Entidades defendem novo modelo previdenciário e preparam propostas para enfrentar envelhecimento da população

Fonte: Estadão Conteúdo

O sistema previdenciário brasileiro precisa passar por uma ampla reformulação para enfrentar o envelhecimento acelerado da população e garantir sua sustentabilidade nas próximas décadas. Essa é a conclusão de um estudo elaborado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) e pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), que será apresentado em setembro e pretende ampliar o debate sobre o tema durante as eleições de 2026.

Na avaliação do professor sênior da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (USP), Hélio Zylberstajn, o atual sistema de repartição já não consegue responder às mudanças na estrutura etária do País e exige uma transição para um modelo baseado na acumulação de recursos, tanto obrigatória quanto voluntária.

Segundo o presidente da Fenaprevi, Edson Franco, o principal desafio não está em desenhar um novo sistema para os futuros trabalhadores, mas em promover essa mudança preservando os direitos e as expectativas daqueles que já contribuem para a Previdência.

Desafio da transição

Franco afirma que a principal preocupação do estudo é encontrar um modelo que permita a migração do sistema atual sem provocar perdas de renda para quem está próximo da aposentadoria.

“Criar um novo modelo para quem ainda vai ingressar no sistema não é a parte mais difícil. O grande desafio é incorporar quem já faz parte dele, principalmente porque o tempo para realizar essa transição apenas com novos participantes está se esgotando”, afirma. O estudo parte da avaliação de que a janela para uma reforma estrutural está se tornando cada vez menor, o que torna o debate mais urgente.

Quatro pilares

As três entidades propõem que o sistema previdenciário brasileiro seja reorganizado em quatro pilares. O primeiro teria caráter totalmente social e garantiria proteção aos idosos independentemente de contribuição prévia. O segundo funcionaria de forma semelhante ao atual Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), porém com um teto de benefícios inferior ao vigente. A proposta é que esse segmento atenda aproximadamente 75% a 80% da população, especialmente trabalhadores com renda entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil.

O terceiro pilar seria obrigatório e baseado na acumulação individual de recursos ao longo da vida profissional. Já o quarto teria adesão voluntária, permitindo que cada trabalhador complemente sua renda na aposentadoria conforme sua capacidade de poupança. Entre as alternativas defendidas pela Fenaprevi está o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).

Pressão sobre as contas públicas

Para Hélio Zylberstajn, o peso crescente das despesas obrigatórias tornou a Previdência um dos principais desafios fiscais do país. Segundo ele, atualmente 96% da arrecadação federal está comprometida com despesas obrigatórias, restando apenas 4% para gastos discricionários.

“Mais da metade desses 96% está vinculada à Previdência, aos gastos com servidores públicos e aos militares. Mais da metade”, afirma o professor. Na avaliação de Zylberstajn, essa estrutura limita a capacidade de investimento do Estado e compromete o desenvolvimento econômico de longo prazo.

Novas formas de trabalho

Outro ponto destacado no estudo é o crescimento de modalidades de trabalho que não contribuem regularmente para o INSS, como motoristas de aplicativo, entregadores e diversos profissionais autônomos.

Segundo as entidades, esse movimento reduz a base de arrecadação da Previdência Social e amplia a necessidade de buscar um modelo mais sustentável para as próximas décadas.

Nesse contexto, a Fenaprevi defende que a previdência privada aberta, especialmente por meio do VGBL, pode desempenhar um papel importante na formação de poupança de longo prazo para trabalhadores formais e informais.

“O VGBL atende tanto trabalhadores com carteira assinada quanto profissionais liberais e representa um dos instrumentos mais acessíveis para a formação de poupança de longo prazo”, afirma Edson Franco.

O estudo completo será apresentado em setembro, durante um evento conjunto promovido pela Fenaprevi, CNSeg e Abrapp, na cidade de São Paulo.

Venda da Prudential domina bastidores do evento, enquanto seguradoras disputam a plataforma da XP

A notícia sobre a possível venda das operações internacionais da Prudential Financial foi o principal assunto nos corredores da Expert XP 2026 quando o tema era seguros. Maior fornecedora de seguros de vida da plataforma da XP, a companhia despertou dúvidas entre assessores financeiros, que passaram boa parte do evento respondendo às perguntas de clientes sobre o futuro da operação brasileira.

A preocupação, porém, rapidamente deu lugar à tranquilidade. Na avaliação dos profissionais ouvidos pelo Sonho Seguro, a eventual venda não altera a solidez financeira da companhia nem sua capacidade operacional. Pelo contrário. O entendimento predominante é que a decisão faz parte de uma estratégia global da Prudential Financial de concentrar sua atuação no mercado norte-americano, onde está sua principal operação, e otimizar a alocação de capital. “A empresa continua sendo uma das maiores seguradoras de vida dos Estados Unidos e do mundo”, resumiu um assessor que administra carteiras de clientes de alta renda.

Nos bastidores, o mercado já começou a desenhar possíveis cenários. Entre assessores especializados na análise de empresas, três grupos internacionais aparecem como os candidatos mais lembrados, com mais interesse e facilidade de negociar as duas unidades da Prudential a venda: Brasil e México. Todos negam as especulações e afirmam que estão atentos as ofertas já feitas e que novos interessados entraram na disputa.

