Educação garante mobilidade e expansão dos mercados, diz Marcelo Neri

matéria extraída do site da CNseg (www.viverseguro.org.br)

O economista Marcelo Neri disse hoje que, nos dois extremos da economia, pobreza e riqueza, o País mantém uma posição intermediária, ocupando o 12º posto na desigualdade mundial. Assinalou que a situação do País é cada vez mais confortável e caminha para um novo patamar. Isso porque, enquanto a renda está em queda no mundo, ela aumenta nos países, sobretudo no Brasil, contribuindo para uma redução significativa das desigualdades.

Ao apresentar palestra no Insurance Service Meeting 2012, Marcelo Neri lembrou os efeitos negativos da crise de 2008 e da desaceleração de 2011, mas assinalou que estes eventos não devem afastar o Brasil de conviver com o que chamou da década da classe média no País. O antídoto às crises, na sua avaliação, é a melhora da educação no País, o que tem garantido um avanço na pirâmide social brasileira.

Ele assinalou que este movimento de mobilidade social é mais sustentável do que ele imaginava. As classes C e D vão continuar aumentando, colaborando para reduzir a desigualdade, e também mais pessoas vão atingir as classes A/B nos próximos anos. Em 2014, as classes A/B vão crescer 29% e a C, 11%, favorecidas pelo crescimento da renda e pela criação de mais empregos formais. E os que apostam contra serão derrotados, acrescentou ele.

Na sua avaliação, a educação foi o fator que mais propiciou a realidade favorável da economia brasileira. Este cenário é muito favorável para os mercados, incluindo-se aí o setor de seguros. Enfim, uma conquista para o qual os agentes econômicos devem ficar atentos, concluiu.

Insurance Service Meeting debate inovação

matéria extraída do site da Cnseg (www.viverseguro.org.br)

Ao participar da abertura do Insurance Service Meeting – Edição 2012, o vice-presidente da CNseg, Patrick Larragoiti, lembrou que um dos grandes objetivos do encontro anual realizado em Angra dos Reis é tratar da melhoria dos processos operacionais, reduzir seus custos e buscar a inovação. O Insurance foi aberto há pouco, reúne 300 participantes e discutirá em dois dias uso da tecnologia da informação para o acesso de novos nichos de mercado para as seguradoras, como a nova classe média e as novas gerações.

Patrick Larragoiti fez questão de destacar que as ações dos governos Lula e Dilma produziram uma numerosa classe média no País, dado o aumento da renda do trabalhador. Também foram bem-sucedidos em sua política de redução da pobreza. “Vinte milhões saíram da pobreza para a classe média”, assinalou ele. E acrescentou que a nova classe média permanece ávida por ir às compras.”Sessenta e três por cento da nova classe média quer ter um automóvel e, consequentemente, fará um seguro”, comentou ele, para quem a nova classe média valoriza a proteção à família e aos novos bens.

Ele aproveitou para fazer um balanço positivo do setor. O mercado segurador cresceu de 10% a 15% nos últimos 10 anos e, segundo a CNseg, deve ter uma expansão de outros 12,8% este ano. “O que significa muito trabalho para atender aos novos consumidores”, disse.

Já o presidente da Comissão de Processos e Tecnologia da Informação da CNseg, Roberto Almeida, disse que o evento é oportunidade de gerar conhecimento e de trocar informações, para entender este novo público que chega ao mercado, fidelizá-lo e oferecer produtos adequados.

Cade aprova fusão do BB com Mapfre e faz restrições ao rural. Imagino ter sido um alívio

O Cade aprovou a fusão entre Banco do Brasil e Mapfre, mas determinou que a Secretaria de Direito Econômico (SDE) investigue a prática de venda casada pela qual o Banco do Brasil estaria sendo acusado no crédito rural. A SDE também vai apurar se as seguradoras estão cobrando taxas indevidas de corretagem em seguros obrigatórios (DPVAT) e se as resseguradoras estão burlando uma restrição imposta pelo governo para transferências de risco entre empresas pertencentes ao mesmo grupo, informa o Valor.

O Brasil Economico acrescenta que a Mapfre terá que vender a carteira de seguro rural que detinha antes da parceria estratégica, firmada em junho do ano passado, equivalente a cerca de R$ 100 milhões. O que poucos comentam é que o seguro rural é um nicho de mercado que interessa a quase ninguém além da Mapfre, ramo em que o grupo tem vasta experiência na Espanha, treinando, inclusive, profissionais de empresas concorrentes para que outras companhias se interessem pelo principal setor da economia. Aliás, um tema complicado em todo o mundo.

Em 2010, o PIB do agronegócio foi R$ 821,1 bilhões. Desse valor, R$ 88,8 bilhões foram da cadeia de insumos, R$ 217,5 bilhões no campo, R$ 251,4 bilhões na indústria e R$ 263,4 bilhões na distribuição. A agricultura participou com 70,4% da riqueza gerada pelo agronegócio. Foram R$ 578,4 bilhões, considerando os insumos, campo, indústria e distribuição. A pecuária, com PIB de R$ 242,7 bilhões em 2010, participou com 29,6% do total do agronegócio.

E quantas seguradoras participam? Poucas. A BB Mapfre, entre janeiro e novembro de 2011, registrou prêmios de R$ 714 milhões. 65% do total de seguro rural vendido no período, com R$ 1 bilhão em prêmios. O que é R$ 1 bilhão para um setor que é o que tem maior peso no PIB? Nos dados da Susep organizados pela Siscorp, o que se vê é gente bem intencionada saindo do setor. Porto Seguro e Allianz, que tentaram operar com rural, apresentam queda de prêmios de 48% e de 10%, respectivamente. Ou seja, um sinal claro de que estão deixando o negócio.

