Wrisk, uma insurtech que entendeu os novos hábitos de consumo

corretores

O seguro é uma ótima ideia … mas não acompanhou a sociedade. Estamos fazendo uma atualização digital neste setor.  Assim a Wrisk, uma insurtech que tem como parceiros pesos pesados da indústria como Munich Re e Hiscox, além da BMW, se apresenta aos stakeholders. Já captou 6,7 milhões de libras esterlinas desde sua fundação em 2016, sendo 3 milhões em novembro de 2017 com fundos de capital de risco, investidores anjos e seguradoras.

No final de 2017, a  startup obteve autorização da Financial Conduct Authority (FCA) para operar.  Prevê para este semestre de 2018 uma nova nova tranche de investimentos para entrar em outras linhas de negócios e implementar a estratégia omni-channel.

Veja o vídeo.

A Wrisk atua como uma agência, vendendo em nome de grandes companhias no Reino Unido. É possível fazer o seguro do fone sem fim do iPhone, da câmera fotográfica, da mobilia, da bicicleta e tantos outros pertences pessoais que amamos. O modelo de agência, conhecido como Managing General Agent (MGA), ou agente gerencial geral, é um dos mais usados no setor de seguros. Tal como acontece com todos os MGAs, os passivos de seguros permanecem no balanço de seus parceiros de seguros e, como tal, a própria receita da Wrisk virá da comissão por transação, paga pelos seus parceiros seguradores; comissão de lucros, calculada anualmente e paga à Wrisk pelos seus parceiros seguradores; taxas de licença para o uso do Wrisk nos territórios onde um modelo MGA não é apropriado.

Além dessas fontes tradicionais de receita, a insurtech informa que o plano de negócio também inclui a exploração de fontes adicionais, como taxas de referência em relação a produtos não seguros, e possivelmente até licenciamento do Wrisk Score como uma ferramenta de classificação por procuração para seguradoras em países onde os dados de rating tradicionais são mais escasso.

A proposta é ser tão simples que as pessoas vão até achar que não é seguro. Mas é. O grupo afirma que agir como uma startup de tecnologia não significa abrir mão das regulamentações, essenciais e necessárias, para proteger o segurado e também o mercado. “Sabemos que o seguro é um negócio sério, complexo e altamente regulado”, avisa.  Com tal filosofia, o regulador FCA aprovou o modelo de negócios. No final do ano passado, a Wrisk foi formalmente admitida para fazer parte do “sandbox” (caixa de areia) da FCA, um programa que permite que as empresas testem produtos inovadores, serviços, modelos de negócios e mecanismos de entrega no mercado real, com consumidores reais.

A Wrisk afirma que quer ter um papel mais importante no setor do que apenas vender seguro. Quer ensinar as pessoas a administrarem e entenderem seus próprios riscos. O aplicativo usa técnicas atuariais avançadas, conhecido como Wrisk Score, que cria uma pontuação de crédito para risco pessoal, permitindo um preço personalizado e calculado de forma mais transparente.

Sem irritar o cliente, o aplicativo coleta dados da tecnologia conectada, faz a análise dos riscos que podem ser cobertos para não afetar o patrimônio já construído e dá a eles um resumo do estudo para que possam avaliar e tomar suas decisões. Segundo a insurtech, as possibilidades são infinitas e os benefícios para os clientes são transformacionais. Um mau risco, por exemplo, se conscientiza de seus hábitos e pode mudar de atitude para obter uma pontuação melhor, o que, consequentemente, acarretará em um custo menor das proteções financeiras que deseja ter para proteger a vida e os bens.

O grupo acredita que as pessoas já estão preparadas para priorizar a compra de garantias ofertadas pelas seguradoras, uma vez que grande parte já usa aplicativos para gerenciar de orçamentos financeiros a dados de saúde, como práticas esportivas, dietas e exames médicos.

A insurtech também quer conquistar um público que não tem seguro, além daqueles que tem, porém querem algo mais inovador e adequado. Cita que atualmente 61% das pessoas que alugam residências não compram seguros. 31% dos millennials que viajam nunca compram cobertura de viagem. 30% dos millennials que dirigem não são os principais segurados. “Toda uma geração parece desconfiar dos seguros, mas não ter seguro os deixa vulneráveis em situações de emergência”, ressalta em sua apresentação a investidores e ao mercado.