O primeiro é a MetLife. A leitura é que a companhia reúne sinergias naturais por também ser uma das maiores seguradoras de vida dos Estados Unidos. Além disso, vem reestruturando sua operação brasileira, fortalecendo sua distribuição e ampliando investimentos em marketing. Na visão de interlocutores do mercado, uma eventual aquisição conjunta das operações do Brasil e do México teria lógica estratégica e poderia ser integrada com relativa facilidade.

Outro nome citado é a Tokio Marine. A seguradora japonesa vive um momento de elevada capitalização depois do processo de reorganização promovido pelo grupo no Japão, que vendeu negócios considerados fora do core business para atender às novas exigências da legislação local de solvência. Com caixa disponível, o grupo definiu a América Latina como prioridade de crescimento, tendo o Brasil como principal mercado da região. A companhia entrou recentemente no segmento de vida, mas ainda possui participação modesta, o que alimenta especulações sobre movimentos de expansão.

A terceira candidata lembrada é a CNP Assurances. Sócia da Caixa Seguridade, a companhia francesa vem redesenhando sua estratégia brasileira nos últimos anos para ampliar sua presença por meio de novos canais de distribuição, especialmente corretores e assessorias de investimentos. Para participantes do mercado, uma aquisição desse porte aceleraria significativamente esse projeto.

Entre os grupos nacionais, o nome mais comentado foi o do Bradesco Seguros, que estreiou com um grande estande na Expert XP neste ano e promete mais investimentos no relacionamento com premiações de incentivos e patrocínio de eventos e programas de educação financeira. A percepção ganha força com os investimentos do grupo em ter a estratégia comercial apoiada em diversos canais de vendas, além do bancassurance e dos corretores de seguros e de assessorias, que vêm crescendo nos últimos três anos de forma mais intensa. Outro ponto observado pelos participantes foi a parceria entre a Bradesco Seguros e a Swiss Re Corporate Solutions para seguros corporativos, movimento visto como demonstração do interesse da companhia em ampliar presença também nos segmentos empresarial e patrimonial.

MAG Seguros também apareceu nas conversas. Segundo relatos de assessores presentes no evento, executivos da companhia comentavam informalmente que um eventual interesse dependeria principalmente do preço do ativo. A empresa tem como acionista a holandesa Aegon e acompanha atentamente os movimentos de consolidação do mercado.

Embora os bancos encarregados da venda indiquem uma avaliação próxima de US$ 3 bilhões para os ativos internacionais colocados à venda, interlocutores ouvidos pelo Sonho Seguro consideram esse valor elevado. Nos cálculos compartilhados entre assessores presentes na Expert XP, uma eventual negociação poderia ser concluída entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,4 bilhões, dependendo do escopo final da operação.

Enquanto isso, a disputa pelos assessores acelera

Enquanto o mercado discutia quem poderá assumir os ativos da Prudential fora dos Estados Unidos — incluindo Brasil e México — outro movimento acontecia simultaneamente dentro da Expert XP 2026: praticamente todas as grandes seguradoras reforçavam seus investimentos para conquistar justamente os assessores financeiros da plataforma.

O recado foi dado pelo CEO da XP Seguridade, André Lauzana. “A XP é uma casa de investimentos, mas também é uma casa de proteção.” A frase sintetizou a transformação vivida pelo setor. O seguro deixou de ocupar uma prateleira separada para integrar definitivamente a estratégia patrimonial dos investidores, ao lado de investimentos, previdência privada e planejamento sucessório.

Os assessores financeiros se transformaram no principal campo de batalha das seguradoras. Nesta edição do evento, o movimento mostra que a disputa deixou de ocorrer apenas entre seguradoras e passou a envolver quem controla o relacionamento com o cliente. Além das parcerias já consolidadas na plataforma XP, como Prudential, Icatu, MAG, MetLife, Omint e Mapfre, a Bradesco Seguros e a Tokio Marine iniciaram oficialmente a distribuição de seguros dentro da XP. A Bradesco começou com um seguro de vida, com outros produtos em negociação, como consórcio, e a Tokio Marine confirmou que iniciará, nas próximas semanas uma agenda específica voltada aos assessores da XP para apresentar seu portfólio de seguros destinados às pessoas jurídicas, especialmente produtos voltados à proteção do patrimônio físico de empresas de diferentes portes.

Essa mudança foi o tema central do painel que reuniu Luciano Soares, CEO da Icatu Seguros; Breno Gomes, CEO da MetLife Brasil; e Patrícia Freitas, CEO da Prudential do Brasil. “O planejamento financeiro não existe sem proteção”, afirmou Luciano Soares. Segundo ele, apenas cerca de 18% dos brasileiros possuem seguro de vida, enquanto mercados maduros apresentam índices próximos de 50%. Para o executivo, o desafio não é mais criar produtos, mas inserir a proteção na conversa sobre patrimônio. A Icatu aproveitou a Expert XP para anunciar a ampliação do maior capital segurado disponível atualmente no mercado brasileiro. O limite passou para R$ 150 milhões, com idade máxima de ingresso ampliada para 80 anos e produtos que variam desde soluções de entrada, a partir de R$ 26 mensais, até estruturas patrimoniais altamente sofisticadas. “Nossa missão é proteger o maior número possível de brasileiros. Proteção não pode ser privilégio nem uma solução padronizada.”

