IRB(RE) avança na diversificação e cria duas seguradoras para atuar em danos, vida e previdência

O IRB(RE) anunciou nesta quarta-feira (3) a constituição de duas novas seguradoras, marcando mais um passo em sua estratégia de diversificação e expansão dos negócios. Por meio de sua controlada IRB Holding, a companhia criou a IRB(Seg) Corporate Seguradora S.A., voltada aos ramos de danos (Property & Casualty), com Frederico Knapp como CEO, e a IRB(Seg) Vida e Previdência Seguradora S.A., destinada à atuação nos segmentos de pessoas e previdência privada, que segundo boatos entre executivos do setor terá como CEO Nuno David, com grande experiência no segmento durante seu período na MAG Seguros.

Segundo comunicado ao mercado, a autorização prévia para constituição das empresas já foi concedida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), restando apenas a homologação definitiva da autarquia para o início das operações.

O movimento já vinha sendo antecipado pelo presidente do IRB, Marcos Falcão, dentro da estratégia de crescimento do grupo após a conclusão do turnaround que reposicionou a companhia nos últimos anos. A iniciativa também acompanha uma tendência observada em grandes grupos internacionais, que atuam simultaneamente nos mercados de seguros e resseguros para ampliar fontes de receita e capturar sinergias operacionais.

Em entrevistas recentes, executivos do IRB já haviam sinalizado que a nova seguradora teria foco inicial nos ramos patrimoniais e de engenharia. O grupo reforçou sua estrutura para essa nova etapa com a contratação de dois profissionais de mercado: Santiago Areano para liderar a área de subscrição e Cristiane Abdala para comandar operações e sinistros.

A expectativa da companhia é que a entrada no mercado segurador amplie sua capacidade de originação de negócios sem alterar seu papel histórico como resseguradora local. No comunicado, o IRB destaca que a expansão “não interfere na condução do negócio original”, que continua sendo a oferta de resseguros para seguradoras atuantes no mercado brasileiro.

A estratégia também permite ao grupo explorar oportunidades de integração entre seguro e resseguro. Na prática, a nova estrutura poderá utilizar a expertise técnica acumulada pelo IRB em mais de oito décadas de atuação no gerenciamento de riscos e na oferta de capacidade de resseguro para desenvolver produtos próprios de seguros.

O anúncio ocorre em um momento de transformação para o grupo. Além da criação das seguradoras, o IRB vem ampliando sua atuação internacional e buscando novas avenidas de crescimento para reduzir a dependência dos ciclos tradicionais do mercado de resseguros. A iniciativa ganha relevância em um cenário de forte concorrência no setor, marcado pela entrada de novos participantes, aumento da capacidade global e mudanças regulatórias em discussão pela Susep no âmbito da implementação do novo Marco Legal dos Seguros.

Nos bastidores do mercado, a criação das seguradoras é vista como um passo natural para um grupo que já domina a cadeia de transferência de riscos. Ao atuar também na ponta da subscrição, o IRB passa a disputar espaço diretamente com seguradoras estabelecidas, ao mesmo tempo em que amplia sua capacidade de capturar valor em diferentes etapas do negócio segurador.

A homologação final da Susep será o último passo para que as novas empresas iniciem suas operações comerciais. A expectativa do mercado é que as primeiras movimentações ocorram ainda no segundo semestre de 2026.

Seguro rural ganha protagonismo diante do avanço dos riscos climáticos e da baixa proteção no campo

LISBOA – O avanço das mudanças climáticas e o aumento da frequência de eventos extremos estão colocando o seguro rural no centro das discussões sobre segurança alimentar, sustentabilidade da produção agrícola e proteção das economias nacionais. O tema foi debatido no painel “Proteção do Agronegócio no Contexto das Alterações Climáticas”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, que reuniu representantes dos mercados seguradores e do setor agrícola dos três países.

A palestra principal foi conduzida por Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, a confederação das seguradoras do Brasil. Participaram dos debates Luis Souto Barreiros, Presidente, IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas) – TBC, e Silvia Marques dos Santos, Diretora de Produção e Marketing, Agroseguro. Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade, Crédito Agrícola, mediou o debate.

Ao abrir o debate, Dyogo Oliveira destacou que as mudanças climáticas recolocam o setor segurador diante de um desafio semelhante àquele que deu origem ao próprio mercado de seguros séculos atrás: lidar com riscos primários e de grande impacto econômico. “O caminho para enfrentar esse cenário é compreender melhor os riscos, entender como eles funcionam e desenvolver mecanismos de mitigação, diversificação e compartilhamento”, afirmou.

Segundo ele, os eventos climáticos já deixaram de ser fenômenos excepcionais no Brasil. Dados apresentados durante a palestra mostram que o número médio anual de ocorrências climáticas praticamente dobrou na última década. Enquanto entre 2010 e 2014 o país registrava cerca de 2.500 eventos por ano, nos últimos cinco anos a média saltou para aproximadamente 4.500 ocorrências anuais. Os prejuízos econômicos associados a esses eventos alcançaram cerca de R$ 180 bilhões nos últimos três anos, ou aproximadamente R$ 60 bilhões por ano.

Apesar da crescente exposição aos riscos climáticos, Dyogo reconheceu que a proteção securitária no campo brasileiro continua extremamente limitada. Segundo ele, menos de 5% da área produtiva do país possui cobertura de seguro rural. O número efetivo, segundo o executivo, foi de apenas 2,3% da área agrícola segurada no último levantamento. “Isso demonstra um enorme equívoco de política agrícola, um enorme equívoco na percepção de risco dos produtores e também uma incapacidade nossa, como setor segurador, de chegar a esses produtores com a informação adequada”, afirmou.

O presidente da CNseg observou que, historicamente, muitos produtores brasileiros se acostumaram a depender de renegociações de dívidas e programas emergenciais do governo após perdas provocadas por fenômenos climáticos. No entanto, ressaltou que a deterioração fiscal do Estado brasileiro torna esse modelo cada vez mais difícil de sustentar. “O foco da política agrícola brasileira precisa migrar gradualmente do crédito subsidiado para a gestão de riscos. Durante décadas o principal desafio foi ampliar o acesso ao crédito. Hoje o maior problema do agronegócio brasileiro é a gestão dos riscos, especialmente os riscos climáticos”, afirmou.

