Sicoob e HDI anunciam parceria que une crédito e seguro em uma única operação

Financiar um veículo e sair com ele já segurado, na mesma operação, sem burocracia e com muita agilidade na contratação. Essa é a proposta do Seguro Auto Financiado, desenvolvido pelo Sicoob em parceria com o Grupo HDI e já disponível no mercado. A iniciativa nasce de uma lacuna na jornada de crédito veicular: o intervalo que sempre existiu entre a concessão do financiamento e a contratação da proteção. Ao unir os dois momentos em uma única operação, o Sicoob entrega conveniência, reduz fricções e amplia o valor percebido pelo cooperado sem exigência de vistoria prévia, garantindo assim a proteção integral para a pessoa cooperada e a cooperativa. 
 

O modelo se enquadra no conceito de embedded insurance, tendência global que redefine a forma como seguros são distribuídos. Em vez de tratar a proteção como um produto autônomo, a ser buscado separadamente após a compra, o embedded insurance integra o seguro ao próprio processo de aquisição do bem, tornando-o parte natural e invisível da jornada do cliente. No contexto do financiamento veicular, isso significa que o cooperado não precisa pesquisar seguradoras, comparar coberturas ou enfrentar burocracia adicional: a proteção já está incluída quando o crédito é concedido. É uma mudança de lógica do seguro como etapa extra para o seguro como parte da experiência.
 

“O Sicoob já conta com um portfólio robusto de soluções de seguro auto, construído ao longo dos anos para atender diferentes perfis e necessidades dos cooperados. A parceria com o Grupo HDI representa um avanço nessa trajetória: trouxemos para dentro do fluxo de financiamento uma proteção que antes exigia uma jornada separada, eliminando fricções e barreiras na experiência de compra. É a combinação de duas expertises, a do cooperativismo financeiro e a de uma das maiores seguradoras do Brasil a serviço de uma experiência mais completa para o cooperado”, afirma Guilherme Palma Neto, Coordenador Comercial de Seguros Gerais do Sicoob.

O Seguro Auto Financiado é resultado de uma colaboração entre o Sicoob e o Grupo HDI, seguradora com reconhecida atuação no mercado de automóvel no Brasil. A parceria resultou em um programa exclusivo de afinidade para o sistema, desenhado para respeitar as especificidades da relação entre cooperativa e cooperado, e não apenas replicar produtos do varejo bancário tradicional.

“Acreditamos no potencial do cooperativismo financeiro como canal de distribuição de seguros com alto valor percebido. Construir esse programa junto ao Sicoob foi uma oportunidade desenvolver algo genuinamente novo para o mercado”, comenta Gustavo Peri, Gerente Comercial de Cooperativas do Grupo HDI. 

HDI Seguros renova patrocínio à Maratona de Floripa e reforça incentivo ao esporte e bem-estar

A HDI Seguros renovou o patrocínio à Maratona Internacional da Cidade de Florianópolis – Maratona de Floripa, reforçando sua estratégia de proximidade com o mercado catarinense e consolidando a presença da marca na região Sul do país. Reconhecida como uma das principais provas de corrida de rua do Brasil, a competição será realizada no dia 7 de junho, em Florianópolis, com percursos de 42 km, 21 km e 5 km. As largadas estão previstas para ocorrer a partir das 6h, na Beira-Mar Continental. As inscrições seguem abertas e podem ser realizadas diretamente pelo site oficial da Maratona de Floripa. 
 

O apoio à maratona amplia a atuação da seguradora em iniciativas voltadas à promoção de qualidade de vida, bem-estar e incentivo à prática esportiva, fortalecendo o relacionamento com o público da região por meio de experiências e ativações ao longo do evento. Além disso, a ação reforça o posicionamento institucional da HDI de valorização dos corretores e parceiros de negócios, fundamentais para o crescimento sustentável da operação no estado. Santa Catarina ocupa papel relevante na atuação da marca, tanto pelo potencial econômico quanto pela forte conexão com o mercado regional, em linha com o território de marca da HDI, pautado pela proximidade, cuidado e construção de relações duradouras. 
 

Com percurso à beira-mar e estrutura voltada para corredores de diferentes níveis, a prova movimenta o calendário esportivo e turístico da capital catarinense, reunindo atletas de diversas regiões do país. A programação contará com percursos de maratona, meia maratona e corrida de 5 km, além de áreas de apoio e serviços aos participantes. Entre as ações previstas da seguradora estão a disponibilização de um espaço de apoio para convidados, com estrutura de alimentação e hidratação, além da distribuição de brindes para parceiros comerciais. A presença da marca também contará com ativações especiais e ações de engajamento ao longo da programação, como um instagramável em formato de pódio para interação do público. 

“Mais do que oferecer seguros, queremos contribuir para que as pessoas vivam com mais qualidade e bem-estar. Apoiar a Maratona de Florianópolis reforça a conexão da HDI com iniciativas que incentivam saúde, superação e integração social, valores que fazem parte do nosso território de marca e da forma como nos relacionamos com clientes, corretores e parceiros. O esporte tem um papel importante como ferramenta de transformação e aproximação, e eventos como esse também fortalecem nossa estratégia de gerar impacto positivo nas comunidades onde atuamos”, afirma Rubens Oliboni, Diretor Regional de Santa Catarina e Rio Grande do Sul da seguradora.

Brasil e Portugal fecham parceria no setor de seguros contra riscos climáticos

Fonte: Público Brasil

A parceria entre a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), entidade que representa o mercado segurador brasileiro, e a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), principal representante do setor em Portugal, avança e o objetivo é ampliar a proteção de consumidores, empresas e produtores rurais diante do aumento das catástrofes climáticas e dos riscos cibernéticos.

A cooperação institucional prevê intercâmbio de conhecimento, desenvolvimento de novos produtos, compartilhamento de experiências regulatórias e fortalecimento dos mecanismos de proteção financeira nos dois países. Segundo o presidente da CNSeg, Dyogo Oliveira, a aproximação permite oferecer seguros mais adequados às necessidades da população, além de impulsionar projetos conjuntos voltados à adaptação climática, inovação e gestão de riscos emergentes.