Na MetLife, Breno Gomes reforçou que o seguro precisa acompanhar toda a construção patrimonial. “O seguro antecipa o patrimônio que a família ainda não construiu.” Gomes acredita que o setor será completamente diferente do atual em cinco anos. Segundo ele, produtos mais completos, soluções patrimoniais sofisticadas e ferramentas de inteligência artificial estarão presentes em toda a jornada, desde o treinamento dos assessores até a recomendação personalizada de coberturas aos clientes. Para o executivo, produtos como o Universal Life deverão finalmente fazer parte do mercado brasileiro.

Já Patrícia Freitas destacou uma mudança importante na utilização do produto. Atualmente, mais de 90% dos benefícios pagos pela Prudential são destinados ao próprio segurado, e não aos beneficiários, demonstrando que o seguro deixou de ser uma solução apenas para a morte e passou a proteger renda, patrimônio e qualidade de vida durante toda a jornada financeira. Ela lembrou que o Brasil passou de cerca de mil para aproximadamente 27 mil assessores em pouco mais de uma década e acredita que esse crescimento ajudará a elevar a penetração do seguro de vida dos atuais 18% para cerca de 25% nos próximos cinco anos. “Já seria um grande avanço”, afirmou. “Temos muito espaço para amadurecer o uso correto do seguro de vida como instrumento de planejamento financeiro.”

Ao final do painel, os três executivos concordaram em um ponto: o próximo ciclo de crescimento será liderado menos pelos produtos e mais pela distribuição. Na visão deles, a combinação entre assessoria financeira, inteligência artificial, soluções patrimoniais e novos modelos de distribuição deverá elevar significativamente a participação do seguro de vida no planejamento financeiro dos brasileiros durante os próximos anos. Se depender do movimento observado na Expert XP, essa transformação já começou.

Seguro muda de papel e passa a proteger o patrimônio em diferentes ciclos da vida, afirmam especialistas do grupo MAG

expert xp 2026

Durante muitos anos, o seguro de vida era lembrado apenas quando o assunto era sucessão familiar. Hoje, ele passou a ocupar um espaço muito mais amplo dentro do planejamento patrimonial. A proteção da renda, a preservação do patrimônio diante de uma doença grave, a liquidez para pagar tributos e até a continuidade de empresas familiares transformaram o produto em uma das principais ferramentas utilizadas por assessores financeiros.

Essa foi a principal mensagem do painel “O futuro do patrimônio: como planejar hoje o legado de amanhã”, realizado durante a XP Expert 2026, com participação de Thiago Levy, diretor de Parcerias Financeiras da MAG Seguros, Fábio Marinho, superintendente de Negócios da companhia, e Carlos Eduardo Fernandes, head de Seguros da Blue3, com mediação da jornalista Jamille Niero, do InfoMoney.

Segundo Thiago Levy, a sucessão patrimonial deixou de ser um tema restrito às famílias de altíssima renda e passou a fazer parte do planejamento financeiro de um número crescente de brasileiros. “O seguro de vida hoje é utilizado para trazer eficiência e proteção ao patrimônio. Pode proteger durante a vida ou no momento da sucessão. É uma ferramenta que amadureceu muito e passou a ocupar papel central nesse planejamento.”

Um dos pontos que mais chamou atenção do público, segundo ele, foi a evolução da capacidade das seguradoras em proteger pessoas cada vez mais longevas. “Hoje já é possível contratar seguro para pessoas de 70, 75, 80 e até 85 anos de idade. As seguradoras acompanharam a mudança da pirâmide demográfica e entenderam que idade, sozinha, não define risco.”

Para Levy, muitas vezes uma pessoa de 70 anos apresenta melhores indicadores de saúde do que alguém de 40. “Tem gente de 70 anos que pratica atividade física, mantém hábitos saudáveis e apresenta um perfil de risco muito melhor do que pessoas muito mais jovens que fumam, bebem e não cuidam da saúde.” Segundo ele, essa evolução permite ampliar significativamente o acesso ao seguro para um público que antes praticamente não era atendido pelo mercado.

O primeiro passo não é escolher o seguro

Outro ponto destacado pelo executivo foi o papel do assessor financeiro. Na avaliação de Levy, um erro frequente é começar a discussão pelo valor da cobertura. “O primeiro passo é entender como aquela família está organizada. Existe holding? Existem empresas? Como está estruturado o patrimônio? Depois vêm as ferramentas. O seguro é consequência de um bom diagnóstico.”

Ele afirma que planejamento patrimonial exige compreender também o lado emocional da família. “As pessoas tendem a adiar decisões que só produzirão efeito no longo prazo. O papel do assessor é justamente antecipar problemas antes que eles aconteçam.”

Para Fábio Marinho, o planejamento sucessório não pode ser tratado como um documento definitivo. “Cada caso é um caso. Até dentro da mesma família existem objetivos completamente diferentes.” Segundo ele, antes de definir o capital segurado é preciso compreender toda a estrutura patrimonial. “É preciso avaliar patrimônio, tributos, estrutura jurídica, sucessão, conversar com advogado, contador. Não existe um valor padrão.”

Outro erro recorrente, segundo Marinho, é imaginar que o planejamento feito hoje permanecerá válido para sempre. “O planejamento precisa ser revisitado todos os anos. A família muda, o patrimônio muda, a legislação muda. Se ele não for atualizado, perde eficiência.”

O maior risco não é morrer

Carlos Eduardo Fernandes chamou atenção para uma mudança importante na forma como o seguro deve ser apresentado aos clientes. “Durante muitos anos a conversa girava em torno da morte. Hoje precisamos falar também sobre perda da capacidade de gerar renda.”

