CNseg: setor de seguros tem de intensificar o debate climático

Na abertura do primeiro Fórum de Seguros França-Brasil, realizado em Paris em junho de 2025, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, fez um alerta contundente sobre o risco de marginalização do setor nas decisões globais sobre clima. “Ou aproveitamos a oportunidade de participar e oferecer soluções, ou seremos punidos com ações e políticas que nos deixarão de fora do mercado e de diversas atividades”, afirmou.

Historicamente à margem das grandes negociações climáticas, o setor de seguros passou a ocupar espaço estratégico nas Conferências das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP), principalmente após o Acordo de Paris, firmado em 2015 durante a COP21. Desde então, seguradoras e resseguradoras vêm se consolidando como atores-chave na gestão de riscos, na adaptação às mudanças climáticas e no financiamento de soluções para populações vulneráveis.

“Precisamos nos unir como entidades e participantes para abrir essa janela de oportunidade. Ou nos dedicamos a compreender e participar das soluções que vão construir o marco legal e as políticas públicas, ou seremos excluídos das decisões.”

O discurso reforçou a urgência de articulação global entre seguradoras, resseguradoras e entidades representativas para que o setor assuma protagonismo nas soluções climáticas — não apenas como mitigador de riscos, mas como indutor de investimentos e inovação em adaptação.

A deputada francesa Eleonore Caroit destacou a relevância simbólica e prática do evento ser sediado no coração da Amazônia. “Tenho certeza de que vocês, os brasileiros, saberão dar um jeito e que tudo dará certo, como sempre no Brasil”, disse.

A presidente da France Assureurs, Florence Lustman, destacou que o fórum representa uma oportunidade concreta para repensar os modelos de cobertura e investimento diante dos impactos das mudanças climáticas, além de discutir os desafios da regulação da inteligência artificial. “Vamos cruzar experiências, tentar trazer respostas comuns e construir soluções juntos”, afirmou.

A anfitriã Marie-Aude Thépaut, presidente da CNP Assurances, ressaltou que o papel do setor vai além da proteção financeira. “Temos a convicção de que o nosso papel, enquanto seguradores e investidores, é agir por uma sociedade inclusiva e durável que proteja todos os percursos de vida”, disse.

Também presente, o embaixador Laudemar Aguiar (Secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores) destacou os desafios de penetração do seguro residencial no Brasil, comparando os 14% de cobertura no país com os 97% da França, e reforçou a necessidade de ampliar a proteção como instrumento de desenvolvimento econômico e social.

COP21 (Paris, 2015)
A COP21 marcou um ponto de virada. Além da assinatura do Acordo de Paris, que estabeleceu metas globais de redução de emissões de gases de efeito estufa, o evento impulsionou compromissos do setor financeiro para a descarbonização. Foi nesse contexto que surgiu o Insurance Development Forum (IDF), com apoio da ONU, Banco Mundial e grandes resseguradoras. O objetivo: ampliar o acesso ao seguro e promover a resiliência climática em países em desenvolvimento.

COP23 (Bonn, 2017)
Com foco nas perdas e danos (loss and damage) enfrentados por países vulneráveis, a COP23 reforçou a importância dos seguros soberanos e regionais. Modelos como o Pacific Catastrophe Risk Assessment and Financing Initiative (PCRAFI) e o African Risk Capacity (ARC) foram destacados como soluções eficazes para proteção contra desastres naturais.

COP25 (Madri, 2019)
Apesar da menor visibilidade institucional, o setor esteve presente em discussões paralelas sobre seguros paramétricos, produtos inclusivos e instrumentos de transferência de risco. Especialistas alertaram, no entanto, para a ainda baixa participação das seguradoras nas negociações centrais da COP.

COP26 (Glasgow, 2021)
O reengajamento do setor financeiro foi um dos marcos desta edição. Foi lançada a Net-Zero Insurance Alliance (NZIA), uma coalizão de grandes seguradoras comprometidas com a neutralidade de carbono até 2050. As seguradoras passaram a ser vistas não apenas como financiadoras, mas também como provedoras de inteligência de risco climático. Debates sobre precificação, exclusões contratuais e lacunas de cobertura ganharam espaço.

COP27 (Sharm el-Sheikh, 2022)
O tema loss and damage foi alçado ao centro da agenda, culminando na criação de um fundo internacional para apoiar países afetados por eventos climáticos extremos. O setor de seguros foi chamado a contribuir tecnicamente com soluções como seguros paramétricos, microseguros e modelagem de riscos. A colaboração com bancos multilaterais foi reforçada.

COP28 (Dubai, 2023)
Com maior representatividade institucional, as seguradoras participaram ativamente de painéis sobre adaptação, financiamento climático e infraestrutura resiliente. A COP também destacou o papel do IDF em parceria com o G7 e países africanos. Em paralelo, cresceram as pressões sobre seguradoras que continuam a subscrever projetos ligados a combustíveis fósseis, o que levou a algumas baixas entre os membros da NZIA no ano seguinte.

COP30 (Belém, 2025): a estreia da Casa do Seguro
A próxima edição da COP será realizada em Belém (PA), com o Brasil na presidência da conferência. Em uma iniciativa inédita, a CNseg levará à COP30 a Casa do Seguro, um espaço físico que funcionará como hub de debates, conexões e divulgação de soluções do mercado segurador para os desafios climáticos.

