CONSEGURO: ETTJ, como mitigar a volatilidade nos resultados

FONTE: CNseg

Dois especialistas da Ernst &Young, Ricardo Pacheco e Rui Cabral, chamaram para si a tarefa de explicar a volatilidade gerada pela ETTJ nos resultados das empresas e as formas de mitigá-la, a fim de apresentar um balanço mais próximo da realidade. A regulamentação da aplicação do Teste de Adequação de Passivo (TAP) às provisões técnicas das seguradoras define que a chamada estimativa corrente seja descontada por uma estrutura a termo de taxa de juros (ETTJ).

Tema bastante atual discutido com a Susep, o moderador do painel foi Jair Lacerda, da Bradesco Seguros, que assinalou a importância ainda maior dos efeitos da ETTJ, tendo em vista o atual cenário de instabilidade econômica e flutuação dos ativos financeiros. A valor presente, os balanços das seguradoras exibem indevidamente os estresses momentâneos do mercado financeiro, fazendo que haja impactos no pagamento de dividendo e dos impostos a mais ou a menos, dependendo dos desvios produzidos pela ETTJ.

A principal discussão do painel “Volatilidade da ETTJ e seus impactos no Resultado. ORA como alternativa”, apresentado durante o 4º Encontro Nacional de Atuários-ENA, foi propor alternativas para reduzir esta flutuação. “A ETTJ Susep era muito volátil e revelava comportamentos estranhos no médio e longo prazos, afetando o resultado da cia. Isso porque há distorções de curto prazo refletidas na mensuração dos passivos das seguradoras”, lembrou Rui Cabral, mestre em economia pela Universidade de Londres.

A Susep já incorporou algumas ideiais do mercado para baixar a volatilidade. “Pode se dizer que resolveu 30% da volatilidade original, mas ainda precisamos resolver os outros 70%”, assinalou Jair Lacerda, para quem o momento de maior volatilidade dos mercados pode gerar novas distorções. Ricardo Pacheco lembrou que o mecanismo Shadow Accounting é tem uma utilização crescente no mercado mundial, ajudando a reduzir a volatilidade, mas seu alcance é limitado. É utilizado na contabilização de PCC (Provisão de Complementação de Cobertura).

O motivo é que os efeitos que os ganhos ou perdas não realizadas de investimentos classificados como disponíveis para a venda teriam sobre as provisões técnicas podem ser identificados e também alocados em Outros Resultados Abrangentes (ORA). O outro mecanismo é a combinação da ETTJ Susep versus taxa de desconto interna. Nesse modelo, a PCC continua a ser determinada pela ETTJ Susep. Porém, somente as variações de uma PCC calculada com a taxa interna de desconto da seguradora são lançadas no resultado. O restante da variação da PCC é lançada contra a ORA.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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