MAPFRE apresenta novo tipo de seguro para florestas e créditos de carbono durante a COP30

Em meio ao debate global sobre ações urgentes para conter as mudanças climáticas, a seguradora MAPFRE anunciou, durante a sua participação na COP30, realizada em Belém (PA), um novo modelo de seguro ambiental desenhado para proteger projetos florestais e garantir a estabilidade de programas de créditos de carbono no Brasil. 

A nova solução, que é inédita no mercado de seguros, protege áreas de restauração e reflorestamento contra incêndios, assegurando a recomposição da vegetação nativa e a manutenção da capacidade de sequestro de carbono pelas árvores, um instrumento considerado estratégico para dar confiança ao avanço da bioeconomia e do mercado de carbono no país.

A nova solução, batizada de ‘Biosseguro’, foi idealizada pelo programa interno de inovação da seguradora no Brasil, que conecta equipes técnicas, especialistas ambientais e executivos de negócios. A iniciativa reflete o posicionamento ASG (Ambiental, Sustentabilidade e Governança) da MAPFRE, que tem buscado ampliar sua oferta de produtos com impacto socioambiental positivo e potencial de escalabilidade.

O principal diferencial do produto é o foco no valor ambiental da floresta, e não no potencial de exploração econômica da madeira, como ocorre no seguro florestal tradicional, garantindo que projetos de restauração sem finalidade comercial possam se reerguer após eventos extremos e manter sua capacidade de gerar créditos de carbono. A cobertura inclui desde custos de replantio até a recuperação da função ecológica da área, com atenção aos critérios técnicos e legais ligados à certificação de créditos.

Há um consenso crescente de que a restauração florestal será determinante para atingir as metas climáticas. Mas isso exige previsibilidade para quem financia e executa os projetos. Nosso papel é oferecer instrumentos que garantam continuidade e credibilidade, mesmo diante de eventos extremos. O Biosseguro responde a essa necessidade que era uma lacuna latente no mercado”, afirma Fátima Lima, diretora de sustentabilidade da MAPFRE.

Segurança para o investidor ambiental

O novo projeto da MAPFRE dialoga diretamente com o esforço de autoridades e de empresas globais para estruturar o mercado regulado e fortalecer o segmento voluntário, ampliando investimentos em restauração ecológica e conservação. A MAPFRE vê nesse movimento uma oportunidade para o setor de seguros ganhar relevância como mecanismo de confiança, transparência e integridade ambiental.

De acordo com a companhia, o seguro foi estruturado com base em parâmetros técnicos alinhados às melhores práticas de mercado e às exigências regulatórias ambientais do Brasil. A contratação exige documentação e inventário florestal que comprove potencial de sequestro de carbono, o que reforça a integridade dos projetos segurados.

Para o diretor de seguro rural da MAPFRE, Fabio Damasceno, o lançamento integra a estratégia da companhia de desenvolver soluções de seguros pensadas para a nova economia verde. “A construção de um arcabouço de garantias e seguros ambientais é cada vez mais determinante para aumentar a credibilidade e a liquidez do mercado de carbono. Estamos diante de um produto que enxerga a floresta como ativo ambiental estratégico. Por isso, a nossa proposta é oferecer ao investidor e ao produtor rural a segurança necessária para manter projetos florestais, mesmo frente a eventos climáticos severos, que podem comprometer tanto o impacto ambiental quanto o retorno financeiro dessas iniciativas.”, explica.

O planejamento da MAPFRE é que, inicialmente, o Biosseguro seja oferecido a empresas e proprietários rurais com projetos ambientais estruturados e inventário de carbono, com potencial de expansão à medida que o mercado regulado avance e novas ferramentas de monitoramento e certificação sejam adotadas.

Setor precisa inovar para um cenário de adaptação climática e avanço do mercado de carbono

Em meio à intensificação dos eventos climáticos extremos e ao aumento das perdas econômicas globais, a MAPFRE lançou um alerta: os riscos extraordinários provocados pelas mudanças climáticas exigem novas estratégias de proteção social e econômica. 
 

A reflexão norteou dois painéis promovidos pela companhia, na manhã desta terça-feira (18), na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA). Os debates analisaram as lacunas de cobertura existentes e discutiram como a inovação em seguros — sobretudo no mercado de carbono — pode oferecer respostas estruturais aos desafios deste século, ao mesmo tempo em que aponta oportunidades para fortalecer a resiliência coletiva.
 

O primeiro painel reuniu representantes de ANBIMA, IPCC, MAPFRE e Ministério da Fazenda, sob a moderação de Mónica Zuleta, diretora global de Sustentabilidade da Segurança. Ela reafirmou o compromisso da companhia com a transição energética, a conservação da natureza e a neutralidade de carbono até 2030. Zuleta lembrou que os efeitos das mudanças climáticas — como enchentes, secas e queimadas — já são realidade e exigem cooperação entre governos, empresas e sociedade civil para reduzir seus impactos.

