Grandes desafios para ABGF, prevê o advogado Luis Felipe Pellon

pellon encontro de ressegurosRelease

Ao participar, como mediador, do Painel ABGF: Perspectivas de Atuação, no 3º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, o titular do escritório Pellon & Associados, Luis Felipe Pellon, teceu algumas considerações jurídicas, consideradas importantes para análise pelo presidente da Agência, Marcelo Pinheiro Franco.

Entre os pontos levantados por Pellon, destacamos:

1) Se o Governo limitar o seu aval à ABGF e caso o fundo se esgote, não haverá comprometimento da Agência para repor perdas?;

2) Alguns nichos de atuação não foram e não são absorvidos pelo mercado porque não são rentáveis. A ABGF terá recursos suficientes para operar nestes nichos? Acredito que o fundo poderá ser impactado com estes nichos que não têm equilíbrio;

3) Se o mercado não bancou o risco porque não tem capacidade ou porque o risco é ruim, a ABGF terá dificuldade na retrocessão e no resseguro;

Como exemplo, o especialista citou a situação de endividamento das construtoras, responsáveis pelas grandes obras de infraestrutura em andamento no Brasil. “Elas estão nos seus limites de endividamento. Por isso, as seguradoras não aceitaram, nem aceitam estes riscos. A Agência irá aceitar?” E, complementa, “anteriormente, o IRB era obrigado a aceitar qualquer risco, não havia qualquer possibilidade de negação. Vejo que a agência pode aceitar ou não um determinado risco, o que é bom.” afirmou.

4) O Governo tem dificuldade de entender os procedimentos de seguros. Será necessário que entenda os procedimentos próprios do setor.

Agenda: gerenciamento de área contaminada é tema de palestra em SP

A FenSeg, em parceria com o SindsegSP, realiza no dia 15 de abril, em São Paulo, a palestra Gerenciamento de áreas contaminadas, tendo como objetivo discutir os conceitos fundamentais do gerenciamento de passivos ambientais em áreas contaminadas, além de abordar aspectos técnicos e legais que norteiam a relação entre as partes interessadas (responsável legal, responsável técnico, órgão ambiental regulador e organismops financiadores).

Adicionalmente, serão apresentados os desafios e oportunidades que a Lei nº13.577/SP e seu decreto nº59.263 podem oferecer ao mercado ambiental do estado de São Paulo.

Contando com palestra do engenheiro-geólogo Alexandre Maximiliano, o evento acontecerá no auditório do Sindicato das Seguradoras de São Paulo, localizado na Avenida São João, 313, 6º andar, tendo início às 9 horas com welcome coffee. Os interessados em participar devem encaminhar nome completo e nome da seguradora à qual está vinculado para o email eventos@fenseg.org.br.

Seguradoras comemoram Prêmio Segurador Brasil 2014

Ontem, dia 10, aconteceu a 11ª edição do Prêmio Segurador Brasil 2014.Várias seguradoras omemoraram o prêmio recebido no evento em São Paulo. Entre elas, Tokio Marine, Zurich, Mitsui, Bradesco e SulAmérica.

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tokio ferraraA Tokio Marine Seguradora, subsidiária de um dos maiores grupos do mercado de seguros no mundo, receberá quatro troféus na A Companhia será premiada na categoria Melhor Desempenho entre os Conglomerados de Grande Porte, que inclui empresas que possuem faturamento acima de R$ 1,5 bilhão, nas modalidades Riscos Rurais, Riscos de Petróleo e na categoria Maior Crescimento em Vendas, com a carteira de Condomínio. O presidente José Adalberto Ferrara também será homenageado como “Destaque Masculino em Seguros”, por sua trajetória profissional e liderança.

O Prêmio Segurador Brasil homenageia o trabalho empreendedor, a liderança e o desempenho das companhias. A análise é realizada pelo economista e consultor dos mercados de seguros, finanças e industrial, Luiz Roberto Castiglione, que é membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) – cátedra de análise e avaliação do mercado segurador-, e do Instituto Roncarati de Ciências do Seguro, além de ter publicado o primeiro livro que trata sobre a análise econômica e financeira de empresas de seguros. A solenidade de entrega dos troféus será realizada no dia 10 de abril, às 20h, no Espaço Trivento, em São Paulo, durante recepção para cerca de 500 convidados.

“Estamos felizes pelo reconhecimento do desempenho de nosso trabalho e das carteiras. Esses resultados são frutos dos nossos investimentos em pessoas, processos, produtos e serviços. Nosso objetivo é oferecer cada vez mais qualidade e tranquilidade aos Corretores e Clientes”, afirma Ferrara, que se diz honrado por receber o destaque em seu primeiro ano como presidente da Tokio Marine. “É uma grande satisfação figurar entre as empresas que se destacaram no cenário nacional em 2013”, comemora.