O agribusiness é um segmento que depende praticamente do governo. Todos os países buscam formas de resolver o problema de crédito e de perdas dos agricultores, que sofrem com elevados custos de financiamento e perdas climáticas imprevisíveis. Muitas seguradoras já entraram nesse nicho com a expectativa de subvenção ao seguro rural e saíram em razão das perdas com clima e atraso no repasse de recursos aos agricultores e falta de consenso na criação do fundo de catástrofes.

Trata-se de um seguro muito especializado e operado por poucas companhias. Imagino que isso tenha realmente sido um alívio para ambos, pois com a decisão as vendas de seguro rural devem ficar ainda mais paralisadas, o que agrava o problema para o governo. Afinal, um país sem política agrícola corre o risco de no futuro sofrer até mesmo uma guerra causada por falta de alimentos.

Susep institui política de comunicação

Me alegra muito saber que quase todas as empresas da indústria de seguros decidiram realmente investir em comunicação, contribuindo assim para melhorar a imagem do setor em vários sentidos. Tanto do profissional que trabalha na indústria se sentir mais valorizado como também valorizar mais o produto seguro diante da opinião pública. A notícia do dia fica por conta da Susep, que divulgou hoje norma que institui a Política de Comunicação. Em até 30 dias serão eleitos os integrantes do Comitê de Comunicação Institucional – CCI. Leia abaixo a íntegra do texto publicado:

Deliberação nº 153, de 5 de março de 2012

Institui a Política de Comunicação, da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP.

O SUPERINTENDENTE DA SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS – SUSEP torna público que o Conselho Diretor da Autarquia, em reunião ordinária realizada em 5 de março de 2012, no uso das atribuições que lhes conferem os incisos I e IX do artigo 10 e o inciso X do artigo 68 do Regimento Interno de que trata a Resolução CNSP no 229, de 6 de dezembro de 2010, e considerando o que consta do Processo SUSEP no 15414.003357/2011-16, deliberou

Art. 1o Instituir a Política de Comunicação da Superintendência de Seguros Privados – Susep

CAPÍTULO I

DA ABRANGÊNCIA

Art. 2o A Política de Comunicação da Susep aplica-se a toda forma de comunicação institucional da Autarquia, no âmbito interno e externo.

Art. 3o Todos os processos de comunicação que envolvem a Susep devem ser orientados pelos objetivos, princípios e diretrizes constantes deste documento.

Art. 4o Esta Política de Comunicação deverá ser observada por todos os servidores e agentes públicos a serviço da Susep.

Parágrafo único. Entende-se por agente público aquele que, por força de lei, contrato ou qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária, excepcional ou eventual, ainda que sem retribuição financeira, à Susep.

CAPÍTULO II

DOS OBJETIVOS

Art. 5o A Política de Comunicação objetiva promover a comunicação integrada entre a Susep e os seus públicos de relacionamento, visando a alinhar os discursos da Superintendência com as diretrizes do Planejamento Estratégico, de forma a manter a sua identidade corporativa, consolidar a sua imagem junto a públicos específicos e à sociedade e contribuir para que, em conformidade com sua missão, a Autarquia atinja com êxito sua visão institucional, buscando:

I – tornar a Susep efetivamente conhecida junto à sociedade, com destaque para a divulgação dos canais de atendimento ao público;

II – contribuir para o reconhecimento da relevância, eficiência e eficácia de sua atuação, nacional e internacionalmente;

III – aumentar o grau de conhecimento dos cidadãos sobre as empresas dos mercados supervisionados e seus produtos;

IV – disseminar a cultura do seguro por meio de ações de educação financeira;

V – alertar os cidadãos quanto aos riscos inerentes aos mercados supervisionados, contribuindo para o combate à comercialização irregular de seus produtos e a outros atos ilícitos;

VI – contribuir para o aprimoramento da supervisão e para o fomento dos mercados de seguro, resseguro, capitalização e previdência complementar aberta;

VII – estimular a participação da sociedade nas atividades relativas à regulação dos mercados de seguro, resseguro, capitalização e previdência complementar aberta;

VIII – melhorar o relacionamento da Autarquia com as empresas e profissionais dos mercados supervisionados;

IX – aprimorar e tornar efetiva a comunicação interna, com ampla divulgação dos assuntos de interesse geral; e

X – harmonizar as expectativas entre a alta administração e o corpo funcional com relação aos processos de trabalho a serem desenvolvidos e às metas a serem atingidas.

CAPÍTULO III

DOS PRINCÍPIOS

Art. 6o A Susep, nas suas ações de comunicação, obedecerá aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Parágrafo único. As ações de comunicação obedecerão ainda, entre outros, os seguintes princípios:

I – celeridade: a Susep deve responder de forma ágil e conclusiva às demandas de seus públicos internos e externos;

II – conformidade: toda ação de comunicação deve estar alinhada à Política de Comunicação;

III – cordialidade: as relações internas da Susep e entre a Autarquia e a sociedade devem ser guiadas pela cordialidade;

IV – credibilidade: toda ação de comunicação deve ser elaborada com o intuito de consolidar e ampliar a credibilidade da Susep perante seus públicos e a sociedade;

V – ética: a comunicação deve ser pautada pela veracidade das informações e pelo respeito aos públicos envolvidos;

VI – qualidade: as informações devem ser previamente checadas e adequadas à linguagem e ao meio de comunicação utilizados, gerando uma comunicação eficiente, coerente e uniforme;

VII – responsabilidade sócio-ambiental: a comunicação deve ser pautada no respeito aos direitos do cidadão, na eliminação de preconceitos, na defesa da diversidade e na proteção ao meio ambiente; e

VIII – transparência: as ações devem ocorrer com a máxima clareza, garantindo uma comunicação transparente nas relações internas, bem como entre a Autarquia e a sociedade.

