Ex-presidente da Qualicorp lança operadora Qsaúde com planos a partir de R$ 246

O empresário José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp, lançou sua nova operadora de planos de saúde, a Qsaúde, que recebeu investimentos de R$ 120 milhões. Inicialmente voltado para a cidade de São Paulo, o novo serviço oferecerá planos com mensalidades a partir de R$ 246,39, segundo comunicado divulgado pela companhia.

Segundo ele, o objetivo é oferecer um atendimento personalizado e humanizado. Seus usuários serão atendidos por médicos de família da Clínica Einstein e contarão com telemedicina 24 horas via aplicativo, por meio do botão Qcuidado.

A nova empresa contará ainda com parceiros de atendimento renomados como os hospitais Albert Einstein, Oswaldo Cruz, HCor, Santa Catarina (pediatria), H.Olhos e as maternidades Pro Matre, Santa Joana e Santa Maria. Para realização de exames, participam os centros de diagnósticos Delboni, Salomão Zoppi e Lavoisier e o do próprio Einstein. A opção de rede credenciada se dá de acordo com a modalidade de plano contratada.

A nova empresa, lançada no Dia do Médico, terá ampla campanha publicitária criada pela agência África com o slogan “Qsaúde – Agora a sua saúde tem um plano”. O casal Flávia Alessandra e Otaviano Costa foi o escolhido para apresentar a nova operadora de planos de saúde. O foco é a população da capital paulista que não tem plano de saúde ou que esteja insatisfeito com o seu plano atual.

Mitsui Sumitomo e seu cuidado com as Pessoas

“Percebemos no dia a dia funcionários engajados em aprimorar relacionamentos, fazer bons negócios, mais participativos, com mais diálogo”, diz Julia Frazatto, superintendente de Recursos Humanos e Marketing

Uma das principais pautas das seguradoras neste mês de outubro, depois das comemorações do Dia do Corretor e do Dia do Securitário, é sobre a retomada das atividades presenciais. Não é pra menos. Todo detalhe tem de ser exaustivamente discutido para preservar a saúde de todos. Saúde física, mental e financeira. Segundo Julia Frazatto, superintendente de Recursos Humanos e Marketing da Mitsui Sumitomo Seguros, o grupo tem estudado o tema e prepara uma volta aos 300 profissionais que compõem o quadro de funcionários. “Estamos trabalhando bem próximos dos gestores para acompanhar como os times estão e como podemos oferecer o melhor para cada uma dessas pessoas, dentro de suas especificidades e necessidades”, contou ela ao blog Sonho Seguro. 

A pandemia teve um efeito diferente em cada pessoa, mas um ponto em comum foi o temor de ficar desempregado. Ciente disso, um passo importante para tranquilizar a equipe foi dado logo no início da pandemia, quando o grupo aderiu ao movimento #naodemita. Certamente foi determinante para que todos vencessem os primeiros desafios dos diversos ajustes necessários para montar um local de trabalho em casa. Passado isso, a grata surpresa: 100% da equipe em homeoffice, com 100% da operação funcionando sem problemas, com crescimento das vendas e atendimento a corretores e clientes fluindo sem ruídos.  

Esta pandemia trouxe diversas mudanças. Uma delas foi quebrar barreiras. “Criamos uma nova cultura dentro da Mitsui Sumitomo, que tem a palavra Tomoni como símbolo”, diz ela. “O termo significa ‘estamos juntos’ e a equipe abraçou isso. Percebemos no dia a dia funcionários engajados em aprimorar relacionamentos, fazer bons negócios, mais participativos, com mais diálogo”. 

As mudanças afetam vários aspectos da companhia. Um deles é o físico. Em obras aceleradas, o projeto de arquitetura traz um ambiente moderno, integrado, onde as pessoas têm mobilidade e se sentem à vontade para trabalhar onde quiserem, seja na mesa, no sofá, na sala de reunião. A primeira novidade ao voltar será encontrar um ambiente sem barreiras, sem diferenciação entre os níveis hierárquicos. Acabaram as baias. “Presidente não tem mais sala própria. Esta mudança comprova o cuidado que temos com as pessoas que trabalham aqui. Sinaliza o quanto valorizamos a participação de todos na construção do diálogo, com diversidade, sem distinção de hierarquia e com toda a personalidade da Mitsui Sumitomo”. 

