A Zurich Seguros participa da exposição Amazônia, do fotógrafo Sebastião Salgado, em Vitória (ES), reforçando sua atuação em sustentabilidade e o apoio a iniciativas que conectam preservação ambiental, cultura e impacto social. A mostra, que já passou por cidades como Paris, Roma, Londres, São Paulo, Rio de Janeiro e Belém, reúne imagens produzidas ao longo de sete anos na Amazônia brasileira e propõe uma reflexão sobre biodiversidade, povos indígenas e mudanças climáticas.
O patrocínio está alinhado à estratégia global da Zurich, que busca ampliar a conscientização sobre temas ambientais ao mesmo tempo em que desenvolve iniciativas concretas de impacto no Brasil. Entre elas, está a Floresta Zurich, projeto realizado em parceria com o Instituto Terra, fundado por Sebastião e Lélia Wanick Salgado, voltado à restauração da Mata Atlântica e à conservação da biodiversidade.
A parceria com o Instituto Terra teve início em 2020 e inclui ações como o plantio de mais de um milhão de árvores, a recuperação de áreas degradadas e o apoio à ampliação da estrutura de produção de mudas e restauração ambiental. O projeto também contempla iniciativas de formação e engajamento de comunidades locais para conectar conservação ambiental com desenvolvimento social.
Outra frente relevante é o NERE, programa em parceria com o Instituto Terra para capacitar jovens do Vale do Rio Doce para os chamados “empregos verdes”, conectando: educação ambiental, capacitação técnica e humana, empregabilidade local, restauração ecológica e geração de renda sustentável.
“Temos buscado apoiar iniciativas que promovam impacto de longo prazo, conectando restauração ambiental à geração de oportunidades e ao fortalecimento das comunidades. A parceria com o Instituto Terra é um exemplo de como podemos atuar de forma consistente nessa agenda”, afirma Lucía Sarraceno, diretora de Marketing e Clientes da Zurich Seguros.
Ao conectar essas iniciativas à agenda local, a Zurich também reforça a importância de ampliar o engajamento da sociedade em torno desses temas.
“A Exposição Amazônia nos convida a um olhar atento e respeitoso sobre as populações tradicionais da floresta, que há séculos demonstram que é possível conciliar desenvolvimento, conservação e vida em comunidade. Esse aprendizado é extremamente relevante também para o mundo dos negócios, especialmente em um momento em que decisões corporativas precisam incorporar, de forma responsável, a restauração de ecossistemas e o fortalecimento das comunidades locais. Ao apoiar essa exposição, a Zurich reforça seu compromisso de transformar sensibilização em ação concreta, por meio de iniciativas como a Floresta Zurich e o apoio ao Instituto Terra.” afirma Nathalia Abreu, superintendente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa na Zurich.
Para a Zurich, iniciativas como a exposição e os projetos desenvolvidos no Brasil fazem parte de uma atuação integrada, que combina sensibilização, educação e soluções práticas voltadas à resiliência climática. A estratégia inclui o apoio a ações ambientais, o desenvolvimento de projetos com impacto social e o uso de conhecimento técnico para apoiar clientes e parceiros na gestão de riscos relacionados às mudanças climáticas.
A exposição Amazônia permanece aberta ao público até junho em Vitória e reúne mais de 200 fotografias, além de vídeos com depoimentos de lideranças indígenas e trilha sonora original produzida a partir de sons da floresta, o que propicia uma experiência imersiva sobre a importância da preservação ambiental.
Brasília, 21 de maio de 2026 – O diretor-executivo da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), Natanael Castro, participou do painel “Nova Lei de Licitações e Lei Geral de Proteção de Dados: o que os gestores precisam saber?”, na XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, agenda institucional da Confederação Nacional de Municípios, que acontece entre os dias 18 e 21 de maio. Na última quarta-feira (20), ele apresentou o potencial dos Títulos de Capitalização como uma solução para os processos de Licitação e contratos públicos, destacando o papel estratégico do setor para o desenvolvimento econômico de estados e municípios.
O foco do painel foi demonstrar como esses produtos, estruturados na modalidade de Instrumento de Garantia, tornaram-se ferramentas ágeis e seguras para assegurar o cumprimento de contratos públicos de bens e serviços. A relevância do mecanismo ganhou forte evidência após marcos regulatórios recentes, como a inclusão definitiva da Capitalização na Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021).
Em 2025, a arrecadação nesta modalidade atingiu R$ 3,08 bilhões, registrando uma expansão de 16% em comparação ao período anterior. Durante a apresentação, Natanael explicou as características e as vantagens do produto para a administração pública e as empresas privadas que disputam editais.
Segundo o executivo, para os gestores públicos, o modelo traz segurança jurídica com vinculação direta ao contrato, execução rápida em caso de inadimplência e, acima de tudo, amplia o leque de fornecedores, visto que empresas recém-constituídas ou que enfrentam limitações em linhas tradicionais de crédito encontram na Capitalização uma alternativa viável, sem a necessidade de análises complexas de risco ou comprometimento de seu limite bancário.
