O mercado de resseguro brasileiro amadurece

Não pude cobrir pessoalmente a 3 ª Conferência Brasileira de Resseguros no Rio de Janeiro. Infelizmente. Mas em conversas com quem participou e lendo os textos publicados no site da revista inglesa Reactions, que promoveu o evento, trago aqui um resumo do que aconteceu nos dois dias de debates sobre os três anos de abertura do mercado de resseguros brasileiro.

O mercado de resseguros no Brasil deverá triplicar até 2030, segundo especialistas que participaram do evento promovido nos dia 24 e 25 de março. Em volume de faturamento, isso significa passar dos US$ 2,4 bilhões de 2010 para US$ 7,2 bilhões até 2030. Muitos consideram essa expectativa para lá de conservadora diante dos milionários investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do Brasil, sede da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.

O seminário aconteceu justamente na semana em que governo e iniciativa privada discutiam mudanças significativas nas regras do resseguro. As resoluções 224 e 225 foram editadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) em dezembro. A 224 veta o repasse de contratos de resseguros entre empresas do mesmo grupo e a 225 exige que 40% do contrato sejam obrigatoriamente colocados com resseguradoras locais, ou seja, estabelecidas com companhias aberta no país.

Tais mudanças, que podem para alguns ser banais, tem o poder de mudar o destino de uma indústria caso estejam muito fora do que é praticado mundialmente. Tanto a liberdade total não foi benéfica no caso da Argentina, na década de 90, levando o ressegurador estatal à falência, como também muitas restrições acabam por desproteger o país como avaliou o estado de Nova York. Após os atentados de 11 de setembro, o estado reduziu as restrições para que as resseguradoras estrangeiras pudessem assumir mais riscos demandados pelo novo cenário de globalização e interligação das economias.

As seguradoras estrangeiras, que trouxeram para o Brasil o braço de resseguros do conglomerado, utilizaram todo o peso das entidades internacionais para influenciar o governo brasileiro. Conseguiram o adiamento da validade das regras, passando de janeiro para o final de março. Com dois meses de discussão, conseguiram também flexibilizar um pouco a restrição inicial de repasse dos contratos de resseguros entre empresas do mesmo grupo. A primeira versão da resolução 224 era de que uma seguradora não poderia repassar absolutamente nada para a resseguradora do mesmo grupo contratos de resseguro. Uma proposta de 20% foi colocada na mesa de discussão. Na última versão conhecida, o limite chegava a 40%, excluindo dessa reserva contratos de seguro garantia, de crédito e rural.

As seguradoras estrangeiras agora finalizam a criação de uma associação para defender seus interesses diante de proteções consideras inconstitucionais por advogados renomados no país. Ainda lutam para o adiamento das regras e trabalham em novas propostas, como a tributação, cronograma de novos investimentos, oferta de capacidade para riscos complexos como pré-sal e um roteiro de autoregulamentação do setor.

Segundo vários executivos, a 224 foi feita para beneficiar o IRB Brasil Re, que vinha perdendo mercado diante da competição natural de um mercado recém aberto. Um dos motivos é o custo administrativo. Enquanto o IRB tem 500 funcionários, as resseguradoras estrangeiras operam com um numero infinitamente menor, que sequer chega a 50 no caso daquelas que abriram uma resseguradora local. Já as admitidas, contam com um numero que não chega a 20 funcionários, por usarem a infraestrutura da matriz.

Leonardo Paixão, presidente do IRB-Brasil Re, maior resseguradora local do Brasil, defendeu as mudanças nas regras do resseguro, limitando o repasse de contratos de resseguros entre empresas do mesmo grupo. Segundo divulgou a revista inglesa Reactions, que promoveu a Conferência Brasileira de Resseguros do Brasil, o executivo disse durante palestra que “depois de observar algumas práticas que eram quase clandestine, órgão regulador decidiu agir para conter tais abusos”.

Paixão disse a plateia que as restrições visam proteger os resseguradores locais e não o IRB. “Temos de ter um mercado local de pelo menos 40%. Acreditamos que teremos mais resseguradores locais com as regras e que ninguém deixará o país”, acrescentou Paixão.