Seguro rural avança no Congresso

Dyogo destacou como um avanço importante a aprovação, pelo Senado brasileiro, de um projeto que transforma os recursos destinados à subvenção do seguro rural em despesa obrigatória do orçamento público, reduzindo o risco de cortes frequentes nos programas de apoio ao setor. O PL 2.951/2024 prevê taxas de juros menores e prioridade em operações de crédito rural amparadas pelo seguro rural. Também determina que o prêmio do seguro seja subsidiado por um fundo financiado com recursos públicos.

Segundo ele, embora a medida não resolva o problema da baixa cobertura, cria maior previsibilidade para o mercado e pode estimular a expansão gradual da proteção. Outro ponto defendido pelo executivo é a aproximação entre crédito rural e seguro agrícola. Na avaliação dele, financiamentos subsidiados deveriam ser acompanhados por mecanismos de proteção contra perdas climáticas, prática já adotada em outros segmentos da economia.

“O maior risco da operação agrícola é o risco climático. Por isso, faz sentido criar incentivos ou condicionantes para que o produtor que recebe crédito também tenha proteção securitária”, afirmou. Dyogo explicou que o avanço do projeto no Congresso Nacional só foi possível graças ao apoio das entidades do agronegócio, como a Frente Parlamentar da Agropecuária, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e associações de produtores rurais.

Representando o governo português, Luis Souto Barreiros afirmou que os desafios enfrentados por Portugal são semelhantes aos observados no Brasil, embora em uma escala diferente. Segundo ele, a agricultura europeia convive com crescente instabilidade climática, exigindo instrumentos mais robustos para garantir previsibilidade e estimular investimentos no setor.

“O seguro ainda tem uma participação relativamente pequena dentro das ferramentas disponíveis para gestão de riscos agrícolas em Portugal. Temos consciência de que isso precisa mudar”, afirmou. Barreiros destacou que Portugal vem defendendo na União Europeia a criação de instrumentos supranacionais de proteção, incluindo mecanismos de resseguro capazes de ampliar a oferta de cobertura e reduzir custos para os produtores.

Espanha apresenta modelo de referência

A experiência espanhola foi apresentada por Silvia Marques dos Santos, diretora de Produção e Marketing da Agroseguro, considerada uma das referências mundiais em seguro agrícola. A experiência espanhola foi apresentada por Silvia Marques dos Santos, responsável por um dos modelos de seguro rural mais reconhecidos do mundo.

Segundo ela, o sistema espanhol é resultado de uma parceria público-privada construída ao longo de quase cinco décadas. Criado em 1978, o modelo reúne governo central, governos regionais, produtores rurais, resseguradores e um pool formado por 15 seguradoras que compartilham riscos e operam sob uma estrutura única de gestão coordenada pela Agroseguro. 

Atualmente, cerca de 50% do valor do prêmio é subsidiado pelo poder público, por meio de contribuições do governo central e das comunidades autônomas espanholas. O sistema também conta com reservas de estabilização e mecanismos públicos de resseguro que garantem capacidade de pagamento mesmo em anos de elevada sinistralidade. “Aconteça o que acontecer, os agricultores receberão as indenizações correspondentes às suas perdas”, afirmou Silvia. 

Apesar de ser considerado uma referência internacional, a executiva alertou que o modelo enfrenta desafios crescentes decorrentes das mudanças climáticas. Segundo ela, a Espanha não registra apenas aumento da frequência dos sinistros, mas também uma transformação do próprio comportamento dos riscos agrícolas.

Fenômenos como secas, geadas, granizo e ondas de calor tornaram-se mais intensos, menos previsíveis e mais frequentes. “Já não existe uma época específica para determinados eventos. O granizo, por exemplo, pode ocorrer praticamente em qualquer período do ano”, explicou. 

Para responder a essa nova realidade, a Agroseguro vem promovendo ajustes estruturais em seus modelos de subscrição. Um dos principais movimentos é a individualização das coberturas, abandonando gradualmente a lógica de soluções uniformes para todo o território espanhol. “Hoje o clima não é igual em todas as regiões e os produtores também não adotam as mesmas medidas de prevenção. Precisamos adaptar as coberturas à realidade de cada exploração agrícola”, afirmou. 

Outra mudança relevante envolve o uso das séries históricas. Tradicionalmente, o seguro rural utiliza longos períodos de dados para estimar riscos futuros. Segundo Silvia, essa lógica começa a perder eficiência diante da velocidade das transformações climáticas. “Já não podemos olhar para o clima de 15 ou 20 anos atrás e assumir que ele continuará igual. Estamos estudando modelos preditivos capazes de complementar os dados históricos e antecipar melhor os riscos futuros”, explicou. 

A executiva também destacou que a adaptação não pode ser responsabilidade exclusiva das seguradoras. Na avaliação dela, produtores rurais precisarão investir cada vez mais em medidas de resiliência, eficiência hídrica, novas tecnologias e mudanças de práticas agrícolas para reduzir sua exposição aos riscos climáticos.”A adaptação e a resiliência também precisam acontecer dentro das propriedades rurais. Nem tudo pode ser transferido para o seguro”, afirmou.

Ao comentar a experiência espanhola, Dyogo Oliveira reconheceu que o modelo é uma referência internacional, mas alertou que sua adaptação ao Brasil exigirá um processo gradual. “O sistema espanhol é extremamente bem-sucedido, mas foi construído ao longo de décadas. Teremos um longo caminho para alcançar algo semelhante no Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o mercado brasileiro já começou a dar alguns passos nessa direção. Um dos exemplos é a criação de mecanismos voltados à acumulação de reservas em períodos de menor sinistralidade, permitindo suavizar oscilações de preços e ampliar a estabilidade do sistema.

Para o presidente da CNseg, o intercâmbio promovido pelo Fórum Brasil-Portugal demonstra que, embora os países enfrentem realidades distintas, os desafios relacionados às mudanças climáticas são cada vez mais semelhantes. “Através do diálogo e da troca de experiências, conseguimos encontrar soluções mais adequadas para cada realidade nacional”, concluiu.

