Instituto SulAmérica apoia casa de acolhimento LGBTI+ com teleconsultas psicológicas e médicas gratuitas 

Fonte: SulAmérica

O Instituto SulAmérica, em parceria com a startup de telemedicina Docway, apoiará a Casa Miga (Instagram: @casamigalgbt), que trabalha com o acolhimento a pessoas LGBTI+ em Manaus (AM), por meio de atendimento psicológico e médico virtual e gratuito ao longo de todo o ano de 2022. Atualmente, a Casa Miga abriga 12 residentes e trabalha com mais de 400 famílias, muitas delas refugiadas venezuelanas, oferecendo alimentação, apoio emocional, rodas de conversa, cursos profissionalizantes e orientações para regularização do nome social.  

“O propósito dessas organizações é acolher e ajudar pessoas LGBTI+ em situação de alta vulnerabilidade, muitas vezes vítimas de violência física, abuso sexual e rejeição da família. Nesse contexto, o cuidado da saúde, especialmente da saúde emocional, é não apenas um direito, mas uma necessidade urgente para muitas pessoas, e queremos facilitar o acesso para quem mais precisa”, comenta Luiz Pires, diretor executivo do Instituto SulAmérica. “Não podemos desconsiderar as dificuldades estruturais e de acesso enfrentadas por pessoas LGBTI+ no cuidado com a saúde, mas precisamos também fomentar e normalizar o diálogo sobre saúde emocional, combatendo estigmas e formando redes de apoio.” 

Uma pesquisa realizada pelo coletivo #VoteLGBT revelou um aumento de 16% na vulnerabilidade da população LGBTI+ no Brasil em 2020, durante a pandemia de COVID-19. Seis em cada dez pessoas sofreram diminuição de renda nesse período e mais de 55% relataram piora na condição de saúde mental, com um aumento de 8% dos casos de depressão grave. Além disso, somente em 2021, 316 pessoas LGBTI+ foram mortas de forma violenta no Brasil, um aumento de 33,33% em comparação ao ano anterior, segundo o Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil. 

Artigo: Previdência complementar do servidor público: migrar ou não? 

Por Arnaldo Lima, Diretor-Executivo do Instituto de Longevidade MAG 

O prazo final para que os servidores que ingressaram na carreira pública federal antes de 2013 possam migrar do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) para o Regime de Previdência Complementar (RPC) foi reaberto e se encerrará em 30/11/2022. Trata-se de uma decisão pessoal, irretratável e irrevogável. Dessa maneira, cabe ao servidor buscar o máximo de informações em fontes fidedignas para subsidiá-lo nessa importante decisão, que terá reflexos sobre os seus rendimentos futuros, principalmente quando da sua perda de capacidade laborativa.  

O RPPS e RPC são dois regimes previdenciários distintos que se complementam: i) repartição simples, de caráter obrigatório; e ii) capitalização, de caráter facultativo.  

O RPPS tem natureza pública, filiação obrigatória, benefício definido, caráter contributivo e solidário. É financiado pelos entes públicos, pensionistas e servidores ativos e inativos, que contribuem sobre o valor da sua remuneração. Consubstanciado em um pacto intergeracional, todos são responsáveis pelo resultado do regime, seja em casos de superávit ou déficit. Atualmente, existem 0,85 servidores ativos para cada servidor inativo, o que contribui para o déficit de mais de R$ 43 bilhões.   

O RPC, para os servidores públicos, é um regime privado que tem como características principais a capitalização e a individualidade. Não há possibilidade de criação de um plano na modalidade benefício definido (BD) para as aposentadorias programadas, mas somente para os benefícios de risco (morte e invalidez).  

Sendo assim, o plano de benefícios para servidores é constituído na forma de contribuição definida (CD). Cada participante investe em ativos financeiros para constituir poupança própria para custear o seu benefício futuro, estabelecendo, dessa forma, uma correspondência direta entre o custeio e o benefício de cada indivíduo.  

Por definição, não existem as figuras de déficit ou superávit em planos CD, mas sim saldo de conta do participante baseado no seu esforço contributivo individual. O RPC está calcado em regimes de previdência complementar fechados (exemplos: Funpresp-EXE, Funpresp-JUD, PREVCOM) e abertos (instituições financeiras que comercializam PGBL). 