A Casa do Seguro será aberta a autoridades, reguladores, representantes da sociedade civil e comunidade internacional, oferecendo painéis temáticos, apresentações de estudos, experiências de inovação e exemplos de aplicação de seguros na proteção de comunidades e ativos estratégicos frente aos eventos extremos. A iniciativa visa demonstrar, de forma concreta, o valor do seguro como ferramenta de resiliência climática.

Com essa ação, a CNseg quer assegurar que o setor esteja no centro das discussões sobre transição energética, adaptação e financiamento climático, ampliando a visibilidade do mercado brasileiro no cenário global. A expectativa é que seguradoras colaborem com dados, modelagens e propostas para proteger tanto comunidades amazônicas quanto grandes cadeias produtivas ameaçadas pelas mudanças do clima.

Dyogo Oliveira convoca setor segurador global a se unir por soluções climáticas na COP30

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por Carla Simões

Na 15ª edição do Fórum Europeu de Seguros, realizado nesta quinta-feira, 5, em Bruxelas, na Bélgica, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras, Dyogo Oliveira, fez um apelo direto ao mercado segurador global: que se una em torno de soluções para a crise climática e da construção de uma posição conjunta na COP30, que será realizada em novembro deste ano, em Belém. Dyogo participou de painel ao lado de lideranças globais acompanhado de executivos do mercado brasileiro.

“Todos aqui nesta sala são stakeholders. Todos influenciam pessoas e têm meios de dialogar com seus governos. É hora de agir coletivamente para garantir que o setor de seguros seja visível e valorizado no arcabouço global das políticas climáticas”, afirmou em sua apresentação em uma conferência lotada.

Oliveira destacou que apenas o Brasil não será suficiente para garantir a presença do setor nas negociações da conferência. “A COP é uma negociação entre governos. Não basta que apenas o Brasil defenda o papel dos seguros. Precisamos de uma mobilização global”, afirmou. 

Segundo ele, esse reconhecimento é essencial para posicionar o seguro como um instrumento estratégico para enfrentar a crise climática, especialmente em um momento em que as negociações de mitigação vêm sofrendo entraves geopolíticos e, por isso, a agenda de adaptação ganha ainda mais importância.

No discurso, o presidente da CNseg apresentou também um panorama do mercado brasileiro de seguros, que vem registrando crescimento robusto nos últimos anos. Em 2024, o setor avançou quase 12% e alcançou 6,5% do PIB. A meta é chegar a 10% do PIB, patamar semelhante ao de países da OCDE. Apesar da recente criação de uma nova taxação sobre fundos de previdência, que pode afetar o desempenho de 2025, o setor segue otimista quanto à sua capacidade de contribuir com o desenvolvimento econômico e social do país. 

Oliveira citou ainda o impacto crescente dos desastres naturais. No Brasil, a tragédia recente no Rio Grande do Sul gerou perdas superiores a R$ 100 bilhões – das quais apenas 6% estavam seguradas. O dado revela, segundo ele, uma profunda vulnerabilidade dos países em desenvolvimento e reforça a necessidade de ampliar o alcance da proteção securitária. 

“Não podemos permitir que surjam zonas sem seguro. Precisamos inovar, criar sistemas globais de compartilhamento de riscos e desenvolver produtos inclusivos, que protejam também os mais vulneráveis. Clima é risco. E risco é o nosso negócio”, afirmou.

Casa do Seguro

Como parte dos esforços brasileiros, Oliveira anunciou a criação da “Casa do Seguro”, espaço oficial da CNseg na COP30. A proposta é que a Casa seja um centro de diálogo, articulação e eventos técnicos para destacar o papel do setor na transição climática. Entre as propostas em debate com a presidência da conferência e o governo brasileiro está a inclusão de um “Dia do Seguro” na programação oficial da COP, para garantir maior visibilidade à contribuição da indústria seguradora. 

EZZE Seguradora mira liderança no mercado brasileiro e expansão internacional

Fundada há seis anos como uma seguradora independente, a EZZE Seguradora vem conquistando espaço, apostando em um modelo multicanal e multiproduto. “Crescemos com base em excelência operacional, atendimento qualificado, uso de tecnologia e estrutura organizacional fluida, adaptada aos objetivos estratégicos da empresa”, CEO Richard Vinhosa ao Sonho Seguro, durante sua participação a primeira edição do Fórum de Seguros Brasil–França, promovido pela CNseg, em parceria com a France Assureurs, realizado em Paris no dia 4 de junho, como patrocinador e palestrante.

Com portfólio que vai de seguros de automóveis e residenciais a linhas financeiras e equipamentos agrícolas, a EZZE tem como prioridade manter-se em conformidade com todas as exigências regulatórias — especialmente diante do novo Marco Legal dos Seguros. “Estar em compliance é pré-requisito para jogar o jogo. A regulação é tratada como prioridade absoluta”, afirma o executivo.

A estrutura interna da empresa também reflete essa agilidade: “Reorganizamos nossa estrutura organizacional duas a três vezes por ano. A estrutura é apenas o meio para alcançar o fim estratégico. Adaptamos as equipes para onde há maior demanda ou oportunidade, o que tem nos gerado bons resultados”, acrescenta.