Segundo ele, profissionais autônomos representam um dos melhores exemplos dessa necessidade. “Uma doença, uma internação ou uma invalidez podem interromper completamente a geração de renda. Muitas vezes a pessoa nem tem tempo para reorganizar o patrimônio.”

Na avaliação do executivo, esse risco costuma ser mais relevante para a família do que a própria rentabilidade da carteira de investimentos. “Mostrar ao cliente os impactos de um planejamento inadequado, da falta de gestão de riscos e da ausência de proteção patrimonial é, muitas vezes, mais importante do que discutir alguns pontos percentuais de rentabilidade.”

Os participantes também destacaram que o seguro de vida ganhou importância diante das mudanças tributárias. Além de permitir liquidez imediata para pagamento de despesas e tributos, ele reduz conflitos entre herdeiros. “O seguro traz recursos para custear todo o projeto de proteção financeira”, afirmou Carlos Eduardo.

Segundo ele, imóveis e empresas frequentemente carregam valor emocional para as famílias. “Sem liquidez, muitas vezes o patrimônio precisa ser vendido para pagar impostos ou despesas do inventário. O seguro ajuda justamente a evitar esse tipo de situação.” Outro ponto lembrado foi o tempo médio dos inventários no Brasil. “Um inventário pode durar cerca de três anos. Durante esse período, a família continua tendo despesas. O seguro garante recursos para atravessar esse processo.”

Reforma tributária aumenta importância do planejamento

O painel também abordou os impactos das mudanças no ITCMD. Os especialistas lembraram que, em São Paulo, a alíquota pode chegar a 8% e que, com as novas regras, o cálculo passa a considerar o valor de mercado dos bens, tornando o custo sucessório potencialmente mais elevado. Nesse cenário, o seguro passa a funcionar como fonte imediata de liquidez para reduzir o impacto financeiro da sucessão.

Outro tema discutido foi a aplicação da inteligência artificial. Segundo Thiago Levy, a tecnologia já está presente praticamente em toda a operação da MAG. A IA auxilia desde a recomendação do produto mais adequado até o processo de subscrição, aumentando a taxa de aceitação automática das propostas. Também participa da análise de pagamento de benefícios. “Hoje já conseguimos, em alguns casos, pagar benefícios no mesmo dia. A inteligência artificial nos ajuda a oferecer preços mais adequados ao risco de cada cliente e aumenta muito a eficiência da operação.”

Ao final do painel, os três executivos convergiram para uma mesma conclusão: organizar um legado não significa apenas definir quem receberá o patrimônio no futuro. Significa proteger a capacidade da família de preservar esse patrimônio diante dos imprevistos da vida. “O primeiro passo é entender onde a família quer chegar, como está estruturada hoje e quais riscos podem impedir esse objetivo”, resumiu Fábio Marinho.

Para Thiago Levy, as ferramentas vêm depois. “O seguro de vida não é uma solução única. Ele é uma das principais ferramentas dentro de um planejamento patrimonial eficiente. O mais importante continua sendo compreender a estrutura da família e antecipar problemas antes que eles aconteçam.” Essa talvez tenha sido a principal mensagem do painel: mais do que planejar a herança, o desafio agora é garantir que o patrimônio sobreviva aos imprevistos da vida.

CNseg: a expansão financeira e institucional do crime organizado no Brasil

por Vagner Ricardo

Ao longo de décadas de omissão e tolerância institucional, o crime organizado deixou de ser um problema periférico para se consolidar como um agente econômico paralelo — com “habeas corpus” de fato para expandir sua atuação no País, infiltrar-se na economia formal e disputar espaço em mercados regulados.

O resultado é um impacto sistêmico: setores inteiros passaram a operar sob influência direta ou indireta de facções, que hoje impõem um custo econômico estimado em até 11% do PIB brasileiro — algo entre R$ 1,3 trilhão e R$ 1,5 trilhão. Um “imposto invisível” que corrói competitividade, afasta investimentos, desorganiza cadeias produtivas e compromete o desenvolvimento de territórios inteiros.

A chamada “mancha criminal” se espalha em múltiplas dimensões: eleva custos operacionais, reduz investimentos em áreas críticas, pressiona o mercado imobiliário em regiões violentas, altera rotas logísticas e aprofunda a informalidade. O efeito combinado é a perda de produtividade e o travamento da circulação econômica em áreas estratégicas do País.

Especialistas alertam que não há uma “bala de prata”, uma solução simples ou imediata para conter a expansão das facções e suas engrenagens financeiras. Ainda assim, reforçam que a inação não é uma alternativa. O crime é comparado a uma doença que não foi tratada no início, e hoje coloca o País diante de uma estrutura profundamente enraizada. 

“Quando se tem dinheiro, é possível criar estrutura de recursos humanos, corromper agentes públicos e expandir domínio territorial. O Brasil ignorou durante décadas a necessidade de atacar o fluxo financeiro das facções. Compreendeu o fenômeno, mas não agiu. E não agiu por omissão ou conivência”, assinala Paulo Storani, antropólogo e ex-capitão do Bope.

Na mesma linha, a antropóloga e cientista política Jacqueline Muniz destaca que o desafio não está em eliminar completamente o crime organizado — algo irrealista —, mas em reduzir sua capacidade de acumulação, limitar sua captura institucional e impedir que se converta em uma forma de governança sobre territórios e populações.