Cabe esclarecer que a migração para o RPC não significa adesão às Fundações de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp). Ou seja, o servidor pode optar em aplicar os seus recursos financeiros por conta própria ou por meio de uma instituição financeira privada, adquirindo um PGBL, por exemplo. Contudo, cabe salientar que, nesses casos, o servidor não faz jus à contribuição paritária da União, que equivale a um rendimento, na partida, equivalente a cerca de 100%. É quase impossível o servidor investir seus recursos por conta própria e conseguir superar, ano a ano, a rentabilidade dos investimentos realizados pelas FUNPRESP, somada a contribuição paritária e a dedução fiscal de até 20,5% dos rendimentos tributáveis.  

Por serem EFPC, as FUNPRESP não têm fins lucrativos. Logo, seus planos previdenciários são mais vantajosos financeiramente do que aqueles adquiridos em bancos, pois todo o excedente financeiro das Fundações é revertido em favor dos participantes, reduzindo as taxas de carregamento pagas pelo servidor ao longo do seu ciclo contributivo. A título de exemplo, a taxa da FUNPRESP-EXE quando foi criada em 2013 era de 7%. Atualmente, os servidores que tenham mais de 7 anos de plano pagam apenas 2,5%. Trata-se de economia solidária: reparte-se os custos fixos e maximiza-se os benefícios individuais. Por isso, o pilar do RPC é escala.   

Outro aspecto relevante na decisão do servidor é o benefício especial, que é uma compensação financeira das contribuições recolhidas acima do teto do INSS (atualmente, R$ 7.087,22), uma vez que a aposentadoria a ser paga pelo RPPS terá valor igual aos novos entrantes no serviço público federal a partir de 2013. Por ter natureza compensatória, não há incidência de contribuição previdenciária, o que é uma grande vantagem, especialmente quando se leva em conta as alíquotas previdenciárias pagas pelos servidores federais atualmente, que variam de 7,5% a 22%. Ao migrar para o RPC, a alíquota fica limitada a 8,5% no que exceder o teto.  

É importante esclarecer que mesmo não migrando de regime, o servidor público pode aderir às FUNPRESP como ativo alternativo. Nesse caso, ele não fará jus à contribuição paritária, mas poderá usufruir de outros benefícios, como acesso à Parcela Adicional de Risco (PAR) para cobertura de morte e invalidez, menores taxas para acumular sua reserva individual suplementar e menores taxa de juros na contratação de empréstimo.  

Essa é a quarta janela de migração. Chegou a hora do servidor público federal se tornar protagonista do seu próprio futuro. Não se trata de uma escolha entre certo e errado, mas sim de uma decisão racional baseada no perfil individual de cada um sobre sua avaliação das diferenças conceituais entre o RPPS e RPC: (i) mutualismo x individualismo; (ii) público x privado; (iii) repartição simples x capitalização; (iv) benefício definido x contribuição definida. Em qualquer hipótese, deve-se valorizar a importância das FUNPRESP-EXE e JUD para auxiliarem o servidor no planejamento do seu futuro e na garantia de sua segurança previdenciária e de seus familiares.  

Instituto Porto e Descomplica lançam curso preparatório para o Enem 

Fonte: Porto

Com a missão de propiciar o desenvolvimento sustentável por meio da educação e de estratégias sociais, o Instituto Porto, em parceria com a Descomplica – maior edtech da América Latina -, lança um curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A iniciativa é gratuita e destinada para alunos do terceiro ano do Ensino Médio de escolas públicas: ao todo, são 250 vagas disponíveis e as aulas serão gravadas e ao vivo, por meio da plataforma da startup de educação. As inscrições estão abertas e estudantes de todo o Brasil podem se inscrever até o dia 10 de julho. 

Os temas abordados durante o curso serão: ciências da natureza, ciências humanas, linguagens, matemática e redação. E, para complementar o conteúdo da Descomplica, o Instituto Porto incluirá conteúdos  ao vivo sobre caminhos e possibilidades para ingressar na universidade (Enem, Sisu, FIES e Prouni), orientação de vida e carreira e palestra sobre as profissões. A organização também disponibilizará equipamentos e salas de aula para a realização dos estudos caso o aluno não tenha acesso à internet ou equipamentos em sua residência. 

