Resseguradores aguardam com ansiedade posicionamento da Susep sobre mudanças, previsto para julho

O novo marco legal dos seguros e seus efeitos sobre o mercado de resseguros dominaram parte relevante das discussões do Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (20), em um ambiente marcado por expectativa do mercado em relação às respostas da Superintendência de Seguros Privados (Susep) às contribuições encaminhadas durante a consulta pública que revisa regras do setor.

O tema ganhou espaço justamente em um momento em que o mercado opera em ambiente considerado favorável para expansão dos negócios. A elevada capacidade global disponível — fase conhecida como mercado soft — amplia o acesso ao capital ressegurador e pode estimular a entrada de novos participantes, produtos e soluções em nichos ainda pouco explorados no país. Ao mesmo tempo, as mudanças regulatórias passaram a ser vistas como peça central para definir como essa nova etapa de crescimento ocorrerá.

Na abertura do painel sobre o novo marco legal, a moderadora Ana Paula de Almeida Santos destacou que a Lei nº 15.040 representa um avanço institucional ao consolidar um sistema único para contratos de seguros e aproximar o Brasil de modelos adotados em mercados mais maduros, como Itália, França, Portugal, Espanha, Argentina e Chile.

Segundo ela, o processo foi resultado de anos de discussão envolvendo seguradoras, resseguradoras, governo, acadêmicos e consumidores, garantindo legitimidade ao texto aprovado. Um dos pontos considerados mais relevantes foi a inclusão inédita de um capítulo específico para resseguro — tema que inicialmente não estava previsto no projeto.

A nova legislação passou a reunir cinco artigos específicos para o segmento, abordando temas como aceitação tácita pelo silêncio da resseguradora após prazo de análise, responsabilidades entre as partes, regras processuais e aspectos ligados à recuperação de créditos e despesas relacionadas a sinistros.

Apesar do avanço institucional, a regulamentação prática ainda gera dúvidas. A consulta pública promovida pela Susep sobre operações de resseguro, retrocessão, cosseguro e operações internacionais abriu uma série de debates técnicos e jurídicos que seguem em análise.

Durante o painel “O atual ambiente do mercado de resseguros”, o diretor da Susep Carlos Queiroz afirmou que a autarquia trabalha na consolidação das contribuições recebidas e indicou que as respostas ao mercado podem ser divulgadas em breve, possivelmente até julho. Segundo ele, apenas a minuta relacionada ao resseguro recebeu mais de 200 sugestões do mercado. O volume de contribuições, segundo o executivo, levou a reflexões importantes sobre temas considerados sensíveis para a operação do setor.

Entre os pontos em discussão estão a oferta preferencial para resseguradores locais, cláusulas relacionadas ao controle e cooperação em sinistros, responsabilidades operacionais e aspectos ligados à contratação e execução dos contratos. Presidente da Fenaber, Rafaela Barreda afirmou que o setor ainda atravessa uma fase de adaptação e não de acomodação às novas regras. Segundo ela, a ausência de definições regulatórias cria interpretações distintas e amplia as incertezas do mercado. “Infelizmente não tivemos todas as respostas que gostaríamos de ter hoje. O mercado não se adaptou; ele está em fase de adaptação”, afirmou.

Segundo a executiva, algumas interpretações passaram a ser tratadas como obrigações legais quando, na visão do mercado, ainda demandam esclarecimentos adicionais. Rafaela reforçou que a relação entre seguradora e segurado continua sendo distinta da relação entre seguradora e ressegurador, estrutura presente desde o Decreto-Lei nº 73. Para ela, cada cedente mantém autonomia para definir sua estratégia de aquisição de resseguro, enquanto cabe ao ressegurador estabelecer apetite, capacidade e interesse por determinadas operações.

Sob a ótica do segmento, a lei trouxe uma agenda relevante de ajustes operacionais e maior necessidade de clareza contratual. A executiva destacou ainda que operações complexas exigem níveis adicionais de governança, disciplina operacional e troca de informações entre seguradoras, resseguradores e corretores. “A gente está construindo o novo normal para entender como o mercado vai funcionar”, afirmou.

Vera Carvalho Pinto, Latin America Reinsurance Legal Counsel da Chubb, definiu o mercado brasileiro de resseguros como um jovem adulto na América Latina em resseguro, que demonstra muito preparo. “Esse amadurecimento em curto espaço de tempo se deve a todos. O mercado abriu em 2007 e, desde então, vem se harmonizando com o mercado internacional”. Ela ressaltou o quanto a legislação brasileira se harmonizou às regras internacionais. “Agora, com o marco legal de seguros, é mais um passo. Toda legislação nova traz um desconforto, mas o mercado brasileiro reagiu com muita maturidade, rapidamente se mobilizou e reavaliou os seus procedimentos”. Neste ponto, a atuação do broker de resseguro foi fundamental para reduzir assimetrias.

“De maneira prática, nós buscamos criar grupos multidisciplinares para capacitar todas as áreas sobre o conhecimento da nova lei em profundidade, além de promover debates e workshops com a nossa base de clientes e buscamos entender os pontos de maior sensibilidade para cada parte dessa cadeia”, compartilhou Stephanie Fonseca, deputy CEO da Guy Carpenter e membro do Comitê Executivo Latam e Head de Market Intelligence. Ela ressaltou o profissionalismo de todos os elos da cadeia de seguros e resseguros.