CAPÍTULO IV

DAS DIRETRIZES

Art. 7o O desenvolvimento e a execução das ações de comunicação da Susep observarão as seguintes diretrizes:

I – afirmação dos valores, princípios e direitos previstos na Constituição Federal, no Planejamento Estratégico da Susep e nesta Política de Comunicação;

II – adequação da linguagem, dos canais e das mensagens aos diferentes públicos, sem perder a uniformidade do discurso;

III – atenção ao caráter educativo, informativo e de orientação social, sendo proibido o uso de nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos;

IV – atendimento efetivo às demandas do público, sendo assegurado o direito à informação;

V – avaliação permanente das ações de comunicação, com o monitoramento e a mensuração do desempenho, de forma a proporcionar a melhoria contínua na aplicação dos recursos;

VI – divulgação dos direitos do cidadão relativos aos mercados supervisionados;

VII – foco em resultados e direcionamento ao cumprimento dos objetivos estratégicos da Autarquia;

VIII – iniciativa na divulgação de assuntos relevantes concernentes aos mercados supervisionados e à Susep;

IX – respeito à identidade visual da Susep;

X – utilização de dados e informações provenientes, exclusivamente, de fontes seguras e com credibilidade;

XI – utilização de veículos eficientes e inovadores, levandose em conta as possibilidades tecnológicas disponíveis que proporcionem interatividade entre a Susep e seus públicos de interesse interno e externo; e

XII – estímulo ao envolvimento dos agentes públicos a serviço da Susep, de forma a incentivar a participação de todos na construção de seus discursos.

CAPÍTULO V

DAS COMPETÊNCIAS E RESPONSABILIDADES

Art. 8o O Superintendente é o porta-voz oficial da Susep, podendo também os Diretores falar publicamente em nome da Autarquia, de forma restrita às suas áreas de atuação.

§ 1o Fica vedada manifestação de servidor em nome da Autarquia. Excepcionalmente, por designação do Superintendente ou Diretores, nos termos do caput, poderá haver manifestação de servidor sobre matéria específica.

§ 2o Considera-se informação ou opinião formal da Susep apenas as emitidas pelos porta-vozes assim definidos neste artigo.

Art. 9o O relacionamento com órgão de imprensa ou mídia em geral deverá ser realizado diretamente pelo Superintendente ou intermediado pela assessoria de imprensa.

Art. 10. Sempre que um servidor da Susep, nesta condição, manifestar-se em público, deverá alinhar seu discurso ao posicionamento oficial da Autarquia sobre o assunto.

Parágrafo único. Nos casos em que um servidor emita uma opinião que não reflita a posição da Susep, deverá explicitar essa situação.

Art. 11. Compete à Administração prover os recursos humanos e materiais necessários à aplicação da Política de Comunicação.

Art. 12. Compete ao Gestor de Comunicação:

I – identificar as ações de comunicação, em conformidade com a Sistemática de Comunicação, e os recursos necessários para a sua implantação;

II – coordenar, desenvolver e implantar as ações de comunicação interna e externa da Susep;

III – propor, quando necessário, a constituição de grupos de trabalho para tratar de temas relativos à comunicação;

IV – propor a revisão e atualização da Política e da Sistemática de Comunicação;

V – propor normas complementares e procedimentos internos relativos à Política de Comunicação e suas atualizações;

VI – monitorar as ações pertinentes à Sistemática de Comunicação, propondo as ações de melhoria;

VII – incentivar a participação dos servidores como provedores de conteúdo para os veículos de comunicação existentes, em consonância com a Política de Comunicação;

VIII – gerenciar os veículos de comunicação interna e externa da Susep;

IX – promover ações de divulgação institucional;

X – coordenar a elaboração de produtos voltados à comunicação com os públicos interno e externo;

XI – planejar e organizar eventos voltados ao relacionamento com o público;

XII – identificar a necessidade de capacitação dos porta-vozes para o relacionamento com a mídia;

XIII – propor a realização de pesquisas de opinião pública e de clima organizacional; e

XIV – coordenar o Comitê de Comunicação Institucional – CCI.

Art. 13. Fica instituído o Comitê de Comunicação Institucional, composto por:

I – o Gestor de Comunicação;

II – um representante do Gabinete;

III – um representante da Secretaria-Geral; e

IV – um representante de cada Diretoria.

Art. 14. Compete ao CCI:

I – estabelecer prioridade entre os planos e entre as ações de comunicação;

II – propor a alocação dos recursos necessários às ações de comunicação;

III – revisar periodicamente a Política e a Sistemática de Comunicação;

IV – aprovar e revisar periodicamente normas complementares e procedimentos internos relativos à Comunicação e suas atualizações; e

V – criar mecanismos para o monitoramento das ações pertinentes à Sistemática de Comunicação e aprovar as ações de melhoria.

Art. 15. As responsabilidades e competências relacionadas à gestão da comunicação deverão estar expressas no Regimento Interno da Autarquia.

Art. 16. A comunicação é responsabilidade de todos, independentemente de nível hierárquico ou lotação.

CAPÍTULO VII

DAS REFERÊNCIAS LEGAIS E NORMATIVAS

Art. 17. A Política de Comunicação obedecerá à legislação e normas específicas, destacando-se:

I – Decreto no 6.555, de 8 de setembro de 2008;

II – Deliberação Susep no 147, de 3 de outubro de 2011;

III – Instrução Susep no 51, de 15 de março de 2011; e

IV – Instrução Susep no 52, de 15 de março de 2011.

CAPÍTULO VII

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 18. A Política de Comunicação deve ser sistematicamente avaliada, devendo ser alterada sempre que for identificada sua inadequação à realidade cultural, econômica e/ou tecnológica da Autarquia ou da sociedade brasileira.

Parágrafo único. A revisão da Política de Comunicação deverá ser feita com periodicidade máxima de 3 (três) anos.

Art 19. As propostas de alteração ou criação de normas e procedimentos internos relativos à comunicação deverão ser encaminhadas ao CCI.