“A ação tem o objetivo de contribuir para a inserção dos alunos de escola pública no vestibular. Para isso, oferecemos um complemento relacionado aos temas abordados, visando o aumento da pontuação na prova do Enem. Os participantes poderão aprender de forma simples e divertida com professores conectados com o mercado”, afirma a gerente de Sustentabilidade da Porto, Mirian Mesquita.  

De acordo com Bety Tichauer, Diretora de Expansão da Descomplica, educação é um meio para transformar a realidade a qual pertencemos e, projetos como esse entre duas empresas que têm o poder de transformação é muito importante para a sociedade como um todo. “Temos a missão de apoiar as marcas que querem fazer a diferença por meio da nossa expertise em educação, colocar à disposição das empresas esses  ativos educacionais é parte da nossa missão como Descomplica Empresas”, afirma Bety. 

O curso será realizado de maneira online pela plataforma da Descomplica e poderá ser acessado em qualquer horário. As aulas extras do Instituto serão programadas para o período noturno e transmitidas pelo Google Meet. As aulas começam no dia 25 de julho de 2022 e terão duração de seis meses, mas os conteúdos ficam disponíveis por um ano.  

Segundo Daniel Pedrino, Presidente da Descomplica Faculdade Digital,  o objetivo da Descomplica sempre foi levar educação de qualidade e acessível de forma divertida, conectando o maior número de pessoas possível. Para ele, a parceria com o Instituto Porto vem para reforçar o lema de que aprender é para todos. “Queremos levar nosso método de ensino Hiperlink a um número de estudantes cada vez maior”, explica.  

Mirian Mesquita complementa: “Temos orgulho em desenvolver mais esse projeto com um parceiro bem reconhecido no mercado como a Descomplica. O projeto é um reforço da preocupação que o Instituto tem com a educação e inserção dos jovens na universidade e fazemos isso ampliando as oportunidades de educação para estudantes do Brasil todo”, diz a gerente de Sustentabilidade da Porto. “Por meio dessa iniciativa, os alunos recebem atendimento personalizado e podem aproveitar nossos recursos para interagir entre eles, além de ter acesso a um conteúdo de qualidade de maneira 100% online e gratuita, acessando ferramentas para acelerar seu aprendizado e desenvolver competências valiosas para o mercado”, finaliza. 

Os interessados podem se inscrever pelo site https://institutoportoseguro.com.br/ 

Seguradoras avançam nos compromissos ASG em uma década

Diogo Oliveira CNseg

Fonte: CNseg

Dez anos após a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) aderir aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI), seguradoras que totalizam 60% da arrecadação de prêmios no setor brasileiro afirmam que passaram a incluir parâmetros ASG em processos relativos à subscrição de riscos e gestão de investimentos. Em 2012, esse número não chegava a 20%. A partir da assinatura do compromisso, assumido durante a Conferência Rio + 20, a confederação criou um Comitê de Sustentabilidade por meio do qual passou a monitorar os índices do setor.

“As seguradoras que aderiram ao PSI representavam cerca de 52% da arrecadação total de prêmios no Brasil. Uma década depois, o número de signatárias aumentou, alcançando 83% da arrecadação de prêmio, mostrando que as seguradoras do Brasil estão conectadas com essa agenda. Algumas empresas, por exemplo, estão comprando créditos de carbono para compensar as metas de emissão de carbono dos automóveis da frota segurada”, explicou o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, em transmissão online durante o evento “Dez anos depois do PSI: ampliando a sustentabilidade no seguro na Década de Ação das Nações Unidas”, organizado pela UNEP-FI e que reuniu lideranças do setor segurador de diversos continentes.

Outro passo importante nessa agenda será dado ainda este ano, quando a Superintendência de Seguros Privados (Susep), que apoia os PSI desde 2016, publicar o primeiro normativo setorial de requisitos de sustentabilidade a serem exigidos das seguradoras.

“É uma regulação inteligente na qual o regulador vai providenciar a estrutura na qual as empresas poderão divulgar as questões ASG de acordo com as suas próprias políticas”, avalia Dyogo Oliveira. 