A tecnologia ocupa papel central na estratégia da EZZE. A seguradora já utiliza ferramentas de inteligência artificial em processos de subscrição, precificação e prevenção de fraudes, especialmente no seguro automotivo. “Nossa IA atua inclusive no atendimento ao cliente, por meio de chatbots. Ela também apoia a precificação e a análise preditiva de sinistros. Sempre que há viabilidade e benefício, implementamos a inovação com responsabilidade e transparência”, afirma Vinhosa.

Para os próximos anos, a empresa aposta no crescimento das linhas de varejo — como automóvel, residencial e vida individual — sem deixar de lado produtos com alta demanda institucional, como garantia e D&O. “A companhia ainda tem muito espaço para crescer em vários segmentos. Estamos atentos às necessidades do mercado e aos movimentos de consumo.”

A EZZE também busca fortalecer sua atuação social e de governança. Entre as iniciativas, estão o apoio ao Pacto Contra a Fome, à Orquestra Juvenil de Paraty e a projetos liderados por organizações da sociedade civil. Recentemente, a seguradora criou um conselho consultivo com profissionais experientes do mercado para apoiar o crescimento da empresa com boas práticas de governança.

Sobre o papel dos corretores, Vinhosa é enfático: “O corretor sempre foi e sempre será essencial. O digital veio para aproximar e agilizar, não para substituir. Promovemos treinamentos, fortalecemos a comunicação e buscamos cada vez mais automatizar os processos para apoiar esse canal fundamental de distribuição.

Embora ainda esteja em fase de consolidação, a EZZE estuda a entrada em modelos como microsseguros e seguros inclusivos. “Faz parte do nosso mapa estratégico. No curto prazo, priorizamos outras frentes, mas há espaço para ampliar o foco na inclusão seguradora futuramente.”

As turbulências macroeconômicas e as transformações regulatórias, segundo Vinhosa, não são vistas como entraves. “Os desafios são os mesmos para todos os players. Enxergamos esse cenário como uma oportunidade de nos destacarmos com estrutura leve, uso de tecnologia e foco no cliente.

Com participação em fóruns como os de Londres e Paris, a EZZE já mira a internacionalização da marca. “A América Latina é o foco inicial. Estamos de olho em mercados como Argentina, Chile e Colômbia. Nosso plano é nos tornarmos uma das maiores seguradoras do Brasil e, em seguida, expandir para outros países da região.”

Sobre a possibilidade de parcerias, fusões ou abertura de capital, o executivo é pragmático: “Nosso plano é crescer, inclusive inorganicamente. Avaliamos oportunidades que estejam alinhadas à nossa estratégia. Pode ser uma aquisição, uma fusão ou outro tipo de associação. O importante é fazer sentido dentro do nosso modelo e momento.”

Chubb inclui cobertura de seguro viagem em apólice de D&O para executivos

A Chubb passou a oferecer, de forma complementar ao seguro D&O (Directors and Officers Liability Insurance), a cobertura do seguro viagem para executivos em deslocamentos internacionais a trabalho. A novidade permite que empresas contratantes da apólice de D&O incluam até 100 dias de cobertura do seguro viagem ao longo da vigência do contrato, beneficiando os profissionais segurados.

A apólice de D&O tem como objetivo proteger diretores e executivos contra reclamações relacionadas a atos indevidos praticados no exercício de suas funções. Agora, os executivos também estarão cobertos em viagens corporativas internacionais com garantias adicionais como despesas médico-hospitalares e/ou odontológicas, perda de bagagem, regresso sanitário, translado médico e de corpo, entre outras.

Segundo a Chubb, a inclusão da cobertura de viagem foi pensada para atender empresas que atuam em setores com alta frequência de deslocamentos executivos. A seguradora já opera com seguros de D&O e viagem em mais de 50 países e afirma que a nova oferta busca agregar valor à apólice principal.

“O D&O é uma proteção pessoal para o executivo diante de reclamações relacionadas às suas decisões. Ao somar os benefícios do seguro viagem, ampliamos a atratividade do produto para os clientes”, afirma Aleandro Brolo, diretor de Linhas Financeiras da Chubb. Helena Cunha, diretora de Consumo da companhia, reforça que a proposta busca integrar garantias complementares para ampliar a cobertura e a conveniência para empresas e segurados.

Allianz nomeia Laura Vidmontas para assumir comunicação, RH e sustentabilidade

Allianz Seguros anuncia Laura Vidmontas como sua nova diretora executiva de Recursos Humanos, Comunicação e Sustentabilidade. Integrando o Comitê Executivo da companhia, assume o cargo a partir de 9 de junho, com reporte ao presidente Eduard Folch.

“É com grande entusiasmo que chego à Allianz para contribuir com o fortalecimento dos pilares que sustentam a companhia: colaboração, foco no cliente e performance. Acredito no poder de uma cultura forte, alinhada à estratégia do negócio, para impulsionar resultados sustentáveis”, afirma Laura Vidmontas. 

Com 25 anos de carreira, Laura possui ampla experiência em posições de liderança em Recursos Humanos, atuando em empresas brasileiras e multinacionais do setor financeiro. A sua trajetória inclui sólida vivência tanto em funções especialistas, como Recrutamento & Seleção, Desenvolvimento Organizacional e Compensação & Benefícios, quanto como Business Partner em áreas de varejo, gestão de patrimônio e seguros. 

Ao longo de sua carreira, acumulou forte atuação em temas estratégicos como cultura organizacional e engajamento; saúde e bem-estar; diversidade, equidade, inclusão e pertencimento (D&IB); atração e desenvolvimento de talentos, sucessão; e comunicação interna. 