Enquanto uma equipe prepara o ambiente físico para receber os funcionários, o RH tem conversado com todos para poder organizar uma volta ao trabalho que beneficie a todos. “Vamos respeitar o desejo de quem quer voltar, o momento de vida integrado no trabalho, a escola das crianças,  o uso do transporte público. Cada detalhe tem de ser preparado para que todos voltem com tranquilidade”.  

Os funcionários estão confiantes de que será no momento certo. “Temos vários canais de comunicação com a equipe. Desenvolvemos embaixadores, que são funcionários que facilitam a troca de informações, sugestões e esclarecimento de dúvidas. Eles ajudam a equipe de RH a desenvolver um relacionamento virtual mais humano e assertivo para que possamos alimentar bons sentimentos em todos. O café do nosso vice-presidente, Helio Kinoshita, com o grupo também traz muita confiança a equipe, uma vez que as informações são muito transparentes, contínuas desde o dia 23 de março, quando passamos a trabalhar em homeoffice”. 

Enquanto a Mitsui Sumitomo se esforça para reabrir com segurança os locais de trabalho, a equipe aguarda trabalhando, pois sabe que isso vai acontecer quando todos estiverem preparados. Isso é Tomoni!

Consultoria Partenariat comemora a classificação de duas clientes no sandbox da Susep

Michel Dubernet
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“Continuaremos a vivenciar transformações que serão um celeiro de oportunidade para empresas e profissionais mais ágeis e antenados”, diz Michel Dubernet

O consultor Michel Dubernet, que já foi CEO da Cardif na América Latina e vice-presidente da Axa, foi um dos responsáveis pela classificação de duas das 11 insurtechs que participaram do programa de sandbox da Superintendência de Seguros Privados (Susep). “Ficamos muito felizes que duas das nossas clientes foram selecionadas”, comemora.

Há dois anos ele abriu uma consultoria especializada em seguros chamada Partenariat, que significa parceria em francês, e assessorou a 88io e a Emotion Seguros. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida por Dubernet ao blog Sonho Seguro.

Qual o trabalho da consultoria neste processo do sandbox da Susep?

Estruturamos e elaboramos toda a documentação requerida pela Susep no edital de participação do projeto Sandbox. Para conseguir a aprovação, construímos junto com os empreendedores o plano de negócios, contendo detalhes do funcionamento da futura seguradora, desde objetivos estratégicos, entendimento do mercado, missão e visão, tecnologia e panorama operacional, incluindo arquitetura, segurança e prova de conceito, passando por plano de negócios, governança e execução do projeto.

Qual o escopo de atuação da consultoria?

A Partenariat é formada por oito executivos com longa trajetória nos setores de seguros, resseguros e corretagem em Latam e na Europa, mas principalmente no Brasil. Em 2018 resolvemos empreender juntos e nos unimos para fornecer as melhores soluções de negócios, produtos e tecnologia nesses domínios. Acreditamos no poder transformador de parcerias genuínas que são ganha-ganha, por isso o nome Partenariat, que significa parceria em francês. E o que foi interessante é que o Projeto Sandbox nos proporcionou trabalhar em todas as dimensões de nossa especialidade, e de maneira simultânea, nos dois projetos, que foram bastante distintos entre si.

Em que áreas atuam?

Hoje atuamos com 5 serviços principais para criar valor aos nossos clientes, aportar nossa experiência no mercado e contribuir com a evolução da indústria dos seguros, como acesso ao mercado, construção da organização, capital humano e desenvolvimento de talento, criação de produtos e serviços e também governança, risco e conformidade.

Como vê o futuro do mercado de seguros no médio prazo?

O potencial de crescimento do mercado brasileiro é altíssimo, mas isso já virou um clichê. Acreditamos que a concretização deste potencial está intimamente ligada as novas tecnologias e as novas formas de distribuição, contratação e prestação de serviços. E também de novos produtos, numa operação fluida em meio a um mar de dados e informações. Mas tudo tem de estar em linha com as necessidades atuais do consumidor contemporâneo, digital e dinâmico como nunca antes, que ainda precisam ser completamente entendidas e experimentadas pela indústria. E como já vimos em diversos setores, a inovação de verdade não acostuma vir das grandes empresas estabelecidas, que precisam sempre correr para não ficar para trás. Pois a inovação verdadeiramente radical vem das start-ups entrantes, que tem outro ritmo e não tem o legado das grandes. Por isto muito louvável a iniciativa posta em prática pela Susep de facilitar a incursão destas empresas no mercado, mas sem deixar de lado a garantia de proteção ao consumidor.

