“Acredito que todos entendem a razão do ministro não estar presente. Ele não estar aqui não significa qualquer desconsideração ao mercado segurador. Ele, assim como outros ministros, foram convocados pela presidência da República para discutir saídas para essa crise. Eu posso afirmar que nunca antes tinha visto um ministro mais aberto para ouvir as solicitações da indústria de seguros”, disse Roberto Westenberg, titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que substituiu Joaquim Levy, ministro da Fazenda na abertura da 7a. Conseguro, ponderando um pouco o descontentamento de Armando Vergílio, presidente da Fenacor, com a falta de diálogo do governo com o setor.
Westerberg citou a grave crise que o país enfrenta e se mostrou otimista com uma saída no médio e longo prazo. “Nunca vi um governo com tantos ouvidos disponíveis para ajudar o mercado. Mas há uma grande pluralidade dentro do governo, o que é bom para trilharmos as melhores soluções”, afirmou o titular do órgão regulador do setor. “Eu mesmo tive a oportunidade de participar de uma série de eventos promovidos justamente para ouvir, registrar e tomar as decisões que foram julgadas como ajuste do curso, como as mudanças no resseguro”, citou ele.
Ele também citou um recente almoço realizado entre executivos do setor e Levy. “o governo quer ouvir. Talvez o mercado precise falar coisas numa linguagem mais contundente. Ele não quer ouvir palavras de patrimonialismo. Quer ações que demostrem que o mercado vai apoiar o crescimento do Brasil O governo quer mudanças de paradigmas. Esse momento de crise pode ser um momento de mudar situações que atracavam o setor há longa data”, frisou.
Falou-se em polo de resseguro, como o Brasil hospedar um hub de resseguros para a América Latina, com liberdade para o país ser protagonista. Também se falou sobre a reforma da previdência e como o mercado pode contribuir com isso. Falou-se sobre o seguro garantia, no sentido de elevar o percentual deste produto em financiamentos de projetos de infra-estrutura. Também demandas na área de saúde, para a qual o ministro pediu soluções. “Tudo isso para entrar em prática necessita de sugestões abertas e mudanças de paradigmas. Isso que o governo quer ouvir dos executivos e políticos do setor”, enalteceu Westenberg. Segundo ele, com uma interação maior entre as governo e iniciativa privada é que se chegará a uma solução para essa crise.
O mercado segurador mantém a projeção de crescimento de 12% para 2015 mesmo diante da crise que se agravou no país neste segundo semestre. “Quanto a 2016, estamos nos reunindo para discutir o nosso planejamento e em breve divulgaremos o resultado desse estudo”, disse Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg, durante coletiva de imprensa ao lado dos presidentes das quarto Federações (FenSeg, Fenasaúde, FenaCap e FenaPrevi).
Questionado sobre o posicionamento da CNseg diante das medidas anunciadas ontem pelo governo na busca do ajuste fiscal em 2016, Rossi afirmou que os anúncios recentes, como criação da CPMF, são ajustes necessários diante da crise que o Brasil enfrenta. Segundo ele, o esforço do setor está concentrado em levar novos produtos aos consumidores, expandir a base de distribuição, investir em pessoas e em educação financeira para que a indústria siga crescendo no ritmo de dois dígitos observado na última década. “Enxergamos a manutenção do nosso desempenho para os próximos. Na classe C já avançamos muito e é isso que tem alavancado nosso crescimento. 2016 é desafiador, porém estamos otimistas”.
Osvaldo Nascimento, presidente da FenaPrevi, concorda. “O nosso setor trabalha com iniciativas de longo prazo e por isso não se abala tanto com os ciclos econômicos”, afirmou. Citou o VGBL Saúde, que levou oito anos para ser aprovado pela Câmara e agora está no Senado para avaliação. “Nossas ações não são para amanhã. São para a próxima década”. Nascimento também ressaltou a participação do setor junto ao governo. “Desde o inicio do governo Lula o mercado participou do comitê de desenvolvimento social e também da reforma da previdência pública com outros agentes do mercado como Febraban, Anbima entre outros”, citou. Também enfatizou que o setor depende da economia, de emprego, de regras estáveis e também do bom funcionamento do mercado de capitais.
Roberto Westenberg, titular da Susep, acrescentou que uma das ações efetivas entre as conversas da iniciativa privada com o governo foi o avanço das discussões do produto de longevidade para os fundos de pensão, que deve começar a ser comercializado em 2016. Comentou também sobre o seguro de garantia para obras, com apólices mais elaboradas, sobre o avanço das discussões sobre o VGBL Saúde e até mesmo do VGBL tradicional que também passa por análises da Susep para alongamento das aplicações, um item solicitado pelas empresas ao órgão regulador.
Paulo Marraccini, presidente da Federação Nacional de Seguros Privados (FenSeg), citou as reivindicações do setor para elevar o percentual de 5% da participação do seguro garantia na estrutura de financiamento de projetos de infra-estrutura. Citou que a Federaçãom também participou das discussões para modificações no resseguro divulgadas pela Susep em julho. “São ações pró-ativas, que nos ajudam a manter o crescimento de seguros gerais”, disse ele, citando como inovação as discussões sobre o seguro ambiental. “Trata-se de um nicho importante para as empresas, principalmente para o descarte de peças de carros envolvidos em acidentes. Temos de seguir a tendência mundial de reaproveitar as peças como em outros países. A educação financeira também está na nossa agenda, inicialmente com o lançamento de cartilhas, com intuito de difundir seguro de automóvel e residencial, por exemplo”, citou.
