Avança no Senado PL que permite títulos de capitalização como garantia de obras públicas

Fonte: Infomoney

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, neste mês, projeto de lei que permite o uso de títulos de capitalização como garantia contratual na execução dos serviços. O texto, de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), segue agora para votação da Câmara dos Deputados, a menos que haja pedido para apreciação da matéria no Plenário do Senado.

Títulos de capitalização são aplicações programadas durante prazo preestabelecido que garantem ao proprietário a concorrência em sorteios de prêmios em dinheiro. Depois do prazo programado, o dono do título ganha o direito de resgatar os valores.

O projeto permite o uso desses títulos como garantia na contratação de obras e serviços pelo poder público. Atualmente são permitidos o uso de seguros, depósito caução e fiança bancária como garantias.

A Fenacap (Federação Federação Nacional de Capitalização) estima que, em até três anos, a capitalização poderá garantir cerca de R$ 30 bilhões em contratos de projetos, obras e outros serviços públicos.

“Apesar de já ser permitida a utilização de títulos de capitalização para garantir transações como, por exemplo, de aluguel de residências e estabelecimentos comerciais, o Projeto de Lei 3.954 vem para oferecer mais segurança jurídica às operações que envolvem o uso dos títulos como garantia nas licitações e contratações públicas de obras e serviços”, afirma Denis Morais, presidente da FenaCap.

“Com a aprovação do PL, agora, o contrato de capitalização poderá ser utilizado como mais um instrumento para servir de garantia no processo licitatório. Isso é importante para permitir que mais atores possam participar de licitações, aumentando a competitividade e a concorrência dos certames”, diz Esteves Colnago, diretor de relações legislativas da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras).

Para Tereza Cristina, alterações em convênios acabam dificultadas por normas infralegais com muitas exigências. O projeto permite que, nos casos em que o valor global pactuado para um convênio for insuficiente “por motivo de força maior ou por evento imprevisível”, poderão ser aportados novos recursos ou reduzidas as metas e etapas, desde que isso não afete a funcionalidade do convênio. Também poderão ocorrer ajustes nos instrumentos celebrados com recursos de transferências voluntárias.

A proposta também determina que licitações de serviços especiais de engenharia com valor superior a R$ 1,5 milhão devem sempre ocorrer no modo de disputa fechado, no qual as propostas das empresas participantes permanecem em sigilo até o momento designado para divulgação, mesmo quando forem adotados os critérios de menor preço ou maior desconto.

Atualmente a lei estabelece que, ao serem adotados esses critérios, o modo de disputa fechado não pode ser realizado isoladamente, tendo que ser utilizado em conjunto com o modo de disputa aberto, no qual os participantes da licitação apresentam lances públicos e sucessivos, como num leilão.

Para a autora do projeto, a dinâmica da fase de lances é incompatível com a complexidade de licitação de grandes obras e serviços de engenharia. “A criação de estímulo artificial para a oferta de descontos sucessivos nas licitações para obras e serviços de engenharia desse porte pode provocar cotações inexequíveis e jogos de planilha, provocando inclusive a necessidade de renegociações precoces”, afirma na justificativa do projeto.

O relator apresentou emenda especificando que a licitação de serviços comuns de engenharia que incluam trabalhos técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual também ocorrerá por meio de disputa fechada.

De acordo com a Lei 14.133, serviços comuns são aqueles cujos padrões de qualidade podem ser definidos de forma objetiva por meio de especificações usuais no mercado. Já os serviços especiais são os muito complexos ou heterogêneos, não podendo ser descritos da mesma forma dos serviços comuns.

Seguradoras faturam R$ 286 bi até setembro, alta de 8%

O mercado de seguros registrou arrecadação no acumulado até setembro de 2023 de R$ 286,29 bilhões, representando uma alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. As indenizações, resgates e sorteios totalizaram R$ 166,73 bilhões até o mês de setembro.

Os seguros de danos apresentaram crescimento de 11,5% na arrecadação de prêmios acumulados até setembro, quando comparado com a arrecadação do mesmo período de 2022. Já na linha de negócios do seguro auto, que representa 44,3% do total de danos, os prêmios atingiram R$ 41,63 bilhões nos três primeiros trimestres de 2023, valor 12,6% superior ao do mesmo período de 2022.