Art. 20. A Política de Comunicação deverá estar permanentemente alinhada ao Planejamento Estratégico Institucional e ao Plano Plurianual (PPA) vigentes, de modo a garantir sua adequação às diretrizes, objetivos e metas da Susep e do país.

Art. 21. As formas de implementação dessa política serão previstas na Sistemática de Comunicação da Susep, em normas, em procedimentos e em outros documentos pertinentes.

Art. 22. Serão nomeados, por ato do Superintendente da Susep, os integrantes do CCI e seus respectivos suplentes, em até 30 (trinta) dias a partir da publicação desta Deliberação.

Art. 23. Após a publicação desta Deliberação, o Gabinete deverá dar ampla divulgação da Política de Comunicação a todos os agentes públicos a serviço da Susep.

Art. 24. Esta Deliberação entra em vigor na data de sua publicação.

Luciano Portal Santanna

Novo presidente da Mapfre faz seu primeiro discurso, citando o Brasil diversas vezes

Em uma manhã de sábado ensolarada em Madri, o maior grupo segurador da Espanha apresentou aos acionistas os resultados de 2011. Diferentemente do Brasil, país que ainda desenvolve o hábito dos acionistas comparecem às reuniões de prestação de contas, o auditório com capacidade para mais de 600 pessoas no Palacio de Congresos estava lotado de acionistas e executivos vindos dos 46 países onde a Mapfre está presente.

O interesse do público, que já conhecia os resultados divulgados dias atrás, era conhecer melhor o que se passa na cabeça de Antonio Huertas Mejías, que aos 48 anos assume a presidência do maior grupo segurador da Espanha e o quinto maior da Europa no lugar de José Manuel Martínez. Foi seu primeiro discurso público. “Considero factivel que neste ano poderemos superar o ingresso de receitas de 25 bilhões de euros, o que significa crescimento de 6% sobre 2011. Será um ano de grandes desafios para a Espanha e por isso as operações internacionais terão um papel relevante para atingir tal cifra”, disse Huertas aos presentes.

No entanto, a Espanha é o país que mais continuará recebendo investimentos, inclusive por ser o grupo um importante gerador de emprego e de renda, duas vertentes fundamentais para qualquer país crescer. Huertas também disse que o grupo está atento as oportunidades de negócios geradas com o novo contexto financeiro criado em todo o mundo, uma vez que novas regras de solvência exigirão aportes de capital significativos Segundo Martinez, o grupo não sofrerá perdas em relação a investimentos em títulos soberanos da Grécia. “Nossa exposição é zero”, disse ele ao responder o questionamento de um acionista.

O Brasil foi um dos grandes destaques do balanço de 2011. Melhor ainda é que o país continua sendo um dos pilares do crescimento de 2012. “Além de continuarmos investindo no crescimento orgânico das unidades locais, consolidaremos a aliança com o Banco do Brasil, que permitirá nos posicionarmos como líderes no mercado brasileiro”, afirmou o executivo que há 24 anos se dedica à Mapfre e conta com o que há de mais importante hoje na vida de um executivo: o respeito dos funcionários, acionistas e concorrentes. Além da parceria com o BB, a Mapfre mantém outras operações não incluídas no negócio estimado em mais de R$ 12 bilhões na época. Fora da operação BB Mapfre, o grupo espanhol tem a gestoras de ativos, a empresa de assistência 24 horas, uma operação de vida e previdência, a empresa de capitalização, de consórcio e de seguro garantia. E em breve, se tudo der certo, começará também a atuar em saúde.

“É com grande orgulho que passo a gestão da empresa, que há tempos deixou de ser uma companhia espanhola para ser um grupo multinacional, para Huertas. Ele conduziu sua carreira de maneira exemplar e por isso foi aceito com unanimidade pelo Conselho de Administração”, disse Martinez, responsável por assinar o primeiro grande passo da Mapfre no Brasil: a compra da seguradora Vera Cruz, do grupo Bunge, em 1991. Mas foi só em 2011 que assumiu a presidência mundial do grupo. Literalmente com lágrimas nos olhos, Martinez se despediu do cargo, mas não do grupo. Ele será membro do Conselho.

O grupo espanhol vem crescendo em todo o mundo de forma consistente há tempos. Para se ter uma idéia, em 1989 a Mapfre faturava 1,2 bilhão de euros. Em 2011, 23,5 bilhões de euros para um lucro bruto de 1,6 bilhão e líquido de 963 milhões de euros. Os ativos passaram de 1,9 bilhão para 54 bilhões de euros no mesmo período. A internacionalização foi uma das alavancas para esse crescimento. Em 2011, as operações do grupo fora da Espanha apresentaram grande crescimento. Dos 23,5 bilhões de euros em receitas consolidadas, 62% são provenientes de outros países, três pontos percentuais a mais em relação ao registrado no ano anterior. Desse valor, 10 bilhões de euros foram gerados pelos negócios na Espanha e 13 bilhões de euros pelas operações internacionais. O volume de prêmios de seguros patrimoniais, ramo conhecido mundialmente como “não vida”, chegou a 14,4 bilhões de euros, 13,4% acima do resultado obtido em 2010. Já o ramo vida chegou a 5,1 bilhões em euros.

Na Espanha, onde o grupo tem a liderança, as vendas do seguro automóvel se mantiveram em 2,3 bilhões de euros, volume que garante a seguradora uma participação de 21%. Na carteira de multirrisco, a Mapfre registrou venda de 1,2 bilhão de euros, avanço de 3,3%. No segmento de vida, os prêmios gerados na Espanha chegaram a 4,6 bilhões de euros, recuo de 0,6%, uma situação típica em momentos de crise, quando as pessoas reduzem depósitos em planos de previdência. O desemprego também traz impactos negativos para a carteira de vida empresarial.