Dados e inteligência artificial transformam gestão de riscos climáticos e ampliam capacidade de prevenção

LISBOA – A combinação entre ciência climática, inteligência artificial e análise de dados está criando uma nova geração de ferramentas para medir riscos, antecipar perdas e apoiar decisões de adaptação às mudanças climáticas. O tema foi debatido no painel “Dados e Inteligência Climática”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar. 

Logo no início da apresentação, Pedro Matos Soares, pesquisador do Instituto Dom Luiz (IDL), destacou que os riscos climáticos não podem ser analisados apenas pela ótica da mudança do clima. Segundo ele, o risco resulta da combinação entre três fatores: perigosidade climática, exposição e vulnerabilidade. “Não é apenas o clima que está mudando. A sociedade aumentou enormemente sua exposição e, em muitos casos, também sua vulnerabilidade”, afirmou. 

O pesquisador apresentou dados que mostram a aceleração dos impactos climáticos globais. Segundo ele, a taxa de elevação do nível médio do mar multiplicou-se por cinco nas últimas décadas, enquanto os eventos extremos de precipitação, ondas de calor e incêndios florestais se tornaram mais frequentes e intensos. Apenas na União Europeia, perdas econômicas relacionadas a eventos meteorológicos e climáticos ultrapassaram € 650 bilhões nos últimos 42 anos. 

Segundo Soares, os modelos globais conseguem hoje representar atmosfera, oceanos, vegetação, gelo e ciclo de carbono, mas ainda operam em escalas insuficientes para a tomada de decisão empresarial. Para superar essa limitação, pesquisadores vêm combinando modelagem climática regional, imagens de satélite e inteligência artificial para gerar informações cada vez mais precisas sobre ativos específicos, cidades, infraestruturas e carteiras de seguros. 

O especialista apresentou exemplos aplicados a Portugal, São Paulo e Estados Unidos, mostrando como essas ferramentas permitem identificar ilhas de calor urbanas, riscos de inundação, vulnerabilidade costeira, produtividade agrícola e impactos sobre redes elétricas. Segundo ele, a nova geração de dados climáticos permitirá que seguradoras, empresas e governos tomem decisões mais precisas sobre investimentos, adaptação e precificação de riscos. 

Na avaliação de Pedro Baptista, chefe da Unidade de Adaptação e Financiamento Climático, Agência para o Clima, um dos principais desafios atuais não é a ausência de dados, mas a dificuldade de organizar e transformar essas informações em instrumentos efetivos de decisão. “Hoje existe muita informação disponível. O desafio é recolher, sistematizar, trabalhar esses dados e apresentá-los de forma acionável para os diversos atores”, afirmou. 

Segundo o representante da Agência para o Clima, a nova Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas de Portugal busca justamente integrar dados produzidos por universidades, órgãos públicos e instituições internacionais para apoiar políticas públicas e investimentos privados.

Baptista ressaltou ainda a importância de ampliar a coleta de dados sobre perdas e danos provocados por eventos extremos, informação considerada fundamental para o planejamento de medidas de adaptação e para o desenvolvimento de mecanismos de proteção financeira. 

Um desafio para seguradoras

Representando a CNseg, Antonio Trindade observou que o setor segurador passa por um momento de transformação diante do aumento dos riscos climáticos. Em tom bem-humorado, afirmou que, após ouvir os dados apresentados nos dois primeiros painéis do fórum, sua reação inicial como ex-executivo de seguradora seria recomendar cautela extrema na subscrição desses riscos.

Mas logo em seguida destacou que a enorme quantidade de informações hoje disponível cria uma oportunidade inédita para o desenvolvimento do mercado. “O grande desafio é organizar os dados, dar confiabilidade a essas informações e educar o mercado segurador para utilizá-las adequadamente”, afirmou. 

Segundo Trindade, a CNseg já trabalha na construção de um hub de informações voltado inicialmente para riscos de inundação e seca. O objetivo é integrar dados climáticos, informações de infraestrutura, histórico de perdas e experiências internacionais para apoiar políticas de prevenção e ampliar a capacidade de subscrição das seguradoras brasileiras. 

O executivo citou como exemplo as enchentes do Rio Grande do Sul e observou que parte dos danos poderia ter sido mitigada por investimentos preventivos e melhor manutenção de infraestruturas de contenção. “A prevenção continua sendo o melhor seguro”, resumiu. 

Trindade também destacou a proposta que a CNseg vem desenvolvendo junto ao governo federal para a criação de um seguro de catástrofes voltado às populações mais vulneráveis. Segundo ele, a ideia é estruturar um mecanismo de caráter assistencial, com indenizações de menor valor, destinado a famílias que vivem em áreas mais expostas a enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos.

Na avaliação do executivo, a iniciativa pode tornar mais rápida e eficiente a chegada dos recursos às vítimas de desastres naturais. “O mercado segurador tem capacidade de fazer esse dinheiro chegar mais rapidamente a quem precisa. Em vez de passar por diversas instâncias administrativas, os recursos podem alcançar diretamente as famílias atingidas”, afirmou.

Segundo Trindade, o projeto também pode representar um primeiro passo para a construção de um mercado mais robusto de proteção contra catástrofes no Brasil. Para isso, defendeu a participação conjunta de seguradoras, resseguradoras, fundos públicos e mecanismos de compartilhamento de riscos. “Precisamos construir uma solução capaz de proteger as comunidades mais vulneráveis e aumentar a resiliência do país diante dos eventos climáticos extremos”, disse.

Ao encerrar sua apresentação, Pedro Matos Soares fez um alerta sobre a necessidade de transformar conhecimento científico em decisões concretas. Segundo ele, apesar dos avanços na modelagem climática, na inteligência artificial e na produção de dados de alta resolução, essas informações ainda são subutilizadas por governos, empresas e instituições.

“No Brasil existe ainda uma cultura limitada de dados abertos. Hoje gera-se economia com dados. Temos informações sobre riscos climáticos há muitos anos, com diferentes níveis de granularidade e sofisticação, mas elas continuam sendo pouco utilizadas na tomada de decisão”, afirmou.