Marcio Coriolano, presidente da Federação Nacional das Empresas de Saúde (FenaSaúde), comentou que o Brasil vive um período de ajuste para permitir que o pais retome o crescimento e assim possa recuperar a confiança do setor privado. Com relação ao setor de saúde, ele destacou a resiliencia do setor de saúde suplementar, com as reservas técnicas que representam 40% de todo o setor. “É óbvio que afeta o setor, que depende da economia para se expandir, e temos notícias de uma ou outra companhia em dificuldades diante desse cenário de dificuldades”, cita.
No entanto, acrescentou, saúde é um dos objetos de desejos da população e por essa razão seguirá crescendo. Para ele, a demanda por saúde continua aquecida, principalmente no nicho de pequenas e médias empresas. “Entregamos ao ministro Levy a redução de insumos que encarecem a conta do setor, que precisam de uma política de maior transparência de preços e para que os médicos possam prescrever terapias mais adequadas. Estamos fazendo nossa lição de casa e precisamos que o governo também faça a dele”, acrescentou, lembrando que a Unimed Paulistana está sob intervenção da ANS há mais de três anos, sem ter sido afetada pela atual crise. “Porém, ninguém está inume à essa grave crise”, disse ele em tempo.
Marco Barros, presidente da Fenacap, disse que o crescimento do segmento de capitalização é previsto tanto para 2015 como para 2016. “Os números estão sendo revistos, mas em breve serão divulgados. Mas estamos avançando na divulgação do títulos de capitalização como um produto de fomento a poupança e também de incentivo para as empresas aumentarem suas vendas com a oferta de um título que oferece a possibilidade de sorteio ao seu cliente”, comentou.
Ao dar boas-vindas aos mais de 900 participantes da 7ª Conseguro, o presidente da CNseg, Marco Antonio Rossi, antecipou a abrangência das discussões que serão travadas durante o encontro iniciado nesta terça-feira, em São Paulo. Impactos do ajuste econômico para o setor, os efeitos sociais da recessão, o avanço da longevidade e suas implicações nas áreas de Saúde e Previdência Social, a evolução do marco regulatório foram algumas das matérias que estarão no radar dos debatedores.
Além disso, lembrou ele, a CNSeg inova ao oferecer aos participantes um programa que se complementa com outros quatro eventos de elevado nível técnico, referindo-se ao 4º Encontro Nacional de Atuários – ENA – Seminário de Controles Internos e Compliance, 5ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros e o Seminário de Distribuição de Seguros. Temas importantes e impactantes, como gerenciamento de riscos, tecnologias para o mercado, riscos emergentes e solvência, acrescentou.
“O Brasil vive reconhecidamente um momento de dificuldades. Mas é exatamente neste momento que o mercado segurador propõe-se a transmitir a mensagem de crença no País e na certeza de continuidade do desenvolvimento do setor”, disse ele.
Após lembrar que o mercado cresce na casa de dois dígitos anualmente na última década, acrescentou que o viés de alta persiste neste ano. No primeiro trimestre do ano, sua expansão sobre o mesmo período de 2014 alcançou 13,8%. Já as provisões técnicas do mercado já tinham superado a casa de 600 bilhões até junho último, mostrando o forte papel de investidor institucional do mercado.
Ele deixou claro que, por meio de diálogo com governo e reguladores e pesquisas, o setor tem condições de olhar para um futuro engrandecedor da atividade.
Também participaram da solenidade representantes dos órgãos de supervisão do mercado segurador- Susep e ANS- e dos corretores de seguros. Roberto Westenberger, superintendente da Susep, e José Carlos Abrahão, diretor-presidente da ANS, fizeram breve discursos listando as ações que consideram mais relevantes para o mercado, ao passo que o presidente da Fenacor, Armando Vergilio, cobrou mais apoio do governo para um crescimento ainda mais consistente do mercado.
Leia abaixo a íntegra do discurso do presidente da CNseg
SENHORAS E SENHORES,
A CONSEGURO É UM EVENTO IMPORTANTE PARA O MERCADO SEGURADOR BRASILEIRO. NELE, O SETOR TEM A HONRA DE RECEBER AUTORIDADES DOS TRÊS PODERES DA REPÚBLICA: MINISTROS DE ESTADO, DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DIRIGENTES DOS GOVERNOS FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL.
COM MUITA SATISFAÇÃO TAMBÉM SE RECEBE NESTA CONFERÊNCIA OS TITULARES DA SUSEP E DA ANS, ÓRGÃOS SUPERVISORES, BEM COMO OS CORRETORES DE SEGUROS, AQUI REPRESENTADO PELO PRESIDENTE DA NOSSA FENACOR PARCEIROS INDISPENSÁVEIS À ATIVIDADE DESEMPENHADA PELAS EMPRESAS DO SETOR.
COM MAIS DE 1000 INSCRIÇÕES OFICIAIS, TEM-SE AQUI E AGORA A OPORTUNIDADE DE O SETOR APRESENTAR AO PAÍS AS REALIZAÇÕES DAS EMPRESAS QUE O COMPÕEM. É SOBRETUDO A OCASIÃO EM QUE O MERCADO SE ABRE ÀS NOVAS IDEIAS TRAZIDAS POR 108 CONFERENCISTAS DO MAIS ALTO NÍVEL DO BRASIL E DO EXTERIOR.