Na Mapfre America, o desempenho foi classificado como “incrível” por Esteban Tejera, diretor geral do grupo, que apresentou aos acionistas os dados detalhados do balanço de 2011. Esse elogio se refere, em boa parte, ao Brasil, que apresentou crescimento de 14,9%, para prêmios de 3,5 bilhões de euros. “Registramos um forte crescimento orgânico e as operações com o Banco do Brasil foram consolidadas em 2011, beneficiando os resultados do ano”, informou Tejera. O grupo BB Mapfre já é hoje o segundo maior do Brasil, segundo dados divulgados pela Susep para o período de janeiro a novembro de 2011 e consolidados pela consultoria Siscorp.

A diferença para o Bradesco, líder no Brasil, está cada dia menor, gerando uma grande disputa pelos clientes. Sem considerar o ramo saúde, o Bradesco registrou receitas de R$ 19,3 bilhões com seguro, previdência e capitalização, enquanto o Banco do Brasil captou R$ 17,4 bilhões, incluindo todas as suas parceiras, sendo a Mapfre a principal.

O Brasil é de longe o maior mercado da América Latina, onde a Mapfre é a maior da região no segmento “não vida” e a segunda maior em “vida”. Segundo dados do balanço, a Venezuela registrou prêmios de 640 milhões de euros, avanço de 8,8%; o México chegou a prêmios de 557 milhões de euro, alta de 5,2%; Argentina vem em seguida, com 448 milhões de euros.

Huertas fez questão de ressaltar a solvência do grupo Mapfre, que está entre as melhores da Europa, e ter sido o primeiro grupo segurador a divulgar o balanço financeiro dentro do novo padrão internacional. O executivo afirmou que seguirá o caminho que vinha sendo trilhado por seu antecessor. “Vamos continuar investindo em pessoas e valores da nossa equipe, pessoas responsáveis por fazer do grupo o que ele é hoje”, disse o presidente do grupo que conta com mais de 35 mil empregados.

“Aproveitaremos a nossa estrutura internacional para estimular a troca de experiência entre os executivos de todos os países, bem como investiremos em tecnologia para unir e facilitar a integração entre todas as unidades”, disse. A tecnologia também é um pilar importante para o crescimento da empresa no que diz respeito a ter processos mais baratos e um atendimento mais eficiente aos corretores, principal canal de vendas do grupo, fornecedores e clientes.

A estrutura do conglomerado foi simplificada e agora conta com três segmentos: seguro direto na Espanha, seguro direto internacional e negócios globais. Dentro dessa estrutura, o desenvolvimento de canais de distribuição alternativos terá atenção especial, principalmente no que diz a vendas pela internet. “Quem determina a forma de atendimento hoje é o cliente e por isso estaremos em todos os lugares que ele demandar”, disse Huertas.

Resseguro apresenta lucro, mesmo em ano de perdas catastróficas

As operações de resseguro da Mapfre Re atingiram 3 bilhões de euros em 2011, crescimento de 7,8%. Apesar de 2011 ter sido um ano de perdas recordes para a indústria de resseguros, a Mapfre Re, uma das principais do mundo, obteve lucro de 108 milhões de euros. “Tivemos uma participação expressiva na reconstrução do Japão, Nova Zelândia e agora na Tailândia, países castigados pelas catástrofes naturais e que contaram com um volume significativo de indenizações da indústria de seguros”, comentou Esteban Tejera, diretor geral do grupo Mapfre.

O cenário para a Mapfre Re em 2012 se mostra otimista. Nas renovações de janeiro, maior período de negociações de contratos de resseguros no mundo, a Mapfre conseguiu um bom desempenho, com aumento de taxas e de novos clientes, informou Ramon Aymerich, executivo responsável pelas operações de resseguro da Mapfre.

Segundo o executivo, as taxas tiveram em média avanço entre 10 e 20% em regiões com histórico normal de perdas. Já nas regiões atingidas pelas catástrofes naturais, o reajuste de preço foi maior para equilibrar a rentabilidade da carteira. “Nova Zelândia, por exemplo, recebeu US$ 16 bilhões em indenizações do setor de seguros, um valor infinitamente superior ao volume de prêmios que pagou de seguros por muitos anos”, comentou. Outra leva de renegociações tem início em abril, quando os principais contratos de resseguros de países asiáticos, região fortemente afetada por catástrofes nos últimos meses. “Esses, com certeza, sofrerão um reajuste de taxas maior para compensar as perdas registradas no ultimo ano”, disse Ramon. Realmente isso já tem sido noticiado por outras resseguradoras desde a semana passada.

As operações de resseguro registradas no Brasil ainda são pequenas dentro do grupo, ao contrário das operações de seguros que ganharam ainda mais importância após a negociação com o Banco do Brasil. No entanto, as perspectivas são otimistas. “O Brasil tem muitos negócios que exigem a participação de resseguros para ajudar a mitigar os riscos dos milionários contratos de infraestrutura. Cada dia mais analisamos os contratos que vão financiar as obras necessárias para dar vazão ao crescimento econômico e deixar o pais pronto para sediar os mundiais esportivos e 2014 e 2016”, comenta.

Apesar de o BB ser parceiro da Mapfre em seguros, em resseguros a situação é outra. O maior banco do país em breve será acionista do IRB Brasil Re. Porém, como no resseguro o princípio é pulverizar risco, os contratos são compartilhados entre várias companhias e quase todos contam com um pool de resseguradores. Ou seja, de uma certa forma a Mapfre Re pode obter ganhos de sinergia em ter o BB como parceiro do grupo em seguros.

A Mapfre nunca escondeu o interesse que tinha em participar da privatização do ressegurador brasileiro, que manteve o monopólio da operação por quase 70 anos. O processo de privatização foi deixado de lado pelo governo brasileiro diante das prioridades do crescimento da economia e das dificuldades em precificar o IRB. Muito já foi dito sobre as pendências em operações internacionais e também no fundo de pensão do instituto. Desde então, o Mercado mudou. Há três o mercado de resseguros foi aberto e atraiu mais de 100 resseguradores desde 2008.