Em 2013, a Seguradora realizou diversos investimentos em tecnologia e melhorias em produtos e serviços. Essas ações resultaram em um lucro líquido de R$ 76,1 milhões no período e crescimento de 26,2% na receita líquida de prêmios emitidos.

A Tokio Marine encerrou o ano com uma produção recorde de R$ 2,6 bilhões em seguros gerais. Entre os destaques do resultado, está o crescimento de 38% do ramo de Automóveis em relação ao ano anterior. Por conta do XIII Encontro de Corretores Diamante da Tokio Marine, que esta sendo realizado em Cancun, o presidente Jose Adalberto Ferrara, e os diretores Marcelo Goldman e Felipe Smith, farão uma participação especial na festa de entrega do prêmio, por meio do sistema de teleconferência, para agradecer o reconhecimento da Seguradora.

Zurich concorre na categoria garantia estendida

A Zurich Seguros, multinacional de origem suíça e presente no Brasil há mais de 30 anos, é uma das finalistas do 11º Prêmio Segurador Brasil. A Zurich Seguros disputa nas categorias ‘Melhor Desempenho em Garantia Estendida’, Líder de Mercado em RC – E&O’, ‘Maior Crescimento de Vendas de Garantia Estendida’, e ‘Melhor Desempenho na Modalidade de Vida em Grupo’.

Mitsui

A Mitsui Sumitomo Seguros foi classificada para receber o Prêmio Segurador Brasil 2014 na categoria “Melhor Desempenho” nas modalidades Automóveis, Riscos de Petróleo e Riscos Nomeados e Operacionais, como também na categoria “Maior Crescimento em Vendas”, no segmento Riscos Residenciais.

A companhia atribui à premiação na modalidade Automóveis, a queda do índice de sinistralidade de 79,6%, em 2012, para 67,4%, em 2013, resultante da readequação e fortalecimento do produto, da revisão estratégica de distribuição e da melhoria no processo operacional de aceitação, emissão e sinistros.

O mesmo se deu na modalidade Riscos Nomeados e Operacionais, com queda no índice de sinistralidade de 31%, em 2012, para 14%, em 2013, devido a melhoria da qualidade e disciplina de subscrição de riscos, readequação de taxa e da revisão estratégica de prospecção de negócios e de distribuição.

Na modalidade Riscos de Petróleo, a premiação decorrente de resultado, veio por negócios concretizados junto a Petrobras, através da empresa do Grupo Mitsui Sumitomo Insurance, a MODEC.

Já o segmento que trouxe para a companhia o prêmio de maior crescimento em vendas, foi impulsionado pelas campanhas de incentivo desenvolvidas pela empresa, que premiava os corretores por emissões de apólices novas e também renovação, fechando o ano com 56,4% de crescimento em comparação a 2012.

Bradesco Seguros conquista seis troféus no Prêmio Segurador Brasil 2014

A Bradesco Seguros foi um dos destaques na cerimônia]. A seguradora recebeu seis premiações nas seguintes categorias: “Melhor Desempenho – Seguro Educacional”, “Melhor Desempenho- Riscos de Engenharia”, “Segurador Solidário”, “Mérito na Prestação de Serviços”, “Destaque do Mercado” e “Líder Global de Mercado”.

SulAmérica conquista 11° Prêmio Segurador Brasil

A SulAmérica é a vencedora do 11° Prêmio Segurador Brasil e teve seu desempenho reconhecido em quatro diferentes categorias: Melhor Desempenho em Auto, Auxílio Funeral, Riscos Marítimos e Maior Crescimento de Vendas em Riscos Rurais. Além disso, o presidente da SulAmérica, Gabriel Portella, foi homenageado como Executivo de Seguros, por sua trajetória profissional no segmento.

Meta dos executivos da Tokio Marine é encerrar 2014 com vendas de R$ 3,3 bilhões

tokio diamante logoPraias paradisíacas, energia vibrante dos golfinhos, mudança climática inesperada, conversa farta e perspectivas de crescer fortemente em uma economia que caminha com tropeços. Esse é o cenário do XIII Encontro de Corretores Diamante da Tokio Marine, realizado em Cancun, México, entre os dias 6 e 13 de abril. A subsidiária de um dos maiores grupos seguradores do Japão projeta encerrar 2014 com R$ 3,3 bilhões, crescimento de 16% em relação a 2013. Isso significa um avanço significativo, uma vez que tem como base de comparação um ano com resultados também positivos.