O fortalecimento dessa agenda ocorre em um momento em que Brasil e Portugal enfrentam desafios semelhantes provocados pela intensificação dos eventos extremos, a exemplo de enchentes, secas prolongadas, incêndios florestais, tempestades severas e ondas de calor que têm provocado prejuízos, além de afetar populações vulneráveis, infraestruturas públicas e cadeias produtivas estratégicas.

Para Oliveira, as mudanças climáticas e os riscos cibernéticos já estão entre os principais desafios contemporâneos para o mercado segurador, e isso exige soluções mais modernas e cooperação internacional para ampliar a capacidade de proteção das sociedades.

A aproximação entre os mercados seguradores brasileiro e português ganhou força, segundo Oliveira, durante a COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, em 2024. Naquele momento, representantes dos dois países iniciaram discussões que resultariam, em 2025, na construção de uma agenda permanente de cooperação. E esse movimento ganha novo impulso com a realização, nesta quarta-feira, 3 de maio, do primeiro Fórum Brasil–Portugal de Seguros, promovido pela CNSeg e pelo Grupo Fidelidade, com apoio da APS, no Técnico Innovation Center, em Lisboa.

A iniciativa busca aproximar lideranças do setor, fomentar cooperação técnica e desenvolver soluções conjuntas para riscos emergentes que desafiam seguradoras, governos e economias em ambos os lados do Atlântico. O objetivo é claro: criar um ambiente permanente de troca de experiências capaz de acelerar a inovação e fortalecer a resiliência dos mercados.

A agenda conjunta também mira um compromisso de longo prazo. Após os avanços obtidos nas discussões iniciadas durante a COP29, Brasil e Portugal pretendem ampliar a coordenação internacional na COP31, este ano na Turquia, quando, segundo ele, voltarão a defender o papel estratégico do setor segurador na mitigação dos impactos climáticos e na construção de mecanismos mais eficientes de proteção social e financeira.

A colaboração entre as entidades ocorre em um contexto de crescente preocupação global com os efeitos das alterações climáticas. No Brasil, o ano de 2025 foi marcado por enchentes, estiagens, ondas de calor, chuvas de granizo, tornados e incêndios florestais que afetaram mais de 336 mil pessoas e geraram prejuízos estimados em 663 milhões de euros. Dados do Radar de Eventos Climáticos e Seguros, da CNSeg, apontam que apenas no primeiro semestre do ano passado, as perdas associadas aos eventos climáticos alcançaram 5,2 bilhões de euros.

Por outro lado, em Portugal, o cenário também se agravou. Dados da Agência Portuguesa do Ambiente registraram o mês de maio mais chuvoso dos últimos 50 anos, seguido por períodos de calor extremo que elevaram significativamente os riscos de incêndios florestais em diversas regiões do país.

A frequência desses eventos, em escala crescente, tem provocado uma mudança estrutural na forma como o setor segurador avalia riscos e projeta cenários futuros, conforme Oliveira. Modelos historicamente baseados em séries estatísticas passadas começam a perder eficiência diante de uma realidade climática mais instável e imprevisível.

“As mudanças climáticas não estão apenas elevando o volume de indemnizações pagas pelo setor de seguros, mas transformando a própria essência da atividade seguradora”, afirma o presidente da CNseg, que participa do XIV Fórum de Lisboa. Segundo ele, um dos maiores desafios para os próximos anos será justamente revisar os modelos tradicionais de avaliação de risco. “A realidade atual já não se comporta como no passado. Portanto, olhar apenas para os dados históricos deixou de ser suficiente para avaliar o risco futuro”.

Os reflexos desse novo cenário já podem ser observados em setores estratégicos da economia, especialmente no agronegócio. O seguro rural, considerado um dos principais instrumentos de proteção para produtores, enfrenta dificuldades crescentes de precificação diante da maior incidência de perdas climáticas.

Nos últimos anos, o Brasil chegou a contar com cerca de 13,7 milhões de hectares protegidos por seguro rural. Em 2025, porém, a área segurada recuou para pouco mais de 3 milhões de hectares, o equivalente a apenas 3,3% da área plantada do país. Entre os fatores apontados para essa retração está a redução dos recursos destinados à subvenção federal que auxilia pequenos e médios produtores na contratação de seguros, de acordo com dados fornecidos pela CNSeg.

Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção financeira para o campo, especialmente diante da crescente exposição do agronegócio aos riscos climáticos. Nesse contexto, experiências internacionais têm despertado interesse dos mercados brasileiro e português. Na Turquia, por exemplo, o seguro contra desastres naturais é incluído diretamente na conta de energia elétrica.

No México, estados somente têm acesso a apoio federal em situações de emergência caso possuam seguros para infraestruturas públicas. Os modelos são vistos como exemplos de como políticas públicas, incentivos e participação privada podem ampliar a cobertura e reduzir vulnerabilidades.

No Brasil, a CNseg também participa de discussões com o Executivo e o Legislativo sobre a criação de um Seguro Social de Catástrofe, proposta que busca ampliar a proteção da população diante de eventos extremos e reduzir impactos econômicos e sociais provocados por desastres naturais.

Paralelamente, o mercado europeu tem intensificado investimentos em inteligência climática e pesquisa aplicada. O Grupo Fidelidade criou um centro especializado para estudar riscos físicos associados às alterações climáticas, cruzando informações sobre incêndios, ondas de calor, precipitações extremas e elevação do nível do mar com impactos socioeconômicos em diferentes territórios.

A iniciativa reúne universidades, centros de pesquisa e especialistas para produzir conhecimento aplicável à formulação de políticas públicas, ao desenvolvimento de produtos seguradores e ao aprimoramento das estratégias de prevenção e adaptação.

Para Dyogo Oliveira, a aproximação entre Brasil e Portugal também abre espaço para o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas diretamente aos consumidores. “Assim como aqui em Portugal, nós temos desenvolvido parcerias com outros países. De início, com os países da América Latina, através da Federação Interamericana de Seguros, da qual somos associados. E temos desenvolvido parcerias bilaterais com Portugal, com a França, com o Reino Unido, e estamos começando também uma aproximação com a Espanha”, comenta.