O presidente da CNseg também anunciou que, a partir de julho, a confederação vai patrocinar a realização de um projeto em parceria com a UNEP FI, que terá nove meses de duração e o objetivo de orientar as seguradoras brasileiras “não vida” – em relação a análise dos riscos climáticos, de acordo com as recomendações da Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD).

“Serão quatro frases. A primeira, educativa, com treinamento para integrantes do setor segurador. No passo seguinte, uma consultoria vai produzir um heat mapsobre riscos climáticos por cada região brasileira. Na sequência, vamos estimar o impacto financeiro dos riscos ASG e, por último, vamos produzir um relatório que será dividido com a indústria. Estamos entusiasmados em dar início a este trabalho que vai mostrar como estes riscos influenciam os negócios de forma ampla”, afirmou o presidente da CNseg.

Dyogo Oliveira finalizou a apresentação anunciando que, em setembro de 2023, o Brasil vai sediar a Conferência Hemisférica da Federação Interamericana de Seguros (FIDES), principal encontro hemisférico do setor segurador.  Representantes de mais de 40 países vão debater temas como sustentabilidade, transformação digital e desafios sociais que impactam o crescimento econômico global.  A CNseg preside a Comissão Regional Sul da Fides até 2024.

Comissão aprova projeto que obriga o DPVAT a custear funeral de vítimas de acidente de trânsito

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2960/21, que inclui as despesas com funeral de vítimas de acidentes de trânsito na lista de danos pessoais cobertos pelo Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT).

“Positivo o projeto de lei que o obriga o DPVAT a custear o funeral de vítimas de acidente de trânsito. A medida reforça os laços de solidariedade social que são muito caros aos seguros obrigatórios como o DPVAT”, avalia Vitor Boaventura Xavier, sócio de Ernesto Tzirulnik Advocacia; advogado especializado em Direito do Seguro e Consumidor.

Pela proposta do deputado Luis Miranda (Republicanos-DF), o seguro deverá pagar até R$ 2,7 mil a herdeiro ou familiar da vítima falecida como reembolso por despesas com o funeral devidamente comprovadas, informa a Agência Câmara de Notícias

Criado pela Lei 6.194/74, que é alterada pelo projeto, o seguro DPVAT, pago anualmente por todos os proprietários de veículos do País, ampara as vítimas de acidentes de trânsito, independentemente do responsável, oferecendo indenizações por morte, por invalidez permanente e por despesas médicas.

Em valores atuais, a lei prevê o pagamento por vítima de R$ 13,5 mil em caso de morte ou invalidez permanente, e de R$ 2,7 mil como reembolso à vítima por despesas com assistência médica e suplementar.

O parecer do relator, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), foi favorável à proposta. “Cabe salientar que o valor de indenização por morte é o mesmo desde o ano de 2007. A proposta ajudaria a recompor, ao menos parcialmente, a perda inflacionária da quantia devida aos beneficiários”, disse.

O projeto ainda será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Howden nomeia Andoni Hernandez como presidente no Brasil e conselheiro geral para América Latina

Fonte: Howden

A Howden, corretora internacional de seguros, anuncia a nomeação de Andoni Hernandez como presidente executivo no Brasil e conselheiro geral regional para a América Latina (LatAm), com efeitos a partir de 1º de Junho. 

Andoni atua há mais de 20 anos assessorando investidores, acionistas e empresas no planejamento, estruturação e realização de negócios e, em sua última experiência, atuou como Co-Head Iberoamerican Practice na Demarest Advogados. Sua chegada colabora com a continuidade de crescimento da Howden em toda a América Latina, com operações no Brasil, México, Colômbia e Chile. 

Sonia Caamaño e Pablo Bores, Co-CEOs da Howden LatAm comentaram: “Andoni junta-se a Howden depois de passar vários anos atuando como consultor externo e de confiança em assuntos estratégicos para a Howden LatAm, nos ajudando a alcançar nossas aspirações de crescimento na região. Já temos bases sólidas em toda a América Latina e continuaremos a crescer organicamente, ao mesmo tempo em que prosseguimos com fusões e aquisições direcionadas. Estamos extremamente orgulhosos das equipes que temos na América Latina e queremos fortalece-las ainda mais em cada um dos quatro países em que estamos presentes atualmente, sempre para melhor servir os nossos clientes”.

