Allianz supera IRB e muda ranking histórico do resseguro brasileiro

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Uma mudança silenciosa, mas simbólica, mexeu com um dos pilares históricos do mercado brasileiro de resseguros. Pela primeira vez desde a criação do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), em 1939, a companhia deixa a liderança do ranking de grupos resseguradores que mais recebem negócios do mercado brasileiro. O novo líder é a Allianz, movimento que já provoca discussões técnicas e estratégicas nos bastidores do setor.

Estes dados, entre outras análises do mercado de resseguros e de ILS, constam na nova edição do estudo [Re]vision Research, idealizada e patrocinada pela Abecor, e mostram a Allianz com participação de 13,1% do mercado, enquanto o IRB caiu para 11,8%, recuo de 4,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. 

O episódio expõe uma transformação estrutural do mercado brasileiro e reacende um debate delicado: o crescimento do resseguro intragrupo e seus efeitos sobre a competitividade local. O próprio estudo afirma que “os efeitos do resseguro intragrupo moldam os rankings” e destaca que grupos seguradores globais passaram a ocupar as primeiras posições entre cedentes e resseguradores. 

Nos corredores do Encontro de Resseguros, realizado esta semana no Rio de Janeiro, o tema dividiu opiniões. Alguns executivos veem a mudança como consequência natural da globalização dos grupos seguradores. Outros avaliam que ela merece atenção regulatória, sobretudo pelo potencial de alterar condições competitivas no mercado brasileiro de seguros.

Fontes ouvidas sob condição de anonimato afirmam que a liderança da Allianz foi fortemente impulsionada pelo aumento do resseguro intragrupo, especialmente em carteiras massificadas, como automóveis. A lógica é relativamente simples: a seguradora brasileira transfere parte relevante do risco para resseguradoras do próprio grupo no exterior, concentrando prêmio e resultado em outras jurisdições, muitas delas com cargas tributárias com cargas mais favoráveis.

De acordo com nota da Allianz, a liderança é uma consequência de vendas. “Para fazer frente aos sinistros causados pelas mudanças climáticas, a Allianz passou a oferecer mais coberturas nas carteiras de Automóvel, Agro e Massificados, o que reforça a necessidade de resseguro. No caso de Agro, houve a ampliação do tipo de culturas, que agora são cobertas pela Allianz, e nos massificados a inclusão da cobertura de alagamento, por exemplo. Isso beneficia muito o segurado, que agora está sendo indenizado por danos que antes não eram cobertos.”

O estudo já identifica esta dinâmica se intensifica recente. Segundo a publicação, o resseguro intragrupo, historicamente utilizado em grandes riscos corporativos, passou a avançar também para linhas de varejo, como automóveis.  O tema desperta sensibilidade porque a discussão vai além do resseguro, impacta as seguradoras brasileiras de grandes riscos e as de linhas massificadas. Na prática, participantes do setor apontam que a transferência de operações para estruturas internacionais pode gerar vantagens econômicas relevantes.

Uma das principais questões está relacionada à carga tributária. O Brasil possui uma estrutura de impostos considerada mais pesada que diversas jurisdições internacionais. Ao deslocar parte do resultado para outras geografias, grupos globais podem operar sob condições tributárias potencialmente mais favoráveis.

Nos bastidores, há quem use termos mais fortes, como “evasão de divisas”. Mas especialistas ponderam que a leitura exige cautela. O debate não deve ser tratado como um problema específico do IRB ou como justificativa para mudanças protecionistas. Tampouco se trata de um tema novo. Trata-se de um modelo operacional permitido pela regulamentação atual e adotado globalmente por grandes grupos seguradores.

A preocupação maior, segundo participantes do mercado, deveria estar menos no impacto sobre o IRB e mais nos efeitos concorrenciais entre seguradoras que disputam o segmento de automóveis. Se determinados grupos conseguem operar com estruturas globais mais eficientes, parte desse ganho pode ser convertida em preços mais agressivos, alterando a dinâmica competitiva do mercado local.

A discussão ganha ainda mais relevância porque ocorre num momento em que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) mantém grupos de trabalho debatendo ajustes e aperfeiçoamentos do novo marco legal do seguro e de contratos ligados ao resseguro.

Há uma memória regulatória sensível nesse tema. O estudo lembra que mudanças infralegais realizadas ao final de 2019 flexibilizaram operações intragrupo e facilitaram retrocessões das resseguradoras locais. O efeito, segundo os autores, foi imediato: a retenção doméstica iniciou uma trajetória de queda acelerada. 

Hoje, a produção doméstica de resseguro representa apenas 27% do volume cedido pelas seguradoras brasileiras, patamar próximo das mínimas históricas. Ao mesmo tempo, o próprio IRB também atravessa um momento de redefinição estratégica. A companhia ampliou sua atuação internacional e busca novas frentes de crescimento, incluindo a criação de uma seguradora patrimonial própria, em movimento que busca diversificar receitas e reduzir dependência do modelo tradicional.