Para o pesquisador, a informação climática deve ser encarada como uma ferramenta operacional de gestão de riscos. Na sua avaliação, embora seja difícil alterar a evolução do clima no curto prazo, governos, empresas e seguradoras podem agir sobre dois fatores fundamentais do risco: a exposição e a vulnerabilidade. “Quando decidimos investir em locais sujeitos a determinados riscos e não levamos essa informação em consideração, estamos tomando uma má decisão. Os dados existem justamente para apoiar escolhas mais resilientes e eficientes”, concluiu.

Ao final do painel, os participantes convergiram na avaliação de que dados, modelagem climática e inteligência artificial deixarão de ser ferramentas complementares para se tornar elementos centrais da gestão de riscos nas próximas décadas. Para eles, a capacidade de transformar informação científica em decisões práticas será um dos principais diferenciais para governos, empresas e seguradoras em um mundo cada vez mais exposto aos efeitos das mudanças climáticas. 

Mudanças climáticas pressionam contas públicas e ampliam debate sobre seguros de catástrofe

LISBOA – As mudanças climáticas deixaram de ser um desafio futuro para se tornar uma realidade econômica, social e financeira. A avaliação foi compartilhada pelos participantes do painel “Gerir o Clima é Gerir Risco”, realizado durante o 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, que reuniu especialistas em sustentabilidade, regulação e seguros para discutir como ampliar a resiliência das economias diante da intensificação dos eventos extremos. Participaram do debate Duarte Cordeiro, presidente Sócio da Shiftify Estratégias de Sustentabilidade, Carlos Guiné, diretor de sustentabilidade da Eiopa, autoridade europeia de supervisão de seguros e previdência, e Cláudia Prates, diretora de sustentabilidade da CNseg, a confederação das seguradoras do Brasil. O painel foi moderado por João Mestre.

Na palestra principal do painel, Duarte Cordeiro apresentou um diagnóstico detalhado dos impactos das mudanças climáticas em Portugal e na Europa. Segundo ele, o continente aquece a uma velocidade aproximadamente duas vezes superior à média global e já registra efeitos concretos das alterações climáticas sobre a economia e a qualidade de vida da população.

O especialista destacou que quatro dos cinco anos mais quentes da história de Portugal ocorreram entre 2022 e 2025. Apenas em 2025 o país enfrentou seis ondas de calor, enquanto cinco dos dez anos mais secos já registrados ocorreram desde o ano 2000. A erosão costeira também avança de forma acelerada: entre 1958 e 2020, Portugal perdeu 13 quilômetros quadrados de território para o mar.

Segundo Cordeiro, os impactos financeiros já são expressivos. Somente os eventos climáticos registrados no inverno de 2026 provocaram prejuízos estimados em € 5,3 bilhões. Além disso, dados internacionais mostram que cerca de 57% das perdas econômicas relacionadas a eventos climáticos permanecem sem cobertura securitária.

Para o especialista, os desafios geopolíticos atuais, incluindo tensões comerciais, conflitos internacionais e pressões sobre o custo da energia, tornam ainda mais complexa a implementação das políticas climáticas. Ainda assim, ele defendeu que governos e empresas mantenham os compromissos assumidos no Acordo de Paris e reforcem investimentos em adaptação. “Grande parte das perdas acontece porque continuamos construindo em áreas de risco. O risco não entra na conta. Quando ele passar a entrar, muitas decisões econômicas serão diferentes”, afirmou.

Segundo Cordeiro, seguradoras podem desempenhar papel decisivo ao fornecer dados, estudos e mecanismos capazes de aumentar a consciência dos agentes públicos e privados sobre os riscos climáticos, contribuindo para decisões mais adequadas de ocupação do território e planejamento urbano.

Claudia Prates, da CNseg, detalhou como os impactos climáticos já afetam a economia brasileira e evidenciam uma enorme lacuna de proteção. Segundo Cláudia Prates, entre 2020 e 2024 o Brasil registrou perdas econômicas médias superiores a R$ 12 bilhões por ano associadas a 67 eventos climáticos extremos analisados pela entidade. Apesar disso, aproximadamente 90% dessas perdas não possuíam cobertura securitária. “O Brasil ainda possui uma lacuna de proteção muito elevada. Quando olhamos para esses números, fica evidente que precisamos avançar na construção de uma economia mais resiliente”, afirmou.

A executiva destacou que o país gasta atualmente cerca de dez vezes mais recursos na recuperação de desastres do que em adaptação climática, situação que considera insustentável diante da crescente frequência dos eventos extremos. Segundo ela, estudo recente do Lloyd’s mostrou que cada redução de 1% na lacuna de proteção pode evitar cerca de 22% dos gastos posteriores com recuperação e reconstrução.

Para Cláudia, o setor segurador precisa ocupar papel estratégico nesse processo, trabalhando ao lado do governo, do mercado de capitais e do sistema financeiro para financiar a adaptação climática e fortalecer a gestão de riscos. “Não adianta reconstruir no mesmo local sem adaptação. Não adianta uma empresa aumentar sua resiliência se o município não fizer sua parte. Os riscos climáticos precisam ser vistos de forma integrada”, afirmou.

A diretora da CNseg chamou atenção para a vulnerabilidade da infraestrutura brasileira. Segundo ela, escolas, hospitais, rodovias e outras estruturas públicas continuam amplamente expostas aos riscos climáticos, enquanto o agronegócio — responsável por parcela relevante do PIB nacional — permanece entre os setores mais suscetíveis aos efeitos das mudanças do clima.

Outro ponto destacado pela executiva foi a necessidade de ampliar a consciência da população sobre os riscos. Ela lembrou que a CNseg desenvolveu ferramentas para permitir que cidadãos consultem o nível de exposição de seus imóveis a eventos como inundações, além de defender a criação de mecanismos de proteção social para catástrofes climáticas voltados às populações mais vulneráveis.

“Quem mais sofre com os eventos extremos são as populações vulneráveis. Quando ocorre uma enchente, não há apenas a perda patrimonial. Há queda de arrecadação, endividamento das famílias, dificuldades para as empresas se reerguerem e enfraquecimento da economia local”, afirmou.