Segundo relatório da Susep, nos seguros de pessoas, o seguro de vida atingiu, em setembro de 2023, o total acumulado de R$ 22,08 bilhões, valor que representa alta de 11,3% em relação ao mesmo período de 2022.

Outro dado apresentado nesta edição é o crescimento de 5,1% na arrecadação dos produtos de capitalização. O segmento somou, no acumulado até setembro de 2023, R$ 22,11 bilhões.

Sindseg PR/MS encerra ciclo de seis palestras para empresários sobre a relevância do mercado segurador

ALTEVIR PRADO BRADESCO

O presidente do Sindicato das Seguradoras (Sindseg PR/MS) Altevir Prado esteve em Londrina/PR nesta semana (13/11) onde concedeu entrevista à rádio CBN, e em seguida, ministrou palestra sobre a relevância do mercado segurador para empresários filiados à Associação Comercial e Industrial do município (ACIL).

O evento foi o último de um ciclo de seis palestras em associações comerciais, que teve início em 3 de maio do ano passado, na ACP, em Curitiba, seguiu por Maringá, na ACIM, no dia 16 do mesmo mês, depois foi replicado em Ponta Grossa em 24 de abril deste ano, em Cascavel no dia 29 de junho, passou por Campo Grande/MS na última quinta-feira (09/11) e encerrou ontem em Londrina.

O presidente do Sindseg PR/MS disse que é missão institucional do sindicato estimular e promover a cultura de seguros. “Fizemos este esforço percorrendo seis cidades-polo do Paraná e do Mato Grosso do Sul e esperamos que a mensagem se multiplique. Acho que temos um espaço muito grande de crescimento para o bem do mercado segurador, para o bem da economia e de toda a sociedade brasileira que pode, através dos seguros, ter um planejamento estratégico tanto na pessoa física, como na jurídica”, disse Altevir.

O presidente da ACIL Angelo Pamplona se disse impressionado com a dimensão do mercado segurador. “É um segmento muito importante para a nossa economia. Quando temos um sinistro em nossa empresa ou em nossas atividades particulares, os seguros estão aí para suprir nossas necessidades financeiras e também trazer conforto e segurança aos empresários. Importantíssimo esse segmento dos seguros no Brasil para que possamos crescer com segurança, afirmou Pamplona”

O evento em Londrina foi organizado pelo diretor executivo do Sindseg PR/MS Ramiro Dias com apoio dos delegados do sindicato no município Viviane Magalhães e Antonio Ocimar Valente, e contou com a participação de seguradores associados e corretores. 

Palestra

Na palestra foram apresentados dados que mostram a dimensão do mercado segurador no Brasil, que arrecada anualmente mais de R$ 500 bilhões e indeniza também acima desse montante, representando 6,4% do PIB. O palestrante mostrou que, se não houvesse o seguro, a sociedade ficaria mais pobre a cada ano nessa proporção. 

Outro ponto enfatizado por Altevir Prado é a reserva técnica que as seguradoras são obrigadas a manter aplicadas em títulos do tesouro nacional que soma R$ 1,6 trilhão, garante a solvência das seguradoras e o pagamento das indenizações.

O presidente do Sindseg PR/MS explica que, apesar dos seguros crescerem no Brasil normalmente acima do PIB, o potencial de expansão ainda é imenso. Apenas 30% da frota automotiva é segurada, 17% das residências têm cobertura, 25% da população brasileira tem plano de saúde e apenas 17%, seguro de vida.

Seguradoras relatam problemas com a falta de autopeças e alertam para alta do preço do seguro de carro

Fonte: FenSeg

A demora na entrega de veículos acidentados, causada pelas montadoras, está gerando uma reação em cadeia que afeta oficinas e seguradoras e, lá na ponta, deve chegar no consumidor. Conforme levantamento da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), que reúne 72 seguradoras associadas, entre janeiro e março, foram 235 mil sinistros de automóvel – deste total, 7% sofreram com o atraso de peças. Dos 40.700 itens encomendados neste período, em agosto ainda faltavam 7.100 peças para serem entregues. Segundo a FenSeg, a demora no reparo causa prejuízos para o mercado como um todo e pode impactar o preço do seguro nas próximas renovações.