Por isso, a perda da liderança pode representar menos uma derrota isolada e mais um retrato de um setor em transformação. Depois de décadas em que o IRB funcionou quase como sinônimo do mercado brasileiro de resseguros, a mudança de ranking mostra que o setor passa por uma nova fase: mais internacionalizada, mais integrada a estruturas globais e, possivelmente, mais desafiadora para reguladores e concorrentes.

Resseguro entra em ciclo “soft”, amplia competição e aumenta a consolidação do setor

O mercado de resseguros vive uma mudança de ciclo que está redesenhando a dinâmica competitiva do setor no Brasil. Após um período de endurecimento de preços entre 2023 e 2024, impulsionado pela restrição de capital global, o setor entrou em uma fase conhecida como “soft market”, caracterizada pelo aumento da oferta de capacidade, queda das taxas e maior poder de negociação nas mãos dos compradores. Para seguradoras e resseguradoras, o momento traz oportunidades de expansão, mas também exige mais disciplina técnica.

A avaliação é de Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter Brasil, durante entrevista nos bastidores do encontro de resseguros realizado no Rio de Janeiro. O evento reuniu lideranças do mercado brasileiro e executivos internacionais para discutir tendências, novas estruturas de capital e perspectivas do setor. “O mercado soft é o mercado comprador. Seja para o cliente final, seja para o comprador de resseguro. Hoje a dinâmica está totalmente favorável ao comprador”, afirmou Farme.

Segundo o executivo, a fase atual marca uma reversão importante do movimento observado nos últimos dois anos. Diferentemente do que se poderia imaginar, o endurecimento anterior não foi provocado principalmente por grandes perdas catastróficas, mas por uma redução da base global de capital disponível.

Farme explica que, nos últimos anos, eventos climáticos globais vêm produzindo perdas recorrentes na casa de US$ 100 bilhões anuais, patamar que, embora elevado, continua absorvível pela indústria global. O que efetivamente pressionou o mercado entre 2023 e 2024 foram fatores macroeconômicos. “O endurecimento não veio das perdas. O que endureceu o mercado foi um efeito financeiro: juros, inflação, remarcação de ativos e redução de capital disponível”, explicou.

Na prática, taxas maiores e resultados robustos geraram um movimento clássico dos ciclos de seguros: capital atraindo mais capital. Com o aumento da rentabilidade das resseguradoras, novos investidores passaram a enxergar oportunidades no setor, ampliando a capacidade disponível.

O resultado já pode ser observado no Brasil, que, segundo Farme, entrou no ciclo soft de forma até mais acelerada do que outros mercados. “O mundo começou a entrar nesse ciclo na segunda metade do ano passado. O Brasil acelerou muito no primeiro semestre deste ano”, afirmou.

Esse aumento de capacidade vem ocorrendo tanto pela expansão dos resseguradores tradicionais quanto pela chegada de novos participantes e plataformas especializadas. Movimentos recentes ilustram a tendência. Entre eles estão iniciativas da Pátria, crescimento de grupos como Arch, Hannover e Grange, além do avanço de plataformas dedicadas a estruturar operações de resseguro e fornecer capital para novas estruturas.

Além dos novos participantes, a tecnologia aparece como um dos principais vetores de transformação do mercado. Farme afirma que plataformas digitais estão permitindo às companhias ampliar escala de distribuição e processar volumes antes inviáveis por estruturas tradicionais. “Estamos vendo companhias conectando 15 mil, 30 mil corretores em plataformas digitais e realizando dezenas de milhares de cotações”, afirmou.

Segundo ele, a digitalização deixou de ser diferencial competitivo para se tornar requisito básico para atuação. “Virou algo obrigatório. Quem quer crescer no pequeno e médio mercado precisa ter tecnologia. Sem isso, fica difícil competir”, disse. A nova realidade, porém, não gera apenas entusiasmo. A queda das taxas impõe desafios importantes às seguradoras e resseguradoras, que precisam ampliar volume para preservar receitas. “Para atingir a mesma meta, será preciso produzir muito mais”, afirmou Farme.

Na prática, margens menores exigem maior exposição ao risco e revisão dos modelos de subscrição. O cenário demanda menos conservadorismo e análises mais refinadas. “Será preciso trabalhar mais, apertar os modelos e fazer conta na ponta do lápis”, resumiu.

Apesar da maior competição, o executivo observa que praticamente todas as linhas de negócios vivem dinâmica semelhante. A única exceção relevante é o seguro garantia, que ainda apresenta algumas limitações de capacidade para determinados riscos, embora permaneça competitivo.

Ao mesmo tempo, o ambiente macroeconômico adiciona elementos de atenção. Empresas altamente endividadas, crescimento das recuperações judiciais e possível redução de investimentos em prevenção de riscos podem criar um ambiente mais desafiador para resultados técnicos.