“A legislação evoluiu bastante, nos últimos anos, referendando todas as modernizações pelas quais a Capitalização também passou, e hoje representa uma alternativa extremamente ágil, transparente e flexível para o ambiente de negócios dos municípios”, disse Natanael. “Ao permitir que o licitante utilize os títulos de Capitalização como garantia em licitações, é possível ampliar a capacidade de crédito das empresas, estimulando a competitividade dos certames, com total segurança jurídica para o gestor municipal executar os contratos sem sobressaltos”, destacou.
Durante o evento, o diretor da FenaCap também lembrou o lançamento do Guia Prático de Seguros e Capitalização para Concessões e PPPs, um guia estratégico divulgado durante agenda do mercado segurador na COP30 e que terá desdobramentos mais técnicos e operacionais, detalhados em uma nova etapa, que será apresentada em breve.
Com o Brasil liderando o ranking de ataques cibernéticos na América Latina, a percepção de que o seguro digital serve apenas para “pagar o resgate” de dados está ficando para trás. A Alper Seguros apresenta um guia de como as empresas podem utilizar o Seguro Cyber de forma estratégica para fortalecer suas defesas antes mesmo de qualquer incidente.
Para Robert Hufnagel, Head da área de Linhas Financeiras e Responsabilidade Civil da Alper Seguros, o seguro é, na verdade, um ecossistema de prevenção. “O erro de muitas empresas é guardar a apólice na gaveta e só buscá-la quando o sistema para. O Seguro Cyber moderno é uma ferramenta de gestão ativa que deve ser consultada para evitar que o ataque aconteça”, afirma Hufnagel.
Abaixo, o especialista destaca as cinco principais dicas para extrair o máximo valor do seguro:
1. Utilize os treinamentos de conscientização (awareness). Falhas humanas e phishing causam 68% dos incidentes
“A dica é usar as plataformas de simulação inclusas no ecossistema do seguro. Elas testam os funcionários com links falsos e, caso alguém clique, oferecem reforço educacional imediato. Isso mitiga o risco comportamental sem custo adicional”, explica Robert.
2. Faça auditorias de vulnerabilidade periódicas. As seguradoras frequentemente facilitam auditorias que identificam erros de configuração em nuvem e bancos de dados expostos.
“O seguro ajuda a identificar o problema antes que o hacker o faça. É como ter um check-up preventivo constante da sua infraestrutura digital”, comenta o executivo.
3. Audite seus fornecedores (SaaS e Nuvem). Ataques à cadeia de suprimentos dobraram em 2025. A Alper orienta usar o seguro para analisar contratos.
“Use a inteligência da seguradora para exigir níveis mínimos de segurança de seus parceiros. O seguro se torna uma ferramenta de auditoria de terceiros, garantindo que o erro de um fornecedor não derrube a sua operação”, pontua Robert.
4. Prepare o plano de resposta a incidentes (Incidient Response). O seguro dá acesso aos chamados “Bombeiros do Digital”. A dica é conhecer esses especialistas antes da crise.
“As primeiras horas de um ataque são críticas. Ter o fluxo de acionamento jurídico e forense já desenhado com a seguradora economiza um tempo que, em crises reais, vale milhões de reais”, afirma Hufnagel.
5. Proteja o fluxo de caixa contra Lucros Cessantes Além do reparo técnico, o seguro deve ser usado para garantir a continuidade do negócio.
“Se um ataque interrompe um serviço vital, como o Pix, a empresa perde receita a cada minuto. A dica é configurar a apólice para recompor esses lucros cessantes e cobrir horas extras de TI, mantendo a saúde financeira enquanto a crise é debelada”, ressalta.
Hufnagel ainda reforça que, em caso de vazamento, o seguro é o escudo para o cumprimento da LGPD.
“A lei exige notificações rápidas à ANPD e aos clientes. O seguro custeia desde o envio desses comunicados até a montagem de call centers para atender as vítimas, preservando o maior ativo de qualquer empresa: a confiança do mercado e reputação da marca”, finaliza.
O mercado segurador brasileiro encerrou 2025 em trajetória de expansão, com sinais de fortalecimento da concorrência, crescimento real das receitas e manutenção da rentabilidade das companhias. Essa é a principal conclusão do novo Ranking das Seguradoras, divulgado pelo Sincor-SP e elaborado pelo economista Francisco Galiza, tradicional estudo que acompanha a evolução do setor e serve como referência para corretores e executivos na análise dos movimentos da indústria.
A nova edição mostra que o mercado segue ampliando sua base de participantes. O número de grupos seguradores atuando nos produtos de risco alcançou 96 companhias, acima dos 90 registrados no ano anterior e dos 84 observados em 2022. O avanço revela um setor cada vez mais atrativo para investidores e novos entrantes, ampliando a disputa por mercado e pressionando empresas a buscar eficiência operacional e inovação.
Segundo Galiza, o crescimento do setor ocorreu acima da inflação, sinalizando ganho real de escala. O levantamento aponta expansão de aproximadamente 11% no segmento de produtos de risco, diante de uma inflação próxima de 5%. A análise considera que as seguradoras conseguiram preservar resultados mesmo em um ambiente de maior competição e desafios econômicos. “Avaliando receita e lucro, as seguradoras mantiveram sua rentabilidade. O crescimento é real. O cenário para o futuro é bom”, destacou Galiza durante a apresentação do estudo.