A seguradora encerrou o ano passado com R$ 2,6 bilhões em seguros gerais, crescimento de 26%. “Crescemos acima do mercado em que atuamos, que avançou 17% segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). E continuamos no ritmo. Em 30 de março deste ano já somos uma companhia de R$ 2,8 bilhões”, comemora o presidente José Adalberto Ferrara. Ele e sua equipe de diretores creditam o bom desempenho aos investimentos realizados nos últimos anos, principalmente na melhoria dos processos, produtos e relacionamento com seus clientes. “Me refiro aos corretores, aos consumidores de seguros e a nossa equipe, pois eles formam o tripé que sustenta a nossa estratégia. Se essa engrenagem estiver funcionando bem, o lucro é uma conseqüência. Confiamos nos nossos corretores, na nossa equipe e no potencial do Brasi”, ressalta.

Perseguir essa meta resultou em um lucro líquido de R$ 76,1 milhões no ano passado. O índice combinado, que sinaliza a eficiência operacional da seguradora, ainda incomoda a equipe. “Fechamos 2013 pouco acima de 100%, mas no primeiro trimestre deste ano já conseguimos ficar abaixo dessa marca, sinalizando que estamos em linha com o compromisso assumido com a matriz”, disse ele, em entrevista ao blog Sonho Seguro, que viajou a Cancun a convite do grupo.

tokio diamente diretoriaValmir Rodrigues, diretor comercial da Tokio Marine, comemora o fato de ter um número maior de corretores no evento Diamante de 2014. “É um evento diferenciado, pois não se trata de uma campanha de vendas e sim de relacionamento”, reforça o executivo. São 55 corretores, 24 assessorias e também seis parceiros de negócios de redes varejistas, responsáveis por 35% da produção da seguradora em 2013. O mix de produção dos 85 participantes se divide em 48% com seguro automóvel, 30% com seguros da área Corporate, 13% com seguros massificados e 7% vem da venda de apólices do segmento vida empresarial.

O volume de produção é fundamental para posicionar a Tokio como a oitava maior seguradora em volume de prêmios do Brasil, sem considerar os ramos saúde e previdência, nos quais não atua. “Sem considerar as seguradoras vinculadas aos bancos, a Tokio é a quarta maior do mercado brasileiro”, acrescenta Marcelo Goldman, diretor técnico de massificados. Felipe Smith, diretor técnico corporate, acrescenta que a Tokio está entre as principais seguradoras de grandes riscos, com destaque para as carteiras de transporte. “Crescemos em bases sustentáveis. Avançamos tendo uma estrutura adequada para comportar novos clientes, produtos e áreas de negócios, sempre focados na qualidade do atendimento ao corretor e ao segurado”, comenta.

Ferrara afirma que a filosofia da subsidiária brasileira está engajada ao conceito de “good company” estabelecido pela matriz nos 38 países nos quais atua. “Ser uma companhia na qual o funcionário veste a camisa e investir constantemente na inovação para manter parceiros encantados. Isso faz com que o crescimento das vendas e do lucro seja uma consequência natural”.

terremoto japaoA tragédia do terremoto seguido de tsunami no Japão ocorrida em 11 de março de 2011 ilustra bem quais os planos de Ferrara e sua equipe. Em dois meses, a seguradora pagou 150 mil indenizações. Isso sem contar que prestou apoio às áreas afetadas, instalou call center para atender os segurados e cedeu espaço para corretores manterem suas atividades. “É uma filosofia do grupo que nos ajuda muito, como os eventos catastróficos ocorridos no Sul nos últimos anos. Graças a essa prestação de serviços da Tokio temos mantido nosso crescimento acima da média do mercado”, conta o corretor diamante Sérgio Marconcini, dono da corretora que leva o seu nome em Santa Catarina.

“Que venham mais Diamantes no próximo encontro, pois quanto mais gente comprometida a difundir a cultura de seguros no Brasil, melhor para todos”, comenta Ferrara, que participa pela primeira vez como presidente do grupo no principal evento de relacionamento que a companhia organiza há treze anos com os parceiros que ultrapassaram a marca de R$ 4 milhões em vendas no ano. Enquanto os Diamantes são prestigiados com uma viagem ao exterior, os profissionais da categoria Ouro se reúnem anualmente em um hotel no Brasil.

