O que assusta os “risks management”, segundo pesquisa da FERMA

Ameaças cibernéticas, falha na cadeia de suprimentos e distribuição e questões geopolíticas e econômicas, comentam Dirk Wegener, presidente da Federation of European Risk Management Associations e Jorge Luzzi, presidente da APOGERIS

FERMA-Dirk Wegener 2

Atualmente, um dos principais desafios dos gestores de riscos, ou risks management, é a volatilidade geopolítica, que tem afetado a cadeia de suprimentos dos principais grupos econômicos. “A situação geopolítica tomou uma dimensão nunca vista e isso faz com que as empresas repensem a cadeia de suprimentos. O mundo está passando por uma revolução e temos de repensar os riscos. Para alguns problemas gerados por este cenário de pandemia e de guerra o programa de seguro não conta com cobertura ou tem apenas cobertura parcial”, afirmam Dirk Wegener (foto), presidente da Federation of European Risk Management Associations #FERMA, e Jorge Luzzi – AIRM – RIMAP , presidente da APOGERIS, especializado em gestão de risco. Juntos, eles coordenaram uma mesa de debates com mais de 40 gestores de riscos reunidos no Porto, Portugal, em maio, durante o evento Brokerslink 2022.

Para ilustrar, Luzzi cita uma das maiores cervejaria da Espanha. Ela comprava cereais da Rússia e da Ucrânia. Acabou. Com o início da guerra ficou sem seus fornecedores. Então ela foi buscar fornecedores em Portugal, mas com alta de preços de até 25%. É um risco e tanto para as empresas. Outro exemplo é o transporte. Uma empresa do Japão mandava matéria prima para Alemanha por avião. Agora tem de encontrar como distribuir seus produtos, pois não se pode voar pelo espaço aéreo russo. “Se consegue entregar a matéria prima em tempo, se cumpre o contrato. Se não, tem de buscar outro fornecedor, que geralmente cobra até 30% mais. Se amanhã termina a guerra, vão voltar a comprar cerais da Rússia, mesmo com a insegurança política? Estes exemplos mostram que temos de rever nossas estratégias e considerar riscos que agora estão muito mais severos”, alerta.

Outro problema colocado na mesa de discussões pelos gestores de riscos é convencer os seus superiores, com CEOs e presidente do conselho de administração, que o programa de seguro está mais caro, mesmo se a empresa não registrou grandes sinistros. Luzzi ressaltou que este é um problema mundial e que afeta o resseguro, o seguro das seguradoras. “O atual cenário de resseguro é conhecido como “hard market”, quando os preços sobem e as condições de cobertura ficam mais restritas. “Os resseguradoras perderam dinheiro com a pandemia e com catástrofes, diante de indenizações bilionárias. Com pouco capital, os resseguradores buscam ganhar mais no mercado financeiro. Isso deixa as seguradoras com dificuldades. Com capital restrito dos resseguradoras em seus contratos, ou não conseguem cobertura para os riscos ou pagam mais caro”, explica Luzzi.

Dirk Wegener, presidente da Ferma e líder de seguro corporativo do Deutsche Bank destacou os desafios mundiais vivido pelos gestores para protegerem suas empresas neste mundo com tantos desafios, como inflação alta, conflitos sociais, guerras, pandemias e ataques cibernéticos. “O desafio para o gerente de risco é atuar como um líder de risco na organização, reunindo as diferentes funções e gerenciamento em uma abordagem holística em toda a empresa. Dessa forma, o negócio pode ser resiliente a choques e se desenvolver de forma sustentável”, recomenda.

Segundo ele, hoje, à luz da pandemia e da guerra na Ucrânia, está mais claro do que nunca como os riscos estão interconectados. “Tais eventos desencadeiam muitas consequências, por exemplo, interrupções nas cadeias de suprimentos e aumento dos preços e escassez de commodities. Os riscos cibernéticos são uma ameaça contínua. As mudanças climáticas e os riscos relacionados, como desastres naturais, exigem a atenção da alta administração e dos especialistas em riscos”, acrescentou.

Pesquisa FERMA revela riscos cibernéticos como o que mais preocupa os gestores

A FERMA acaba de publicar a edição 2022 do European Risk Manager Survey. Os entrevistados da pesquisa identificaram os seguintes riscos como as principais ameaças críticas para suas organizações em 2022: ameaças cibernéticas (63%); falha na cadeia de suprimentos e distribuição (49%); questões geopolíticas e econômicas (ambas 31%). Já em 5 anos, a mudança de comportamento do cliente (32%); ameaças cibernéticas (35%) e crescimento econômico incerto (32%) estão entre as principais. Em 10 anos: mudanças climáticas e danos ambientais (48%); mudança de comportamento do cliente (24%) e desastres naturais (21%).

Em relação ao “hard Market”, a Pesquisa FERMA revela que 78% dos entrevistados relataram um impacto significativo do aumento dos preços dos seguros; 73% relatam um impacto significativo de limites e exclusões em riscos específicos; 71% sofreram uma redução significativa na capacidade; 41% acreditam que alguns locais ou atividades de negócios se tornarão não seguráveis ​​no futuro.

A FERMA reconhece o impacto do hard market nos compradores de seguros corporativos. “Defendemos a necessidade de um novo modelo de parceria entre os compradores de seguros corporativos e o setor, baseado em maior transparência e atendimento”, comenta. De acordo com ele, a federação apoia os membros destacando as questões com a autoridade reguladora de seguros europeia, EIOPA e instituições europeias. “Também estamos trabalhando no Projeto Lucy com vários membros para compilar dados de mercado sobre seguro contra riscos cibernéticos que apoiarão os gerentes de risco em suas negociações com as seguradoras”, enumera o presidente da FERMA.

Segundo ele, no mercado hard, as cativas são uma alternativa cada vez mais importante para o mercado de seguros comerciais para muitas empresas. “A FERMA está defendendo com sucesso a regulação proporcional de cativos sob o regulamento prudencial de Solvência II revisado, o que tornará esta uma opção acessível para mais empresas”, contou ele ao blog Sonho Seguro.

Como federação, a FERMA foca a sua atividade nas áreas particulares onde pode dar mais apoio aos nossos membros, que são associações nacionais de gestão de risco em 21 países europeus, incluindo a Apogeris, comandada por Luzzi, em Portugal. “Temos quatro prioridades em nosso trabalho de advocacia. Existem riscos sistêmicos, sustentabilidade, digitalização e transferência de riscos. Criamos também a Rimap, uma certificação profissional europeia, para apoiar os gestores de risco na superação destes desafios e na construção das suas carreiras.

“No Fórum FERMA de 9 a 11 de outubro em Copenhague, enfatizaremos a importância de restaurar a parceria entre a indústria de seguros e os compradores de seguros corporativos. O evento também será uma oportunidade para os gestores de risco apresentarem seus pontos de vista aos líderes do setor de seguros.

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