Missão da CNseg em Londres reforça protagonismo do seguro na agenda climática e aproxima Brasil dos principais debates globais

cnseg em londres

A participação da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) na London Climate Action Week, encerrada nesta quinta-feira (25), marcou um novo avanço da estratégia brasileira de inserção do setor segurador nas principais discussões internacionais sobre mudanças climáticas, infraestrutura, inovação e desenvolvimento sustentável. Ao longo de quatro dias de agendas em Londres, executivos brasileiros participaram de fóruns com representantes do governo britânico, organismos multilaterais, seguradoras globais, resseguradoras, investidores e especialistas em clima, consolidando a percepção de que o seguro deixou de ser apenas um mecanismo de indenização para se tornar um instrumento estratégico de desenvolvimento econômico e adaptação às mudanças climáticas. 

A missão ocorre em um momento de crescente protagonismo internacional do Brasil na agenda climática. Como lembrou o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, durante um dos eventos, as recentes temperaturas superiores a 35°C registradas em Londres mostram que os efeitos das mudanças climáticas já não são uma preocupação restrita aos países tropicais. Em tom descontraído, ele observou que “o mundo está se transformando em um grande Brasil: quente e úmido”, reforçando que os eventos extremos vêm alterando a percepção dos governos sobre a urgência da adaptação climática. 

O principal compromisso institucional foi o 2º Fórum Brasil-Reino Unido de Seguros, realizado em parceria com a Association of British Insurers (ABI), resultado do memorando de entendimento firmado entre as duas entidades em 2024. O encontro reuniu autoridades dos dois países para discutir como o mercado segurador pode apoiar investimentos em infraestrutura, enfrentar os riscos digitais e ampliar a resiliência frente aos eventos climáticos extremos. 

Na abertura, o embaixador brasileiro no Reino Unido, Antonio Patriota, resumiu o papel que o seguro vem assumindo na economia moderna. Segundo ele, seguros e resseguros são essenciais para reduzir incertezas e permitir investimentos em infraestrutura, energia, transporte, agronegócio e transformação digital. A presidente da ABI, Hannah Gurga, destacou que Brasil e Reino Unido enfrentam desafios semelhantes diante da transição climática e da transformação tecnológica, tornando a cooperação entre os mercados cada vez mais relevante. Já Dyogo Oliveira ressaltou que o Reino Unido continua sendo uma das principais referências para o mercado segurador brasileiro, tanto pelo desenvolvimento do setor quanto pela importância como fornecedor de capacidade de resseguro e investimentos. 

Um dos temas centrais do fórum foi a necessidade de ampliar a participação do seguro nos projetos de infraestrutura. Os debates mostraram que o Brasil investe cerca de R$ 280 bilhões por ano em infraestrutura — aproximadamente 2,3% do PIB —, mas precisaria elevar esse volume em cerca de R$ 220 bilhões anuais para atender às necessidades de desenvolvimento. Nesse contexto, especialistas defenderam que o seguro desempenha papel decisivo ao oferecer previsibilidade para investidores de longo prazo, reduzir riscos de execução e viabilizar concessões e parcerias público-privadas. Também foi destacada a evolução do seguro garantia com cláusula de retomada, mecanismo considerado importante para reduzir o número de obras públicas paralisadas e aumentar a confiança do mercado. 

As mudanças climáticas dominaram boa parte das discussões. No painel dedicado ao gerenciamento dos riscos climáticos, houve consenso de que governos, seguradoras e investidores precisarão atuar de forma muito mais integrada para enfrentar a crescente frequência de enchentes, secas, ondas de calor e outras catástrofes naturais. Executivos lembraram que apenas cerca de 10% das perdas provocadas por desastres naturais no Brasil são atualmente cobertas por seguros, o que amplia significativamente o chamado “gap de proteção”, obrigando famílias, empresas e o poder público a absorverem grande parte dos prejuízos. 

Os participantes defenderam que o setor segurador pode contribuir muito além do pagamento de indenizações, fornecendo dados, modelos de risco, ferramentas de prevenção e instrumentos financeiros capazes de orientar políticas públicas. Entre as soluções debatidas estiveram títulos de catástrofe, seguros paramétricos, mecanismos de financiamento pré-desastre, compartilhamento de riscos entre setor público e privado e investimentos em infraestrutura resiliente. A experiência internacional demonstrou que esses instrumentos não apenas reduzem perdas futuras, mas também melhoram a classificação de risco dos países e facilitam o acesso ao financiamento. 

Outro eixo relevante da missão foi o Insurance, Climate & Nature Dialogue, promovido pela CNseg em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), reunindo representantes da OCDE, PNUD, instituições financeiras, consultorias e seguradoras globais. O encontro aprofundou a discussão sobre adaptação climática e destacou que os riscos associados ao clima já influenciam decisões de crédito, investimentos e precificação de ativos financeiros. Especialistas defenderam maior integração entre seguradoras, bancos, investidores e reguladores para transformar informações climáticas em métricas econômicas capazes de orientar investimentos e fortalecer a resiliência. 