Nos corredores do encontro, a avaliação é que a discussão deixou de ser apenas jurídica. Em um ambiente de maior oferta global de capital, a forma como a regulamentação será calibrada poderá influenciar a atração de capacidade internacional, a expansão da concorrência e o desenvolvimento de soluções para riscos ainda pouco explorados no país, como já mostra a matéria sobre o estudo na nova edição do estudo [Re]vision Research, produzido pela Abecor, e mostram a Allianz com participação de 13,1% do mercado, enquanto o IRB caiu para 11,8%, recuo de 4,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. 

Advogados temem engessamento do setor

Advogados especializados do setor fizeram um alerta: o excesso de intervenção regulatória pode comprometer a competitividade do mercado brasileiro, afastar práticas internacionais consolidadas e dificultar a transferência eficiente de riscos para o exterior.

O tema foi debatido durante painel sobre os desafios da regulamentação do resseguro, nesta quarta, 20, no Encontro de Resseguro, que reuniu especialistas de alguns dos principais escritórios de advocacia do País. Para Marcelo Mansur, sócio da Mattos Filho Advogados, o principal desafio está em evitar que a regulação crie distorções incompatíveis com a natureza internacional do resseguro. Segundo ele, seguradoras e resseguradoras devem ser vistas como “parceiras do risco”, o que exige contratos equilibrados e cláusulas capazes de preservar interesses convergentes.

“O resseguro não pode ser tratado como se fosse seguro tradicional”, afirmou. Mansur criticou a tentativa de aplicar, por analogia, regras do mercado segurador ao resseguro, especialmente em temas como transferência de carteira e arbitragem. “Nem tudo precisa ser análogo. Quando a analogia é mal aplicada, ela deixa de ajudar e passa a atrapalhar”, disse.

O advogado também demonstrou preocupação com propostas regulatórias relacionadas à arbitragem internacional. Segundo ele, a legislação brasileira não determina que disputas de resseguro devam obrigatoriamente seguir lei brasileira ou ter sede arbitral no País. “A Susep foi além do que a lei prevê. Isso pode engessar o mercado por muitos anos”, avaliou.

Na mesma linha, João Marcelo, sócio fundador do Santos Bevilaqua Advogados, destacou que o resseguro é, por essência, uma atividade global e que qualquer tentativa de excesso regulatório pode prejudicar diretamente o desenvolvimento do mercado de seguros nacional. “O resseguro eficiente é instrumento de desenvolvimento econômico. Quando barreiras excessivas são criadas, o mercado deixa de operar de forma ótima e toda a cadeia sofre os impactos”, afirmou.

Segundo ele, embora existam diferentes visões sobre maior ou menor intervenção estatal, a realidade internacional do setor não pode ser ignorada. “Muitas vezes, a ausência de regulação é mais eficiente do que uma regulação excessiva”, disse.

Marcia Cicarelli, sócia da Demarest Advogados, apontou preocupação com interpretações regulatórias relacionadas às cláusulas de controle e cooperação em contratos de resseguro. Para ela, a leitura proposta pela Susep extrapola os limites da própria legislação.

“As cláusulas de controle e cooperação são típicas do contrato de resseguro no mercado internacional. A lei não proíbe essas práticas”, afirmou. A advogada também criticou possíveis restrições à arbitragem internacional, defendendo que a autonomia das partes deve ser preservada em contratos sofisticados e internacionais.

A discussão também avançou sobre o tratamento jurídico diferenciado entre grandes riscos corporativos e seguros massificados. Ilan Goldberg, sócio da Chalfin, Goldberg, Vainboim Advogados, ressaltou que grandes empresas possuem capacidade técnica, econômica e jurídica muito distinta da observada no consumidor comum, o que justificaria tratamentos regulatórios diferentes. “Quando o direito ignora a realidade, a realidade se vinga ignorando o direito”, afirmou, ao defender maior respeito à autonomia privada em relações empresariais complexas.

Para Raíssa Campelo, sócia da Pinheiro Neto Advogados, o principal desafio do Brasil é construir segurança jurídica sem inviabilizar práticas internacionais consolidadas no resseguro. Segundo ela, o mercado precisa de previsibilidade regulatória para manter a confiança de investidores estrangeiros. “Precisamos construir um ambiente de segurança jurídica porque existem regras, e não apesar delas”, disse.
 

A advogada também reforçou a importância da arbitragem, mediação e negociação como instrumentos mais adequados para resolução de conflitos em um mercado altamente especializado e internacionalizado.

O moderador Sergio Mello, sócio da Mello, Machado Advogados, destacou que, apesar das incertezas regulatórias, o mercado internacional segue enxergando o Brasil como um ambiente estratégico para o resseguro. “O Brasil continua sendo um país cheio de oportunidades. O mercado internacional está acostumado a mudanças regulatórias e não pretende deixar o País”, concluiu.

João Gilberto Possiede deixa saudade e um legado de generosidade ao mercado de seguros

Recebi hoje com profunda tristeza a notícia do falecimento de Possiede, um dos grandes nomes do mercado segurador brasileiro e, para mim, muito mais do que uma importante fonte: um amigo querido de mais de 30 anos.

Ao longo da minha trajetória no jornalismo especializado, Possiede esteve sempre entre aquelas pessoas raras que entendiam o valor da informação e respeitavam o papel da imprensa. Era alguém que atendia telefonemas, retornava mensagens, explicava temas complexos, contextualizava cenários e fazia isso sem pressa, sem vaidade e com uma generosidade difícil de encontrar.