Segundo Farme, historicamente há dois momentos em que a sinistralidade tende a subir: em períodos de forte retomada econômica, quando ativos operam em elevada intensidade, e em cenários de forte estresse financeiro. “Se você soma elevado endividamento, menor investimento em prevenção e taxas mais baixas, pode ter um cenário de perdas mais alto”, afirmou.

Ele pondera que esses fatores isoladamente não garantem deterioração, mas elevam a probabilidade de pressão sobre os resultados. Mesmo diante dos desafios, o executivo vê o atual momento mais como oportunidade do que ameaça. “O mercado soft separa os muito mal-humorados daqueles que enxergam oportunidade. Nós estamos no grupo que vê oportunidade”, afirmou.

O encontro de resseguros no Rio refletiu essa percepção. O evento atraiu grande número de executivos estrangeiros interessados não apenas no mercado local, mas também nos impactos das novas regras regulatórias, da reforma tributária e do potencial brasileiro em uma indústria ainda pouco explorada em segmentos como riscos climáticos, estruturas paramétricas e instrumentos ligados ao mercado de capitais.

Para Farme, o tamanho do Brasil faz do país um caso particular na América Latina. “O Brasil é um outlier em qualquer escala. Tudo aqui acontece em escala grande”, afirmou. Na visão do executivo, o país pode construir soluções próprias de inovação em riscos, especialmente em instrumentos ligados ao mercado financeiro. A combinação entre um mercado de capitais sofisticado e necessidades específicas brasileiras pode abrir espaço para novas estruturas.

Mas ele reconhece que os juros ainda representam uma barreira importante. “Com juros altos, qualquer ativo de risco se torna menos atrativo”, afirmou. Enquanto isso, o mercado segue em movimento. Mais capital, mais competição e mais tecnologia devem moldar os próximos capítulos de uma indústria que entra em uma nova fase — e que, como todo ciclo de seguros, exigirá capacidade de adaptação para separar vencedores e perdedores.

Pedro Penalva será CEO da América Latina da AON

A Aon plc, empresa líder global em serviços profissionais, anunciou hoje que Kai-Frank Buechter e Tracy-Lee Kus serão co-CEOs da EMEA a partir de 1º de junho, com Buechter à frente da Europa Continental e o Norte da África e Kus responsável pelo Reino Unido, Irlanda, África do Sul e Oriente Médio. Além disso, Pedro Penalva será CEO da América Latina a partir de 1º de julho. 

Buechter, Kus e Penalva irão se reportar a Greg Case, presidente e CEO global da Aon, e farão parte do Comitê Executivo da Aon. Alfonso Gallego de Chaves será Deputy CEO of EMEA a partir de 1º de junho, e Andrea Parisi será chair of Continental Europe a partir de 1º de janeiro de 2027, ambos se reportando a Buechter. As regiões da América do Norte e APAC continuarão sob a liderança de Anne Corona e Jennifer Richards, respectivamente. 

“Enquanto continuamos acelerando nossa estratégia Aon United para servir nossos clientes com excelência em um momento de crescente necessidade, estamos animados para anunciar novas responsabilidades regionais para Kai-Frank, Tracy-Lee e Pedro, a fim de avançar na forma como entregamos valor aos clientes dentro e através das nossas regiões”, comentou Case. 

Buechter traz uma vasta experiência de mais de 26 anos na Aon, recentemente como CEO da região DACH, com responsabilidades na Alemanha, Áustria e Suíça. Anteriormente, Buechter foi CEO da Aon Risk Solutions Alemanha, Chairman do Conselho Diretivo da Aon Holdings Deutschland GmbH e Chief Commercial Officer da Aon Risk Solutions Alemanha, entre outros cargos de liderança e atendimento ao cliente.

“Os clientes de EMEA enfrentam maior volatilidade e complexidade,” comentou Buechter. “Estou animado para trabalhar ao lado de Tracy-Lee para potencializar nosso momentum em oferecer ideias acionáveis, capacidades diferenciadas de Risk Capital e Human Capital e experiência líder aos nossos clientes.” 

Kus traz mais de três décadas de experiência em funções de subscrição e corretagem, com uma carreira global na África do Sul, Reino Unido e Ásia. Recentemente foi CEO do Global Broking Center da Aon, onde impulsionou a estratégia de mercado, fortaleceu o acesso à capacidade global e ofereceu soluções diferenciadas aos clientes. Kus está apoiando o processo de transição de suas responsabilidades no Global Broking Center e permanecerá nesse cargo até que um novo líder seja nomeado. Anteriormente, Kus foi Head of Commercial Risk para a região APAC da Aon e antes ocupou vários cargos de liderança, incluindo Head of North Asia, Strategic Account Manager para grandes instituições financeiras e líder de Serviços Financeiros e Profissionais da Aon no Reino Unido. Kus também é chair of London and International Insurance Brokers’ Association (LIIBA). 

“É um privilégio liderar a presença da Aon em EMEA ao lado de Kai-Frank,” comentou Kus. “Estou ansiosa para continuar impulsionando o trabalho de nossos times de alta performance para entregar capacidades e experiência de ponta aos nossos clientes.”