Caso as negociações avancem dentro do que os estrangeiros solicitam, é praticamente certo a transformação de seis grandes grupos da categoria ressegurador admitido para ressegurador local, segundo uma influente fonte do setor. Ou seja, cada uma delas teria de aportar R$ 60 milhões como capital mínimo, além do investimento em contratação de pessoas e tecnologia.

Uma das formas de tornar o IRB mais competitivo, segundo o presidente Paixão, é internacionalizar o ressegurador que após quase 70 anos de monopólio vem se adaptando para competir num mercado aberto. “A proteção do IRB está na modernização da empresa e na internacionalização”, disse aos executivos presentes.

Apesar de tudo, otimismo se mantém em alta

Apesar das discussões e demonstrações de descontentamento com a atitude do governo, as empresas se mantêm otimistas e confiantes sobre as oportunidades de longo prazo em uma das economias que mais cresce no planeta.

De acordo com os painelistas do evento, o mercado do Brasil já percorreu um longo caminho desde a abertura, em 2008. E agora luta para corrigir imperfeições e assim ajustar-se para acompanhar o crescimento da economia, que entre os BRICs (Brasil, Rússia, índia e China) é o que mais tem atraído investimentos estrangeiros, perdendo apenas para a China, considerada o motor do mundo com seus mais de 1,6 bilhão de habitantes que começam a ingressar no mundo do consumo.

Segundo avaliação de vários palestrantes durante o disputado evento, as grandes empresas consumidores de seguros, que por quase 70 anos foram obrigadas a comprar resseguro do IRB Brasil Re, beneficiaram-se da concorrência gerada com a entrada de 96 resseguradores internacionais, que trouxeram especialização, técnica e preço diferenciados.

Segundo Luiz Alberto Pestana, vice-presidente da UBF Seguros, em 2007, a grande pergunta era se a abertura seria boa ou ruim para o país. “Costumávamos responder depende. Será boa para os bons riscos e ruim para os rmaus riscos. O que temos hoje é no mínimo um mercado mais justo”, opinou. Pestana.

Jacques Bergman, presidente da Fairfax Brasil, relatou que houve uma completa mudança nos preços porque as resseguradoras internacionais trazem uma abordagem mais técnica para a subscrição. “Hoje os preços são completamente diferentes do que eram quando o mercado era monopolio do IRB, pois estamos em um mercado aberto”, diz Bergman em sua palestra.

Segundo Phillipe Rochaix, presidente da XL Re Latin America, a principal mudança veio com a possibilidade das resseguradoras poderem usar suas técnicas para calcular o preço de acordo com o risco apresentado e ofertar coberturas diferenciadas para atender as necessidades de proteção dos clientes.

Com um cálculo mais apurado de levantamento de probabilidades e histórico de prevenção e de acidentes, as empresas que investem em gerenciamento de risco e um histórico de poucos acidentes têm taxas mais baixas. “Os riscos ruins têm taxas mais altas porque tem um histórico de perdas”, informa Bergman.

Ajustes fazem parte do desenvolvimento do mercado

O otimismo não retira as criticas das alterações no setor com as resoluções 224 e 225. “Acreditamos que isso vai contra a prática internacional”, disse Benjamin Gentsch, CEO adjunto da Scor Global P&C, informa a Reactions. “Nós acreditamos que é preciso haver uma discussão entre o governo e a indústria de seguros e resseguros. A tendência de perdas do mercado internacional com as recentes catástrofes podem agravar ainda mais a situação para o Brasil em caso de ser aprovada regras restritivas a atuação dos estrangeiros.

“A indústria de resseguros é caracterizada pela pulverização global do risco”, comenta Gentsch, afirmando não ser contra as regulamentações brasileiras. “Mas é preciso ter coerência, como Austrália, Nova Zelândia e Japão. Países que sofreram com catástrofes recentes e contam com seguro para ajudar na reconstrução”.