O levantamento também mostra que, embora a entrada de novas empresas esteja ampliando a concorrência, a liderança do mercado continua concentrada. Os cinco maiores grupos seguradores em produtos de risco permanecem os mesmos: Bradesco, SulAmérica, Porto Seguro, Banco do Brasil e Zurich Santander. Juntas, essas companhias concentram entre 50% e 55% da participação de mercado, mantendo praticamente a mesma configuração observada nos anos anteriores.
Na avaliação do estudo, o setor atravessa um momento de consolidação de tendências iniciadas após a pandemia. Desde 2020, o mercado vem registrando crescimento real recorrente, sustentado por maior conscientização sobre proteção financeira, diversificação de produtos, avanço da digitalização e ampliação da oferta em diferentes nichos.
Outro ponto destacado é a capacidade de recuperação e adaptação do setor diante de eventos adversos. Mesmo após episódios climáticos relevantes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, a indústria manteve sua curva de crescimento, demonstrando resiliência operacional e capacidade de absorção de riscos.
Para 2026, a leitura do mercado permanece positiva. O crescimento do número de participantes, a estabilidade da rentabilidade e o aumento da demanda por proteção indicam que o setor ainda possui amplo espaço para expansão. A expectativa é de continuidade dos investimentos em tecnologia, novos produtos e modelos de distribuição capazes de ampliar a penetração do seguro no país.
Para os corretores, o estudo funciona como um termômetro importante do setor. “Com este relatório, o Sincor-SP disponibiliza informação valiosa para compreender o cenário atual e definir oportunidades de empreendedorismo”, afirmou o presidente da entidade, Boris Ber.
Uma mudança silenciosa, mas simbólica, mexeu com um dos pilares históricos do mercado brasileiro de resseguros. Pela primeira vez desde a criação do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), em 1939, a companhia deixa a liderança do ranking de grupos resseguradores que mais recebem negócios do mercado brasileiro. O novo líder é a Allianz, movimento que já provoca discussões técnicas e estratégicas nos bastidores do setor.
Estes dados, entre outras análises do mercado de resseguros e de ILS, constam na nova edição do estudo [Re]vision Research, idealizada e patrocinada pela Abecor, e mostram a Allianz com participação de 13,1% do mercado, enquanto o IRB caiu para 11,8%, recuo de 4,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
O episódio expõe uma transformação estrutural do mercado brasileiro e reacende um debate delicado: o crescimento do resseguro intragrupo e seus efeitos sobre a competitividade local. O próprio estudo afirma que “os efeitos do resseguro intragrupo moldam os rankings” e destaca que grupos seguradores globais passaram a ocupar as primeiras posições entre cedentes e resseguradores.
Nos corredores do Encontro de Resseguros, realizado esta semana no Rio de Janeiro, o tema dividiu opiniões. Alguns executivos veem a mudança como consequência natural da globalização dos grupos seguradores. Outros avaliam que ela merece atenção regulatória, sobretudo pelo potencial de alterar condições competitivas no mercado brasileiro de seguros.
Fontes ouvidas sob condição de anonimato afirmam que a liderança da Allianz foi fortemente impulsionada pelo aumento do resseguro intragrupo, especialmente em carteiras massificadas, como automóveis. A lógica é relativamente simples: a seguradora brasileira transfere parte relevante do risco para resseguradoras do próprio grupo no exterior, concentrando prêmio e resultado em outras jurisdições, muitas delas com cargas tributárias com cargas mais favoráveis.
De acordo com nota da Allianz, a liderança é uma consequência de vendas. “Para fazer frente aos sinistros causados pelas mudanças climáticas, a Allianz passou a oferecer mais coberturas nas carteiras de Automóvel, Agro e Massificados, o que reforça a necessidade de resseguro. No caso de Agro, houve a ampliação do tipo de culturas, que agora são cobertas pela Allianz, e nos massificados a inclusão da cobertura de alagamento, por exemplo. Isso beneficia muito o segurado, que agora está sendo indenizado por danos que antes não eram cobertos.”
O estudo já identifica esta dinâmica se intensifica recente. Segundo a publicação, o resseguro intragrupo, historicamente utilizado em grandes riscos corporativos, passou a avançar também para linhas de varejo, como automóveis. O tema desperta sensibilidade porque a discussão vai além do resseguro, impacta as seguradoras brasileiras de grandes riscos e as de linhas massificadas. Na prática, participantes do setor apontam que a transferência de operações para estruturas internacionais pode gerar vantagens econômicas relevantes.
Uma das principais questões está relacionada à carga tributária. O Brasil possui uma estrutura de impostos considerada mais pesada que diversas jurisdições internacionais. Ao deslocar parte do resultado para outras geografias, grupos globais podem operar sob condições tributárias potencialmente mais favoráveis.
Nos bastidores, há quem use termos mais fortes, como “evasão de divisas”. Mas especialistas ponderam que a leitura exige cautela. O debate não deve ser tratado como um problema específico do IRB ou como justificativa para mudanças protecionistas. Tampouco se trata de um tema novo. Trata-se de um modelo operacional permitido pela regulamentação atual e adotado globalmente por grandes grupos seguradores.
A preocupação maior, segundo participantes do mercado, deveria estar menos no impacto sobre o IRB e mais nos efeitos concorrenciais entre seguradoras que disputam o segmento de automóveis. Se determinados grupos conseguem operar com estruturas globais mais eficientes, parte desse ganho pode ser convertida em preços mais agressivos, alterando a dinâmica competitiva do mercado local.