Integrante do debate, o cientista Paulo Artaxo, do IPCC, destacou que o planeta caminha para um aumento médio de 2,83°C, podendo chegar a 4,5°C no Brasil. Ele defendeu que a resposta a esse cenário deve combinar redução de emissões, adaptação e gestão de impactos. 
 

Segundo Artaxo, a frequência e o custo dos eventos extremos mais que dobraram nas últimas décadas, afetando com mais intensidade países de renda média e baixa. O pesquisador também alertou sobre os chamados pontos críticos do sistema climático, como a possível savanização da Amazônia, e lembrou que “a adaptação deixou de ser uma opção; quanto antes ocorrer, serão menores os custos sociais e econômicos”.
 

Ricardo González García, diretor de Análise e Estudos Setoriais da MAPFRE, apresentou um estudo que confirma a tendência consistente de aquecimento global com base em dados da NOAA, Copernicus e JRA. O levantamento mostra que, desde os anos 1970, o avanço das emissões ampliou tanto as perdas não seguradas quanto os prejuízos causados por catástrofes naturais — em especial furacões, enchentes e riscos secundários. 
 

García explicou que, enquanto a Ásia concentra uma maior “brecha de proteção”, a América do Norte apresenta uma menor, graças à ampla cobertura de seguros. Ele defendeu a ampliação de parcerias público-privadas, como o Consórcio de Compensação de Seguros da Espanha, e o fortalecimento de instrumentos financeiros inovadores, como resseguros e cat bonds [títulos de catástrofe], que alcançaram um retorno médio de 17% no último ano.

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Subsecretário do Ministério da Fazenda, Vinícius Brandi, em palestra na Casa do Seguro

A relevância do setor de seguros também foi ressaltada pelo subsecretário do Ministério da Fazenda, Vinícius Brandi. Para ele, a indústria é peça-chave na transição para uma economia sustentável. Brandi lembrou que o setor já administra R$ 1,8 trilhão — de 15% a 20% do PIB —, demonstrando maturidade próxima às melhores práticas internacionais. 
 

Brandi citou ainda a Lei Complementar 213, que incorporou a sustentabilidade como objetivo central, e destacou que a modernização das regras do Conselho Monetário Nacional deve dar mais clareza e transparência aos investimentos sustentáveis.
 

Na avaliação de Luiz Pires, gerente de Sustentabilidade e Inovação da ANBIMA, o avanço regulatório se soma ao esforço de capacitação em finanças sustentáveis, que já formou mais de 3,6 mil profissionais em temas como risco climático e inventário de emissões. Pires reforçou que, para o movimento ganhar escala, será fundamental desenvolver novos instrumentos financeiros — de letras de crédito atreladas ao seguro a cat bonds — e ampliar o uso de blended finance [financiamento híbrido] para destravar projetos de impacto socioambiental.

 

Consolidação do mercado de carbono no Brasil

O segundo painel aprofundou o debate sobre os instrumentos financeiros e regulatórios, com foco na consolidação do mercado de carbono no país. Moderado por Fábio Damasceno, diretor técnico da MAPFRE, o encontro destacou que a neutralidade de carbono deixou de ser tendência e passou a ser obrigação estratégica, tornando a integridade e as condições de transparência essenciais para o funcionamento do mercado.

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Painel 2- O Papel do Setor Segurador na Consolidação do Mercado de Carbono

Daniel Vargas, docente da FGV, defendeu que o Brasil deve transformar seus desafios ambientais em oportunidades, construindo um regime de transição que alinhe incentivos e reduza incertezas. Vargas listou cinco obstáculos centrais: metodologias adequadas ao contexto tropical, complexidade do uso da terra, governança de Estado, regras claras com força legal e prevenção da judicialização.
 

A discussão sobre riscos e governança foi ampliada por André Andrade, diretor do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Ele citou projeções que estimam perdas de R$ 17 trilhões até 2050 em um cenário de aquecimento de 4°C, num contexto de baixa cobertura securitária. 
 

Com base nesse diagnóstico, Luisa Heráclio Panico, coordenadora-geral de Governança da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, destacou que o Brasil vive um momento decisivo na estruturação do mercado, dividida entre os segmentos voluntários e regulados. Ela explicou que, até 2026, caberá à secretaria definir metodologias, regulamentar a lei e propor a criação de uma autoridade permanente — etapa considerada essencial para o pleno funcionamento do mercado regulado a partir de 2030.
 

Construção da confiança e novos instrumentos

Luisa Heráclio Panico, da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, também abordou a importância de construir confiança e previsibilidade. Segundo ela, o risco de reversão — quando o carbono estocado retorna à atmosfera por incêndios, secas ou enchentes — já é tratado no mercado voluntário por meio do buffer pool [estoque coletivo de créditos de carbono reservados para compensar eventuais perdas]. 
 