José Manuel González, CEO da Howden Broking, acrescentou: “Andoni tem uma vasta experiência como advogado de M&A e especialista em governança, o que complementa as nossas equipes locais, além de um histórico notável com muitos clientes, onde o serviço e a inovação são as chaves do seu sucesso. Estamos entusiasmados em trabalhar com ele na liderança dos times e levar a Howden LatAm ao próximo nível, ajudando a nos tornar a melhor escolha como corretora em nossos mercados-chave”.

Comentando a sua nomeação, disse Hernandez: “Fui atraído para me juntar a Howden devido às suas ambições e sua equipe de liderança progressista, que tem uma verdadeira filosofia ‘People First’, e também pelo compromisso inabalável da Howden de melhor servir os seus clientes, algo que tenho aplicado consistentemente durante a minha carreira profissional. O objetivo da Howden é se tornar líder de mercado em toda a região da América Latina e estou pronto para trabalhar com a equipe e alcança-lo”.

ARTIGO: a gestão de risco em cenário de crise no setor alimentício

Por Caio Carvalho, Diretor de Riscos Corporativos da MDS Brasil 

Como um dos principais segmentos da economia brasileira e mundial, o setor alimentício lida com grandes riscos e responsabilidades em uma base diária. Sofre diretamente as consequências de conflitos políticos, ambientais e sanitários e precisa enfrentar prejuízos e despesas aos quais todas as corporações do departamento estão suscetíveis. 

Sabe-se que a pandemia do coronavírus afetou de forma brusca as importações e exportações e deixou vestígios de uma crise generalizada na economia global, contudo, o setor de alimentos se mostrou resiliente e até mesmo próspero para a conjuntura em que se encontra. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), em 2021, a indústria alimentícia brasileira fechou o ano com faturamento de R$ 922,6 bilhões; um crescimento de 16,9% quando comparado com 2020. Ainda segundo o levantamento, as exportações, representaram 26,5% do faturamento total, apontando para um aumento de 18,6%. Esse foi o maior número já registrado, uma quantia equivalente a US$ 45,2 bilhões. 

Gestão de Riscos e a Indústria Alimentícia  

Embora as pesquisas indiquem sinais de boa recuperação da indústria alimentícia, os grandes riscos do setor não deixam de existir. Anualmente, são milhões de itens retirados das prateleiras e chamadas de recolhimento de produtos, seja por possível contaminação, adulteração ou ordem governamental. Atenta a tais contratempos e ameaças, a Brokerslink Conference 2022, que aconteceu no Porto, em Portugal, trouxe insights relevantes sobre este mercado e os riscos que o cercam.  

O evento, que reuniu mais de 300 líderes de todo o mundo da área de Seguros, Resseguros e Gestão de Risco contou com o painel “Risk Management at Nestlé”, no qual Laurent Freixe, vice-presidente Executivo e CEO para a América Latina da Nestlé, nos trouxe uma visão geral da gestão de riscos na companhia – que hoje é uma das maiores do ramo – e pontuou a necessidade de se ajustar a um ambiente em constante mudança e se manter em compliance com obrigações e legislações de todas as esferas. 

De maneira simplificada, um programa abrangente e efetivo de Risk Management para a indústria de alimentos se caracteriza por um conjunto de ações coordenadas com o objetivo de neutralizar, prevenir e controlar situações que possam gerar despesas e prejuízos ao negócio. A etapa de mitigação de ameaças conta com uma análise quantitativa e qualitativa para saber quais riscos devem ser priorizados e, por fim, culmina na definição de uma reposta ou solução para erradicar a ameaça. 

Para 2022, os desafios da indústria alimentícia continuam sendo a segurança para os consumidores em meio a um cenário incerto. Nesse sentido, vale destacar que um bom programa de Gestão de Risco atrelado ao uso de ferramentas tecnológicas é uma ótima opção. Além disso, lançar mão de softwares especializados – que podem fazer esse gerenciamento de maneira eficaz e segura – e estar atento às constantes mudanças políticas, socioeconômicas e logísticas são medidas essenciais para a vitalidade e boa performance de qualquer empresa, seja de pequeno, médio ou grande porte. 