“Esse evento se paga por si só, pois é como uma consultoria de melhoria de processos. Nossos parceiros nos fazem queixas, elogios e nos dão dicas do que pode ser melhorado no processo. Saber ouvir e ser humilde para aceitar as críticas faz do relacionamento a consultoria mais barata que existe no mundo”, comenta Ferrara, sem revelar o valor do investimento no programa de relacionamento Diamantes.

tokio osmar e esposaOsmar Bertacini, que administra uma assessoria, é um dos “diamantes” comprometidos a participar todos os anos. “Minha produção caiu logo no ano que a viagem era para Dubai, nos Emirados Árabes. Mas em 2012 obtivemos um desempenho melhor e fomos para Miami e em 2013 me qualifiquei para vir a Cancun com a minha esposa”, diz um dos principais corretores de seguro vida do Brasil e integrante da chapa vencedora da eleição para presidente do maior sindicato da categoria do Brasil, o Sincor-SP, que passará a ser presidido por Alexandre Camillo a partir de maio.

O grande desafio está em sindicalizar um número maior de corretores e ajudar que os corretores sejam um importante veículo no desenvolvimento da cultura de seguro no Brasil, com ações educativas que ajudem a mostrar a importância do seguro para toda a sociedade. “Precisamos conscientizar mais a sociedade da importância do seguro. Cancun, por exemplo, foi devastada por ciclones em 2005. Você vê algum sinal disso aqui? Não. Tudo continua com uma infraestrutura diferenciada aos mais de 4 milhões de turistas que visitam a cidade anualmente em razão do seguro, que indenizou clientes que tiveram perdas causadas pela catástrofe na região”, conta o proprietário da corretora de Santa Catarina.

A logística para organizar um evento deste porte não é brincadeira. “Quando olhamos o histório de conversas no whats up do grupo envolvido, você tem a exata noção da qualidade dos profissionais dentro de casa. São inúmeros detalhes e decisões que precisam ser tomadas com uma grande rapidez para garantir o propósito de encantar e supreender os corretores, nosso principal canal de vendas”, explica Valmir Rodrigues. Os imprevistos vão desde um aeroporto interditado com a mudança repentina no tempo nas ilhas caribenhas forçando a alteração da logística até mesmo o empenho da equipe para achar uma sacolinha perdida por um dos convidados em um dos passeios da programação.

islamujeres-blog“Ser um Corretor Diamante é uma arte! A arte de oferecer aos Clientes, produtos com os melhores benefícios e vantagens, compreender as necessidades e proporcionar proteção, segurança com total transparência e confiança”, finaliza Rodrigues.

cancun caveira Realmente uma viagem de sabores, sons, histórias, surpresas, premiações e o experiências incríveis.

ABGF pode tanto fazer o bem quanto o mal

cnseg solanfe_paulo_coletiva_gdFonte: Portal da CNseg

O compromisso de que a ABGF, a estatal de seguros criada pelo Governo Federal, só atuará em ramos nos quais as seguradoras privadas, comprovadamente, não têm interesse, traz uma tranquilidade momentânea para o setor, mas não afasta de vez o risco de uma disputa de mercado no futuro. Esta é a opinião compartilhada pelo presidente da Fenaber, Paulo Pereira, e pela diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes, em entrevista coletiva ocorrida na terça-feira, 8 de março, no primeiro dia de realização do 3° Encontro de Resseguro.

Ambos consideram positiva a iniciativa do governo de delimitar territórios, mas reconhecem que a legislação que criou a ABGF tem dispositivos que permitem uma atuação plena da estatal a qualquer momento. “O governo tem repetido que não entrará no mercado, mas o arcabouço legal permite a competição. O certo é que o mercado segurador terá de ser cada vez mais competente para afastar o risco de uma disputa com a ABGF”, disse Solange Beatriz.

“Eu acredito piamente na palavra do governo de que a ABGF não vai disputar mercado com as seguradoras e resseguradoras privadas. Mas o governo tem um instrumento legal que tanto pode fazer o bem quanto o mal. Mas ele resolveu fazer o bem, o que é bom para o equilíbrio do mercado. Agora, se quiser fazer o mal, também pode”, disse Paulo Pereira, citando situações aberrantes permitidas pela legislação da ABGF, como regras diferenciadas de solvência, de retenção, de capital mínimo, de venda de seguros para outras estatais sem licitação, por exemplo.

Na terça-feira, o secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, e o presidente da ABGF, Marcelo Franco, assinalaram que a estatal foi criada para viabilizar algumas ações de políticas públicas, mas seu escopo de atuação ficará restrito a áreas em que o mercado privado não está presente ou em riscos não gerenciáveis. Dyogo Oliveira recordou que, após privatizar o IRB e adotar políticas de atração de seguradoras e resseguradoras de todo o mundo, não faria qualquer sentido criar uma estatal para disputar com mercado privado.

