Cade aprova fusão do BB com Mapfre e faz restrições ao rural. Imagino ter sido um alívio

O Cade aprovou a fusão entre Banco do Brasil e Mapfre, mas determinou que a Secretaria de Direito Econômico (SDE) investigue a prática de venda casada pela qual o Banco do Brasil estaria sendo acusado no crédito rural. A SDE também vai apurar se as seguradoras estão cobrando taxas indevidas de corretagem em seguros obrigatórios (DPVAT) e se as resseguradoras estão burlando uma restrição imposta pelo governo para transferências de risco entre empresas pertencentes ao mesmo grupo, informa o Valor.

O Brasil Economico acrescenta que a Mapfre terá que vender a carteira de seguro rural que detinha antes da parceria estratégica, firmada em junho do ano passado, equivalente a cerca de R$ 100 milhões. O que poucos comentam é que o seguro rural é um nicho de mercado que interessa a quase ninguém além da Mapfre, ramo em que o grupo tem vasta experiência na Espanha, treinando, inclusive, profissionais de empresas concorrentes para que outras companhias se interessem pelo principal setor da economia. Aliás, um tema complicado em todo o mundo.

Em 2010, o PIB do agronegócio foi R$ 821,1 bilhões. Desse valor, R$ 88,8 bilhões foram da cadeia de insumos, R$ 217,5 bilhões no campo, R$ 251,4 bilhões na indústria e R$ 263,4 bilhões na distribuição. A agricultura participou com 70,4% da riqueza gerada pelo agronegócio. Foram R$ 578,4 bilhões, considerando os insumos, campo, indústria e distribuição. A pecuária, com PIB de R$ 242,7 bilhões em 2010, participou com 29,6% do total do agronegócio.

E quantas seguradoras participam? Poucas. A BB Mapfre, entre janeiro e novembro de 2011, registrou prêmios de R$ 714 milhões. 65% do total de seguro rural vendido no período, com R$ 1 bilhão em prêmios. O que é R$ 1 bilhão para um setor que é o que tem maior peso no PIB? Nos dados da Susep organizados pela Siscorp, o que se vê é gente bem intencionada saindo do setor. Porto Seguro e Allianz, que tentaram operar com rural, apresentam queda de prêmios de 48% e de 10%, respectivamente. Ou seja, um sinal claro de que estão deixando o negócio.

O agribusiness é um segmento que depende praticamente do governo. Todos os países buscam formas de resolver o problema de crédito e de perdas dos agricultores, que sofrem com elevados custos de financiamento e perdas climáticas imprevisíveis. Muitas seguradoras já entraram nesse nicho com a expectativa de subvenção ao seguro rural e saíram em razão das perdas com clima e atraso no repasse de recursos aos agricultores e falta de consenso na criação do fundo de catástrofes.

Trata-se de um seguro muito especializado e operado por poucas companhias. Imagino que isso tenha realmente sido um alívio para ambos, pois com a decisão as vendas de seguro rural devem ficar ainda mais paralisadas, o que agrava o problema para o governo. Afinal, um país sem política agrícola corre o risco de no futuro sofrer até mesmo uma guerra causada por falta de alimentos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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