Esse modelo, acrescentou, pode evoluir para produtos securitários mais sofisticados, desde que o país avance em três frentes: previsões econômicas, comunicação transparente sobre a proteção climática e florestal e normas com parâmetros claros de cobertura.
 

O diretor da Reservas Votorantim, David Canassa, reforçou que a expansão dos projetos ambientais depende de seguros capazes de cobrir riscos ainda pouco explorados. Ele citou a atuação da instituição em 140 mil hectares nos biomas Pantanal, Mata Atlântica e Cerrado, e destacou a parceria com a MAPFRE no Vale do Ribeira (SP), onde o reflorestamento passou a integrar o inventário de carbono da empresa. “Garantias e previsibilidade são fundamentais para destravar investimentos em conservação e bioeconomia”, afirmou.
 

Encerrando o painel, Mariana Barbosa, CEO da Regreen, destacou que o mundo precisará remover entre 7 e 9 gigatoneladas de carbono até 2050, mas ainda enfrenta obstáculos como financiamento, acesso à terra e gestão de risco. Já Maria Belén, superintendente de Mercados de Carbono do Itaú, reconectou o debate às estruturas financeiras, apresentando uma estratégia do banco baseada em projetos, desenvolvimento de produtos e atuação no mercado futuro. Ela chamou atenção para três frentes de risco prioritárias para o setor de seguros: projetos florestais no agronegócio, permanência do carbono por 20 anos e riscos associados ao fogo — lembrando que as buffers pool só devem ser acionados em casos de perdas inevitáveis.

Guia destaca importância de seguros e capitalização para impulsionar projetos de infraestrutura no Brasil

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O papel estratégico do mercado segurador para a economia e o desenvolvimento da infraestrutura brasileira ganha novo destaque com o lançamento do “Guia Prático de Seguros e Capitalização para Contratos de Concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs)”. Resultado de uma cooperação entre a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (SEPPI) e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR), com a colaboração da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap) e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o material foi apresentado em 18 de novembro, na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA).

A publicação reúne orientações para gestores públicos, operadores do setor e investidores sobre o uso de instrumentos de Seguros e Títulos de Capitalização na estruturação, execução e operação de contratos de concessão, destacando a relevância dessas soluções na gestão de riscos e na promoção de maior eficiência contratual. Elaborado com o apoio técnico de especialistas e entidades do mercado, o documento busca contribuir para a consolidação de um ambiente mais seguro, previsível e atrativo a investimentos em infraestrutura no país.

Com linguagem acessível e abordagem prática, o Guia detalha como o Seguro e a Capitalização podem atuar em todas as etapas de projetos de infraestrutura, desde o planejamento e a licitação até a operação, apoiando a mitigação, o compartilhamento de riscos e a promoção de maior eficiência contratual. Para o diretor da CNseg, Esteves Colnago, a publicação representa um marco na integração entre o setor público e o mercado segurador.

“O Guia reforça o papel do mercado segurador como parceiro estratégico do poder público e do setor privado na viabilização de projetos essenciais ao desenvolvimento do país. Ao integrar o seguro e a capitalização à agenda de infraestrutura, criamos condições mais seguras, previsíveis e sustentáveis para a atração de investimentos e o avanço das concessões e PPPs”, destaca Esteves.

O material também evidencia a versatilidade da Capitalização, que conta com a solução moderna de garantia contratual, especialmente após a Lei nº 14.133/2021 considerar o Título de Capitalização entre as modalidades de garantia admitidas em licitações públicas. Essa inovação ampliou as possibilidades de estruturação financeira de contratos e reforçou a importância da integração entre as diferentes soluções oferecidas pelo mercado segurador.

De acordo com o diretor-executivo da FenaCap, Natanael Castro, a publicação contribui para disseminar conhecimento técnico e ampliar o uso de instrumentos que proporcionam mais segurança e liquidez aos contratos públicos.

“Os Títulos de Capitalização representam uma alternativa moderna que alia eficiência financeira e segurança jurídica. Ao disseminar boas práticas e orientar gestores sobre o uso desses produtos, o Guia contribui para fortalecer a confiança e a previsibilidade nos projetos de infraestrutura. A modalidade Instrumento de Garantia, já consolidada em contratos de locação, passa agora a ocupar um novo campo de aplicação, com grande potencial de expansão. Nossos estudos apontam enorme potencial de crescimento desse produto, que pode ter sua arrecadação quadruplicada nos próximos anos, evidenciando a força e a relevância dessa solução”, destaca Castro.

Para o diretor-executivo da FenSeg, Danilo Silveira, o material consolida uma visão moderna sobre o papel dos seguros na viabilização de investimentos em infraestrutura e na promoção de um ambiente de negócios mais estável e competitivo.