EM SÍNTESE, NUMA LINGUAGEM MAIS DIRETA, A CONSEGURO É O ÁPICE DOS EVENTOS SECURITÁRIOS, A REUNIÃO DO QUE MAIS INTERESSANTE SE FEZ E SE PRETENDE FAZER NAS ATIVIDADES DE SEGURO PRIVADO, PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E SAÚDE SUPLEMENTAR.
NESTA 7ª CONSEGURO, A CNSEG INOVA AO OFERECER AOS PARTICIPANTES UM PROGRAMA QUE SE COMPLEMENTA COM OUTROS QUATRO. ALÉM DA CONFERÊNCIA PROPRIAMENTE DITA, EM PARALELO, TRANSCORRERÃO OUTROS EVENTOS DE ELEVADO NÍVEL TÉCNICO, QUAIS SEJAM, O 4º ENCONTRO NACIONAL DE ATUÁRIOS – ENA, O SEMINÁRIO DE CONTROLES INTERNOS E COMPLIANCE, A 5ª CONFERÊNCIA DE PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR DE SEGUROS E, AINDA, UM SEMINÁRIO DE DISTRIBUIÇÃO DE SEGUROS. ECONÔMICOS, FINANCEIROS, SOCIAIS, TÉCNICOS ATUARIAIS, PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR, REGULÁTORIOS, DISTRIBUIÇÃO, EDUCAÇÃO FINANCEIRA, DEMOGRAFIA, LONGEVIDADE (SAÚDE E PREVIDÊNCIA), INVESTIMENTOS, GERENCIAMENTO DE RISCOS, SOLVÊNCIA, TECNOLOGIA, RISCOS EMERGENTES, SOBRE TODOS OS PRODUTOS E SEGMENTOS DE NOSSA INDÚSTRIA….
CONSEGUE-SE ASSIM ECONOMIA DE CUSTOS E AO MESMO TEMPO COBERTURA PLENA DOS TEMAS, AO REUNIR-SE NUM MESMO LOCAL E PERÍODO TODOS AQUELES QUE POSSAM APORTAR CONTRIBUIÇÕES, OS QUE DESEJAM DEBATER OS ASSUNTOS OU, MAIS SIMPLESMENTE, APRENDER.
POIS BEM. O BRASIL VIVE RECONHECIDAMENTE UM MOMENTO DE DIFICULDADES. MAS É EXATAMENTE NESSE MOMENTO QUE O MERCADO SEGURADOR PROPÕE-SE A TRANSMITIR A MENSAGEM DE CRENÇA NO PAÍS E NA CERTEZA DA CONTINUIDADE DO DESENVOLVIMENTO DO SETOR.
E EXISTEM BOAS RAZÕES PARA ESSA POSTURA DE REALISMO POSITIVO, QUE ENCONTRA RESPALDO NOS NÚMEROS DO MERCADO. COMO SE PÔDE VER DO VÍDEO HÁ POUCO PROJETADO, O SETOR DE SEGUROS VEM CRESCENDO HÁ VÁRIOS ANOS EM PERCENTUAIS NA CASA DE DOIS DÍGITOS, EM NÍVEIS MUITO SUPERIORES AO DO PIB BRASILEIRO. NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2015, POR EXEMPLO, O SETOR COMO UM TODO CRESCEU NADA MENOS QUE 13,8% EM COMPARAÇÃO AO MESMO PERÍODO DE 2014.
CERTAMENTE, VAI-SE TER, AO LONGO DESTE EVENTO, UMA VISÃO GERAL E ESPECÍFICA DOS NÚMEROS DE MERCADO. CONTUDO, VALE REFORÇAR ALGUMAS CIFRAS CHAVE.
EM 2014, A PARTICIPAÇÃO NO PIB DO MERCADO SEGURADOR, AÍ INCLUÍDOS OS SEGMENTOS DE SEGUROS, PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E SAÚDE SUPLEMENTAR, ALCANÇA CERCA DE 6%, PERCENTUAL PRÓXIMO DOS PREVALECENTES EM ECONOMIAS DESENVOLVIDAS.
AS PROVISÕES TÉCNICAS DO SETOR, EM JUNHO ÚLTIMO, CHEGARAM AO IMPRESSIONANTE TOTAL DE R$ 630 BILHÕES, APLICADAS EM SUA MAIOR PARTE EM TÍTULOS PÚBLICOS. ESSAS PROVISÕES CONSTITUEM POUPANÇA DE LONGO PRAZO E CONTRIBUEM SIGNIFICATIVAMENTE PARA A ECONOMIA DO PAÍS.
A TÍTULO DE RETORNO À SOCIEDADE, COMO INDENIZAÇÕES, BENEFÍCIOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E RESGATES DE CAPITALIZAÇÃO, TEM-SE QUE, EM 2014, AS EMPRESAS DO SETOR PAGARAM A SEUS CLIENTES O MONTANTE DE R$ 207 BILHÕES.
O TEMA GERAL DA CONSEGURO, A EVOLUÇÃO DO MERCADO SEGURADOR, AFIGURA-SE AMPLO O BASTANTE PARA ABRANGER TODAS AS VERTENTES DE INTERESSE DO MERCADO MAS SUFICIENTEMENTE PRECISO PARA APONTAR UMA DIREÇÃO: PARA FRENTE.
A CADA CONSEGURO, ENXERGA-SE O QUE FAZ E O QUE SE PODE E DEVE FAZER.
POR MEIO DA SUA DIRETORIA E COM A COLABORAÇÃO DOS PRESIDENTES DE SINDICATOS, A CNSEG ELABOROU DIVERSOS E RELEVANTES PROJETOS. É COM JUSTO ORGULHO QUE SE PODE ASSINALAR O CUMPRIMENTO DE IMPORTANTES METAS TRAÇADAS NO INÍCIO DO MANDATO.