Segundo Philippe Rochaix, presidente e CEO da XL Re Latin América, disse em sua palestra que a mudança de regra no Brasil atrapalha a eficiência do setor. “A principal regra do resseguro é a pulverização do risco em todo o mundo”, disse ele. “O Brasil tem a chance de se tornar um centro de resseguros na América Latina, desde que haja coerência na regulamentação”.

Nick Metcalf, CEO da Liberty Syndicates, ponderou que mudanças nas regras são típicas de mercados recém abertos. “Eu não acredito que o protecionismo é a palavra correta, mas é importante que as regras não sejam discriminatórias. Tenho certeza que p tema será mais debatido para que se encontre uma solução eficaz para o Brasil”.

Para Metcalf, em um mercado recém aberto é natural que alguns players tenham mais apetite do que outros e atuem com uma estratégia agressiva para obter volume. “Vimos isso em vários países que liberalizarem seus mercados. E como resultado, temos um mercado maduro, onde se destacam as empresas que apostaram nas relações de longo prazo e a saída daquelas que optaram por um estratégia de curto prazo”.

Para o CEO da Liberty Syndicates, o mercado de resseguros no Brasil, com prêmios de US$ 2,6 bilhões, é pequeno para as 96 resseguradoras autorizadas a operar localmente. “Mas isso é uma das características de uma pós-mercado liberalizado”, disse ele, segundo informa a reportagem da Reations.

“Como as coisas se acalmam, vamos encontrar os números diminuem. É um mercado gato não para que haja um pouco mais de transparência nos resultados, e como as empresas vêem os problemas de rentabilidade que vem através de pessoas vão sair. ”

Gentsch, da Scor, comentou que em outros mercado dos mundo há mais de 100 resseguradoras competindo por uma fatia do bolo e que cerca de 30, no máximo, são mais ativos nas negociações.

Demanda crescente por proteção para riscos globais

O crescimento econômico no Brasil traz um novo cenário de riscos para as empresas brasileiras, onde as apólices de interrupção de negócios e responsabilidade civil tem um grande potencial para se desenvolverem, acredita Florian Kummer, executivo da Liberty Syndicates, braço de resseguros do grupo Liberty Mutual e um dos principais sindicatos do Lloyd’s of London, segundo reportagem publicada pela Reactions.

O seguro de lucro cessante tem sido mais demandado por empresas que tem cadeias complexas de suprimentos, como as indústrias químicas e automotiva. Já o seguro de responsabilidade civil vem de encontro as necessidades da indústria de construção civil, onde o seguro de produtos e de danos ambientais são essenciais para garantir a sustentabildiade dos negócios.

Para Florian, a grande vantagem da Liberty está na técnica de subscrição. Por serem produtos inovadores para o país, quem tiver mais capacidade de fazer uma boa subscrição conseguirá se destacar com produção e com rentabilidade.

Dicas para gerenciar o Cisne Negro

Hoje o consultor Francisco Galiza fez uma análise bem interessante sobre um estudo da Aon Risk Service, que se destaca mundialmente pelos serviços prestados aos clientes que a fazem ser a maior corretora de seguros do mundo. O estudo “Keys to Success in Managing a Black Swan Event”, ou caminhos para ter sucesso no gerenciamento do Cisne Negro, traz importantes recomendações às empresas.

“Não é uma crítica cinematográfica para falar do último filme da Natalie Portman, quando ela ganhou o Oscar de melhor atriz. A expressão “Cisne Negro” foi primeiramente popularizada pelo consultor Nassim Taleb (“A lógica do Cisne Negro”, publicado no Brasil) para se referir àquelas situações altamente improváveis de acontecer e que têm um alto impacto (emocional, financeiro, etc) quando ocorrem”, explica Galiza, em tom de brincadeira.

