O embedded insurance deixou de ser apenas uma aposta de inovação para se consolidar como uma das principais frentes de crescimento do setor segurador. Impulsionado pela digitalização do consumo, pela expansão dos ecossistemas financeiros e pelo avanço das plataformas digitais, o modelo vem reposicionando o seguro dentro da jornada do cliente — de forma mais contextual, integrada e menos dependente dos canais tradicionais.
Para Paula Toguchi, AVP Business Solutions da MetLife Xcelerator LatAm, os modelos com maior potencial de escala no Brasil são justamente aqueles construídos sobre plataformas que já possuem relacionamento recorrente, dados e frequência de interação com o consumidor. “Os modelos que mais geram valor são aqueles integrados a ecossistemas financeiros, varejo digital, marketplaces e plataformas de serviços. O diferencial hoje não está apenas na distribuição, mas na capacidade de inserir proteção de forma fluida e contextual dentro da experiência digital do cliente”, afirma.
Segundo a executiva, o mercado vem migrando de uma lógica puramente transacional para modelos de proteção contextual, em que o seguro passa a funcionar como parte natural da jornada de consumo. esse cenário, a integração tecnológica ganha protagonismo. Paula destaca que os projetos mais escaláveis são sustentados por APIs integradas à jornada nativa dos parceiros, uso inteligente de dados para ofertas mais aderentes e modelos “insurance as a service”, nos quais a seguradora fornece estrutura operacional, produto e precificação enquanto o parceiro mantém a experiência do usuário.
“As insurtechs também exercem um papel estratégico ao acelerar time-to-market, permitir testes rápidos e trazer flexibilidade tecnológica para nichos ainda pouco explorados”, diz. Apesar do avanço do embedded insurance, o desafio de equilibrar experiência, compliance e rentabilidade continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor.
“No campo da experiência, o desafio é incorporar seguros em jornadas que originalmente não foram desenhadas para produtos de proteção. Isso exige simplicidade, clareza de valor e mínima fricção”, explica. Ao mesmo tempo, o avanço da distribuição embarcada amplia a necessidade de governança em temas como LGPD, transparência de oferta e aderência regulatória junto à Susep — sem comprometer velocidade de integração e lançamento. Do ponto de vista econômico, a Paula aponta que canais de alto volume e ticket médio reduzido exigem um nível maior de eficiência operacional, automação e sofisticação de pricing para garantir sustentabilidade financeira.
Além das questões regulatórias e operacionais, Paula avalia que o mercado ainda possui oportunidades relevantes pouco exploradas, especialmente em produtos mais modulares, coberturas associadas a serviços digitais e soluções voltadas a públicos historicamente subatendidos. “Existe um espaço importante em produtos simplificados, de curta duração e mais conectados a eventos específicos da jornada do consumidor. Também vemos potencial em segmentos como trabalhadores autônomos, profissionais de plataformas digitais e pequenas empresas”, afirma.
A executiva acredita que o crescimento do embedded insurance dependerá menos da criação de produtos complexos e mais da capacidade de adaptar ofertas existentes a novos contextos de consumo, com linguagem simples e percepção clara de benefício.
Outro tema que vem ganhando espaço no setor é o uso de inteligência artificial aplicada à personalização e eficiência operacional. Para Paula, a IA deve funcionar como um habilitador da experiência, mas sempre acompanhada de transparência e governança.
“A MetLife enxerga a IA como um elemento importante para ganho de eficiência e escala, mas confiança continua sendo um ativo central no setor de seguros. Isso exige uso responsável de dados, explicabilidade dos modelos e clareza para o cliente sobre como as informações são utilizadas”, afirma.
Segundo ela, o mercado segurador também entrou em uma nova etapa de maturidade na relação entre seguradoras tradicionais e insurtechs. Se antes predominava uma lógica de disrupção, agora o foco está em complementaridade de capacidades e geração de valor em escala.
“O ecossistema amadureceu. Hoje existe uma visão muito mais pragmática e colaborativa. A inovação sustentável depende da combinação entre solidez técnica e regulatória das seguradoras com a velocidade e especialização tecnológica das insurtechs”, diz.
Nesse contexto, a estratégia da MetLife passa por atuar como uma orquestradora de ecossistemas, conectando tecnologia, dados, distribuição e parceiros estratégicos por meio da plataforma MetLife Xcelerator. “Mais do que acompanhar a transformação do setor, queremos contribuir para construir modelos mais acessíveis, escaláveis e alinhados às novas expectativas do consumidor digital”, conclui.


