Quais as principais mudanças que serão vitais para retomar a produção em 2021?

O arrefecimento da atual pandemia e a consequente recuperação econômica talvez sejam capazes por si só de propiciar a retomada dos patamares de produção pré COVID-19. Porem não será uma recomposição idêntica a situação de antes: as empresas que aproveitaram para rever suas estratégias, produtos e processos, sempre em linha com a necessidade do cliente, saberão aproveitar melhor as oportunidades propiciadas pelo rearranjo econômico e de hábitos na sociedade. Os setores que vem apresentando forte crescimento, acima dos 9% do mercado, como Saúde e Odonto, que cresceram cerca de 12% em 2019 com relação a 2018, foram fortemente impactados porque são típicos da economia formal, mas devem recuperar a toada de crescimento, com a retomada econômica. Eles representam cerca de 44% do total do mercado.

E os seguros de afinidade?

Os seguros de afinidade (cerca de 5% do mercado), que também tiveram forte crescimento recente (mais de 20%), tendem a continuar se expandindo, agora mais por meio digital, no e-commerce e através dos bancos digitais e Fintechs.

Acredita que o crescimento do setor está atrelado ao da economia?

Não é somente a retomada econômica que pode impulsionar o mercado ou o seguro garantia de obras de infraestrutura. Temos as novas regulamentações, como a lei anticorrupção e os desdobramentos da Lava Jato que já impulsionaram os seguros de responsabilidade civil de administradores (D&O e E&O). Temos o aceite do seguro como substituto de depósitos judiciais que impulsionaram esta modalidade de seguro garantia. Agora temos a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que está estimulando os seguros cibernéticos. Temos outras iniciativas, como os seguros intermitentes em ramos tradicionais como auto e acidentes pessoais, a contratação digital que diminui ou mesmo elimina os custos de intermediação, bem como o uso intensivo da tecnologia, com o potencial de redução das despesas administrativas. É certo que podem ser obstáculos ao crescimento da produção, pois são seguros mais baratos. Mas trarão certamente maior eficiência na alocação de capital e geração de bem-estar econômico a coletividade dos segurados. Continuaremos a vivenciar transformações que serão um celeiro de oportunidade para empresas e profissionais mais ágeis e antenados.

LUTO: Luiz Roberto Foz

O Brasil perdeu neste domingo (18) um dos maiores incentivadores do seguro rural no país. Luiz Roberto Foz tinha seu olhar voltado para as lavouras brasileiras e para a proteção do agronegócio. Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos executivos de destaque, entre eles os de CEO da Brasileira Rural e diretor-presidente da UBF Seguros. Foi também presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, de janeiro de 2012 a março de 2015.

“Luiz Roberto sempre apostou no potencial de crescimento do seguro rural e contribuiu para a sua disseminação no país. Ele costumava dizer que há uma demanda cada vez maior pela cobertura das atividades agropecuárias no Brasil e, mesmo assim, resta um potencial imenso a ser explorado pelas seguradoras. Deixa um legado inestimável e uma vasta contribuição para todo o setor de seguros”, disse Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Encontro de entidades de seguros de pessoas discute presente e futuro do ramo

Dirigentes de sete entidades estaduais analisaram as principais mudanças no ramo e projetaram o cenário para o pós-pandemia

por Márcia Alves

Organizado pelo CVG-SP, o inédito encontro virtual que reuniu sete entidades estaduais especializadas em seguro de pessoas, no dia 15 de outubro, trouxe uma visão abrangente das transformações no ramo e ajudou a delinear o cenário para o futuro. Com foco nas principais tendências, os dirigentes do CSP-BA, CSP-MG, CVG-ES, CVG-RJ, CVG-RS, CVG-SP e ISB Brasil (PR) debateram desde a ascensão do seguro de pessoas até as mudanças provocadas pela tecnologia – na subscrição de riscos, distribuição etc. –, apontando caminhos para o desenvolvimento.

Sob a mediação da jornalista Kelly Lubiato, editora da revista Apólice, e com transmissão ao vivo pelo canal do CVG-SP na internet, o evento foi realizado em duas etapas. Na primeira, os dirigentes responderam questões relacionadas ao presente e futuro do seguro de pessoas. Na segunda rodada, as perguntas vieram dos veículos da mídia especializada em seguros que apoiaram o evento: Apólice, Cobertura, CQCS, Insurance Corp, JNS, JRS, Roncarati, Seg News, Segurador Brasil, Seguro Nova Digital, Seguro Total, Seguros em Foco e Sonho Seguro.