Para Paulo Pereira, a criação da estatal tem relação direta com a crise mundial de 2008, justamente o ano da estreia do mercado livre de resseguros no Pais. A ser ver, as sérias dificuldades enfrentadas pela AIG e o tom de cautela dos mercados globais reduziram a capacidade mundial de aceitação de riscos, motivando o governo a criar a ABGF em resposta. “Mas não foi só o Brasil, mas todo o mundo conviveu com uma redução da capacidade em 2008, apesar de no ano seguinte as condições terem sido normalizadas e hoje haver uma grande capacidade disponível”, lembrou Paulo Pereira. A ponto de, no Brasil, dada a disputa acirrada entre as 115 resseguradoras presentes no País, haver um grande apetite para assumir riscos, algo comprovado com taxas reduzidas e condições favoráveis dos contratos.

A concorrência acirrada, lembrou, fez o lucro das resseguradoras locais cair à metade no ano passado e o retorno sobre o patrimônio líquido nesse grupo, na casa de 4%, ficar abaixo dos ganhos da Selic e fora dos padrões internacionais. Mantido este quadro, Paulo Pereira admite que, a certa altura, alguns players poderão deixar o mercado, por causa de níveis de remuneração do negócio insuficientes. “Este quadro sugere que haverá alguma acomodação do mercado futuramente”, disse ele.

Riscos declináveis ainda desafiam resseguradoras e seguradoras no Brasil

cnseg riscos_declinaveis_gd Fonte: Portal de CNseg

Os riscos declináveis têm sido um dos pontos mais discutidos nos setores de seguro e resseguro após a abertura do mercado. O debate ocorrido na tarde desta terça-feira, dia 8, durante o 3º Encontro de Resseguro no Rio de Janeiro, discutiu soluções para a questão, que não permite que uma parcela grande de empresários tenha acesso ao seguro e resseguro. A mesa foi composta pelo vice-presidente do Sincor-RJ, Ricardo Faria Garrido; pelo empresário Tomas Buchheim; pelo advogado e consultor da FenSeg, Adílson Neri; pelo diretor de Subscrição do IRB Brasil RE, José Farias de Sousa; pelo diretor técnico da Terra Brasis, Carlos Roberto da Zoppa; e pelo coordenador de resseguros da Susep, Diogo Ornellas Geraldo.

O mercado de resseguros é aberto no país há seis anos, tempo em que há um amplo debate sobre os riscos declináveis. Durante o período de monopólio, o IRB era obrigado a aceitar qualquer seguro. A situação mudou e muitos empresários se viram sem a possibilidade de contratar um seguro. São supermercados, depósitos e armazéns de brinquedos e plásticos, artefatos de madeira, alimentos, entre outros. Desde então, grupos de estudo e de trabalho foram realizados buscando caminhos para a inserção destes empreendimentos no mercado securitário.

Para o diretor de Subscrição do IRB Brasil RE, os últimos anos mostraram uma evolução, mas ainda aquém do que é necessário para o setor. “Dentro do IRB, vemos que muitos riscos estão sendo subscritos, inclusive com os empresários se comprometendo a fazer os investimentos necessários. Estes segmentos, que acabam incluídos nos riscos declináveis, ainda sofrem. Quando o IRB concentrava tudo, eles tinham uma situação cômoda”. Já o diretor técnico da Terra Brasis acredita que os avanços precisam acontecer de forma mais acelerada. “Não é possível que um mercado como o nosso não consiga solucionar esta questão dos riscos declináveis. O cliente não pode ficar sem a devida proteção”.

O vice-presidente do Sincor-RJ alertou para uma situação incômoda para todo o setor. “Alguns empresários estão se reunindo e buscando soluções próprias, fora da nossa indústria. Isso é ruim porque são setores devem estar dentro do nosso mercado”. O empresário do ramo de limpeza, Thomas Buchhem, confirmou que alguns setores estão tentando resolver seus problemas fora do mercado de seguros e resseguros. “Estou aqui como cliente. Tentamos de tudo e mesmo assim ficamos sem seguro. Já pensamos até em nos reunir com outros empresários e criarmos um seguro próprio”.

Adilson Neri contou que participou de um grupo de trabalho em 2011 que visava apresentar alternativas para os riscos declináveis. O resultado, segundo ele, mostrou que as soluções são possíveis. “Descobrimos que a frequência de incêndios era de 0,5% nestes setores. É um percentual grande, mas não é algo que não possa ser equacionado, por exemplo, através de inclusão de taxas e até com a participação do próprio empresário na cobertura básica do seguro”.