Tornou-se uma das minhas fontes favoritas. Não apenas pela competência técnica, reconhecida por todos no setor, mas porque havia algo maior: a capacidade de compartilhar conhecimento de forma genuína e humana.

Sua trajetória também se confunde com a história recente do mercado segurador brasileiro. Possiede construiu uma carreira de décadas, com passagens marcantes pelo Bamerindus Seguros e pela JMalucelli Seguradora, onde se consolidou como uma das maiores referências do setor. Mais do que ocupar cargos de liderança, ajudou a desenvolver um mercado. Foi um dos executivos que praticamente construíram as bases do Seguro Garantia no Brasil, modalidade que ganhou força e se transformou em uma importante ferramenta para infraestrutura, concessões e negócios do país. (Associação Panamericana de Fianzas)

Nos últimos anos, estava afastado do dia a dia do mercado. O tempo naturalmente muda os papéis, afasta rotinas, silencia agendas. Mas há pessoas cuja presença permanece intacta. Possiede era assim. Mesmo distante das atividades executivas, seguia com a mente brilhante, observações inteligentes, memória admirável e a mesma elegância de sempre.

O mercado de seguros perde hoje um executivo respeitado, um pioneiro e um construtor. Eu perco alguém que acompanhou parte importante da minha caminhada profissional e pessoal.

Há pessoas que deixam cargos. Outras deixam legado. Possiede deixa lembranças, ensinamentos e uma saudade imensa.

Meus sentimentos à família, aos amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

IRB(RE) acelera projeto da seguradora, reforça equipe com executivos de mercado e mira estreia em julho

Frederico knapp

O IRB (RE) avança na estratégia de ampliar sua presença além do resseguro e prepara a entrada da sua seguradora no mercado brasileiro. A operação, que ainda depende do sinal verde da Superintendência de Seguros Privados (Susep), deverá iniciar atividades a partir de julho, segundo Fred Knapp, CEO da nova companhia. O projeto representa mais um movimento na estratégia do grupo de ampliar presença no seguro primário e criar novas avenidas de crescimento.

Para acelerar a estruturação da operação, a companhia reforçou recentemente o time com dois nomes de peso do mercado. Santiago Arellano, executivo com passagem pela Chubb assumirá a liderança de subscrição, enquanto Cristiane Abdala ficará responsável pelas áreas de operações e sinistros. “O projeto é importante para o IRB. Precisávamos ter um pé também no seguro primário”, afirma Knapp.

A nova companhia começará com foco em riscos corporativos. Na largada, a estratégia prevê atuação em riscos nomeados, riscos operacionais, patrimonial e engenharia — linhas tradicionalmente voltadas ao segmento empresarial e que exigem forte especialização técnica. “A princípio vamos iniciar com riscos nomeados, riscos operacionais, patrimonial e engenharia. São os três focos iniciais”, afirma o executivo.

A estrutura terá apoio direto do IRB Brasil Re na capacidade de resseguro. Segundo Knapp, a proposta aproveita a musculatura do grupo, sem abrir mão de mecanismos de dispersão de riscos. A chegada da seguradora ocorre em um momento considerado favorável para novos projetos no mercado. O setor atravessa uma fase de maior oferta de capacidade em resseguro, aumento da competição e busca por novos nichos de crescimento.

Knapp, que está há cerca de um ano e meio no IRB e assumiu em abril a liderança do projeto, afirma que a companhia trabalha há meses na estruturação da iniciativa. Além da equipe, sistemas e plataformas operacionais já estão preparados para o início das atividades. Mas os planos não param na estreia. O segundo semestre deverá trazer novos anúncios e a ampliação gradual do portfólio. “A partir de um segundo momento vamos avaliar outras linhas”, afirma.

Entre os segmentos em análise aparecem oportunidades como seguro garantia e outros ramos corporativos, embora a definição ainda esteja em discussão. O projeto também se conecta a uma visão mais ampla de expansão do grupo. Embora o IRB tenha reforçado nos últimos anos o foco no mercado brasileiro, a operação continua mantendo atividades internacionais em regiões como América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia.

Além da seguradora, o executivo acompanha a evolução do mercado de Insurance Linked Securities (ILS), por meio de outra empresa do IRB, a Andrina, com estrutura que permite captar recursos de investidores para cobertura de determinados riscos, especialmente de natureza catastrófica. O modelo ainda depende de ajustes regulatórios no Brasil. “Existe um custo regulatório elevado e algumas discussões estão sendo feitas para construir uma regulação mais específica”.

Seguradora Sompo renova contratos de resseguro em condições bem melhores do que no ano anterior

O atual ciclo favorável ao comprador do mercado global de resseguros ganhou um exemplo concreto no Brasil com a renovação dos contratos da Sompo Seguros. Em um ambiente marcado pelo aumento da oferta de capital e maior competição entre resseguradoras, a companhia concluiu recentemente a renovação de seus principais programas com excesso de demanda e melhora nas condições comerciais, um movimento que reforça a percepção de que o setor atravessa um dos momentos mais competitivos dos últimos anos.

A renovação envolveu contratos estratégicos, como transportes, property e garantia. Segundo Adailton Dias, diretor executivo de Produtos, Resseguro e Sinistros da Sompo Seguros, os programas registraram forte interesse do mercado. “Renovamos todos os contratos. Transportes, property e garantia vieram overcap, na média entre 145% e 150% da capacidade”, afirma o executivo.