CABE CITAR ALGUNS DESSES PROJETOS E AÇÕES PLENAMENTE REALIZADOS OU EM FASE DE CONCLUSÃO AINDA NO ATUAL MANDATO:
– EQUACIONAMENTO DAS QUESTÕES FINANCEIRAS E JURÍDICAS RELACIONADAS AO SEGURO HABITACIONAL;
– CRIAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL-CNSEG – PRIMEIRO EXAME A SER REALIZADO EM NOVEMBRO PRÓXIMO, DIRIGIDO A PROFISSIONAIS DO MERCADO, PARA AVALIAÇÃO DE SEUS CONHECIMENTOS EM TODOS OS ASPECTOS RELEVANTES DO MERCADO SEGURADOR, PERMITINDO E INCENTIVANDO A SUA ASCENSÃO PROFISSIONAL;
– REFORMULAÇÃO E AMPLIAÇÃO DAS ESTATÍSTICAS DO MERCADO SEGURADOR COM NOVOS PRODUTOS COMO CADERNO DE ESTATÍSTICAS, RELATÓRIO INTERATIVO, PROJEÇÕES E, EM PLENO ANDAMENTO, O PROJETO DE CESSÃO DE DADOS DE GESTÃO DAS ASSOCIADAS, EXTENSA BASE DE DADOS QUE PERMITIRÁ UMA VISÃO APROFUNDADA DOS PRODUTOS E DAS COBERTURAS EXISTENTES;
– INCREMENTO DA CENTRAL DE SERVIÇOS, COM A DISPONIBILIZAÇÃO PARA AS ASSOCIADAS DE NOVOS SERVIÇOS E PRODUTOS, DE EFETIVO AUXÍLIO NA GESTÃO DE SEUS NEGÓCIOS;
– AMPLIAÇÃO E REFORÇO DAS ATIVIDADES DO ESCRITÓRIO DE BRASÍLIA, ONDE SÃO DISCUTIDOS E TRATADOS OS TEMAS DE INTERESSE DO MERCADO SEGURADOR, ESPECIALMENTE NOS PODERES EXECUTIVO E LEGISLATIVO FEDERAIS;
– O GOVERNO E PRINCIPALMENTE OS REGULADORES NECESSITAM CONTINUAR CONSTRUINDO SUAS AÇÕES E TRANÇANDO SUAS POLÍTICAS ATRAVÉS DO DIÁLOGO, DE PESQUISAS E DO PERFEITO ENTENDIMENTO DE COMO O MERCADO SEGURADOR DEVE SE FORTALECER ATRAVÉS DE PRÁTICAS CADA VEZ MAIS SEGURAS E SEMPRE
BUSCANDO A MODERNIDADE EM UMA ERA ONDE O CONSUMIDOR EM TODAS AS SUAS DIMENSÕES JÁ NÃO PENSA E DECIDE COMO A POUCOS ANOS ATRÁS. ESTÁ NOVA SOCIEDADE ÁVIDA POR INFORMAÇÕES E CONHECIMENTO NECESSITA TER ACESSO AO MUNDO DO SEGUROS UTILIZANDO TECNOLOGIA PRESENTES HOJE EM TODOS OS SETORES DE NOSSAS VIDAS.
– VALORIZAÇÃO DO CORPO FUNCIONAL, COM A IMPLANTAÇÃO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS COLABORADORES;
– CONSOLIDAÇÃO DA ESTRUTURA SINDICAL, POR MEIO DA SOLUÇÃO DADA À ATIVIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, AJUSTAMENTO DOS ESTATUTOS DE TODOS OS SINDICATOS REGIONAIS ATRAVÉS DE PROCESSO DE MEDIAÇÃO EM PROMOVIDO PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO;
– EVOLUÇÃO DAS QUESTÕES FINANCEIRAS RELACIONADAS AO SEGURO RURAL;
– ELABORAÇÃO DO PROJETO DE LEI DE CRIAÇÃO DO PRODUTO VGBL SAÚDE, RECENTEMENTE APROVADO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS; A PROPÓSITO, ABREM-SE PARÊNTESES PARA MENCIONAR A DENODADA E EFICIENTE ATUAÇÃO DO DEPUTADO LUCAS VERGÍLIO NA APROVAÇÃO DO TEXTO;
– INTEGRAÇÃO COM A FEDERAÇÃO INTERAMERICANA DE EMPRESAS DE SEGUROS-FIDES, E COM OS PAÍSES IBERO LATINO AMERICANOS COM ADOÇÃO DE DIVERSAS AÇÕES NO SENTIDO DA INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DOS MERCADOS;
– INSTITUIÇÃO E LANÇAMENTO DA REVISTA JURÍDICA DE SEGUROS, JÁ EM VIAS DE EDIÇÃO DO TERCEIRO NÚMERO;
– OS GANHOS DE EFICIÊNCIA TRAZIDOS PELAS NOVAS TECNOLOGIAS SÃO INQUESTIONÁVEIS. O NOSSO GRANDE DESAFIO, AGORA, É OFERECER PRODUTOS QUE POSSAM SER COMERCIALIZADOS EM MÚLTIPLAS PLATAFORMAS.
