De Belém à COP31: Casa do Seguro lança força-tarefa global de resiliência climática

Esta sexta-feira (21) marcou o último dia do ciclo de debates da Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA), com um recado claro: o setor securitário precisa assumir papel de liderança na aceleração da agenda climática global. 
 

Ao longo do dia, executivos, representantes de governo, academia e organizações internacionais convergiram a ideia de que não há transição justa e resiliente sem o protagonismo da segurança na gestão de riscos, no financiamento e na proteção de segurança social.
 

Na abertura, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, apresentou uma proposta ambiciosa: a criação de uma força-tarefa internacional sobre resiliência climática e segurança na transição. 
 

A iniciativa, segundo Oliveira, pretende unir seguradoras, cientistas, governos e sociedade civil rumo à COP31, na Turquia, para que o setor de seguros não participe apenas, mas lidere as discussões e ações climáticas no cenário global. 

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Presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, ao lado de Goret Pereira Paulo, diretora de Pesquisa e Inovação da FGV

A estrutura da força-tarefa prevê pilares articulados entre garantias (com gestores de risco), academia e ciência (modelagem de risco), governos e bancos centrais (gestão de consequências públicas), sociedade civil e comunidades, além da economia real, criando um arranjo capaz de transformar o conhecimento em ação.
 

Segundo Oliveira, o momento é especialmente favorável para avançar. Há um alinhamento crescente entre os setores público e privado em torno do potencial de financiamento da agenda climática, o que abre espaço para acelerar compromissos e implementar soluções concretas. 
 

Ele destacou que, na Casa do Seguro, foi possível estabelecer um conjunto amplo de parcerias e consolidar uma visão mais transversal do papel do seguro nas diversas atividades da economia e da vida em sociedade. O presidente da CNseg resumiu o clima ao afirmar que o setor sai de Belém com um “enorme dever de casa” e que espera ser cobrado pelos parceiros sobre os avanços daqui em diante.
 

A importância dessa atuação coordenada também foi reforçada por Butch Bacani, chefe de Seguros do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Ele destacou o papel do seguro como instrumento de resiliência para comunidades vulneráveis ​​diante das mudanças climáticas e alertou que finanças e seguros sustentáveis, sozinhos, não garantem uma economia resiliente. 
 

Para Bacani, uma mudança real depende da ação conjunta entre governos, empresas e sociedade, especialmente diante de alertas científicos sobre riscos como a savanização da Amazônia. Na sua avaliação, pensar apenas em mudanças incrementais já não é suficiente; escala e velocidade serão determinantes para evitar o colapso climático, e essa visão precisa orientar uma agenda global.
 

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Butch Bacani em fala no último painel 

No último painel de debates da Casa do Seguro, “De Belém à COP31: acelerando e ampliando a ambição e a ação em relação ao clima e à natureza”, especialistas, representantes do governo e da sociedade civil fortaleceram que mitigação, adaptação e resiliência às mudanças climáticas exigem não apenas urgência, mas também a participação estratégica do mercado segurador. 
 

André Andrade, diretor do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, apresentou dados de um estudo do governo federal sobre o impacto econômico das mudanças climáticas no Brasil até 2050. No cenário de inação, a temperatura poderia subir 4°C, com perda acumulada de R$ 17 trilhões no PIB brasileiro em 25 anos; já no cenário de mitigação, com aquecimento limitado a 1,5°C, projeta-se um crescimento adicional de R$ 6,7 trilhões no período. Mesmo assim, ele lembrou que uma média global de 1,5°C pode significar aquecimento entre 2,5°C e 3°C no Nordeste, exigindo produtos de seguro cada vez mais regionalizados.
 

A necessidade de políticas climáticas em evidências foi destacada por Goret Pereira Paulo, diretora de Pesquisa e Inovação da FGV. Para ela, a COP30 mostrou que esse conceito deixou de ser abstrato e passou a se concretizar em práticas que só avançam quando a ciência, o governo e o setor privado trabalham de forma integrada. 

Goret chamou a atenção para a participação intensa da academia em painéis, publicações e iniciativas tanto na Casa do Seguro quanto na AgriZone, com destaque para temas como agricultura tropical, financiamento verde, redução do desmatamento e transição energética. Segundo a diretora da FGV, a implementação das metas globais depende de ações locais, especialmente em áreas urbanas, onde dados precisos são essenciais para mitigação, adaptação e desenvolvimento de seguros paramétricos.


Luiz Pires, gerente de Sustentabilidade e Inovação da ANBIMA

Na mesma linha de pragmatismo, Luiz Pires, gerente de Sustentabilidade e Inovação da ANBIMA, ressaltou que a COP30 marcou um avanço estrutural: organizações e empresas amadureceram suas propostas e superaram vários caminhos possíveis para financiar a transição. 
 

Segundo ele, a conexão entre o mercado de capitais e seguros deixou de ser tímida e passou a se materializar em produtos, compromissos e instrumentos já disponíveis. Pires destacou que o governo brasileiro construiu uma base robusta – com o Plano de Transformação Ecológica, uma taxonomia sustentável com plataformas de investimento e novos mecanismos de financiamento – que permite transformar ideias em realidade. Para o executivo, não falta capital: o mercado brasileiro administra cerca de 2 trilhões de dólares. O desafio, agora, é estruturar melhor como esses recursos podem viabilizar produtos da indústria de seguros, financiar LRS (Letra de Risco de Seguro) e apoiar modelos de financiamento combinado, abrindo um ciclo consistente de evolução para o setor.

Guilherme Bastos, coordenador da FGV, e Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE

A discussão sobre financiamento conecta-se diretamente ao avanço da bioeconomia. O pesquisador da FGV Marcelo Behar defendeu a necessidade de aproximar, de forma estratégica, a agenda da COP da agenda da bioeconomia, atribuindo ao setor de seguros um papel central em três frentes. 
 

A primeira é o financiamento da transição, em que a indústria de seguros ajuda a estruturar mecanismos públicos e privados e atua como “amortecedor dos limites planetários”, mantendo riscos dentro do possível. A segunda é a viabilização de soluções de uso da terra no Brasil, especialmente por meio da integração lavoura-pecuária-floresta e de tecnologias agroambientais capazes de reduzir emissões e regenerar áreas. Behar lembrou que, ao contrário do padrão global, as emissões brasileiras vêm majoritariamente do uso da terra, o que torna a segurança ainda mais central na transição.
 

O terceiro eixo apontado por Behar é a saída gradual dos combustíveis fósseis, apoiada por uma coalizão de 80 países, com redirecionamento de subsídios para agricultura sustentável, bioeconomia e soluções biológicas. Ele destacou que iniciativas como o “Bioeconomy Challenge” e o “Tropical Forest Facility” inauguraram um novo ciclo de finanças climáticas. Ainda para Behar, o Brasil colocou a floresta no centro da ação climática, e a indústria de seguros tende a ser “parceira central” na construção da nova economia verde.
 