Ele destaca que estão explorando possibilidades a partir de uma troca de formações e conhecimento entre empresas brasileiras e portuguesas, para terem produtos mais adequados às necessidades das pessoas, tanto em Portugal, que já tem um mercado de seguros bem desenvolvidos quanto no Brasil que ainda tem bastante mercado para crescer.

“O Brasil ainda tem uma lacuna de proteção de seguros grande: muitas casas e carros não têm seguros, muitas pessoas não têm seguro de vida e, por outro lado, há um espaço muito grande para o Brasil crescer e ter a experiência de outros países”, diz Dyogo. E complementa: “O que acho mais importante é compartilhar o conhecimento sobre algumas questões mais graves e recentes que têm acontecido, como catástrofes climáticas, riscos cibernéticos, que têm impactado o mercado de seguros”.

Para ele, a aproximação entre a CNseg e a APS permite uma troca de conhecimento e experiência dos dois mercados que pode melhorar os produtos tanto do Brasil quanto de Portugal. E, dessa maneira, melhorar o atendimento aos clientes e segurados, viabilizando a oferta de seguros mais apropriada para as necessidades das pessoas

Seguros entram na agenda do saneamento para ampliar segurança das concessões

forum de lisboa cnseg

LISBOA – O desafio de universalizar o saneamento básico até 2033 exige mais do que ampliar investimentos. Exige também criar mecanismos capazes de oferecer segurança aos investidores, financiadores, operadores e ao próprio poder público. Essa foi uma das principais mensagens do painel “Infraestrutura de Saneamento na Nova Ordem Sustentável”, realizado durante o Fórum de Lisboa, onde o mercado segurador apresentou uma proposta para ampliar sua participação na estruturação dos projetos de infraestrutura do país.

Representando a CNseg, a confederação das seguradoras, o diretor de Relações Institucionais, Hailton Madureira, defendeu uma atuação mais próxima entre seguradoras e órgãos públicos para garantir que os contratos de concessão contemplem coberturas compatíveis com os riscos envolvidos. Segundo ele, a entidade já mantém parcerias com o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o Ministério de Portos e Aeroportos e diversas agências reguladoras para apoiar tecnicamente a elaboração dos editais.

“Muitas vezes o poder público quer proteger determinado ativo ou serviço, mas isso não está corretamente especificado no edital. Em alguns casos, o bem vale R$ 1 bilhão e está segurado por apenas R$ 100 milhões. O risco existe, mas não está adequadamente protegido”, afirmou Madureira em entrevista ao Sonho Seguro após sua participação no painel.

Segundo ele, o objetivo da iniciativa não é comercial. “A CNseg não vende seguro. O que fazemos é mostrar quais soluções existem, quais riscos cada cobertura protege e ajudar para que os contratos de concessão já saiam com os seguros adequados às necessidades do poder público”, explicou.

A proposta surge em um momento decisivo para o saneamento brasileiro. Durante o debate, especialistas lembraram que o marco legal do setor estabelece metas ambiciosas para 2033: levar água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% dos brasileiros. Para isso, porém, será necessário acelerar significativamente os investimentos.

Ricardo Simonsen, diretor da Central de Qualidade da FGV e moderador do painel, destacou que o país investe atualmente menos de R$ 40 bilhões por ano em saneamento, enquanto o volume necessário para atingir as metas legais supera R$ 56 bilhões anuais. “O ritmo atual ainda não é suficiente para garantir a universalização dentro do prazo previsto”, observou.

O debate mostrou que o desafio não se resume à disponibilidade de recursos. A capacidade de atrair investidores de longo prazo também depende da redução dos riscos percebidos nos projetos. Para Madureira, é justamente nesse ponto que o seguro pode contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

“O investidor quer saber se a empresa vai sobreviver caso aconteça algo inesperado. O banco quer entender como a obra será retomada diante de uma calamidade. O poder público precisa garantir que as metas de universalização serão cumpridas. E o usuário quer a continuidade do serviço. O seguro ajuda a dar estabilidade para todos esses agentes”, afirmou.

Entre as modalidades apontadas como relevantes para os projetos de saneamento estão seguro garantia, seguro de engenharia, responsabilidade civil, seguro de crédito, coberturas operacionais e seguros ambientais e climáticos. O executivo citou como exemplo os impactos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, que deixaram o Aeroporto Salgado Filho meses sem operação.

“O que estamos discutindo é se os pacotes de seguros contratados estavam preparados para responder a uma calamidade daquela magnitude. O mercado segurador pode contribuir para que a recuperação seja mais rápida e menos dependente de recursos extraordinários do Tesouro”, disse.

Durante sua apresentação, Madureira afirmou que a CNseg tem defendido uma atuação preventiva junto aos órgãos públicos, participando da fase de modelagem dos projetos antes mesmo da publicação dos editais.

A entidade já conversa com ministérios, agências reguladoras e órgãos concedentes para identificar quais riscos precisam ser protegidos em cada empreendimento e quais instrumentos de seguro podem ser utilizados. Entre os exemplos citados estão concessões de portos, projetos habitacionais, infraestrutura de transporte e obras de saneamento.

“Às vezes não é uma questão de legislação. É uma questão de o edital sair mais claro e melhor estruturado. Existem seguros para garantir a conclusão de uma obra, proteger receitas de aluguel, cobrir riscos operacionais ou garantir a continuidade dos serviços. O importante é que esses instrumentos sejam considerados desde a origem do projeto”, afirmou.

Segundo o executivo, contratos mais robustos também contribuem para evitar problemas observados em algumas concessões brasileiras ao longo das últimas décadas. “O Brasil acumulou experiência. As primeiras concessões foram pioneiras e naturalmente enfrentaram dificuldades. Hoje temos mais conhecimento, mais dados e melhores instrumentos para estruturar contratos mais estáveis e previsíveis”, disse.