No sentido econômico, o estudo questiona sobre o que fazer diante de um vazamento de petróleo como o Golfo do México e, agora, o terremoto e o tsunami no Japão. “Há algo a ser feito?”, questiona o consultor. O trabalho contraria o que maioria diz, de que é difícil de se preparar nestas circunstâncias. Por isso dá algumas dicas de como uma empresa deve agir, tendo a comunicação como um dos pontos chaves no sucesso do gerenciamento do Cisne Negro de cada um. “Muitos podem dizer que algumas dessas dicas são óbvias. Entretanto, na hora do “cisne negro”, elas podem ser esquecidas”, alerta Galiza.

1) Equilíbrio emocional é o começo de tudo. A liderança deve estar preparada e consciente desse fato.

2) Formação de um equipe multidisciplinar para enfrentar o problema. Contadores, economistas, corretores de seguros entre outros especialistas.

3) Juntar a equipe de engenharia com a equipe de pesquisa e desenvolvimento. Um exemplo citado no texto é o do filme “Apolo XIII”, com Tom Hanks. Os cientistas tiveram que descobrir uma maneira de ajustar um filtro quadrado em um forma circular.

4) Velocidade e agilidade na tomada de decisões.

5) Otimizar comunicações. Não adianta ter conteúdo se isso não é transmitido de modo eficiente.

A íntegra do estudo pode ser acessada no link http://www.aon.com/attachments/risk-services/Manage_Black_Swan_Even_Whitepaper_31811.pdf

Allianz faz acordo com Banco Popular, na Espanha

O Banco Popular, o terceiro maior banco da Espanha com ações negociadas em bolsa, e grupo alemão Allianz, maior seguradora da Europa, anunciaram hoje a criação da Allianz Popular, resultado da joint ventura entre as duas instituições. A fusão acontece no mesmo dia em que a Moodys rebaixou o rating de 30 entidades financeiras espanholas.

A Allianz terá uma participação de 60% e o Banco Popular de 40%. A avaliação inicial da joint-venture é calculada em 1,058 bilhão de euros. A nova empresa vai intensificar a presença da Allianz na Espanha no mercado de seguro de vida, pensões e na gestão de ativos. O acordo prevê exclusividade na distribuição dos produtos entre os atuais 6,3 milhões de clientes do banco por um período de 15 anos, segundo comunicado do Banco Popular enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Petrobras contrata consórcio liderado por Allianz

O jornal Valor Econômico traz hoje uma reportagem do editor Mauro Arbex sobre a disputa pelos seguros milionários da Petrobras, que a cada ano movimenta o mercado no primeiro trimestre do ano. Segundo ele apurou, foi definido, no fim da semana passada, o consórcio que será responsável pelos riscos de engenharia de novas unidades da estatal e reformas de plantas já existentes.

A reportagem informa que os seguros envolvem bens avaliados em mais de US$ 2 bilhões e prêmios às companhias da ordem de US$ 46 milhões, um dos maiores do setor. As seguradoras Allianz, com 40%, Mapfre, com 40%, e Bradesco, com 20%, ganharam a licitação para as obras de engenharia da Companhia Petroquímica do Rio (Comperj), em construção no Rio, e da Refinaria Abreu e Lima, conhecida como Refinaria do Nordeste, no município de Ipojuca, na região metropolitana do Recife, em Pernambuco. As informações são de executivos do mercado segurador, que participaram da concorrência. Em nota, a Petrobras confirmou o resultado da licitação.

O consórcio será responsável também pelas reformas nas refinarias Duque de Caxias (Reduc), no Rio, do Planalto Paulista (Replan), em Paulínia, em São Paulo, e de Gabriel Passos (Regap), situada na divisa dos municípios de Betim e Ibirité, em Minas Gerais. Participou ainda da licitação, que ocorreu há cerca de três semanas, outro consórcio, formado pela Itaú Seguros e Fator Seguradora.

Segundo apurou o Valor, é primeira vez que a Petrobras fará um contrato único para os riscos de engenharia das várias refinarias em obras e reformas. Em geral, a estatal realizava licitações separadas. “É um processo inédito da Petrobras, uma inovação, que facilita a contratação dos seguros”, afirma um dos executivos que acompanhou a concorrência. Além dos dois consórcios que entraram na disputa, a Petrobras convidou ainda outras grandes seguradoras, como a Ace, Zurich e Tokio Marine, informa esse executivo.