O plano de negócios da insurtech sinaliza que a  seguradora que conseguir abandonar o discurso de que o cliente é “desinformado sobre o setor” e dar a ele um modo fácil e acessível de comprar bons produtos, vai ter grande sucesso. “Esforce-se para ser ético e justo. Construa e mantenha um diálogo aberto e responsivo. Concentre-se nas pessoas, não nas políticas”, afirma a insurtech Wrisk. “Ao envolver as pessoas através de seus telefones e fornecer cobertura holística, a Wrisk tornará tão fácil quanto possível a compra de seguro pelo maior número possível de pessoas que necessitam de proteção”, afirma.

Além disso, priorizar a conveniência e uma nova abordagem à transparência tem o potencial de engajar novos clientes – dando início a um novo mercado de massa para seguros, sentencia a empresa.

Mapfre divulga queda de 9,3% no lucro do primeiro trimestre

O grupo Mapfre divulgou lucro líquido de € 187 milhões no primeiro trimestre de 2018, queda de 9,3% em relação ao ano anterior. O prêmio bruto do grupo também caiu 7,2% em relação ao ano anterior, para € 6,20 bilhões no período. O desempenho financeiro da Mapfre foi significativamente impactado pela desvalorização das moedas nos EUA, no Brasil e na Turquia, que durante o período perderam entre 13 e 16% do seu valor. Além disso, as baixas taxas de juros levaram a uma queda na receita financeira, afirmou a empresa em comunicado distribuído nesta manhã.

No Brasil, o primeiro trimestre deste ano encerrou com um volume de prêmios de 1 bilhão de euros, queda de -15,8% devido à desvalorização de 16,3% do real. Em moeda local, no entanto, os prêmios aumentaram 1%. Por ramos, seguros gerais aportou um volume de prêmios de 393 milhões de euros, enquanto os prêmios do negócio de Vida alcançaram 324 milhões, e os de Automóveis aproximaram-se a 300 milhões de euros. Por sua vez, o índice combinado melhorou, atingindo 98,3%.

A Mapfre Re aumentou o lucro líquido em 22% em relação ao ano anterior para € 62,7 milhões no primeiro trimestre de 2018, apesar das depreciações cambiais terem pressionado o prêmio mais baixo. O índice combinado na unidade de resseguro melhorou ligeiramente para 91,1%, de 91,4% no período. Ao mesmo tempo, o prêmio bruto diminuiu 3,4% em relação ao ano anterior, para € 1,13 bilhão, devido à desvalorização cambial em países fora da Europa, onde a Mapfre Re tem operações significativas. Além disso, prêmios mais baixos na vida foram impulsionados pelo cancelamento de um contrato com uma empresa cedente européia.

Estudo da comissão da OAB-SP sobre PL de Lei de Seguro critica inclusão de resseguro

por Márcia Alves

A presidente da Comissão de Direito Securitário da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo (OAB-SP), Debora Schalch, foi à Brasília (DF), no dia 5 de abril, para entregar pessoalmente ao senador Armando Monteiro o estudo técnico da Comissão sobre o Projeto de Lei de Contrato de Seguro (PLC 29/2017).

Na audiência com os assessores do relator do projeto no Senado Federal, a advogada protocolou a entrega do estudo e chamou a atenção para os principais pontos do projeto, que denotam o seu caráter intervencionista na atividade securitária, e também para os impactos negativos que alguns dos dispositivos da proposta poderão gerar ao mercado de seguros.

De acordo com o estudo, cinco pontos principais do PLC 29/2017 merecem análise cautelosa:

1 – A falta de distinção entre pequenos e grandes segurados

O projeto não diferencia os segurados contratantes de seguros massificados dos segurados das grandes empresas, que possuem alta capacidade financeira e expertise técnica. “Essa falta de distinção entre um e outro pode conduzir distorções e desequilibrar a mutualidade, princípio básico em que se assenta toda a atividade securitária”, afirma Debora Schalch.

2 – A inclusão do resseguro na Lei de Contrato de Seguros

De acordo com o estudo, trata-se de uma incoerência, já que as leis (Lei 126/2007) e as resoluções que regem a atividade resseguradora são suficientes para o bom andamento deste mercado. “Uma nova legislação de seguros, abrangendo o resseguro, trará, certamente, insegurança jurídica, na medida em que o órgão regulador terá de rever suas normas em um momento em que, justamente, o desenvolvimento do mercado depende cada vez mais de investidores estrangeiros interessados em constituírem seus resseguradores no país”, destaca o estudo.