De acordo com o núcleo da FenSeg que monitora as entregas, em 2019, os clientes ficavam, em média, 11 dias com um carro reserva, alugado pelas seguradoras enquanto as oficinas credenciadas aguardavam as peças. Em 2023, pulou para 25. “Para as seguradoras, quanto mais rápido resolver, melhor, pois gastarão menos com aluguel do carro reserva”, diz Antonio Trindade (foto), presidente da FenSeg.

O presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa Brasil), Antonio Fiola, que representa mais de 5 mil oficinas em todo país – 1.500 só no estado de São Paulo –, confirma os números. “O prazo de espera de peças passou de sete dias para não menos que 15. Em geral, mais que dobrou. É comum o carro ficar desmontado aguardando, ocupando um espaço valioso, afinal, o aluguel das oficinas é caro, nunca é interessante ficar com carro parado muito tempo”, diz.

A maior parte das peças (65%) que estão levando mais tempo para serem entregues pelas montadoras é aquela mais básica, de funilaria. São itens como para-choques, faróis, porta e painel. Componentes mecânicos como microchips hoje não passam de 25% do total.

As seguradoras já fizeram diversas notificações às montadoras sobre a necessidade de reposição das peças. Até aqui, sem resposta. “Muitas vezes o cliente não entende o que está acontecendo e joga a culpa nas oficinas e nas seguradoras, que acabam ficando com o ônus. Para um taxista ou motorista de aplicativo, por exemplo, é inviável ficar sem o carro por 15 dias, eles precisam do carro extra das seguradoras”, conclui o presidente do sindicato nacional das oficinas de reparação de veículos. 

Para o presidente da comissão de seguro de automóvel da FenSeg, Marcelo Sebastião, se o cenário for mantido como está, os custos seguirão sendo repassados ao consumidor. “Esses atrasos agravam as despesas com o sinistro, uma vez que o veículo segurado fica mais tempo parado nas oficinas e o consumo de carro reserva aumenta. Essa diferença vai impactar na precificação do seguro. É inevitável”, resume.

Para o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, a maior preocupação é que a crise pela qual o setor de autopeças está passando possa impactar negativamente as seguradoras, e isso termine prejudicando o usuário. “Precisamos criar um fórum com todos os atores envolvidos para que consigamos ajustar essa engrenagem complexa. Ao fim, precisamos ajustar os ponteiros para que a parte mais importante, o consumidor, não seja penalizada”, diz.

Riscos econômicos elevados dominam preocupações de curto prazo dos líderes empresariais do G20

De acordo com novos dados do Fórum Econômico Mundial, as ameaças econômicas e sociais – tal como uma recessão econômica, inflação e erosão da coesão social – estão entre os maiores riscos nos países do G20 nos próximos dois anos, com base em uma pesquisa com líderes empresariais em todo o mundo.

Executive Opinion Survey reuniu a opinião de mais de 11,000 líderes empresariais de mais de 110 países entre abril e agosto de 2023. A pesquisa deste ano destaca como, mesmo antes do atual conflito no Oriente Médio, riscos econômicos e sociais cada vez mais entrelaçados eram percebidos como as maiores preocupações nos países do G20 em um cenário de tensões políticas globais crescentes e ambientes inflacionários persistentes em muitas das principais economias.

Uma recessão econômica foi classificada como o risco mais citado pelos líderes empresariais do G20 este ano e foi identificada como o principal risco em 13 dos países do G20. Inflação, escassez de mão de obra e/ou talentos, escassez de fornecimento de energia, erosão da coesão social e bem-estar também foram identificados entre os cinco principais riscos para os países do G20 no curto prazo.  

Enquanto os países do G20 se preparam para a COP28 em Dubai, após um ano de temperaturas globais recordes e eventos climáticos severos, os riscos ambientais foram superados por outras preocupações nos resultados deste ano. Em uma continuação dos dados do ano passado, os riscos ambientais – como eventos climáticos extremos e falha na adaptação às mudanças climáticas – foram citados apenas oito vezes nos cinco principais riscos deste ano nos países do G20. Riscos tecnológicos, incluindo ameaças relacionadas à inteligência artificial, aparecem apenas três vezes no ranking dos cinco primeiros do G20.

Em um contexto mais amplo, os resultados destacam preocupações surpreendentemente comuns entre economias avançadas e mercados emergentes. Uma “recessão econômica” foi classificada como o principal risco em todas as regiões, enquanto “eventos climáticos extremos” é o único risco ambiental a entrar no top 10 este ano em todos os grupos de países de alta renda, renda média alta, renda média baixa e baixa renda.