A Mapfre optou por ser uma resseguradora local, com a abertura de uma resseguradora no país, assim como Munich Re, ACE, JMalucelli, bem como Swiss Re, Zurich, Allianz e Terras Brasis, que aguardam autorização para abrir uma operação local. “A concorrência está muito acirrada no mundo, especialmente no Brasil”, comenta Aymerich. O Brasil, no entanto, tem regras diferentes de outros países, restringindo a 20% o repasse de negócios locais para a matriz.

Segundo especialistas do mercado brasileiro, tal situação deverá permanecer até a privatização do IRB Brasil Re, hoje controlado pelo Tesouro Nacional e praticamente duas seguradoras, Bradesco e Itaú, com 22% e 18% do controle. Está em curso um novo desenho do IRB, no qual o Banco do Brasil deverá ficar com 35% do controle, o Tesouro com 10%, funcionários do IRB com 5%, além dos sócios privados passarem a ter direito a voto, diferente de hoje, detentores de apenas ações preferenciais.

Atualmente, o processo aguarda pelo estudo do BNDES, onde o preço do IRB será definido para que o Banco do Brasil possa comprar do Tesouro a praticipação de 35%. Ainda não há um prazo para a finalização do valor, mas os envolvidos no processo garantem que tudo caminha de forma acelerada. Após a conclusão desse desenho acionário, a perspectiva é de que aconteça a privatização do IRB. Questionados sobre se haverá interessse do grupo em participar deste possível leilão, os executivos da Mapfre afirmam ser ainda muito cedo para falar deste assunto.

Corretora Aon e Chubb fazem seguro do evento onde estará o príncipe Harry

Quanto menos risco melhor. Mas como ele existe por todos os lugares, melhor prevenir. Foi isso que fez a promotora do evento Sentebale Royal Salute Polo Cupque, que acontece neste domingo, 11 de março, em Campina. Com a presença de tantas personalidades, inclusive do Principe Harry, que desperta o sonho de milhares de fãs, além dos maiores jogadores de pólo do mundo, como Ricardo Mansur, José Eduardo Matarazzo Kalil e o argentino Nacho Figueira, o jeito foi dividir o risco de algo dar errado e causar danos a terceiros com a indústria de seguros. O seguro contratado junto à corretora Aon, em parceria com a seguradora Chubb Seguros, é o de responsabilidade civil que está inserido na carteira de entretenimento da companhia.

“O apoio ao esporte sempre esteve no DNA da Aon. Antes de nossa parceria global com o Manchester United, já apoiávamos outras modalidades como, por exemplo, o volleyball e hoje expandimos nossa participação, dando suporte à Vela e também ao Golf. Esta parceria fica ainda mais importante quando, por meio do patrocínio ao esporte, damos um retorno à sociedade. Sendo assim, todo este nosso envolvimento sempre procura ajudar uma instituição ou causa beneficente, ligada ou não diretamente à Aon”, comenta Guilherme Mendes, Vice-Presidente de Relacionamento da Aon de São Paulo, em nota divulgada a imprensa.

Grupo Argo prevê crescimento orgânico no Brasil, sem descartar fusões ou aquisições

Ontem, mais de 300 convidados prestigiaram o lançamento da seguradora local do grupo Argo, sediado nas Bermudas, o maior mercado de seguros do mundo. O evento contou com o presidente mundial do grupo, Mark Watson III (esquerda na foto), que conversou com vários executivos do mercado de seguros local, entre eles Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro e Fenseg, João Francisco, presidente da HDI, Luis Maurette, CEO da Willis para a America Latina, Paulo Botti, CEO da Terras Brasis entre muitos corretores, advogados e resseguradores. “Conhecendo melhor o Brasil pelas conversas com as pessoas, me pergunto por que demoramos tanto para abrir uma companhia aqui”, disse Watson III em seu discurso durante o coquetel.

Segundo ele, o grupo vislumbra um cenário internacional com vários desafios. De um deles, pelo menos, o grupo Argo está livre: das indenizações que terão se ser pagas caso o governo da Grécia não consiga entrar num acordo com os credores hoje para assim receber uma nova parcela do pacote de ajuda. “Não temos exposição”, afirmou Watson, durante conversa com jornalistas na noite de ontem. “Estou impressionando com o Brasil, que cresce com indicadores robustos. O mercado de seguros é beneficiado pelo crescimento econômico e vemos grande potencial no país, principalmente quando analisamos a baixa penetração de seguros no PIB”, comentou.

Presidida por Pedro Purm (direita na foto), um executivo carismático e muito respeitado por todos, a Argo já começa com força. Purm já formou uma equipe de primeira, que já produziu mais de 40 produtos. “Neste primeiro momento lançamos 17. Desde janeiro, quando a Argo obteve autorização da Susep, mais de 80 apólices já foram vendidas. Em março, o primeiro sinistro na carteira de transporte foi registrado”, conta Purm.

O CEO mundial do grupo que movimentou US$ 1,5 bilhão em prêmios no ano passado não descarta aquisições, uma vez que começa a atuar no Brasil com folga de capital: R$ 60 milhões, sendo que a exigência mínima do órgão regulador era de apenas R$ 15 milhões. Questionado sobre possíveis seguradoras, principalmente ligadas a bancos, que procuram um parceiro de peso para a área de grandes riscos, Watson sorri e diz: “Vamos ver se elas gostam do nosso desempenho”.

Especulações à parte, o plano estratégico prevê o crescimento orgânico, sustentado pela eficiência operacional, definida por produtos inovadores e sofisticados que atendam a necessidade de transferência de risco de pessoas e empresas. “Praticamos um preço técnico para poder garantir a segurança que as pessoas e empresas buscam quando transferem riscos. E investimos na qualidade do serviço, pois ele é primordial para manter um relacionamento de longo prazo”, diz Mark Watson III.