A agricultura apareceu como um dos setores mais vulneráveis às mudanças climáticas. Pesquisadores apresentaram estudos mostrando que práticas como agricultura regenerativa, conservação do solo e proteção da biodiversidade precisam ser incorporadas aos modelos de seguro, crédito e financiamento rural. Também ganhou destaque a ideia de que ativos naturais, como manguezais, áreas úmidas e florestas, devem ser reconhecidos como parte da infraestrutura de proteção econômica por sua capacidade de reduzir enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos. 

O diálogo também abordou mecanismos para ampliar os investimentos em adaptação climática. A avaliação predominante foi de que existe capital disponível no mercado internacional, mas faltam instrumentos capazes de reduzir a percepção de risco dos investidores. Nesse cenário, seguros, garantias, estruturas de compartilhamento de riscos e modelos híbridos de financiamento foram apontados como elementos fundamentais para destravar projetos de restauração ambiental, infraestrutura resiliente e soluções baseadas na natureza. 

A transformação digital foi outro tema prioritário. No painel dedicado aos riscos cibernéticos, especialistas destacaram que a inteligência artificial vem ampliando tanto a produtividade quanto a exposição a novas ameaças digitais. O mercado brasileiro foi apresentado como um dos que mais evoluíram nos últimos anos em seguros cibernéticos, oferecendo atualmente coberturas comparáveis às dos mercados mais desenvolvidos. Os debatedores defenderam que o seguro cibernético deve ser entendido como um serviço permanente de gestão de riscos, incorporando prevenção, treinamento, monitoramento de ameaças e apoio especializado às empresas, especialmente pequenas e médias, mais vulneráveis aos ataques. 

Ao longo da missão, um conceito apareceu de forma recorrente em praticamente todos os encontros: adaptação. Se durante muitos anos o foco das discussões internacionais esteve concentrado na redução das emissões de carbono, agora cresce o entendimento de que governos, empresas e instituições financeiras também precisam investir na capacidade de adaptação das economias aos impactos já inevitáveis das mudanças climáticas. Nesse novo cenário, o seguro passa a ser visto como um dos principais instrumentos para reduzir riscos, ampliar investimentos e acelerar a construção de economias mais resilientes. 

Para a CNseg, a semana em Londres consolidou uma estratégia iniciada em 2023, com a participação brasileira nas conferências internacionais do clima, e que vem ampliando o espaço do mercado segurador nacional nos debates globais sobre desenvolvimento sustentável. A expectativa da entidade é aprofundar essa cooperação internacional nos próximos encontros multilaterais e levar para o Brasil experiências que contribuam para ampliar a cultura do seguro, reduzir o gap de proteção e fortalecer a capacidade do país de enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. 

Bradesco Vida e Previdência registra alta em contratações de seguro de vida em Pernambuco, Paraná e Bahia

por Bradesco Seguros

O avanço da longevidade no Brasil está acelerando mudanças no comportamento financeiro dos consumidores e criando oportunidades para o mercado de proteção financeira. De acordo com projeções do IBGE divulgadas no fim de 2025, a expectativa de vida do brasileiro alcançou 76,6 anos, o maior patamar da série histórica, e a população com mais de 60 anos deverá representar quase 40% do total do país até 2070.

Região Nordeste


Nesse cenário, a Bradesco Vida e Previdência registrou crescimento expressivo nas contratações de seguro de vida em diferentes regiões do país no primeiro trimestre de 2026. Em Pernambuco, os prêmios passaram de R$ 53,5 milhões para quase R$ 82 milhões entre janeiro e março, alta de mais de 53% — bem acima da média nacional —, com a companhia ampliando sua participação para quase 30% e mantendo a liderança no mercado estadual.


Já na Bahia, as contratações cresceram 12,1%, com prêmios passando de aproximadamente R$ 88 milhões para mais de R$ 98 milhões e fatia de mercado subindo de 26,4% para 28%, reforçando a liderança da companhia no segmento.”Viver mais é uma conquista importante para a sociedade, mas também exige uma atenção maior ao planejamento financeiro e à proteção das famílias. O seguro de vida contribui para essa organização, oferecendo suporte diante de imprevistos e ajudando a construir uma rede de cuidado por toda a vida”, observa José Luiz Fontes, superintendente sênior de Negócios da Bradesco Vida e Previdência.

Região Sul

No Paraná, o avanço foi de 22,3%, também acima da média nacional, com prêmios evoluindo de R$ 143 milhões para R$ 175 milhões no trimestre e participação de mercado ultrapassando os 20%. “Os brasileiros estão repensando seu planejamento financeiro. Nesse contexto, cresce a importância de soluções que ajudem a proteger a renda familiar e a construir segurança financeira para diferentes fases da vida”, complementa Anderson Mundim, superintendente sênior de Negócios da Bradesco Vida e Previdência.

Zurich Seguros passa a integrar coalizão que busca impulsionar transporte de carga de zero emissão no Brasil

A Zurich Seguros passa a integrar a coalizão e-Dutra, articulação multissetorial que reúne empresas, operadores logísticos e organizações dedicadas à sustentabilidade. A articulação tem como objetivo apoiar a construção da primeira rede de transporte rodoviário de carga de zero emissão do Brasil, ao longo da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), entre Rio de Janeiro e São Paulo.