Desde que Pedro Penalva entrou na Aon há mais de 15 anos, exerceu diversas funções de liderança nas esferas de clientes, países e regiões Recentemente, como Head of Enterprise Clients para EMEA, Penalva contribuiu para entregar capacidades integradas globalmente da Aon para mais de 150 clientes empresariais em 10 países da região. Anteriormente, Penalva foi CEO da Ibéria, África e Israel, Chief Commercial Officer de contas multinacionais para EMEA, Global Client Network Director para EMEA e CEO para Aon em Portugal. Penalva está apoiando o processo de transição de suas responsabilidades em EMEA Enterprise Client e permanecerá nesse cargo até que um novo líder seja nomeado. 

“É uma grande honra liderar a Aon na América Latina e servir nossos colegas e clientes na região,” disse Penalva. “Num momento em que nossos clientes enfrentam uma complexidade e volatilidade sem precedentes, a força de nossas capacidades integradas, a profundidade de nossa experiência e a relevância de uma empresa conectada globalmente nunca foram tão importantes. Espero avançar em nossa estratégia em estreita colaboração com um time excepcional que define o que torna a Aon única.”

Com essa transição, a CEO de EMEA Julie Page e o CEO da América Latina Alejandro Galizia serão chairs de EMEA e América Latina durante 2026, respectivamente, e depois serão senior advisors da Aon até 2027. Jane Kielty irá apoiar a transição de liderança no Reino Unido, Irlanda e África do Sul. 

Case acrescentou: “Agradecemos a Julie, Jane e Alejandro por sua liderança, pelas importantes contribuições no atendimento aos nossos clientes e na construção da empresa, assim como pelos times que desenvolveram e que continuarão impulsionando nosso trabalho.”

Page comentou: “Me sinto incrivelmente orgulhosa do que conquistamos juntos durante a primeira fase do nosso Plano 3×3. Agora é o momento ideal para que a próxima geração de líderes impulsione o negócio, e estou animada para apoiá-los enquanto constroem sobre esse forte momentum.”

Galizia acrescentou: “Depois de mais de 25 anos na Aon, sinto um enorme orgulho ao refletir sobre o caminho que percorremos juntos na América Latina. Tive o privilégio de presenciar e contribuir para a transformação da Aon na empresa que é hoje. Acima de tudo, são nossas pessoas, seus valores e sua paixão que tornaram essa jornada verdadeiramente significativa, e estou animado com o futuro da região sob a liderança de Pedro.”

Porto é destaque entre as Top Companies 2026 do LinkedIn em São Paulo 

A Porto conquistou o 3º lugar no ranking ‘LinkedIn Top Companies 2026: as 10 melhores empresas para o crescimento profissional em São Paulo’, levantamento divulgado pela plataforma com base em dados sobre evolução de carreira, desenvolvimento de competências e retenção de talentos. 

A lista reúne empresas que se destacam por oferecer oportunidades consistentes de desenvolvimento profissional e avanço de carreira. A metodologia do ranking considera oito pilares relacionados ao desenvolvimento de carreira, como progressão profissional, aquisição de competências, estabilidade, afinidade com a cultura organizacional e diversidade de gênero. 

“Estamos muito orgulhosos de estar entre as melhores empresas para o crescimento profissional em São Paulo. Esse prêmio reforça a nossa missão: fazer da Porto um lugar onde todo mundo sinta prazer em fazer parte e possa viver a nossa essência no dia a dia”, afirma Patrícia Coimbra, diretora de Gente e Cultura da Porto. 

Resseguradores aguardam com ansiedade posicionamento da Susep sobre mudanças, previsto para julho

O novo marco legal dos seguros e seus efeitos sobre o mercado de resseguros dominaram parte relevante das discussões do Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (20), em um ambiente marcado por expectativa do mercado em relação às respostas da Superintendência de Seguros Privados (Susep) às contribuições encaminhadas durante a consulta pública que revisa regras do setor.

O tema ganhou espaço justamente em um momento em que o mercado opera em ambiente considerado favorável para expansão dos negócios. A elevada capacidade global disponível — fase conhecida como mercado soft — amplia o acesso ao capital ressegurador e pode estimular a entrada de novos participantes, produtos e soluções em nichos ainda pouco explorados no país. Ao mesmo tempo, as mudanças regulatórias passaram a ser vistas como peça central para definir como essa nova etapa de crescimento ocorrerá.

Na abertura do painel sobre o novo marco legal, a moderadora Ana Paula de Almeida Santos destacou que a Lei nº 15.040 representa um avanço institucional ao consolidar um sistema único para contratos de seguros e aproximar o Brasil de modelos adotados em mercados mais maduros, como Itália, França, Portugal, Espanha, Argentina e Chile.

Segundo ela, o processo foi resultado de anos de discussão envolvendo seguradoras, resseguradoras, governo, acadêmicos e consumidores, garantindo legitimidade ao texto aprovado. Um dos pontos considerados mais relevantes foi a inclusão inédita de um capítulo específico para resseguro — tema que inicialmente não estava previsto no projeto.

