A primeira plenária do 3º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, realizada na manhã da terça-feira, dia 8, debateu as novas formas de investimentos e os efeitos sobre a capacidade de resseguro. Os principais temas foram os cat bonds (bônus por catástrofes) e o uso da colateralização no setor, que estão levando ao crescimento robusto, com a entrada massiva de investidores do setor financeiro no mercado de resseguros. O coordenador da mesa foi Vincent Vandendael, do Lloyd’s. Harry Owen, da JLT, foi o palestrante e James Wood, da Mayer Brown LLP, e John Andre, da A.M. Best Company, foram os debatedores.
Harry Owen apresentou um panorama sobre o crescimento do mercado de resseguros no mundo, especialmente nos Estados Unidos. Ele afirmou que a criação de resseguros colateralizados está permitindo a entrada de novos investidores e impulsionando o mercado, principalmente o de cat bonds, que cobre desastres naturais, como furacões e terremotos. Segundo ele, este nicho já movimenta US$ 300 bilhões no mundo. “Se compararmos os dados de 2010 e 2014, vemos um crescimento na gestão destes fundos em todos os lugares do mundo”.
No Brasil, o mercado de cat bonds ainda é incipiente. Owen lembrou que o país sofre pouco com eventos climáticos, como terremotos e furacões, sendo as enchentes, mais comuns. Por isso, segundo ele, desenvolver este mercado será um desafio para as empresas.
Já John Andre lembrou que este “dinheiro novo” no setor surgiu através da convergência do mercado de resseguros com o mercado de capitais. “Em 2011, tivemos alguns problemas imensos com catástrofes. Melhoramos no ano seguinte, apesar do furacão Sandy, e o ano passado foi ótimo. Estamos com ganhos muito positivos, a indústria está se sofisticando e há muito mais modelização”.
James Wood contou que a maior parte do capital que está migrando para os cat bonds vem de investidores institucionais, fundos de pensão, fundos hedge , private equity e até investidores pessoa-física, que têm se interessado pelo retorno deste tipo de ativo, que pode ultrapassar 8%, sendo que, em alguns casos, pode passar de 15%. Wood citou ainda que, a partir de entrevistas, foi constatado que boa parte dos executivos financeiros norte-americanos já conhecem os cat bonds e demonstraram algum interesse em investir em resseguro com colaterização.
Entretanto, a entrada em massa de investidores do mercado de capitais do setor de resseguros, em especial, no cat bonds, preocupa Vincent Vandendael. Segundo ele, as condições favoráveis à entrada destes investidores no resseguro, como a queda da taxa de juros, podem ser revertidas e o setor pode sofrer com a saída de investidores. “Já vimos o que aconteceu com o setor bancário. Devemos nos precaver para que não ocorra conosco”.



