A executiva traz em sua trajetória passagens por empresas como Bradesco, HSBC, Banco Sofisa e Zurich Santander. É graduada em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e possui pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos pela FAE Centro Universitário. Laura também conta com certificações em Gerenciamento de Projetos pela The George Washington University School of Business; Liderança pela ISE Business School; e Sustentabilidade: Estratégias e Oportunidades para a Indústria, pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). 

Porto premia corretores de seguros com viagem exclusiva a Porto de Galinhas

Fonte: Porto

Como forma de reconhecer os corretores vencedores das campanhas “Fecha com a Porto” e “Conquistadores” de 2024, a Porto promoveu uma viagem de premiação para Porto de Galinhas (PE), realizada entre os dias 24 e 26 de maio. O encontro aconteceu no resort The Westin, que foi reservado exclusivamente para a Porto, o que garantiu conforto e um clima de celebração para os mais de 280 presentes – entre corretores premiados e seus acompanhantes. A programação exclusiva contou com atividades de bem-estar, momentos de integração e uma cerimônia especial para celebrar os resultados alcançados ao longo do ano anterior.
 

Ao todo, foram 95 corretores premiados na campanha “Fecha com a Porto” e 46 reconhecidos na campanha “Conquistadores”. O evento contou com a presença de diversos executivos da companhia, como Paulo Kakinoff, Patricia Coimbra, Luiz Arruda, Oliver Haider, Patrícia Chacon, Emerson Valentim e Rivaldo Leite, entre outros nomes da liderança.
 

A programação incluiu coquetel de boas-vindas, atividades ao ar livre em parceria com a Track&Field (como yoga e funcional) e a aguardada cerimônia de premiação na noite do dia 25. O ambiente celebrou o alto desempenho e a parceria dos corretores, que vêm contribuindo diretamente para os avanços da Porto em todas as suas unidades de negócios. Por fim, para tornar a noite ainda mais especial, a cerimônia foi encerrada com um show da banda InPortados, formada por integrantes da diretoria da Porto.
 


“Transformar resultado em experiência é parte do nosso compromisso com quem está na linha de frente com os clientes. A viagem a Porto de Galinhas simboliza mais do que uma premiação, é um momento de conexão, valorização e pertencimento. Nossos corretores merecem ser reconhecidos por cada entrega, e vamos seguir investindo em ações que reforcem essa parceria com nossos principais parceiros”, destaca Emerson Valentim, diretor executivo Comercial Brasil da Porto.
 

A campanha “Fecha com a Porto 2024” apresentou resultados expressivos: 80% dos premiados ganharam pela primeira vez, evidenciando a força da ação em atrair novos parceiros. Entre os corretores que deram aceite na campanha, houve um crescimento de 63% no número de profissionais que passaram a atuar simultaneamente em três unidades de negócios da companhia, reforçando o sucesso da estratégia de incentivo ao cross-selling.
 

Para 2025, a campanha já contabiliza 18.800 corretores com aceite apenas no primeiro quadrimestre, o que representa um crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Outro destaque foi o lançamento da “Fecha com a Porto Regional”, iniciativa que amplia o alcance da campanha com desafios personalizados em diferentes regiões do país. Com isso, considerando todas as frentes de premiação, a expectativa da Porto é premiar 1.476 corretores até agosto, alcançando um crescimento de 134% em comparação com 2024.

MAPFRE anuncia Leonardo Marins como novo diretor territorial para SP capital e interior 

mapfre

A MAPFRE anuncia o executivo Leonardo Marins como novo diretor territorial para o estado de São Paulo, abrangendo as regiões da capital e do interior. Com mais de duas décadas de experiência no setor, o executivo assume a missão de liderar o time comercial local, em um momento de expansão e reorganização estratégica da companhia no país. Ele se reportará diretamente a Karine Brandão, diretora-executiva comercial do Canal Corretor.

A chegada do executivo faz parte de um movimento da companhia para fortalecer sua presença em São Paulo, o principal mercado do setor no país. A estratégia inclui ampliar a proximidade com os corretores, melhorar a experiência comercial e garantir crescimento com foco em eficiência e resultados financeiros.

Leonardo é formado em administração de empresas e tem MBA em economia e gestão comercial pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Ao longo da carreira, ocupou posições de liderança em grandes seguradoras multinacionais, com foco em vendas e gestão regional.
 

“Chego à MAPFRE com o compromisso de contribuir para um modelo comercial mais direto, próximo e adaptado à realidade dos corretores e clientes. São Paulo é um mercado exigente e estratégico, e vamos atuar de forma coordenada para gerar mais valor e oportunidades”, afirma Leonardo Marins.
 

Segundo Karine Brandão, a contratação do executivo reflete a prioridade da companhia em acelerar sua transformação comercial. “A MAPFRE vive um momento de transformação, com foco em crescimento sustentável e fortalecimento do canal corretor como peça central do nosso modelo de negócios. Leonardo traz uma bagagem sólida e uma visão conectada com o que mais valorizamos: relacionamento, crescimento e simplicidade”, afirma. 
 

O novo executivo terá como prioridade implementar um modelo de atendimento mais segmentado, apoiar o desenvolvimento dos corretores de seguros e fortalecer iniciativas que aproximem ainda mais os parceiros da estratégia da companhia.