O excesso de capacidade significa que houve mais interesse das resseguradoras em assumir riscos do que espaço disponível nos programas contratados. Em ciclos de mercado considerados “soft”, esse comportamento costuma resultar em condições mais favoráveis para as seguradoras, seja por preços mais competitivos, seja pela flexibilização de critérios de aceitação.

E os efeitos já começam a chegar à ponta. “Isso será muito bom para os clientes. A Sompo ficará mais flexível em algumas atividades que no passado tinham restrições ou subjetividades maiores”, diz Dias.

O movimento confirma uma percepção crescente entre executivos do setor durante o Encontro de Resseguros, realizado no Rio de Janeiro: há capital disponível buscando oportunidades, inclusive em nichos antes menos explorados.

Na prática, o aumento da competição permite ampliar limites, reduzir algumas restrições técnicas e destravar negócios que, em outros momentos, enfrentariam maior seletividade. O cenário também beneficia operações facultativas, segmento em que capacidade adicional costuma fazer diferença em riscos específicos ou de grande porte.

No caso da Sompo, a renovação ganha peso adicional pela posição da companhia em transportes. A seguradora é líder em diversos segmentos da carteira e possui cerca de 20% de participação nesse mercado. “O transporte é muito importante porque conseguimos alavancar tanto a parte contratual como utilizar nossa resseguradora local. Em casos facultativos conseguimos fazer esse combo e atender corretores e segurados”, afirma.

Segundo o executivo, a estrutura permite ainda operações mais sofisticadas, incluindo soluções envolvendo retrocessão e apoio a programas internacionais de grandes empresas. A avaliação de Dias é que o ambiente atual representa um ponto fora da curva em termos de competição. “Nunca tinha visto um mercado tão competitivo como estou vendo agora”, afirma.

A declaração ajuda a traduzir uma mudança importante no humor do setor. Após anos marcados por endurecimento de preços, eventos climáticos severos e redução de capacidade global, o mercado de resseguros voltou a conviver com abundância de capital. O resultado é uma disputa maior por negócios, especialmente em linhas corporativas, criando uma janela de oportunidades para seguradoras ampliarem apetite e expandirem atuação.

Para seguradoras, corretores e clientes corporativos, o cenário pode significar algo raro no setor: mais capacidade, maior concorrência e espaço para estruturas mais customizadas de proteção.

Patria Re aposta em operação local e amplia ofensiva no Brasil para dobrar negócios até 2030

Após mais de 15 anos operando no Brasil como resseguradora eventual a partir de escritórios no México e no Chile, a mexicana Pátria Re decidiu dar um passo estratégico para ampliar sua presença no país. O grupo, que participa nesta semana do Encontro de Resseguros, no Rio de Janeiro, escolheu o executivo Ronaldo Pinelli para liderar a construção da operação local e transformar o Brasil em um dos pilares de seu plano de expansão internacional.

A movimentação ocorre em um momento em que os acionistas querem acelerar o crescimento global da companhia. O plano estratégico prevê dobrar o volume de prêmios até 2030, saindo dos atuais US$ 1,1 bilhão para US$ 2 bilhões. Dentro desse projeto, o Brasil aparece como uma das principais apostas ao lado dos Estados Unidos e Europa.

“Hoje temos cerca de US$ 70 milhões em prêmios no Brasil. Não somos pequenos, mas ainda temos uma participação reduzida em um mercado de aproximadamente US$ 6 bilhões. O Brasil será um grande player nesse crescimento dos próximos anos”, afirma Ronaldo Pinelli, country manager da Pátria Re no Brasil.

A empresa chega ao país com uma estratégia diferente da adotada anteriormente. Embora continue operando como resseguradora eventual, modelo que a companhia não pretende alterar, a presença física passa a ser vista como diferencial competitivo.

Pinelli assumiu o cargo há apenas dois meses, depois de uma trajetória de 11 anos no IRB, onde ocupava a diretoria global de contratos. Sua missão inclui estruturar uma equipe local enxuta, de aproximadamente seis ou sete profissionais focados em subscrição e relacionamento comercial. Toda a operação de backoffice, processamento de prêmios e sinistros continuará centralizada no México.

“O investimento é muito mais em pessoas e presença local. Já percebemos nas conversas como muda a relação quando há alguém no Brasil falando a mesma língua e entendendo a cultura”, afirma. Hoje a carteira brasileira está concentrada principalmente nos segmentos de garantia e property, mas a intenção é diversificar. A companhia mira crescimento em marine cargo, agronegócio, equipamentos, responsabilidade civil, linhas financeiras e também no mercado facultativo — área em que a Pátria ainda possui atuação limitada no país.

O avanço em facultativos, segundo Pinelli, deverá ser uma das novidades da operação brasileira. O objetivo é montar capacidade local para capturar demandas específicas das seguradoras, especialmente em riscos patrimoniais e corporativos.

Apesar do ambiente competitivo do resseguro, Pinelli avalia que o Brasil ainda apresenta amplo espaço para expansão. O executivo cita o surgimento de novas seguradoras, modelos digitais e MGAs como fatores que ampliam oportunidades. “Temos apoiado muitas operações desde o início e isso cria relacionamentos de longo prazo. O mercado brasileiro ainda possui muito potencial a explorar”, afirma.

Segundo ele, a marca já chega com reconhecimento relevante entre seguradoras e grandes corretores globais. Cerca de 80% dos negócios da Pátria Re vêm da América Latina, região onde a companhia possui forte atuação histórica. Fundada há 73 anos, a empresa mantém origem familiar mexicana e opera hoje em México, Chile, Brasil e Londres.