O projeto Laneshift e-Dutra busca acelerar a adoção de caminhões elétricos e da infraestrutura necessária para sua operação, contribuindo potencialmente para a descarbonização de um dos principais corredores logísticos do país. A agenda reúne organizações de diferentes segmentos em torno do desenvolvimento conjunto de soluções, do compartilhamento de conhecimento e do fortalecimento das condições necessárias para ampliar o transporte de carga de baixa emissão no Brasil.

A entrada da Zurich Seguros no grupo está alinhada à agenda de sustentabilidade da organização no Brasil e à sua respectiva atuação em gestão de riscos, tema central para o setor segurador e cada vez mais debatido diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. 

“A transição para uma economia mais sustentável exige colaboração entre diferentes agentes. Ao integrar a coalizão e-Dutra, reforçamos nosso compromisso de contribuir com conhecimento técnico para discussões relevantes ao país. Como seguradora, temos um papel na construção de caminhos que ampliem a resiliência dos negócios e apoiem uma transição climática segura”, afirma Nathalia Abreu, superintendente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da Zurich Seguros.

A participação da Zurich Seguros na coalizão está alinhada à agenda climática do Grupo Zurich em avançar rumo a emissões líquidas zero nos próximos anos, além de iniciativas recentes de apoio à eletrificação do setor automotivo conduzidas pela seguradora no país (como instalação de postos de recarga em parceria com outras empresas).

Gestão de riscos e sustentabilidade como pilares da transição

A presença da Zurich Seguros na e-Dutra também reflete a visão da companhia sobre o papel do setor segurador na evolução de novos modelos de mobilidade, infraestrutura e logística sustentável.

Por meio da experiência em gestão de riscos, engenharia e resiliência climática, a seguradora buscará contribuir tecnicamente para as discussões do projeto, o que inclui temas relacionados à infraestrutura necessária para a expansão do transporte de carga de zero emissão. Essa frente se conecta à Zurich Resilience Solutions, unidade dedicada à consultoria em gestão de riscos da seguradora, que apoia empresas na identificação, avaliação e prevenção de riscos, com base em experiência global e equipe técnica especializada.

Com esse movimento, a Zurich amplia a contribuição para além da oferta de seguros, ao apoiar clientes e parceiros na continuidade dos negócios e na adaptação a cenários de maior complexidade climática e operacional. A companhia também vê nessa agenda uma oportunidade de aprofundar o relacionamento com diferentes atores do ecossistema logístico e acompanhar a evolução de demandas ligadas à transição energética.

“A sustentabilidade está cada vez mais integrada à forma como conduzimos nossos negócios. Participar da e-Dutra nos permite contribuir para uma agenda com potencial transformador para o país, ao mesmo tempo em que fortalecemos nossa capacidade de apoiar clientes e parceiros diante dos desafios e oportunidades que surgem com a transição para uma economia de baixo carbono”, conclui Nathalia Abreu.

Estudo da MetLife revela “lacuna de confiança” de 72% na capacidade de se recuperar de contratempos da vida

Em um cenário marcado por pressão econômica, instabilidade e mudanças constantes, um novo estudo global da MetLife aponta um paradoxo importante em torno da educação financeira: enquanto a maioria das pessoas se considera resiliente, poucas se sentem preparadas para lidar com retrocessos quando eles ocorrem. Segundo a pesquisa, a confiança das pessoas cai 72% quando elas enfrentam contratempos reais, como uma crise financeira ou um problema emocional. O relatórioConfident Pathways, realizado nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e México ouviu 4 mil pessoas entre abril e maio deste ano para entender como a confiança é construída e mantida ao longo da vida. 

Embora características como persistência, adaptabilidade e otimismo sejam amplamente reconhecidas, os dados revelaram que 57% das pessoas se descrevem como persistentes e 52% dizem conseguir lidar com mudanças. Quando o tema é a capacidade de recuperação financeira, esse número cai para cerca de 20%, evidenciando um descompasso entre percepção e preparo, dado que também aparece nos hábitos cotidianos. Os dados indicam que disciplina e organização, embora importantes, não são suficientes para gerar sensação de segurança diante de situações adversas. 

Em um momento em que o futebol reúne pessoas e comunidades ao redor do mundo, o estudo também evidencia como experiências na infância — como esporte, educação e mentoria — podem fortalecer a resiliência e a confiança desde cedo. Os resultados destacam o papel das oportunidades, do preparo e do apoio na construção da confiança, fatores que ajudam as pessoas a lidar com incertezas, se recuperar de adversidades e perseguir seus objetivos. 

Principais insights do relatório, publicado nessa semana 

  • A confiança cai 72% quando adultos avaliam sua capacidade de se recuperar de contratempos. Os entrevistados tendem muito mais a se descrever como resilientes do que a se sentirem confiantes em sua capacidade de se recuperar de desafios financeiros, emocionais ou pessoais. 
  • Experiências na infância ajudam a construir confiança e resiliência. Mais da metade dos adultos que praticaram esportes na infância afirmam que essas experiências ajudaram a desenvolver confiança (56%) e perseverança (52%). Pais acreditam amplamente que esportes, aulas de reforço e programas de mentoria fortalecem resiliência e confiança das crianças — com esportes coletivos em primeiro lugar (65%), esportes individuais (55%) e programas de tutoria e mentoria (51%). 
  • O preparo é essencial para a confiança. Adultos que adotam medidas proativas — como fazer orçamento, poupar ou manter seguro de vida — têm 20 vezes mais chances de acreditar que conseguem se recuperar de contratempos. 
  • A conexão social continua sendo um desafio. Menos da metade dos adultos se sente apoiada por amigos (41%) ou pertencente à comunidade (31%), indicando fragilidade nos sistemas de apoio. Embora 57% das pessoas se descrevam como persistentes, 52% afirmem conseguir lidar com mudanças e 51% se mantenham otimistas em relação ao futuro, essa percepção não se traduz em segurança diante de situações reais. Apenas 30% avaliam sua própria resiliência como alta e esse número cai para 20% quando o tema é a capacidade de recuperação financeira. 