O papel da agricultura na descarbonização também ganhou destaque na fala de Guilherme Bastos, coordenador da FGV. Ele avaliou que a COP30 evidenciou a modernidade da agricultura tropical brasileira, que há décadas desenvolve práticas de baixo carbono garantidas por pesquisa robusta, especialmente da Embrapa.
 

A criação da AgriZone na conferência foi apontada pelo coordenador da FGV como um marco para mostrar ao mundo que o país já opera com soluções baseadas na natureza e integra academia, setor privado e governo em uma agenda consistente de adaptação e produção sustentável. Bastos ressaltou ainda o Pagamento por Serviços Ambientais como peça estratégica para engajar produtores de todos os portes, sobretudo no combate ao desmatamento legal, garantindo retorno econômico à preservação.
 

Bastos lembrou que a agropecuária recebe apenas 6% do financiamento climático global, apesar de oferecer soluções-chave para a segurança alimentar, energética e para a transição dos fósseis. No Brasil, essa transição ocorre de forma complementar, aprimorada pelo modelo de economia circular do agro. Para o coordenador, é essencial avançar em estatísticas e dados para direcionar seguros, reduzir a lacuna de proteção e alavancar investimentos que consolidem o protagonismo brasileiro na agricultura sustentável.
 

Ao tratar da dimensão industrial da transição, Vitória Santos, gerente de Energia e Indústria do Instituto Clima e Sociedade, afirmou que a COP30 marcou a convergência entre clima, comércio e o papel das regiões com vantagens verdes. Entre as principais entregas, citou a Declaração de Belém, focada na industrialização nos territórios de origem dos recursos; o Fórum Integrado de Mudança do Clima e Comércio, criado para reduzir barreiras comerciais; e a Aliança do Sul Global para Empreendedorismo Climático, voltada para a tecnologia desenvolvida no Sul Global. Essas iniciativas reforçam o conceito de “power shoring”, que utiliza abundância de energia limpa e bioinsumos para transferência de descarbonização industrial.
 


Vitória Santos, gerente de Energia e Indústria do Instituto Clima e Sociedade

Vitória demonstrou que os setores verdes exigem muito capital e enfrentam riscos elevados – tecnológicos, regulatórios e geográficos –, o que torna o setor de seguros crucial para reduzir o risco, baixar o custo de capital e viabilizar a transição em países em desenvolvimento. Na visão dela, quanto mais sofisticados forem os instrumentos de seguro e mitigação de risco, maior será a capacidade de atrair investimentos para projetos industriais verdes em mercados emergentes.
 

O papel da Casa do Seguro

Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE, destacou que a Casa do Seguro conseguiu materializar o princípio da “responsabilidade comum, porém compartilhada” ao reunir seguradoras, governo, empresas e comunidades para discutir, de forma madura, como o seguro pode apoiar a adaptação climática.
 

Para Kanashiro, o evento consolidou o setor de seguros como ator central na gestão de riscos ligados às mudanças climáticas, ao demonstrar que o engajamento coletivo é condição para resultados concretos. Kanashiro avaliou que o mercado segurador precisava desse momento: depois de anos trabalhando conceitos associados aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), a Casa do Seguro apresentou projetos reais e iniciativas práticas, reforçando o caminho construído pela CNseg.
 

Na sua leitura, os avanços apresentados não são pontuais, mas fazem parte de uma jornada contínua de evolução, que deverá ganhar força até a COP31. O encontro ajudou a traduzir narrativas sobre clima, natureza e inclusão em agendas de trabalho com responsabilidades claras para garantias e formulações de soluções.
 

Na perspectiva internacional, Clare Shakya, diretora de Clima da TNC, afirmou que a COP30 representou um avanço importante após anos de baixa ambição, com o Brasil elevando o nível de divulgação e abrindo espaço para maior atuação de atores não estatais, incluindo o setor de seguros. Ela destacou que a agenda construída até Belém cria uma oportunidade clara para avançar em adaptação e na proteção de situações vulneráveis. Clare lembrou o papel decisivo da natureza na estabilização do clima e na redução de impactos, mas alertou que o risco de reversão ainda trava investimentos, o que reforça a necessidade de instrumentos de seguros capazes de dar segurança, quantificar riscos e destravar projetos de clima e natureza – inclusive com soluções como seguros de ativos naturais.
 

Segundo Clare, a escassez de recursos públicos exigirá mais financiamento privado, e o setor segurador é essencial para reduzir riscos e apoiar a infraestrutura verde. Ela concluiu que a COP30 foi marcada por diálogos mais inclusivos e que essa convergência deve continuar para atrair investimentos e elevar a ambição climática. 
 

Encerrando o painel, a moderadora Cláudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, sintetizou o espírito das discussões: o mercado segurador terá papel relevante no processo de transição climática, justamente no momento em que o setor financeiro começa a apoiar projetos privados antes restritos a recursos públicos ou não reembolsáveis. 
 


Claudia Prates encerrou o painel do último dia de atividades da Casa do Seguro

“Trata-se de um novo mercado que precisa ganhar escala – e o seguro está bem posicionado para viabilizar essa expansão, ao mesmo tempo em que mitiga riscos e amplia a resiliência das mais diversas atividades econômicas”, finaliza Cláudia.

Grupo MAG moderniza estrutura da unidade em Recife e projeta crescimento acima de 10% em 2026 

O Grupo MAG, especializado em vida e previdência com 190 anos de atuação ininterrupta no país, aposta em Recife para consolidar sua presença e fortalecer a atuação no nordeste brasileiro. A companhia anuncia um processo de modernização da estrutura física na unidade recifense, uma das mais antigas do grupo, além de investimentos em tecnologia, infraestrutura, marketing e vendas, visando um crescimento acima de 10% na arrecadação regional para 2026.

Segundo o CEO e Chairman do Grupo MAG, Helder Molina, o investimento na modernização da unidade reforça o potencial do estado de Pernambuco e sua capital, Recife, para o setor de seguros. “O mercado pernambucano é estratégico para nós, pois, além de ser um importante polo econômico regional, seu potencial de crescimento é enorme. A nossa expectativa é alçar a MAG à liderança em alguns dos principais segmentos em que atua, como nos segmentos de vida em grupo, planos tradicionais, microsseguro, prestamista, acidentes pessoais, doenças graves, entre outros”, comenta.

Neste ano, a sucursal, liderada pela superintendente Melissa Porto, tem registrado bons resultados. “Até o momento, os corretores da unidade atenderam mais de 1,1 mil clientes, garantindo segurança financeira para suas famílias. Além disso, o volume de benefícios pagos pela MAG Seguros na região ultrapassou R$10 milhões neste ano, refletindo o crescimento e a confiança conquistada junto ao mercado pernambucano”, reforça Melissa. 