Mudanças climáticas pressionam setor de seguros e reforçam urgência por inovação e resiliência

fórum brasil frança 2025

O avanço das mudanças climáticas e a intensificação dos desastres naturais vêm colocando o setor de seguros no centro da agenda global de adaptação e resiliência. No Brasil, o aumento das enchentes e secas tem pressionado seguradoras, elevando prêmios e limitando a cobertura em regiões mais vulneráveis. Na França, ondas de calor extremas, inundações e tempestades estão levando as companhias a reavaliar seus modelos atuariais. Esses desafios foram tema do painel “Seguros e a Transição Climática”, promovido pela CNseg em Paris durante o Fórum Brasil–França de Seguros.

Moderado por Christian Pierotti, chairman do Climate Risks Working Party da GFIA (Federação Global das Associações de Seguros), o painel reuniu nomes como Timothy Bishop (OCDE), Rebecca Chapman (PRI), Michèle Lacroix (SCOR) e Pedro Farme d’Amoed (Guy Carpenter), que destacaram a urgência de medidas coordenadas entre governos, setor financeiro e seguradoras.

Para Timothy Bishop, conselheiro sênior da OCDE, fortalecer a resiliência global é prioridade. “Cerca de 50% das residências enfrentam barreiras de acesso ao seguro por questões estruturais e regulatórias. Precisamos promover trocas de informação, envolver todos os atores da formulação de políticas e identificar boas práticas internacionais”, afirmou. Ele citou exemplos como o fundo de redução de riscos na Suíça e as parcerias público-privadas na Espanha para mapear áreas de inundação como caminhos a serem seguidos.

Bishop destacou ainda que o setor de seguros é peça-chave para transformar o aprendizado sobre gestão de riscos em soluções concretas. “A indústria já contribui para a mitigação com ferramentas sofisticadas. Mas é preciso reforçar a cultura do seguro e apoiar a modelagem de risco, especialmente em países mais expostos.”

Representando o PRI (Principles for Responsible Investment), rede apoiada pela ONU com mais de 5 mil signatários e US$ 120 trilhões sob gestão, Rebecca Chapman reforçou que o risco climático já afeta o valor das empresas e dos ativos. “Temos quatro áreas de foco: engajamento político, colaboração regional, mobilização de investidores e ampliação do acesso à proteção. No Brasil, vemos uma oportunidade relevante: há mais de 130 membros do PRI atuando no país.”

Chapman também defendeu uma atuação mais próxima entre investidores e reguladores. “Precisamos acelerar os planos de transição com segurança jurídica para fomentar investimentos em adaptação climática. As seguradoras têm um papel diferente de outros investidores institucionais, pois estão expostas diretamente aos efeitos físicos das mudanças climáticas.”

Michèle Lacroix, head de sustentabilidade da resseguradora SCOR, destacou que o aumento da frequência e da severidade dos desastres naturais já está pressionando diretamente os custos do setor segurador. “Estamos observando uma elevação significativa no valor dos seguros, com tendência de alta de 6% ao ano, somada a uma inflação média de 5% ao ano nos próximos períodos. Além disso, há um deslocamento crescente de populações vulneráveis, o que amplia o impacto econômico e social desses eventos”, afirmou.

Segundo ela, há uma mudança no perfil dos riscos: “Eventos climáticos secundários — como incêndios, tempestades e chuvas intensas — estão se tornando mais frequentes e severos. Em 2023, 90% das perdas seguradas vieram desses eventos. Isso mostra que o setor só consegue funcionar com dois fatores fundamentais: a mutualização e a diversificação. Sem esses pilares, não é possível oferecer seguros a preços equilibrados.”

Lacroix acrescentou que, para manter a sustentabilidade do setor, é essencial investir em prevenção, mitigação e adaptação. “Estamos passando de simples fornecedores de capital para agentes de soluções, com foco em mitigar os impactos futuros para nossos clientes. Isso inclui desenvolver expertise para segurar diferentes tipos de risco, criar mecanismos de prevenção para os mais vulneráveis e diversificar os portfólios de cobertura.” Ela reforçou que a resposta à crise climática não pode ser responsabilidade exclusiva do setor segurador. “Precisamos de ações coordenadas com formuladores de políticas públicas. A adaptação, o fortalecimento da resiliência da população e o combate às emissões de carbono são essenciais para reduzir os riscos sistêmicos associados às mudanças do clima.”

No caso brasileiro, Pedro Farme d’Amoed, CEO da Guy Carpenter Brasil, destacou os esforços para desenvolver modelos climáticos específicos para o país. “Se a temperatura média subir 2°C, o impacto de eventos como o registrado no Rio Grande do Sul pode triplicar. Desenvolvemos uma metodologia para alagamentos e estamos avançando em vendavais e incêndios”, disse.

Segundo Farme, os modelos anteriores usados no Brasil eram adaptações de estudos estrangeiros, mas agora começam a surgir ferramentas ajustadas à realidade tropical. “É um divisor de águas. Se você não conhece o risco, não pode precificá-lo — e, portanto, não pode segurar. Com dados detalhados, como CEP, latitude e até o andar da residência, podemos estimar perdas potenciais com alta precisão. Ele citou que em Porto Alegre o impacto climático pode aumentar em até 300% com o aquecimento global, enquanto no Rio de Janeiro o salto é de 270%. Em São Paulo, o aumento seria de apenas 12%.

