Zurich e Tempo avançam no atendimento ao cliente nos seguros automóvel e residencial

A Zurich Seguros está utilizando uma ferramenta inovadora de atendimento para os clientes que precisam utilizar os serviços de assistência 24h dos seguros automóvel e residencial. Apelidada de ZOE e desenvolvida em parceria com a Tempo, empresa responsável pelos serviços de assistência 24h de ambos os produtos da companhia, trata-se de uma ferramenta inteligente e humanizada, que atua como um “copilot” dos operadores, auxiliando em tempo real na condução dos atendimentos e contribuindo para uma experiência mais ágil, precisa e assertiva para os clientes. 

Funciona assim: durante as ligações, o operador conduz o atendimento normalmente, enquanto a ferramenta interpreta o relato do cliente e sugere as perguntas e soluções mais adequadas, com base nas coberturas contratadas. Com a avaliação do operador, o serviço acionado torna-se 100% alinhado à necessidade do segurado, reduzindo erros, retrabalho e o tempo de atendimento ao cliente. 

Os resultados do piloto já demonstram ganhos significativos: redução de 30% no tempo médio de atendimento, aumento do NPS e nota média de 9,6 atribuída pelos clientes atendidos com o apoio da ferramenta.  

Segundo Fabio Leme, diretor executivo de Linhas Pessoais, Marketing & Clientes e responsável pelo time de Inovação da Zurich Seguros, a iniciativa está alinhada ao pilar de clientecentrismo da companhia, que tem como foco colocar o cliente no centro das decisões e aprimorar continuamente cada etapa da jornada de atendimento. Para ele, a ZOE reforça o compromisso ao utilizar tecnologia e dados para garantir que cada interação seja mais eficiente, personalizada e resolutiva. 

“A ZOE representa um passo importante na nossa jornada de inovação e no compromisso de oferecer uma experiência de excelência aos clientes. Ser uma das primeiras seguradoras a testar essa tecnologia reforça o papel da Zurich como protagonista na transformação digital do setor, sempre usando a tecnologia com foco em eficiência, qualidade e atendimento humanizado”, afirma Fabio. 

A fase piloto da ZOE está sendo conduzida em todo o território nacional, contemplando os principais eventos de assistência do seguro automóvel, como panes mecânicas ou elétricas, colisões com necessidade de reboque, troca de pneu e perda de chave, e do seguro residencial, como problemas hidráulicos, elétricos simples e em eletrodomésticos. 

“A ZOE representa uma nova forma de atendimento, unindo todo o conhecimento que a Área de Operações converteu em algoritmo com a assertividade que a IA proporciona. O resultado é uma melhora significativa na experiência do cliente”, afirma o CIO da Tempo, Wilian Domingues. 

Para a Zurich, soluções como a ZOE reforçam a busca constante por excelência em atendimento, agilidade nas respostas e proximidade com o cliente, valores que sustentam a estratégia de diferenciação da companhia no mercado de seguros. 

“Em seguros massificados e mercados altamente competitivos como o do seguro automóvel, por exemplo, a busca pela excelência nos detalhes faz toda a diferença na escolha do consumidor”, pondera Fábio. “A ZOE destaca o pioneirismo da Zurich na adoção de tecnologias que aliam inteligência artificial e atendimento humanizado, reforçando o valor das parcerias estratégicas com empresas como a Tempo para aprimorar continuamente os serviços prestados e elevar o padrão de satisfação dos clientes”, finaliza Fabio Leme. 

Capacitação sustentável: conheça a trilha Green Skills da Bradesco Seguros

por Bradesco Seguros

Em sintonia com os desafios contemporâneos e impulsionado pelo debate global sobre sustentabilidade, ampliado pela COP30, que marcou a participação inédita do mercado segurador brasileiro no fórum internacional, o Grupo Bradesco Seguros expande seu portfólio de capacitação e lança a trilha de aprendizagem “Green Skills – Habilidades Verdes” na plataforma Universeg, destinada exclusivamente aos corretores de seguros.