A nova legislação passou a reunir cinco artigos específicos para o segmento, abordando temas como aceitação tácita pelo silêncio da resseguradora após prazo de análise, responsabilidades entre as partes, regras processuais e aspectos ligados à recuperação de créditos e despesas relacionadas a sinistros.

Apesar do avanço institucional, a regulamentação prática ainda gera dúvidas. A consulta pública promovida pela Susep sobre operações de resseguro, retrocessão, cosseguro e operações internacionais abriu uma série de debates técnicos e jurídicos que seguem em análise.

Durante o painel “O atual ambiente do mercado de resseguros”, o diretor da Susep Carlos Queiroz afirmou que a autarquia trabalha na consolidação das contribuições recebidas e indicou que as respostas ao mercado podem ser divulgadas em breve, possivelmente até julho. Segundo ele, apenas a minuta relacionada ao resseguro recebeu mais de 200 sugestões do mercado. O volume de contribuições, segundo o executivo, levou a reflexões importantes sobre temas considerados sensíveis para a operação do setor.

Entre os pontos em discussão estão a oferta preferencial para resseguradores locais, cláusulas relacionadas ao controle e cooperação em sinistros, responsabilidades operacionais e aspectos ligados à contratação e execução dos contratos. Presidente da Fenaber, Rafaela Barreda afirmou que o setor ainda atravessa uma fase de adaptação e não de acomodação às novas regras. Segundo ela, a ausência de definições regulatórias cria interpretações distintas e amplia as incertezas do mercado. “Infelizmente não tivemos todas as respostas que gostaríamos de ter hoje. O mercado não se adaptou; ele está em fase de adaptação”, afirmou.

Segundo a executiva, algumas interpretações passaram a ser tratadas como obrigações legais quando, na visão do mercado, ainda demandam esclarecimentos adicionais. Rafaela reforçou que a relação entre seguradora e segurado continua sendo distinta da relação entre seguradora e ressegurador, estrutura presente desde o Decreto-Lei nº 73. Para ela, cada cedente mantém autonomia para definir sua estratégia de aquisição de resseguro, enquanto cabe ao ressegurador estabelecer apetite, capacidade e interesse por determinadas operações.

Sob a ótica do segmento, a lei trouxe uma agenda relevante de ajustes operacionais e maior necessidade de clareza contratual. A executiva destacou ainda que operações complexas exigem níveis adicionais de governança, disciplina operacional e troca de informações entre seguradoras, resseguradores e corretores. “A gente está construindo o novo normal para entender como o mercado vai funcionar”, afirmou.

Nos corredores do encontro, a avaliação é que a discussão deixou de ser apenas jurídica. Em um ambiente de maior oferta global de capital, a forma como a regulamentação será calibrada poderá influenciar a atração de capacidade internacional, a expansão da concorrência e o desenvolvimento de soluções para riscos ainda pouco explorados no país, como já mostra a matéria sobre o estudo na nova edição do estudo [Re]vision Research, produzido pela Abecor, e mostram a Allianz com participação de 13,1% do mercado, enquanto o IRB caiu para 11,8%, recuo de 4,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. 

João Gilberto Possiede deixa saudade e um legado de generosidade ao mercado de seguros

Recebi hoje com profunda tristeza a notícia do falecimento de Possiede, um dos grandes nomes do mercado segurador brasileiro e, para mim, muito mais do que uma importante fonte: um amigo querido de mais de 30 anos.

Ao longo da minha trajetória no jornalismo especializado, Possiede esteve sempre entre aquelas pessoas raras que entendiam o valor da informação e respeitavam o papel da imprensa. Era alguém que atendia telefonemas, retornava mensagens, explicava temas complexos, contextualizava cenários e fazia isso sem pressa, sem vaidade e com uma generosidade difícil de encontrar.

Tornou-se uma das minhas fontes favoritas. Não apenas pela competência técnica, reconhecida por todos no setor, mas porque havia algo maior: a capacidade de compartilhar conhecimento de forma genuína e humana.

Sua trajetória também se confunde com a história recente do mercado segurador brasileiro. Possiede construiu uma carreira de décadas, com passagens marcantes pelo Bamerindus Seguros e pela JMalucelli Seguradora, onde se consolidou como uma das maiores referências do setor. Mais do que ocupar cargos de liderança, ajudou a desenvolver um mercado. Foi um dos executivos que praticamente construíram as bases do Seguro Garantia no Brasil, modalidade que ganhou força e se transformou em uma importante ferramenta para infraestrutura, concessões e negócios do país. (Associação Panamericana de Fianzas)

Nos últimos anos, estava afastado do dia a dia do mercado. O tempo naturalmente muda os papéis, afasta rotinas, silencia agendas. Mas há pessoas cuja presença permanece intacta. Possiede era assim. Mesmo distante das atividades executivas, seguia com a mente brilhante, observações inteligentes, memória admirável e a mesma elegância de sempre.