Purm diz o mesmo. “Queremos ser reconhecidos como uma seguradora diferenciada, inovadora, especializada nos segmentos de mercado que definimos como foco. Nosso portfólio de produtos será bastante completo, incluindo Transportes, Patrimoniais, Engenharia, Garantia, Responsabilidade Civil, D&O e E&O dentre outros. Buscaremos uma atuação muito próxima a clientes e parceiros de negócios, para entender suas necessidades e viabilizar as soluções que melhor os atendam, sempre privilegiando construir relações de longo prazo.” Num primeiro momento, o foco serão pequenas e médias empresas e no médio e longo prazo o grupo prevê ingressar nos grandes riscos.

Para poder criar no Brasil os diferenciais que caracterizam o Grupo Argo internacionalmente, a empresa buscou colaboradores alinhados com a filosofia de negócios da empresa e que tivessem destacada atuação nos segmentos em que irá operar. Veja abaixo a lista de profissionais que compõem a equipe:

O economista suíço Christoph David Glatz é o Diretor de Operações e Finanças. Formado pela Universidade de St. Gallen, Glatz conta com 16 anos de experiência no mercado internacional de seguros, tendo atuado em diversos países, incluindo México, Argentina e Brasil, onde foi, durante três anos, presidente da XL Insurance.

Para o cargo de Diretor de Linhas Financeiras & Desenvolvimento de Negócios, o Grupo Argo trouxe Eduardo Pitombeira. Com experiência de 12 anos no mercado, ele é pós-graduado em direito empresarial , tendo se especializado em seguros de Linhas Financeiras, englobando D&O, E&O, Garantia e Responsabilidade Civil. Antes de integrar a equipe da Argo, o executivo atuou nas seguradoras Zurich, Ace, Unibanco AIG e Chubb.

Como Diretor da área de Transportes, a empresa conta com Salvatore Lombardi Junior. Acumulando 24 anos de atuação no setor, Salvatore terá sob sua responsabilidade o desenvolvimento de negócios de Transportes Nacionais e Internacionais, RC do Transportador e Cascos Maritimos. Ele é pós graduado em Comércio Internacional, e trabalhou nas seguradoras Ace, HDI, Allianz e Zurich.

Para comandar a Diretoria de Patrimoniais e Engenharia, a empresa contratou Ana Carolina Mello. Com 17 anos de experiência no mercado de seguros, Ana Carolina é pós-graduada em Administração e exerceu cargos executivos nas seguradoras Chubb e RSA.

Os riscos da indústria de energia

A Marsh fez um estudo sobre o segmento de energia bem interessante. Veja as principais conclusões do estudo divulgadas pela assessoria de imprensa de uma das principais corretoras e consultora de seguros/resseguro do mundo:

Para reduzir os riscos de perdas significativas relativas a danos patrimoniais, as empresas de energia precisam aprender com os acontecimentos passados de grandes perdas do setor. É o que mostra o relatório “As 100 Maiores Perdas” (The 100 Largest Losses) da Marsh, uma das maiores corretoras de seguros do mundo. As empresas de petróleo e petroquímicas estão expandindo suas atuações globais, construindo mais ativos intensivos em capital e implantando uma tecnologia mais sofisticada para acessar as reservas de hidrocarbonetos em condições cada vez mais desafiadoras. Isso tem aumentado o perfil de risco do setor, levando a um maior potencial de perdas que podem ter um impacto importante nos balanços das empresas de energia.

A 22ª edição do relatório da Marsh “As 100 Maiores Perdas” (The 100 Largest Losses) detalha as perdas mais significativas resultantes de danos patrimoniais na indústria global de hidrocarbonetos desde 1972. De acordo com o relatório, seis das 100 maiores perdas decorrentes de danos ao patrimônio – que incluem a remoção, limpeza, responsabilidade empregatícia e custos com interrupção de negócios – ocorreram desde 2009, tendo como base valores estimados e atualizados.

O relatório inclui a análise de uma explosão que ocorreu no ano passado em Alberta, em uma instalação petrolífera que estava sendo modernizada, ocasionando perdas decorrentes de danos patrimoniais de US$ 600 milhões. Ele também mostra as perdas ocasionadas por danos devido a uma tempestade em uma unidade flutuante de produção, armazenamento e descarga (FPSO) localizada no Mar do Norte, estimadas atualmente em US$ 450 milhões. A explosão do Golfo do México, em 2010, causou perdas de danos patrimoniais avaliadas atualmente em US$ 590 milhões.

Segundo Jim Pierce, Presidente da Prática Global de Energia da Marsh, as empresas envolvidas na produção e processamento de hidrocarbonetos estão tornando-se cada vez mais sofisticadas em suas abordagens de gerenciamento de riscos. “No entanto, mesmo com melhores práticas de engenharia e de consciência de risco, grandes perdas continuam ocorrendo já que o setor enfrenta novos riscos e aqueles associados ao crescente envelhecimento dos ativos baseados em algumas partes do mundo”, afirma.

“Assim como precisa superar problemas tecnológicos e geográficos, a indústria também necessita reconhecer os desafios de operar em diferentes ambientes culturais. Traduzir uma boa prática de gerenciamento de riscos de uma região para outra invariavelmente requer mais do que apenas a habilidade de se saber uma segunda língua”, acrescenta. “O setor não pode ser complacente. Ele precisa entender e lembrar-se das lições do passado, ao mesmo tempo em que antecipa os riscos criados por esta nova era de exploração”, complementa.

Pauta do Insurance Meeting é debater inovação, comunicação e assim conquistar mais clientes

O que fazer para aumentar de seguro para a geração Y e para a nova classe C? Esse é o grande desafio das seguradoras e que estará na pauta de dois dias de debates no evento Insurance Meeting, organizado pela Cnseg. Segundo nota da confederação, cerca de 300 participantes já estão inscritos para o vento que acontecerá nos dias 16 e 17 de março, em Angra dos Reis. O objetivo é estimular o mercado segurador a investir em soluções de tecnologia para aprimorar operações e comunicação com consumidores.