3 – Equívoco na aplicação do “dever de informação” e da “liberdade de contratar” à regulação de sinistros

“Não se pode esquecer a existência de sinistros de grande complexidade técnica, cuja regulação e liquidação pode superar em muito o prazo previsto no projeto de lei, justamente em razão de o projeto não trazer a necessária diferenciação entre os seguros massificados e os de grandes riscos”, justifica o estudo.

4 – Arbitragem somente no país e com as leis brasileiras

O estudo contesta esta mudança prevista no projeto por divergir da legislação vigente e por criar suposto protecionismo às empresas brasileiras, afastando, dessa forma, o investimento estrangeiro no mercado de seguros. Além dos prejuízos que esse dispositivo do PLC 29/2017 pode trazer ao setor, Debora Schalch alerta para o cerceamento da liberdade das partes. “A Lei de Arbitragem prevê que as partes têm o direito de eleger o local e a legislação que será aplicada. O projeto contraria a essência de liberdade da arbitragem”, diz.

5 – Mudança no prazo prescricional

O projeto propõe que a prescrição tenha início a partir da recusa expressa e motivada da cobertura pela seguradora, sem computar o período compreendido entre a data do sinistro e o aviso de sinistro à seguradora. De acordo com o estudo, significa que a prescrição pode ser estendida por muitos anos – ou seja, até a formalização do aviso de sinistro –, o que impactaria fortemente no provisionamento e reservas das seguradoras.

Caráter intervencionista

Resultado do trabalho de acompanhamento da proposição ao longo dos últimos oito anos de tramitação, o estudo da Comissão da OAB-SP pretende fornecer subsídios para a análise técnica do projeto no âmbito do Senado Federal. De acordo com Debora Schalch, os assessores do senador Armando Monteiro ficaram satisfeitos com a colaboração, que trouxe outros pontos de vista sobre a proposição. “Até então, eles tinham a visão de que a Lei do Contrato de Seguro era extremamente necessária ao bom desenvolvimento do setor. Mas, ainda não tinham recebido um estudo sobre os possíveis impactos negativos para a atividade”.

A presidente da Comissão alerta para o caráter intervencionista do projeto em uma atividade que tem apresentado bom desempenho e participação crescente no PIB. “O projeto prevê multas e outras penalidades que poderão aumentar os custos das seguradoras e, possivelmente, onerar o preço dos seguros, prejudicando o consumidor”, diz. Para ela, a Comissão da OAB-SP cumpriu o seu papel ao contribuir para o aprimoramento da lei. “A Comissão está à disposição do Senado Federal para colaborar e participar de novos debates sobre o projeto”, acrescentou.

Especialista afirma que negligência facilita ataques de hackers

release

Medidas simples como atualização de sistemas, cumprimento de regras de diligência e gestão e mitigação de riscos não são realidade nas companhias brasileiras. O alerta foi dado durante o II Cyber Security View, realizado esta semana pela JLT Brasil em parceria com a Oracle, em São Paulo.

“Infelizmente temos que falar em desproteção de dados, e não em proteção, porque a regra tende a ser essa e a negligência vem se acentuando”, assim abriu o seminário o advogado Renato Opice Blum, economista e professor-coordenador do curso de direito digital do Insper.

Convidado para falar sobre “Compliance digital e riscos cibernéticos”, o advogado explicou que a tendência no Brasil em relação a processos envolvendo vazamento de dados é piorar não só pelos problemas decorrentes da negligência, mas por questões novas como o projeto de proteção de dados que tramita no Senado. “A lei vai trazer mais auditoria, mais fiscalização e mais multas. Tentar conter e gerenciar dados pessoais e sensíveis será cada vez mais importante”, explica.

Segundo Opice Blum, mesmo sem uma lei de proteção à informação os efeitos práticos já são aplicados. “A lei trará mais previsibilidade para as empresas. Enquanto isso, recomendo que as empresas sigam as orientações da GDPR (Regulamentação Geral de Proteção de Dados europeia). É mais barato, é legal e traz vantagem competitiva”.