Para ela, o fenômeno deve ser compreendido como uma engrenagem político-econômica complexa, que articula mercados legais e ilegais, agentes públicos e privados e economias formais e informais — e ainda tem mecanismos próprios de regulação e coerção. É justamente essa capacidade de operar em diferentes regimes de legalidade que explica sua resiliência. 

“A sobrevivência das facções depende de três condições simultâneas: diversificação de commodities ilegais, enraizamento territorial-comunitário e relações estáveis com segmentos do Estado. Sem esses elementos não há escala, continuidade nem capacidade de adaptação”, afirma ela.

Para Storani, isso significa que o País atingiu um estágio avançado de consolidação da criminalidade organizada, cuja reversão exigirá décadas de políticas públicas permanentes, integração institucional e enfrentamento financeiro das facções. 

 

Nesse novo estágio, especialistas apontam que o fenômeno já não pode ser tratado apenas como tema de segurança pública, mas como um sistema econômico híbrido, que interage com mercados formais, distorce cadeias produtivas e pressiona a capacidade regulatória do Estado.
 

Apesar dos avanços em legislação e das sucessivas operações policiais, autoridades e analistas reconhecem que a sofisticação dos esquemas de lavagem de dinheiro e a engenharia financeira das organizações criminosas evoluíram em ritmo superior ao da resposta institucional. O resultado é um descompasso crescente entre a complexidade do crime e a capacidade de fiscalização, investigação e punição.
 

CARBONO OCULTO 

Um dos exemplos mais recentes dessa transformação é a Operação Carbono Oculto, conduzida em conjunto pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos, que revelou um esquema bilionário associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). 
 

A investigação identificou uma estrutura que envolvia mais de mil postos de combustíveis, empresas de fachada e operadores financeiros, além da utilização de fundos de investimento, instituições de pagamento e estruturas sofisticadas do mercado financeiro para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico e de outras atividades ilícitas.
 

O caso evidencia um ponto central do debate atual: a transição das facções de organizações essencialmente territoriais para agentes econômicos altamente adaptáveis, capazes de transitar entre o mundo informal e o sistema financeiro regulado.
 

Para o economista Carlos Thadeu de Freitas, “parte dessa expansão está relacionada a fragilidades regulatórias e institucionais no sistema financeiro brasileiro”. Segundo ele, a rápida disseminação das fintechs ocorreu em um ambiente de baixa coordenação entre o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários, o que teria aberto brechas para operações com menor rastreabilidade da origem dos recursos. “Alguém tem que exigir a origem do recurso”, afirmou, ao defender maior integração entre os órgãos reguladores e reforço nos mecanismos de controle.
 

O economista também destaca que o problema não se limita à regulação, mas envolve capacidade operacional. O déficit de servidores especializados em áreas como fiscalização financeira, análise de risco e inteligência regulatória teria reduzido a capacidade de monitoramento do sistema como um todo, especialmente em um ambiente de digitalização acelerada e aumento da complexidade das transações.
 

EFEITOS DA EXPANSÃO

Na avaliação de entidades do setor segurador, os efeitos dessa expansão já são sentidos diretamente na economia formal. Segundo a CNseg, o avanço do crime organizado eleva custos operacionais, aumenta a frequência de indenizações e pressiona o preço das coberturas, especialmente em áreas mais expostas à criminalidade. 
 

O impacto não se limita ao setor de seguros: a escalada de fraudes, roubos e crimes digitais amplia a demanda por soluções tecnológicas, ao mesmo tempo em que restringe o acesso à proteção em determinadas regiões, aprofundando desigualdades econômicas e territoriais.
 

Dados da CPI do Crime Organizado do Senado reforçam o diagnóstico de fragilidade institucional. O levantamento aponta déficits significativos de pessoal na Polícia Federal, na Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), na Receita Federal e no Banco Central, comprometendo a capacidade de investigação, inteligência e regulação. O documento também destaca que a chamada “descapitalização dos órgãos de controle e inteligência” cria um efeito paradoxal: ao enfraquecer o Estado, amplia-se o espaço de atuação das organizações criminosas.
 

Nesse cenário, o sistema prisional continua desempenhando papel central na reorganização das facções. De acordo com a CPI, existem hoje cerca de 90 facções criminosas ativas no País, com diferentes níveis de atuação regional, nacional e transnacional. O PCC e o Comando Vermelho estão presentes em 24 estados e no Distrito Federal e já operam em múltiplas frentes econômicas e logísticas, com impactos diretos sobre o comércio ilegal, a segurança urbana e a governança de territórios vulneráveis.
 

A expansão dessas organizações também alcança o plano internacional, com implicações crescentes sobre regras de compliance e relações comerciais. Em determinados contextos, operações envolvendo grupos brasileiros passaram a ser observadas sob o prisma de riscos transnacionais, ampliando a complexidade regulatória para empresas expostas a cadeias globais de valor.
 

Para o antropólogo Storani, a evolução dessas organizações é resultado de um processo histórico que começa no sistema prisional. Segundo ele, o PCC surgiu inicialmente como uma estrutura de proteção entre detentos, mas evoluiu para um modelo de organização altamente estruturado. “O PCC virou uma espécie de franquia criminosa. A lógica é simples: o criminoso contribui financeiramente e, quando for preso, terá proteção, advogado e assistência para a família”, afirmou.
 