Paralelo com a realidade no Brasil 

Os achados do estudo dialogam com a realidade brasileira, onde percepção e preparo também não caminham no mesmo ritmo. A 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) e publicado em 2025, indicou justamente que a maioria dos brasileiros (55%) admite entender pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira. Na mesma pesquisa, o impacto do endividamento na saúde mental das pessoas também foi trazido como ponto importante, para além da questão financeira. Para os brasileiros que possuem endividamento, mais de 77% afirmam que isso afeta sua saúde emocional ou qualidade de vida.  

Para a MetLife, os resultados do Confident Pathways reforçam que a confiança não está apenas na forma como as pessoas se percebem, mas sobretudo em sua capacidade real de enfrentar momentos de instabilidade. Segundo Michael Roberts, Chief Marketing and Communications Officer da MetLife, “Esse estudo reforça algo em que sempre acreditamos: a confiança é construída por meio de acesso a oportunidades, preparo e redes de apoio. Seja ajudando crianças com esporte e educação, apoiando famílias na preparação financeira ou ampliando o acesso à proteção, nosso foco é ajudar as pessoas a avançarem com confiança em todas as etapas da vida”. O destaque para esporte, educação e mentoria sustenta o apoio da MetLife e da MetLife Foundation ao Fundo de Educação FIFA Global Citizen. O fundo tem meta de arrecadar US$ 100 milhões até a final da Copa do Mundo da FIFA e já financia programas locais que ajudam jovens a desenvolver resiliência, confiança e habilidades para prosperar. 

O estudo ouviu 4.000 adultos, sendo 1 mil por país, nos Estados Unidos, Reino Unido, México e Japão, entre 14 de abril e 4 maio de 2026, com o objetivo de entender como a confiança é construída, mantida e recuperada ao longo da vida. A amostra foi representativa por idade, gênero e, nos EUA, também por região e etnia. 

Cade recomenda condenação da B3 sobre supostas práticas anticoncorrenciais em registro de seguros

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) emitiu na quarta-feira, 24, Nota Técnica (NT) recomendando ao Tribunal Administrativo de Defesa Econômica do Cade a condenação da B3 (B3SA3) por supostas práticas anticoncorrenciais em processo relacionado aos mercados de registro e depósito de ativos financeiros e valores mobiliários e ao mercado de registro de seguros e operações supervisionadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A manifestação da SG/Cade não possui efeitos imediatos e será submetida ao Tribunal do Cade, órgão responsável pelo julgamento e pela decisão final da matéria.

A NT recomenda a aplicação de multa de cerca de R$ 100 milhões e algumas medidas restritivas, como vedação de práticas de bundling exclusionário, vedação de cláusulas de exclusividade e mecanismos de retaliação, atuação de forma colaborativa, não discriminatória e tempestiva nas negociações e implementações de interoperabilidade envolvendo sistemas de registro e depósito, além de manter política comercial formalizada contendo critérios objetivos para concessão de descontos, incentivos e condições comerciais diferenciadas.

Em um comunicado divulgado na noite de quarta-feira a B3 ressaltou que ao longo de todo o processo, apresentou informações, estudos, documentos e esclarecimentos técnicos que demonstram a “conformidade de sua atuação com a legislação concorrencial e com os marcos regulatórios aplicáveis aos mercados em que opera, sempre observando requisitos relacionados à segurança, integridade e estabilidade da infraestrutura do mercado financeiro e de capitais”.

A companhia entende que a NT não reflete adequadamente o conjunto de evidências e argumentos técnicos apresentados.

“De fato, a B3 demonstrou que divulga, nos termos da regulamentação aplicável, suas políticas tarifárias, as quais foram estruturadas seguindo racionalidade econômica e levam em consideração eficiências operacionais e repasse das economias de escala”, afirmou a B3, destacando que demonstrou, ainda, que já participa de diversas interoperabilidades entre registradoras e depositárias centrais, sempre atuando de forma colaborativa e para o melhor desenvolvimento do mercado.

“As discussões são pautadas por requisitos legítimos de segurança, gestão de riscos e integridade operacional. Trata-se do funcionamento de infraestruturas críticas de mercado, matéria que exige elevado rigor técnico e observância regulatória, para garantir a proteção dos participantes e estabilidade dos mercados”, afirmou a companhia.

A B3 ressaltou ainda que permanece confiante de que a análise integral dos fatos, evidências e elementos técnicos produzidos ao longo do processo permitirá o adequado entendimento de sua atuação, e observará os ritos e prazos aplicáveis no âmbito do Tribunal do Cade.