A recomendação não é à toa. Em 2017 foram roubados 2,6 bilhões de dados, provocando uma perda de US$ 608 bilhões. “Nos próximos quatro anos a expectativa é que as empresas acumulem prejuízos decorrentes de incidentes cibernéticos na ordem de e US$ 6 trilhões”, explicou Alexandre Sousa, head de Solutions Architects Latin America da Oracle Brasil.

Os setores que mais sofreram com os ataques do ano passado foram Saúde (27% das invasões), Serviços Financeiros (12%), Educação (11%), Varejo (11%), Governo (11%) e Tecnologia (7%).

De acordo com Alexandre Sousa, os vetores típicos de ataques contra empresas são, nesta ordem, Engenharia Social, credenciais roubadas, exploração de vulnerabilidades, malwares, falhas em configuração e DDoS (ataque de negação de serviço). “A tecnologia para ser segura precisa contar com três pilares de proteção: pessoas, plataformas e dados. O de pessoas é o que precisamos nos preocupar mais”.

Para Marta Helena Schuh, especialista em risco cibernético da JLT Specialty Brasil, o valor de mercado de dados e informações não devem ser desprezados. “Uma pesquisa na deep web revela a industrialização do crime cibernético. É possível encomendar um vazamento de dados, a invasão a uma conta de email e até uma vida nova com passaporte, carteira de motorista e identidade americanos”.

A especialista lembrou que, segundo o Loyd´s, há pouco mais de 40 anos 83% dos ativos das empresas eram tangíveis e 17% intangíveis. Atualmente isso inverteu para 16% tangíveis e 84% intangíveis. “O risco cibernético pode ser tangibilizado na medida em que um ataque ou uma negligência interrompe o negócio, provoca reclamação de terceiros, causa danos à imagem, perdas financeiras, ação de órgãos reguladores, faz as ações despencarem, afetando o valor de mercado da companhia. As empresas precisam despertar para a realidade atual desse novo risco”, conclui.

 

IPOs de operadoras de saúde

O jornal Estado de São Paulo publicou hoje um infográfico que resume os IPOs de saúde nesta semana. A matéria pode ser lida por assinantes no link do jornal.

 

Bradesco Seguros divulga lucro de R$ 1,56 bi no 1o. tri

O grupo Bradesco Seguros divulgou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão de janeiro a março de 2018, nos segmentos de seguros, capitalização e previdência complementar aberta, 13,8% acima do mesmo resultado obtido em mesmo período de 2017. O total pago em indenizações e benefícios atingiu R$ 13,7 bilhões, correspondentes a mais de R$ 220 milhões por dia útil.

A divulgação vem junto com o balanço do banco, que anunciou lucro líquido recorrente de R$ 5,102 bilhões no primeiro trimestre deste ano, cifra 9,8% maior que a registrada no mesmo intervalo de 2017, de R$ 4,648 bilhões. O lucro com o braço segurador representou 31% no trimestre.

A participação da previdência no resultado registrou ligeiro decréscimo, para R$ 879 milhões,  como mostra o quadro acima, com ramos elementares e outros avançando para R$ 400 milhões. Segundo comunicado do grupo, o Índice de Eficiência Administrativa do grupo segurador completou o quarto trimestre consecutivo em 3,9%, inferior aos 4% registrados no primeiro trimestre de 2017. O Índice de Comercialização acusou melhora de 0,4 ponto percentual, atingindo 9,5%, e o Índice Combinado manteve o patamar de 85%.

Apesar de a perspectiva para o crescimento das receitas para 2018 estar no intervalo entre 4% e 8%, a performance do primeiro trimestre é negativa em 2,1%.

O resultado financeiro, segundo comunicado, superou em 7,5% o registrado no mesmo período de 2017 e em 9,4% o do quarto trimestre do ano passado. As provisões técnicas superaram R$ 250 bilhões, correspondentes a cerca de 27% do total do mercado segurador, e os ativos financeiros alcançaram aproximadamente R$ 280 bilhões.