O mercado de seguros perde hoje um executivo respeitado, um pioneiro e um construtor. Eu perco alguém que acompanhou parte importante da minha caminhada profissional e pessoal.

Há pessoas que deixam cargos. Outras deixam legado. Possiede deixa lembranças, ensinamentos e uma saudade imensa.

Meus sentimentos à família, aos amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

IRB(RE) acelera projeto da seguradora, reforça equipe com executivos de mercado e mira estreia em julho

Frederico knapp

O IRB (RE) avança na estratégia de ampliar sua presença além do resseguro e prepara a entrada da sua seguradora no mercado brasileiro. A operação, que ainda depende do sinal verde da Superintendência de Seguros Privados (Susep), deverá iniciar atividades a partir de julho, segundo Fred Knapp, CEO da nova companhia. O projeto representa mais um movimento na estratégia do grupo de ampliar presença no seguro primário e criar novas avenidas de crescimento.

Para acelerar a estruturação da operação, a companhia reforçou recentemente o time com dois nomes de peso do mercado. Santiago Arellano, executivo com passagem pela Chubb assumirá a liderança de subscrição, enquanto Cristiane Abdala ficará responsável pelas áreas de operações e sinistros. “O projeto é importante para o IRB. Precisávamos ter um pé também no seguro primário”, afirma Knapp.

A nova companhia começará com foco em riscos corporativos. Na largada, a estratégia prevê atuação em riscos nomeados, riscos operacionais, patrimonial e engenharia — linhas tradicionalmente voltadas ao segmento empresarial e que exigem forte especialização técnica. “A princípio vamos iniciar com riscos nomeados, riscos operacionais, patrimonial e engenharia. São os três focos iniciais”, afirma o executivo.

A estrutura terá apoio direto do IRB Brasil Re na capacidade de resseguro. Segundo Knapp, a proposta aproveita a musculatura do grupo, sem abrir mão de mecanismos de dispersão de riscos. A chegada da seguradora ocorre em um momento considerado favorável para novos projetos no mercado. O setor atravessa uma fase de maior oferta de capacidade em resseguro, aumento da competição e busca por novos nichos de crescimento.

Knapp, que está há cerca de um ano e meio no IRB e assumiu em abril a liderança do projeto, afirma que a companhia trabalha há meses na estruturação da iniciativa. Além da equipe, sistemas e plataformas operacionais já estão preparados para o início das atividades. Mas os planos não param na estreia. O segundo semestre deverá trazer novos anúncios e a ampliação gradual do portfólio. “A partir de um segundo momento vamos avaliar outras linhas”, afirma.

Entre os segmentos em análise aparecem oportunidades como seguro garantia e outros ramos corporativos, embora a definição ainda esteja em discussão. O projeto também se conecta a uma visão mais ampla de expansão do grupo. Embora o IRB tenha reforçado nos últimos anos o foco no mercado brasileiro, a operação continua mantendo atividades internacionais em regiões como América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia.

Além da seguradora, o executivo acompanha a evolução do mercado de Insurance Linked Securities (ILS), por meio de outra empresa do IRB, a Andrina, com estrutura que permite captar recursos de investidores para cobertura de determinados riscos, especialmente de natureza catastrófica. O modelo ainda depende de ajustes regulatórios no Brasil. “Existe um custo regulatório elevado e algumas discussões estão sendo feitas para construir uma regulação mais específica”.

Seguradora Sompo renova contratos de resseguro em condições bem melhores do que no ano anterior

O atual ciclo favorável ao comprador do mercado global de resseguros ganhou um exemplo concreto no Brasil com a renovação dos contratos da Sompo Seguros. Em um ambiente marcado pelo aumento da oferta de capital e maior competição entre resseguradoras, a companhia concluiu recentemente a renovação de seus principais programas com excesso de demanda e melhora nas condições comerciais, um movimento que reforça a percepção de que o setor atravessa um dos momentos mais competitivos dos últimos anos.

A renovação envolveu contratos estratégicos, como transportes, property e garantia. Segundo Adailton Dias, diretor executivo de Produtos, Resseguro e Sinistros da Sompo Seguros, os programas registraram forte interesse do mercado. “Renovamos todos os contratos. Transportes, property e garantia vieram overcap, na média entre 145% e 150% da capacidade”, afirma o executivo.

O excesso de capacidade significa que houve mais interesse das resseguradoras em assumir riscos do que espaço disponível nos programas contratados. Em ciclos de mercado considerados “soft”, esse comportamento costuma resultar em condições mais favoráveis para as seguradoras, seja por preços mais competitivos, seja pela flexibilização de critérios de aceitação.

E os efeitos já começam a chegar à ponta. “Isso será muito bom para os clientes. A Sompo ficará mais flexível em algumas atividades que no passado tinham restrições ou subjetividades maiores”, diz Dias.