Seguradoras devem deixar de ser apenas pagadoras de sinistros

Representando a autoridade europeia de supervisão de seguros, Carlos Guiné destacou que as mudanças climáticas já começam a produzir um fenômeno preocupante em algumas regiões da Europa: áreas onde o seguro se torna excessivamente caro ou simplesmente deixa de estar disponível. Segundo ele, o setor segurador precisa assumir um papel mais ativo na prevenção e na redução dos riscos. “O seguro não pode atuar apenas depois que o sinistro acontece. As seguradoras precisam tornar-se parceiras na gestão do risco e na construção da resiliência”, afirmou.

Guiné explicou que o preço do seguro funciona como um importante sinalizador econômico. Ao refletir adequadamente o risco, as seguradoras podem incentivar investimentos em prevenção, adaptação e construção resiliente. Também destacou o potencial do setor para apoiar processos de reconstrução sustentável após eventos extremos. Na avaliação do regulador europeu, o futuro do mercado passa por uma transformação de papel: deixar de atuar apenas como pagador de sinistros para se tornar um agente ativo de prevenção, orientação e gestão de riscos.

Brasil e Portugal lançam fórum para ampliar cooperação em seguros e adaptação climática

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LISBOA – A cooperação entre Brasil e Portugal para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e ampliar a capacidade de resposta da sociedade a eventos extremos marcou a abertura do 1º Fórum de Seguros Brasil-Portugal – Colaborar para Adaptar, realizado nesta terça-feira, em Lisboa, numa parceria entre a CNseg, confederação das seguradoras do Brasil, e a seguradora Fidelidade, a maior de Portugal. O encontro reúne representantes do mercado segurador, autoridades públicas, especialistas e acadêmicos para debater o papel dos seguros na construção de economias mais resilientes e preparadas para os desafios ambientais, econômicos e sociais das próximas décadas.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho Diretor da CNseg, Roberto Santos, destacou que a iniciativa nasce com o objetivo de criar uma ponte permanente de cooperação entre os dois países. Segundo ele, o intercâmbio de experiências pode contribuir para o desenvolvimento de novas soluções, o fortalecimento das capacidades técnicas do setor e a ampliação da capacidade de resposta diante de eventos extremos.

“Queremos compartilhar experiências, conhecimento atuarial, tecnologia e inovação para desenvolver produtos e construir uma capacidade cada vez maior de adaptação. Este fórum nasce para ser uma ponte permanente entre Brasil e Portugal”, afirmou. O executivo ressaltou que o papel do seguro vem se ampliando em todo o mundo. Mais do que indenizar perdas após a ocorrência de um sinistro, o setor passou a atuar na prevenção, na gestão de riscos e na promoção da resiliência econômica e social.

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A mesma visão foi compartilhada por Rogério Campos Henriques. O executivo português lembrou que a aproximação entre a Fidelidade e a CNseg ganhou força durante as últimas conferências climáticas da ONU e resultou na criação do fórum como espaço permanente de diálogo entre os mercados seguradores dos dois países. Para Henriques, embora temas como geopolítica, defesa e segurança energética tenham ganhado espaço no debate público internacional, as mudanças climáticas continuam avançando e produzindo impactos cada vez mais relevantes sobre a economia e a sociedade. “As alterações climáticas não entram de férias”, afirmou. “O debate já não é se esses eventos vão afetar as nossas economias. A questão é como vamos nos adaptar.”

Segundo o executivo, o setor segurador possui uma posição única nesse processo porque atua não apenas na reparação das perdas, mas também na redução das vulnerabilidades e na aceleração da recuperação econômica após eventos extremos. “O seguro existe para transformar risco em resiliência”, afirmou. Henriques destacou ainda que nenhum agente conseguirá enfrentar sozinho os desafios climáticos. Na sua avaliação, governos, seguradoras, empresas, universidades e centros de pesquisa precisarão atuar de forma coordenada para construir soluções de adaptação capazes de proteger a população e sustentar o crescimento econômico.

Henriques classificou o fórum como um momento histórico para o setor, assinalando que pela primeira vez Portugal e Brasil se uniram formalmente, ao nível setorial, para debater estratégias de adaptação climática e explorar vias de colaboração.

A dimensão internacional da cooperação foi reforçada pelo embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro. Segundo ele, Brasil e Portugal compartilham não apenas laços históricos e culturais, mas também desafios comuns relacionados à sustentabilidade, à proteção financeira e aos impactos dos eventos climáticos extremos.

Ao citar as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e os incêndios florestais e tempestades que afetaram Portugal nos últimos anos, Carreiro observou que os dois países enfrentam situações semelhantes e podem se beneficiar do intercâmbio de experiências e soluções. “O setor de seguros vai muito além da mitigação de riscos. Ele ajuda a organizar expectativas, viabilizar investimentos e fortalecer a confiança, elementos indispensáveis para o desenvolvimento econômico e social”, afirmou.

O embaixador também aproveitou a abertura para lançar uma provocação ao setor. Segundo ele, uma das agendas que merecem maior atenção é a criação de mecanismos de proteção para trabalhadores de aplicativos de transporte e entrega, grupo que cresce em diversos países e frequentemente atua sem proteção previdenciária ou cobertura securitária adequada.

“Os hospitais brasileiros estão cheios de jovens trabalhadores de aplicativos envolvidos em acidentes sem qualquer proteção financeira ou benefício trabalhista. Talvez daqui possa surgir uma ideia para os governos dos dois países sobre como ampliar essa proteção”, afirmou.

Carreiro também destacou a relevância dos seguros para o agronegócio, setor estratégico para as economias brasileira e portuguesa. Segundo ele, instrumentos de proteção financeira contribuem para garantir estabilidade produtiva, segurança alimentar e geração de riqueza em um cenário de crescente exposição aos riscos climáticos.

O fórum assume o compromisso das duas organizações de dar continuidade ao diálogo, aprofundando a cooperação bilateral no domínio dos seguros e da adaptação climática, num contexto em que o setor segurador assume crescente protagonismo nas negociações climáticas internacionais, reconhecido pela Agenda de Ação da COP30.