Além do resultado dessa concorrência, o mercado aguarda também a definição dos seguros patrimoniais, como navios, plataformas e refinarias. Essas apólices cobrem, por exemplo, a explosão de uma caldeira e garantem as operações do dia a dia da estatal. Nesse caso, conforme fontes do mercado, embora o valor segurado seja bem maior, cerca de US$ 90 bilhões, pois envolve todos os ativos da Petrobras, os prêmios deverão ser menores, já que o risco também é menor.

Uma das alternativas que vêm sendo estudadas pela Petrobras é a prorrogação do contrato feito no ano passado com o consórcio formado pela Itaú Seguros, Mapfre e Allianz, que venceu a concorrência para segurar os bens da estatal. A definição deve sair em abril, mas a Petrobras terá, antes, de consultar as empresas envolvidas e verificar se há concordância na prorrogação.

Carteira de investimento de previdência aberta chega a R$ 225 bi em janeiro, informa Fenaprevi

Enquanto muitos estão endividados, outros planejam o futuro. Pelo menos é o que podemos acreditar olhando os dados divulgados hoje pela Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que reúne 64 sociedades seguradoras e 15 entidades abertas de previdência complementar no país. A carteira de investimentos – diversas modalidades de ativos que garantem as obrigações corporificadas nas provisões – cresceu 21,47% em relação ao ano anterior, para R$ 225,2 bilhões, em comparação aos R$ 185,4 bilhões de janeiro de 2010.

Segundo nota divulgada à imprensa, a previdência privada aberta iniciou o ano em expansão, com captação de R$ 4 bilhões no mês de janeiro, consolidando aumento de 21,60%. O destaque ficou com os planos VBGL, com R$ 3,2 bilhões, alta de 22,73%, por ser um produto indicado ao investidor que não declara imposto de renda pessoa ou faz a declaração simplificada.

A arrecadação dos planos PGBL’s, indicado para quem faz a declaração completa de IR, cresceu 22,50% em janeiro e movimentou R$ 506,9 milhões. Os planos tradicionais totalizaram aportes no valor R$ 257,6 milhões no período. Outros produtos de previdência (FAPI, PGRP e VGRP) arrecadaram R$ 1,1 milhão. As seguradoras administram atualmente 11,9 milhões de contratos ativos. Segundo o balanço do setor, o número de titulares de planos que já usufruem de aposentadoria privada chegou a 76,5 mil.

A Bradesco Vida e Previdência liderou o ranking de arrecadação em janeiro de 2011 com 29,33% do total dos aportes, seguida pela BrasilPrev (27,70%), Itaú Vida e Previdência (20,29%), Santander Seguros (7,14%), Caixa Vida & Previdência (6,32%), HSBC Vida e Prev. (3,73%), Icatu Seguros (0,93%), Sul America Seg. e Prev. (0,74%), Safra Vida e Prev. (0,71%), Porto Seguro (0,55%). As demais operadoras somam, no total, 2,57% da arrecadação de aportes.

Munich Re prevê pagar US$ 2,1 bi no Japão

Apenas três empresas citaram indenizações de mais de US$ 4 bilhões para indenizar as vítimas da tragédia ocorrida no último dia 11 no Japão. “O terremoto não foi apenas o mais forte já registrado no Japão: foi também o quarto mais intenso já medido em qualquer parte do mundo”, informou Torsten Jeworrek, executivo da Munich Re, maior resseguradora do mundo, em comunicado, prestando total solidariedade ao sofrimento dos clientes e dos japoneses com o evento. Segundo estudo do Banco Mundial, as perdas econômicas no Japão deverão chegar a 4% do PIB do país, ou US% 235 bilhões, com prazo de até cinco anos para se recuperar.