Enchentes avançam mais rápido que a capacidade de adaptação de empresas, revela estudo

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Embora tenha como foco o Reino Unido, o State of Flood Resilience Report 2026 traz conclusões que refletem um desafio global: os eventos climáticos extremos estão evoluindo mais rapidamente do que a capacidade de adaptação de governos, empresas e da sociedade. O tema ganhou destaque durante a Semana de Ação Climática de Londres, que reuniu representantes do setor de seguros, especialistas e formuladores de políticas públicas em uma série de debates sobre resiliência climática e preparação para a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, em novembro de 2026.

Durante o seminário “Diálogo sobre seguro, clima e meio ambiente”, promovido pela CNseg, a confederação das seguradoras, e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), o presidente da entidade, Dyogo Oliveira, destacou que as mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação futura para se tornarem uma realidade cotidiana. Ao comentar a onda de calor que levou os termômetros de Londres a ultrapassarem os 35°C, Oliveira fez uma comparação com o clima brasileiro. “O calor lá fora mostra que algo está acontecendo. E, como tudo tem um lado bom, o mundo está se transformando em um grande Brasil: quente e úmido”, brincou, lembrando que Belém sediou a COP30 e que agora o setor segurador concentra esforços na preparação para a COP31. Segundo ele, a CNseg pretende repetir, durante a conferência deste ano, a experiência da Casa do Seguro, iniciativa voltada ao diálogo entre seguradoras, reguladores e especialistas em adaptação climática.

As enchentes estão deixando de ser um risco localizado para se tornarem uma ameaça estrutural aos negócios. É o que revela a edição 2026 do State of Flood Resilience Report, elaborado pela empresa britânica Previsico com apoio de entidades do mercado segurador e de gestão de riscos. O estudo conclui que, embora a percepção sobre o risco das inundações tenha aumentado significativamente, a preparação das empresas continua muito aquém da velocidade com que os eventos extremos se intensificam.

Segundo o levantamento, os prejuízos provocados por eventos climáticos no Reino Unido chegaram a £ 1,2 bilhão em indenizações em 2025, alta de 14% em relação ao ano anterior. As projeções indicam que as perdas anuais causadas por enchentes podem ser multiplicadas por cinco até 2050 caso não haja investimentos em adaptação e prevenção.

O relatório destaca que 6,3 milhões de residências e empresas britânicas já estão expostas a algum nível de risco de inundação. Entre os imóveis comerciais, cerca de 27% estão localizados em áreas suscetíveis a enchentes. O maior risco, porém, já não está associado apenas a rios e áreas costeiras, mas às chamadas inundações por águas pluviais (surface water flooding), provocadas por chuvas intensas que sobrecarregam os sistemas urbanos de drenagem. Atualmente, o número de propriedades classificadas como de alto risco para esse tipo de evento é 75,5% superior ao das áreas sujeitas às cheias de rios e do mar.

A pesquisa ouviu mais de 70 executivos de seguradoras, empresas, órgãos públicos e especialistas em gestão de riscos. Quase metade (47,7%) afirmou que sua organização já sofreu impactos diretos de enchentes, percentual superior ao registrado em 2025. Ainda assim, a capacidade de resposta permanece limitada. Menos de uma em cada dez empresas declarou possuir um plano completo de ação para enfrentar inundações, enquanto 81% dos entrevistados disseram sentir-se frequentemente sobrecarregados diante desse tipo de ameaça.

Outro dado chama atenção: 72% dos respondentes acreditam que suas organizações serão afetadas por enchentes no futuro, evidenciando que o risco climático já é amplamente reconhecido. Apesar disso, essa percepção ainda não se traduz em investimentos efetivos em prevenção. Mais de 20% afirmaram que a incerteza sobre a evolução futura do risco dificulta justificar internamente recursos para projetos de resiliência.

O estudo também mostra uma queda na confiança dos gestores para enfrentar eventos extremos. Apenas 16% afirmam estar muito confiantes em sua capacidade de resposta, contra 28% na edição anterior da pesquisa. A maior parte dos participantes diz sentir-se apenas “parcialmente preparada”, enquanto um terço admite ter baixa confiança ou nenhuma preparação para responder a uma inundação.

Na avaliação dos autores, existe hoje uma lacuna entre conscientização e ação. Embora o tema tenha ganhado espaço nas agendas corporativas, muitas organizações ainda carecem de dados, ferramentas, treinamento e planejamento operacional para transformar conhecimento em capacidade efetiva de resposta. O relatório defende maior integração entre empresas, governos e seguradoras para ampliar o uso de tecnologias de monitoramento, sistemas de alerta antecipado e medidas de mitigação.

O mercado de seguros aparece como um dos protagonistas desse processo. O levantamento alerta que o crescimento das perdas decorrentes das enchentes pressiona a sustentabilidade da cobertura securitária. Em algumas regiões de maior exposição, seguradoras já reduzem capacidade ou elevam prêmios. Para os autores, o setor deverá ampliar seu papel não apenas como pagador de indenizações, mas como agente de prevenção, auxiliando clientes na identificação de riscos, na adoção de medidas de proteção e na redução das perdas futuras.