De acordo com Carolina Klint, Chief Commercial Officer da Marsh McLennan na Europa, os riscos econômicos e sociais agudos continuam a preocupar os líderes empresariais do G20 no curto prazo. Ao mesmo tempo em que abordam corretamente essas preocupações imediatas, eles também devem permanecer cientes de que, ao ignorar riscos tecnológicos significativos, podem deixar suas organizações vulneráveis a ameaças cibernéticas e relacionadas à IA cada vez mais sofisticadas, que podem afetar profundamente sua prosperidade e as comunidades em que estão baseadas.

Para Peter Giger (foto), Group Chief Risk Officer do Zurich Insurance Group, os riscos de curto prazo, como os econômicos e os relacionados ao mercado de trabalho, dominam a agenda global hoje. É importante que as empresas respondam a estes desafios mantendo uma perspectiva equilibrada sobre os riscos a curto e a longo prazo. As empresas podem sentir que têm pouco controle sobre ameaças existenciais, como as mudanças climáticas. No entanto, é fundamental que as empresas explorem maneiras de mitigar esses riscos e, ao mesmo tempo em que respondem aos desafios imediatos.

Executive Opinion Survey é conduzida pelo World Economic Forum’s Centre for the New Economy and Society. A Marsh McLennan e Zurich Insurance Group são parceiros do Centro e da série Global Risks Report.

Wiz Co reporta lucro ajustado de R$ 107,3 milhões no 3T23 

A Wiz Co, corretora completa de seguros especializada em bancassurancee distribuidora de consórcios e crédito, divulgou lucro líquido ajustado de R$ 107,3 milhões no terceiro trimestre de 2023, avanço de 60% em relação aos R$ 67,1 milhões realizados no mesmo período do ano passado. A margem líquida ajustada cresceu 11,7 pontos percentuais, passando de 35,2% no 3T22 para 46,8% no 3T23. Nesse trimestre, também teve aumento do lucro líquido da controladora, que foi de R$ 44,5 milhões, 14,39% superior que o valor registrado no primeiro semestre desse ano.

De acordo com dados divulgados pela corretora, o EBITDA Ajustado foi de R$ 159,3 milhões no 3T23, o maior registro histórico da companhia. Trata-se de um salto de 54,4% em relação ao mesmo período de 2022, e de um crescimento de 27% em comparação ao último trimestre.

Outro destaque foi a receita líquida de comissões de R$ 229,2 milhões, 20,1% superior ao obtido no mesmo período do ano anterior. No segmento de seguros, a receita subiu 34,3% em comparação com o 3T22, chegando a R$ 125,1 milhões. Esse resultado foi justificado por um desempenho comercial recorde em diversas unidades, em especial BRB Seguros, Wiz Corporate, Bmg Corretora e Omni1. A consolidação de novas Unidades de Negócio no segmento acrescentou R$ 10,3 milhões em receita líquida e R$ 5,6 milhões em EBITDA.

Já no segmento de crédito e consórcios, o crescimento da receita líquida foi ainda maior, da ordem de 174,9%, atingindo R$ 33,2 milhões. Essa marca é reflexo dos nove primeiros meses da operação da Promotiva – que adicionou à Receita Líquida ex Comissões da Companhia R$ 23,1 milhões no terceiro trimestre e R$ 64 milhões no acumulado do ano. 

“Em 2023, consolidamos o ciclo de aquisições dos últimos anos e canalizamos nossos esforços na manutenção da rentabilidade, do crescimento e do aproveitamento do grupo para gerar cada vez mais sinergia entre todas as unidades que integram a Wiz Co. A robustez dos números do 3T23 só vem provar que nossa estratégia foi acertada, em termos de geração de valor para a Companhia”, afirma o CEO, Marcus Vinícius de Oliveira.

De acordo com o comunicado, no acumulado do ano, a Wiz alcançou patamares históricos em comercialização de produtos de seguros, ultrapassando R$ 2 bilhões em prêmio emitido e R$ 10,2 bilhões em crédito e consórcios comercializados. Isso foi resultado de estratégias comerciais bem direcionadas, com bom aproveitamento das oportunidades em seus canais de atuação, e do lançamento de novos produtos.