A presença física no Brasil também fecha um movimento geográfico importante para o grupo: reunir estruturas próprias nos três maiores mercados latino-americanos — México, Brasil e Chile. “Hoje cobrimos os três maiores mercados da América Latina com presença local. Isso fortalece muito nossa relação com clientes e parceiros”, afirma Pinelli.

O executivo observa que, embora o Brasil historicamente seja menos exposto a eventos catastróficos do que o México, episódios recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, mostram que o mercado local também passou a conviver com novos tipos de riscos. Essa combinação entre crescimento, baixa penetração e necessidade crescente de proteção ajuda a explicar o apetite da companhia. “Para a Pátria Re, a aposta está feita: crescer no Brasil, mas sem abrir mão da disciplina técnica que permitiu à companhia registrar índice combinado abaixo de 90% nos últimos oito anos”, finaliza o executivo.

Quebra da seguradora Infinite acende alerta reputacional e mobiliza mercado para conter danos ao seguro garantia

A liquidação extrajudicial da Infinite Seguradora dominou os corredores, reuniões e conversas paralelas do Encontro de Resseguros realizado nesta semana no Rio de Janeiro. Em um ambiente tradicionalmente marcado por negociações, renovação de contratos e perspectivas para novos negócios, o tema ganhou espaço como principal preocupação do mercado: os potenciais danos à reputação do seguro garantia e os reflexos sobre a confiança em um segmento que ainda tenta ampliar sua participação no país. 

A decisão da Superintendência de Seguros Privados (Susep), publicada nesta terça-feira (19), decretou a liquidação extrajudicial da companhia após identificar deterioração econômico-financeira, insuficiência patrimonial, fragilidade na estrutura de gestão de riscos e inconsistências nas informações prestadas à supervisão. A autarquia recomendou a substituição imediata das garantias emitidas pela seguradora. 

Nos bastidores do evento, porém, a avaliação compartilhada entre executivos é que o episódio não pode ser atribuído exclusivamente à supervisão regulatória. A cadeia envolve seguradoras, resseguradores, corretores e participantes responsáveis pela avaliação técnica e financeira dos riscos. “O ressegurador fez análise? O corretor avaliou adequadamente para seu cliente? Hoje existem apólices judiciais que precisarão ser substituídas. Não basta escolher uma seguradora; é preciso escolher a melhor seguradora”, acrescentou a fonte. 

A preocupação é especialmente sensível no seguro garantia judicial e contratual. Caso determinadas apólices não consigam ser substituídas rapidamente, sobretudo em situações nas quais os riscos eventualmente não atendam aos critérios técnicos das demais companhias, o mercado teme efeitos negativos sobre a percepção do produto. “O mercado precisa tomar muito cuidado. Isso precisa virar uma lição. Todos têm responsabilidade no processo de análise e atuação”, afirmou. 

Nos corredores do encontro, havia também um entendimento relativamente consensual: a atuação da Susep foi considerada rápida e adequada diante do cenário identificado. Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a decisão foi cautelosa e não representa risco sistêmico para o setor. A avaliação predominante entre executivos é que o caso é pontual e decorre de falhas específicas de subscrição e disciplina técnica, e não de fragilidade estrutural do mercado.

A própria Susep destacou que a liquidação “não representa risco de impacto sistêmico” e afirmou que o mercado possui capacidade para absorver as garantias atualmente vinculadas à companhia. Mesmo assim, a lembrança de episódios recentes envolvendo instrumentos financeiros elevou a sensibilidade sobre o tema.

O seguro garantia vinha consolidando espaço como alternativa à fiança bancária, em uma trajetória de crescimento sustentada pela maior flexibilidade e custos competitivos. “É ruim porque alguém terá de cancelar uma apólice, algum garantido vai reclamar e pode desacreditar do mercado. O seguro garantia cresceu muito justamente por ser alternativa à fiança bancária”, avaliou outra fonte ouvida durante o evento. 

Outro ponto que gerou questionamentos foi a estrutura operacional permitida para atuação da companhia. Entre executivos, chamou atenção o fato de uma seguradora operar com baixo nível de capital em um segmento que exige capacidade técnica e financeira robusta. “Me surpreende ainda existir uma seguradora operando com apenas R$ 4 milhões de capital. É muito baixo para o porte dos riscos assumidos”, disse uma fonte. 

Dados apresentados pela Susep reforçam o tamanho da preocupação. Das cerca de mil apólices emitidas pela companhia, apenas 275 teriam sido contratadas dentro das regras. Aproximadamente 740 precisariam de regularização por terem sido emitidas fora da área autorizada ou acima dos limites permitidos. 

O desafio agora, avaliam participantes do encontro, será transformar uma crise pontual em demonstração de maturidade institucional. A expectativa é que o mercado encontre uma solução coordenada para absorver contratos, preservar segurados e evitar que um caso isolado deixe marcas permanentes em um setor que ainda possui amplo espaço para crescer no Brasil.

Ariel SSPE estreia em Letras de Risco de Seguro e mira até R$ 100 bilhões em emissões no Brasil

A terceira estrutura brasileira voltada à emissão de Letras de Risco de Seguro (LRS) chega ao mercado em um momento considerado estratégico para o desenvolvimento de instrumentos alternativos de transferência de riscos no país. Depois de Andrina, do IRB, e da Galapagos Capital, a Ariel SSPE nasce com a proposta de conectar o mercado de seguros ao de capitais e ampliar a oferta de proteção em um cenário de aumento de eventos climáticos extremos, maior sofisticação do setor e crescente interesse de investidores por ativos descorrelacionados.