Segundo as seguradoras, há dois grandes desafios a serem vencidos nesta nova etapa da indústria de seguros. O primeiro é ampliar a oferta de informação, interatividade e autosserviço nas seguradoras para atender a uma nova geração de consumidores – a chamada geração Y –, cada vez mais familiarizada com as novas tecnologias e o ambiente web. E o segundo é desenvolver novos canais de comunicação e criar produtos de seguro com valor adequado ao bolso da nova classe C brasileira.

“Para se relacionar com esses consumidores, as seguradoras devem estar presentes obrigatoriamente nos meios eletrônicos. Muitas companhias já oferecem alguns serviços via internet, mas é preciso ampliar este leque e torná-los acessíveis via celular, SMS e redes sociais”, comenta o superintendente de Regulação da CNseg, Alexandre Leal, em nota.

O aumento da renda e a facilidade de acesso às novas tecnologias formam um cenário propício para que novos consumidores contratem seguros para seus bens de valor. “O mercado segurador precisa estar atento a essa nova demanda, a fim de facilitar os processos de contratação das apólices e fidelizar o cliente. A tecnologia é essencial para aperfeiçoar a comunicação entre o segurado e o segurador”, afirma Leal.

O desenvolvimento do microsseguro no Brasil – sua regulamentação é discutida no âmbito da Susep (Superintendência de Seguros Privados) –, por exemplo, é uma das alternativas que permitirá às seguradoras ampliar a oferta de produtos de seguro voltados para as famílias de baixa renda. Um estudo encomendado pela CNseg – realizado pelo Cenfri (Centro para Regulação e Inclusão Financeira) e divulgado em 2011 – aponta que o mercado-alvo de microsseguros no Brasil é de aproximadamente 128 milhões de pessoas.

O Insurance Service Meeting 2012 contará com a participação de lideranças do mercado brasileiro de seguros, como o presidente da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), Jayme Garfinkel; e o presidente da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), Márcio Coriolano.

Uma boa estratégia precisa ter respostas para perguntas certas

Quais cenários e estratégias as seguradoras devem esperar para os próximos anos? Esse é o tema da série de comentários econômicos do consultor Francisco Galiza. Em seu texto 102, ele aborda o estudo “Insurance 2020: Turning change into opportunity”, que divulgado pela Price no início do ano.

O trabalho apresenta as principais mudanças que estão ocorrendo no mundo, com implicações nos setores de seguros e previdência. Elas são divididas por assuntos: social (maior poder dos consumidores), tecnológico (maior volume de dados), ambiental (mais eventos catastróficos), econômico (crescimento dos países emergentes) e político (padronização e globalização).

O estudo comenta o que essas transformações podem trazer ao segmento, como, por exemplo, um aumento na automação dos processos. Mas fazer previsões não é tarefa fácil, sobretudo em prazo longo! Além disso, com um mundo em constante mutação, muitas vezes uma resposta para “hoje” pode não ser a resposta ideal para o “amanhã”. Com esse cenário de incerteza, descobrir, pelo menos, “as perguntas certas que devem ser feitas” já é algo útil. Assim, de forma didática e objetiva, o estudo sugere quais são elas, separadas segundo o cargo profissional.

Veja as principais perguntas que devem ser feitas pelos executivos:

Presidência (“Chief Executive Officer, CEO”)
• Como antecipar e definir a melhor resposta estratégica diante de todas essas mudanças?
• Quais são os mercados e segmentos que devem ser priorizados?
• Como definir os investimentos, tentando sobreviver e prosperar em uma conjuntura que está se alterando?

Diretoria de Avaliação de Riscos (“Chief Risk Officer, CRO”)
• Como está a gestão de riscos na organização e como ela ficará diante desse novo cenário estratégico e, com isso, antecipar a melhor resposta (em produtos, serviços e canais de distribuição)?
• Como a empresa pode estar preparada para eventos extremos e imprevistos (tipo “Black Swan”)?’

Diretoria Financeira (“Chief Financial Officer, CFO”)
• Qual será a resposta dos investidores com relação ao novo posicionamento da seguradora?
• Como gerenciar a estrutura de capital da seguradora, em função das mudanças regulatórias e das expectativas das empresas classificadoras de risco?

Diretoria de Marketing (“Chief Marketing Officer, CMO”)
• Como transformar a seguradora em uma organização centrada no cliente, capaz de comercializar e adequar os produtos para as mudanças nos comportamentos e nas atitudes de seus consumidores?

Diretoria de Tecnologia (“Chief Technology Officer, CTO”)
• Como assegurar que a seguradora não só esteja ciente das tendências tecnológicas emergentes, mas também envolvida na aplicação desses novos mecanismos que chegam ao mercado?

Diretoria de Informações (“Chief Information Officer, CIO)
• Como construir uma estrutura útil de informações e análises, suportada por um banco de dados dinâmico e com uma relação custo/benefícios compatível?

Diretoria de Atuária (“Head of Actuarial”)
• Como selecionar atuarialmente a melhor estratégia, segundo o grau de aversão ao risco e das expectativas da seguradora?

Diretoria de Subscrição (“Head of Underwriting”)
• Como explorar as novas fontes de informação disponíveis para melhorar a subscrição e a seleção de risco e de preços?

Diretoria de Sinistros (“Head of Claims”)
• Como transformar a seguradora de uma “liquidadora de sinistros” em uma organização que seja capaz de executar um gerenciamento de perdas em tempo real?

Diretoria de Recursos Humanos (“Head of HR”)
• Como atrair e reter talentos dentro da organização, especialmente quando esse profissional tem que ser culturalmente consciente, multidisciplinar e global?

O estudo complete pode see acessado no link
http://www.pwc.com/en_GX/gx/insurance/pdf/insurance-2020-turning-change-into-opportunity.pdf