– A EVOLUÇÃO CONSTANTE DE NOSSOS SISTEMAS, O APRIMORAMENTO DA SEGURANÇA DIGITAL, A OFERTA DE PLATAFORMAS PARA AMPLIAR OS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO SÃO ALGUMAS DAS ÁREAS EM QUE AS SEGURADORAS TÊM INVESTIDO BASTANTE NOS ÚLTIMOS ANOS. A OFERTA DE PRODUTOS MAIS ADEQUADOS AO PERFIL E NECESSIDADES DO SEGURADO SERÁ O GRANDE BENEFÍCIO A LONGO PRAZO.
AO OLHAR PARA O FUTURO, É CERTO QUE AS TESES, OS EXEMPLOS E AS PROPOSTAS QUE VÃO SURGIR NESTA 7ª CONSEGURO SERÃO FUNDAMENTAIS PARA A EVOLUÇÃO DO MERCADO SEGURADOR. PARA ISSO, O EVENTO CONTA COM BRILHANTES PALESTRANTES E ATENTOS PARTICIPANTES, ALÉM DO ENTUSIASMO DE TODOS.
MUITO OBRIGADO.
“É preciso estabelecer uma relação de boa fé entre a seguradora, o segurado e os corretores”, afirmou Patrick Larragoiti, presidente do conselho de administração da Sul América, no encerramento da primeira palestra em sessão plenária da 7ª Conseguro, que começou hoje de manhã em são Paulo.
Larragoiti foi o intermediador do painel que contou com as exposições dos professores de Direito Rizzato Nunes, da PUC, e Otávio Luiz Rodrigues Junior, da USP. Luis Inácio Lucena Adams, ministro da Advocacia Geral da União, teve um imprevisto e não pôde comparecer.
“O Brasil sempre foi o país da insegurança jurídica”, disse Rizzatto Nunes, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e professor universitário há mais de 32 anos, mestre e doutor em Filosofia do Direito. O especialista é contra mudanças constantes nas leis, superposições entre leis e códigos, e excesso de interpretações: “Toda lei requer interpretação, mas aqui no Brasil, muitas vezes, vemos um ‘vale tudo'”. Para ele, as entidades e instituições do setor, como a CNseg, devem brigar pela estabilidade das leis.
Rodrigues Junior, que também é professor doutor e advogado geral da União, tem a mesma opinião. Para ele, são três os principais problemas jurídicos contemporâneos para o setor de seguros no Brasil: deficiências no modelo regulatório, superposição de modelos e regimes, e uma baixa compreensão do sentido de boa fé e confiança. “Segurança jurídica, cláusulas gerais e confiança precisam andar juntas”, concluiu.
Dois especialistas da Ernst &Young, Ricardo Pacheco e Rui Cabral, chamaram para si a tarefa de explicar a volatilidade gerada pela ETTJ nos resultados das empresas e as formas de mitigá-la, a fim de apresentar um balanço mais próximo da realidade. A regulamentação da aplicação do Teste de Adequação de Passivo (TAP) às provisões técnicas das seguradoras define que a chamada estimativa corrente seja descontada por uma estrutura a termo de taxa de juros (ETTJ).
Tema bastante atual discutido com a Susep, o moderador do painel foi Jair Lacerda, da Bradesco Seguros, que assinalou a importância ainda maior dos efeitos da ETTJ, tendo em vista o atual cenário de instabilidade econômica e flutuação dos ativos financeiros. A valor presente, os balanços das seguradoras exibem indevidamente os estresses momentâneos do mercado financeiro, fazendo que haja impactos no pagamento de dividendo e dos impostos a mais ou a menos, dependendo dos desvios produzidos pela ETTJ.
A principal discussão do painel “Volatilidade da ETTJ e seus impactos no Resultado. ORA como alternativa”, apresentado durante o 4º Encontro Nacional de Atuários-ENA, foi propor alternativas para reduzir esta flutuação. “A ETTJ Susep era muito volátil e revelava comportamentos estranhos no médio e longo prazos, afetando o resultado da cia. Isso porque há distorções de curto prazo refletidas na mensuração dos passivos das seguradoras”, lembrou Rui Cabral, mestre em economia pela Universidade de Londres.
A Susep já incorporou algumas ideiais do mercado para baixar a volatilidade. “Pode se dizer que resolveu 30% da volatilidade original, mas ainda precisamos resolver os outros 70%”, assinalou Jair Lacerda, para quem o momento de maior volatilidade dos mercados pode gerar novas distorções. Ricardo Pacheco lembrou que o mecanismo Shadow Accounting é tem uma utilização crescente no mercado mundial, ajudando a reduzir a volatilidade, mas seu alcance é limitado. É utilizado na contabilização de PCC (Provisão de Complementação de Cobertura).
O motivo é que os efeitos que os ganhos ou perdas não realizadas de investimentos classificados como disponíveis para a venda teriam sobre as provisões técnicas podem ser identificados e também alocados em Outros Resultados Abrangentes (ORA). O outro mecanismo é a combinação da ETTJ Susep versus taxa de desconto interna. Nesse modelo, a PCC continua a ser determinada pela ETTJ Susep. Porém, somente as variações de uma PCC calculada com a taxa interna de desconto da seguradora são lançadas no resultado. O restante da variação da PCC é lançada contra a ORA.
“O caixa agora é o senhor de tudo. As novas normas contábeis para os balanços das seguradoras, que devem entrar em vigor entre 2018 e 2019, são movidas pelo fluxo de caixa”, disse Jorge Andrade Costa, do Bradesco, durante sua palestra “Visão Geral das demonstrações financeiras – Balanço Econômico x Balanço Patrimonial, realizada durante o 4º Encontro Nacional de Atuários.