Generali Brasil amplia parceria cultural e assume naming rights da 8½ Festa do Cinema Italiano 

A 13ª edição da 8½ Festa do Cinema Italiano chega com uma novidade: a seguradora Generali amplia sua parceria com o evento, assume seus naming rights e passa a adotar o nome 8½ Festa do Cinema Italiano por Generali.
 

Realizada entre 25 de junho e 1º de julho, com edições confirmadas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Aracaju, Recife, Porto Alegre e Florianópolis, a festa é reconhecida como o principal evento dedicado ao cinema italiano no país. O público tem acesso a uma seleção de obras contemporâneas, além de encontros com profissionais do setor e exibições exclusivas.
 

A iniciativa reforça a conexão histórica da Generali com a cultura italiana e sua trajetória no Brasil, onde está presente há mais de 100 anos. Com histórico de apoio a exposições, mostras e iniciativas ligadas à herança italiana, a seguradora atua desde 2020 como principal patrocinadora da Festa do Cinema Italiano e, agora, ao assumir seus naming rights, amplia seu investimento cultural e fortalece sua contribuição para aproximar o público brasileiro da pluralidade e criatividade do cinema italiano. 

A programação deste ano reúne dez filmes já confirmados e traz nomes consagrados e novas produções do cinema italiano contemporâneo. Entre os destaques está Caro diario, clássico de Nanni Moretti, que será exibido em cópia restaurada. O longa recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Música no David di Donatello, além de reconhecimento no Festival de Cannes.

Outro destaque é Modi- Três dias nas asas da loucura, drama de época dirigido por Johnny Depp, que marca seu retorno à direção após 29 anos e reúne Al Pacino e Riccardo Scamarcio no elenco. Inspirado na trajetória de Amedeo Modigliani, o filme mistura humor e liberdade criativa ao retratar a vida do artista italiano.

A seleção inclui ainda Fuori, de Mario Martone, indicado à Palma de Ouro em Cannes de 2025, o documentário ítalo-brasileiro Irmãos Segreto, que retrata a trajetória de pioneiros italianos do cinema no Brasil, e a Última Rodada (Le città di pianura), dirigido por Francesco Sossai e considerado um dos destaques italianos apresentados em Cannes.

Também integram a programação produções como Primavera, que marca estreia em longas-metragens do diretor de ópera Damiano Michieletto, o thriller dramático Il nibbio, o Menino da Calça Rosa (Il ragazzo dai pantaloni rosa), um dos filmes italianos de maior público em 2025, Três Vezes Adeus, adaptação da obra de Michela Murgia, e o documentário Agnus Dei, exibido no Festival de Veneza.
 

A programação completa será divulgada em breve no site oficial do evento: festadocinemaitaliano.com.br.

O festival “8 ½ Festa do Cinema Italiano por Generali” é uma realização do Ministério da Cultura, da Associação Il Sorpasso e da Risi Film Brasil, com o apoio e promoção da Embaixada da Itália, dos Institutos Italianos de Cultura do Rio de Janeiro e de São Paulo e do Consulado Geral do Rio de Janeiro, e com apoio institucional do Consulado Geral de São Paulo e dos Consulados de Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife.

Previdência privada: aportes superam R$ 54 bilhões em planos abertos no 1º quadrimestre do ano 

O último relatório realizado pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida — Fenaprevi mostra que a captação bruta em planos de previdência privada aberta caiu no primeiro quadrimestre de 2026, totalizando R$ 54,1 bilhões ou uma retração de 8,3% quando comparado ao mesmo intervalo do ano anterior.

Os resgates também diminuíram na mesma base de comparação (em 8,5%), somando R$ 47,4 bilhões. Logo, a captação líquida – calculada com base nos aportes menos as retiradas – foi de R$ 6,7 bilhões, valor 7,8% abaixo do observado no mesmo período de 2025.

Em abril, os ativos dos planos de previdência privada aberta somaram R$ 1,9 trilhão, o que representa cerca de 14% do PIB do Brasil. O montante teve evolução de 12,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

Mais de 13 milhões de planos

Os valores estão distribuídos em 13,6 milhões de planos de previdência privada aberta no país. Eles pertencem às 11,2 milhões de pessoas preocupadas com o longo prazo e que se esforçam para construir uma reserva para o futuro.

Do total, 8,9 milhões de pessoas (cerca de 80%) estão na modalidade individual, ou seja, quando a iniciativa partiu da própria pessoa.

VGBL é a principal escolha 

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) lidera com 8,6 milhões de planos, ou 63% do total. Ainda em abril, 3,2 milhões eram do tipo PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), cerca de 23,1% da totalidade, e os demais 13,9% se referem aos modelos Tradicionais, somados aos planos de acumulação e FAPI.

Já em termos de contribuições, os planos VGBL receberam R$ 49 bilhões em aportes no 1º quadrimestre de 2026, ou (90,5%). Outros 7,9% ou R$ 4,3 bilhões se referem ao tipo PGBL e 1,7% foi destinado aos planos Tradicionais.

Sicoob e HDI anunciam parceria que une crédito e seguro em uma única operação

Financiar um veículo e sair com ele já segurado, na mesma operação, sem burocracia e com muita agilidade na contratação. Essa é a proposta do Seguro Auto Financiado, desenvolvido pelo Sicoob em parceria com o Grupo HDI e já disponível no mercado. A iniciativa nasce de uma lacuna na jornada de crédito veicular: o intervalo que sempre existiu entre a concessão do financiamento e a contratação da proteção. Ao unir os dois momentos em uma única operação, o Sicoob entrega conveniência, reduz fricções e amplia o valor percebido pelo cooperado sem exigência de vistoria prévia, garantindo assim a proteção integral para a pessoa cooperada e a cooperativa. 
 

O modelo se enquadra no conceito de embedded insurance, tendência global que redefine a forma como seguros são distribuídos. Em vez de tratar a proteção como um produto autônomo, a ser buscado separadamente após a compra, o embedded insurance integra o seguro ao próprio processo de aquisição do bem, tornando-o parte natural e invisível da jornada do cliente. No contexto do financiamento veicular, isso significa que o cooperado não precisa pesquisar seguradoras, comparar coberturas ou enfrentar burocracia adicional: a proteção já está incluída quando o crédito é concedido. É uma mudança de lógica do seguro como etapa extra para o seguro como parte da experiência.
 