O estudo ressalta ainda que a adaptação às mudanças climáticas passa a ser uma prioridade econômica, e não apenas ambiental. À medida que eventos extremos se tornam mais frequentes, a resiliência contra enchentes tende a influenciar decisões de investimento, planejamento urbano, continuidade operacional e gestão de riscos corporativos, temas que também ganharão protagonismo nas discussões internacionais sobre adaptação climática rumo à COP31.

Bradesco Auto/RE destaca papel dos corretores em evento do Clube dos Seguradores da Bahia

O CEO da Bradesco Auto/RE, Rodrigo Bacellar, participou do jantar comemorativo pelos 67 anos do Clube dos Seguradores da Bahia, realizado na última semana, em Salvador. O encontro reuniu cerca de 150 corretores, executivos, lideranças do setor e representantes da imprensa especializada.

Durante a apresentação, Bacellar abordou os principais desafios e tendências do mercado de seguros, destacando temas como inteligência artificial, desenvolvimento de produtos, fortalecimento dos canais de distribuição e ampliação da cultura do seguro. Segundo o executivo, a Bahia e a região Nordeste fazem parte da estratégia de crescimento da companhia em razão da diversificação de suas atividades econômicas.

“O corretor continua exercendo um papel relevante na orientação dos clientes e na oferta de soluções adequadas às diferentes necessidades de proteção”, afirmou.

Bacellar também comentou as transformações que vêm impactando o setor, entre elas a digitalização, as mudanças no comportamento dos consumidores, os efeitos das mudanças climáticas e a demanda crescente por produtos mais personalizados. Na avaliação do executivo, esse cenário amplia a necessidade de atuação consultiva por parte dos corretores.

“Estamos investindo em tecnologia, produtos e relacionamento para apoiar os corretores e acompanhar a evolução das demandas do mercado”, disse.

O presidente do Clube dos Seguradores da Bahia, Fausto Dorea, destacou que os 67 anos da entidade refletem sua atuação como espaço de integração entre os diversos segmentos do mercado segurador. Segundo ele, a instituição mantém o objetivo de promover o relacionamento e o debate sobre os principais temas que impactam o desenvolvimento do setor.

Porto Seguro reduz em 29% os contatos relacionados a processos de sinistro 

 

A série de evoluções empregadas na jornada de sinistro da Porto Seguro já apresenta resultados significativos, com a redução de 29% no volume de contatos relacionados ao processo de sinistro. As novidades abrangem desde a abertura do sinistro até o acompanhamento do reparo do veículo, integrando novos recursos digitais que ampliam a autonomia dos clientes e oferecem mais visibilidade para os corretores ao longo de todo o processo, afirma a companhia em nota.
 

Um dos principais ganhos é a reformulação da abertura de sinistros nos canais digitais da Porto Seguro. O processo foi unificado e reduzido para apenas quatro etapas, proporcionando uma experiência mais fluida e intuitiva para os segurados. Independentemente do tipo de ocorrência — como colisão, roubo ou furto, enchente, alagamento, incêndio, granizo ou acidentes com vítimas —, o cliente encontra uma experiência padronizada, tornando o registro do sinistro mais rápido e acessível.
 

Após a abertura do sinistro, o segurado passa a contar com uma experiência digital ainda mais completa para a escolha da oficina responsável pelo reparo do veículo. As recomendações são realizadas com base em dois critérios principais:

  • Qualidade: priorização das oficinas melhores avaliadas pelos próprios segurados e corretores da Porto;
  • Conveniência: exibição das opções mais próximas da localização desejada pelo cliente, seja sua residência, local de trabalho ou endereço de preferência.

As melhorias fazem parte do conceito “Sinistro na palma da mão: transparência e autonomia do aviso ao conserto”, que reúne as iniciativas da Porto voltadas à digitalização da experiência de sinistro.
 

Como parte dessa evolução, a companhia ampliou os recursos de acompanhamento disponíveis no App Porto e no WhatsApp. Por meio dessas plataformas, os clientes podem acompanhar o andamento do reparo em tempo real, consultar informações sobre o veículo e acessar as principais atualizações relacionadas ao sinistro de forma prática e centralizada.
 

As novidades também trazem benefícios para os corretores, que passam a contar com mais informações para apoiar seus clientes. Entre eles está o “Lembrete de Agendamento”, funcionalidade que permite visualizar diretamente na tela de acompanhamento a data escolhida para a entrada do veículo na oficina parceira, reduzindo desencontros de informação e facilitando o suporte ao segurado.
 

Outra evolução é o “Checklist Digital”, que possibilita o acesso ao registro das condições do veículo na entrada e na saída da oficina, oferecendo mais segurança e rastreabilidade durante todo o processo de reparação.
 

A companhia também ampliou as funcionalidades de autoatendimento via WhatsApp para casos envolvendo acidentes pessoais e danos corporais. A solução permite que segurados e terceiros envolvidos enviem informações e documentos de forma digital, tornando o processo mais simples e ágil em um momento que costuma exigir atenção e suporte.
 

A plataforma ainda permite consultar documentos pendentes, acompanhar o status dos envios e visualizar o prazo estimado para análise, trazendo mais previsibilidade para todos os envolvidos.
 

“Os resultados dos últimos meses demonstram como a combinação entre tecnologia, simplicidade e transparência pode transformar a experiência do segurado em um momento tão importante quanto o sinistro. Nosso objetivo é oferecer cada vez mais autonomia aos clientes e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade de acompanhamento dos corretores ao longo de toda a jornada”, afirma Rodrigo Herzog, Diretor de Sinistro Auto da Porto Seguro.
 