Atualmente, a MAG Seguros possui 24% de market share em Recife, sendo que os três líderes do setor concentram mais de 65% do mercado. No segmento de seguro de vida individual, a companhia cresceu 21,4% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2024. No recorte dos últimos cinco anos, a empresa cresceu 138% nessa categoria. 

“Um dos nossos principais diferenciais é oferecer um portfólio completo de produtos e soluções capaz de atender às reais necessidades do perfil dos brasileiros. O intuito é democratizar o acesso à proteção financeira dos nossos clientes em todos os momentos de suas vidas”, explica Márcio Batistuti, Diretor Comercial de Varejo do Grupo MAG. 

O Grupo MAG visa fomentar os ecossistemas de seguros e previdência como um todo, atendendo diferentes públicos — dos clientes corporativos e de varejo até as famílias que vivem nas mais diferentes realidades do Brasil. Recentemente, sua área comercial passou por uma reestruturação para atender melhor os diferentes perfis de clientes, além de seguir investindo na formação de corretores em todo o país. 

“A qualificação dos nossos especialistas é fundamental para continuarmos crescendo acima da média do mercado. O futuro da MAG é continuar sendo um agente de transformação por meio da proteção financeira a todos os brasileiros”, complementa Batistuti.

Grupo Bradesco Seguros anuncia patrocínio ao Natal Luz de Gramado em edição histórica de 40 anos

O Grupo Bradesco Seguros é um dos patrocinadores da 40ª edição do Natal Luz de Gramado, um dos mais emblemáticos eventos culturais do Brasil, que acontece até 18 de janeiro de 2026, no município de Gramado (RS). Em sua estreia como apoiador da festividade, a seguradora consolida mais um importante passo no fomento à cultura nacional, reforçando seu compromisso com iniciativas que promovem bem-estar, conexão e acesso à arte em todas as regiões do país.

Marcado por uma programação diversa, com apresentações pagas e gratuitas, distribuídas por múltiplos pontos da cidade, o Natal Luz é reconhecido por atrair milhares de visitantes ao longo de sua temporada e por proporcionar experiências memoráveis ao público.

“Estrear o patrocínio ao Natal Luz de Gramado justamente em seu 40º aniversário é motivo de grande satisfação para nós. Trata-se de um evento que traduz, de forma encantadora, a magia do Natal e a importância das festas de fim de ano. Estar presente neste momento simbólico é uma oportunidade de fortalecer laços com o público e contribuir com a continuidade de um projeto que movimenta o Sul do nosso país”, afirma Ana Claudia Frighetto Gonzalez, Superintendente Sênior de Marketing do Grupo Bradesco Seguros.

Como parte das ativações no evento, a companhia contará com um espaço instagramável junto ao lounge VIP do espetáculo “Nativitaten”, uma das principais atrações da programação. Com 2,68 metros de altura por 1,95 metro de largura, a instalação estará posicionada estrategicamente na entrada do show, garantindo ampla visibilidade e oferecendo ao público uma experiência visual marcante.

O patrocínio ao Natal Luz integra o escopo do Circuito Cultural Bradesco Seguros, uma das iniciativas mais longevas do setor privado voltadas ao apoio à cultura no Brasil. Em seus 18 anos de trajetória, o programa já impactou mais de 15 milhões de pessoas em mais de 50 cidades, com mais de 450 projetos culturais patrocinados. Por meio dessa frente, o Grupo tem apoiado peças de teatro, musicais, exposições, espetáculos de dança, literatura e diversas manifestações artísticas que enriquecem o cenário cultural do país.

Bradesco Saúde lança guia prático sobre impactos das mudanças climáticas na saúde, durante a COP30

A Bradesco Saúde lançou durante painel da Casa do Seguro, promovida pela CNseg na COP30, em Belém (PA), o guia prático “Nosso Clima, Sua Saúde”. A publicação reúne orientações e informações sobre os principais riscos à saúde associados às mudanças no clima, como o aumento das temperaturas, a poluição do ar e a intensificação de eventos extremos. E propõe ações de prevenção e hábitos que podem ser adotados por indivíduos e comunidades para reduzir vulnerabilidades.

O guia elenca seis principais riscos climáticos que impactam a saúde, indicando as regiões mais propensas a esses eventos: alagamentos/inundações; secas; poluição do ar; calor extremo; frio intenso e outros fenômenos meteorológicos extremos (como ventania, granizo ou tempestades). E traz dicas de medidas que a população pode tomar para reduzir a exposição a cada um deles, mitigando potenciais prejuízos à saúde.

“Só somos capazes de gerar transformação quando temos informação. Com o lançamento desse guia prático, a Bradesco Saúde reforça seu compromisso com a sustentabilidade e com a promoção de uma cultura de cuidado e prevenção provendo para a sociedade um conteúdo relevante, que integra saúde, meio ambiente e bem-estar em um contexto de adaptação às mudanças climáticas”, destaca Thais Jorge, diretora da Bradesco Saúde.

Seguros, infraestrutura e natureza: os caminhos para fortalecer a resiliência urbana na América Latina

A resiliência urbana na América Latina depende da integração entre planejamento, financiamento e transferência de risco — e, nesse contexto, o seguro se consolida como pilar estratégico para viabilizar obras, estabilizar finanças públicas e acelerar processos de reconstrução. O tema guiou os debates promovidos pela Marsh McLennan na manhã desta quarta-feira (19), na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém.

Ao abrir o painel, Eugenio Paschoal de Barros Antunes, chairman da Marsh McLennan, ressaltou que o desafio da urbanização é particularmente crítico no Brasil, onde 87% da população vivem em cidades ainda marcadas por déficits estruturais. Ele lembrou que 32 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada e 90 milhões seguem sem coleta de esgoto. Para Paschoal, a infraestrutura concebida no passado não responde mais às pressões climáticas atuais. “Pontes, túneis e viadutos foram projetados para um cenário que já não existe. Como financiar a adaptação necessária? Como o setor de seguros pode induzir investimentos e reduzir riscos?”, questionou. Ele destacou, porém, que o país vive seu maior ciclo de investimentos em infraestrutura, estimado em R$ 650 bilhões — 80% via parcerias público-privadas —, e defendeu uma atuação conjunta entre Estado, empresas e sociedade. “Mutirão é a palavra-chave”, disse, citando o presidente da COP, Corrêa do Lago.
 

Sob a mediação de André Dabus, diretor de Infraestrutura e Construção da Marsh Brasil, o painel Construindo a Resiliência das Cidades na América Latina reuniu Amy Barnes, líder global de Clima e Sustentabilidade da Marsh; o embaixador Antonio da Costa e Silva, do Ministério das Cidades; Karla França, da CNM; e Rodrigo Corradi, do ICLEI América do Sul.
 

Dabus chamou atenção para o crescimento, na América Latina, do gap de proteção — a diferença entre as perdas econômicas e o que é efetivamente indenizado pelos seguros. Segundo ele, a ampliação do hiato resulta da baixa contratação de apólices e da subprecificação de riscos que se tornaram recorrentes. Para enfrentar o problema, defendeu modelos de análise e precificação que combinem dados meteorológicos, históricos de desastres e projeções climáticas, tornando as soluções mais realistas e sustentáveis.
 