“O Sicoob já conta com um portfólio robusto de soluções de seguro auto, construído ao longo dos anos para atender diferentes perfis e necessidades dos cooperados. A parceria com o Grupo HDI representa um avanço nessa trajetória: trouxemos para dentro do fluxo de financiamento uma proteção que antes exigia uma jornada separada, eliminando fricções e barreiras na experiência de compra. É a combinação de duas expertises, a do cooperativismo financeiro e a de uma das maiores seguradoras do Brasil a serviço de uma experiência mais completa para o cooperado”, afirma Guilherme Palma Neto, Coordenador Comercial de Seguros Gerais do Sicoob.

O Seguro Auto Financiado é resultado de uma colaboração entre o Sicoob e o Grupo HDI, seguradora com reconhecida atuação no mercado de automóvel no Brasil. A parceria resultou em um programa exclusivo de afinidade para o sistema, desenhado para respeitar as especificidades da relação entre cooperativa e cooperado, e não apenas replicar produtos do varejo bancário tradicional.

“Acreditamos no potencial do cooperativismo financeiro como canal de distribuição de seguros com alto valor percebido. Construir esse programa junto ao Sicoob foi uma oportunidade desenvolver algo genuinamente novo para o mercado”, comenta Gustavo Peri, Gerente Comercial de Cooperativas do Grupo HDI. 

HDI Seguros renova patrocínio à Maratona de Floripa e reforça incentivo ao esporte e bem-estar

A HDI Seguros renovou o patrocínio à Maratona Internacional da Cidade de Florianópolis – Maratona de Floripa, reforçando sua estratégia de proximidade com o mercado catarinense e consolidando a presença da marca na região Sul do país. Reconhecida como uma das principais provas de corrida de rua do Brasil, a competição será realizada no dia 7 de junho, em Florianópolis, com percursos de 42 km, 21 km e 5 km. As largadas estão previstas para ocorrer a partir das 6h, na Beira-Mar Continental. As inscrições seguem abertas e podem ser realizadas diretamente pelo site oficial da Maratona de Floripa. 
 

O apoio à maratona amplia a atuação da seguradora em iniciativas voltadas à promoção de qualidade de vida, bem-estar e incentivo à prática esportiva, fortalecendo o relacionamento com o público da região por meio de experiências e ativações ao longo do evento. Além disso, a ação reforça o posicionamento institucional da HDI de valorização dos corretores e parceiros de negócios, fundamentais para o crescimento sustentável da operação no estado. Santa Catarina ocupa papel relevante na atuação da marca, tanto pelo potencial econômico quanto pela forte conexão com o mercado regional, em linha com o território de marca da HDI, pautado pela proximidade, cuidado e construção de relações duradouras. 
 

Com percurso à beira-mar e estrutura voltada para corredores de diferentes níveis, a prova movimenta o calendário esportivo e turístico da capital catarinense, reunindo atletas de diversas regiões do país. A programação contará com percursos de maratona, meia maratona e corrida de 5 km, além de áreas de apoio e serviços aos participantes. Entre as ações previstas da seguradora estão a disponibilização de um espaço de apoio para convidados, com estrutura de alimentação e hidratação, além da distribuição de brindes para parceiros comerciais. A presença da marca também contará com ativações especiais e ações de engajamento ao longo da programação, como um instagramável em formato de pódio para interação do público. 

“Mais do que oferecer seguros, queremos contribuir para que as pessoas vivam com mais qualidade e bem-estar. Apoiar a Maratona de Florianópolis reforça a conexão da HDI com iniciativas que incentivam saúde, superação e integração social, valores que fazem parte do nosso território de marca e da forma como nos relacionamos com clientes, corretores e parceiros. O esporte tem um papel importante como ferramenta de transformação e aproximação, e eventos como esse também fortalecem nossa estratégia de gerar impacto positivo nas comunidades onde atuamos”, afirma Rubens Oliboni, Diretor Regional de Santa Catarina e Rio Grande do Sul da seguradora.

Brasil e Portugal fecham parceria no setor de seguros contra riscos climáticos

Fonte: Público Brasil

A parceria entre a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), entidade que representa o mercado segurador brasileiro, e a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), principal representante do setor em Portugal, avança e o objetivo é ampliar a proteção de consumidores, empresas e produtores rurais diante do aumento das catástrofes climáticas e dos riscos cibernéticos.

A cooperação institucional prevê intercâmbio de conhecimento, desenvolvimento de novos produtos, compartilhamento de experiências regulatórias e fortalecimento dos mecanismos de proteção financeira nos dois países. Segundo o presidente da CNSeg, Dyogo Oliveira, a aproximação permite oferecer seguros mais adequados às necessidades da população, além de impulsionar projetos conjuntos voltados à adaptação climática, inovação e gestão de riscos emergentes.

O fortalecimento dessa agenda ocorre em um momento em que Brasil e Portugal enfrentam desafios semelhantes provocados pela intensificação dos eventos extremos, a exemplo de enchentes, secas prolongadas, incêndios florestais, tempestades severas e ondas de calor que têm provocado prejuízos, além de afetar populações vulneráveis, infraestruturas públicas e cadeias produtivas estratégicas.

Para Oliveira, as mudanças climáticas e os riscos cibernéticos já estão entre os principais desafios contemporâneos para o mercado segurador, e isso exige soluções mais modernas e cooperação internacional para ampliar a capacidade de proteção das sociedades.

A aproximação entre os mercados seguradores brasileiro e português ganhou força, segundo Oliveira, durante a COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, em 2024. Naquele momento, representantes dos dois países iniciaram discussões que resultariam, em 2025, na construção de uma agenda permanente de cooperação. E esse movimento ganha novo impulso com a realização, nesta quarta-feira, 3 de maio, do primeiro Fórum Brasil–Portugal de Seguros, promovido pela CNSeg e pelo Grupo Fidelidade, com apoio da APS, no Técnico Innovation Center, em Lisboa.