Gente Seguradora lança alternativa para corretor de auto driblar alta nos preços da apólice

Diante das dificuldades vividas pelo segmento de seguro automóvel, a Gente Seguradora disponibilizou aos corretores de seguros um produto com franquia para a cobertura de responsabilidade civil. “Esta é uma forma de não deixarmos de ofertar o produto, bem como reduzir o preço, tendo a participação do segurado num eventual acionamento da apólice”, explica Marcelo Wais, vice-presidente da empresa.

Poucas seguradoras, até agora, oferecem o seguro de RC com franquia, usada apenas para a cobertura de perda parcial no seguro de carro. No entanto, a iniciativa da Gente Seguradora mostra que se trata de uma tendência para este ano, momento em que o seguro de auto enfrenta desafios, que impactam na redução da lucratividade, acarretando movimentos de venda de carteiras, alta do preço e restrições de coberturas. 

Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a sinistralidade no seguro auto ficou em 76,8% em março de 2022, frente aos 73,9% observados em fevereiro de 2022 e aos 55,7% de março de 2021. Uma alta substancial de quase 20 pontos percentuais. A elevação do preço se reflete no aumento da arrecadação de prêmios, com R$ 10,63 bilhões no primeiro trimestre deste ano, valor 23,3% superior ao do mesmo período em 2021, quando foram arrecadados R$ 8,62 bilhões. 

Segundo o executivo, com a queda da sinistralidade em 2020, diante da restrição de mobilidade no início da covid-19, muitas companhias reduziram seus preços para manter a carteira de clientes, muitos deles ainda em homeoffice. No entanto, o índice de acidentes voltou a subir rapidamente com a livre circulação. Este fato foi agravado com a inflação crescente, que não só valorizou excessivamente o preço dos veículos novos, mas também dos usados, além do aumento dos preços de peças e da mão-de-obra. 

Em tempos difíceis, a parceria se torna um laço fundamental. “Precisamos trazer soluções aos clientes e aos corretores de pequeno e médio porte para que eles não saiam do mercado securitário para o segmento de proteção veicular. A adoção de franquia traz para o segurado uma gestão compartilhada da sua frota. É uma possibilidade para não deixar o corretor sem alternativa para clientes com histórico de perdas”, argumenta. 

Wais se diz otimista. “Ajustes são necessários para equilibrar a carteira de auto. E neste período mais difícil, buscamos trazer soluções para nossos corretores parceiros, principalmente os de pequeno e médio porte, com dificuldades em concorrer com grandes players. Não sabemos se terá aderência, mas possibilita que o corretor tenha uma alternativa para seu cliente ao tentar equacionar este atual momento do mercado”, acrescenta. 

Lançar novos produtos está no programa da seguradora, que comemora neste ano seu cinquentenário. Além do seguro auto, que representa mais de 80% do faturamento da companhia, novos produtos entraram no radar da Gente Seguradora, como o seguro empresarial e bike. “Completamos em 12 de março deste ano nosso cinquentenário. Nesses 50 anos, vivemos muitas crises. O setor de seguros passou por bons momentos e outros piores. Essa experiência agrega maturidade para entendermos o momento que o mercado vive hoje e nos capacita para oferecer alternativas que agreguem valor ao crescimento de todo o setor”, finaliza o vice-presidente Marcelo Wais.

CNseg: próximos passos do BCB e do Fed dependem de dados de inflação e atividade

Pedro Simoes CNseg

A semana que passou foi marcada pelas decisões de juros no Brasil e nos EUA. No Brasil, a Selic foi elevada em 0,50 p.p., para 13,25%, como previsto. Além disso, o Copom, no comunicado divulgado, afirmou que pretende continuar a elevar a taxa básica de juros nas próximas reuniões. “A intensidade desse aumento deve depender da divulgação dos dados de inflação e atividade até a próxima reunião. As medidas extraordinárias para conter a alta dos preços – que avançaram na semana com a aprovação na Câmara e Senado do PLP-18/2022 – devem tirar pontos da inflação este ano, mas não necessariamente alteram a pressão nos preços daí para frente”, comenta diz Pedro Simões, economista do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg. 