“Os seguros não apenas protegem ativos e contratos — eles viabilizam projetos, destravam investimentos e fortalecem a confiança entre o poder público e o setor privado. Ao oferecer mecanismos eficientes de mitigação e transferência de riscos, o mercado segurador contribui para que empreendimentos complexos saiam do papel, com segurança jurídica, previsibilidade e sustentabilidade financeira. O Guia é um passo importante para difundir essa cultura e aproximar ainda mais as práticas de gestão de risco das políticas de infraestrutura do país.”, afirma Silveira.

O “Guia Prático de Seguros e Capitalização para Contratos de Concessões e PPPs” está disponível em versão digital, no site da CNseg.

Prêmios globais de seguros devem crescer 2,3% ao ano em termos reais, segundo estudo do Swiss Re Institute

Apesar dos desafios, o setor global de seguros entra nessa nova fase a partir de uma posição robusta. Vetores estruturais — como juros longos elevados, transformação demográfica e inovação tecnológica — continuarão sustentando a rentabilidade. O setor permanece bem capitalizado e resiliente, com índices de solvência acima de 200% e forte liquidez.

Os prêmios globais de seguros devem crescer 2,3% em termos reais em 2026 e 2027. No ramo não-vida, o crescimento real deve desacelerar para 1,7% e depois se recuperar para 2,5% em 2027. A rentabilidade continuará sólida, com ROE em torno de 10,5%, apoiado por retornos de investimento estruturalmente elevados (4,3%) e disciplina de underwriting.

No setor de vida, os prêmios globais crescerão 2,5% ao ano, acima dos 2,2% de 2025. Juros longos maiores sustentarão a renda de investimentos e reforçarão a rentabilidade, com o retorno sobre investimentos do setor chegando a 4% em 2027. O volume global de prêmios de vida deve atingir US$ 4,1 trilhões até 2027, representando 44% do mercado total.

A economia global entra em uma nova fase de expansão fiscal e predominância da política industrial. Embora políticas fiscais e monetárias acomodatícias suavizem o impacto das tarifas comerciais sobre o crescimento, o Swiss Re Institute aponta que isso ocorre ao custo de uma inflação estruturalmente mais elevada e de uma crescente carga de endividamento. Segundo o relatório sigma “Shifting Sands”, o crescimento real do PIB global deve permanecer estável a partir de 2025, porém abaixo da média de 3,1% registrada na década pré-pandemia.

“A política industrial está reescrevendo as regras da economia, a IA está acelerando, o crescimento parece sólido, mas o ciclo de crédito mostrará quão firme ele realmente é. O movimento de reindustrialização e a transformação tecnológica impulsionam a atividade e sustentam o núcleo do underwriting, mas os números de crescimento mascaram fragilidades estruturais que virão à tona quando o ciclo de crédito virar. No curto prazo, esperamos que a economia atravesse um período mais fraco, com tarifas ainda pressionando preços nos EUA e exportações no mundo”, disse Jérôme Jean Haegeli, economista-chefe do Grupo Swiss Re e diretor do Swiss Re Institute.

O fortalecimento da política industrial entre as prioridades de governos é uma das mudanças estruturais de longo prazo em curso. O risco crescente de “dominância fiscal” — quando bancos centrais priorizam a estabilidade da dívida em detrimento da estabilidade de preços —, somado a gastos industriais persistentes, manterá a inflação acima dos níveis anteriores a 2020, sustentando juros longos mais elevados.

Nos EUA, o crescimento real do PIB deve moderar para 2% em 2026 e 1,9% em 2027. Na zona do euro, estímulos fiscais — especialmente o programa de investimentos de 1 trilhão de euros da Alemanha — devem impulsionar o crescimento (2026: 1,3%; 2027: 1,5%). Na China, o PIB deve desacelerar para 4,5% em 2026 e 4,2% em 2027, com consumo doméstico fraco, desafios no setor imobiliário e, ainda assim, um posicionamento de política econômica mais acomodatício. A Ásia emergente seguirá resiliente, apoiada por regimes monetários mais flexíveis e pelo redirecionamento de fluxos comerciais em um mundo mais fragmentado.

Mudanças estruturais redesenham o mercado de seguros

A política industrial voltou ao centro das estratégias econômicas nacionais. O número de intervenções governamentais em setores industriais triplicou desde 2012, alimentando uma corrida global por liderança tecnológica e manufatureira.

Embora essa reorganização política e econômica estimule investimentos domésticos — especialmente em semicondutores, infraestrutura de IA e defesa —, ela também aumenta os riscos de fragmentação e de concentração. A política industrial busca resiliência, mas pode gerar ineficiências à medida que empresas aceleram a regionalização de cadeias de suprimentos, operações produtivas e fontes de fornecimento. Para seguradoras, isso significa maior demanda em linhas de engenharia, property e responsabilidade civil, mas também exposições mais correlacionadas quando ocorrem choques.

O envelhecimento populacional está transformando mercados de trabalho, padrões de consumo e necessidades de proteção. A demanda migra de produtos de proteção familiar para soluções de longevidade, renda de aposentadoria e saúde — pressionando seguradoras a inovar e ampliar coberturas ao longo de ciclos de vida mais longos. O envelhecimento também altera a gestão de ativos e passivos, exigindo maior duration e reforçando a importância do planejamento de solvência de longo prazo.