A discussão ganha ainda mais relevância porque ocorre num momento em que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) mantém grupos de trabalho debatendo ajustes e aperfeiçoamentos do novo marco legal do seguro e de contratos ligados ao resseguro.
Há uma memória regulatória sensível nesse tema. O estudo lembra que mudanças infralegais realizadas ao final de 2019 flexibilizaram operações intragrupo e facilitaram retrocessões das resseguradoras locais. O efeito, segundo os autores, foi imediato: a retenção doméstica iniciou uma trajetória de queda acelerada.
Hoje, a produção doméstica de resseguro representa apenas 27% do volume cedido pelas seguradoras brasileiras, patamar próximo das mínimas históricas. Ao mesmo tempo, o próprio IRB também atravessa um momento de redefinição estratégica. A companhia ampliou sua atuação internacional e busca novas frentes de crescimento, incluindo a criação de uma seguradora patrimonial própria, em movimento que busca diversificar receitas e reduzir dependência do modelo tradicional.
Por isso, a perda da liderança pode representar menos uma derrota isolada e mais um retrato de um setor em transformação. Depois de décadas em que o IRB funcionou quase como sinônimo do mercado brasileiro de resseguros, a mudança de ranking mostra que o setor passa por uma nova fase: mais internacionalizada, mais integrada a estruturas globais e, possivelmente, mais desafiadora para reguladores e concorrentes.
O mercado de resseguros vive uma mudança de ciclo que está redesenhando a dinâmica competitiva do setor no Brasil. Após um período de endurecimento de preços entre 2023 e 2024, impulsionado pela restrição de capital global, o setor entrou em uma fase conhecida como “soft market”, caracterizada pelo aumento da oferta de capacidade, queda das taxas e maior poder de negociação nas mãos dos compradores. Para seguradoras e resseguradoras, o momento traz oportunidades de expansão, mas também exige mais disciplina técnica.
A avaliação é de Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter Brasil, durante entrevista nos bastidores do encontro de resseguros realizado no Rio de Janeiro. O evento reuniu lideranças do mercado brasileiro e executivos internacionais para discutir tendências, novas estruturas de capital e perspectivas do setor. “O mercado soft é o mercado comprador. Seja para o cliente final, seja para o comprador de resseguro. Hoje a dinâmica está totalmente favorável ao comprador”, afirmou Farme.
Segundo o executivo, a fase atual marca uma reversão importante do movimento observado nos últimos dois anos. Diferentemente do que se poderia imaginar, o endurecimento anterior não foi provocado principalmente por grandes perdas catastróficas, mas por uma redução da base global de capital disponível.
Farme explica que, nos últimos anos, eventos climáticos globais vêm produzindo perdas recorrentes na casa de US$ 100 bilhões anuais, patamar que, embora elevado, continua absorvível pela indústria global. O que efetivamente pressionou o mercado entre 2023 e 2024 foram fatores macroeconômicos. “O endurecimento não veio das perdas. O que endureceu o mercado foi um efeito financeiro: juros, inflação, remarcação de ativos e redução de capital disponível”, explicou.
Na prática, taxas maiores e resultados robustos geraram um movimento clássico dos ciclos de seguros: capital atraindo mais capital. Com o aumento da rentabilidade das resseguradoras, novos investidores passaram a enxergar oportunidades no setor, ampliando a capacidade disponível.
O resultado já pode ser observado no Brasil, que, segundo Farme, entrou no ciclo soft de forma até mais acelerada do que outros mercados. “O mundo começou a entrar nesse ciclo na segunda metade do ano passado. O Brasil acelerou muito no primeiro semestre deste ano”, afirmou.
Esse aumento de capacidade vem ocorrendo tanto pela expansão dos resseguradores tradicionais quanto pela chegada de novos participantes e plataformas especializadas. Movimentos recentes ilustram a tendência. Entre eles estão iniciativas da Pátria, crescimento de grupos como Arch, Hannover e Grange, além do avanço de plataformas dedicadas a estruturar operações de resseguro e fornecer capital para novas estruturas.
Além dos novos participantes, a tecnologia aparece como um dos principais vetores de transformação do mercado. Farme afirma que plataformas digitais estão permitindo às companhias ampliar escala de distribuição e processar volumes antes inviáveis por estruturas tradicionais. “Estamos vendo companhias conectando 15 mil, 30 mil corretores em plataformas digitais e realizando dezenas de milhares de cotações”, afirmou.
Segundo ele, a digitalização deixou de ser diferencial competitivo para se tornar requisito básico para atuação. “Virou algo obrigatório. Quem quer crescer no pequeno e médio mercado precisa ter tecnologia. Sem isso, fica difícil competir”, disse. A nova realidade, porém, não gera apenas entusiasmo. A queda das taxas impõe desafios importantes às seguradoras e resseguradoras, que precisam ampliar volume para preservar receitas. “Para atingir a mesma meta, será preciso produzir muito mais”, afirmou Farme.
Na prática, margens menores exigem maior exposição ao risco e revisão dos modelos de subscrição. O cenário demanda menos conservadorismo e análises mais refinadas. “Será preciso trabalhar mais, apertar os modelos e fazer conta na ponta do lápis”, resumiu.