A Wiz Corporate, pelo terceiro trimestre consecutivo, atingiu recorde em Receita Líquida registrando R$ 26,5 milhões, com um crescimento excepcional de 71,4% comparado ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho reflete consistente performance comercial da unidade nos últimos períodos, que registrou R$128,5 milhões em prêmio de seguros, 27,3% a mais que o 3T22. 

A BRB Seguros, que registrou seu segundo melhor trimestre da operação, lançou três produtos no período: BRB Crédito Protegido Sênior (seguro Prestamista inovador, voltado a clientes de 71 a 85 anos), BRB Protege Fácil (seguro de proteção para as transações financeiras) e BRB Pet. 

A Bmg Corretora, por sua vez, lançou o “Bmg Med”, um produto de saúde com cobertura para exames, telemedicina e outros. Já a Inter Seguros lançou o seguro “Proteção Financeira Familiar”, um seguro de vida completo com cobertura de morte, invalidez e auxílio funeral, oferecido aos clientes beneficiários da previdência federal.

Aprimorar dados e modelagem de “riscos fora de picos” é uma virada de jogo necessária no setor de seguros, aponta relatório

Fonte: Guy

Embora as seguradoras e resseguradoras tenham reportado perdas recordes relacionadas com catástrofes desde 2017, muitas delas ocorreram devido a eventos de riscos menores e fora dos picos. Nos últimos 5 anos, os riscos de picos, como ciclones e terremotos, foram responsáveis por menos da metade das perdas seguradas, enquanto os riscos fora de picos, como tempestades, invernos severos, incêndios florestais e inundações, tornaram-se o fator secundário para o agregado anual de perdas catastróficas. É o que aponta o recente relatório global Beginning of a new era—impact of global issues in (re)insurance da Guy Carpenter, divisão de resseguros da Marsh McLennan.

“A frequência crescente de desastres naturais de maior magnitude num contexto de mercado em baixa, com taxa de juros em alta criou um ambiente de endurecimento nos preços e as resseguradoras revisaram as suas estratégias de subscrição de riscos. Elas estão muito mais seletivas”, avalia Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter no Brasil.

“Os resseguradores devem então se concentrar na melhoria do lucro de subscrição, a fim de minimizar o impacto negativo nos lucros e no capital devido à queda nos retornos dos investimentos. Isto é especialmente importante, uma vez que os resseguradores são mais suscetíveis a perdas por catástrofes naturais, tendo em conta o aumento do risco climático”, ressalta o executivo.

O relatório mostra também que a crescente frequência de catástrofes naturais provocará aumentos nos custos devido à grande procura por materiais para reconstrução após um evento de destruição. A inflação econômica e social aumentará os pressupostos de custos utilizados pelas seguradoras e resseguradoras nas suas estratégias de provisionamento de reservas e de preços.

“Esses impactos refletirão significativamente nos seguros e resseguros com grandes sinistros (exposição à cauda longa). Isso levará seguradoras e resseguradoras a reverem os seus apetites de subscrição e a serem mais rigorosas na atribuição de capacidade”, explica.

Ainda de acordo com o relatório, à medida que as seguradoras aumentam a sua retenção, elas esperam reter todas as perdas catastróficas com períodos de retorno mais baixos anteriormente cedidas às resseguradoras. No entanto, tendo em conta o aumento do risco climático, o aumento da ocorrência de eventos de risco fora dos picos poderia deixar as seguradoras mais suscetíveis a uma maior retenção de perdas por catástrofes.

“Sem movimentos adequados de taxas e uma seleção condizente de riscos nos processos de subscrição, pode potencialmente pôr em risco o capital das seguradoras. Reter mais riscos também é capaz de limitar a capacidade de uma seguradora de procurar oportunidades de crescimento, uma vez que poderá ser necessário mais capital para apoiar uma maior exposição ao risco relacionado a catástrofes”, diz Farme. 

Modelagem de riscos climáticos 

De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2023, publicado pelo Fórum Económico Mundial em colaboração com Marsh McLennan e a seguradora Zurich, a maioria dos riscos futuros são de natureza ambiental, o que pode levar a sinistros de seguros maiores e mais frequentes.

Ao reavaliar o impacto das alterações de retenção na exposição retida global, as seguradoras devem considerar os cenários de risco climático e como estes podem aumentar o capital de risco necessário. 