Segundo ele, os principais desafios para implantação das novas regras são a atualização dos sistemas, que precisarão ser mais robustos; entender e explicar os resultados obtidos, e arcar com aumento dos custos.
“O lado bom é que as novas regras podem ser praticamente reduzidas a duas: a IFRS 4 (para a parte do balanço que trata dos passivos, como as reservas técnicas) e a IFRS 9 (para os ativos, como aplicações financeiras). A má notícia é que essas duas normas são tão complexas que cada uma vale por 20, diz Thiago Signorelli, da Superintendência de Seguros Privados (Susep). IFRS é a sigla em inglês para normas internacionais de reporte financeiro, que estão em discussão na Europa há mais de 15 anos e vêm sendo adotadas progressivamente no Brasil, depois de adaptações.
O executivo do Bradesco disse ainda que o mercado reivindica que a adoção das duas regras – 4 e 9 – sejam simultâneas, para que não haja risco de descasamento das informações entre passivos e ativos no balanço. “As seguradoras agora vão ficar na mão dos profissionais de atuária. Os balanços serão mais suaves quanto mais detalhadas forem as informações prestadas”, disse Costa. Para o especialista, daqui em diante, será preciso que os atuários e contadores estejam cada vez mais em sinergia.
A utilização de modelos internos na gestão de riscos, quando alinhados aos objetivos estratégicos da empresa, pode ter importante contribuição no aumento da rentabilidade nos negócios. A afirmação é de Elizabeth Marvan, co-fundadora e diretora executiva do Grupo Rhisco, que proferiu a palestra “Modelo interno: sua efetividade na gestão de risco e como aprovar com o regulador “, no 4º Encontro Nacional de Atuários realizado em São Paulo, pela CNseg.
‘Por que pensar em um modelo interno?”, questiona a palestrante, uma vez que, na maioria dos países, ele não é obrigatório. A resposta é simples: o modelo interno vai muito além do compliance e isso vai ajudar as companhias a se preparem para a Solvência 2, com prazo já previsto para ser finalizada, e também ajudará a companhia a ter a exata noção dos riscos que enfrentam, dando ao grupo uma vantagem competitiva. “Mas quando se pensa em seguradoras globais, que operam tradicionalmente em seguros não tradicionais, isso as torna sistemicamente arriscadas e os modelo internos ajudam a quantificar e qualificar os riscos”, explica.
Em termos de desafios, a implementação de modelo interno tem uma longa lista. Em primeiro lugar, o modelo deve ser construído com dados atuariais reais e confiáveis, que possam ser capazes de identificar as consequências de lucros e perdas, explicar as categorias usadas e se as causas são verdadeiras. “E lembrem-se que devem ser validadas periodicamente com vários elementos qualitativos e quantitativos. Todos esses requisitos vão gerar desafios do ponto de vista de implementação, clareza, amplitude de documentação, custos e tempo”, assinala Elizabeth.
O custo também é um grande desafio, segundo ela. “Temos os custos financeiros e também de tempo e esforço para a implementação. Segundo ela, o sucesso do modelo interno depende de um perfeito alinhamento às expectativas de todos os envolvidos no processo. “O modelo tem de ser entendido por todos, desde o presidente do conselho até o funcionário que vai alimentar a base de dados”, ressalta. “Sem esse comprometimento com a transparência e comunicação, o banco de dados pode ficar comprometido e não refletir a verdadeira noção de risco sobre o capital”, alertou.
A documentação também é um dos grandes desafios do modelo interno. Segundo ela, há um volume considerável de documento que precisam ser produzidos, para vários destinatários, como atuários, auditores, acionistas e órgão regulador, entre outros. “O modelo tem de ser claro para que todos entendam o que se pretende com essa regulamentação interna”.
Os benefícios de ter um modelo interno, segundo ela, está relacionado em ter uma vantagem competitiva e também com a economia de capital. Ela afirma que o processo de gestão de risco fica muito melhor e os desafios financeiros com todas as informação apoiam a tomada de decisão de investimentos em produtos, uma vez que o risco está dimensionado e o preço do produto adequado ao risco que ele representa ao capital.
O Brasil tem uma enorme oportunidade de explorar o seu dividendo demográfico, mas, se não aumentar sua produtividade, não será um pais rico no futuro. O alerta partiu de Amlan Roy, diretor Administrativo e chefe de Pesquisa em Demografia e Pensões Globais da Credit Suisse, em Londres, durante a participação no primeiro dia da 7ª Conseguro, nesta terça-feira, 15, quando apresentou o tema “Como a demografia afeta o crescimenton economico”, em painel mediado pelo presidente da FenaPrevi, Osvaldo Nascimento.
Roy citou o economista Peter Drucker, guru da administração, segundo o qual “ninguém presta atenção à demografia, apesar de ser um fator importante”. A questão, segundo Roy, é que a demografia não é apenas idade. “A idade é simplesmente uma das características de um grande número de variáveis que definem as diferenças em qualquer população heterogênea”, disse.
Roy explicou que mesmo em grupos aparentemente semelhantes, existem diferenças, porque todos consomem de formas distintas. “Não pense que só porque a Índia tem um monte de gente, é um pais rico”, afirmou. Segundo ele, o dividendo demográfico está intimamente ligada ao capital humano e à educação. Ele afirma que também não é previsivel a diversidade global dos consumidores e trabalhadores.