Storani explica que o Comando Vermelho, por sua vez, ganhou força a partir da expansão do mercado de cocaína nas décadas de 1980 e 1990, quando a queda de preços ampliou o consumo e criou uma demanda reprimida significativa. A partir desse processo, as facções passaram a se estruturar de forma mais complexa e diversificada.
 

Com o tempo, segundo ele, o domínio territorial deixou de se limitar ao tráfico de drogas e passou a incorporar um modelo de exploração econômica mais amplo, inspirado em dinâmicas observadas em milícias urbanas. “Hoje, muitas vezes, a diferença entre milícia e tráfico restringe-se apenas a quem vende mais droga”, disse.
 

SERVIÇOS ESSENCIAIS

Esse modelo se consolidou na cobrança de serviços essenciais em áreas sob influência das facções, como internet, gás, transporte alternativo e comércio local. Na prática, essas atividades passaram a compor uma base estável de arrecadação, ampliando a capacidade de reinvestimento das organizações em armamentos, corrupção institucional e expansão territorial.
 

O resultado é um ecossistema criminoso altamente integrado, que opera simultaneamente em mercados ilícitos tradicionais e em setores formais da economia. Entre os segmentos mais sensíveis estão combustíveis, bebidas, apostas, fintechs, criptoativos e serviços públicos terceirizados, onde há alta circulação de recursos e maior dificuldade de rastreamento.
 

Estudos de instituições como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto Esfera indicam padrões recorrentes dessa infiltração: empresas com faturamento incompatível com sua estrutura, concentração de múltiplos CNPJs em um mesmo endereço, uso de contas digitais e ativos virtuais para ocultação de beneficiários finais e exploração de fragilidades em processos de licitação e contratação pública.
 

No Rio de Janeiro, esse modelo atinge um grau ainda mais avançado de consolidação. O estado é frequentemente citado como laboratório de dinâmicas que depois são replicadas em outras regiões do País, incluindo o controle de serviços essenciais em comunidades.
 

Essa estrutura complexa amplia a capacidade de geração e lavagem de recursos, ao mesmo tempo em que dificulta o trabalho de investigação e repressão, especialmente frente à cooptação de agentes públicos, operadores financeiros e intermediários privados.
 

Diante desse cenário, especialistas defendem que o enfrentamento ao crime organizado precisa ir além de operações pontuais. A ênfase recai sobre o fortalecimento institucional, a integração entre órgãos de inteligência, o aprimoramento regulatório do sistema financeiro e, sobretudo, a capacidade de rastrear e interromper fluxos financeiros ilícitos em larga escala.
 

Sem esse conjunto de medidas estruturais, alertam os especialistas, o País corre o risco de consolidar um modelo de poder paralelo cada vez mais sofisticado, com influência crescente sobre a economia formal, a governança de territórios e a própria organização da vida social brasileira.

Seguradora agiliza atendimento aos segurados após temporal atingir Ribeirão Preto

Após o temporal que atingiu Ribeirão Preto (SP) nesta sexta-feira (24), com fortes rajadas de vento que provocaram quedas de árvores, destelhamentos, interrupção no fornecimento de energia e danos a imóveis e veículos, a seguradora Mapfre reforçou sua estrutura de atendimento para agilizar o suporte aos segurados da região afetada. A atuação acompanha o cenário registrado pelas autoridades locais, que contabilizaram diversos pontos de interdição e impactos em serviços públicos.
 

As equipes de assistência 24 horas, atendimento ao cliente e regulação de sinistros estão operando em regime especial para prestar atendimento prioritário. Entre as ocorrências esperadas estão danos em telhados e fachadas, quedas de árvores sobre residências e automóveis, quebra de vidros, prejuízos causados por objetos lançados pela força do vento e outros impactos decorrentes do temporal.
 

Nos casos de seguro de automóveis, a companhia disponibiliza um processo digital de abertura de sinistros por WhatsApp. O segurado pode iniciar o atendimento enviando fotos do veículo pelos canais da Mapfre, e as imagens são analisadas com o apoio de inteligência artificial, que auxilia na identificação dos danos e torna a regulação mais ágil.
 

A seguradora orienta que os clientes priorizem a própria segurança antes de qualquer providência. Sempre que possível, recomenda-se registrar os danos por fotos e vídeos e comunicar o sinistro pelos canais oficiais da companhia.
 

Os clientes podem acionar o seguro 24 horas por dia pelo WhatsApp (11) 4004-0101, pelo telefone 0800 775 4545, por meio do aplicativo e pelo site da seguradora.

Mitsui Sumitomo anuncia Solange Cristina Fernandes como head de seguro garantia 

A Mitsui Sumitomo Seguros (MSIG) anuncia a chegada de Solange Cristina Fernandes como nova Head de Seguro Garantia da companhia, fortalecendo sua estratégia em um dos segmentos mais relevantes do mercado segurador brasileiro.

Formada em Economia pela UNESP, Solange possui mais de duas décadas de experiência em Seguro Garantia, com passagens por Aon, Junto e Chubb, onde ocupou posições de liderança. Ao longo de sua carreira, conduziu projetos de expansão de negócios e reestruturações complexas, implantou iniciativas de digitalização da subscrição e construiu um sólido relacionamento com corretores, seguradoras e resseguradores, consolidando-se como referência técnica e executiva no segmento corporativo.