Apesar da maior competição, o executivo observa que praticamente todas as linhas de negócios vivem dinâmica semelhante. A única exceção relevante é o seguro garantia, que ainda apresenta algumas limitações de capacidade para determinados riscos, embora permaneça competitivo.
Ao mesmo tempo, o ambiente macroeconômico adiciona elementos de atenção. Empresas altamente endividadas, crescimento das recuperações judiciais e possível redução de investimentos em prevenção de riscos podem criar um ambiente mais desafiador para resultados técnicos.
Segundo Farme, historicamente há dois momentos em que a sinistralidade tende a subir: em períodos de forte retomada econômica, quando ativos operam em elevada intensidade, e em cenários de forte estresse financeiro. “Se você soma elevado endividamento, menor investimento em prevenção e taxas mais baixas, pode ter um cenário de perdas mais alto”, afirmou.
Ele pondera que esses fatores isoladamente não garantem deterioração, mas elevam a probabilidade de pressão sobre os resultados. Mesmo diante dos desafios, o executivo vê o atual momento mais como oportunidade do que ameaça. “O mercado soft separa os muito mal-humorados daqueles que enxergam oportunidade. Nós estamos no grupo que vê oportunidade”, afirmou.
O encontro de resseguros no Rio refletiu essa percepção. O evento atraiu grande número de executivos estrangeiros interessados não apenas no mercado local, mas também nos impactos das novas regras regulatórias, da reforma tributária e do potencial brasileiro em uma indústria ainda pouco explorada em segmentos como riscos climáticos, estruturas paramétricas e instrumentos ligados ao mercado de capitais.
Para Farme, o tamanho do Brasil faz do país um caso particular na América Latina. “O Brasil é um outlier em qualquer escala. Tudo aqui acontece em escala grande”, afirmou. Na visão do executivo, o país pode construir soluções próprias de inovação em riscos, especialmente em instrumentos ligados ao mercado financeiro. A combinação entre um mercado de capitais sofisticado e necessidades específicas brasileiras pode abrir espaço para novas estruturas.
Mas ele reconhece que os juros ainda representam uma barreira importante. “Com juros altos, qualquer ativo de risco se torna menos atrativo”, afirmou. Enquanto isso, o mercado segue em movimento. Mais capital, mais competição e mais tecnologia devem moldar os próximos capítulos de uma indústria que entra em uma nova fase — e que, como todo ciclo de seguros, exigirá capacidade de adaptação para separar vencedores e perdedores.
A Aon plc, empresa líder global em serviços profissionais, anunciou hoje que Kai-Frank Buechter e Tracy-Lee Kus serão co-CEOs da EMEA a partir de 1º de junho, com Buechter à frente da Europa Continental e o Norte da África e Kus responsável pelo Reino Unido, Irlanda, África do Sul e Oriente Médio. Além disso, Pedro Penalva será CEO da América Latina a partir de 1º de julho.
Buechter, Kus e Penalva irão se reportar a Greg Case, presidente e CEO global da Aon, e farão parte do Comitê Executivo da Aon. Alfonso Gallego de Chaves será Deputy CEO of EMEA a partir de 1º de junho, e Andrea Parisi será chair of Continental Europe a partir de 1º de janeiro de 2027, ambos se reportando a Buechter. As regiões da América do Norte e APAC continuarão sob a liderança de Anne Corona e Jennifer Richards, respectivamente.
“Enquanto continuamos acelerando nossa estratégia Aon United para servir nossos clientes com excelência em um momento de crescente necessidade, estamos animados para anunciar novas responsabilidades regionais para Kai-Frank, Tracy-Lee e Pedro, a fim de avançar na forma como entregamos valor aos clientes dentro e através das nossas regiões”, comentou Case.
Buechter traz uma vasta experiência de mais de 26 anos na Aon, recentemente como CEO da região DACH, com responsabilidades na Alemanha, Áustria e Suíça. Anteriormente, Buechter foi CEO da Aon Risk Solutions Alemanha, Chairman do Conselho Diretivo da Aon Holdings Deutschland GmbH e Chief Commercial Officer da Aon Risk Solutions Alemanha, entre outros cargos de liderança e atendimento ao cliente.
“Os clientes de EMEA enfrentam maior volatilidade e complexidade,” comentou Buechter. “Estou animado para trabalhar ao lado de Tracy-Lee para potencializar nosso momentum em oferecer ideias acionáveis, capacidades diferenciadas de Risk Capital e Human Capital e experiência líder aos nossos clientes.”
Kus traz mais de três décadas de experiência em funções de subscrição e corretagem, com uma carreira global na África do Sul, Reino Unido e Ásia. Recentemente foi CEO do Global Broking Center da Aon, onde impulsionou a estratégia de mercado, fortaleceu o acesso à capacidade global e ofereceu soluções diferenciadas aos clientes. Kus está apoiando o processo de transição de suas responsabilidades no Global Broking Center e permanecerá nesse cargo até que um novo líder seja nomeado. Anteriormente, Kus foi Head of Commercial Risk para a região APAC da Aon e antes ocupou vários cargos de liderança, incluindo Head of North Asia, Strategic Account Manager para grandes instituições financeiras e líder de Serviços Financeiros e Profissionais da Aon no Reino Unido. Kus também é chair of London and International Insurance Brokers’ Association (LIIBA).
