismos de cooperação internacional.

O impacto também pode alcançar investigações financeiras que já estão em curso. A classificação amplia instrumentos internacionais de rastreamento de recursos e aumenta a atenção de instituições estrangeiras sobre operações contra organizações.

Nesse contexto, a atenção é voltada a casos que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e eventual relacionamento entre instituições financeiras e integrantes do crime organizado.

Isso inclui linhas de investigação relacionadas ao Banco Master, que já vinham sendo acompanhadas por autoridades brasileiras em apurações sobre movimentações financeiras e possíveis conexões com estruturas do crime organizado.