IA: oportunidade e desafio

A inteligência artificial está gerando mudanças diretas nas operações ao longo de toda a cadeia de valor dos seguros de vida e não-vida. O Swiss Re Institute estima que, em 2025, entre 3% e 8% dos orçamentos de TI do setor já estejam destinados ao desenvolvimento de capacidades em IA — em busca de ganhos de eficiência, economia de tempo e melhorias nos fluxos de trabalho. Porém, menos de 5% das seguradoras (em uma amostra de 187 grandes grupos) divulgaram qualquer impacto financeiro mensurável.

No curto prazo, os autores do sigma não esperam disrupções significativas no mercado de trabalho, já que a maioria das seguradoras busca aumentar a produtividade da força humana, e não substituir totalmente processos por automação. Um dos principais desafios será modelar e precificar riscos sem precedentes históricos, ao mesmo tempo em que aproveitam o potencial da IA para melhorar underwriting, sinistros e produtividade.

Grupo HDI recebe selos GPTW e GPMH e reforça compromisso com ambiente de trabalho excepcional 

O Grupo HDI, segundo maior conglomerado segurador do país, acaba de conquistar o selo GPTW (Great Place to Work)  certificação internacional que reconhece empresas com práticas exemplares de gestão de pessoas e ambientes de trabalho marcados por confiança, respeito e desenvolvimento – e o GPMH (Great People Mental Health) – reflexo direto do compromisso da empresa em priorizar a saúde mental de seus colaboradores, inserindo esse cuidado como um pilar central em sua estratégia organizacional – pelo segundo ano consecutivo.  

A pesquisa, realizada entre 22 de setembro e 03 de outubro, avaliou a percepção dos colaboradores sobre o ambiente interno, destacando assim a solidez das iniciativas do Grupo HDI voltadas para o bem-estar, a valorização profissional e o crescimento humano. 

“Mais do que uma certificação, o GPTW e o GPMH são a confirmação de que estamos no caminho certo ao colocarmos as pessoas no centro da nossa estratégia. Nosso propósito, ‘aqui a gente se importa pessoalmente’, não é apenas um lema, mas algo que se traduz diariamente em ações que promovem colaboração, engajamento, oportunidades de desenvolvimento para os nossos times e preocupação com a saúde mental”, afirma o Diretor de Pessoas & Cultura do Grupo HDI, Tiago Barduchi. 

Os reconhecimentos reforçam a posição do Grupo HDI como uma empresa que se preocupa com cada colaborador, buscando criar um ambiente inclusivo, colaborativo e de aprendizado contínuo. 

“Essa conquista é de todos que fazem parte do Grupo HDI. São as pessoas que constroem, todos os dias, uma cultura de pertencimento e de evolução conjunta. Os selos GPTW e GPMH nos motivam a seguir avançando para oferecer a melhor experiência possível dentro da organização”, complementa o executivo. 

Com essa certificação, o Grupo HDI fortalece sua marca e reafirma o compromisso de ser um agente de transformação positiva para seus colaboradores, segurados, corretores e parceiros. 

Prudential do Brasil amplia portfólio de coberturas para doenças e reforça proteção em vida

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A Prudential do Brasil expande seu portfólio e lança a cobertura Doenças Ampliadas. A novidade prevê a cobertura de 61 novas condições médicas, incluindo doenças crônicas e não crônicas. Entre os grupos cobertos estão doenças infecciosas, respiratórias, dermatológicas, neoplasias, além de situações relacionadas à gravidez, parto e puerpério.

Com esse lançamento, a Prudential reforça seu compromisso em oferecer a seus segurados proteções cada vez mais completas e para uso em vida. O novo Doenças Ampliadas pode ser contratado com todo o portfólio de Seguros Vitalícios e Temporários e por pessoas com idades entre 14 e 75 anos.

“Estamos ampliando as possibilidades de proteção em vida para os nossos clientes, garantindo acesso ao benefício logo após o diagnóstico de uma das doenças cobertas. A indenização pode ser utilizada para custear tratamentos, cobrir despesas médicas ou para preservar a renda mantendo a estabilidade financeira da família em um momento desafiador”, explica Dennys Rosini, diretor de Produtos da Prudential do Brasil.

O mercado confirma essa tendência. Segundo dados da FenaPrevi, o segmento de Doenças Graves registrou crescimento de 22,2% nos prêmios contratados no início de 2025, superando a alta do seguro de Vida Individual. Esse movimento reflete a busca por segurança financeira em um cenário de incertezas econômicas e envelhecimento populacional, fortalecendo o seguro de vida como um pilar essencial do planejamento financeiro pessoal.