De acordo com Roy, o grupo etário que mais cresce no mundo é dos com mais de 80 anos, cerca de 381% entre 1970 e 2015, contra 98% das demais faixas de idade da população mundial. Para ele, a dependência dos idosos é um problema global e os governos precisam tomar medidas para amparar esse publico.
Roy observou que os produtos de previdência para aposentadoria, atualmente, oferecem soluções inadequadas porque se baseiam em modelos errados, do passado. Para Osvaldo Nascimento, significa que as pessoas devem avaliar qual tipo de investimento devem fazer considerando a sua maior expectativa de vda. “Se o objetivo for risco zero, então pode não haver dinheiro no futuro para garantir o seu sustento de acordo com a sua expectativa de vida”, disse.
Outra questao levantada por Roy foi sobre o bônus demográfico e a produtividade. Apesar de o Brasil ter boa parte de sua população formada por jovens, sua produtividade é baixa. “Como a massa produtiva tende a diminuir com o envelhecimento, esse efeito da baixa produtividade é muito grave”, disse Nascimento. Por isso, avaliou que é importante as empresas darem oportunidade aos jovens, sobretudo em início de carreira, para que o país aumente a produtividade.
A 7ª Conferência Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (Conseguro), reuniu hoje, em seu primeiro dia, no complexo World Trade Center, em São Paulo, mais de 800 pessoas, entre dirigentes do setor, especialistas nacionais e internacionais, autoridades e representantes do Governo. Durante a abertura do evento, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Marco Antonio Rossi, enfatizou que mesmo em um cenário econômico desafiador há oportunidades de crescimento. “O Brasil vive, reconhecidamente, um momento complexo, quando o mercado segurador se propõe a transmitir a mensagem na crença do país e na certeza da continuidade do desenvolvimento do setor. No primeiro semestre de 2015, o setor de seguros como um todo cresceu nada menos que 13,8% em comparação ao mesmo período de 2014. A título de retorno à sociedade, como indenizações, benefícios de previdência privada e resgates de capitalização, em 2014, as empresas do setor pagaram a seus clientes um montante na ordem de R$ 207 bilhões”, observou, destacando ainda que há necessidade de um movimento de realismo positivo de toda a sociedade.
A cerimônia de abertura da Conferência também contou com as presenças do secretário de Políticas de Previdência Complementar, Jaime Mariz de Faria Junior, do superintende da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Roberto Westenberger, do presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos Abrahão, do presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor), Armando Vergílio, e dos presidentes das quatro federações que integram a Confederação (FenSeg, FenaPrevi, FenaSaúde e FenaCap).
Suporte econômico ao desenvolvimento do país
Durante o evento foram abordados temas sobre os desafios e oportunidades da indústria do seguro relacionados ao envelhecimento global, às tendências mundiais em regulação, aos riscos emergentes e à influência da tecnologia em escala global. Na ocasião, o superintendente da SUSEP ressaltou a importância da indústria do seguro como um agente do governo. “O governo quer um mercado segurador que seja, ainda mais, um suporte econômico ao desenvolvimento do país e que evolua nas mudanças e na quebra de paradigmas para termos um Brasil protagonista do mercado segurador internacional”, avaliou. Em linha com Westenberger, Marco Antonio Rossi sinalizou a importância do trabalho conjunto que a CNseg tem realizado com a SUSEP no sentido de fazer o seguro chegar a todas as camadas da sociedade brasileira, principalmente às classes C e D.
Outro tema que ganhou destaque durante o encontro foi a influência da longevidade e seu impacto em todos os setores da economia, e, diretamente na indústria do seguro, tanto nos aspectos de regulação como na criação e tipificação de produtos. Em paralelo, o secretário de Políticas de Previdência Complementar, Jaime Mariz de Faria Junior, falou sobre a necessidade de uma revolução previdenciária no país e citou que a solvência deste setor ultrapassa a casa dos 90%. “O Brasil está caminhando para um modelo previdenciário onde os sistemas públicos, complementar e privado se integram”, ressaltou, complementando que o brasileiro não possui cultura financeira.
Já a agenda internacional da Conferência contou com palestrantes que trouxeram uma visão holística para o setor, entre eles Chefe de Pesquisa em Demografia e Pensões Globais do Crèdit Suisse, em Londres, Amlan Roy. No painel “Como a demografia afeta o crescimento econômico”, ele analisa o mercado de seguros sob a ótica do crescimento demográfico. O palestrante reforçou que a análise demográfica não se resume à idade, considerando também os aspectos sociais e as características dos indivíduos.
Segundo ele, o ponto mais crítico no Brasil hoje é produtividade do trabalho. Roy alertou para o grande número de jovens desempregados, o que abala profundamente a economia, tendo em vista que se trata do grupo com perfil mais economicamente ativo. Em paralelo a essa questão, outro ponto defendido por Amlan Roy é a necessidade de aumentar o padrão de qualidade da saúde pública e privada nos países da América Latina. “A taxa de natalidade no Brasil está diminuindo, mas é preciso ressaltar que Argentina e Chile têm hoje mais idosos que o Brasil. O país precisa investir urgentemente em saúde para não desequilibrar a balança e, assim, diminuir os impactos econômicos futuros”, alertou.