O painel reuniu representantes do setor público, operadores privados, financiadores e especialistas jurídicos para discutir os desafios da infraestrutura sustentável. Participaram do debate Rafael Rolim, presidente da Cedae; Anselmo Leal, CEO da Águas do Rio; Flávio Boson Gambogi, desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 6ª Região; Walter Baère Filho, diretor jurídico do BNDES; e Fernanda Rodrigues de Morais, consultora jurídica do Ministério das Cidades.

Entre os consensos do encontro esteve a necessidade de ampliar a cooperação entre governo, empresas, financiadores, reguladores e mercado segurador para acelerar a universalização dos serviços. Para a CNseg, a construção dessa agenda passa por um conceito simples: quanto maior a previsibilidade dos contratos, maior a capacidade de atrair investimentos privados para um setor que ainda enfrenta um déficit bilionário de recursos.

“O saneamento precisa avançar sem discussão. Nenhum país se tornou desenvolvido convivendo com rios poluídos e sem acesso universal à água tratada. O mercado segurador está pronto para ajudar a trazer mais crédito, mais investidores e mais segurança para que essas metas sejam alcançadas”, concluiu Madureira.

Bastidores: Fidelidade, maior seguradora de Portugal, tem agenda tomada por executivos brasileiros

Entre um conversa aqui e outra acolá, armazenei memória de dezenas de conversas nos dois dias do XIX Fórum de Lisboa, que acontece de 1 a 3 de junho em Lisboa, para escrever este texto com mais propriedade, podendo separar o que é boato, o que é notícia, o que é agenda apenas em função do evento de seguros que organizam para esta quarta-feira, e o que é pânico de executivos concorrentes.

A seguradora portuguesa Fidelidade, líder do mercado de seguros em Portugal e controlada pelo grupo chinês Fosun, voltou a despertar atenção no mercado brasileiro diante de movimentações que indicam o interesse da companhia em ampliar sua presença na América Latina. Embora ainda não haja anúncio oficial, fontes do setor acompanham com atenção os passos da empresa, que já construiu uma plataforma relevante na região por meio de aquisições e operações próprias.

Fundada em 1835, a Fidelidade é a maior seguradora de Portugal e atua em praticamente todos os segmentos do mercado, incluindo seguros de vida, saúde, automóveis, patrimoniais, empresariais, responsabilidade civil e grandes riscos. Em 2025, o grupo registrou lucro líquido de 201 milhões de euros e administra ativos superiores a 21 bilhões de euros.

A internacionalização tornou-se um dos principais pilares da estratégia da companhia. Atualmente, mais de 30% do volume de negócios da Fidelidade é gerado fora de Portugal. A América Latina ocupa posição central nesse movimento e já responde pela maior parte das receitas internacionais do grupo.

A presença regional foi construída principalmente a partir da aquisição da seguradora peruana La Positiva, uma das líderes daquele mercado. O grupo também controla operações na Bolívia, Paraguai e Chile, onde atua tanto em seguros de pessoas quanto em ramos elementares e corporativos.

Na avaliação de especialistas, uma eventual entrada no Brasil faria sentido dentro da estratégia de crescimento da companhia em mercados com baixa penetração de seguros e elevado potencial de expansão. O país representa o maior mercado segurador da América Latina e atravessa um momento de transformação regulatória, impulsionado pelo novo marco legal dos seguros, pela modernização conduzida pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e pela ampliação da concorrência.

Nos bastidores, participantes do setor observam que a Fidelidade possui experiência tanto na aquisição de operações já estabelecidas quanto na criação de novas plataformas de negócios. Ainda não está claro qual modelo seria adotado no Brasil, mas o interesse da companhia reforça a atratividade do mercado brasileiro para grupos internacionais em busca de crescimento em economias emergentes.

Caso o projeto avance, a chegada da seguradora portuguesa poderá ampliar a disputa em segmentos estratégicos, especialmente nos ramos de pessoas, saúde, patrimonial e linhas corporativas, áreas nas quais a companhia acumula experiência em seus mercados de atuação.

Vamos entrevistar a Fidelidade amanhã e trazer mais detalhes.

Marco legal de seguros e mudanças climáticas exigem ação conjunta entre mercado e poder público, defendem especialistas

LISBOA – O novo marco legal dos seguros, a crescente frequência dos eventos climáticos extremos e a necessidade de ampliar a proteção da população estiveram no centro do debate “O Marco Legal dos Seguros no Brasil frente à Nova Ordem Ambiental e Acordos Bilaterais”, realizado durante o XIV Fórum de Lisboa. O painel reuniu representantes do setor segurador, do meio jurídico, do Legislativo e da área da saúde para discutir os desafios da adaptação climática e os limites da proteção oferecida pelos seguros diante de catástrofes cada vez mais recorrentes.

A diretora de Sustentabilidade da CNseg foi uma das vozes centrais do painel ao defender uma abordagem integrada entre prevenção, adaptação climática e transferência de riscos. Segundo Cláudia Prates, os impactos econômicos das mudanças climáticas já são uma realidade no país. Dados do Radar de Eventos Climáticos apontam perdas econômicas de aproximadamente R$ 60 bilhões por ano nos últimos quatro anos, mas apenas 9% desses prejuízos estavam protegidos por seguros.

A executiva chamou atenção para a baixa penetração da proteção securitária no Brasil. Segundo ela, apenas cerca de 17% das residências possuem seguro e a cobertura específica para alagamentos alcança menos de 1% dos imóveis brasileiros. “Quando ocorre um evento extremo, quem acaba socorrendo a população é o governo. Precisamos discutir formas mais eficientes de compartilhamento desses riscos”, afirmou.

Cláudia destacou ainda que os eventos climáticos produzem impactos que vão muito além dos prejuízos materiais. Enchentes favorecem a disseminação de vírus e bactérias, enquanto períodos prolongados de seca afetam a atividade econômica e geram reflexos na saúde da população. “Tudo está interligado. Os riscos climáticos, os impactos econômicos e os efeitos sobre a saúde caminham juntos”, observou.