Outro ponto fundamental, segundo os palestrantes, é que o gerenciamento de risco seja bem realizado. Neri apontou que o grupo de trabalho do qual participou elaborou documentos com recomendações para diversos setores. Segundo ele, o gerenciamento de risco vai evitar a possibilidade de perda total em caso de acidente e possibilitar que o empreendimento seja subscrito pelas seguradoras e resseguradoras. De acordo com Zoppa, “o bom trabalho de inspeção vai apontar as melhores práticas para evitar incômodos, acidentes e roubos”.

Ricardo Faria Garrido também destacou que a participação dos empresários do setor é fundamental. “Os relatório precisam ser bem feitos para dar mais segurança às resseguradoras e instituições financeiras em relação ao negócio. A maioria dos clientes não se nega a fazer investimentos para proteger seu patrimônio porque o sinistro não interessa a ninguém”.

Cat bonds atrai investidores em busca de ganho diferenciado

cnseg resseguro cat bondFonte: Portal CNseg

A primeira plenária do 3º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, realizada na manhã da terça-feira, dia 8, debateu as novas formas de investimentos e os efeitos sobre a capacidade de resseguro. Os principais temas foram os cat bonds (bônus por catástrofes) e o uso da colateralização no setor, que estão levando ao crescimento robusto, com a entrada massiva de investidores do setor financeiro no mercado de resseguros. O coordenador da mesa foi Vincent Vandendael, do Lloyd’s. Harry Owen, da JLT, foi o palestrante e James Wood, da Mayer Brown LLP, e John Andre, da A.M. Best Company, foram os debatedores.

Harry Owen apresentou um panorama sobre o crescimento do mercado de resseguros no mundo, especialmente nos Estados Unidos. Ele afirmou que a criação de resseguros colateralizados está permitindo a entrada de novos investidores e impulsionando o mercado, principalmente o de cat bonds, que cobre desastres naturais, como furacões e terremotos. Segundo ele, este nicho já movimenta US$ 300 bilhões no mundo. “Se compararmos os dados de 2010 e 2014, vemos um crescimento na gestão destes fundos em todos os lugares do mundo”.

No Brasil, o mercado de cat bonds ainda é incipiente. Owen lembrou que o país sofre pouco com eventos climáticos, como terremotos e furacões, sendo as enchentes, mais comuns. Por isso, segundo ele, desenvolver este mercado será um desafio para as empresas.

Já John Andre lembrou que este “dinheiro novo” no setor surgiu através da convergência do mercado de resseguros com o mercado de capitais. “Em 2011, tivemos alguns problemas imensos com catástrofes. Melhoramos no ano seguinte, apesar do furacão Sandy, e o ano passado foi ótimo. Estamos com ganhos muito positivos, a indústria está se sofisticando e há muito mais modelização”.

James Wood contou que a maior parte do capital que está migrando para os cat bonds vem de investidores institucionais, fundos de pensão, fundos hedge , private equity e até investidores pessoa-física, que têm se interessado pelo retorno deste tipo de ativo, que pode ultrapassar 8%, sendo que, em alguns casos, pode passar de 15%. Wood citou ainda que, a partir de entrevistas, foi constatado que boa parte dos executivos financeiros norte-americanos já conhecem os cat bonds e demonstraram algum interesse em investir em resseguro com colaterização.

Entretanto, a entrada em massa de investidores do mercado de capitais do setor de resseguros, em especial, no cat bonds, preocupa Vincent Vandendael. Segundo ele, as condições favoráveis à entrada destes investidores no resseguro, como a queda da taxa de juros, podem ser revertidas e o setor pode sofrer com a saída de investidores. “Já vimos o que aconteceu com o setor bancário. Devemos nos precaver para que não ocorra conosco”.

Catástrofes naturais causam perdas econômicas de US$ 20 bi no 1o. tri de 2014; seguradoras indenizam US$ 7 bi

catastrofe cheia rio madeiraMais de US$ 20 bilhões em perdas econômicas contabilizadas no primeiro trimestre de 2014. Desse valor, US$ 7 bilhões foram indenizados pelas seguradoras aos clientes que tinham apólice de seguro para perdas com cerca de 70 catástrofes naturais ocorridas no mundo nos três primeiros meses do ano, revela estudo Impact Forecasting March 2014 Global Catastrophe Recap, produzido pela AON Benfield e divulgado nesta quarta-feira.

Pelo segundo ano consecutivo, as condições de seca severa no Brasil, levando a perdas agrícolas superiores a R$ 10 bilhões (US$ 4,3 bilhões), foram destaque do trimestre, sendo que apenas 10% das plantações tem cobertura de seguro.