A Munich Re informou nesta terça-feira suas estimativas para pagamento de indenizações aos segurados que tiveram perdas com o terremoto seguido de tsunami: 1,5 bilhão de euros (US$ 2,1 bilhões). Swiss Re havia divulgado ontem US$ 1,2 bilhão e a AIG outros US$ 700 milhões. Considerando-se as outras catástrofes naturais – enchente e ciclone Yasi na Austrália e terremoto na Nova Zelândia –, registradas no ano, as perdas da Munich Re chegam a 2,5 bilhões de euros, exatamente o lucro previsto para 2011. Com isso, obviamente a meta de lucro não será mais atingida.

A estimativa reflete apenas o uso de um sistema de quantificação de apólices e valores cobertos nas regiões afetadas. Um valor mais preciso só poderá ser apurado após algumas semanas, quando os pedidos de indenizações chegarem à companhia por parte dos segurados, bem como os serviços de limpeza e de busca possibilitarem uma avaliação mais precisa dos danos, informa a resseguradora em comunicado. Outras incertezas em relação aos valores a serem pagos estão no cálculo que ainda precisa ser feito dos prejuízos das empresas seguradas em razão da interrupção dos fluxos internacionais de bens e cadeias de abastecimento sofrido por empresas e indústrias japoneses.

As perdas de Munique Re resultam de contratos de ramos elementares e vida. Danos decorrentes dos plantas nucleares não contam com cobertura de seguros da indústria internacional, por serem subsidiados pelo governo japonês. A Munich Re está presente no Japão desde 1912. “Continuamos a ofertar a nossa capacidade para os clientes no Japão e apoiá-los no que for necessário para lidarem com as perdas”, acrescentou.

Japão já é considerado a maior perda do setor, informa a Agência Brasil

Veja abaixo a íntegra da matéria divulgada na Agência Brasil

As catástrofes registradas no Japão a partir da última sexta-feira (11) representam o maior evento de consequências indenizatórias do mercado segurador e ressegurador mundial, superando, inclusive, os atentados de 11 de setembro de 2011, nos Estados Unidos, cujas perdas somaram em torno de US$ 120 bilhões.

A afirmação foi feita hoje (16) à Agência Brasil pelo presidente do Comitê Ibero-Latino-Americano da Associação Internacional de Direito de Seguro (Cila-Aida), Sérgio Barroso de Mello. “Não há dúvida de que estamos superando esses números em muito, porque trata-se de um país que era, até bem pouco tempo, a segunda maior economia do mundo. Um país desenvolvido, com uma cultura do seguro muito forte, em que não só os bens eram segurados, mas as pessoas também tinham seus seguros individuais em capitais elevados”. A consequência natural é a busca desses segurados pelas indenizações, disse.

Depois dos Estados Unidos, o Japão é o maior produtor e consumidor de seguros do mundo. Sergio Mello avaliou que, diante dos três sinistros sofridos pelo Japão (terremoto, tsunami e vazamento de radiação nuclear), o impacto patrimonial no setor segurador e ressegurador mundial “vai ser, com certeza, o maior de todos”.

Descartou, contudo, o risco de insolvência para as empresas do setor, tal como sucedeu nos atentados contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 2001. “O seguro não é uma operação financeira. Ele é uma verdadeira ciência”. Algumas variantes utilizadas pelo setor para a avaliação do risco e sua precificação são a ciência atuarial e a pulverização de riscos. Mello explicou que essas variantes funcionam como amortizador, “um verdadeiro colchão dos prejuízos”. Isso se aplica sobretudo às operações do resseguro (seguro do segurador) e da retrocessão, que é o seguro do ressegurador.

Ele afirmou que a pulverização dos riscos em nível mundial vai facilitar o pagamento das indenizações, sem consequências danosas sobre um grupo pequeno de seguradores. Ao mesmo tempo, vai evitar uma insolvência individual e coletiva. Mello assegurou, contudo, que o impacto vai ser grande. “Muitas reservas precisarão ser utilizadas para fazer face a essas despesas”. Em relação a preços, informou que eles se baseiam na probabilidade de ocorrência de certos sinistros e no seu grau de severidade. No caso dos seguros japoneses, eles já trabalham com essas possibilidades de maneira preventiva em diversas linhas.