“Para os corretores, o benefício é direto: mais visibilidade sobre a jornada do cliente, mais agilidade no acompanhamento e menos necessidade de contatos operacionais para atualização de informações”, completa o executivo.
 

Calor extremo passa a desafiar a resiliência da Suíça, aponta Swiss Re Institute

A Suíça, reconhecida mundialmente por sua elevada capacidade de prevenção e resposta a desastres naturais, enfrenta um novo desafio imposto pelas mudanças climáticas: o calor extremo. Estudo divulgado pelo Swiss Re Institute mostra que o aumento das temperaturas está colocando à prova a resiliência do país ao ampliar riscos para a saúde pública, agricultura, abastecimento de água, geração de energia, infraestrutura crítica e até intensificar a ocorrência de outros eventos naturais, como enchentes.

Segundo o levantamento, a Suíça está aquecendo mais de duas vezes mais rápido que a média global, de acordo com a Academia Suíça de Ciências. Nesse cenário, o calor deixa de ser apenas um evento climático isolado para atuar como um “multiplicador de riscos”, agravando impactos econômicos e sociais já conhecidos.

Como resposta, a Swiss Re anunciou a criação da iniciativa Resilient Switzerland, voltada ao fortalecimento da cultura de prevenção, compartilhamento de riscos e desenvolvimento de medidas de adaptação. O projeto será oficialmente lançado durante o primeiro Schweizer Resilienz-Tag, encontro que reunirá autoridades, empresas, cientistas e representantes do setor de seguros no dia 26 de junho para discutir soluções práticas de adaptação ao calor extremo.

“A Suíça está bem preparada para enchentes e tempestades. Mas o calor representa um tipo diferente de risco: é menos visível, mais difícil de segurar e capaz de ampliar riscos que o país já administra bem. No caso do calor, resiliência significa mais áreas de sombra nas cidades, ambientes climatizados em instituições de saúde, horários mais seguros para o trabalho ao ar livre e mecanismos de compartilhamento de riscos quando as perdas não podem ser evitadas”, afirmou Gianfranco Lot, Chief Underwriting Officer P&C Re da Swiss Re.

Os dados mostram uma mudança significativa no comportamento climático do país. Atualmente, a Suíça registra entre 10 e 15 dias por ano com temperaturas iguais ou superiores a 30°C, mais que o dobro dos cerca de cinco dias registrados em 1990. Nas áreas urbanas, o efeito é ainda mais intenso: as cidades chegam a registrar temperaturas até 6°C superiores às regiões rurais próximas devido ao fenômeno das ilhas de calor.

As chamadas “noites tropicais”, quando a temperatura permanece acima de 20°C, também se tornaram mais frequentes, dificultando o resfriamento das edificações e aumentando os riscos para a população, especialmente idosos e pessoas com doenças preexistentes.

Embora seus efeitos sejam menos visíveis do que enchentes ou deslizamentos, o impacto do calor extremo sobre a saúde pode ser severo. O Swiss Re Institute lembra que a onda de calor que atingiu a Europa em 2003 elevou em cerca de 1,5% a mortalidade na Suíça naquele ano, pressionando significativamente o sistema de saúde.

O estudo também destaca que o calor modifica o comportamento de outros riscos naturais. As enchentes continuam sendo o principal evento catastrófico segurado no país, respondendo por aproximadamente 60% das perdas anuais seguradas relacionadas a desastres naturais. No entanto, períodos prolongados de seca tornam o solo menos capaz de absorver grandes volumes de chuva, aumentando o potencial para inundações repentinas.

Além disso, a estiagem deixa as lavouras mais vulneráveis a tempestades de granizo, enquanto o aumento das temperaturas e o degelo do permafrost comprometem a estabilidade das encostas alpinas. Um exemplo citado pelo instituto é a avalanche de rochas e gelo ocorrida em Blatten, em maio de 2025, que provocou perdas seguradas de aproximadamente 320 milhões de francos suíços e ilustra como mudanças climáticas graduais já influenciam eventos de grandes perdas.

Para o Swiss Re Institute, a adaptação ao calor dependerá principalmente de ações locais. Apesar de o país já contar com sistemas de alerta, indicadores de calor urbano e medidas voltadas à proteção de grupos vulneráveis, grande parte das residências, escolas, hospitais e ambientes de trabalho foi projetada para um clima historicamente mais frio.

Entre as medidas apontadas estão o aumento das áreas verdes, ampliação de espaços sombreados, criação de superfícies permeáveis, melhor planejamento urbano e integração entre municípios, serviços de saúde, operadores de infraestrutura, órgãos públicos e setor privado.

Segundo a Swiss Re, fortalecer a compreensão dos riscos e ampliar a cooperação entre diferentes setores será essencial para que a Suíça mantenha sua elevada capacidade de adaptação diante de um cenário climático cada vez mais desafiador.