Brasil e França discutem papel dos seguros no financiamento da infraestrutura sustentável

forum brasil paris cnseg

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com a France Assureurs, promove em Paris o 1º Fórum Brasil-França de Seguros. O painel “Seguros e Investimentos em Infraestrutura” reuniu autoridades e especialistas dos dois países para debater como o setor segurador pode contribuir para destravar investimentos estruturantes e apoiar o desenvolvimento sustentável.

Participaram do painel Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, Davide Negri, Senior Investment Manager no BNP Paribas Cardif, e Leonardo Deeke, presidente do Conselho de Administração da Junto Seguros. Philippe Taffin, chefe do departamento econômico e financeiro da France Assureurs, fez a mediação.

O debate parte de um desafio comum enfrentado por Brasil e França: como mobilizar o capital privado, especialmente o de investidores institucionais como seguradoras, para financiar projetos de infraestrutura que promovam conectividade, competitividade e adaptação às mudanças climáticas.

No Brasil, o governo federal tem intensificado os esforços para ampliar os investimentos em logística, energia, saneamento e infraestrutura digital. De acordo com informações recentes do ministro Silvio Costa Filho, somente nos primeiros meses de 2025, já foram viabilizados mais de R$ 25 bilhões em investimentos com a participação da iniciativa privada. “Estamos avançando em um plano robusto de concessões e PPPs, que envolve portos, aeroportos e corredores logísticos estratégicos para a economia nacional”, destacou o ministro recentemente.

Para viabilizar esses projetos, a utilização de instrumentos do mercado de seguros, como o seguro garantia, é considerada essencial. Dados do setor indicam que o volume de prêmios emitidos em seguro garantia ultrapassou R$ 6 bilhões em 2024, refletindo o apetite crescente por projetos de infraestrutura com cobertura de performance e risco contratual. O produto é visto como um instrumento chave para dar maior segurança jurídica e atratividade aos investidores, especialmente em um ambiente regulatório em transformação.

Na França, o foco está na mobilização das poupanças domésticas para financiar uma economia mais resiliente e soberana. Segundo Philippe Taffin, é preciso criar mecanismos que permitam o redirecionamento de parte das reservas técnicas das seguradoras para projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sem comprometer o equilíbrio prudencial do setor.

Philippe Taffin enfatizou a necessidade de um ambiente jurídico estável como pilar para o desenvolvimento sustentável. “Precisamos pensar nas prioridades fundamentais. Um quadro jurídico claro e estável é essencial para garantir liberdade e segurança aos investimentos de longo prazo”, destacou Taffin. Segundo ele, sem previsibilidade regulatória, os investimentos perdem tração e não conseguem se alinhar aos objetivos de resiliência e soberania econômica.

Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, segurança jurídica é o pré-requisito básico para o funcionamento de qualquer mercado, inclusive o de seguros. “É o risco de não saber se um contrato firmado hoje será respeitado no futuro. A segurança jurídica significa previsibilidade, confiança nas instituições e respeito à vontade das partes”, afirmou. Ele ressaltou ainda a importância de se evitar legislações retroativas e a imposição de encargos inesperados que comprometam a solvência técnica do setor.

Davide Negri, senior investment manager do BNP Paribas Cardif, reforçou que investidores internacionais precisam de clareza regulatória para assumir riscos de longo prazo. “Quando entramos em novos mercados, o histórico institucional e a estabilidade jurídica são decisivos. Mudanças políticas que afetam concessões ou subsídios alteram totalmente o perfil de risco de um projeto”, pontuou. Negri também defendeu maior diligência e uso de garantias de organismos multilaterais, como o Banco Mundial, para viabilizar projetos em países emergentes.

Negri destacou ainda que a percepção de risco está diretamente ligada ao retorno esperado. “Se o quadro político ou regulatório muda abruptamente, isso pode gerar impactos enormes. Felizmente, há uma mudança de mentalidade: investidores europeus estão hoje muito mais abertos às PPPs e a projetos fora da Europa do que há 20 anos”, concluiu, ao reforçar que um arcabouço jurídico estável é a base para viabilizar o desenvolvimento da infraestrutura.

Representando o Brasil, Leonardo Deeke, presidente do Conselho de Administração da Junto Seguros, destacou o avanço institucional e a continuidade de políticas públicas no setor de infraestrutura. “É notável como nos últimos anos o Brasil conseguiu manter uma linha de atuação consistente, com projetos relevantes sendo estruturados independentemente de mudanças políticas”, afirmou. Ele citou o novo PAC como um conjunto de projetos exequíveis e bem desenhados, com forte atuação de ministérios e agências reguladoras.

Deeke ressaltou ainda o papel do seguro garantia na viabilização de grandes obras. “Com a nova Lei de Licitações, contratos de grande porte podem exigir até 30% de garantia, o que dá mais segurança ao poder público. As seguradoras estão prontas para assumir esse papel, inclusive com mecanismos de retomada da obra em caso de inadimplência”, explicou. Ele lembrou que 40% das obras públicas iniciadas no passado foram paralisadas, e o compartilhamento de risco pode ser decisivo para mudar esse cenário.

“Esse número — 40% de obras inacabadas — ajuda a explicar por que o Brasil decidiu enfrentar de frente o tema da infraestrutura. A boa notícia é que o setor de seguros está pronto para contribuir com soluções. Com diálogo, avaliação correta dos riscos e instrumentos como o seguro garantia, é possível tirar muitos projetos do papel e dar continuidade a essa agenda essencial para o desenvolvimento”, concluiu.