O grupo informa ter encerrado o trimestre com cerca de 25% de market share e mais de 53 milhões de segurados, participantes, clientes e contratos – aumento de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2017. Vale ressaltar que as estatísticas do primeiro trimestre do mercado segurador ainda não foram divulgadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Valor publica especial sobre Longevidade

O Valor Econômico publica o especial Longevidade nesta quinta-feira. Conta que em 2030, o número de brasileiros idosos deve chegar a 41,5 milhões, maior do que o de crianças e adolescentes, que deve ficar em 39,2 milhões, segundo projeção do IBGE. Essa inversão da pirâmide demográfica tende a causar profundos impactos na estrutura social e econômica do país, criando um cenário que desafia governo, empresas e cidadãos.

Traz matérias que mostram como o mercado segurador tem criado estratégias e produtos para atender a essa nova onda da sociedade mundial. Entre elas, uma traz a discussão sobre a reacomodação do sistema de previdência. Outra aborda a urgente necessidade da reforma da Previdência e uma terceira destaca a estratégia das operadoras de saúde passou a ser cuidar do cliente e não apenas administrar recursos de pagamento de atendimento.

Leia mais no link

 

Análise: por que a SulAmérica colocou à venda vida, previdência e capitalização?

Atualização: Nota da SulAmérica confirma as negociações – 21h00

Conforme antecipou a coluna do Broadcast, que tem Aline Bronzati como uma do trio de jornalistas, a seguradora SulAmérica colocou à venda as suas operações de seguro de vida, previdência privada e capitalização.

Tal estratégia vai ao encontro de uma tendência observada no mundo de seguros. Os atuais players, grandes e poderosos, se curvam à combinação de tecnologia digital nova e multifacetada, que tem atraído grande interesse de fundadores, investidores e consumidores.

De acordo com dados da CBInsights, a atividade total de negócios envolvendo insurtech aumentou sete vezes na última década, com média de US$ 1,7 bilhão por ano de 2014 a 2016, comparado a US$ 250 milhões por ano, de 2011 a 2013. Algumas rodadas de mega financiamento – como Zhong  (US$ 930 milhões), Zenefits (US$ 500 milhões) e Oscar (US$ 400 milhões) foram manchetes em 2017.

Em 2018, as manchetes são  que a Zhong, que nasceu de uma parceria com o varejista Alibaba em 2013 para venda de seguro que indenizava o comprador caso a entrega do produto falhasse, tem hoje valor de mercado na bolsa de Hong Kong que ultrapassa US$ 13,6 bilhões, com mais de 7 bilhões (isso mesmo, bi) de apólices para mais de 500 milhões de clientes.

Outra manchete desde meados de 2017 é que a Amazon está selecionando parceiras nos Estados Unidos para ampliar a oferta de seguros. Por enquanto vende apenas seguro garantia para produtos comprados em sua loja virtual. Mas as especulações em torno do tema são fortes, principalmente em torno das seguradoras que já são parceiras no serviço da robô assistente  Alexia, que leva aos internautas dicas sobre seguros entre suas funções.

Na Índia, a Amazon investiu US$ 15 milhões na insurtech Acko. Vir para o Brasil pode ser uma questão apenas de regulamentação. A gigante do comércio varejista online assusta até mesmo as insurtechs. Shai Wininger, co-fundador da  Lemonade, acusou publicamente, por meio do LinkedIn, a gigante Amazon de roubar funcionários de sua companhia de seguro no início do ano. Pouco se fala do Google, mas a aposta dos especialistas é que ele segue a mesma estratégia. Já fez uma tentativa no passado de cotar seguro de carro e certamente não desistiu. Apenas alterou a estratégia.

A corrida pela sobrevivência em um mundo segurador em plena revolução se mostrava bem pouco avançada comparada aos bancos no Brasil até meados de 2017. De lá para cá, todas as entrevistas tocam neste assunto, ainda que de forma tímida. Operações como essa da SulAmérica e da HDI em parceria com o Santander devem ser seguidas por muitas outras concorrentes. Várias são gigantes lá fora no tema inovação, como AXA, Liberty, MetLife, Zurich e Travelers. Certamente implementam seus projetos localmente de forma discreta.

Além das resseguradoras, como Munich Re, Swiss Re, Lloyds of London que são peças-chave no estímulo de seguradoras ingressarem em novos mercados ao garantirem o resseguro da operação. A Munich Re, por exemplo, participa da operação da Trov e o Lloyds’s da Lemonade.

