Após mais de 15 anos operando no Brasil como resseguradora eventual a partir de escritórios no México e no Chile, a mexicana Pátria Re decidiu dar um passo estratégico para ampliar sua presença no país. O grupo, que participa nesta semana do Encontro de Resseguros, no Rio de Janeiro, escolheu o executivo Ronaldo Pinelli para liderar a construção da operação local e transformar o Brasil em um dos pilares de seu plano de expansão internacional.
A movimentação ocorre em um momento em que os acionistas querem acelerar o crescimento global da companhia. O plano estratégico prevê dobrar o volume de prêmios até 2030, saindo dos atuais US$ 1,1 bilhão para US$ 2 bilhões. Dentro desse projeto, o Brasil aparece como uma das principais apostas ao lado dos Estados Unidos e Europa.
“Hoje temos cerca de US$ 70 milhões em prêmios no Brasil. Não somos pequenos, mas ainda temos uma participação reduzida em um mercado de aproximadamente US$ 6 bilhões. O Brasil será um grande player nesse crescimento dos próximos anos”, afirma Ronaldo Pinelli, country manager da Pátria Re no Brasil.
A empresa chega ao país com uma estratégia diferente da adotada anteriormente. Embora continue operando como resseguradora eventual, modelo que a companhia não pretende alterar, a presença física passa a ser vista como diferencial competitivo.
Pinelli assumiu o cargo há apenas dois meses, depois de uma trajetória de 11 anos no IRB, onde ocupava a diretoria global de contratos. Sua missão inclui estruturar uma equipe local enxuta, de aproximadamente seis ou sete profissionais focados em subscrição e relacionamento comercial. Toda a operação de backoffice, processamento de prêmios e sinistros continuará centralizada no México.
“O investimento é muito mais em pessoas e presença local. Já percebemos nas conversas como muda a relação quando há alguém no Brasil falando a mesma língua e entendendo a cultura”, afirma. Hoje a carteira brasileira está concentrada principalmente nos segmentos de garantia e property, mas a intenção é diversificar. A companhia mira crescimento em marine cargo, agronegócio, equipamentos, responsabilidade civil, linhas financeiras e também no mercado facultativo — área em que a Pátria ainda possui atuação limitada no país.
O avanço em facultativos, segundo Pinelli, deverá ser uma das novidades da operação brasileira. O objetivo é montar capacidade local para capturar demandas específicas das seguradoras, especialmente em riscos patrimoniais e corporativos.
Apesar do ambiente competitivo do resseguro, Pinelli avalia que o Brasil ainda apresenta amplo espaço para expansão. O executivo cita o surgimento de novas seguradoras, modelos digitais e MGAs como fatores que ampliam oportunidades. “Temos apoiado muitas operações desde o início e isso cria relacionamentos de longo prazo. O mercado brasileiro ainda possui muito potencial a explorar”, afirma.
Segundo ele, a marca já chega com reconhecimento relevante entre seguradoras e grandes corretores globais. Cerca de 80% dos negócios da Pátria Re vêm da América Latina, região onde a companhia possui forte atuação histórica. Fundada há 73 anos, a empresa mantém origem familiar mexicana e opera hoje em México, Chile, Brasil e Londres.
A presença física no Brasil também fecha um movimento geográfico importante para o grupo: reunir estruturas próprias nos três maiores mercados latino-americanos — México, Brasil e Chile. “Hoje cobrimos os três maiores mercados da América Latina com presença local. Isso fortalece muito nossa relação com clientes e parceiros”, afirma Pinelli.
O executivo observa que, embora o Brasil historicamente seja menos exposto a eventos catastróficos do que o México, episódios recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, mostram que o mercado local também passou a conviver com novos tipos de riscos. Essa combinação entre crescimento, baixa penetração e necessidade crescente de proteção ajuda a explicar o apetite da companhia. “Para a Pátria Re, a aposta está feita: crescer no Brasil, mas sem abrir mão da disciplina técnica que permitiu à companhia registrar índice combinado abaixo de 90% nos últimos oito anos”, finaliza o executivo.
