Tendências

A pandemia ajudou a acelerar a transformação digital no seguro de pessoas, segundo a percepção da presidente do Clube de Seguros de Pessoas e Benefícios do Estado da Bahia (CSP-BA), Patrícia Jacobucci. Ela concluiu que o setor de seguros sempre foi digital e que deverá avançar nessa área. Para o presidente do Clube Vida em Grupo Espirito Santo (CVG-ES), Antonio Santa Catarina, a venda digital de seguros “é um processo irreversível, que deverá baratear o custo do seguro”.

A pandemia despertou o interesse do consumidor pelo seguro vida? “Nesse novo normal a prioridade é preservar vidas, disse o presidente do Clube Vida em Grupo Rio de Janeiro (CVG-RJ), Octávio Perissé. Ele elogiou as seguradoras que decidiram indenizar os sinistros provocados por covid-19 e também a agilidade dessas empresas na rápida adaptação ao home office.

Em relação ao futuro do ramo, a presidente do Clube de Seguros de Vida e Benefícios do Rio Grande do Sul (CVG-RS), Andréia Araújo, constatou que a pandemia trouxe um senso de urgência na contratação do seguro que o consumidor não tinha. “Talvez, este seja o maior legado, o de fazer o consumidor pensar no futuro e ser mais previdente”, disse. 

Se no passado, o processo de subscrição de riscos era binário – aceita ou não aceita riscos -, hoje, com a incorporação de novas tecnologias, os riscos até então excluídos passaram a ter mais chance de aceitação. Esta é a percepção do presidente do Clube Vida em Grupo São Paulo (CVG-SP), Silas Kasahaya. “Com base nos dados disponíveis, hoje, já é possível fazer uma avaliação precisa do risco”, disse.

Na visão de João Paulo Mello, presidente Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG), os corretores, principalmente, devem focar suas vendas no segmento de pequenas e médias empresas. Para Joceli Pereira, presidente do Instituto Superior de Seguros e Benefícios Brasil (ISB Brasil), com sede em Curitiba (PR), é possível melhorar a formação dos profissionais. “As entidades que proporcionam essa formação precisam se voltar para a produção de conhecimento e o fomento de pesquisas”, disse. 

Imprensa especializada pergunta

Carlos Pacheco, da revista Insurance Corp, quis saber se a tecnologia será a melhor estratégia no relacionamento entre corretores e clientes. Patrícia Jacobucci respondeu que sim, mas ressalvou que a venda consultiva não acabará. “O cliente precisará cada vez mais de um consultor”, disse. Já Joceli Pereira respondeu a Júlio Pereira, da Seguros em Foco, se a tecnologia pode melhorar a regulação de sinistros. “Agora, a indenização é a entrega do produto e a tecnologia veio para efetivar esse processo”, disse.

William Antony, da JRS Digital, perguntou sobre a tendência de crescimento do seguro de pessoas no pós-pandemia. João Paulo Mello alertou para a necessidade de melhorar produtos e condições para aumentar a penetração. “Nisso, temos de ser disruptivos, pensar diferente”, disse. Ele cogitou, inclusive, produtos direcionados para outros públicos, como o microsseguro.

Na mesma linha, Antonio Santa Catarina respondeu ao jornalista Sergio Guerra, da revista Seguro Nova Digital, que para aumentar a penetração do seguro de vida é preciso focar no nicho de profissionais liberais, informais e de baixa renda. Para tanto, a distribuição digitalizada, a seu ver, abrirá caminhos, facilitando a cobrança. “As insurtechs estão aí para encontrar uma solução para isso”, disse.

“Seguros e benefícios estão em alta e isso não vai mudar. Daqui para frente é crescimento total”. Esta foi a resposta de Octávio Perissé ao questionamento do jornalista Kleber Ferreira, do CQCS. Ele acrescentou que o desenvolvimento do seguro de pessoas tem sido fomentado pela demanda do consumidor, que também está mudando. Perissé comentou, ainda, a necessidade de desenvolver o microsseguro para atender, principalmente, as famílias das vítimas fatais da pandemia. “Muitas estão desamparadas”, disse.