A necessidade de financiamento contínuo foi o foco de Rodrigo Corradi. Ele alertou que a falta — e, sobretudo, a interrupção — de recursos impede municípios de consolidar projetos ou avançar à fase de implementação. Corradi propôs mecanismos permanentes de financiamento apoiados por bancos multilaterais, fundos climáticos e parcerias privadas, além de educação ambiental e participação comunitária para fortalecer políticas de resiliência. Ele lembrou que a América Latina é “o continente mais urbanizado e mais desigual do mundo”, combinação que agrava vulnerabilidades e amplia impactos de eventos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul. Para ele, dados, mapeamento de risco e cooperação internacional são ferramentas decisivas para ampliar a capacidade técnica das prefeituras.
 

RESILIÊNCIA DAS CIDADES

A mobilidade urbana também entrou na agenda da resiliência. O embaixador Antonio da Costa e Silva defendeu a atualização dos marcos regulatórios para destravar projetos de urbanização integrada e reorganizar o transporte público, especialmente nas periferias. Ele reforçou que a transição para ônibus elétricos e sistemas sobre trilhos deve ser acompanhada de planejamento que reduza deslocamentos longos e garanta acesso equitativo. “Mobilidade é cidadania”, afirmou. O embaixador listou iniciativas em andamento — como renovação de frotas e investimentos em metrôs, trens e corredores —, mas reconheceu que avanços dependem de governança multinível para superar conflitos de competências entre os entes federativos. Ele também defendeu que seguros sejam tratados como investimento em gestão de risco, sobretudo em cidades já afetadas por enchentes, ondas de calor e falhas de infraestrutura.
 

Do ponto de vista das prefeituras, Karla França destacou que a adaptação climática esbarra na falta de capacidade técnica, especialmente em cidades pequenas sem equipes para elaborar planos de contingência ou projetos aptos a captar recursos. Essa fragilidade, afirmou, mantém um ciclo de vulnerabilidade: os municípios mais expostos são os que menos conseguem acessar financiamentos e seguros. Como alternativa, defendeu consórcios intermunicipais e estruturas de apoio técnico que viabilizem soluções baseadas na natureza, drenagem sustentável e sistemas de alerta também fora dos grandes centros.

Encerrando o painel, Amy Barnes ressaltou o papel do mercado segurador na jornada climática. Para ela, as seguradoras precisam recalibrar modelos de subscrição para refletir novos padrões de risco, identificar áreas vulneráveis com precisão e definir prêmios compatíveis. Além disso, devem garantir liquidez imediata após eventos catastróficos, condição essencial para acelerar a recuperação urbana.


Estabilidade Climática e Natureza

O segundo painel do dia, Importância da Natureza e da Água, abordou o papel dos recursos naturais na resiliência climática. Rodrigo Suárez, líder de Clima e Sustentabilidade da Marsh para a América Latina, destacou que degradação ambiental, insegurança hídrica e risco climático estão interligados, lembrando episódios como a crise energética no Brasil e o racionamento em Bogotá.

Palestrantes do segundo painel do dia, Importância da Natureza e da Água

A pesquisadora Swenja Surminski, diretora de Clima e Sustentabilidade da Marsh McLennan, afirmou que a adaptação deixou de ser conceito e tornou-se condição de sobrevivência. Ela ressaltou três pilares do setor de seguros nesse processo: uso avançado de dados de risco, soluções inovadoras — como seguros paramétricos — e mecanismos de financiamento para infraestrutura preparada para o futuro. Sem adaptação, alertou, muitos riscos podem se tornar inasseguráveis.
 

O pesquisador Paulo Barreto, do Imazon, apresentou dados que revelam a exposição de frigoríficos ao desmatamento e a baixa rastreabilidade da cadeia da carne no Brasil. A falta de controle, disse, eleva riscos financeiros e reputacionais, abrindo espaço para o setor segurador exigir práticas mais robustas de desmatamento zero. Ele também lembrou que mais de 75% da população amazônica vivem em cidades vulneráveis, reforçando a necessidade de investimentos em planejamento urbano e infraestrutura adaptada ao clima.

PROTEÇÃO DAS FLORESTAS

A proteção das florestas tropicais foi reforçada por Lívia Laureto, pesquisadora do IPAM, que destacou a proposta do Tropical Forests Forever Framework (TFF), mecanismo global de financiamento permanente para esses ecossistemas. No caso brasileiro, apontou as Florestas Públicas Não Destinadas (FPND) como eixo estratégico para conter o desmatamento, fortalecer comunidades tradicionais e estabilizar o regime de chuvas — elemento que impacta diretamente seguros agrícolas e urbanos.
 

Encerrando o painel, o deputado federal Fernando Monteiro (Republicanos/PE) chamou atenção para desafios básicos como a falta de água e saneamento em áreas vulneráveis de Belém. Para ele, revisar o marco do saneamento e investir em infraestrutura essencial são prioridades para proteger vidas e reduzir riscos assumidos pelo setor segurador. Monteiro defendeu soluções já existentes, como o reúso de água da chuva, e cobrou que o Congresso transforme discussões da COP em políticas concretas: “Não adianta só conversar. É preciso implementar”.

Do risco ao planejamento: como seguros, ciência e municípios estão moldando a resiliência climática 

Conhecer o risco é o primeiro passo para evitá-lo. E o Brasil não pode mais caminhar às cegas diante dos eventos climáticos extremos. Essa foi a mensagem central de Dyogo Oliveira, presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), na abertura do “Fórum Cidades Resilientes na COP30”, realizado na tarde desta quarta-feira (19), na Casa do Seguro, em Belém (PA), durante a Conferência do Clima. 
 

O evento, promovido pela CNseg em parceria com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), reuniu lideranças para discutir como a cooperação entre governos, mercado segurador e sociedade pode transformar os desafios climáticos em oportunidades, promovendo cidades mais preparadas e adaptadas para a transição climática.
 

Na abertura, Dyogo Oliveira anunciou o lançamento da Ferramenta de Avaliação de Riscos Climáticos, uma solução digital desenvolvida pela CNseg para calcular o risco de inundação de qualquer endereço do país a partir do CEP. A ferramenta, que futuramente estará aberta ao público, cruza dados de diversas bases oficiais e gera um score de risco. “É uma contribuição concreta para que as pessoas entendam a exposição em que vivem e possam agir preventivamente”, destacou. Ele também reforçou a proposta da CNseg de criação de um seguro social de catástrofe, que pode garantir indenizações emergenciais para famílias afetadas por enchentes e deslizamentos.
 