“É um privilégio liderar a presença da Aon em EMEA ao lado de Kai-Frank,” comentou Kus. “Estou ansiosa para continuar impulsionando o trabalho de nossos times de alta performance para entregar capacidades e experiência de ponta aos nossos clientes.”
Desde que Pedro Penalva entrou na Aon há mais de 15 anos, exerceu diversas funções de liderança nas esferas de clientes, países e regiões Recentemente, como Head of Enterprise Clients para EMEA, Penalva contribuiu para entregar capacidades integradas globalmente da Aon para mais de 150 clientes empresariais em 10 países da região. Anteriormente, Penalva foi CEO da Ibéria, África e Israel, Chief Commercial Officer de contas multinacionais para EMEA, Global Client Network Director para EMEA e CEO para Aon em Portugal. Penalva está apoiando o processo de transição de suas responsabilidades em EMEA Enterprise Client e permanecerá nesse cargo até que um novo líder seja nomeado.
“É uma grande honra liderar a Aon na América Latina e servir nossos colegas e clientes na região,” disse Penalva. “Num momento em que nossos clientes enfrentam uma complexidade e volatilidade sem precedentes, a força de nossas capacidades integradas, a profundidade de nossa experiência e a relevância de uma empresa conectada globalmente nunca foram tão importantes. Espero avançar em nossa estratégia em estreita colaboração com um time excepcional que define o que torna a Aon única.”
Com essa transição, a CEO de EMEA Julie Page e o CEO da América Latina Alejandro Galizia serão chairs de EMEA e América Latina durante 2026, respectivamente, e depois serão senior advisors da Aon até 2027. Jane Kielty irá apoiar a transição de liderança no Reino Unido, Irlanda e África do Sul.
Case acrescentou: “Agradecemos a Julie, Jane e Alejandro por sua liderança, pelas importantes contribuições no atendimento aos nossos clientes e na construção da empresa, assim como pelos times que desenvolveram e que continuarão impulsionando nosso trabalho.”
Page comentou: “Me sinto incrivelmente orgulhosa do que conquistamos juntos durante a primeira fase do nosso Plano 3×3. Agora é o momento ideal para que a próxima geração de líderes impulsione o negócio, e estou animada para apoiá-los enquanto constroem sobre esse forte momentum.”
Galizia acrescentou: “Depois de mais de 25 anos na Aon, sinto um enorme orgulho ao refletir sobre o caminho que percorremos juntos na América Latina. Tive o privilégio de presenciar e contribuir para a transformação da Aon na empresa que é hoje. Acima de tudo, são nossas pessoas, seus valores e sua paixão que tornaram essa jornada verdadeiramente significativa, e estou animado com o futuro da região sob a liderança de Pedro.”
A Porto conquistou o 3º lugar no ranking ‘LinkedIn Top Companies 2026: as 10 melhores empresas para o crescimento profissional em São Paulo’, levantamento divulgado pela plataforma com base em dados sobre evolução de carreira, desenvolvimento de competências e retenção de talentos.
A lista reúne empresas que se destacam por oferecer oportunidades consistentes de desenvolvimento profissional e avanço de carreira. A metodologia do ranking considera oito pilares relacionados ao desenvolvimento de carreira, como progressão profissional, aquisição de competências, estabilidade, afinidade com a cultura organizacional e diversidade de gênero.
“Estamos muito orgulhosos de estar entre as melhores empresas para o crescimento profissional em São Paulo. Esse prêmio reforça a nossa missão: fazer da Porto um lugar onde todo mundo sinta prazer em fazer parte e possa viver a nossa essência no dia a dia”, afirma Patrícia Coimbra, diretora de Gente e Cultura da Porto.
O novo marco legal dos seguros e seus efeitos sobre o mercado de resseguros dominaram parte relevante das discussões do Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (20), em um ambiente marcado por expectativa do mercado em relação às respostas da Superintendência de Seguros Privados (Susep) às contribuições encaminhadas durante a consulta pública que revisa regras do setor.
O tema ganhou espaço justamente em um momento em que o mercado opera em ambiente considerado favorável para expansão dos negócios. A elevada capacidade global disponível — fase conhecida como mercado soft — amplia o acesso ao capital ressegurador e pode estimular a entrada de novos participantes, produtos e soluções em nichos ainda pouco explorados no país. Ao mesmo tempo, as mudanças regulatórias passaram a ser vistas como peça central para definir como essa nova etapa de crescimento ocorrerá.
Na abertura do painel sobre o novo marco legal, a moderadora Ana Paula de Almeida Santos destacou que a Lei nº 15.040 representa um avanço institucional ao consolidar um sistema único para contratos de seguros e aproximar o Brasil de modelos adotados em mercados mais maduros, como Itália, França, Portugal, Espanha, Argentina e Chile.
Segundo ela, o processo foi resultado de anos de discussão envolvendo seguradoras, resseguradoras, governo, acadêmicos e consumidores, garantindo legitimidade ao texto aprovado. Um dos pontos considerados mais relevantes foi a inclusão inédita de um capítulo específico para resseguro — tema que inicialmente não estava previsto no projeto.
A nova legislação passou a reunir cinco artigos específicos para o segmento, abordando temas como aceitação tácita pelo silêncio da resseguradora após prazo de análise, responsabilidades entre as partes, regras processuais e aspectos ligados à recuperação de créditos e despesas relacionadas a sinistros.