Esse movimento cria várias formas de modernizar o setor.  Tem insurtechs que viram seguradoras, como a novaiorquina Lemonade, e seguradoras que passam a atuar de forma tímida como insurtech e que logo se destacam como unicórnios do mundo digital, como a chinesa Zhong An, a primeira a ultrapassar o valor de US$ 1 bilhão entre as startups de seguros.

A SulAmérica tem sido protagonista de algumas mudanças reais no setor, com investimento no digital das carteiras não colocadas à venda: auto e saúde. Certamente já trabalha também com algo para residências e seguros para pequenas e médias empresas. Implementou o reembolso digital em saúde entre outras inovações e também testa a telemetria no seguro automóvel.

As novidades no Brasil são Minuto Seguros, tida pelos bancos de investimentos como a principal startup da área de seguros no Brasil; Youse, que graças a um sócio estatal tem cacife para anunciar até mesmo na premiação tapete vermelho do Oscar, o que a ajudou a vender mais de 150 mil apólices desde o lançamento, mas isso é apenas a metade da meta que havia sido traçada; ThinkSeg que promete para maio uma grande campanha; e a Kakau, que mal nasceu no Brasil fundada por três sócios e já colocou o país no livro “The Insurtech Book”, liderado por Sabine L.B VanderLinden, que será lançado em junho, em Londres. Os capítulos do livro de mais de 300 páginas foram escritos pelo que o mundo considera “as feras” sobre o tema. O sócio CEO  da Kakau, Henrique Volpi, escreveu o capítulo “Seamless Insurance the time is now”.

Voltando para a notícia da Agência Estado (onde a Coluna Broad é publicada), temos a informação de que para encontrar interessados nessas carteiras, a SulAmérica lançou uma oferta ao mercado com o codinome de “Creta”, em referência à maior e mais populosa ilha da Grécia. Os desinvestimentos estariam ocorrendo por uma busca de escala por parte da seguradora e foco nos segmentos ‘core’, como seguro saúde, que responde por mais de 70% do seu faturamento, e de automóvel. Em seus últimos movimentos nesta direção, a SulAmérica vendeu a sua carteira de grandes riscos para a francesa Axa, e a de seguros habitacionais para a Pan Seguros (seguradora do ex-Panamericano), ambas em 2015.

A nota da coluna também conta que os segmentos alvo da operação Creta têm bem menos importância que os negócios principais da seguradora e, por isso, os desinvestimentos fazem sentido. O faturamento de previdência, por exemplo, foi de pouco mais de meio bilhão de reais no ano passado, enquanto o de vida e acidentes pessoais somou R$ 430 milhões. Em capitalização, foi de pouco mais de R$ 50 milhões. Saúde somou quase R$ 14 bilhões e automóveis, R$ 3 bilhões.

De acordo com a coluna, a operação Creta já provoca especulações sobre possíveis compradores. A lista inclui Axa, que sempre deixou claro o seu interesse na SulAmérica e teria uma preferência junto aos controladores da seguradora, a Família Larragoiti; a Icatu; a alemã Allianz; a Bradesco Seguros; e também a Porto Seguro.

O fato é que o Brasil passa por um tsunami, como bem retrata em seus primeiros episódios a terceira temporada da série Billions, lançada em março no Netflix. A nova CEO da empresa (Asia Kate Dillon no papel de Taylor Mason) de fundos de investimentos Axe anuncia para toda a equipe que o grupo registrou perdas significativas com um tsunami no Brasil. O operador comenta: mas lá não tem catástrofes naturais!

A estagiária, que se mostra brilhante em cálculos e perspicácia a ponto de  conquistar a promoção de substituir Bobby Axelrod enquanto ele é investigado, informa que o tsunami são as delações premiadas que colocaram em risco boa parte dos investimentos feitos pelo grupo no país. Para amenizar a perda, o grupo compra posições em cana na África. Isso mostra como é preciso recuperar a credibilidade e mostrar a todos que o Brasil caminha para ser o país do futuro….um dia. Há esperança.

O imbróglio político afeta os investidores estrangeiros, afeta as empresas locais, que vendem menos, demitem mais, contam com taxa de juros menores em suas aplicações e taxas elevadas para empréstimos em função dos rebaixamentos das agências do rating como consequência do agravamento do risco do Brasil.

Tal situação ressalta que há vários tipos de catástrofes entre as naturais e as feitas pelo homem. Ambas tiram todos da zona de conforto. É preciso “orar, vigiar, mudar estratégia, trabalhar, investir em tecnologia e conquistar os consumidores” 24 horas por dia para se manter em pé e cultivar uma longevidade saudável.