No Paquistão, uma grande seca gerou estragos, matando pelo menos 212 pessoas na província de Sindh , resultando em perda significativa de gado e agricultura. O governo precisou socorrer a população, com perdas de US$ 18 milhões. No Haiti, o governo precisou decretar estado de emergência para seis provincias depois que agricultores perderam pela segunda vez consecutiva a colheita anual.

Além dessas perdas na agricultura, continua o clima de inverno severo nos Estados Unidos, com prejuízos e mortes em março. Uma tempestade de inverno gerou perdas significativas na Carolina do Sul e Virgínia, levando a prejuízos econômicos totais de cerca de US$ 100 milhões e no pagamento de indenizações acima de US$ 50 milhões.

Para o inverno de 2013/14 dos EUA, em 31 de março , os danos econômicos tinham alçaram US$ 5,7 bilhões, com pelo menos US$ 2,6 bilhões cobertos pelo seguro. A Europa enfrentou a mais cara temporada de vendaval desde 2009/10 ,com as seguradoras estimando em mais de US$ 4 bilhões os pedidos de indenizações relacionadas com as tempestades.

Steve Bowen, diretor e meteorologista da equipe de Previsão de Impacto da Aon Benfield , disse: “Apesar dos quase 70 eventos de desastres naturais no primeiro trimestre de 2014, as perdas financeiras atribuídas foram em grande parte insignificante para as economias e as seguradoras. Os valores estão próximos dos registrados nos dois anos anteriores e bem abaixo das perdas ocorridas em 2010 e 2011. No entanto, enquanto as perdas deste ano primeiro trimestre foram gerenciável para as seguradoras , vale lembrar que o segundo e o terceiro trimestres são historicamente os mais caros para a indústria com tempestades, inundações , secas e atividade de ciclones tropicais”.

Chuvas persistentes, que começou em meados de fevereiro, continuaram em partes da América do Sul, com vários rios subindo além de seus limites e causando inundaçõess em algumas partes do Brasil, Bolívia e Peru. As chuvas foram mais pronunciados nos estados brasileiros de Rondônia (perto da fronteira da Bolívia) e Acre (perto da fronteira com o Peru), onde um combinado de 29.500 famílias ficaram desabrigadas . Total de perdas econômicas na região foram estimados em mais de US$ 200 milhões.
O estudo completo pode ser acessado no link:

www.aonbenfield.com / catastropheinsight

Samy Hazan, da Yasuda, apresenta perspectivas do seguro de vida para investidores de SP e RJ

samy hazanSamy Hazan, diretor de Seguros de Pessoas da Marítima / Yasuda, participa nesta quinta-feira, dia 10 de abril, de um encontro com investidores e analistas do mercado financeiro de São Paulo e Rio de Janeiro, na sede do Banco BTG Pactual, na capital paulista. Na ocasião, o executivo apresenta as principais tendências, oportunidades de negócios, canais de distribuição e alavancas de valor.

O ramo de seguros de Pessoas tem apresentado um crescimento vertiginoso desde o início dos anos 2000. Tanto é, segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg); a arrecadação dessa modalidade de seguro passou de R$ 4,7 milhões no ano 2000 para R$ 21,8 em 2012, o que representa um aumento de quase 365%.

Marco Civil da Internet aumentará a demanda por seguro para riscos cibernéticos

Marcia Cicarellipor Márcia Alves

A previsão é de Marcia Cicarelli, sócia da JBO Advocacia, que acredita na intensificação do debate sobre a segurança na Internet e na conscientização em relação à importância do seguro de responsabilidade civil para proteger empresas e pessoas dos danos e prejuízos causados por riscos virtuais.

A aprovação do Marco Civil da Internet pela Câmara dos Deputados, ocorrida em 25 de março, deverá ser o ponto de partida para ampliar o debate de toda a sociedade sobre uma questão crucial: a segurança na rede. O texto aprovado do Projeto de Lei 2.126/11, que ainda passará pelo Senado Federal e, ao final, pela sanção presidencial, traz avanços importantes.

Entre os principais estão a neutralidade da rede, proibindo a cobrança diferenciada para acesso à Internet; a proteção e a inviolabilidade da privacidade, garantindo o sigilo nas comunicações dos usuários e impedindo a venda de informações dos registros de conexões; e o direito à liberdade de expressão, eliminando a responsabilização de provedores de conexão à rede e aplicações na Internet pelas informações postadas pelos internautas.

Outros pontos que causavam bastante polêmica não constam no projeto aprovado pela Câmara. O principal exemplo é o armazenamento de dados relativos a empresas e cidadãos brasileiros em servidores locais. Essa proposta foi feita como uma resposta às denúncias de espionagem de comunicações do governo brasileiro, mas não foi aprovada pelos deputados.