A exceção verificada no Japão, em que o terremoto provocou um tsunami e um acidente nuclear, será suficiente para influir no aumento do preço tanto do seguro como do resseguro. “Pode ser que algumas linhas de negócios, como riscos nucleares, sequer encontrem condições de serem segurados, porque podem se tornar, como se nota, um risco extremamente elevado. Um risco catastrófico, de proporções que o mercado segurador pode não querer mais aceitar”, observou.

Ele acredita que alguns mercados e, em especial, o nuclear, podem sofrer uma consequência ainda maior em relação ao prêmio do seguro que vai aumentar para todas as unidades industriais em âmbito mundial. Citou o caso dos Estados Unidos, da França e da Alemanha. “São países que vão sentir um aumento de prêmio substancial na área nuclear nos próximos dois a três anos”.

O presidente do comitê da Aida revelou que as exceções são mais comuns de acontecer do que se pensa. Um estudo usado durante décadas pela empresa resseguradora Swiss-Re para precificar coberturas para furacões previa que a probabilidade era de dois furacões em escala máxima (grau 5 Beaufort) aparecerem com intervalo de dez a 12 anos entre um e outro. Esse estudo perdeu a credibilidade em 2005, quando o furacão Katrina devastou o Sul dos Estados Unidos, em agosto, seguido pelo furacão Wilma, que assolou o Caribe mexicano e os Estados Unidos em outubro do mesmo ano.

“Você nota que um estudo feito dezenas de anos antes sofreu uma exceção, capaz de gerar um consequente aumento de preços naquela região, para poder recompor as reservas dos seguradores que foram comprometidas por aqueles dois eventos em série”.

Sergio Mello aposta, entretanto, que as autoridades japonesas conseguirão controlar o risco de catástrofe nuclear, possibilitando ao país se recuperar com rapidez. Avaliou que a cultura do seguro no Japão contribuirá para que isso ocorra em breve tempo, mais do que em qualquer outro país, porque o fluxo financeiro é mais rápido. A expectativa é que, após a reconstrução do Japão, o mercado local se tornará ainda mais consumidor de seguros. O mesmo se verificou na região de Manhattan, em Nova York, que viu crescer a busca por seguros nas linhas industriais, empresariais e individuais após os atentados de 11 de setembro de 2011.

Fitch alivia tensão financeira em seguros pelos danos causados pelas catástrofes no Japão

*matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

As perdas com o terremoto no Japão podem ser absorvidos pela indústria de seguros sem que haja tensão financeira generalizada, diz relatório pela Fitch Ratings. De acordo com a agência, ainda levará algum tempo para que as seguradoras e resseguradoras tenham uma verdadeira dimensão dos custos do desastre. Isso porque há uma complexidade muito grande de perdas, de uma simples apólice de automóvel até a contaminação nuclear e lucros cessantes da maior montadora de veículos do mundo.

A Fitch ressaltou em seu relatório que as estimativas de US$ 100 bilhões em perdas econômicas e de US$ 35 bilhões em indenizações, anunciadas pela AIR, levam em conta apenas o terremoto e não consideram o tsunami e nem o seguro de vida.

Entre os segmentos mais afetados, segundo a agência, estão o seguro residenciais e comercial, com danos aos imóveis, energia, marítimo, veículos e seguro de vida. Outra razão ponderada no estudo da Fitch foi o epicentro do terremoto ter sido localizado longe de cidades Tóquio ou Osaka. As áreas afetadas têm menor penetração de seguro.

Grande parte do prejuízo com os danos causados aos imóveis residenciais deverão ser pagos pelas seguradoras locais, uma vez que o governo japonês subsidiar o seguro para danos com terremoto. A Fitch cita o valor de US$ 52 bilhões de capacidade do governo para danos causados por terremotos a residências. Esse apoio do governo se dá por ser esse seguro muito caro no país e mesmo assim ter restrições. Isso faz o com que apenas algo entre 14% e 17% das moradias japonesas tenham seguro privado para danos causados por terremoto às residências.