Ministério da Fazenda descarta privatização do seguro de acidente de trabalho

A privatização do seguro de acidente de trabalho que vinha sendo discutida há mais de um ano pela equipe de Michel Temer foi descartada pelo Ministério da Fazenda, segundo fontes próximas das negociações. “A princípio o tema interessou ao governo porque reduziria uma despesa importante do governo, ainda mais num momento em que se debate que o orçamento para 2019 não tem como cumprir a regra de ouro, que estabelece que o governo não pode se endividar para financiar despesas correntes”, comentou a fonte que pediu anonimato. No entanto, o custo de transferencia do seguro de acidente do trabalho não compensaria neste momento de final de governo, acrescentou.

Até 1967, o sistema funcionava com seguradoras privadas e com o Estado. Esse tema está em pauta desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em 1996 chegou ser enviado para o Senado, onde foi engavetado. Trata-se de uma  obrigação contributiva patronal paga pelas empresas e administrada pelo INSS.

Segundo a iniciativa privada, a ideia de privatizar o seguro era ter as seguradoras como gestoras de riscos, com campanhas de prevenção junta às empresas, com alíquotas reduzidas para as empresas que cumprirem normas de seguranças criteriosas e penalidades para aquelas que se mostrarem omissas no cuidado com o bem estar do trabalhador. Hoje, segundo se comenta no setor de seguros, o governo não tem como fiscalizar de forma eficaz o que é feito pelas empresas para prevenir acidentes no dia a dia.

Dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança e do Trabalho, do  Ministério Público do Trabalho e pela Organização Internacional do Trabalho, contabilizam de 2012 a 2017  3,9 milhões de comunicados de acidentes, ou 646,6 mil por ano. Em 2012 foraO estudo revela ainda que nos últimos seis anos foram gastos R$ 26,2 bilhões com benefícios acidentários, entre eles auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte. Essas estatísticas fazem do Brasil o quarto país com maior índice de acidentes de trabalho no mundo, superado por  China, Índia e Indonésia, de acordo com a OIT.

 

Rodrigo Botti, novo CEO da Terra Brasis, aborda os desafios da resseguradora e do setor

 

Rodrigo Botti assumiu o comando da Terra Brasis. Ele substitui o pai, Paulo Botti, na companhia que tem o Banco Plural e o Banco Mundial como investidores. Só isso representa um grande desafio, se considerarmos que o pai é um dos profissionais mais renomados do mercado de seguros e resseguros. A boa notícia é de que Rodrigo seguiu os passos do pai em tudo. Inclusive no amor para desenvolver a cultura de seguros e de resseguros no Brasil. Algo realmente desafiador para todos.

“Temos na pauta vários temas”, diz ele, em um agradável almoço com o blog Sonho Seguro, ao lado do pai, no restaurante Salvattore, em São Paulo. Ele cita  três, que considera relevantes para serem iniciadas já e tocadas no longo prazo: buscar soluções para o segmento de saúde suplementar, que está às voltas com discussões sobre a reorganização do setor; desenvolver no Brasil a transferência de riscos para o mercado de capitais, como acontece na Europa, por meio do produto financeiro conhecido como Insurance-Linked Securities (ILS); e tornar o Brasil o centro de excelência de resseguro para a América Latina.

Rodrigo: Brasil é um mercado relevante para a região

“A América Latina representa somente 3% do mercado mundial de seguros, mas representa 10% do mercado mundial de resseguros”, diz ele. “Essa participação de 10% é relevante, principalmente se considerarmos que a Europa representa 25% do mercado mundial”, cita.  Segundo ele, o Brasil é considerado pelos investidores como potencial por ter o mercado de seguros mais desenvolvido da região, com 49% das vendas de seguros, ser o país isento de catástrofes naturais de grandes proporções como Chile, por exemplo, ter 16 resseguradoras locais já instaladas e uma regulamentação adequada, considerando-se as portarias publicadas no final de 2017 e uma nova, sobre aceitações de risco do exterior, que será apresentada ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) na próxima reunião.