A iniciativa reforça o compromisso da companhia com a educação continuada e com a valorização da atuação dos profissionais que integram o ecossistema segurador, a trilha tem como objetivo desenvolver habilidades voltadas à sustentabilidade. Por meio dessa formação, os profissionais ganham instrumentos para enriquecer seus discursos de venda, alinhando-os às expectativas de consumidores cada vez mais conscientes. Os módulos abordam aplicações práticas das habilidades verdes em diferentes linhas de negócio: automóvel, ramos elementares, saúde, vida e previdência.

“Ao disponibilizar esta trilha, reforçamos não apenas nosso compromisso com o desenvolvimento profissional dos corretores, mas também com a promoção de uma cultura mais consciente e sustentável no mercado segurador. O corretor tem papel estratégico nessa transformação: ele é agente de confiança, orientação e, sobretudo, de influência positiva sobre as escolhas dos clientes”, destaca Valdirene Soares Secato, Diretora de RH, Ouvidoria e Sustentabilidade do Grupo Bradesco Seguros.

A trilha se soma a outros conteúdos oferecidos na plataforma Universeg com foco em sustentabilidade, como os cursos “Fique por Dentro da Sustentabilidade” e a série voltada aos pilares Ambiental, Social e de Governança (ASG), evidenciando uma jornada de formação que estimula o engajamento dos corretores em temas relevantes para o futuro do setor.

Porto Serviço lança planos anuais por assinatura com serviços para casa e carro 

A Porto Serviço, empresa do Grupo Porto especializada em serviços emergenciais e de manutenção para casa e carro, acaba de anunciar uma novidade em seu portfólio para reforçar o compromisso de cuidar das pessoas, levando garantia, conveniência e qualidade ao alcance das mãos, com contratação simples e digital.

Atualmente, segundo levantamento da plataforma Betalabs, 74% dos brasileiros já assinam ao menos um serviço recorrente, devido à simplicidade e conveniência oferecidas para o dia a dia.

Pensando em facilitar o cotidiano das pessoas e inspirada no modelo de streaming, a Porto Serviço lançou seis Planos de Assinatura com serviços que unem praticidade, conveniência, qualidade e acesso facilitado a diversos serviços, tanto para a casa, quanto para o carro.

O lançamento combina serviços emergenciais e de manutenção programada, com foco em atender diferentes perfis e necessidades. São quatro opções para residências e duas para veículos, com utilização por demanda.

“A Porto Serviço traz o modelo de assinatura para o cuidado com a casa e o carro, com a qualidade e a confiança já reconhecidas da marca Porto, para que as pessoas não precisem mais perder tempo com manutenções e possam se dedicar só ao que realmente importa: a família, os amigos, e o que fizer sentido para elas”, afirma Lene Araujo, CEO da Porto Serviço.

Seis planos, múltiplas soluções

No segmento de serviços para casa, a Porto Serviço disponibiliza quatro opções de Planos Anuais de Assinatura Residencial: Essencial, Completo, Plus e Premium.
 

O plano Essencial inclui serviços para quando o imprevisto acontecer. Cobre elétrica, hidráulica, chaveiro, desentupimento e suporte técnico remoto (help desk). O Completo inclui, além dos serviços do plano Essencial, manutenção de box de vidro, limpeza de caixa d’água (até 4 mil litros), e oferece uma limpeza de colchão como cortesia.

O Plus oferece serviços mais complexos, mas que fazem parte da rotina de todo mundo: limpeza de ar-condicionado, limpeza de estofados e manutenção preventiva de aquecedor a gás, além de help desk ilimitado. Por fim, o Premium, mais completo, acrescenta elétrica e hidráulica, mantém todos os serviços do plano Plus, e inclui, ainda, uma impermeabilização de sofá como cortesia.

Já no segmento de serviços para o carro, o Plano Essencial contempla remoção de veículo, carga de bateria, troca de pneu, chaveiro (abertura) e transporte de passageiros. Já o Plano Completo inclui também transporte de passageiros e cortesia de serviços como check-up veicular, troca de óleo, alinhamento, cristalização de para-brisa, carga de bateria, oxi-sanitização e troca de filtro do óleo (em regiões atendidas pelos Centros Automotivos Porto Serviço, todos com limite de uma utilização anual.