O movimento confirma uma percepção crescente entre executivos do setor durante o Encontro de Resseguros, realizado no Rio de Janeiro: há capital disponível buscando oportunidades, inclusive em nichos antes menos explorados.

Na prática, o aumento da competição permite ampliar limites, reduzir algumas restrições técnicas e destravar negócios que, em outros momentos, enfrentariam maior seletividade. O cenário também beneficia operações facultativas, segmento em que capacidade adicional costuma fazer diferença em riscos específicos ou de grande porte.

No caso da Sompo, a renovação ganha peso adicional pela posição da companhia em transportes. A seguradora é líder em diversos segmentos da carteira e possui cerca de 20% de participação nesse mercado. “O transporte é muito importante porque conseguimos alavancar tanto a parte contratual como utilizar nossa resseguradora local. Em casos facultativos conseguimos fazer esse combo e atender corretores e segurados”, afirma.

Segundo o executivo, a estrutura permite ainda operações mais sofisticadas, incluindo soluções envolvendo retrocessão e apoio a programas internacionais de grandes empresas. A avaliação de Dias é que o ambiente atual representa um ponto fora da curva em termos de competição. “Nunca tinha visto um mercado tão competitivo como estou vendo agora”, afirma.

A declaração ajuda a traduzir uma mudança importante no humor do setor. Após anos marcados por endurecimento de preços, eventos climáticos severos e redução de capacidade global, o mercado de resseguros voltou a conviver com abundância de capital. O resultado é uma disputa maior por negócios, especialmente em linhas corporativas, criando uma janela de oportunidades para seguradoras ampliarem apetite e expandirem atuação.

Para seguradoras, corretores e clientes corporativos, o cenário pode significar algo raro no setor: mais capacidade, maior concorrência e espaço para estruturas mais customizadas de proteção.

Patria Re aposta em operação local e amplia ofensiva no Brasil para dobrar negócios até 2030

Após mais de 15 anos operando no Brasil como resseguradora eventual a partir de escritórios no México e no Chile, a mexicana Pátria Re decidiu dar um passo estratégico para ampliar sua presença no país. O grupo, que participa nesta semana do Encontro de Resseguros, no Rio de Janeiro, escolheu o executivo Ronaldo Pinelli para liderar a construção da operação local e transformar o Brasil em um dos pilares de seu plano de expansão internacional.

A movimentação ocorre em um momento em que os acionistas querem acelerar o crescimento global da companhia. O plano estratégico prevê dobrar o volume de prêmios até 2030, saindo dos atuais US$ 1,1 bilhão para US$ 2 bilhões. Dentro desse projeto, o Brasil aparece como uma das principais apostas ao lado dos Estados Unidos e Europa.

“Hoje temos cerca de US$ 70 milhões em prêmios no Brasil. Não somos pequenos, mas ainda temos uma participação reduzida em um mercado de aproximadamente US$ 6 bilhões. O Brasil será um grande player nesse crescimento dos próximos anos”, afirma Ronaldo Pinelli, country manager da Pátria Re no Brasil.

A empresa chega ao país com uma estratégia diferente da adotada anteriormente. Embora continue operando como resseguradora eventual, modelo que a companhia não pretende alterar, a presença física passa a ser vista como diferencial competitivo.

Pinelli assumiu o cargo há apenas dois meses, depois de uma trajetória de 11 anos no IRB, onde ocupava a diretoria global de contratos. Sua missão inclui estruturar uma equipe local enxuta, de aproximadamente seis ou sete profissionais focados em subscrição e relacionamento comercial. Toda a operação de backoffice, processamento de prêmios e sinistros continuará centralizada no México.

“O investimento é muito mais em pessoas e presença local. Já percebemos nas conversas como muda a relação quando há alguém no Brasil falando a mesma língua e entendendo a cultura”, afirma. Hoje a carteira brasileira está concentrada principalmente nos segmentos de garantia e property, mas a intenção é diversificar. A companhia mira crescimento em marine cargo, agronegócio, equipamentos, responsabilidade civil, linhas financeiras e também no mercado facultativo — área em que a Pátria ainda possui atuação limitada no país.

O avanço em facultativos, segundo Pinelli, deverá ser uma das novidades da operação brasileira. O objetivo é montar capacidade local para capturar demandas específicas das seguradoras, especialmente em riscos patrimoniais e corporativos.

Apesar do ambiente competitivo do resseguro, Pinelli avalia que o Brasil ainda apresenta amplo espaço para expansão. O executivo cita o surgimento de novas seguradoras, modelos digitais e MGAs como fatores que ampliam oportunidades. “Temos apoiado muitas operações desde o início e isso cria relacionamentos de longo prazo. O mercado brasileiro ainda possui muito potencial a explorar”, afirma.

Segundo ele, a marca já chega com reconhecimento relevante entre seguradoras e grandes corretores globais. Cerca de 80% dos negócios da Pátria Re vêm da América Latina, região onde a companhia possui forte atuação histórica. Fundada há 73 anos, a empresa mantém origem familiar mexicana e opera hoje em México, Chile, Brasil e Londres.

