Riscos declináveis ainda desafiam resseguradoras e seguradoras no Brasil

cnseg riscos_declinaveis_gd Fonte: Portal de CNseg

Os riscos declináveis têm sido um dos pontos mais discutidos nos setores de seguro e resseguro após a abertura do mercado. O debate ocorrido na tarde desta terça-feira, dia 8, durante o 3º Encontro de Resseguro no Rio de Janeiro, discutiu soluções para a questão, que não permite que uma parcela grande de empresários tenha acesso ao seguro e resseguro. A mesa foi composta pelo vice-presidente do Sincor-RJ, Ricardo Faria Garrido; pelo empresário Tomas Buchheim; pelo advogado e consultor da FenSeg, Adílson Neri; pelo diretor de Subscrição do IRB Brasil RE, José Farias de Sousa; pelo diretor técnico da Terra Brasis, Carlos Roberto da Zoppa; e pelo coordenador de resseguros da Susep, Diogo Ornellas Geraldo.

O mercado de resseguros é aberto no país há seis anos, tempo em que há um amplo debate sobre os riscos declináveis. Durante o período de monopólio, o IRB era obrigado a aceitar qualquer seguro. A situação mudou e muitos empresários se viram sem a possibilidade de contratar um seguro. São supermercados, depósitos e armazéns de brinquedos e plásticos, artefatos de madeira, alimentos, entre outros. Desde então, grupos de estudo e de trabalho foram realizados buscando caminhos para a inserção destes empreendimentos no mercado securitário.

Para o diretor de Subscrição do IRB Brasil RE, os últimos anos mostraram uma evolução, mas ainda aquém do que é necessário para o setor. “Dentro do IRB, vemos que muitos riscos estão sendo subscritos, inclusive com os empresários se comprometendo a fazer os investimentos necessários. Estes segmentos, que acabam incluídos nos riscos declináveis, ainda sofrem. Quando o IRB concentrava tudo, eles tinham uma situação cômoda”. Já o diretor técnico da Terra Brasis acredita que os avanços precisam acontecer de forma mais acelerada. “Não é possível que um mercado como o nosso não consiga solucionar esta questão dos riscos declináveis. O cliente não pode ficar sem a devida proteção”.

O vice-presidente do Sincor-RJ alertou para uma situação incômoda para todo o setor. “Alguns empresários estão se reunindo e buscando soluções próprias, fora da nossa indústria. Isso é ruim porque são setores devem estar dentro do nosso mercado”. O empresário do ramo de limpeza, Thomas Buchhem, confirmou que alguns setores estão tentando resolver seus problemas fora do mercado de seguros e resseguros. “Estou aqui como cliente. Tentamos de tudo e mesmo assim ficamos sem seguro. Já pensamos até em nos reunir com outros empresários e criarmos um seguro próprio”.

Adilson Neri contou que participou de um grupo de trabalho em 2011 que visava apresentar alternativas para os riscos declináveis. O resultado, segundo ele, mostrou que as soluções são possíveis. “Descobrimos que a frequência de incêndios era de 0,5% nestes setores. É um percentual grande, mas não é algo que não possa ser equacionado, por exemplo, através de inclusão de taxas e até com a participação do próprio empresário na cobertura básica do seguro”.

Outro ponto fundamental, segundo os palestrantes, é que o gerenciamento de risco seja bem realizado. Neri apontou que o grupo de trabalho do qual participou elaborou documentos com recomendações para diversos setores. Segundo ele, o gerenciamento de risco vai evitar a possibilidade de perda total em caso de acidente e possibilitar que o empreendimento seja subscrito pelas seguradoras e resseguradoras. De acordo com Zoppa, “o bom trabalho de inspeção vai apontar as melhores práticas para evitar incômodos, acidentes e roubos”.

Ricardo Faria Garrido também destacou que a participação dos empresários do setor é fundamental. “Os relatório precisam ser bem feitos para dar mais segurança às resseguradoras e instituições financeiras em relação ao negócio. A maioria dos clientes não se nega a fazer investimentos para proteger seu patrimônio porque o sinistro não interessa a ninguém”.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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