“Os Planos Anuais de Assinatura são pra todo mundo. Eles foram criados para estar ao lado das pessoas em situações cotidianas, com um formato acessível e que não exige qualquer vínculo com seguro. Todo mundo pode comprar, usar quando precisar e contar com a excelência da Porto em serviços que geram impacto real na rotina, seja na hora da emergência, na manutenção ou na conveniência”, afirma Lene Araujo, CEO da Porto Serviço.

Como contratar

A contratação dos planos é toda digital, com interface simples e intuitiva pelo site da Porto, WhatsApp (11) 96840-1194, e App Porto, tanto para os planos por assinatura, quanto para serviços avulsos. Quem preferir, também pode contar com o apoio de um corretor parceiro.

O pagamento dos planos é feito em 12 parcelas no cartão de crédito, e clientes do Cartão de Crédito Porto Bank têm 20% de desconto.

Valor: deflação em seguro de carros surpreende e gera ruído para BC

Fonte: Valor

A queda vertiginosa nos preços de seguros veiculares nos últimos meses tem chamado a atenção de economistas, principalmente porque o item gera ruído em métricas acompanhadas de perto pelo Banco Central. Segundo especialistas do setor, o movimento é resultado de uma combinação de fatores e pode persistir à frente.

Só entre setembro e novembro deste ano, os preços do chamado “seguro voluntário de veículo” no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do país, acumulam queda de 9,3%, observa o Barclays. Em 2025, até novembro, a redução é de 6,5%.

O problema é que os seguros de carros entram na conta dos serviços subjacentes, medida que engloba itens mais sensíveis à política monetária, o que não é exatamente o caso desses seguros, embora algumas das explicações para a deflação no segmento passem, sim, por questões envolvendo a desaceleração da atividade em um contexto de aperto monetário.

“Essa pegou o mercado de surpresa e acabou auxiliando na queda dos serviços subjacentes. Cerca de 10% [de queda] em três meses é bastante significativo”, afirma Alexandre Maluf, economista da XP.

Na média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada (uma medida mais tendencial), a inflação dos serviços subjacentes está quase em 4%, dentro do teto de 4,5% para a meta de 3%, aponta o Barclays. Sem contar a ajuda dos seguros veiculares, porém, os serviços subjacentes ainda rodariam acima do limite, em 5,3%.

Os serviços subjacentes chegaram a superar 8%, pela média móvel trimestral, em dezembro de 2024 e passaram quase metade de 2025 acima de 7%. Excluindo os seguros veiculares, a melhora do grupo até novembro “teria sido muito mais modesta”, afirma Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays.

Economistas observam que, como a queda de quase 6% dos seguros veiculares no IPCA de setembro sairá do cálculo da média móvel trimestral no dado de dezembro, é possível que a diferença entra a medida de serviços subjacentes com e sem o item diminua, possivelmente levando os serviços subjacentes a interromperem a sequência de sete quedas consecutivas, por essa base de comparação.

Segundo especialistas do setor, a queda dos preços dos seguros de automóveis neste ano é resultado de uma combinação de fatores. Do lado da demanda, a restrição de renda tem levado os brasileiros a buscar coberturas mais simples. “Os clientes estão cotando mais e procurando alternativas de proteção, reduzindo a abrangência das apólices e contratando, por exemplo, apenas cobertura contra terceiros”, diz Gabriel Purkyt, sócio da consultoria BCG e especialista em seguros e instituições financeiras.

Do lado da oferta, o nível elevado da taxa Selic tem impulsionado os resultados financeiros das companhias e aberto espaço para políticas de preços mais competitivas. Parte relevante dos ganhos das seguradoras vem do resultado financeiro das aplicações, que tende a ser favorecido em períodos de juros altos. “As empresas, diante disso, conseguem reduzir as margens, já que o ganho financeiro está garantido”, diz.

O comportamento recente dos preços reflete também um processo de reequilíbrio do mercado, após um ciclo de alta entre 2021 e 2023, segundo Jaime Soares, presidente da Comissão de Seguro Auto da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Naquele período, uma combinação de fatores pressionou os custos, como a escassez de peças, causada pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, a valorização do dólar e o aumento dos índices de roubo e furto de veículos.

“Com a normalização das cadeias de fornecimento, a maior estabilidade cambial e o avanço da tecnologia aplicada à gestão de risco, o setor imediatamente ajustou as tarifas, acompanhando a queda dos custos médios de reparo e a melhora dos indicadores de sinistralidade em algumas regiões”, explica Soares.