A expectativa é que o evento promova avanços concretos na agenda bilateral de cooperação entre Brasil e França, especialmente em um momento em que o mundo discute como acelerar a transição para uma economia de baixo carbono com base em parcerias público-privadas mais eficientes e financeiramente viáveis.

Para André Dabus, diretor de infraestrutura da corretora Marsh Brasil, o seguro garantia representa uma ferramenta fundamental na estruturação e sustentabilidade de projetos portuários. “Cerca de 80% do comércio global depende da navegação para o escoamento e armazenamento de mercadorias, tornando os portos essenciais para o desenvolvimento de produtos e serviços”, destaca.

Ela explica que, dentro da matriz de riscos de um contrato de parceria público-privada em ambiente portuário, a cadeia de suprimentos se apresenta como uma das principais preocupações para investidores, financiadores, operadores e reguladores. Nesse cenário, o seguro garantia surge como uma alternativa eficaz para mitigar eventuais inadimplências ou falhas por parte de fornecedores — sejam empresas de engenharia, fornecedoras de equipamentos ou operadoras de manutenção e transporte.

“A gestão eficaz dos riscos associados à cadeia de suprimentos é fundamental para garantir a sustentabilidade e o sucesso das operações portuárias. Quanto maior o grau de proteção e transferência de riscos, maior será a adesão de financiadores e investidores”, acrescenta a executiva.

Desafios à ampliação do seguro garantia

Dabus também apontou os principais obstáculos à ampliação do seguro garantia em concessões de infraestrutura no Brasil, apesar dos avanços recentes promovidos pela Circular 662/21 da Susep, que flexibilizou o uso das apólices nesses contratos.

O primeiro desafio, segundo ele, é a compreensão da natureza acessória da apólice, ou seja, o fato de que ela depende diretamente do contrato principal. “É fundamental que esse contrato estabeleça claramente em que situações a garantia será executada, como será esse processo e quais os prazos envolvidos, para que todos os envolvidos tenham clareza e segurança jurídica”, explica.

Outro ponto sensível é a necessidade de capacitação técnica das seguradoras. “É essencial que as companhias tenham equipes especializadas em contratos de infraestrutura, aptas a desenvolver apólices alinhadas com as particularidades de cada projeto”, afirma.

Por fim, Dabus destaca um terceiro desafio: a adequação do valor das garantias às características dos contratos privados, sem replicar automaticamente os percentuais da Lei de Licitações. “O valor da garantia deve ser definido com base na matriz de riscos específica do contrato. Quando falamos de contratos entre privados, não há obrigatoriedade legal de seguir os mesmos percentuais das obras públicas, o que permite uma estruturação mais técnica e realista”, conclui.

CNP alcança 16 milhões de segurados na América Latina e vê Brasil como pilar estratégico global

Marie-Aude Thépaut CNP

A CNP Assurances, anfitriã do 1º Fórum Brasil–França de Seguros realizado em Paris pela CNseg, a confederação das seguradoras, reafirma seu compromisso com o crescimento sustentável da América Latina como uma de suas prioridades globais. Presente na região há quase três décadas, o grupo francês aposta na combinação de inovação, inclusão e parcerias estratégicas para ampliar os limites da segurabilidade e democratizar o acesso à proteção financeira.

A presidente global da CNP Assurances, Marie-Aude Thépaut, destacou em encontro com jornalistas o papel estratégico da seguradora como agente de inclusão social e desenvolvimento sustentável. Criada há mais de 175 anos e integrante do maior polo financeiro público francês, a CNP Assurances é uma subsidiária do La Banque Postale e hoje figura como a segunda maior seguradora de vida e de empréstimo imobiliário da França, além de ocupar a quinta posição no mercado europeu e a terceira no Brasil.

“A CNP Assurances é, antes de tudo, uma seguradora comprometida com a proteção e o futuro das pessoas. Por isso, buscamos soluções acessíveis e sustentáveis, com foco nas necessidades reais da sociedade”, afirmou Thépaut. Ela destacou que a companhia já oferece 14 produtos voltados especificamente às populações vulneráveis.

Com mais de 8.300 colaboradores no mundo, a CNP Assurances atua como uma seguradora pessoal e patrimonial, oferecendo proteção em saúde, previdência, seguro de vida, aposentadoria, e também coberturas para bens (P&C – Property and Casualty). Atualmente, o grupo cobre mais de 36 milhões de pessoas em previdência e proteção, e 13 milhões em produtos de poupança para aposentadoria, em 19 países. Em 2024, o grupo registrou um lucro líquido de € 1,582 bilhão e um volume de negócios de € 37,4 bilhões. A taxa de cobertura de solvência (SCR) atingiu 237%, um índice robusto que garante solidez e capacidade de honrar compromissos futuros.

Um dos diferenciais da companhia é seu modelo de distribuição multiparceiro, com cerca de 350 parceiros apenas na França. No Brasil, onde a CNP Assurances ocupa a terceira posição entre as seguradoras, mantém uma parceria histórica com a Caixa Econômica Federal e mais recentemente firmou acordo com o Banco de Brasília, reforçando sua estratégia de longo prazo no país.