“Na Prudential, 90% das indenizações são pagas em vida, o que demonstra nosso compromisso de levar segurança financeira e tranquilidade para as famílias brasileiras por meio do seguro de vida”, completa Rosini.

Como a parceria entre cooperativas e seguros prepara o Brasil para enfrentar desastres climáticos

“O cooperativismo e o setor de seguros têm o objetivo de proteger comunidades e construir um futuro mais justo para o país”, afirmou Roberto Santos, presidente do Conselho Diretor da CNseg, na abertura do Fórum de Sustentabilidade em Cooperativismo e Seguros. O evento, promovido pela CNseg em parceria com a OCB, foi realizado nesta segunda-feira (17), na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA).
 

O encontro trouxe à tona discussões sobre como a integração entre cooperativas e o mercado segurador pode fortalecer a capacidade do Brasil de responder aos riscos climáticos. Tania Zanella, presidente do Instituto Pensar Agropecuária, destacou a importância dessa parceria. 
 

“As cooperativas já conhecem o produtor e o território. Quando unimos esse conhecimento à expertise técnica dos seguros, transformamos proteção em política de desenvolvimento.” Segundo ela, aproximar-se do setor segurador não é apenas necessário, mas estratégico. “Estamos construindo algo duradouro. Cooperativismo e seguro caminham juntos quando o assunto é resiliência.”

Tania Zanella, presidente do Instituto Pensar Agropecuária
 

Seguro Rural e Cooperativismo: Protegendo o Futuro da Alimentação

No primeiro painel, moderado por Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, os participantes apresentaram visões complementares sobre o papel do seguro rural como instrumento estruturante para a estabilidade e a produção agropecuária. 
 

Andres Elola, representante da ICMIF Américas, ressaltou que o seguro rural vai além da simples indenização — funciona como estímulo permanente à adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis. “O seguro promove a melhoria contínua das técnicas e protege enquanto incentiva a qualidade.”
 

Matheus Marino, presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus, reforçou esse ponto, sobretudo, no contexto dos pequenos e médios produtores. “O agronegócio é marcado por ciclos longos e tudo acontece de forma gradual. Recuperar o solo, regenerar áreas e construir resiliência exige segurança — sem ele, o produtor fica vulnerável demais.”
 

O deputado federal Fernando Monteiro (Republicanos/PE) trouxe uma perspectiva política ao defender maior previsibilidade orçamentária e atualização institucional. Ele afirmou: “No Brasil, discutimos combater a seca quando, na verdade, precisamos aprender a conviver com ela. O seguro rural faz parte dessa convivência e é essencial para garantir a segurança alimentar.”
 

Encerrando o painel, Leonardo Botelho, responsável pelas relações com investidores do BNDES, apresentou dados que evidenciam o papel decisivo das cooperativas no crédito rural e na cobertura pós-desastres. Ele enfatizou que mais de 99% das 360 mil operações aprovadas pelo BNDES em 2024 foram destinadas a pequenos e médios produtores. 
 

Na COP30, o banco firmou contratos que totalizam R$ 21 bilhões com organismos internacionais, recursos que serão repassados ​​por meio de instituições financeiras e cooperativas para apoiar empresas e produtores na ponta. Para Botelho, esses números atestam o avanço da parceria. “As cooperativas estão presentes onde, de fato, a economia acontece. Elas alcançam territórios onde nenhuma instituição tradicional chega.”

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Painel 1 – Seguro Rural e Cooperativismo: Protegendo o Futuro da Alimentação

Cooperativismo, Seguro e Desastres Climáticos: Uma Agenda da Resiliência

No segundo e último painel da tarde, moderado por Angélica Carlini, advogada, consultora e parecerista na área de Direito do Seguro, ampliou o foco para a gestão de desastres climáticos, prevenção e cultura de risco. 

A mediadora enfatizou a afinidade histórica entre as duas estruturas: “cooperativismo e seguro nasceram juntos”, disse ao enfatizar que mutualismo e cooperação compartilham a mesma lógica de proteção solidária.
 

Vinicius Brandi, subsecretário de Reformas Microeconômicas e Regulação Financeira do Ministério da Fazenda, reforçou a centralidade do seguro na estratégia climática do Brasil. “Não existe planejamento de adaptação sem a participação do setor de seguros. Ele ainda destacou o papel da nova legislação, que facilita a aproximação entre cooperativismo e mercado segurador, ampliando o acesso e a inclusão.
 

Na sequência, Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE, foi enfático. “Sem seguro, não existe adaptação às mudanças climáticas.” Para ele, democratizar o acesso ao seguro e promover o intercâmbio de informações com cooperativas são passos essenciais para levar a gestão de riscos ao produtor de forma clara e prática.
 

Fechando o painel, Alexandre Barbosa, diretor-executivo de Estratégia, Sustentabilidade, Administração e Finanças do Sicredi, abordou a dimensão educacional do tema. “O seguro é um dos pilares da educação financeira. Ele oferece ao associado as ferramentas necessárias para planejar seu negócio de forma sustentável, tanto econômica quanto ambientalmente.”
 