Escassez de profissionais híbridos desafia transformação digital das seguradoras

A transformação digital das seguradoras está criando um novo desafio para o mercado brasileiro: a falta de profissionais capazes de combinar conhecimento técnico de seguros com competências em dados, inteligência artificial e desenvolvimento de produtos digitais. O cenário, que já preocupa executivos de recursos humanos e lideranças do setor, pode se tornar um dos principais obstáculos para que a indústria alcance a meta de ampliar sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) até 2030, conforme previsto pela CNseg, a confederação das seguradoras.

Segundo Luciane Pires, Head of Financial Services & Insurance, o mercado enfrenta atualmente dois gargalos simultâneos. O primeiro envolve profissões tradicionalmente escassas, como atuários e subscritores de riscos. O segundo está relacionado ao avanço da digitalização, que elevou a demanda por profissionais capazes de transitar entre o universo técnico do seguro e o ambiente de inovação.

“Historicamente, o mercado formou subscritores muito técnicos e focados no back office. Hoje, as seguradoras precisam de profissionais que mantenham o rigor técnico, mas que também tenham habilidade comercial para negociar diretamente com corretores e clientes corporativos e customizar riscos complexos em tempo real”, afirma.

A executiva destaca ainda a crescente procura por especialistas em desenvolvimento de produtos capazes de atuar no segmento de embedded insurance, modalidade em que o seguro é incorporado à jornada de compra de produtos e serviços digitais. “Encontrar alguém que domine a complexidade técnica do seguro tradicional e, ao mesmo tempo, tenha a agilidade do ecossistema digital é um dos maiores desafios das companhias atualmente”, diz.

A escassez desses profissionais tem levado as seguradoras a buscar talentos fora do setor. Fintechs, insurtechs e empresas de tecnologia tornaram-se fontes recorrentes de recrutamento, uma vez que os programas internos de formação não conseguem acompanhar a velocidade das mudanças.

Na avaliação de Luciane, uma das estratégias mais adotadas pelas companhias tem sido a formação de equipes compostas por profissionais de perfis complementares. De um lado, especialistas experientes em subscrição, regulação e compliance. De outro, jovens profissionais oriundos do ecossistema de tecnologia, com domínio de dados e inteligência artificial. “O desafio deixa de ser técnico e passa a ser cultural. É preciso unir a agilidade de quem cresceu em uma startup com os processos consolidados de uma seguradora tradicional. Isso exige lideranças maduras para transformar diferenças em geração de valor”, afirma.

A competição por talentos também expõe uma dificuldade histórica do setor: atrair profissionais mais jovens. Segundo a executiva, muitas seguradoras ainda carregam a imagem de empresas excessivamente tradicionais, burocráticas e dependentes de sistemas legados, características que contrastam com as expectativas de profissionais das áreas de tecnologia e dados.

Entre os fatores mais relevantes para essa nova geração estão modelos flexíveis de trabalho, acesso a tecnologias modernas e oportunidades de crescimento mais aceleradas. “Os jovens buscam atuar com inteligência artificial, nuvem e plataformas digitais. Quando encontram ambientes muito dependentes de tecnologias obsoletas, a frustração é imediata”, afirma.

Outro ponto destacado é a necessidade de revisão das estruturas de carreira. Para Luciane, modelos baseados exclusivamente em tempo de empresa tendem a perder atratividade diante de formatos mais meritocráticos, comuns em startups e empresas de tecnologia.

Apesar das dificuldades, a executiva observa uma mudança importante no mercado. Seguradoras de grande porte têm ampliado a contratação de profissionais em início de carreira para projetos ligados à transformação digital e inteligência artificial, utilizando essas iniciativas como porta de entrada para atrair e desenvolver futuros líderes.

A preocupação com talentos ocorre em paralelo ao envelhecimento de parte da força de trabalho do setor. Embora exista o risco de perda de conhecimento com a aposentadoria de profissionais experientes, Luciane avalia que a principal ponte entre gerações está na camada intermediária de gestão.

“O conhecimento não é transferido diretamente da alta liderança para os profissionais em início de carreira. Essa transmissão acontece principalmente por meio da gerência média, que absorve a experiência acumulada e a adapta às novas necessidades do negócio”, explica. Para ela, o desafio das áreas de recursos humanos não é preservar modelos do passado, mas apoiar a integração entre conhecimento técnico tradicional e inovação digital.

A questão ganha relevância adicional diante da ambição de crescimento do setor segurador. Caso as empresas mantenham estratégias restritas à disputa pelos mesmos profissionais ou à contratação concentrada em fintechs e insurtechs, a falta de mão de obra especializada poderá se transformar em um gargalo estrutural.

Luciane acredita que parte da solução passa por ampliar o recrutamento para segmentos correlatos, especialmente o setor bancário. “Profissionais de bancos já possuem familiaridade com gestão de riscos, governança e ambiente regulatório, o que reduz significativamente a curva de aprendizado para atuar em seguros”, afirma.

Na avaliação da executiva, o sucesso da indústria dependerá da combinação entre formação interna acelerada e capacidade de atrair talentos de outros mercados. Caso contrário, o setor corre o risco de enfrentar uma disputa salarial crescente entre as próprias seguradoras, elevando custos e reduzindo recursos disponíveis para inovação.

“Se o mercado não oxigenar suas linhas de contratação com profissionais vindos de outros setores, teremos um leilão de salários insustentável, que pode comprometer justamente os investimentos necessários para sustentar o crescimento da indústria nos próximos anos”, conclui.