“Na pandemia, o mercado de seguros brasileiro está em linha com outros países?”. Esta foi a pergunta de João Carlos Labruna, da revista Segurador Brasil, respondida por Andréia Araujo. Ela, que participou recentemente de evento da Limra/Loma, confirmou: “não estamos descolados do resto do mundo”. Sobre a decisão das seguradoras de cobrirem o risco de covid-19, ela disse: “Isso mostra o quão importante é o ramo vida e o quão comprometido o mercado de seguros está”. 

A última pergunta veio da jornalista Denise Bueno, do Blog Sonho Seguro, que questionou a impossibilidade de contratação de nova apólice do seguro de doenças graves para o consumidor que já teve sinistro, mesmo diante do avanço da medicina. Silas Kasahaya reconheceu essa dificuldade, mas ressaltou que a subscrição personalizada traz a tendência de aceitação de casos mais comuns, como diabetes, infartos.

“É um privilégio participar de evento tão importante, em que reunimos, pela primeira vez, os presidentes de sete entidades especializadas. Espero que seja o primeiro de muitos”, disse Kasahaya. Ele também cumprimentou os professores pelo seu dia, além dos corretores e securitários que também comemoram a data em outubro. “Estou terminando a gestão no CVG-SP e este evento fechou com chave de ouro”.

Pagar ou não o seguro de lucros cessantes em decorrência da pandemia?

Eis a questão que tem dominado discussões entre segurados e advogados no mundo todo e também no Brasil

Pagar ou não pagar indenização de lucros cessantes por conta da pandemia? Eis a questão que tem tirado o sono de segurados e advogados. Desde que o FCA (Financial Conduct Authority), órgão regulador do setor de seguros no Reino Unido, iniciou em junho deste ano demanda perante as Cortes do Reino Unido visando obter determinação judicial sobre certas questões relacionadas ao seguro de lucros cessantes no contexto da pandemia Covid-19 (o “FCA Test Case”), as discussões sobre as tendencias do que vai influenciar os pagamentos no Brasil não cessam. 

Ricardo Lewandowski e Pablo Hanna, advogados da Clyde & Co, é importante deixar claro que o objeto da discussão no FCA Test Case está limitado a determinadas coberturas adicionais que foram especificamente contratadas pelos segurados e não dependem da ocorrência de dano material (“property damage”). São as chamadas “non-damage covers”.[1]

Ou seja, a cobertura básica de lucros cessantes, que tem como requisito a ocorrência de dano material, não é objeto do FCA Test Case. Não só a manifestação inicial do FCA,[2] como também a decisão judicial divulgada no dia 15.09.2020,[3] expressamente registram esse importante aspecto.

LEIA MAIS Corte do Reino Unido decide que seguradoras devem pagar lucro cessante por COVID-19

Nesse sentido, a opção do FCA de não incluir a cobertura básica de lucros cessantes no objeto do FCA Test Case demonstra um reconhecimento do órgão regulador, ao menos implícito, de que será muito difícil defender que o requisito de dano material (“property damage”) estaria caracterizado nas hipóteses em que a interrupção de negócios do segurado foi causada pela pandemia Covid-19. 

No Brasil, tanto a cobertura básica, como também as coberturas adicionais, usualmente exigem a caracterização de dano material. E a existência de coberturas ‘non-damage’ tratadas no FCA Test Case é rara nas apólices brasileiras. É preciso, portanto, ter muita cautela ao mencionar a decisão no FCA Test Case como um precedente para a realidade brasileiravalendo ressalvar ainda que o FCA e a maioria das seguradoras envolvidas manifestaram a intenção de recorrer diretamente à Suprema Corte.

O comunicado oficial do FCA emitido em 01.05.2020, antes do início do FCA Test Case, parece corroborar o entendimento de que não poderia ser acionada a cobertura securitária que exige que o lucro cessante seja decorrente de dano material: “As stated in our Dear CEO letter of 15 April, our view is that most SME insurance policies are focused on property damage (and only have basic cover for BI as a consequence of property damage) so, at least in the majority of cases, insurers are unlikely to be obliged to pay out in relation to the coronavirus pandemic.”[4]

O objeto do FCA Test Case é, portanto, especificamente delimitado para determinadas coberturas adicionais que não exigem dano material (“non-damage covers”) e é nesse contexto que a decisão proferida em 15.09.2020 deve ser avaliada pelo mercado segurador brasileiro, sempre levando em conta também as especificidades locais e o clausulado das coberturas contratadas nas apólices aqui comercializadas. 