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Painel 2 – O Papel do Cooperativismo e do Mercado Segurador nos Desastres Climáticos

Convergências para o Futuro Climático

O Fórum de Sustentabilidade em Cooperativismo e Seguros evidenciou que a união entre o cooperativismo e o setor de seguros representa um caminho promissor para ampliar a proteção, reduzir vulnerabilidades e enfrentar os efeitos, cada vez mais intensos, das mudanças climáticas.
 

A mensagem central do encontro — transformar incertezas em confiança — sintetizou não apenas o papel técnico do seguro, mas também sua importância estratégica para o desenvolvimento sustentável do país.

Sem Parar consolida corretoras do grupo e se prepara para avançar na estratégia com o modelo concierge

O Sem Parar, plataforma de soluções para o carro, deu mais um passo na expansão de seu ecossistema de ­mobilidade ao se reunir com diversas seguradoras para apresentar a estratégia e o modelo operacional que oferecerá atendimento consultivo e soluções personalizadas aos motoristas.   

A iniciativa faz parte da consolidação das corretoras herdadas das aquisições do Gringo, que agora dão origem a uma corretora única, responsável por atender todas as marcas do ecossistema — Sem Parar, Gringo, Zapay e Olho no Carro. O movimento tem como objetivo oferecer uma jornada completa de serviços ao motorista, unindo conveniência, proteção e benefícios integrados.   

Durante o encontro, José Luiz Machado, Diretor de Seguros do Sem Parar, apresentou a estrutura da empresa às seguradoras participantes e destacou a estratégia da corretora com o propósito de ser “o melhor amigo do motorista”, a nova corretora nasce com foco em atendimento consultivo, gestão de débitos veiculares, benefícios e descontos exclusivos e integração com todo o portifólio do ecossistema do Sem Parar.   

“Estamos evoluindo para um novo patamar no relacionamento com o motorista, nunca antes visto no mercado de seguros. Nosso propósito é oferecer uma experiência fluida, personalizada e com cuidado real em cada etapa do seguro à mobilidade. Com a corretora única e o modelo concierge, queremos transformar a maneira como o brasileiro se relaciona com proteção e conveniência”, destaca José Luiz Machado, Diretor de Seguros do Sem Parar.  

BB Seguros participa de projeto-piloto que vincula modelo de subvenção agrícola a práticas sustentáveis

A BB Seguros participa do projeto-piloto do ZARC-NM, iniciativa inédita do Ministério da Agricultura e da Embrapa que integra sustentabilidade à política de subvenção do seguro rural. O piloto, que será apresentado na COP30, aplica critérios de manejo e conservação do solo à precificação do seguro, marcando um novo passo na adaptação do agro brasileiro às mudanças climáticas. 
 

O piloto busca testar um modelo inovador, com potencial para representar um avanço para o seguro rural ao atrelar percentuais de subvenção diferenciado à depender da adoção de práticas agrícolas sustentáveis, na concessão de apoio financeiro aos produtores, estimulando práticas sustentáveis e aumentando a resiliência das lavouras.
 

“Participar desse projeto reforça nosso compromisso com a inovação e o fortalecimento do seguro rural como instrumento de sustentabilidade e gestão de risco. Valorizamos o produtor que investe em boas práticas de manejo, contribuindo para a resiliência produtiva e financeira do campo”, afirma Rodrigo Curi, Superintendente Executivo Técnico da Brasilseg, uma empresa BB Seguros.
 

O piloto envolve a coleta e validação de dados de solo e sensoriamento remoto, classificando as áreas e e aplicando percentuais de subvenção diferenciado a depender do manejo, que varia de 1 à 4 e foi conduzido em parceria com uma cooperativa paranaense, operador de sensoriamento remoto e uma startup de tecnologia agrícola.
 

A metodologia do ZARC-NM, desenvolvida pela Embrapa, classifica áreas agrícolas em quatro níveis de manejo, considerando várias variáveis para sua determinação, tais como: semeadura em contorno, anos de revolvimento do solo, saturação por alumínio, teor de cálcio e diversificação de cultura. O objetivo é testar se práticas mais sustentáveis se traduzem em menor risco e, portanto, em condições mais favoráveis de seguro e subvenção.
 

O piloto, em desenvolvimento na safra 2025/26 da soja no Paraná, busca avaliar o potencial de um modelo de subvenção vinculado a práticas de manejo sustentável, que poderá subsidiar futuras políticas públicas e contribuir para a adaptação climática no agro.
 

Os executivos da Brasilseg vão destacar o projeto durante a COP 30, na programação da Casa do Seguro, espaço criado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) para discutir temas do setor de seguros e mudanças climáticas.