“A chegada da Solange representa um passo importante para a MSIG. Sua visão de negócios, capacidade de liderança e ampla rede de relacionamentos estão plenamente alinhadas à nossa cultura e à nossa estratégia. Um dos pilares da nossa cultura é o conceito japonês de Kizuna, que valoriza a construção de relações genuínas, sólidas e duradouras. Contar com uma profissional como a Solange fortalecerá nossa estratégia de crescimento em Seguro Garantia”, afirma Luis Nagamine, Diretor-Geral da MSIG.

“É uma grande satisfação iniciar esta nova etapa na MSIG. O Seguro Garantia vai muito além da proteção contratual: é um instrumento que gera confiança e viabiliza negócios, especialmente no mercado corporativo. Encontrei na MSIG uma filosofia com a qual me identifico profundamente e estou muito animada para contribuir com a evolução da área, unindo solidez técnica, inovação e proximidade com o mercado”, declara Solange Cristina Fernandes, Head de Seguro Garantia da MSIG.

Com a chegada da executiva, a MSIG reforça seu posicionamento em Seguro Garantia para o mercado corporativo e seu compromisso com a inovação e com o desenvolvimento de soluções que acompanhem a evolução das necessidades de clientes e parceiros. A iniciativa também contribui para que a companhia avance em direção ao seu Ikigai, seu propósito de proteger para transformar o mundo.

Seguradora CNP levará corridas a parques e áreas de preservação em sete cidades

O Instituto CNP Brasil e a CNP Seguros Holding Brasil, integrantes do Grupo CNP Assurances no Brasil, lançam o Circuito de Corridas Parques do Brasil, iniciativa que utiliza o esporte para promover qualidade de vida, inclusão social e educação ambiental. Com etapas em sete cidades de diferentes regiões do país, o projeto oferecerá inscrições gratuitas e levará os participantes a percursos em parques, trilhas e áreas de preservação ambiental, valorizando diferentes paisagens e biomas brasileiros.

Além das corridas, o circuito desenvolverá ações com escolas públicas e comunidades locais. A programação inclui atividades de educação ambiental e iniciativas voltadas ao incentivo da prática esportiva, com o objetivo de deixar um legado em cada cidade e aproximar as pessoas dos espaços naturais.

O principal diferencial do circuito está no cenário das provas. Em vez dos tradicionais percursos urbanos, cada etapa será realizada em praias, parques urbanos, unidades de conservação e trilhas ecológicas. A proposta é proporcionar uma experiência diferente em cada cidade, conectando esporte e natureza e incentivando a valorização do patrimônio ambiental brasileiro.

“Promover qualidade de vida também é uma forma de proteger jornadas de vida. É essa visão que inspira o Instituto CNP Brasil a apoiar iniciativas capazes de gerar benefícios para as pessoas e para as comunidades. O Circuito de Corridas Parques do Brasil reúne esporte, preservação ambiental e inclusão social em uma iniciativa que incentiva hábitos saudáveis, aproxima as pessoas da natureza e deixa um legado positivo por onde passa”, afirma Christiane Fabris, diretora do Instituto CNP Brasil.

A primeira etapa será realizada em 26 de julho, no Parque de Abaeté, em Salvador (BA). Depois, o circuito passará por São Paulo (SP), João Pessoa (PB), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ), encerrando a temporada em Brasília (DF), no dia 31 de outubro.

Produzido pela Casulo, empresa especializada na organização de eventos esportivos, o Circuito de Corridas Parques do Brasil integra a estratégia de investimento social do Instituto CNP Brasil e reforça o compromisso do Grupo CNP Assurances com iniciativas voltadas à promoção da qualidade de vida, da inclusão social e do desenvolvimento sustentável.

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Banco Mundial estima danos de quase US$ 19,5 bilhões com terremotos na Venezuela

Fonte: AFP

O Banco Mundial estimou, nesta quinta-feira (23), que os terremotos devastadores que atingiram a Venezuela no mês passado provocaram danos de aproximadamente US$ 19,5 bilhões (R$ 98,7 bilhões). A instituição sugere uma parceria público-privada para a reconstrução das centenas de edifícios derrubados pelos tremores.

Segundo a avaliação, os danos a moradias são quase metade do total, US$ 9,3 bilhões (R$ 47 bilhões). Os prédios não residenciais somam US$ 5 bilhões (R$ 25,3 bilhões) em perdas, e a infraestrutura urbana, US$ 5,2 bilhões (R$ 26,3 bilhões). Mais de 5.300 pessoas morreram em decorrência dos sismos de 24 de junho.

As regiões de La Guaira e do Distrito Capital foram as mais impactadas, com 47% do total dos danos detectados, seguidas de Miranda e Carabobo.

Pelo menos 16.740 pessoas ficaram feridas, e a estimativa da ONU aponta para mais de 50 mil desaparecidos. A organização calcula que mais de 1 milhão de pessoas precisam de ajuda humanitária imediata.

Em sua primeira avaliação, divulgada uma semana após os terremotos, a ONU apresentou uma estimativa de danos superior à do Banco Mundial, calculando prejuízos de cerca de US$ 37 bilhões (R$ 187,3 bilhões).

A avaliação do Banco Mundial aponta que o ritmo da reconstrução será “um fator decisivo para moldar a recuperação econômica do país e seus resultados sociais”.