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Nélio Aguiar, diretor da CNM

Em sua fala, Dyogo reforçou que, entre 2022 e 2024, o Brasil sofreu mais de R$ 200 bilhões em perdas econômicas decorrentes de eventos climáticos extremos. O número de ocorrências quase dobrou em uma década, passando de 2.500 para 4.500 por ano. Para o representante da CNseg, enfrentar riscos dessa magnitude exigirá cooperação contínua entre governo, setor segurador e sociedade. “Não se trata de infraestrutura. Trata-se de proteger vidas”, afirmou.
 

O alerta dos municípios

Representando a CNM, Nélio Aguiar trouxe a perspectiva urgente de quem vive o impacto das mudanças climáticas no cotidiano das cidades. Ele destacou que, nos últimos 12 anos, os municípios acumularam R$ 700 bilhões em prejuízos com desastres naturais. 
 

Apenas nos primeiros quatro meses de 2025, já são R$ 28,5 bilhões, com 115 mortes, milhares de desabrigados e desalojados em todo o país. Aguiar defendeu mais estrutura, tecnologia e autonomia para os municípios, além da criação de instâncias nacionais de coordenação, como a PEC 31/2024, que institui o Conselho Nacional de Gestão Climática e Prevenção de Desastres. Ao elogiar o lançamento da ferramenta da CNseg, Aguiar reforçou: “Gestores precisam de indicadores na palma da mão para tomar decisões certas, especialmente em emergências”.​
 

A visão do Ministério das Cidades

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, destacou a urgência de inserir gestores municipais, prefeitos e lideranças comunitárias no centro das decisões climáticas. Para ele, nenhum plano será efetivo se aqueles que executam as políticas na ponta não estiverem envolvidos desde o início. “Sem os líderes locais, não há implementação possível”, afirmou, lembrando que 87% da população brasileira vive em áreas urbanas e que a crise climática exige tanto a redução do desmatamento quanto a diminuição das emissões que partem das cidades. 
 

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Jader Barbalho Filho, ministro de Estado do Ministério das Cidades


O ministro reforçou as ações do Governo Federal em prevenção, como obras de macrodrenagem e contenção de encostas, e defendeu que a COP30 seja simultaneamente a “COP das florestas” e a “COP das cidades”. Ele destacou experiências internacionais e o papel crescente de governadores e prefeitos no combate à crise climática, afirmando que o Brasil também precisa fortalecer esse protagonismo. “O planeta pede urgência”, concluiu.​
 

Do planejamento à prática: resiliência, seguros e soluções inteligentes

No painel “Para inspirar: do planejamento à prática – resiliência, seguros e soluções inteligentes”, o moderador Paulo Nobre, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), abriu a discussão lembrando que a ciência já aponta um futuro de extremos mais intensos e frequentes. Ele sintetizou o desafio em uma frase que guiou o debate. “A adaptação é local, cidade a cidade, bacia hidrográfica a bacia hidrográfica.”​
 

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Painel 1- Para Inspirar: Do Planejamento à Prática – Resiliência, Seguros e Soluções Inteligentes no Contexto das Mudanças Climáticas

A prefeita Elisângela Paiva Celestino, de Concórdia do Pará (PA), destacou a dificuldade de municípios de pequeno porte em acessar financiamento, estruturar equipes técnicas e realizar ações preventivas. Ela apresentou iniciativas de seu município, como a criação de uma unidade de conservação, o projeto do primeiro bairro sustentável da Amazônia e programas de reaproveitamento de resíduos, exemplos que conectam preservação ambiental, gestão urbana e resiliência climática.​
 

O prefeito Luiz Carlos de Aguiar Leite, de Anapu (PA), enfatizou o uso do mapeamento georreferenciado para identificar áreas vulneráveis e planejar a realocação de famílias expostas a enchentes. Também apresentou o modelo local de desenvolvimento baseado em pequenas indústrias do cacau, energia solar e fundos comunitários, combinando geração de renda, conservação da floresta e adaptação às mudanças climáticas.​
 

Na sequência, a diretora Inamara Santos Mélo, do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência do Ministério do Meio Ambiente (MMA), detalhou a estratégia federal por meio do programa Adapta Cidades, que já envolve 581 municípios e tem como meta alcançar 2 mil até 2035. Ela defendeu a inclusão do seguro como instrumento essencial na agenda de adaptação. “Precisamos incorporar o seguro às políticas públicas para ampliar a capacidade adaptativa das cidades”, disse.
 

Encerrando a perspectiva internacional, Swenja Surminski, diretora de Clima e Sustentabilidade da Marsh McLennan, reforçou que resiliência deixou de ser escolha e passou a ser necessidade. Ela destacou que 22% da população urbana da América Latina já vive sob risco de enchentes, uma porcentagem que pode chegar a 30% com o aquecimento global. Swenja também mostrou como dados, modelagem de risco e seguros paramétricos estão permitindo soluções mais eficientes e acessíveis. Para ela, “não se trata mais de risco, mas de realidade”, e países que não tratarem a resiliência como investimento arcarão com custos muito maiores no futuro.​
 

Estratégias municipais para infraestruturas resilientes

Mediado por Pedro Werneck, gerente de Sustentabilidade da CNseg, o painel “Planejar, construir e cuidar: estratégias municipais para infraestruturas resilientes” reuniu especialistas para discutir como transformar planejamento urbano, governança e engenharia em respostas concretas diante do avanço dos eventos climáticos extremos. 
 

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Painel 2- Planejar, Construir e Cuidar: Estratégias Municipais Para a Promoção de Infraestruturas Resilientes

Pedro abriu o debate destacando a importância dos dados preditivos para políticas públicas mais eficazes e lembrou que a nova ferramenta de avaliação de riscos climáticos da CNseg amplia o acesso à informação. “Dados preditivos deixaram de ser opção. São condição para qualquer estratégia séria de adaptação.” ​
 

A gerente de Sustentabilidade e Resiliência da CNM, Cláudia Lins, enfatizou que o maior desafio dos municípios é estruturar diagnósticos consistentes em meio à falta de dados locais, equipes técnicas reduzidas e ausência de financiamento estável. Ela lembrou que muitos gestores ainda dependem de séries históricas que já não refletem o clima atual. “Não existe planejamento sem diagnóstico e não existe diagnóstico sem dados que dialoguem com a realidade de cada território”, afirmou, reforçando a importância do federalismo climático e da inclusão dos municípios na formulação das políticas nacionais.

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Já Karla França, analista de Planejamento Territorial e Habitação da CNM, destacou que apenas 50% dos municípios brasileiros possuem plano diretor e, mesmo entre esse grupo, poucos incorporam diretrizes climáticas. Ela citou a fragilidade dos códigos de obras, a ausência de governança urbana qualificada e a dificuldade das cidades pequenas e médias em adaptar normas e instrumentos para a lente climática. Karla trouxe exemplos de municípios que avançaram ao integrar soluções baseadas na natureza, revisar instrumentos urbanísticos e atuar em consórcios. “Sem planejamento, não há resiliência; e sem financiamento, planejamento não sai do papel”, sintetizou.​
 

Encerrando o painel, Haiany Cristina Ribeiro de Miranda, especialista em Engenharia Ambiental da Nippon Koei (Tokio), apresentou tecnologias promissoras para o contexto brasileiro, como modelagens hidrológicas de alta resolução, integração de GIS e BIM, sensores IoT e sistemas de alerta precoce. 
 