Somente os riscos comerciais e industriais são cedidos diretamente ao mercado de resseguros global. Diferente do que ocorreu no Chile ou Nova Zelândia, onde não a subsidio para a compra de seguro contra terremoto.

Indenizações no Japão podem custar US$ 35 bi

matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br

US$ 35 bilhões. Esse é o custo estimado com indenizações que deverão ser pagas pela indústria de seguros aos segurados que tiveram perdas com a destruição causada pelo terremoto, seguido de tsnunami no Japão, segundo a AIR Worldwide, com sede em Boston. As perdas econômicas do país foram estimadas em US$ 100 bilhões. O seguro de vida é o maior na região, que movimenta prêmios de quase US$ 1 trilhão. Segundo a AIR, o país tem cerca de US$ 300 bilhões em propriedades seguradas, de acordo com a empresa de avaliação de desastres AIR Worldwide.

Os tremores ainda acontecem na região, onde o risco de acidente nuclear na região atingida é alto, segundo informaram as agências nesta manhã de segunda-feira, com contaminação de pessoas e do meio ambiente. As bolsas asiáticas fecharam em grande queda, com Tokio recuando mais de 6%, e as europeias operam em terreno negativo. Para acalmar o mercado financeiro, o governo japonês colocou mais de US$ 85 bilhões para capitalizar as instituições financeiras, que deverão sofrer bastante, tendo em vista a previsão de liquidação de algumas instituições.

As ações de resseguradoras continuam em queda, apesar dos esforços do setor em informar os investidores e analsitas de que ainda é muito cedo para prever as perdas. Munich Re, Swiss Re, Hannover Re e o grupo francês Scor perderam entre 3,5% e 5,3% na sexta-feira passada. Esse evento envolve apólices de seguros em todas as partes do mundo, de empresas que fornecem bens para o Japão. O impacto pode ser negativo, com a suspensão de investimentos ou de compras.

A Toyota, por exemplo, havia previsto investimentos superiores a US$ 600 milhões na abertura de mais uma fábrica no Brasil. Já a Usiminas poderá aumentar o fornecimento de aço para o Japão, onde cinco usinas sofreram perdas com os tremores. Ou seja, o seguro está em toda parte, seja para reconstruir os danos causados pela tragédia, seja para ofertar cobertura para tranquilizar quem ainda não havia se dado conta dos riscos da sociedade moderna.

Terremoto no Japão derruba mercado acionário mundial

matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br

O dia começa com imagens de destruição e notícias alarmantes sobre catástrofes naturais. O Japão sofre hoje com os estragos do terremoto na escala 8,9, o pior dos últimos 140 anos, seguido de tsunami. Os Estados Unidos emitiram alertas sobre tsunami que podem atingir desde o Alasca até o fim da América do Sul. As ondas são estimadas em dois metros, que podem ultrapassar a altitude de muitas ilhas do pacífico. Uma usina atômica esta pegando fogo e a previsão é de muitos mortos.

O evento fez com que todas as bolsas mundiais abrissem em queda. As ações de resseguradoras como Swiss Re, Munich Re e Hannover Re apresentam queda superior a 4% nesta manhã. Isso porque resseguradoras e seguradoras terão, provavelmente, um grande desembolso em indenizações para ajudar seus clientes na reconstrução das cidades atingidas.

A Ásia é a terceira maior região do mundo na compra de seguros, com quase US$ 1 trilhão, superada pela Europa, com US# 1,6 trilhão, e pelos Estados Unidos, com US$ 1,3 trilhão, segundo estudo da Swiss Re sobre a indústria mundial de seguros. O Japão o maior mercado dentro da Ásia e por isso deverá gerar um grande volume de indenizações da indústria mundial de seguros.

Segundo Robert P. Hartwig, presidente do Insurance Information Institute, 2011 deverá ser recorde em pagamento de indenizações por terremoto. Além das contas que ainda serão feitas no Japão, a indústria já contabiliza algo próximo a US$ 10 bilhões com a Nova Zelândia, diz Hartwig.