A empresa será comandada por Aline Meza, executiva que atuou como subscritora do IRB Brasil Re e participou da estruturação da primeira emissão de LRS do país. A chegada da Ariel ocorre após as primeiras iniciativas do mercado brasileiro começarem a tirar do papel um modelo amplamente consolidado em mercados como Estados Unidos e Europa, especialmente para cobertura de riscos catastróficos. O objetivo das LRS é permitir que riscos tradicionalmente absorvidos pelo mercado segurador sejam parcialmente transferidos ao mercado de capitais, criando uma fonte adicional de capacidade financeira.

Para Aline Meza, quatro fatores explicam o momento favorável ao lançamento da nova empresa. O primeiro deles é o avanço regulatório. Segundo a executiva, a Resolução CNSP nº 453, de 2022, criou um ambiente adequado para constituição e operação de SSPEs, acompanhado de apoio institucional ao desenvolvimento do segmento.

O segundo fator é o próprio crescimento global do mercado de Insurance Linked Securities (ILS). Segundo ela, esse capital alternativo já representa entre 15% e 25% do capital total dedicado ao resseguro no mundo. “Não há como ignorar que o ILS/LRS virou não só realidade, mas rotina em mercados historicamente tradicionais”, afirma.

Durante o Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, realizado pela CNseg e pela Fenaber, a executiva destacou a evolução da cultura de transferência de riscos no Brasil. Desde a abertura do mercado de resseguros, há cerca de 18 anos, seguradoras passaram a utilizar estruturas mais sofisticadas e acumularam experiências relevantes, incluindo eventos catastróficos locais e internacionais. Segundo Aline, isso elevou a maturidade técnica e criou espaço para inovação. “Crises recentes, variações cambiais e movimentos nas taxas de juros trazem apetite e vontade do investidor em encontrar formas diferentes de investimento”, afirma.

A experiência acumulada na primeira operação de LRS do país também molda a estratégia da nova companhia. Aline participou diretamente da estrutura pioneira e considera que a experiência mostrou o potencial do instrumento, mas também revelou desafios importantes de educação do mercado.

“Esta experiência só confirmou o que já imaginava: este é um instrumento extremamente poderoso e que só tem a contribuir com o mercado”, afirma. Segundo ela, ainda existe um trabalho intenso a ser realizado tanto junto ao setor de seguros quanto ao mercado de capitais, especialmente para ampliar o uso das estruturas em linhas como agro, patrimonial, marine e seguros paramétricos.

A Ariel pretende operar de forma independente, com foco em divulgação, educação e estruturação de operações sob medida. “Construiremos a Ariel SSPE focados na estruturação de títulos tailor-made que alinhem necessidade do mercado de seguros com o apetite do mercado de capitais”, afirma.

Segundo ela, o Brasil vive um estágio semelhante ao observado há décadas em mercados mais maduros. O aumento da frequência de eventos climáticos extremos e a necessidade de ampliar a capacidade de proteção podem acelerar a adoção dessas soluções. “O mais importante é que esses instrumentos não substituem o mercado tradicional. Eles se mostram um capital adicional e complementar”, diz.

Do lado dos investidores, a percepção também estaria mudando. Segundo Aline, desde a primeira emissão houve evolução no entendimento sobre a relevância e funcionamento das LRS. A expectativa é atrair principalmente investidores institucionais, family offices e fundos de investimento. Na Ariel, um dos investidores é Rodrigo Botti, especialista neste tempo há anos e que agora comanda a área de resseguros da corretora Lockton.

Ela afirma que há sinais de aquecimento tanto entre seguradoras quanto investidores. Além da busca por diversificação, outro vetor relevante é o componente ESG ligado à proteção e adaptação frente aos impactos climáticos.

As ambições da Ariel também são elevadas. A empresa estima que o mercado brasileiro de Letras de Risco de Seguro possa alcançar entre R$ 30 bilhões e R$ 100 bilhões em emissões anuais nos próximos anos, patamar próximo ao observado em instrumentos de securitização já consolidados, como CRIs e CRAs.

“Temos a ambição de posicionar a Ariel como uma das principais emissoras desse mercado nascente”, afirma Aline. A executiva vê ainda potencial para o Brasil se tornar uma referência regional no segmento. Segundo ela, investidores internacionais têm demonstrado interesse crescente por riscos fora dos mercados tradicionalmente concentrados nos Estados Unidos e Europa.

Esse interesse pode abrir uma nova fronteira para o mercado segurador brasileiro: a criação de uma ponte mais estruturada entre proteção, resseguro e mercado de capitais. Em um país que historicamente não era percebido como catastrófico, mas que passou a conviver com eventos extremos de maior frequência, o desafio pode ser transformar necessidade em oportunidade.

Governo prevê aumento da demanda com debates mais maduros

A construção das primeiras Letras de Risco de Seguro no Brasil exigiu mais do que uma inovação financeira. O processo envolveu adaptações regulatórias, jurídicas, operacionais e até culturais para transformar em realidade um instrumento amplamente utilizado no exterior, mas ainda inédito no mercado brasileiro.

Durante debate realizado em evento do setor de resseguros, executivos e representantes do governo destacaram que a jornada ainda está em construção e que muitos ajustes devem surgir à medida que o mercado evoluir.