Ela destacou a importância de adaptar soluções internacionais às realidades locais e lembrou que o Brasil ainda investe muito mais em reconstrução do que em prevenção. “O país dedica 70% dos recursos ao pós-desastre e apenas 2% à prevenção. Precisamos inverter essa equação.”​
 

Capacitação e governança para lidar com extremos climáticos

O último painel do dia, “A capacidade municipal de enfrentamento de desastres e o desafio dos extremos climáticos”, trouxe uma discussão pragmática sobre a pergunta que norteou toda a tarde: como preparar municípios para enfrentar desastres que já não são exceção, mas rotina?
 

Sob a mediação de Luciana Dall’Agnol, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, o painel debateu estratégias reais de reforço institucional. Luciana destacou a mudança de paradigma do setor de seguros, afirmando que “o setor de seguros tem trazido para si a responsabilidade de se colocar em um posicionamento estratégico nessa agenda de clima”.​
 

A analista de Defesa Civil da CNM, Ingrid Ferreira Lima, trouxe à mesa números que revelam o tamanho do desafio. Estudo recente da Confederação mostrou que 12% dos municípios não executam nenhuma ação exclusiva de Defesa Civil, enquanto 70% contam com orçamento de até R$ 50 mil para prevenção e resposta, valor insuficiente para cumprir as 18 obrigações previstas na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. 
 

Para agravar o quadro, 43% das Defesas Civis municipais têm apenas três servidores para gerir todas as etapas, da prevenção à reconstrução. “Um Brasil só será resiliente quando os municípios forem resilientes”, afirmou Ingrid, reforçando a urgência de mais recursos, capacitação e protagonismo local.​
 

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Painel 3 – A Capacidade Municipal de Enfrentamento de Desastres e o Desafio dos Extremos Climáticos

A urbanista Leticia Sabino, diretora-presidente do Instituto Caminhabilidade, focou na relação entre planejamento urbano, desigualdade e vulnerabilidade climática. Ela criticou o modelo urbano centrado no automóvel e defendeu a caminhabilidade como eixo de mitigação e adaptação. “O planejamento que fizemos até agora não funciona. Adaptar as cidades significa colocar as pessoas no centro e reduzir distâncias”, disse, apresentando exemplos de Paris, Seul e iniciativas brasileiras em Fortaleza e Sobral. Para Leticia, soluções descentralizadas, de escala de bairro, são fundamentais para proteger mulheres, crianças, idosos e moradores das periferias, grupos que mais caminham e os que mais sofrem com calor extremo, enchentes e infraestrutura precária.​
 

Na perspectiva institucional e financeira, Larissa Menescal, especialista em Políticas Públicas da InREDE, e Jardel Luís Carpes, diretor de Riscos da Caixa Econômica Federal, convergiram na mesma conclusão: sem integração e governança, nenhuma estratégia se sustenta. 
 

Larissa destacou os gargalos de fragmentação e descontinuidade, defendendo institutos de planejamento capazes de articular diferentes áreas e transformar dados em ação concreta. “Nunca tivemos tantos dados — o desafio agora é fazer com que eles orientem decisões no território.” Jardel, por sua vez, apresentou instrumentos como o FEP e o novo Fundo Garantidor de Crédito para PPPs (FGC 3P), lançado na COP30, que ampliam a capacidade dos municípios de acessar financiamentos de resiliência. Para ele, o futuro depende de coordenação econômica: “Precisamos equilibrar os incentivos para que a adaptação seja viável para todos.”

Susep multa diretores do IRB(Re) em cerca de R$ 1 milhão

Fonte: Valor

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) multou o presidente do IRB(Re), Marcos Falcão, e outros seis diretores e ex-diretores do ressegurador pelo descumprimento de um plano de reparação de apontamentos proposto pela autarquia após a identificação de irregularidades contábeis ligadas à contabilização de créditos tributários. As penalidades somam cerca de R$ 1 milhão.

Cinco dos sete envolvidos receberam multa de R$ 154 mil cada. Os demais foram penalizados em R$ 124 mil. No processo, o IRB(Re) foi incluído como responsável solidário. A decisão é de primeira instância, ainda sujeita a recurso.

O Conselho Diretor da Susep aprovou nesta quarta-feira a aplicação de penalidades por duas infrações. A primeira foi o não atendimento, no prazo e na forma exigidos, às solicitações da autarquia para a reparação de “deficiências na constituição dos créditos tributários decorrente de prejuízos fiscais”.

“Dentre elas, estava a ativação de valores em montante superior ao suportado pelo estudo técnico, resultando em uma escrituração contábil inadequada desde o mês de maio de 2022 até dezembro de 2022”, disse Jéssica Bastos, diretora de organização de mercado e regulação de conduta da Susep.

A segunda infração corresponde ao fato da companhia não ter zelado pela qualidade do sistema de controles internos. “Os trabalhos de auditoria interna do IRB (Re) não avaliaram as discussões com a Susep quanto ao não cumprimento do referido plano de reparação, de forma que a auditoria interna validou os procedimentos adotados pela companhia em sua integralidade”, explicou Bastos.

A diretora classificou os fatos como de “alta gravidade”, observando que os créditos tributários chegaram a representar quase 11% do ativo total da companhia e superaram 50% do patrimônio líquido. Considerando esse potencial de distorção de leitura das demonstrações contábeis, o tema deveria merecer atenção especialmente quando descumprir os requisitos contábeis”, pontuou.

Alessandro Octaviani, superintendente da Susep, disse durante o voto que a análise do caso foi um “trabalho coletivo de tentativa de colocar uma das mais importantes companhias do mercado no rumo certo, depois de todos os eventos que aconteceram”.

A distorção identificada “nubla e desorganiza todo o esforço que a Susep vem fazendo, inclusive em conjunto com a companhia e com as pessoas que deram um passo adiante na tentativa de reconstrução desse importante player do nosso mercado”, concluiu Octaviani.

O Valor procurou o IRB para se pronunciar sobre o caso, mas ainda não obteve retorno.

Força-Tarefa de Resseguros do Brics debate possíveis caminhos de cooperação para 2026

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Fonte: Ministério da Fazenda

A Força-Tarefa de Resseguros do Brics se reuniu na terça-feira (18/11), pela segunda vez. Durante a sessão, em que participaram ministérios de finanças, bancos centrais, autoridades reguladoras, agências de crédito à exportação e membros do Conselho Empresarial dos Brics, foram debatidas propostas de cooperação para o fortalecimento dos mercados de resseguros dos países do grupo, além de propostas de agenda para 2026.