Na avaliação da diretora da CNseg, o novo marco legal dos seguros cria condições para o desenvolvimento de contratos mais modernos e soluções capazes de ampliar a proteção da sociedade. Ela defendeu maior aproximação entre setor público, mercado segurador e mercado de capitais para financiar mecanismos de adaptação climática, lembrando que países desenvolvidos registram índices de cobertura entre 40% e 60%, muito superiores aos observados no Brasil. “O setor segurador está preparado para participar da construção dessas soluções e contribuir para uma economia mais protegida e resiliente”, afirmou.

O deputado federal Fernando Monteiro defendeu que a agenda climática seja tratada com mais urgência pelo poder público. Segundo ele, o país precisa avançar na definição legal do conceito de evento climático extremo e construir instrumentos capazes de acelerar a recuperação das áreas atingidas por catástrofes. O parlamentar propôs uma estrutura baseada em três pilares: mecanismos de proteção para a população atingida, recursos destinados aos municípios para reconstrução da infraestrutura urbana e instrumentos que permitam a retomada rápida das atividades econômicas. “Os eventos climáticos estão batendo à nossa porta todos os dias. Precisamos tratar esse tema com mais urgência e atenção”, afirmou o deputado, ao defender uma discussão mais ampla sobre seguros voltados a catástrofes naturais.

Coube ao advogado e professor Paulo Roque Khouri trazer um contraponto importante ao debate. Embora reconheça a relevância dos seguros como instrumento de proteção financeira, ele alertou que o setor não pode ser visto como solução única para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. “O seguro não resolve tudo”, afirmou. Segundo Khouri, a principal função do seguro é impedir o empobrecimento das vítimas após a ocorrência de um sinistro, funcionando como um amortecedor das perdas econômicas. No entanto, ele ponderou que os danos provocados por grandes catástrofes frequentemente superam a capacidade de cobertura das apólices e exigem a atuação coordenada do Estado.

Ao citar as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, Khouri lembrou que os prejuízos totais ultrapassaram R$ 100 bilhões, enquanto as indenizações pagas pelo mercado segurador ficaram próximas de R$ 6 bilhões. Segundo ele, cerca de 90% das famílias atingidas não possuíam qualquer tipo de cobertura securitária. “O seguro ajuda a reduzir os impactos, mas não substitui políticas públicas de prevenção, planejamento urbano, obras de infraestrutura e adaptação climática”, afirmou.

O especialista também destacou avanços promovidos pela regulamentação da Superintendência de Seguros Privados (Susep), especialmente na ampliação das coberturas relacionadas aos riscos ambientais e aos grandes riscos no marco legal, vigorando desde dezembro passado. Para ele, o novo marco legal fortalece a relação entre seguradoras e segurados ao ampliar a transparência e tornar a informação um dos pilares centrais dos contratos.

Douglas Figueredo abordou o segmento de saúde e destacou que o marco legal contribui para reduzir conflitos e trazer maior segurança jurídica para segurados e operadoras. O executivo também chamou atenção para a importância da atenção primária à saúde e do monitoramento contínuo dos beneficiários como ferramentas de prevenção, melhoria da gestão e redução de custos assistenciais. 

O desembargador Humberto Dalla afirmou que a Lei nº 15.040 representa um avanço institucional importante ao colocar o Brasil em linha com países que já possuem legislação específica para contratos de seguro, como Itália, França, Espanha e Portugal. Segundo ele, a nova legislação estabelece regras mais claras para a relação entre segurados e seguradoras, trazendo maior previsibilidade jurídica para o mercado. “Passamos a ter uma lei específica para o contrato de seguro, com regras claras sobre agravamento de risco, dever de informação e questionários de subscrição, temas que frequentemente geravam conflitos judiciais”, afirmou.

Dalla observou que a nova legislação ainda deverá enfrentar desafios interpretativos nos tribunais, especialmente em relação à aplicação da lei aos contratos firmados antes de sua entrada em vigor. Segundo ele, a tendência predominante na doutrina e na jurisprudência é de que a norma seja aplicada apenas aos contratos celebrados após sua vigência, embora situações específicas possam gerar discussões judiciais futuras. O magistrado também destacou que o fortalecimento do mercado segurador é peça fundamental para enfrentar os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. “Não há desenvolvimento econômico sustentável sem um mercado de seguros forte, um marco regulatório adequado e instituições capazes de oferecer segurança jurídica”, afirmou.

Ao final do painel, os participantes convergiram em um diagnóstico comum: os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a representar um desafio permanente para governos, empresas e sociedade. Nesse cenário, o novo marco legal dos seguros surge como uma ferramenta importante para ampliar a proteção financeira e reduzir perdas econômicas, mas sua efetividade dependerá da combinação entre cultura de prevenção, investimentos públicos em adaptação climática e mecanismos de compartilhamento de riscos entre os setores público e privado.

Nova Lei do Seguro domina debate entre Brasil e Portugal

Os impactos da nova Lei do Contrato de Seguro (Lei nº 15.040/2024) e o risco de aumento da judicialização no mercado segurador brasileiro estiveram no centro do debate promovido pela Associação Internacional de Direito dos Seguros (AIDA), na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Durante o encontro, a diretora jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, alertou que a fase inicial de implementação da nova legislação deverá gerar desafios interpretativos e ampliar o número de disputas judiciais envolvendo contratos de seguro.


Segundo a executiva, o Brasil vive os primeiros meses de vigência de uma norma que passou mais de duas décadas em discussão no Congresso Nacional e que agora inicia sua fase mais delicada: a aplicação prática por reguladores, seguradoras, consumidores e tribunais. “Estamos engatinhando em uma lei que tem cerca de cinco meses de vigência”, afirmou.


Ao comparar o cenário brasileiro com a experiência portuguesa, cuja Lei do Contrato de Seguro está em vigor há quase duas décadas, Glauce destacou que o amadurecimento jurisprudencial será determinante para a consolidação da nova legislação. 


Para Glauce, parte das incertezas decorre do fato de que diversos aspectos da nova legislação ainda dependem de regulamentação complementar da Superintendência de Seguros Privados (Susep).