Já Pedro Ivo Mello, sócio Raphael Miranda Advogados, discorda. “No Brasil é totalmente diferente”. De fato esse é o tema tratado na ação da FCA, mas o conceito de dano material no direito daquele país é distinto do conceito de dano material do direito brasileiro. Logo, a conclusão deles parte de uma premissa equivocada, na minha opinião. 

Mello argumenta que o conceito de “property damage” não pode ser traduzido, de forma literal, para o português e para o direito brasileiro. No Reino Unido prevalece o entendimento (há posições contrárias, destaco) de que o “property damage” seria uma dano físico a um bem do segurado, i.e., dano que atinja as propriedades físicas/corpóreas de um determinado ativo do segurado.

Algumas coberturas adicionais para perturbação ou interrupção no giro de negócios dos Segurados (leia-se, lucros cessantes), como as coberturas de ”doenças transmissíveis” e “impedimento de acesso por ordens se autoridades” tornam desnecessária a ocorrência de danos físicos aos bens dos segurados para que haja acionamento da Apólice. “Danos materiais, segundo o Codigo Civil, doutrina e jurisprudência pacíficas são compostos de danos emergentes e lucros cessantes. Logo, dano material não é igual a dano físico”, refuta. 

Mais do que isso, defende Mello, o conceito jurídico de dano compreende a impossibilidade de uso do bem de propriedade do segurado. Logo, o impedimento de acesso a um bem sobre o qual recai o interesse segurado é considerado dano material, segundo a lei brasileira. 

Segundo Mello, as coberturas examinadas no test case do FCA, notadamente a de impedimento de acesso por ordem de autoridades, têm sim comercialização relevante no Brasil, especialmente em grandes riscos, em apólices de Riscos Noemados e Operacionais. E, usualmente, essa cobertura prevê expressamente que não são necessários danos físicos à propriedade dos segurados para que os lucros cessantes sejam devidos.
“Portanto, o precedente serve como importante parâmetro interpretativo no Brasil”. 

Enfim, este debate ainda vai longe. 

Citações

[1] Foram examinados vinte e um clausulados emitidos por oito seguradoras (Arch, Argenta, Ecclesiastic, Hiscox, MS Amlin, QBE, Royal & Sun e Zurich). As coberturas que não exigem dano material (“non-damage covers”) e foram analisadas no FCA Test Case foram separadas em 3 categorias: “Disease Clauses”, “Prevention of Access Clauses” e “Hybrid Clauses” (esta última categoria inclui certos componentes das outras duas). 

[2] “The Claim concerns the issue of whether business interruption losses arising from the COVID-19 pandemic (‘COVID-19 business interruption claims’) are covered by certain insurance extensions or other coverage clauses that do not require damage to the insured’s property. […] The FCA, in consultation with the Defendants, other insurers, policyholders, brokers and other stakeholders has conducted a comprehensive review of the policy wordings for business interruption insurance that exist in the market. It has focussed not on policies that require physical or property damage but rather on those that have ‘non-damage’ covers or extensions. It has identified certain policies in relation to which it claims declaratory relief.” (FCA Amended Particulars of Claims – 26/06/2020 – p. 1 e 154) 

[3] “The Court is asked to construe a number of wordings which contain non-damage ‘extensions’ to the ‘standard’ Business Interruption (‘BI’) cover provided by the relevant insurers. That ‘standard’ cover is contingent on the occurrence of physical or material damage to the insured premises. There is no dispute before the Court about whether there is cover under such ‘standard’ BI cover.”   

[4] A carta “Dear CEO” de 15.04.2020 emitida pelo FCA afirma o seguinte: “Based on our conversations with the industry to date, our estimate is that most policies have basic cover, do not cover pandemics and therefore would have no obligation to pay out in relation to the Covid-19 pandemic. While this may be disappointing for the policyholder we see no reasonable grounds to intervene in such circumstances.”

Fernando Gabriades assume com diretor comercial da MAG Investimentos

Fernando Gabriades

Fonte: MAG Seguros

A MAG Investimentos, empresa do Grupo Mongeral Aegon, anuncia a chegada de Fernando Gabriades como diretor Comercial. O executivo vem para fortalecer ainda mais a equipe comercial da companhia, respondendo diretamente a Helder Molina, CEO da MAG Seguros. 