O encontro, realizado de forma virtual, sucede a primeira reunião da Força-Tarefa, realizada em setembro e dá sequência aos entendimentos acordados entre as lideranças dos países nas reuniões de julho, no Rio de Janeiro, bem como aos trabalhos iniciados no seminário Brics Global (Re)insurance Landscape, ocorrido em abril.

O subsecretário de Finanças Internacionais e Cooperação Econômica, Antonio Cottas Freitas, destacou que a área de resseguros exige uma coordenação fina entre diversos órgãos e instâncias no âmbito doméstico, exigência que se aprofunda na dimensão internacional. “A complexidade não deve nos impedir de avançar na cooperação. Não precisamos avançar de forma acelerada. É possível, de forma gradual, pensar em iniciativas piloto”, disse Freitas, que também sustentou a necessidade de envolvimento de atores não governamentais.

“Nós acreditamos que as discussões não devem ficar circunscritas a integrantes de governos. Para termos apoio na implementação, é fundamental que as discussões travadas aqui tenham aportes de representantes de atores que atuam nesse mercado”, complementou.

A diretora da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Júlia Lins, avaliou como positivos os avanços nas discussões e defendeu que a cooperação internacional é essencial para que países em desenvolvimento possam ampliar a assunção de riscos.

“As discussões apresentaram várias possibilidades de intensificar a integração técnica e institucional no âmbito do resseguro. Ficou evidente que a maioria dos países dos Brics enfrentam desafios comuns, principalmente quando falamos de riscos catastróficos e riscos emergentes. Diante desses desafios, é impossível continuar pensando em soluções individuais e isoladas. Os riscos são cada vez mais transnacionais, e a forma de lidar com eles deve ser trabalhada em fóruns como esses. A integração entre os países é essencial para ampliarmos nossa capacidade coletiva de absorver e enfrentar tais riscos”, disse.

Uma das ideias debatidas durante as discussões foi a de estabelecer uma plataforma permanente de integração para troca de experiências e conhecimentos e que resultassem em propostas e modelagens em comum. Isso permitiria se encontrassem caminhos concretos de integração. A iniciativa, chamada de Laboratório de Riscos do Brics, foi sugerida à presidência indiana do Brics, que se inicia no próximo ano. Na concepção atual, a adesão ao Laboratório seria facultativa  e aberta também a países que não fazem formalmente parte do grupamento. Um dos momentos da sessão se destinou à apresentação dos resultados de uma reunião entre agências de garantias de crédito de países do Brics, ocorrido em 13 de novembro.

O representante da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), Rafael Cruz, ressaltou as potencialidades de uma maior cooperação na área. “A exposição das agências de garantia de crédito aos riscos relacionados aos Brics permanece relativamente pequena, o que sugere espaço para explorar mais operações. Uma plataforma comum fortaleceria a capacidade coletiva de underwriting, melhoraria a diversificação e a diluição de riscos e possibilitaria liquidação em moeda local. Entre os benefícios adicionais estariam o compartilhamento de conhecimento e a adoção de padrões harmonizados entre os membros”, sistematizou Cruz.

Iniciativa

No primeiro semestre de 2025, ocorreram discussões sobre cooperação em (re)seguros no Seminário Global sobre o Panorama de (Re)seguros, que reuniu ministérios da Fazenda, autoridades regulatórias, agências de crédito à exportação, o Conselho Empresarial dos Brics e outras partes interessadas. O seminário tratou de questões relacionadas à cooperação, incluindo normas regulatórias e tributárias, além de riscos emergentes no mercado.

Em julho, foi alcançado acordo, consolidado na Declaração do Rio de Janeiro da XVII Cúpula dos Brics e na Declaração Conjunta dos Ministros da Fazenda e Presidentes de Bancos Centrais, para criar uma Força-Tarefa de (Re)seguros, a fim de dar continuidade aos trabalhos até o fim da presidência brasileira em 2025.

Corretora Oneglobal adquire a Proativa Consultoria e somam quase R$ 1 bilhão em receita

A Oneglobal Brasil, braço da corretora internacional de seguros e resseguros Oneglobal Broking Limited, controlada pela the J.C. Flowers & Co, anuncia a aquisição da Proativa Consultoria de Benefícios, corretora especializada na gestão de benefícios corporativos. A operação posiciona a Oneglobal para oferecer aos clientes uma ampla gama de proteção para riscos corporativos, desde grandes riscos a soluções para vida e previdência.

A transação nasce de sinergias de expansão: duas corretoras em forte crescimento, com cultura e visão estratégica alinhadas, e uma tese clara de aumentar receita via cross-sell e novos clientes, graças a um portfólio de produtos ainda mais completo. Juntas, Oneglobal e Proativa terão uma carteira diversificada e altamente fidelizada, e um time de quase 150 colaboradores reconhecido pela abordagem consultiva e protagonismo no atendimento ao cliente.

A Proativa foi fundada em 2019 por Michel Wajs, executivo do mercado de tecnologia, e Roberto Sturm, que já atuava no mercado de seguros. Os dois contaram com investimento dos sócios-fundadores do fundo Hix Capital, através de veículo proprietário. Os dois sócios permanecem na operação com objetivo comum de multiplicar a empresa. 

A avaliação das lideranças da Oneglobal Brasil e da Proativa é que contexto setorial, com clientes dos segmentos industrial, farmacêutico, financeiro, de serviços e de energia, de diferentes regiões do país, vai ampliar a visão e a capacidade técnica e analítica da equipe.

“A chegada da Proativa marca um passo decisivo na nossa estratégia de oferecer soluções completas e integradas aos clientes. Vamos unir a profundidade técnica da Oneglobal em grandes riscos à excelência consultiva da Proativa em benefícios, em um movimento guiado por um forte fit cultural e pelo espírito empreendedor que nos conecta. Essa combinação fortalece nossa visão de futuro e cria oportunidades comerciais imediatas nas duas carteiras”, afirma Luis Cardoso, CEO da Oneglobal Brasil. 

“Oneglobal Brasil e Proativa compartilham uma trajetória de rápido crescimento. Agora, a complementariedade das nossas operações abrirá muitas oportunidades para ampliarmos as vendas para os clientes que já temos em carteira. Nossa expectativa é triplicar o volume de prêmios arrecadados nas duas operações, que é de quase R$ 1 bilhão hoje”, afirma Leonardo Dale, CEO da Oneglobal Seguros.

“Estamos muito felizes em unir forças à Oneglobal. Essa parceria amplia nossa capacidade de oferecer serviços de excelência e investimentos em tecnologia, mantendo nosso DNA de proximidade com os clientes e fortalecendo nossa marca, agora em nível global”, diz Roberto Sturm, Sócio e Vice-Presidente Comercial da Proativa.