A sinistralidade vem se estabilizando em níveis mais saudáveis após o pico de 2022. O índice passou de 69,5% em 2022 para 58% em 2023 e 59,4% em 2024, o que, segundo o diretor da FenSeg, reflete melhor gestão de riscos, uso crescente de tecnologia e redução gradual de roubos e furtos em algumas regiões do país.

Além disso, o uso intensivo de dados e modelos analíticos mais precisos tem permitido às seguradoras calcular o risco de forma mais individualizada, considerando fatores como perfil do motorista, tipo de uso do veículo e localização geográfica. “Isso resulta em produtos mais adequados ao perfil de cada cliente, mantendo o equilíbrio técnico do mercado e contribuindo, de forma natural, para um cenário de menor pressão sobre os índices de preços ao consumidor”, diz Soares.

A explicação para a intensificação da queda em setembro, em particular, não é simples, mas pode estar relacionada a campanhas promocionais mais agressivas de algum participante do mercado, rapidamente replicadas pelos concorrentes, segundo Purkyt. Ele lembra que o segmento de seguro de auto é mais concentrado que outros ramos: atualmente, cinco empresas respondem por quase 80% das emissões. Com isso, qualquer movimento de corte de preços é sentido de forma imediata pelos demais players, observa.

No IPCA de setembro, o seguro de veículos registrou deflação de 5,98%, após subir 0,63% em agosto. Em outubro deste ano, a queda desacelerou para 2,13% e, em novembro, para retração de 1,46%.

A arrecadação do setor com seguro de automóveis cresceu 6,1% de janeiro a setembro, para R$ 45,2 bilhões, segundo dados mais recentes compilados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A projeção é de aumento de 6,6% nesta linha em 2025 e de 7,7% no próximo ano.

Olhando à frente, Purkyt, da BCG, diz não ver fatores estruturais que indiquem reversão dessas tendências no curto prazo. “A dinâmica deve se manter pelo menos enquanto as taxas de retorno (ROEs) permanecerem elevadas”, afirma. Com isso, é provável que o movimento continue até pelo menos o fim do primeiro semestre de 2026.

Maluf, da XP, afirma ter incorporado, nas suas projeções de IPCA, como permanente a queda ocorrida nos preços de seguros veiculares até agora. “Parecia ser um efeito isolado, associado ao IPI verde [redução de imposto para carros mais eficientes]. No entanto, foram três leituras consecutivas de queda intensa.”

Ele ainda espera alguma devolução, com expectativa de crescimento de 0,75% no IPCA de dezembro. “O que eu quero dizer é que não tenho a volta de tudo”, explica. “Tenho que assumir alguma premissa. A queda foi muito forte em setembro, menor em outubro e muito menos intensa em novembro. A assimetria fica para normalizar um pouco, com estabilidade ou leve alta”, diz, sem descartar que podem acontecer novas surpresas baixistas. “Tudo isso ainda é um quebra-cabeça.”

Mesmo assim, a XP espera que o seguro veicular encerre 2025 com deflação de 5,8%, para um IPCA que deve subir 4,3%. Em 2024, o preço do seguro de carros no índice subiu 6,3%.

CNseg projeta crescimento do setor de seguros em 8% para 2026, excluindo previdência

O setor de seguros brasileiro encerra 2025 com a sensação de que está apenas na “primeira fase do filme”, com muitas discussões que culminaram na entrada em vigor hoje do novo marco legal de contratos de seguros — e que 2026 pode finalmente está destinado a trazer um “final feliz”, nas palavras do presidente da CNseg, Dyogo Oliveira. Depois de um ano de avanços estruturais, diagnósticos profundos sobre o comportamento do consumidor e um ambiente macroeconômico ainda desafiador, a indústria entra no próximo ciclo com uma agenda clara: aumentar a proteção, expandir a presença do seguro entre a população e enfrentar, de maneira objetiva, as causas da baixa penetração do produto no país.