Seguindo a linha de pesquisa de Amlan Roy e falando sobre envelhecimento global e aposentadoria em países emergentes, o presidente da Global Aging Institute, Richard Jackson, iniciou sua palestra dizendo que “o mundo se encontra no umbral de uma transformação demográfica impressionante chamada envelhecimento global”. Ele ressaltou que existem duas forças por trás da transformação demográfica: a taxa de natalidade em declínio e o aumento da expectativa de vida. Sobre o Brasil, Jackson apontou que a previsão para 2050 é que o país tenha 40 idosos para cada cidadão economicamente ativo. “Conforme a população envelhece, o país terá que reduzir a generosidade dos benefícios das pensões públicas. Ou seja, o Brasil precisará expandir o alcance dos sistemas contributivos de aposentadoria, estender a idade máxima laboral e preencher a brecha resultante na renda de aposentadoria dada com a expansão da provisão de pensões de capitalização”, explicou.
Encerrando a programação do primeiro dia do evento, o painel “Desafios e oportunidades associados ao Cadastro Ambiental Rural (CAR)” reuniu representantes do Ministério do Meio Ambiente, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEPE), da Febraban e do mercado segurador. Francisco Gaetani, secretário executivo do Ministério, fez observações referentes às políticas ambientais sobre o uso do solo e disse acreditar que o CAR terá impacto positivo nos negócios do setor. “Precisamos reduzir as incertezas e os custos que envolvem os pilares do agronegócio no Brasil”, analisou, enfatizando que o país vive um momento de uma nova governança ambiental, mais próximo às tendências globais. Já Murilo Portugal, presidente da Febraban, falou sobre a importância do CAR para auxiliar a meta brasileira de redução de emissões até 2020. “Para o setor financeiro, criar bases robustas de informações é fundamental para que os serviços agropecuários possam ser valorados adequadamente”, observou, citando ainda que três milhões de pequenas e médias propriedades ainda precisam ser cadastradas no Brasil.
Em paralelo, Carla Beck, da FAEPE, trouxe para o evento uma visão sobre os impactos do CAR no produtor rural. “Estamos falando de um sistema nacional de formação obrigatória para todos os produtores rurais e que vai integrar todos os cadastros já existentes”, explicou reiterando ainda que, em um primeiro momento, o intuito do CAR é a regularização ambiental e não fundiária. Finalizando a mesa, Glaucio Toyama, diretor de Agronegócios do Grupo Segurador BB Mapfre, apresentou dados sobre os mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais existentes no Brasil e que possuem alta relevância no PIB do país. “Hoje, 68 seguradoras operam com produtos relacionados ao seguro rural e apenas 10 oferecem serviços para o seguro agrícola. Certamente o CAR nos subsidiará com uma grande base de dados para que possamos trazer produtos mais adequados aos nossos clientes finais”, concluiu, alertando que apenas 15% deste segmento no Brasil é segurado.
O governo não coloca o mercado segurador na sua agenda, afirma o ex-deputado Armando Vergílio em seu discurso na abertura da 7a. Conseguro. Estava prevista a presença do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do Ministro da Saúde, Arthur Chioro, que não puderam comparecer diante da realidade dura que vive o Brasil com anúncios diários na busca de uma solução para evitar que outras agências sigam a Standard & Poor’s e também retirem o selo de bom pagador do país e suas consequências nefastas para toda a sociedade.
“Só aumentar impostos não vai resolver o problema do Brasil, que assusta a sociedade”, disse ele, referindo-se ao pacote de medidas fiscais no valor de R$ 64,9 bilhões anunciados ontem com o objetivo de garantir um superávit primário em 2016 Dentro desse pacote, o governo sugere a volta da CPMF com expectativa de arrecadação de R$ 32 bilhões no próximo ano. “O mercado segurador poderia contribuir muito mais, porém isso não ocorre como deveria. Nossa sugestão é que o setor seja incluído numa agenda positiva do governo”.
Apesar desse tratamento que mostra certa indiferença do governo com o setor, os indicadores mostram crescimento de dois dígitos na última década, muito acima da evolução da evolução do PIB. “Isso ocorre porque a sociedade se conscientiza dos benefícios dos produtos ofertados pelo setor, graças ao empenho dos corretores de seguros, que disseminam que o seguro é vital para proteger empresas, governos e indivíduos de eventos aleatórios que podem causar perdas significativas”, enfatiza Armando Vergílio.
O também presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros., afirma que “vivemos uma crise econômica grave que não será resolvida no curto prazo. “Já perdemos 2015, 2016 e possivelmente 2017. Se não buscarmos soluções rapidamente, poderemos perder uma década ou mais”. “Não estou aqui batendo no governo. Confio no ministro Joaquim Levy e sei que todos buscam fazer o melhor. Me refiro a uma miopia paradoxal”, enfatiza.
“Todos precisam fazer a sua parte com muita seriedade e o governo precisa dialogar mais e ver o mercado segurador com outros olhos. Com bom senso e desprendimento das pessoas podemos sair dessa crise muito melhor do que entramos, com propostas efetivas e que visam benefícios a todos”, chamando a atenção para o VGBL Saúde, que foi aprovado pela Câmara e agora está no Senado. “Esse é um projeto do bem, pois todos ganham: a população que acumula reserva de longo prazo, o governo que desafoga o sistema público, as seguradoras, os corretores”, afirma.
Este site utiliza cookies para aprimorar a sua experiência enquanto navega. Desses cookies, os que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador visto que são essenciais para o funcionamento básico do site. Nós também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa o site — esses só são armazenados no seu navegador mediante a sua autorização. Você também tem a opção de cancelar esses cookies, mas isso pode impactar a sua experiência de navegação.
Cookies necessários são absolutamente essenciais para este site funcionar de forma apropriada. Esta categoria só inclui cookies os quais garantem funcionalidades básicas e recursos de segurança do site. Esses cookies não armazenam nenhuma informação pessoal.