As seguradoras e resseguradoras atualmente contam com modelos de catástrofe desenvolvidos internamente ou desenvolvidos pelos fornecedores para simular perdas prováveis para eventos naturais prescritos. No entanto, os modelos de catástrofe sobre riscos fora dos picos, como inundações, tempestades, invernos rigorosos, calor extremo e incêndios florestais, carecem de modelos de fornecedores credíveis para avaliar riscos e perdas relevantes.

“Aprimorar dados e capacidade de modelagem será uma virada de jogo necessária”, afirma o CEO da Guy Carpenter.

Grupo Generali é reconhecido como uma das principais empresas do mundo para mulheres

Fonte: Generali

Para reconhecer as empresas que se destacam na atração e retenção de talentos femininos, a Forbes, em parceria com a Statista, empresa de pesquisa de mercado, classificou as Principais Empresas do Mundo para Mulheres em 2023. O Grupo Generali alcançou o 22º lugar entre 400 empresas globalmente, e ficou em 1º lugar na Itália.
 

Para realizar essa classificação, a pesquisa ouviu aproximadamente 70 mil mulheres que trabalham para empresas multinacionais em 37 países. As participantes foram questionadas sobre diversos aspectos, incluindo se recomendariam seu empregador a amigos ou familiares. Elas também foram convidadas a avaliar outras empresas dentro de suas respectivas indústrias e a avaliar as organizações com base em sua imagem pública.
 

As empresas elegíveis foram avaliadas considerando a porcentagem de mulheres em cargos de liderança. No final, todos esses dados foram combinados para produzir as pontuações que determinaram a lista final das 400 melhores empresas.
 

Essa conquista demonstra que o Grupo Generali tem inovado e está construindo um ambiente de trabalho inclusivo, fortalecendo os objetivos de equidade de gênero, equilíbrio de gênero e equidade salarial.

Seguradoras fazem parcerias com startups imobiliárias para atrair consumidor ao seguro residencial

Fonte: Infomoney

O mercado segurador tem buscado formas de ampliar a participação no dia a dia do brasileiro, principalmente em seguros ainda pouco consumidos no país. É o caso do seguro residencial, que apesar de ter crescido nos últimos anos, protege apenas 17% dos lares. Uma das apostas das empresas do setor para avançar no segmento são as parcerias com startups do ramo imobiliário. Só neste mês duas novidades neste sentido foram anunciadas.

Uma delas é da 180 Seguros, que na sua estreia como seguradora, fechou uma parceria com a CredPago, plataforma imobiliária do Grupo Loft, uma das líderes em emissões de fianças locatícias no Brasil, que conta com mais de 20 mil imobiliárias.

Com contratação 100% digital, o seguro disponibilizado na ferramenta da CredPago para as imobiliárias propõe uma compra personalizável conforme a necessidade de proteção e o bolso do cliente, que só paga pelo que adquirir. Ou seja, além da cobertura obrigatória contra incêndio, explosão, queda de aeronave, raio ou fumaça (conforme define a Lei do Inquilinato), o consumidor pode obter proteções adicionais contra danos elétricos, perda ou pagamento de aluguel, responsabilidade civil familiar e vendaval, furacão, ciclone, tornado e granizo, além de pacotes de serviços que podem incluir desde dedetização à limpeza de ar-condicionado. A expectativa para o negócio é encerrar o ano de 2023 com mais de oito mil itens emitidos.

“Nosso grande diferencial em relação às seguradoras tradicionais é a tecnologia e inovação com preços mais competitivos. O produto final fica a critério do cliente, que poderá modular o seguro com as proteções conforme as necessidades dele”, comenta o CEO e cofundador da 180 Seguros, Mauro Levi D’Ancona.

Pelo lado da imobiliária, os corretores terão acesso a comissões configuráveis e visualizadas de forma instantânea. “É uma evolução em relação ao nosso antigo seguro residencial. Nós escolhemos a 180, em primeiro lugar, pelo NPS alto no atendimento a clientes e porque o processo sempre foi muito transparente, com um time disponível em entender as necessidades da CredPago, propor soluções viáveis e que agreguem valor para os nossos clientes”, comenta o diretor de Estratégia da CredPago, Eduardo Quiza.