Para Vinicius Brandi, subsecretário de Reformas Microeconômicas e Regulação Financeira do Ministério da Fazenda, a publicação da norma foi apenas o ponto de partida. “O debate regulatório não se encerra quando a norma é publicada no Diário Oficial. Na verdade, ele se intensifica”, afirmou. Segundo ele, o processo vem produzindo aprendizados e levantando novos questionamentos relacionados à governança, tributação, estrutura das SSPEs e participação de diferentes órgãos reguladores.

Brandi afirmou ainda que a evolução do instrumento poderá trazer novos desafios à medida que a estrutura avance para riscos mais sofisticados. “Tudo bem quando falamos de riscos mais próximos do mercado financeiro, como seguro garantia. Mas novas perguntas surgirão quando migrarmos para riscos mais complexos, mais próximos da origem dos cat bonds”, disse.

Na avaliação de Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter, o Brasil possui características distintas dos mercados onde esses instrumentos nasceram e isso exige adaptações locais. “A gente não pode simplesmente repetir uma equação que funciona em outros mercados e assumir que ela funcionará aqui”, afirmou. Segundo ele, enquanto cerca de 95% das emissões globais continuam concentradas entre Estados Unidos e Europa, o Brasil precisa encontrar aplicações alinhadas às suas necessidades específicas.

Farme destacou que o país possui oportunidades em segmentos como seguro garantia, infraestrutura, crédito de carbono e proteção financeira, criando espaço para desenvolver estruturas próprias. “O mercado de capitais brasileiro é sofisticado e acostumado a trabalhar riscos. Existe espaço para inovação”, afirmou.

Emerson Medeiros, officer institucional do Itaú, relatou que o maior desafio da primeira operação foi justamente transformar um conceito internacional em algo compreensível e operacional no Brasil. “Foi preciso traduzir a linguagem do seguro para a do mercado de capitais”, afirmou. Segundo ele, explicar ao investidor que existe a possibilidade de perda parcial ou total do capital diante de determinados eventos gerou resistência inicial e exigiu um trabalho extenso de educação do mercado.

Antes da primeira emissão sair do papel, o grupo passou cerca de dois a três anos em conversas com gestores e participantes do mercado.”Todo mundo dizia que seria revolucionário. Mas a dúvida era como fazer funcionar”, afirmou Medeiros. Segundo ele, a estrutura demandou adaptações em bancos, processos internos, infraestrutura de mercado e na própria B3. O trabalho envolveu interações entre Susep, Ministério da Fazenda e diferentes agentes do sistema financeiro. “Todo mundo olhou na mesma direção para mostrar ao mercado que era um produto replicável”, disse.

Resseguro entra em fase de maior competição e amplia espaço para novos negócios no Brasil

cnseg encontro de resseguros

O mercado de resseguros iniciou nesta terça-feira (19) no Rio de Janeiro uma das suas principais agendas do ano em um momento considerado favorável para expansão dos negócios no Brasil. Em um cenário de ampla oferta global de capital e elevada capacidade disponível para absorção de riscos — conhecido no setor como mercado soft — executivos, reguladores e lideranças do setor de seguros e resseguros defendem que o país vive uma janela de oportunidade para ampliar produtos, estimular novos participantes e avançar em áreas ainda pouco exploradas pela indústria.

O tema permeou a abertura do Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com a Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), que reúne seguradoras, resseguradoras, corretores e especialistas brasileiros e internacionais. Mais do que discutir renovação de contratos e tendências técnicas, o evento deste ano ocorre em meio a uma combinação de fatores que pode redefinir a dinâmica concorrencial do mercado local.

Na prática, o ambiente atual é marcado por maior disponibilidade de capacidade de resseguro global e menor pressão de preços após ciclos recentes de endurecimento. O movimento amplia o acesso ao capital e cria condições para que seguradoras avancem em nichos ainda pouco desenvolvidos no Brasil, sobretudo em segmentos com baixa penetração, riscos especializados e áreas historicamente marcadas por exclusões de cobertura.

O tema ganhou relevância porque, tradicionalmente, o resseguro funciona como o mecanismo que dá sustentação financeira às seguradoras para assumir riscos de grande porte ou de maior complexidade. Quanto maior a capacidade disponível, maior tende a ser o espaço para o desenvolvimento de novos produtos, aumento da concorrência e ampliação do acesso à proteção.

Na abertura do encontro, a presidente da Fenaber, Rafaela Barreda, classificou o resseguro como “a engrenagem silenciosa da resiliência”, destacando seu papel na sustentação de investimentos e da atividade econômica em cenários mais instáveis. Segundo ela, o setor atravessa uma fase de transformação profunda, impulsionada por avanços regulatórios, inovação tecnológica e crescente sofisticação da gestão de riscos.

Entre as áreas apontadas como prioritárias estão infraestrutura, agronegócio, mudanças climáticas e riscos cibernéticos. “Sem resseguro, não há ponte que se erga, não há safra que se garanta, não há investimento que se sustente”, afirmou a executiva ao defender o papel estrutural do segmento para a economia.

O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, reforçou que o mercado brasileiro ainda possui amplo espaço de crescimento e chamou atenção para os chamados “vazios de proteção”, sobretudo em seguros inclusivos, infraestrutura e cobertura para novas demandas. Segundo ele, o desafio vai além de ampliar capacidade: passa também pela criação de soluções mais acessíveis e aderentes à realidade econômica do país. “Ainda temos riscos declinados, como o setor têxtil, o que mostra o quanto temos de avançar com o apoio de todos os integrantes deste grande ecossistema do setor de seguros”.