De acordo com o economista, não causam incerteza apenas sobre as projeções para a inflação – e consequentemente os juros – neste e no próximo ano, mas também sobre o ambiente fiscal e econômico do País, com consequências que já podem ser observadas nos prêmios de risco nas últimas semanas.

Nos EUA, o FOMC do Federal Reserve aumentou a Fed Funds Rate em 0,75p.p., a maior elevação desde 1994, levando a taxa básica de juros da economia americana para o intervalo de 1,5% a 1,75%. Em entrevista logo após a decisão, o presidente do Fed, J. Powell, enfatizou o “forte compromisso” com a meta de 2% para a inflação na maior economia que, em maio – último dado disponível – alcançou 8,6% em 12 meses. Foi deixada aberta a possibilidade de outro aumento de 0,75p.p. ou de um menos intenso, de 0,50p.p. na próxima reunião do FOMC, em julho. 

Simões comenta que debates sobre estagflação em diversas partes do mundo, particularmente na Europa, intensificaram-se com a clara postura mais contracionista dos Bancos Centrais mundiais. “Nesse contexto, as discussões agora se voltam para se a desaceleração econômica global, que virá com as condições monetárias mais restritas e choques de oferta, será um “hard” ou “soft-landing”, ou seja, se a economia global desacelerará de modo duro, com possível recessão ou se de modo mais suave, apenas com redução nas taxas de crescimento”. 

Leia a íntegra do boletim Acompanhamento de Expectativas Econômicas desta semana no portal da CNseg.

O que assusta os “risks management”, segundo pesquisa da FERMA

FERMA-Dirk Wegener 2

Atualmente, um dos principais desafios dos gestores de riscos, ou risks management, é a volatilidade geopolítica, que tem afetado a cadeia de suprimentos dos principais grupos econômicos. “A situação geopolítica tomou uma dimensão nunca vista e isso faz com que as empresas repensem a cadeia de suprimentos. O mundo está passando por uma revolução e temos de repensar os riscos. Para alguns problemas gerados por este cenário de pandemia e de guerra o programa de seguro não conta com cobertura ou tem apenas cobertura parcial”, afirmam Dirk Wegener (foto), presidente da Federation of European Risk Management Associations #FERMA, e Jorge Luzzi – AIRM – RIMAP , presidente da APOGERIS, especializado em gestão de risco. Juntos, eles coordenaram uma mesa de debates com mais de 40 gestores de riscos reunidos no Porto, Portugal, em maio, durante o evento Brokerslink 2022.

Para ilustrar, Luzzi cita uma das maiores cervejaria da Espanha. Ela comprava cereais da Rússia e da Ucrânia. Acabou. Com o início da guerra ficou sem seus fornecedores. Então ela foi buscar fornecedores em Portugal, mas com alta de preços de até 25%. É um risco e tanto para as empresas. Outro exemplo é o transporte. Uma empresa do Japão mandava matéria prima para Alemanha por avião. Agora tem de encontrar como distribuir seus produtos, pois não se pode voar pelo espaço aéreo russo. “Se consegue entregar a matéria prima em tempo, se cumpre o contrato. Se não, tem de buscar outro fornecedor, que geralmente cobra até 30% mais. Se amanhã termina a guerra, vão voltar a comprar cerais da Rússia, mesmo com a insegurança política? Estes exemplos mostram que temos de rever nossas estratégias e considerar riscos que agora estão muito mais severos”, alerta.

Outro problema colocado na mesa de discussões pelos gestores de riscos é convencer os seus superiores, com CEOs e presidente do conselho de administração, que o programa de seguro está mais caro, mesmo se a empresa não registrou grandes sinistros. Luzzi ressaltou que este é um problema mundial e que afeta o resseguro, o seguro das seguradoras. “O atual cenário de resseguro é conhecido como “hard market”, quando os preços sobem e as condições de cobertura ficam mais restritas. “Os resseguradoras perderam dinheiro com a pandemia e com catástrofes, diante de indenizações bilionárias. Com pouco capital, os resseguradores buscam ganhar mais no mercado financeiro. Isso deixa as seguradoras com dificuldades. Com capital restrito dos resseguradoras em seus contratos, ou não conseguem cobertura para os riscos ou pagam mais caro”, explica Luzzi.