“Entramos nessa operação com princípios claros: preservar o nosso legado junto aos clientes e com o time, e expandir a capacidade de entrega. Já vivemos M&A’s no passado e aprendemos o que funciona. Aqui encontramos sinergia para crescimento rara — mesma cultura, mesma visão e mesmo rigor técnico”, afirma Michel Wajs, Sócio e Vice-Presidente de Relacionamento com Cliente da Proativa.

Do financiamento à adaptação: o papel estratégico do seguro na nova agenda da infraestrutura brasileira 

Qual é o futuro da infraestrutura brasileira diante das crescentes ameaças climáticas? “Sem seguro, não existe infraestrutura e, sem infraestrutura resiliente, o país não enfrenta a crise climática”, afirmou Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, ao abrir a tarde de debates desta terça-feira (18), na Casa do Seguro, durante a COP30, em Belém (PA). 
 

O evento reuniu representantes do governo, especialistas internacionais, seguradoras, transportadoras e investidores, com o objetivo de debater como o setor pode sustentar o maior ciclo de obras previsto para o Brasil nas próximas décadas. 
 

Promovido pela CNseg em parceria com Abdib, SEPPI e o Ministério de Portos e Aeroportos, o Fórum de Seguros e Infraestrutura Sustentável explorou os desafios de financiar, proteger e adaptar projetos estruturais diante da necessidade de resiliência, segurança jurídica e inovação.
 

Na abertura, Dyogo Oliveira destacou avanços na estruturação de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), mas apontou a existência de uma “lacuna de proteção” que dificulta o pleno acesso ao financiamento. O ponto central, segundo Oliveira, é integrar o mercado de seguros desde as primeiras etapas dos projetos. 
 

Tomé Franca, secretário-executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, reforçou a relevância da previsibilidade jurídica e da modernização das matrizes de risco, enquanto Venilton Tadini, presidente da Abdib, alertou que o novo ciclo de investimentos exige evolução equivalente em produtos de seguro e engenharia de risco.
 

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Tomé Franca, secretário-executivo do Ministério de Portos e Aeroportos

As falas de abertura confluíram para um consenso: o Brasil possui demanda crescente, capacidade técnica e projetos estruturados, mas esbarra nas exigências de financiamento, proteção climática e garantias jurídicas – fatores que precisam caminhar juntos para destravar o potencial das obras públicas.​
 

Seguro: chave para destravar investimentos

O primeiro painel aprofundou o desafio de garantir que os recursos bilionários do Novo PAC, além das concessões e PPPs previstas para os próximos anos, possam viabilizar infraestrutura com qualidade e gestão eficiente de riscos. 
 

André Dabus, diretor de Infraestrutura e Construção da Marsh Brasil; Antonio Silveira, vice-presidente de Setor Privado da CAF; Denis Maelaro, diretor técnico de P&C, Specialties e Engenharia de Riscos da AXA; e Helena Venceslau, diretora de Assuntos Econômicos do Ministério de Portos e Aeroportos, discutiram caminhos para ampliar a participação do setor segurador na etapa prévia dos projetos, onde decisões cruciais sobre garantias, produtos e padrões técnicos são tomadas.
 

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Painel 1 – Seguros Como Instrumento de Proteção dos Investimentos em Infraestrutura

Os integrantes do painel apontaram avanços recentes, mas consideraram a necessidade urgente de padronização dos instrumentos de garantia, maior diálogo técnico entre transportadoras, seguradoras e financiadores, além de portfólio de produtos adaptados às novas exigências do clima, tecnologia e regulação. 
 

O ponto crítico, destacado por Silveira, é migrar de garantias estatais para mecanismos seguros robustos capazes de sustentar operações de project finance de longo prazo. “O grande desafio é migrar de garantias estatais para um mercado segurador mais robusto”, afirmou.
 

Helena Venceslau enfatizou a importância de alinhamento de contratos de longa duração com riscos emergentes e dinâmicos. “Riscos mudam. E, se mudam, contratos precisam ser revisados”, sintetizando o consenso sobre necessidade de políticas públicas e instrumentos flexíveis que deem previsibilidade e confiança aos investimentos.
 

Infraestrutura como motor de adaptação climática

O segundo painel abordou a pressão dos eventos climáticos extremos sobre os sistemas essenciais como saneamento, energia e transporte, setores cujas falhas afetam diretamente a saúde pública e o funcionamento das cidades. 
 

Com a participação de Ranjini Mukherjee, diretora de Research, Knowledge Management and Capacity Development da CDRI; Rogério de Paula Tavares, vice-presidente de Relações Institucionais da Aegea; e Rogério Moreira Jacobsen, gerente de Suporte a Projetos de Clientes PJ da Tokio Marine, o debate mostrou que a resiliência climática já é realidade urgente, ampliando custos, reduzindo margens e exigindo modernização das infraestruturas urbanas.
 

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Painel 2 – COP30: Infraestrutura Como Indutora do Desenvolvimento Sustentável

Tavares apresentou soluções práticas em saneamento, área que considera estratégica para a adaptação. “Saneamento é a infraestrutura mais importante para adaptação. Na seca, garante água; na enchente, evita doenças”, disse, relacionando impactos ambientais e sociais.
 

Jacobsen reforçou que o setor segurador está preparado para atuar, mas defende a participação desde a concepção das obras, não apenas como instrumento de transferência final de riscos. “Seguradora que só aparece no fim não consegue entregar proteção adequada”, destacou.
 

A contribuição internacional de Ranjini reforçou que os países que integraram o planejamento urbano, o financiamento e os seguros avançaram mais rapidamente e com menor custo social na agenda climática.
 

Guia Prático inaugura novo marco institucional

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Painel de lançamento do Guia Prático de Seguros e Capitalização para Concessões e PPPs

No encerramento, foi lançado o Guia Prático de Seguros e Capitalização para Concessões e PPPs, elaborado pela CNseg, SEPPI e Ministério de Portos e Aeroportos. 
 

Apresentado por Denis Morais, presidente da FenaCap; Manoel Renato, secretário-adjunto de Infraestrutura Social e Urbana da SEPPI; Helena Venceslau; e Esteves Colnago, diretor de Relações Institucionais da CNseg, o documento é um marco na tentativa de aproximar as linguagens do setor público e privado.

O documento oferece diretrizes claras sobre critérios mínimos contratuais, produtos adequados para cada fase de concessão e práticas para mitigar conflitos entre seguradoras, transportadoras e reguladores.​
 

“O guia mostra que é possível alinhar tantos órgãos diferentes em torno de uma mesma linguagem”, disse Helena Venceslau. Morais ressaltou que o material inaugura novo momento institucional. “É o pontapé inicial para transformar debates em prática.”

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Denis Morais, presidente da FenaCap

Consenso para o futuro

No início ao fim, o Fórum deixou claro que o seguro passou de componente burocrático para elemento estratégico no financiamento, execução e resiliência climática das obras brasileiras. O consenso entre especialistas foi de que só será possível avançar no portfólio de investimentos de infraestrutura com previsibilidade e instrumentos capazes de acompanhar riscos ambientais e tecnológicos.