Em dezembro, o CNSP acabou com os limites de operação intragrupo nos contratos de resseguro. Havia um limite de 20% por operação com uma escala de ampliação que atingiria 75% em 2020 para que o resseguro fosse passado para empresas do mesmo grupo. Além disso, o CNSP acabou com a reserva de mercado, que começava em 40% e terminava em 15%. Apenas a preferência de oferta de 40% para os resseguradores locais foi mantida. “Políticas dessa natureza são comuns em todos os mercados, principalmente nos EUA e na China”, cita Paulo Botti, defendendo tal regra como uma preservação do mercado nacional, bem como necessária ao crescimento sólido do mesmo.

Já no forno, com divulgação prevista para breve, há uma resolução simples, com cerca de seis artigos, que visa regulamentar a aceitação pelas resseguradoras locais originados por cedentes do exterior. Trata-se de um tema importante, tendo em vista que o crescimento do mercado ressegurador do Brasil tem sido puxado pelas operações das resseguradoras locais na América Latina.

A região, que tem como principal concorrente Miami (EUA), considerando-se os núcleos de resseguros regionais, gera localmente US$ 20 bilhões de prêmios de resseguro. Desconsiderando-se as trocas com o exterior, resta somente com US$ 3 bilhões, explica. Por outro lado, a Europa gera localmente US$ 58 bilhões e depois das trocas restam US$ 128 bilhões. “Ou seja, recebe muito mais do que cede”, ressalta.

Paulo Botti: temos lutado muito ultimamente para realizar esse sonho do Brasil ser o “hub” de resseguros da região

E como realizar esse sonho do Brasil ser o centro de excelência, alimentado há anos?  “Nossa tese é de que devemos aprimorar nossa competitividade, tanto como industria e como país, para que exista um pouco mais de equilibrio nestas trocas. É para isto que a Terra Brasis, a ANRe e nós pessoalmente, temos lutado muito ultimamente”, acrescenta o pai Paulo Botti, que agora ocupa um assento no Conselho da Terra Brasis.

Quanto a saúde, a ideia é de que as operadoras possam acessar o resseguros sem ter de ter uma seguradora como emissora, assim como os fundos de pensão. “Seria positivo comprar diretamente, mas não é crucial. O importante mesmo é que o resseguro possa prover soluções para as operadoras de saúde e assim contribuir para melhorar os balanços das companhias”, diz ele.

Com referência ao ILS, no mês de março foi anunciado que a AlphaCat Managers Ltd. (“AlphaCat”), uma subsidiária integral da Validus Holdings, Ltd. (“Validus”), e a Terra Brasis Resseguros concluíram uma transação de US$ 5 milhões em títulos privados de catástrofe. A emissão de bonds, denominada Alpha Terra Validus II, renova efetivamente a transação Terra Brasis Validus I de 2017, que representou uma oferta exclusiva de risco de resseguro da América Latina com base em indenização.

“É uma iniciativa que visa ajudar a fomentar o desenvolvimento de um mercado de capitais para risco seguráveis no Brasil”, diz. São produtos que tem tido forte procura pelos investidores que buscam rentabilidades diferenciadas e sem correlação com outros tipos de investimentos, como ações e renda fixa. O título cobre a exposição a riscos de danos a bens ligados a catástrofes naturais da Terra Brasis na América Latina, com cobertura para as principais  exposições da empresa fora do Brasil, especialmente em países como Peru e Colômbia, onde o grupo abriu escritórios de representação.

Para fomentar o ILS no Brasil é preciso mudanças na legislação relacionada aos seguros, uma vez que a lei brasileira não permite às seguradoras transferir riscos aos mercados de capitais. “Uma das vantagens dos produtos ILS é que eles lhes ajudam a reduzir a exposição a riscos de grande intensidade como terremotos e furacões, o que mitiga riscos para seguradoras, resseguradoras e emissores privados ligados a agências de fomento governamentais”, explica Botti. Entre os mercados potenciais para esse tipo de papel abordar são os seguros agrícola,  garantia, de engenharia e também os ligados ao tema longevidade, como saúde e vida.

Além desses três pontos, os Botti acreditam que a nova Lei de Seguros, resumida no Projeto de Lei de Contrato de Seguro da Câmara (PLC 29/2017) que tramita no Senado, seria importante para o setor. “Pode ter alguns equívocos, mas 90% está adequado. O setor teria muito a ganhar, principalmente o consumidor”.