Com mais de 13 anos de atuação no setor financeiro, Gabriades foi Head of Sales na SulAmérica Investimentos e diretor Comercial no Banco Alfa de Investimentos. Formando em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP), possui ainda pós-graduação em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e MBA Executivo pelo Ibmec-SP. 

Para Helder Molina, a expertise de Fernando será um fator importante para que a gestora de recursos independentes continue crescendo – a empresa soma mais de €816 bi de ativos sob gestão em 24 países. “Estamos vivendo um momento em que as pessoas têm olhado cada vez mais para suas finanças e buscado novas alternativas de investimentos e, por isso, precisamos contar com profissionais com profundo conhecimento do mercado para sempre trazer a melhor opção para cada um dos nossos clientes”, completa o executivo. 

Seguradora Líder lança podcast “A Voz do Trânsito”

Programas trazem dados sobre os acidentes de trânsito no Brasil e sobre o Seguro DPVAT

Fonte: Seguradora Líder

Em mais uma iniciativa para promover conhecimento sobre o Seguro DPVAT, além de levar informações sobre o cenário dos acidentes de trânsito no Brasil, a Seguradora Líder lançou o podcast “A Voz do Trânsito”.

Seguindo as tendências mais modernas da comunicação, o podcast está disponível, gratuitamente, por meio dos serviços de streaming Spotify e Deezer e, também, pelo site da Seguradora. Com menos de 15 min duração, os episódios trarão temas relacionados à operação do Seguro, estudos e entrevistas com convidados.

Até o momento, a publicação periódica já conta com três episódios com informações importantes sobre esse instrumento de proteção social que ampara as vítimas de acidente de trânsito em todo o Brasil. Para ouvir, basta acessar uma das plataformas digitais de áudio e procurar os termos “Seguro DPVAT” ou “A Voz do Trânsito”, ou ainda acessar https://www.seguradoralider.com.br/Pages/podcast.aspx.

Susep divulga princípios para a promoção da Educação Financeira no setor de seguros

Ofício circular dirigido ao mercado contém as diretrizes e incentiva a participação das entidades supervisionadas na 7ª edição da Semana ENEF

Fonte: Susep

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) encaminhou na sexta-feira (16), ao mercado supervisionado, ofício circular que divulga princípios a serem observados pelas entidades na promoção da Educação Financeira no setor. O objetivo é fortalecer a confiança no sistema de seguros privados, promovendo o tratamento adequado ao cliente por parte das empresas e o uso consciente e adequado de produtos por parte do consumidor.

São princípios que devem nortear o planejamento e a execução das ações de Educação Financeira das entidades supervisionadas:

I – Valor para o cliente: levar aos clientes informações e ações úteis e relevantes para a sua vida financeira;

II – Amplo alcance: garantir acesso às ações implementadas a todos os seus clientes;

III – Adequação e personalização: fazer uso de conteúdo, linguagem e canais mais adequados para as ações frente às características e às necessidades dos clientes e considerando o nível de complexidade e risco dos produtos de seguros, previdência complementar aberta e capitalização; e

IV – Avaliação e aprimoramento: mensurar a efetividade das ações em face a seus objetivos, melhorando a abordagem utilizada a partir das interações com os clientes.

Com isso, a Susep espera que as instituições que integram os mercados supervisionados, diretamente ou em conjunto com os intermediários, assumam crescente responsabilidade pela promoção de ações efetivas de Educação Financeira. A ampliação do conhecimento dos consumidores quanto à utilização do seguro como proteção de patrimônio e o incentivo à formação de poupança por meio de produtos de seguros, previdência complementar aberta e capitalização são alguns dos resultados desejados pela Autarquia.

O ofício circular recomenda, também, a participação ativa das supervisionadas na 7ª edição da Semana Nacional de Educação Financeira, cujo tema central será “Resiliência Financeira: Como atravessar a crise?”. O evento acontecerá entre os dias 23 e 29 de novembro. 

A Semana ENEF acontece anualmente desde 2014 e visa promover a Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF, conforme previsão do Decreto nº 10.393, de 9 de junho de 2020. Realizado pelo Fórum Brasileiro de Educação Financeira – FBEF, do qual a Susep é um dos integrantes, o evento deste ano, em razão da pandemia, contará com atividades realizadas remotamente, por meio de plataforma digital. A programação do evento será divulgada em breve.

Clique aqui e leia a íntegra da comunicação feita ao mercado.