Setor de seguros é chave para reduzir perdas climáticas e fortalecer a bioeconomia, indica relatório

Até 91% das perdas econômicas registradas em determinados eventos climáticos dos últimos anos não estavam cobertas por seguros, deixando famílias, empresas e governos praticamente sozinhos diante de enchentes, secas severas e tempestades que se intensificam com as mudanças climáticas. O dado faz parte de um estudo inédito apresentado na Casa do Seguro durante a COP30, em Belém.
 

Segundo o relatório “Insurance and Brazil’s Bioeconomy Revolution”, o avanço da exposição a riscos climáticos exige que o setor de seguros seja compreendido não apenas como um instrumento de proteção financeira, mas como agente de indução a práticas sustentáveis e a modelos de desenvolvimento mais resilientes em um contexto de transformação econômica e ambiental. O documento foi desenvolvido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em colaboração com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a Marsh (Latin America) e o Climate Resilience Center, do Atlantic Council.
 

Entre os casos analisados, o estudo destaca as chuvas extremas que atingiram o Rio Grande do Sul ao longo de 12 dias consecutivos, que resultaram em prejuízos massivos. Apenas R$ 6 bilhões estavam cobertos por apólices, deixando uma lacuna de 83%. No período de 2022 a 2024, os desastres climáticos somaram R$ 184 bilhões em perdas para o país, evidenciando a urgência de ampliar o acesso e a oferta de proteção financeira diante de eventos ambientais mais frequentes e severos.
 

A retração da cobertura agrícola é outro ponto de atenção. A área segurada no Brasil caiu de 14 milhões para 7 milhões de hectares entre 2023 e 2024, e o seguro rural cobre atualmente menos de 8% das terras cultivadas. O aumento do prêmio médio por hectare — de R$ 100 em 2019 para R$ 500 em 2022 —, somado à maior incidência de eventos extremos e a cortes sucessivos no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), contribuiu diretamente para essa queda. O movimento torna produtores rurais e cadeias do agronegócio mais vulneráveis, reduz a produtividade, amplia riscos sistêmicos e dificulta a adoção de práticas sustentáveis.
 

Dimensão ambiental e bioeconômica

Na dimensão ambiental e bioeconômica, o relatório aponta que o Brasil possui uma vantagem estratégica: a biodiversidade e os ativos naturais do país têm potencial para impulsionar cadeias produtivas sustentáveis, gerar renda e reduzir emissões. Apesar disso, o mercado segurador ainda carece de produtos maduros para cobrir riscos associados à natureza, restauração florestal, conservação de ecossistemas, manejo de paisagens, créditos de carbono e créditos de biodiversidade.
 

A ausência de séries históricas robustas, de modelos de risco adequados e de metodologias padronizadas de valoração ambiental dificulta a precificação e reduz a oferta de resseguro, especialmente no mercado internacional, elevando o custo de entrada de projetos que dependem de garantias financeiras. Além disso, os riscos ambientais possuem características que desafiam o setor: baixa previsibilidade, alta severidade e sazonalidade marcada, como ocorre em incêndios florestais, secas extremas, tempestades e invasões para exploração ilegal. Nesse cenário, o estudo destaca o potencial do Brasil para avançar em soluções como seguros paramétricos, que efetuam pagamentos automáticos com base em gatilhos climáticos e oferecem maior agilidade para regiões vulneráveis.
 

O documento também reforça que o Brasil é referência global em transparência de riscos climáticos. O país foi o primeiro do mundo a alinhar seu mercado segurador às recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e o primeiro da América Latina a exigir que seguradoras integrem riscos climáticos a processos de subscrição, desenvolvimento de produtos e gestão corporativa. Contudo, a integração entre riscos climáticos e riscos relacionados à natureza ainda é incipiente, especialmente no que se refere à biodiversidade, apesar da relação direta entre desmatamento, alteração dos regimes de chuva, eventos extremos e impactos econômicos.
 

A apresentação do relatório na Casa do Seguro durante a COP30 tem o objetivo de estimular um debate estratégico entre seguradoras, resseguradoras, reguladores, academia, investidores e formuladores de políticas públicas. A intenção é acelerar o desenvolvimento de instrumentos financeiros inovadores, fortalecer marcos regulatórios em construção, como a Taxonomia Sustentável Brasileira e a Resolução CNSP 473/2024, e ampliar o acesso ao seguro em setores essenciais para o desenvolvimento do país.
 

O estudo ressalta que os trilhões de dólares pagos anualmente em indenizações no mundo posicionam o setor de seguros como a segunda maior força financeira da resiliência global, atrás apenas do Estado. Assim, o seguro passa a ser entendido não apenas como resposta a desastres, mas como elemento central da adaptação climática, da proteção ambiental e da transição para uma economia de baixo carbono.
 

Ao articular dados, inovação, políticas públicas e coordenação entre diferentes setores, o Brasil pode transformar o seguro em uma alavanca estrutural para o fortalecimento da bioeconomia, para o aumento da resiliência das cidades e para a segurança econômica da população em um cenário de crise climática acelerada.