Apesar do avanço institucional, a regulamentação prática ainda gera dúvidas. A consulta pública promovida pela Susep sobre operações de resseguro, retrocessão, cosseguro e operações internacionais abriu uma série de debates técnicos e jurídicos que seguem em análise.
Durante o painel “O atual ambiente do mercado de resseguros”, o diretor da Susep Carlos Queiroz afirmou que a autarquia trabalha na consolidação das contribuições recebidas e indicou que as respostas ao mercado podem ser divulgadas em breve, possivelmente até julho. Segundo ele, apenas a minuta relacionada ao resseguro recebeu mais de 200 sugestões do mercado. O volume de contribuições, segundo o executivo, levou a reflexões importantes sobre temas considerados sensíveis para a operação do setor.
Entre os pontos em discussão estão a oferta preferencial para resseguradores locais, cláusulas relacionadas ao controle e cooperação em sinistros, responsabilidades operacionais e aspectos ligados à contratação e execução dos contratos. Presidente da Fenaber, Rafaela Barreda afirmou que o setor ainda atravessa uma fase de adaptação e não de acomodação às novas regras. Segundo ela, a ausência de definições regulatórias cria interpretações distintas e amplia as incertezas do mercado. “Infelizmente não tivemos todas as respostas que gostaríamos de ter hoje. O mercado não se adaptou; ele está em fase de adaptação”, afirmou.
Segundo a executiva, algumas interpretações passaram a ser tratadas como obrigações legais quando, na visão do mercado, ainda demandam esclarecimentos adicionais. Rafaela reforçou que a relação entre seguradora e segurado continua sendo distinta da relação entre seguradora e ressegurador, estrutura presente desde o Decreto-Lei nº 73. Para ela, cada cedente mantém autonomia para definir sua estratégia de aquisição de resseguro, enquanto cabe ao ressegurador estabelecer apetite, capacidade e interesse por determinadas operações.
Sob a ótica do segmento, a lei trouxe uma agenda relevante de ajustes operacionais e maior necessidade de clareza contratual. A executiva destacou ainda que operações complexas exigem níveis adicionais de governança, disciplina operacional e troca de informações entre seguradoras, resseguradores e corretores. “A gente está construindo o novo normal para entender como o mercado vai funcionar”, afirmou.
Vera Carvalho Pinto, Latin America Reinsurance Legal Counsel da Chubb, definiu o mercado brasileiro de resseguros como um jovem adulto na América Latina em resseguro, que demonstra muito preparo. “Esse amadurecimento em curto espaço de tempo se deve a todos. O mercado abriu em 2007 e, desde então, vem se harmonizando com o mercado internacional”. Ela ressaltou o quanto a legislação brasileira se harmonizou às regras internacionais. “Agora, com o marco legal de seguros, é mais um passo. Toda legislação nova traz um desconforto, mas o mercado brasileiro reagiu com muita maturidade, rapidamente se mobilizou e reavaliou os seus procedimentos”. Neste ponto, a atuação do broker de resseguro foi fundamental para reduzir assimetrias.
“De maneira prática, nós buscamos criar grupos multidisciplinares para capacitar todas as áreas sobre o conhecimento da nova lei em profundidade, além de promover debates e workshops com a nossa base de clientes e buscamos entender os pontos de maior sensibilidade para cada parte dessa cadeia”, compartilhou Stephanie Fonseca, deputy CEO da Guy Carpenter e membro do Comitê Executivo Latam e Head de Market Intelligence. Ela ressaltou o profissionalismo de todos os elos da cadeia de seguros e resseguros.
Nos corredores do encontro, a avaliação é que a discussão deixou de ser apenas jurídica. Em um ambiente de maior oferta global de capital, a forma como a regulamentação será calibrada poderá influenciar a atração de capacidade internacional, a expansão da concorrência e o desenvolvimento de soluções para riscos ainda pouco explorados no país, como já mostra a matéria sobre o estudo na nova edição do estudo [Re]vision Research, produzido pela Abecor, e mostram a Allianz com participação de 13,1% do mercado, enquanto o IRB caiu para 11,8%, recuo de 4,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Advogados temem engessamento do setor
Advogados especializados do setor fizeram um alerta: o excesso de intervenção regulatória pode comprometer a competitividade do mercado brasileiro, afastar práticas internacionais consolidadas e dificultar a transferência eficiente de riscos para o exterior.
O tema foi debatido durante painel sobre os desafios da regulamentação do resseguro, nesta quarta, 20, no Encontro de Resseguro, que reuniu especialistas de alguns dos principais escritórios de advocacia do País. Para Marcelo Mansur, sócio da Mattos Filho Advogados, o principal desafio está em evitar que a regulação crie distorções incompatíveis com a natureza internacional do resseguro. Segundo ele, seguradoras e resseguradoras devem ser vistas como “parceiras do risco”, o que exige contratos equilibrados e cláusulas capazes de preservar interesses convergentes.
“O resseguro não pode ser tratado como se fosse seguro tradicional”, afirmou. Mansur criticou a tentativa de aplicar, por analogia, regras do mercado segurador ao resseguro, especialmente em temas como transferência de carteira e arbitragem. “Nem tudo precisa ser análogo. Quando a analogia é mal aplicada, ela deixa de ajudar e passa a atrapalhar”, disse.