Dirk Wegener, presidente da Ferma e líder de seguro corporativo do Deutsche Bank destacou os desafios mundiais vivido pelos gestores para protegerem suas empresas neste mundo com tantos desafios, como inflação alta, conflitos sociais, guerras, pandemias e ataques cibernéticos. “O desafio para o gerente de risco é atuar como um líder de risco na organização, reunindo as diferentes funções e gerenciamento em uma abordagem holística em toda a empresa. Dessa forma, o negócio pode ser resiliente a choques e se desenvolver de forma sustentável”, recomenda.

Segundo ele, hoje, à luz da pandemia e da guerra na Ucrânia, está mais claro do que nunca como os riscos estão interconectados. “Tais eventos desencadeiam muitas consequências, por exemplo, interrupções nas cadeias de suprimentos e aumento dos preços e escassez de commodities. Os riscos cibernéticos são uma ameaça contínua. As mudanças climáticas e os riscos relacionados, como desastres naturais, exigem a atenção da alta administração e dos especialistas em riscos”, acrescentou.

Pesquisa FERMA revela riscos cibernéticos como o que mais preocupa os gestores

A FERMA acaba de publicar a edição 2022 do European Risk Manager Survey. Os entrevistados da pesquisa identificaram os seguintes riscos como as principais ameaças críticas para suas organizações em 2022: ameaças cibernéticas (63%); falha na cadeia de suprimentos e distribuição (49%); questões geopolíticas e econômicas (ambas 31%). Já em 5 anos, a mudança de comportamento do cliente (32%); ameaças cibernéticas (35%) e crescimento econômico incerto (32%) estão entre as principais. Em 10 anos: mudanças climáticas e danos ambientais (48%); mudança de comportamento do cliente (24%) e desastres naturais (21%).

Em relação ao “hard Market”, a Pesquisa FERMA revela que 78% dos entrevistados relataram um impacto significativo do aumento dos preços dos seguros; 73% relatam um impacto significativo de limites e exclusões em riscos específicos; 71% sofreram uma redução significativa na capacidade; 41% acreditam que alguns locais ou atividades de negócios se tornarão não seguráveis ​​no futuro.

A FERMA reconhece o impacto do hard market nos compradores de seguros corporativos. “Defendemos a necessidade de um novo modelo de parceria entre os compradores de seguros corporativos e o setor, baseado em maior transparência e atendimento”, comenta. De acordo com ele, a federação apoia os membros destacando as questões com a autoridade reguladora de seguros europeia, EIOPA e instituições europeias. “Também estamos trabalhando no Projeto Lucy com vários membros para compilar dados de mercado sobre seguro contra riscos cibernéticos que apoiarão os gerentes de risco em suas negociações com as seguradoras”, enumera o presidente da FERMA.

Segundo ele, no mercado hard, as cativas são uma alternativa cada vez mais importante para o mercado de seguros comerciais para muitas empresas. “A FERMA está defendendo com sucesso a regulação proporcional de cativos sob o regulamento prudencial de Solvência II revisado, o que tornará esta uma opção acessível para mais empresas”, contou ele ao blog Sonho Seguro.

Como federação, a FERMA foca a sua atividade nas áreas particulares onde pode dar mais apoio aos nossos membros, que são associações nacionais de gestão de risco em 21 países europeus, incluindo a Apogeris, comandada por Luzzi, em Portugal. “Temos quatro prioridades em nosso trabalho de advocacia. Existem riscos sistêmicos, sustentabilidade, digitalização e transferência de riscos. Criamos também a Rimap, uma certificação profissional europeia, para apoiar os gestores de risco na superação destes desafios e na construção das suas carreiras.

“No Fórum FERMA de 9 a 11 de outubro em Copenhague, enfatizaremos a importância de restaurar a parceria entre a indústria de seguros e os compradores de seguros corporativos. O evento também será uma oportunidade para os gestores de risco apresentarem seus pontos de vista aos líderes do setor de seguros.