A Wiz Concept, unidade de negócio da corretora Wiz Co, é outra companhia do mercado segurador a celebrar a primeira parceria comercial com o ramo imobiliário. Neste caso, é com a startup Aluga Mais, que oferece solução digital para o aluguel de imóveis para imobiliárias, corretores e inquilinos – esses últimos poderão escolher e contratar um seguro residencial para os imóveis locados por meio da plataforma SmartInsure. São diversos pacotes de coberturas, adaptados a cada perfil de cliente, que oferecem desde coberturas básicas de danos físicos até coberturas de conteúdo e assistências.

“Com a SmartInsure é possível acelerar e potencializar as operações dos nossos clientes. É uma solução completa para o mercado segurador, pois automatiza os processos, deixando sua execução fácil, rápida e intuitiva”, afirma o coordenador de estruturação da Wiz Concept, Carlos Campelo.

Depois de passar por testes em outubro, a plataforma já está operacional e, em dezembro, estará disponível a todos clientes. Ela funciona integrada ao sistema da Aluga Mais, permitindo a gestão integrada de toda a cadeia que envolve a venda dos seguros, desde o relacionamento inicial com o cliente até o pós-venda e sinistro (ocorrência do risco previsto no contrato de seguro). A promessa é de proporcionar mais rapidez e agilidade na jornada de venda e gestão dos seguros. Inicialmente devem ser impactados cerca de 25 mil clientes.

“Trabalhamos para que o processo de locação seja cada vez mais suave e estamos sempre pensando em como atender melhor às necessidades dos nossos clientes. Poder contratar um seguro residencial, por exemplo, de forma simples e rápida, aumenta a segurança de nossos clientes. É algo que vai melhorar muito a experiência dos usuários da nossa plataforma”, comenta Danielle Miranda, sócia da Aluga Mais. A proposta da startup é a de fornecer uma solução tecnológica para imobiliárias e corretores autônomos oferecerem a seus clientes uma experiência de locação totalmente digital e sem burocracia.

Marcos Couto, CEO da Alper, é tido como um executivo que sabe agir entre razão e intuição na hora certa

marcos couto alper segurros

Não foram poucos os desafios enfrentados por Marcos Couto, atual CEO da Alper, desde que assumiu o comando em dezembro de 2017, depois de 12 anos na Tempo. Em ambas as companhias, o que mais instigou o executivo foi o desafio de trabalhar num projeto de reestruturação. Ano a ano, a corretora, que tem ações em bolsa, vem resolvendo problemas de uma ideia inovadora implementada num momento ainda imaturo do mercado de seguros. 

Criada em 2010 como BR Insurance, a empresa cresceu baseada em aquisições de corretores pelo país. Cerca de 50. No entanto, o modelo adotado criou problemas, uma vez que cada corretora era mantida como uma empresa independente e os donos continuavam sócios de suas corretoras, além de acionistas da BR Insurance. A companhia tinha múltiplas marcas e modelos de aquisição, gerando grande desconforto entre todos os sócios. 

Negociar com cada um deles exigiu um espírito empreendedor e os acionistas chamaram Couto no ápice da crise. O executivo transformou a BR Insurance em Alper, num novo modelo de negócios. A Alper comprou todas as corretoras com foco em donos de perfil executivo que estavam dispostos a acelerar o negócio nos próximos cinco a dez anos. E conseguiu, numa batalha diária, provar que este modelo de negócio adotado há anos já era uma tendência do mercado de corretores de seguros, extremamente fragmentado, diante da transformação digital trazida pela tecnologia. 

Em 2018, um ano após assumir o comando, a Alper voltou a ser compradora no mercado. Entre os requisitos para a aquisição, corretoras bem-posicionadas, rentáveis e que agreguem uma nova linha de negócio ou nova “praça”, como áreas em que pouco atuava, como agronegócio, transporte e crédito interno e à exportação. Em novembro deste ano, as aquisições chegam a 60, reunindo os principais executivos do setor nas áreas de atuação. 

A consequência da dedicação e networking que Couto veio à tona na semana passada, quando o fundo de private equity Warburg Pincus, assessorado por BTG Pactual e Trindade Advogados, enviou uma carta com a oferta de uma OPA pelo controle da Alper. A tese da Warburg, que já era próxima de Couto no passado, é que ainda há muito espaço para a consolidação do setor, que ainda é extremamente fragmentado. Segundo a Susep, são mais de 120 corretores de seguros no Brasil. 