O advogado também demonstrou preocupação com propostas regulatórias relacionadas à arbitragem internacional. Segundo ele, a legislação brasileira não determina que disputas de resseguro devam obrigatoriamente seguir lei brasileira ou ter sede arbitral no País. “A Susep foi além do que a lei prevê. Isso pode engessar o mercado por muitos anos”, avaliou.
Na mesma linha, João Marcelo, sócio fundador do Santos Bevilaqua Advogados, destacou que o resseguro é, por essência, uma atividade global e que qualquer tentativa de excesso regulatório pode prejudicar diretamente o desenvolvimento do mercado de seguros nacional. “O resseguro eficiente é instrumento de desenvolvimento econômico. Quando barreiras excessivas são criadas, o mercado deixa de operar de forma ótima e toda a cadeia sofre os impactos”, afirmou.
Segundo ele, embora existam diferentes visões sobre maior ou menor intervenção estatal, a realidade internacional do setor não pode ser ignorada. “Muitas vezes, a ausência de regulação é mais eficiente do que uma regulação excessiva”, disse.
Já Marcia Cicarelli, sócia da Demarest Advogados, apontou preocupação com interpretações regulatórias relacionadas às cláusulas de controle e cooperação em contratos de resseguro. Para ela, a leitura proposta pela Susep extrapola os limites da própria legislação.
“As cláusulas de controle e cooperação são típicas do contrato de resseguro no mercado internacional. A lei não proíbe essas práticas”, afirmou. A advogada também criticou possíveis restrições à arbitragem internacional, defendendo que a autonomia das partes deve ser preservada em contratos sofisticados e internacionais.
A discussão também avançou sobre o tratamento jurídico diferenciado entre grandes riscos corporativos e seguros massificados. Ilan Goldberg, sócio da Chalfin, Goldberg, Vainboim Advogados, ressaltou que grandes empresas possuem capacidade técnica, econômica e jurídica muito distinta da observada no consumidor comum, o que justificaria tratamentos regulatórios diferentes. “Quando o direito ignora a realidade, a realidade se vinga ignorando o direito”, afirmou, ao defender maior respeito à autonomia privada em relações empresariais complexas.
Para Raíssa Campelo, sócia da Pinheiro Neto Advogados, o principal desafio do Brasil é construir segurança jurídica sem inviabilizar práticas internacionais consolidadas no resseguro. Segundo ela, o mercado precisa de previsibilidade regulatória para manter a confiança de investidores estrangeiros. “Precisamos construir um ambiente de segurança jurídica porque existem regras, e não apesar delas”, disse.
A advogada também reforçou a importância da arbitragem, mediação e negociação como instrumentos mais adequados para resolução de conflitos em um mercado altamente especializado e internacionalizado.
O moderador Sergio Mello, sócio da Mello, Machado Advogados, destacou que, apesar das incertezas regulatórias, o mercado internacional segue enxergando o Brasil como um ambiente estratégico para o resseguro. “O Brasil continua sendo um país cheio de oportunidades. O mercado internacional está acostumado a mudanças regulatórias e não pretende deixar o País”, concluiu.
Recebi hoje com profunda tristeza a notícia do falecimento de Possiede, um dos grandes nomes do mercado segurador brasileiro e, para mim, muito mais do que uma importante fonte: um amigo querido de mais de 30 anos.
Ao longo da minha trajetória no jornalismo especializado, Possiede esteve sempre entre aquelas pessoas raras que entendiam o valor da informação e respeitavam o papel da imprensa. Era alguém que atendia telefonemas, retornava mensagens, explicava temas complexos, contextualizava cenários e fazia isso sem pressa, sem vaidade e com uma generosidade difícil de encontrar.
Tornou-se uma das minhas fontes favoritas. Não apenas pela competência técnica, reconhecida por todos no setor, mas porque havia algo maior: a capacidade de compartilhar conhecimento de forma genuína e humana.
Sua trajetória também se confunde com a história recente do mercado segurador brasileiro. Possiede construiu uma carreira de décadas, com passagens marcantes pelo Bamerindus Seguros e pela JMalucelli Seguradora, onde se consolidou como uma das maiores referências do setor. Mais do que ocupar cargos de liderança, ajudou a desenvolver um mercado. Foi um dos executivos que praticamente construíram as bases do Seguro Garantia no Brasil, modalidade que ganhou força e se transformou em uma importante ferramenta para infraestrutura, concessões e negócios do país. (Associação Panamericana de Fianzas)
Nos últimos anos, estava afastado do dia a dia do mercado. O tempo naturalmente muda os papéis, afasta rotinas, silencia agendas. Mas há pessoas cuja presença permanece intacta. Possiede era assim. Mesmo distante das atividades executivas, seguia com a mente brilhante, observações inteligentes, memória admirável e a mesma elegância de sempre.
O mercado de seguros perde hoje um executivo respeitado, um pioneiro e um construtor. Eu perco alguém que acompanhou parte importante da minha caminhada profissional e pessoal.
Há pessoas que deixam cargos. Outras deixam legado. Possiede deixa lembranças, ensinamentos e uma saudade imensa.
Meus sentimentos à família, aos amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.
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