Munich Re estima mercado “hard” e crescimento do seguro ciber para US$ 20 bi em 2025

munich re america latina

Baixas taxas de juros estão impactando a rentabilidade das resseguradoras. Experiências recentes após o bloqueio em muitos países foram um alerta em relação aos riscos sistêmicos. O mercado de riscos cibernéticos continua sendo uma das áreas de crescimento estratégico mais importantes

Fonte: Munich Re

Após anos de taxas de erosão causadas por excesso de capacidade e baixos gastos com grandes perdas, particularmente nos mercados europeus, as taxas de juros baixas – provavelmente ainda mais baixas por mais tempo devido à pandemia do coronavírus – estão impactando a lucratividade das resseguradoras. Portanto, é provável que as coberturas de seguro se tornem mais caras, particularmente para riscos de longo prazo em responsabilidade civil e outros ramos.

A afirmação é da Munich Re. Segundo a resseguradora, a companhia assegurará consistentemente que os preços, termos e condições sejam proporcionais aos riscos na próxima rodada de renovação. A razão disso é que a erosão gradual das taxas e o abrandamento dos termos e condições – causados ​​pelo excesso de capacidade e pela redução aleatória das despesas com grandes perdas, especialmente em países europeus – têm tornado a rentabilidade um desafio para as resseguradoras.

As taxas de juros caíram para mínimos recordes mais uma vez em 2020. No contexto da crise do coronavírus, é cada vez mais provável que o ambiente atual das taxas de juros continue a afetar os investimentos de baixo risco no futuro previsível. Essas circunstâncias significam que lucros sustentados, em negócios de cauda longa e em outros lugares, só serão possíveis se os preços corresponderem aos riscos assumidos.

O grupo prevê que as taxas de juros permanecerão baixas por algum tempo. Por sua vez, a receita das seguradoras deve vir da própria suposição de risco, e isso inclui negócios de cauda longa. Depender da receita de juros ou esperar que perdas estatisticamente prováveis ​​não ocorram é uma base inadequada para a suposição de riscos maiores a longo prazo. “Queremos apoiar nossos clientes de forma confiável e no longo prazo com nossa capacidade financeira e nosso conhecimento dos riscos. Dedicamos atenção considerável na Munich Re à boa subscrição, bem como aos preços, termos e condições adequados”, afirma Doris Höpke, membro do Conselho de Administração responsável pela Europa e América Latina.

Elevada consciência de risco de desenvolvimentos sistêmicos

“A escala da pandemia COVID-19 serve como um forte lembrete de que devemos sempre avaliar e gerenciar adequadamente os riscos de baixa probabilidade que apresentam um enorme potencial de perda. Isso é especialmente verdadeiro para os riscos que estão expostos a uma deterioração subjacente – como é o caso de certos desastres naturais agravados pelas mudanças climáticas”, acrescenta.

As experiências recentes após o bloqueio da vida pública e do mundo dos negócios em muitos países foram um sinal de alerta quanto ao enorme potencial de riscos sistêmicos de resultar em perdas que, subsequentemente, desencadeiam muitas repercussões diferentes. No entanto, é por definição impossível segurar riscos que levam a perdas em todos os lugares ao mesmo tempo, violando assim o critério fundamental de segurabilidade.

A pandemia de coronavírus também afetou indiretamente o segmento de seguro de rápido crescimento para riscos cibernéticos: os bloqueios forçaram a maioria dos funcionários do escritório a trabalhar em casa e muitas empresas a migrar muitas operações comerciais online, seguido por um aumento acentuado nos ataques cibernéticos.

Para garantir o crescimento sustentado dos negócios cibernéticos, a Munich Re busca uma estratégia abrangente de avaliação dos riscos existentes individualmente; identificar tendências sistêmicas; e preços, termos e condições proporcionais ao risco. A Munich Re tem uma equipe com mais de 130 especialistas em soluções cibernéticas em toda a cadeia de valor, incluindo análise, prevenção e transferência de riscos.

O mercado de riscos cibernéticos continua sendo uma das áreas de crescimento estratégico mais importantes da Munich Re. E o impulso adicional alimentado pela pandemia da digitalização e da crescente conscientização das empresas sobre os riscos cibernéticos pode impulsionar ainda mais um mercado que já apresenta um crescimento robusto. Na verdade, o mercado de seguro cibernético pode até mesmo superar a atual previsão de crescimento, de um pouco acima de US$ 7 bilhões em 2020 para cerca de US$ 20 bilhões em 2025.