A executiva lembrou que a autarquia já submeteu à consulta pública uma proposta regulatória com mais de 100 artigos para os seguros de danos, buscando disciplinar a aplicação da nova lei. O texto recebeu contribuições do mercado, mas ainda aguarda definição final do regulador. “A lei trouxe princípios importantes, mas remeteu muitos aspectos para regulamentação. O mercado acompanha com atenção esse processo porque ele será fundamental para a segurança jurídica”, observou. 


A declaração foi feita durante mesa compartilhada com o professor Francisco Rodrigues Rocha, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e da AIDA Portugal, dedicada à análise comparada dos regimes jurídicos de seguros dos dois países.


Lei brasileira ainda passará pelo teste dos tribunais

Na avaliação do professor Francisco, a nova legislação brasileira possui estrutura mais sintética do que a portuguesa e deverá depender fortemente da regulamentação e da interpretação dos tribunais para solucionar questões que ainda permanecem abertas.


Para o especialista, embora Brasil e Portugal compartilhem princípios fundamentais do direito dos seguros, como o princípio indenitário e a proteção do equilíbrio contratual, a efetividade da nova lei brasileira será medida pela forma como seus dispositivos serão aplicados nos próximos anos.


O consenso entre os participantes do painel foi que a Lei nº 15.040/2024 representa uma das mais importantes mudanças do mercado segurador brasileiro nas últimas décadas, mas que seus efeitos práticos ainda serão construídos por reguladores, operadores do direito e pelo próprio Poder Judiciário.

Relatório de Sustentabilidade da AXA no Brasil aponta crescimento de 92% no portfólio de energia

A AXA no Brasil publicou seu Relatório de Sustentabilidade referente ao exercício de 2025. Esta edição apresenta um avanço significativo ao incorporar os indicadores da European Sustainability Reporting Standards (ESRS), padrão vinculado à diretiva europeia CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) e referência global do Grupo AXA. A adoção de novos padrões internacionais, somada à manutenção da aderência ao Global Reporting Initiative (GRI) e à Circular nº 666/2022 da Susep, eleva o nível de transparência e comparabilidade da companhia ao mesmo patamar de operações globais.

O relatório consolida a nova estratégia local de sustentabilidade da companhia e destaca sua participação ativa na COP30, em Belém, oportunidade em que a AXA defendeu o setor segurador como viabilizador financeiro da transição climática. 

“Nossa visão de futuro revela que o seguro é um componente indissociável da resiliência econômica e ambiental. Acreditamos que o papel da seguradora vai além da compensação financeira. Este relatório reforça nossa estratégia de transformar o setor em uma ferramenta de inteligência climática, premissa que levamos à nossa participação na COP30, demonstrando nossa capacidade de viabilizar projetos de baixo carbono e a transição da sociedade, nos posicionando como agentes de prevenção”, destaca Erika Medici, CEO da AXA no Brasil.

O amadurecimento estratégico da seguradora refletiu diretamente nos resultados comerciais e operacionais ligados à mitigação climática. Com o AXA Verde, pilar estratégico de negócio que adapta o portfólio de produtos com atributos ASG, a empresa registrou um crescimento de 92% na carteira de energia na comparação com 2024, segmento que passou a representar 24% da linha Property. Em suas operações, o foco no chamado “sinistro verde” evitou o deslocamento de mais de 293 mil quilômetros graças a vistorias remotas e esteiras de fast track. A companhia também reportou um alto índice de reparabilidade (91%), com 1.191 itens que deixaram de ser descartados.

Na gestão da própria pegada de carbono, a companhia adotou oficialmente uma metodologia GHG Protocol no inventário de emissões (escopos 1, 2 e 3). O ganho principal deste movimento é termos uma abordagem que considera o cenário do país e nos fornece maior acuracidade nas informações. Já no eixo social, a publicação apresenta recorde histórico de voluntariado: 77% dos colaboradores participaram de 24 iniciativas ao longo de 2025, totalizando mais de 4.200 horas.

Segundo Alexandre Campos, Vice-Presidente de RH, Jurídico, Compliance e ASG da AXA no Brasil, a maturidade das métricas abre portas para um diálogo mais aprofundado com a sociedade. “O padrão ESRS reforça nosso compromisso de prestar contas com máximo rigor. Essa governança sólida serve de base para o que realmente importa, que é o impacto que geramos. Batemos nosso recorde absoluto alcançando 77% de engajamento do nosso time em ações de voluntariado. Consolidamos também nosso compromisso estrutural com a equidade, no qual as mulheres já representam 53% do nosso quadro de colaboradores”, pontua.

Os avanços presentes neste segundo relatório reforçam o compromisso da nova estratégia de sustentabilidade da companhia, lançada em 2025, garantindo que o progresso da sustentabilidade nacional seja mensurável, público e promova um legado de proteção e impacto positivo.

Embedded insurance entra em nova fase no Brasil e exige integração, dados e escala, diz MetLife

O embedded insurance deixou de ser apenas uma aposta de inovação para se consolidar como uma das principais frentes de crescimento do setor segurador. Impulsionado pela digitalização do consumo, pela expansão dos ecossistemas financeiros e pelo avanço das plataformas digitais, o modelo vem reposicionando o seguro dentro da jornada do cliente — de forma mais contextual, integrada e menos dependente dos canais tradicionais.

Para Paula Toguchi, AVP Business Solutions da MetLife Xcelerator LatAm, os modelos com maior potencial de escala no Brasil são justamente aqueles construídos sobre plataformas que já possuem relacionamento recorrente, dados e frequência de interação com o consumidor. “Os modelos que mais geram valor são aqueles integrados a ecossistemas financeiros, varejo digital, marketplaces e plataformas de serviços. O diferencial hoje não está apenas na distribuição, mas na capacidade de inserir proteção de forma fluida e contextual dentro da experiência digital do cliente”, afirma.

Segundo a executiva, o mercado vem migrando de uma lógica puramente transacional para modelos de proteção contextual, em que o seguro passa a funcionar como parte natural da jornada de consumo. esse cenário, a integração tecnológica ganha protagonismo. Paula destaca que os projetos mais escaláveis são sustentados por APIs integradas à jornada nativa dos parceiros, uso inteligente de dados para ofertas mais aderentes e modelos “insurance as a service”, nos quais a seguradora fornece estrutura operacional, produto e precificação enquanto o parceiro mantém a experiência do usuário.