Também parceira do Correios, que enfrenta uma crise no Brasil, mas que não assusta o grupo francês. “Somos parceiros de longo prazo”, frisou a CEO. Na Argentina, o grupo se manteve parceiro da principal cooperativa do país, durante toda a crise e deve colher frutos com a retomada da economia vizinha.

Falando em cooperativas, há uma grande mudança neste sistema no Brasil, com o qual da CNP é especialista tanto na França como na Argentina. Nada em curso por ora, mas dependendo sobre como for finalizada a regulamentação da Lei 213, que traz para o mercado de seguros cooperativas e associações, parcerias com cooperativas podem ser uma das alternativas para o grupo avançar no Brasil diante da experiência que tem na França, na Argentina e até mesmo no Brasil. No passado, a CNP foi parceira da Sicoob, cooperativa que hoje tem uma joint venture com a MAG Seguros. O que se tem como certo é que há um desejo do grupo de avançar na América Latina. “

Thépaut também chamou atenção para o papel da CNP como investidora responsável. Ao final de 2024, a companhia havia investido € 412 bilhões em diversos setores da economia, com foco em infraestrutura (como redes elétricas, fibra óptica e abastecimento de água) e em empresas comprometidas com os princípios ESG (ambientais, sociais e de governança).

Globalmente, 80% dos ativos do grupo são geridos com critérios ESG, e €29,4 bilhões estão aplicados em investimentos verdes. Na região, a companhia passou a apoiar iniciativas de preservação da Amazônia, em parceria com o Idesam. A meta é atingir € 30 bilhões até o final de 2025. Também houve redução de 58% na pegada de carbono dos investimentos em cinco anos, para 45 kgCO2e por mil euros investidos.

Grupo pensa em acelerar crescimento na América Latina

Maximiliano Villanueva, CEO da CNP Assurances na América Latina, disse que hoje o grupo tem fundos verdes no Brasil com grandes bancos e que somado a investimento com a Caixa chegaria a totalizar 5% das reservas técnicas, acima do percentual que a lei que cria o mercado regulado de carbono exige das seguradoras. “Temos regras muito rígidas para investimentos em fundos verdes. Fazemos uma auditoria no fundo para entender se ele está em conformidade com as políticas da matriz”, citou.

Villanueva detalhou os principais objetivos estratégicos da companhia para os próximos anos na América Latina. “Nosso projeto para a região é de longo prazo. Atuamos com flexibilidade por meio de bancos, grandes empresas e corretores, sempre com o foco de oferecer soluções que atendam ao maior número possível de pessoas. Acreditamos na força da educação financeira e da capacitação para desenvolver a cultura do seguro”, afirma.

O Brasil, maior mercado da CNP fora da França, lidera essa trajetória. Com um faturamento de R$ 35,8 bilhões e lucro líquido de R$ 3,6 bilhões em 2024, o país abriga experiências emblemáticas, como as joint ventures com a Caixa e o pioneirismo em microsseguros — segmento no qual a CNP foi a primeira seguradora autorizada a operar no Brasil. Trata-se de uma fatia relevante do faturamento global de €37,4 bilhões.“Combinamos canais digitais, parceiros regionais e produtos acessíveis com um compromisso firme com a inclusão financeira”, ressalta Villanueva.

A expansão regional também está no radar. México, Colômbia e Chile são mercados sob análise, com possibilidade de aquisições ou novas parcerias. Os critérios incluem o potencial de mercado, o perfil de consumo de seguros e a maturidade regulatória.

Villanueva destaca ainda os aprendizados dos dois principais mercados atuais. “O Brasil nos mostrou o valor de parcerias de longo prazo e inovação social. Na Argentina, mesmo em um ambiente desafiador, mantivemos rentabilidade e inovamos em canais digitais, reforçando nossa resiliência.” A experiência nesses mercados tem contribuído para o posicionamento global do grupo, inclusive em regiões mais maduras como a Europa.

Entre os marcos recentes está o lançamento da CNP Seguradora, em 2023, com o objetivo de ampliar a atuação para além do canal bancário. A estratégia tem gerado frutos por meio de parcerias com Correios, BRB, XP, Americanas e outras grandes redes. “Essa abordagem multi-parcerias traz flexibilidade e amplia o alcance da proteção”, explica o executivo.

A digitalização também ocupa papel central. A Youse, primeira seguradora 100% digital do Brasil, atua como um laboratório de inovação para todo o grupo. “Ela nos dá velocidade e competência em dados, UX e automação. Isso tem sido fundamental para escalar soluções inclusivas”, diz.

O compromisso da CNP com a sustentabilidade e a inclusão se traduz em ações concretas nos dois países. No Brasil, destaca-se a presença feminina em cargos de liderança (50%), o avanço dos microsseguros e os investimentos com viés ESG. Na Argentina, a seguradora manteve estabilidade mesmo com forte volatilidade, reforçando seu papel social.

Em 2024, a CNP contabilizou 12 milhões de segurados em proteção e 4 milhões em acumulação na América Latina. Microsseguros, previdência e consórcios digitais devem liderar o crescimento nos próximos anos, segundo Villanueva.

Apesar dos desafios — como a complexidade regulatória e a instabilidade econômica da região — o grupo se mantém otimista. “Conhecemos bem esses mercados. Sabemos que o potencial de crescimento é enorme e que podemos ser agentes de transformação social e econômica”, conclui o CEO.