A discussão ocorre em um país que ainda convive com forte subpenetração em seguros e com riscos que permanecem parcialmente descobertos ou com baixa oferta de proteção. A combinação entre maior apetite de capital global e necessidade de expansão do mercado local passou a ser vista por parte dos participantes como uma oportunidade para estimular inovação e aumentar a competição.

O superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, afirmou que o mercado brasileiro de resseguros ainda é pequeno diante das dimensões da economia nacional e defendeu estratégias para ampliar sua escala. Segundo ele, fortalecer seguros e resseguros significa aumentar a capacidade de investimento e a resiliência econômica do país. Ele trouxe também uma grande esperança para quem aguarda o sinal verde para o lançamento do Universal Life, um seguro com acumulação e risco. “Nos reuniremos novamente com a Receita Federal e estamos otimistas por estas conversas estarem acontecendo”, disse.

A crise climática foi um dos temas mais presentes na abertura do evento. Para os participantes, os impactos de eventos extremos já impõem ao setor a necessidade de novas estratégias de compartilhamento de riscos, inovação regulatória e cooperação entre mercado privado e poder público. Octaviani afirmou que o país precisa construir uma estratégia ampla de resiliência climática, reconhecendo que o mercado privado tem papel essencial, mas não conseguirá absorver sozinho toda a complexidade dos riscos envolvidos.

Ele informou ainda que um grupo de trabalho da Susep deverá concluir, ainda neste semestre, documento que servirá de base para novas discussões sobre mecanismos de compartilhamento de riscos e fortalecimento da proteção securitária no país. Na sequência, a autarquia deverá criar um grupo de trabalho voltado à relação entre seguros, resseguros e infraestrutura. A proposta, segundo Octaviani, é fazer com que o setor funcione como “infraestrutura da infraestrutura brasileira”, ajudando a destravar investimentos, ampliar garantias e fortalecer a segurança econômica dos projetos.

Brasesul 2027 será realizado em Joinville e promete edição histórica para o mercado de seguros no Sul do país

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Realizado pela união entre Sincor-SC, Sincor-PR e Sincor-RS, o evento terá Santa Catarina como estado anfitrião. Os organizadores já iniciaram uma agenda de visitas e benchmarking em grandes eventos nacionais e internacionais. Nesta semana, Gelson Walker, CEO da organizadora do evento Tô Indo Viagens e Eventos, está em Las Vegas em busca de referências sobre tecnologia, transmissão, conforto e experiência do público, trazendo insights que transformarão a edição de 2027 em uma das mais inovadoras da história do evento.

A escolha por Joinville considerou atributos estratégicos para receber executivos de todo o Brasil para um evento desta magnitude. Considerada uma das principais economias do Sul, Joinville possui infraestrutura hoteleira consolidada, ampla rede gastronômica, mobilidade e capacidade para grandes eventos corporativos.

EXPOVILLE, O PALCO DO BRASESUL 2027

A Expoville é reconhecida como um dos maiores e mais completos centros de convenções e exposições do Sul do Brasil. Localizada às margens da BR-101, em uma posição estratégica de fácil acesso para os três estados do Sul, conta com mais de 210 mil m² de área total e com capacidade para até 2 mil veículos, preparados para receber grandes feiras, congressos e eventos corporativos. 

Além da infraestrutura interna, a Expoville está próxima de importantes aeroportos da região Sul, fortalecendo ainda mais a capacidade logística e receptiva do evento. 

Nos próximos meses, a organização divulgará novas informações sobre programação, palestrantes, inscrições e experiências preparadas para esta edição.

Seguros Unimed reúne 400 corretores para exibições de cinema em quatro capitais brasileiras

São Paulo 16 de maio de 2026 | Seguros Unimed | Sessão de cienama para corretores | FOTO Nilton Fukuda

A Seguros Unimed, braço segurador e financeiro do Sistema Unimed, promoveu no último final de semana uma experiência coletiva, com sessões exclusivas do longa-metragem “O Diabo Veste Prada 2”. A mobilização reuniu 400 corretores de seguros, parceiros estratégicos na promoção do cuidado e proteção, seja no presente ou em riscos futuros. A escolha do longa, conhecido por abordar temas como dedicação, estratégia e o ritmo exigente do mercado, serviu como metáfora para a alta performance e o nível de consultoria que a Seguros Unimed espera de seus parceiros no ecossistema segurador.

O momento de descontração para valorizar a confiança e o trabalho dos consultores aconteceu em quatro cidades: São Paulo, Salvador, Brasília e São Luís. A capital paulista liderou o engajamento com 144 convidados, seguida pelos soteropolitanos (108), Distrito Federal (90) e a metrópole maranhense (58).

“A Seguros Unimed vê nesses especialistas verdadeiros educadores e consultores, indispensáveis para o crescimento sustentável de todo o ecossistema segurador. Mais do que uma celebração, o encontro nas salas de cinema proporcionou um valioso momento de confraternização e networking entre os profissionais”, conta Dirceu Vieira, gerente de trade marketing da seguradora. 

Essa união complementa o planejamento abrangente da companhia, que visa aprimorar a compreensão sobre o estilo de vida, o capital e as demandas patrimoniais de cada segurado para garantir ofertas altamente personalizadas.