“As insurtechs também exercem um papel estratégico ao acelerar time-to-market, permitir testes rápidos e trazer flexibilidade tecnológica para nichos ainda pouco explorados”, diz. Apesar do avanço do embedded insurance, o desafio de equilibrar experiência, compliance e rentabilidade continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor.

“No campo da experiência, o desafio é incorporar seguros em jornadas que originalmente não foram desenhadas para produtos de proteção. Isso exige simplicidade, clareza de valor e mínima fricção”, explica. Ao mesmo tempo, o avanço da distribuição embarcada amplia a necessidade de governança em temas como LGPD, transparência de oferta e aderência regulatória junto à Susep — sem comprometer velocidade de integração e lançamento. Do ponto de vista econômico, a Paula aponta que canais de alto volume e ticket médio reduzido exigem um nível maior de eficiência operacional, automação e sofisticação de pricing para garantir sustentabilidade financeira.

Além das questões regulatórias e operacionais, Paula avalia que o mercado ainda possui oportunidades relevantes pouco exploradas, especialmente em produtos mais modulares, coberturas associadas a serviços digitais e soluções voltadas a públicos historicamente subatendidos. “Existe um espaço importante em produtos simplificados, de curta duração e mais conectados a eventos específicos da jornada do consumidor. Também vemos potencial em segmentos como trabalhadores autônomos, profissionais de plataformas digitais e pequenas empresas”, afirma.

A executiva acredita que o crescimento do embedded insurance dependerá menos da criação de produtos complexos e mais da capacidade de adaptar ofertas existentes a novos contextos de consumo, com linguagem simples e percepção clara de benefício.

Outro tema que vem ganhando espaço no setor é o uso de inteligência artificial aplicada à personalização e eficiência operacional. Para Paula, a IA deve funcionar como um habilitador da experiência, mas sempre acompanhada de transparência e governança.

“A MetLife enxerga a IA como um elemento importante para ganho de eficiência e escala, mas confiança continua sendo um ativo central no setor de seguros. Isso exige uso responsável de dados, explicabilidade dos modelos e clareza para o cliente sobre como as informações são utilizadas”, afirma.

Segundo ela, o mercado segurador também entrou em uma nova etapa de maturidade na relação entre seguradoras tradicionais e insurtechs. Se antes predominava uma lógica de disrupção, agora o foco está em complementaridade de capacidades e geração de valor em escala.

“O ecossistema amadureceu. Hoje existe uma visão muito mais pragmática e colaborativa. A inovação sustentável depende da combinação entre solidez técnica e regulatória das seguradoras com a velocidade e especialização tecnológica das insurtechs”, diz.

Nesse contexto, a estratégia da MetLife passa por atuar como uma orquestradora de ecossistemas, conectando tecnologia, dados, distribuição e parceiros estratégicos por meio da plataforma MetLife Xcelerator. “Mais do que acompanhar a transformação do setor, queremos contribuir para construir modelos mais acessíveis, escaláveis e alinhados às novas expectativas do consumidor digital”, conclui.

Seguros ganham espaço no debate sobre desenvolvimento econômico e saúde em Lisboa

O setor de seguros esteve presente em dois dos principais debates do primeiro dia do XIV Fórum de Lisboa, evento que reúne autoridades, magistrados, parlamentares, reguladores, acadêmicos e representantes da iniciativa privada para discutir os desafios da nova ordem internacional. Em painéis dedicados ao desenvolvimento econômico e à saúde suplementar, representantes da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) defenderam maior previsibilidade institucional, gestão de riscos e sustentabilidade dos sistemas de proteção diante das transformações tecnológicas, demográficas e climáticas.

Realizado entre os dias 1º e 3 de junho, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), o encontro se consolidou como um dos principais espaços de diálogo jurídico, institucional e político da comunidade lusófona. Com o tema “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”, a edição deste ano reúne mais de 450 debatedores distribuídos em mais de 70 painéis.

A abertura contou com a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, idealizador do evento, além do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do ministro do Superior Tribunal de Justiça Luís Felipe Salomão e de representantes da academia brasileira e portuguesa. Embora tradicionalmente associado ao debate jurídico, o fórum abriu espaço para temas ligados ao desenvolvimento econômico, à saúde e à transformação tecnológica, áreas nas quais o setor segurador vem assumindo papel cada vez mais relevante.

Em entrevista após a abertura, Gilmar Mendes disse que o Brasil tem sabido defender sua soberania. “Fizemos isso nas discussões sobre a Magnitsky e das redes sociais, de modo que eu confio na institucionalidade e na defesa institucional da nossa soberania”, afirmou, referindo-se ao debate sobre precedentes que podem ser criados com a classificação pelo governo dos Estados Unidos das facções como PCC e Comando Vermelho como organizações criminosas, tema que tem preocupado as seguradoras e as resseguradoras, tanto pelos riscos inerentes a tal situação como também pelo compliance daquelas que são subsidiárias de grupo internacionais.

A presença da CNseg em dois painéis da programação reflete um movimento cada vez mais frequente do setor segurador de participar de discussões que vão além dos temas tradicionais do mercado. “Questões como competitividade econômica, transformação tecnológica, mudanças climáticas, longevidade, saúde e gestão de riscos passaram a integrar a agenda estratégica das seguradoras, que buscam posicionar o seguro não apenas como instrumento de proteção patrimonial, mas também como ferramenta de desenvolvimento econômico e resiliência social”, comentou o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, durante almoço com jornalistas.

No painel “Política Industrial, Soberania e Desenvolvimento em um Mundo Globalizado”, Oliveira defendeu uma agenda voltada ao aumento da competitividade brasileira, com foco em educação, infraestrutura, produtividade e gestão de riscos. Ao lado do ministro do STJ João Otávio de Noronha, do senador Laércio Oliveira, do ex-presidente da ApexBrasil Jorge Viana, do diplomata Ciro Leal e do presidente executivo da TelComp Luiz Henrique Barbosa, o executivo chamou atenção para a perda de dinamismo da indústria nacional nas últimas décadas.