A gestora de private equity ofereceu R$ 43,50 por ação para ficar com 50% mais uma ação do capital da corretora. O preço embute um prêmio de 19,18% em relação ao fechamento de ontem, de R$ 36,50; e de 32,19% em relação à média dos últimos 30 pregões e 39% em relação à média dos últimos 90 pregões. A oferta avalia a Alper em R$ 850 milhões e já sai com a aprovação de 37% dos acionistas da base, entre eles a FIT Partners, o family office dos ex-banqueiros Tom Freitas Valle e Fernando Prado, que tem 13% do capital; fundos geridos pelo Pátria Investimentos, com 9%; e Cesár Augusto Antunes, o empreendedor que vendeu a Admix para a Aon em 2017, com 15,4%. Todos já assinaram cartas de manifestação de venda.  

A expectativa é de que a negociação com a Warburg será concluída com sucesso para a Alper seguir avançando num mercado de seguros que passa por uma revolução iniciada há uns cinco anos e que vive seu ápice neste momento com mudanças significativas na regulamentação do setor, que vai desde a mudança da lei dos contratos de seguros, em tramite no Senado, até mesmo o Open Finance, que traz mais competição aos seguros massificados. 

Num momento tão relevante de transformação, o feito de Couto tem sido destaque nas conversas entre executivos, que não economizam elogios. “Couto é o cara mais dedicado e mais diligente com quem já trabalhei. Não deixa nada, absolutamente nada, para depois. Além disso tem uma capacidade incrível de contagiar positivamente todos que o rodeiam. Acho que essas características fazem dele um executivo realmente muito diferenciado. As entregas que ele fez por onde passou dizem muito sobre ele. Para mim é um exemplo a ser seguido”, Gibran Marona, CEO da Tempo

Murilo Setti Riedel, sócio da Santander Seguros, afirma que Couto tem uma carreira impecável como segurador. “Técnica e inquieto, é um dos grandes empreendedores do nosso mercado. Ajudou a transformar a Tempo como a maior empresa Assistência do país e, agora, frente a Alper, tem o desafio de transformar o grupo em dos grandes consolidadores de corretoras do país”. 

Desenvolver líderes também é algo que Couto gosta de fazer. O CEO da Swiss Re, Frederico Knapp, trabalhou com o CEO da Alper na ACE. “Marcos Couto é dos profissionais mais completos do mercado securitário brasileiro. Sua visão empreendedora, aliada com a execução impar o diferenciam. Extremamente acolhedor, sabe fazer gestão de pessoas e tem um estilo pragmático focado no desenvolvimento humano e na entrega de resultados. Foi um dos melhores gestores que tive na carreira”, afirma Knapp.

Thomas Batt, presidente AIG, segue o mesmo tom. “O Marcos Couto é um executivo e empreendedor com visão estratégica, focado em uma execução disciplinada e com forte ritmo de transformação. Com vasta experiência no mundo corporativo entende as diferentes dinâmicas e coloca em prática. Tem um veio de inovação pragmática”. 

Claudia Papa Scarpa, vice-presidente para a América Latina da Starr, conta que conheceu Couto há muitos anos. “Tenho grande admiração por ele. O Marcos é um dos gênios do mercado de seguros! É um grande estrategista, extremamente rápido e inteligente. Uma das grandes referencias de um profissional completo, que atuou nas mais diversas áreas e segmentos do setor.”

Paulo Alves, diretor de seguros transportes da EZZE Seguros, afirma que Couto é super carismático, empreendedor, super respeitado e durante muitos anos foi referência no seguro de transportes quando estava à frente da carteira do lado do segurador. Agora como corretor, continua a gerar talentos acreditando o quanto a indústria de seguros entrega benefícios a sociedade através das indenizações, formando talentos. Um líder nato!”, resume. 

Vamos aguardar os próximos capítulos desta negociação liderada por Couto, que até hoje tem uma máquina de somar mecânica, na qual tecla os números sem olhar, num ritmo que lembra o processamento de dados por robôs. Concluída ou não oferta pela compra do controle da Alper, certamente a operação já se provou ser um caminho para mais consolidações no mercado de corretores de seguros, uma realidade que já vem unindo forças em todo o mundo nos últimos quatro anos.