O IRB (RE) avança na estratégia de ampliar sua presença além do resseguro e prepara a entrada da sua seguradora no mercado brasileiro. A operação, que ainda depende do sinal verde da Superintendência de Seguros Privados (Susep), deverá iniciar atividades a partir de julho, segundo Fred Knapp, CEO da nova companhia. O projeto representa mais um movimento na estratégia do grupo de ampliar presença no seguro primário e criar novas avenidas de crescimento.
Para acelerar a estruturação da operação, a companhia reforçou recentemente o time com dois nomes de peso do mercado. Santiago Arellano, executivo com passagem pela AIG, assumirá a liderança de subscrição, enquanto Cristiane Abdala ficará responsável pelas áreas de operações e sinistros. “O projeto é importante para o IRB. Precisávamos ter um pé também no seguro primário”, afirma Knapp.
A nova companhia começará com foco em riscos corporativos. Na largada, a estratégia prevê atuação em riscos nomeados, riscos operacionais, patrimonial e engenharia — linhas tradicionalmente voltadas ao segmento empresarial e que exigem forte especialização técnica. “A princípio vamos iniciar com riscos nomeados, riscos operacionais, patrimonial e engenharia. São os três focos iniciais”, afirma o executivo.
A estrutura terá apoio direto do IRB Brasil Re na capacidade de resseguro. Segundo Knapp, a proposta aproveita a musculatura do grupo, sem abrir mão de mecanismos de dispersão de riscos. A chegada da seguradora ocorre em um momento considerado favorável para novos projetos no mercado. O setor atravessa uma fase de maior oferta de capacidade em resseguro, aumento da competição e busca por novos nichos de crescimento.
Knapp, que está há cerca de um ano e meio no IRB e assumiu em abril a liderança do projeto, afirma que a companhia trabalha há meses na estruturação da iniciativa. Além da equipe, sistemas e plataformas operacionais já estão preparados para o início das atividades. Mas os planos não param na estreia. O segundo semestre deverá trazer novos anúncios e a ampliação gradual do portfólio. “A partir de um segundo momento vamos avaliar outras linhas”, afirma.
Entre os segmentos em análise aparecem oportunidades como seguro garantia e outros ramos corporativos, embora a definição ainda esteja em discussão. O projeto também se conecta a uma visão mais ampla de expansão do grupo. Embora o IRB tenha reforçado nos últimos anos o foco no mercado brasileiro, a operação continua mantendo atividades internacionais em regiões como América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia.
Além da seguradora, o executivo acompanha a evolução do mercado de Insurance Linked Securities (ILS), por meio de outra empresa do IRB, a Andrina, com estrutura que permite captar recursos de investidores para cobertura de determinados riscos, especialmente de natureza catastrófica. O modelo ainda depende de ajustes regulatórios no Brasil. “Existe um custo regulatório elevado e algumas discussões estão sendo feitas para construir uma regulação mais específica”.
