Oliveira destacou três elementos centrais para o desenvolvimento econômico: a necessidade de ampliar a competitividade do país, a formação de capital humano qualificado para a nova economia e a construção de um ambiente marcado por previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade institucional. “O desenvolvimento econômico exige capacidade de planejamento de longo prazo. Sem segurança jurídica, estabilidade institucional e um ambiente favorável aos investimentos, torna-se muito difícil transformar potencial em prosperidade”, afirmou.

Segundo o presidente da CNseg, a perda de dinamismo da indústria brasileira nas últimas décadas reforça a necessidade de avanços em educação, infraestrutura, tributação e gestão de riscos, temas que vêm ganhando espaço crescente na agenda do setor segurador. Na avaliação do executivo, empresas e governos precisam incorporar uma cultura mais robusta de gestão de riscos, capaz de reduzir vulnerabilidades associadas a eventos climáticos extremos, interrupções de cadeias produtivas e outros fatores que afetam diretamente a atividade econômica.

Oliveira observou ainda que esses fatores influenciam diretamente a geração de empregos, os investimentos produtivos e as oportunidades de desenvolvimento regional. Para ele, o Brasil possui vantagens competitivas relevantes, mas precisa transformá-las em uma estratégia nacional consistente de crescimento sustentável.

Saúde suplementar sob pressão

O segundo painel com participação do setor de seguros tratou dos impactos da tecnologia, da economia e das transformações sociais sobre a saúde suplementar. O tema judicialização ganhou espaço relevante no debate que reuniu a diretora jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, o presidente da ANS, Wadih Damous, a conselheira do CNJ, Daiane Nogueira de Lira, e o ministro aposentado do STJ Antonio Saldanha Palheiro.

Ao comentar os dados apresentados por Daiane Nogueira de Lira, Glauce Carvalhal destacou que o ritmo de crescimento da judicialização da saúde suplementar desacelerou de cerca de 30% ao ano para 6%, mas alertou que os números continuam elevados. “Nós vínhamos de crescimentos próximos de 30% ao ano. Agora estamos falando de algo em torno de 6%. É um avanço importante, mas ainda estamos diante de números muito elevados”, afirmou.

Segundo os dados apresentados no painel, atualmente tramitam cerca de 931 mil processos relacionados à saúde no país. Apenas no primeiro quadrimestre de 2026 foram registrados aproximadamente 112 mil novos processos envolvendo saúde suplementar, volume que superou pela primeira vez os 110 mil casos relacionados à saúde pública. Para Glauce, o cenário reforça a necessidade de maior previsibilidade jurídica e de decisões apoiadas em evidências científicas.

A executiva também defendeu que a saúde suplementar seja tratada como infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico. Segundo ela, o setor responde por 2,7% do PIB brasileiro, gera mais de 5 milhões de empregos e movimenta cerca de R$ 320 bilhões por ano para atender aproximadamente um quarto da população do país. Mais de 80% das receitas hospitalares brasileiras têm origem na saúde suplementar, o que evidencia sua importância para toda a cadeia assistencial.

Glauce destacou ainda que o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à incorporação de novas tecnologias, especialmente terapias gênicas e medicamentos de alto custo. Na sua avaliação, será necessário ampliar mecanismos de compartilhamento de riscos, negociação de preços e avaliação contínua dos resultados clínicos para garantir a sustentabilidade do sistema.

Para Wadih Damous, o envelhecimento da população, o avanço da inteligência artificial e o surgimento de novos tratamentos exigem uma nova visão sobre sustentabilidade da saúde suplementar. Em sua manifestação, o presidente da ANS defendeu uma nova síntese entre tecnologia, economia e regulação. Segundo ele, o setor precisa abandonar a lógica centrada em procedimentos isolados e avançar para um modelo baseado em linhas de cuidado, uso de dados, avaliação de desfechos clínicos e remuneração por valor em saúde.

Na avaliação do regulador, a sustentabilidade do sistema não pode ser analisada apenas sob a ótica financeira, mas também pela capacidade de garantir acesso, qualidade assistencial e proteção aos beneficiários. Damous destacou que a inteligência artificial deve ser utilizada como instrumento de prevenção, promoção da saúde e coordenação do cuidado, nunca como mecanismo de exclusão de pacientes. “Identificar o risco não significa excluir; a obrigação do sistema é cuidar”, afirmou.

O ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça, Antonio Saldanha Palheiro, defendeu o fortalecimento das agências reguladoras brasileiras como instrumento para reduzir a judicialização dos conflitos na saúde suplementar. Segundo ele, diferentemente do que ocorre em alguns países, as agências nacionais ainda possuem capacidade limitada para fiscalizar, impor sanções e fazer cumprir suas determinações de forma efetiva.

Na sua avaliação, uma atuação regulatória mais robusta e com maior poder coercitivo permitiria resolver parte dos conflitos antes que chegassem ao Poder Judiciário, ampliando a segurança jurídica e a previsibilidade para consumidores e operadores do sistema. Saldanha também destacou o trabalho desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça na capacitação dos magistrados para decisões relacionadas à saúde e chamou atenção para o crescimento das fraudes, fenômeno que considera menos visível do que a judicialização, mas igualmente danoso para a sustentabilidade do setor.

Embora tenham participado de painéis distintos, Dyogo Oliveira e Glauce Carvalhal apresentaram uma mensagem convergente durante o Fórum de Lisboa: o desenvolvimento econômico e social depende cada vez mais da capacidade das instituições de antecipar riscos, garantir previsibilidade e construir mecanismos sustentáveis de proteção. Seja no debate sobre competitividade industrial ou nos desafios da saúde suplementar, a avaliação dos representantes da CNseg foi que gestão de riscos, segurança jurídica, inovação e planejamento de longo prazo deixaram de ser temas setoriais para se tornar elementos centrais das estratégias de desenvolvimento das nações.