O desastre afetará os níveis de produtividade, consumo e o crescimento do PIB da Venezuela durante a próxima década, alertou a entidade com sede em Washington. “Estes impactos podem ser mitigados ampliando o investimento público e privado para acelerar a reconstrução”, dizem os especialistas.

“Se a margem fiscal se ampliar, um maior investimento público poderia antecipar a reconstrução, e as transferências às famílias afetadas mitigariam as perdas de consumo”, acrescentam.

A avaliação do Banco Mundial sobre as necessidades de reconstrução chega a aproximadamente 18% do PIB atual do país, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional).

“Antes do terremoto, os estados afetados enfrentavam pressões diferentes, mas sobrepostas”, diz o relatório.

Rica em petróleo, gás e minerais, a Venezuela enfrenta há anos uma pobreza generalizada devido à má gestão econômica e à intensa pressão dos Estados Unidos.

Munich Re supera previsões e lucra € 3,9 bilhões no primeiro semestre, 62% da meta do ano

A Munich Re encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido preliminar de aproximadamente € 2,2 bilhões, resultado significativamente superior à estimativa de consenso dos analistas, de € 1,786 bilhão.

O desempenho foi impulsionado pela evolução favorável das operações do grupo e, principalmente, pelo nível muito baixo de despesas com grandes sinistros no resseguro de propriedades e responsabilidades.

A companhia também registrou um resultado de investimentos considerado muito forte, que contribuiu de maneira relevante para o desempenho da ERGO, braço de seguros primários do grupo. A unidade obteve lucro líquido excepcional de aproximadamente € 300 milhões no trimestre.

Com o resultado do segundo trimestre, a Munich Re acumulou lucro de cerca de € 3,9 bilhões nos primeiros seis meses de 2026. O valor representa quase 62% da meta de € 6,3 bilhões estabelecida para todo o exercício.

Segundo a resseguradora, os números do primeiro semestre colocam o grupo em uma posição sólida para alcançar o objetivo anual, apesar da volatilidade inerente ao negócio de resseguros e da possibilidade de ocorrência de eventos catastróficos ao longo da segunda metade do ano.

Os dados divulgados ainda são preliminares. A Munich Re apresentará os resultados completos do segundo trimestre em 7 de agosto de 2026, conforme o calendário financeiro da companhia.

Brasil impulsiona resultados da Mapfre, que mantém crescimento global no primeiro semestre

A Mapfre encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultados sólidos, sustentados pela melhora da rentabilidade das operações de seguros, pelo desempenho financeiro e, principalmente, pela forte contribuição do Brasil. O grupo registrou lucro líquido de 624 milhões de euros, alta de 9,4% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os prêmios emitidos alcançaram 16,13 bilhões de euros, avanço de 1,1%. O índice combinado consolidado de Não Vida melhorou para 92,8%, reforçando a disciplina técnica da companhia.

Na América Latina, a Mapfre apurou lucro de 218 milhões de euros, praticamente estável (-2,6%), mas o grande destaque foi novamente o Brasil. A operação brasileira respondeu por 136 milhões de euros do resultado regional — cerca de 62% de todo o lucro da América Latina — e ampliou seu lucro em 4,3% sobre o primeiro semestre de 2025. O índice combinado permaneceu em um excepcional 73,8%, um dos melhores de todo o grupo, evidenciando a elevada rentabilidade da carteira brasileira.

“Os resultados da Mapfre Brasil reforçam a consistência da estratégia que estamos executando no país, com uma atuação cada vez mais próxima de nossos clientes, distribuidores e do nosso sócio, o Banco do Brasil. Seguimos investindo em inovação, qualidade de serviço e distribuição para ampliar nossa participação no mercado e sustentar um crescimento rentável. Esse desempenho consolida o Brasil como a principal operação da Mapfre na América Latina e reforça seu papel como um pilar estratégico para o alcance dos objetivos globais do Grupo”, destaca Felipe Nascimento, CEO da Mapfre no Brasil.

Além da rentabilidade, o Brasil manteve um ROE de 25,1%, muito acima da média consolidada do grupo, que foi de 12,5%. Os prêmios emitidos no País somaram 2,249 bilhões de euros, crescimento de 4,1%, impulsionados pela valorização do real frente ao euro. Em moeda local, porém, houve retração de 0,7%, reflexo do ambiente de juros elevados, que continua limitando a venda de seguros atrelados ao crédito, especialmente nos segmentos Agro e Vida Risco. Em contrapartida, os ramos de seguros gerais, tanto corporativos quanto para pessoas físicas, sustentaram a expansão da operação brasileira.

No cenário global, a Península Ibérica permaneceu como a principal fonte de resultados da seguradora, com lucro de 279 milhões de euros, alta de 16,6%, enquanto a Mapfre Re, responsável pelos negócios de resseguro e grandes riscos, elevou seu lucro em 24,6%, para 186 milhões de euros, beneficiada pela menor ocorrência de grandes eventos catastróficos e pelo desempenho das carteiras de investimentos.

O presidente e CEO da Mapfre, Antonio Huertas, afirmou que os números confirmam a solidez do modelo de negócios da companhia. “Os primeiros seis meses do ano permitem confirmar a excelente evolução do Grupo. O modelo de negócio diversificado nos permite, com a devida cautela, ser otimistas em relação à segunda parte do ano”, afirmou. A expectativa da companhia é fortalecer ainda mais sua presença internacional com a conclusão da aquisição da Safety Insurance, prevista para o primeiro trimestre de 2027.