A iniciativa busca aproximar lideranças do setor, fomentar cooperação técnica e desenvolver soluções conjuntas para riscos emergentes que desafiam seguradoras, governos e economias em ambos os lados do Atlântico. O objetivo é claro: criar um ambiente permanente de troca de experiências capaz de acelerar a inovação e fortalecer a resiliência dos mercados.

A agenda conjunta também mira um compromisso de longo prazo. Após os avanços obtidos nas discussões iniciadas durante a COP29, Brasil e Portugal pretendem ampliar a coordenação internacional na COP31, este ano na Turquia, quando, segundo ele, voltarão a defender o papel estratégico do setor segurador na mitigação dos impactos climáticos e na construção de mecanismos mais eficientes de proteção social e financeira.

A colaboração entre as entidades ocorre em um contexto de crescente preocupação global com os efeitos das alterações climáticas. No Brasil, o ano de 2025 foi marcado por enchentes, estiagens, ondas de calor, chuvas de granizo, tornados e incêndios florestais que afetaram mais de 336 mil pessoas e geraram prejuízos estimados em 663 milhões de euros. Dados do Radar de Eventos Climáticos e Seguros, da CNSeg, apontam que apenas no primeiro semestre do ano passado, as perdas associadas aos eventos climáticos alcançaram 5,2 bilhões de euros.

Por outro lado, em Portugal, o cenário também se agravou. Dados da Agência Portuguesa do Ambiente registraram o mês de maio mais chuvoso dos últimos 50 anos, seguido por períodos de calor extremo que elevaram significativamente os riscos de incêndios florestais em diversas regiões do país.

A frequência desses eventos, em escala crescente, tem provocado uma mudança estrutural na forma como o setor segurador avalia riscos e projeta cenários futuros, conforme Oliveira. Modelos historicamente baseados em séries estatísticas passadas começam a perder eficiência diante de uma realidade climática mais instável e imprevisível.

“As mudanças climáticas não estão apenas elevando o volume de indemnizações pagas pelo setor de seguros, mas transformando a própria essência da atividade seguradora”, afirma o presidente da CNseg, que participa do XIV Fórum de Lisboa. Segundo ele, um dos maiores desafios para os próximos anos será justamente revisar os modelos tradicionais de avaliação de risco. “A realidade atual já não se comporta como no passado. Portanto, olhar apenas para os dados históricos deixou de ser suficiente para avaliar o risco futuro”.

Os reflexos desse novo cenário já podem ser observados em setores estratégicos da economia, especialmente no agronegócio. O seguro rural, considerado um dos principais instrumentos de proteção para produtores, enfrenta dificuldades crescentes de precificação diante da maior incidência de perdas climáticas.

Nos últimos anos, o Brasil chegou a contar com cerca de 13,7 milhões de hectares protegidos por seguro rural. Em 2025, porém, a área segurada recuou para pouco mais de 3 milhões de hectares, o equivalente a apenas 3,3% da área plantada do país. Entre os fatores apontados para essa retração está a redução dos recursos destinados à subvenção federal que auxilia pequenos e médios produtores na contratação de seguros, de acordo com dados fornecidos pela CNSeg.

Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção financeira para o campo, especialmente diante da crescente exposição do agronegócio aos riscos climáticos. Nesse contexto, experiências internacionais têm despertado interesse dos mercados brasileiro e português. Na Turquia, por exemplo, o seguro contra desastres naturais é incluído diretamente na conta de energia elétrica.

No México, estados somente têm acesso a apoio federal em situações de emergência caso possuam seguros para infraestruturas públicas. Os modelos são vistos como exemplos de como políticas públicas, incentivos e participação privada podem ampliar a cobertura e reduzir vulnerabilidades.

No Brasil, a CNseg também participa de discussões com o Executivo e o Legislativo sobre a criação de um Seguro Social de Catástrofe, proposta que busca ampliar a proteção da população diante de eventos extremos e reduzir impactos econômicos e sociais provocados por desastres naturais.

Paralelamente, o mercado europeu tem intensificado investimentos em inteligência climática e pesquisa aplicada. O Grupo Fidelidade criou um centro especializado para estudar riscos físicos associados às alterações climáticas, cruzando informações sobre incêndios, ondas de calor, precipitações extremas e elevação do nível do mar com impactos socioeconômicos em diferentes territórios.

A iniciativa reúne universidades, centros de pesquisa e especialistas para produzir conhecimento aplicável à formulação de políticas públicas, ao desenvolvimento de produtos seguradores e ao aprimoramento das estratégias de prevenção e adaptação.

Para Dyogo Oliveira, a aproximação entre Brasil e Portugal também abre espaço para o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas diretamente aos consumidores. “Assim como aqui em Portugal, nós temos desenvolvido parcerias com outros países. De início, com os países da América Latina, através da Federação Interamericana de Seguros, da qual somos associados. E temos desenvolvido parcerias bilaterais com Portugal, com a França, com o Reino Unido, e estamos começando também uma aproximação com a Espanha”, comenta.

Ele destaca que estão explorando possibilidades a partir de uma troca de formações e conhecimento entre empresas brasileiras e portuguesas, para terem produtos mais adequados às necessidades das pessoas, tanto em Portugal, que já tem um mercado de seguros bem desenvolvidos quanto no Brasil que ainda tem bastante mercado para crescer.

“O Brasil ainda tem uma lacuna de proteção de seguros grande: muitas casas e carros não têm seguros, muitas pessoas não têm seguro de vida e, por outro lado, há um espaço muito grande para o Brasil crescer e ter a experiência de outros países”, diz Dyogo. E complementa: “O que acho mais importante é compartilhar o conhecimento sobre algumas questões mais graves e recentes que têm acontecido, como catástrofes climáticas, riscos cibernéticos, que têm impactado o mercado de seguros”.

Para ele, a aproximação entre a CNseg e a APS permite uma troca de conhecimento e experiência dos dois mercados que pode melhorar os produtos tanto do Brasil quanto de Portugal. E, dessa maneira, melhorar o atendimento aos clientes e segurados, viabilizando a oferta de seguros mais apropriada para as necessidades das pessoas