Entretanto, se por um lado o novo Marco Civil representa evolução, por outro ainda é o primeiro passo em direção a um longo caminho de uma regulamentação completa. Como, por enquanto, estabeleceram-se apenas princípios de uso da Internet e regras gerais de utilização, o que se espera para o futuro é a criação de regras específicas, principalmente para a segurança de dados e registros, que coíbam e punam o mau uso e a violação de informações sigilosas. Nessa seara se inclui o crime cibernético, que traz insegurança e graves consequências a pessoas e empresas.

Marcia Cicarelli Barbosa de Oliveira, sócia da JBO Advocacia, considera importante a aprovação do Marco Civil da Internet na Câmara dos Deputados e entende que isto será um estímulo importante também para o incremento dos seguros de responsabilidade civil no âmbito dos cyber risks. “Poucas seguradoras no país oferecem produtos para riscos cibernéticos e entre estas ainda não há sequer registro de sinistros, embora a exposição das empresas seja cada vez maior”, avalia. Estudo elaborado em 2013 pela Symantec e pelo Ponemon Institute aponta que a violação de dados no Brasil gera perdas médias de R$ 2,64 milhões de reais, podendo chegar a R$ 9,74 milhões. A pesquisa aponta ainda que o custo médio de R$ 143 por registro comprometido cai para até R$ 19 em organizações com uma boa estrutura de segurança.

Entretanto, ela ressalta que a falta de histórico de sinistros na área não é uma situação que ocorra apenas no Brasil, mas em muitos outros países, onde também a regulamentação da Internet e o seguro contra riscos cibernéticos são recentes. Segundo informações obtidas junto ao escritório parceiro da JBO em Londres, o DAC Beachcroft, a regulamentação da Internet é uma tendência mundial. Os países europeus saíram na frente (a primeira Diretiva Europeia para proteção de dados pessoais data de 1995), mas outros acabaram de aprovar leis nessa área, como Singapura e alguns países da América Latina.

Contudo, por se tratar de um risco relativamente recente, até mesmo onde há mais experiência na subscrição deste tipo de seguro, como a Inglaterra, as seguradoras foram reticentes no passado em relação à oferta de cobertura. “Inicialmente, o mercado de Londres restringiu a cobertura para cyber risks, devido à falta de base atuarial e de histórico, mas, recentemente, mudou de postura e passou a aumentar a oferta, justamente para formar uma base maior de clientes e adquirir experiência”, conta Marcia Cicarelli.

Não por acaso, a segurança da informação está entre as maiores preocupações dos executivos de grandes empresas em todo o mundo e também no Brasil. Um estudo da consultoria EY (antiga Ernst Young), publicado no final do ano passado, revela que as grandes empresas estão aplicando mais em segurança da informação. Para 59%, o volume de ameaças externas aumentou em 2013. Dentre as entrevistadas, apurou-se que 46% dos investimentos em segurança da informação serão direcionados à melhora, expansão e inovação das práticas de combate aos riscos cibernéticos nos próximos meses. Para Marcia Cicarelli, esta é a chance de as seguradoras do mercado local investirem em produtos para riscos cibernéticos. Segundo ela, o seguro serviria para resguardar as responsabilidades de empresas que têm dados de clientes sob custódia e ressarcir os prejuízos financeiros decorrentes de interrupções de sistemas causadas por ataques cibernéticos.

No caso, por exemplo, do ataque de um hacker ao banco de dados de uma empresa provedora de serviços de Internet ou instituição bancária, o seguro cobriria os danos aos terceiros, eventualmente prejudicados, e à própria empresa pela perda de sistema. No rol de coberturas, Marcia Cicarelli cita o dano moral causado a terceiro. “O cliente de uma empresa vítima de ataque virtual, que tenha seus dados expostos, mesmo que não haja prejuízo material, pode ter sua imagem ou honra lesada e exigir indenização”, explica. O seguro também poderia garantir o risco de interrupção de negócios, caso a empresa deixe de vender por inoperância do sistema devido à invasão de hacker ou por problemas na hospedagem de dados na nuvem (cloud computing).

Marcia Cicarelli ressalta que o risco cibernético ainda é considerado um risco especial em matéria de seguro no país, mas que tende a evoluir na medida em que se desenvolva a própria noção de responsabilidade civil na matéria. Daí porque ela comemora a aprovação do Marco Civil da Internet como um estímulo ao debate sobre o aumento da proteção contra os riscos cibernéticos e como forma de ampliar a conscientização sobre a importância do seguro. “A mudança não acontecerá do dia para a noite, mas, certamente, já começou”, diz.