A presença física no Brasil também fecha um movimento geográfico importante para o grupo: reunir estruturas próprias nos três maiores mercados latino-americanos — México, Brasil e Chile. “Hoje cobrimos os três maiores mercados da América Latina com presença local. Isso fortalece muito nossa relação com clientes e parceiros”, afirma Pinelli.

O executivo observa que, embora o Brasil historicamente seja menos exposto a eventos catastróficos do que o México, episódios recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, mostram que o mercado local também passou a conviver com novos tipos de riscos. Essa combinação entre crescimento, baixa penetração e necessidade crescente de proteção ajuda a explicar o apetite da companhia. “Para a Pátria Re, a aposta está feita: crescer no Brasil, mas sem abrir mão da disciplina técnica que permitiu à companhia registrar índice combinado abaixo de 90% nos últimos oito anos”, finaliza o executivo.

Quebra da seguradora Infinite acende alerta reputacional e mobiliza mercado para conter danos ao seguro garantia

A liquidação extrajudicial da Infinite Seguradora dominou os corredores, reuniões e conversas paralelas do Encontro de Resseguros realizado nesta semana no Rio de Janeiro. Em um ambiente tradicionalmente marcado por negociações, renovação de contratos e perspectivas para novos negócios, o tema ganhou espaço como principal preocupação do mercado: os potenciais danos à reputação do seguro garantia e os reflexos sobre a confiança em um segmento que ainda tenta ampliar sua participação no país. 

A decisão da Superintendência de Seguros Privados (Susep), publicada nesta terça-feira (19), decretou a liquidação extrajudicial da companhia após identificar deterioração econômico-financeira, insuficiência patrimonial, fragilidade na estrutura de gestão de riscos e inconsistências nas informações prestadas à supervisão. A autarquia recomendou a substituição imediata das garantias emitidas pela seguradora. 

Nos bastidores do evento, porém, a avaliação compartilhada entre executivos é que o episódio não pode ser atribuído exclusivamente à supervisão regulatória. A cadeia envolve seguradoras, resseguradores, corretores e participantes responsáveis pela avaliação técnica e financeira dos riscos. “O ressegurador fez análise? O corretor avaliou adequadamente para seu cliente? Hoje existem apólices judiciais que precisarão ser substituídas. Não basta escolher uma seguradora; é preciso escolher a melhor seguradora”, acrescentou a fonte. 

A preocupação é especialmente sensível no seguro garantia judicial e contratual. Caso determinadas apólices não consigam ser substituídas rapidamente, sobretudo em situações nas quais os riscos eventualmente não atendam aos critérios técnicos das demais companhias, o mercado teme efeitos negativos sobre a percepção do produto. “O mercado precisa tomar muito cuidado. Isso precisa virar uma lição. Todos têm responsabilidade no processo de análise e atuação”, afirmou. 

Nos corredores do encontro, havia também um entendimento relativamente consensual: a atuação da Susep foi considerada rápida e adequada diante do cenário identificado. Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a decisão foi cautelosa e não representa risco sistêmico para o setor. A avaliação predominante entre executivos é que o caso é pontual e decorre de falhas específicas de subscrição e disciplina técnica, e não de fragilidade estrutural do mercado.

A própria Susep destacou que a liquidação “não representa risco de impacto sistêmico” e afirmou que o mercado possui capacidade para absorver as garantias atualmente vinculadas à companhia. Mesmo assim, a lembrança de episódios recentes envolvendo instrumentos financeiros elevou a sensibilidade sobre o tema.

O seguro garantia vinha consolidando espaço como alternativa à fiança bancária, em uma trajetória de crescimento sustentada pela maior flexibilidade e custos competitivos. “É ruim porque alguém terá de cancelar uma apólice, algum garantido vai reclamar e pode desacreditar do mercado. O seguro garantia cresceu muito justamente por ser alternativa à fiança bancária”, avaliou outra fonte ouvida durante o evento. 

Outro ponto que gerou questionamentos foi a estrutura operacional permitida para atuação da companhia. Entre executivos, chamou atenção o fato de uma seguradora operar com baixo nível de capital em um segmento que exige capacidade técnica e financeira robusta. “Me surpreende ainda existir uma seguradora operando com apenas R$ 4 milhões de capital. É muito baixo para o porte dos riscos assumidos”, disse uma fonte. 

Dados apresentados pela Susep reforçam o tamanho da preocupação. Das cerca de mil apólices emitidas pela companhia, apenas 275 teriam sido contratadas dentro das regras. Aproximadamente 740 precisariam de regularização por terem sido emitidas fora da área autorizada ou acima dos limites permitidos. 

O desafio agora, avaliam participantes do encontro, será transformar uma crise pontual em demonstração de maturidade institucional. A expectativa é que o mercado encontre uma solução coordenada para absorver contratos, preservar segurados e evitar que um caso isolado deixe marcas permanentes em um setor que ainda possui amplo espaço para crescer no Brasil.