Durante a tradicional coletiva de final de ano à imprensa, Oliveira destacou que 2025 foi fundamental para compreender melhor as percepções da sociedade sobre o mercado segurador. Pesquisas conduzidas neste ano revelaram a existência de “dois mundos”: um grupo que entende, recomenda e se relaciona com o seguro, e outro — majoritário — que sequer compreende conceitos básicos.

“Cerca de 85% das pessoas não sabem que prêmio é o valor pago, não entendem o que é sinistro, franquia. E essas mesmas pessoas nos dizem que não são procuradas com ofertas do setor”, afirmou. Segundo ele, esse dado acendeu uma “luz amarela” e mostra para onde o mercado precisa caminhar: comunicação mais ativa, linguagem mais acessível e uma estratégia de aproximação real com quem nunca contratou um seguro.

Essa reaproximação será crucial em um cenário econômico que continua apertado. As projeções divulgadas pela CNseg apontam PIB de 1,95%, IPCA de 4,08% e Selic a 12% em dezembro de 2026, combinação que não libera totalmente o consumo, mas oferece alguma estabilidade para o planejamento de famílias e empresas. Já o cenário fiscal permanece tensionado, com o governo buscando receitas para acomodar despesas obrigatórias, o que adiciona incerteza especialmente sobre políticas de previdência e tributação.

A previdência aberta, aliás, é exatamente o ponto cego das projeções. Com a mudança no IOF e o teto de R$ 600 mil anuais para aportes em 2026, o comportamento futuro do VGBL permanece imprevisível. A CNseg optou por não divulgar projeções para o próximo ano, justamente pela volatilidade causada pelas alterações tributárias e pela queda de 25% nas contribuições até setembro de 2025. “É uma incógnita”, resumiu Oliveira.

Mesmo com esse componente de incerteza, o mercado de seguros como um todo deve apresentar um desempenho robusto. Excluindo previdência, o crescimento projetado para 2026 é de 8% — cerca de 4% em termos reais, segundo Oliveira, número bastante expressivo para a economia brasileira. Os dados da CNseg confirmam esse movimento em quase todos os ramos: automóveis (+7,7%), danos e responsabilidades (+8,5%), habitacional (+10,2%), transportes (+6,6%) e riscos financeiros (+12,5%).

No automóvel, o crescimento é impulsionado pelo aumento de 57,6% nos emplacamentos de híbridos e elétricos (jan–nov/2025) e pela manutenção de sinistralidade em patamar estável, de 59,8% até setembro de 2025. No habitacional, os lançamentos avançaram 25,2% e as vendas cresceram 2,9%, estimuladas pelo Minha Casa Minha Vida — um vetor evidente de expansão do seguro prestamista e habitacional. O ramo de transportes também ganha impulso com o e-commerce e com a expectativa de que a nova regulamentação, que vincula emissão de nota fiscal à verificação da existência de apólice, fortaleça o compliance e amplie a base segurada.

A única nota destoante do cenário otimista é o seguro rural. O ramo depende fortemente de subvenção pública e, embora o Congresso tenha aprovado o projeto que transforma o subsídio em despesa obrigatória, o texto ainda aguarda sanção presidencial. Até lá, o setor convive com dúvidas — apesar do orçamento previsto de R$ 1 bilhão para o PSR em 2026 e da perspectiva positiva trazida pelo futuro Fundo Catástrofe. A projeção da CNseg para o ramo é de crescimento de 2,3%.

No campo dos riscos financeiros, 2026 deve ser um ano de forte expansão, com destaque para o seguro garantia (+12,1%). O estoque de processos do CARF a serem liquidados até o fim de 2026, a nova Lei de Seguros, o avanço do PAC e a reforma tributária criam ambiente favorável para esse mercado.

Para Oliveira, o setor seguirá crescendo, mas o grande salto virá quando o país resolver um problema anterior ao próprio produto: a barreira cultural. “Precisamos enfrentar as causas da baixa penetração do seguro no Brasil. Isso passa por ações concretas, por comunicação clara e por olhar para quem hoje está fora do sistema. Não basta esperar que esse público venha até nós”, afirmou.

Taxonomia Sustentável

O setor de seguros entrou em 2026 com uma das iniciativas mais estratégicas de sua agenda de sustentabilidade: a construção da Taxonomia Sustentável do Mercado Segurador (TSS), apresentada por Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, durante a coletiva. O material — que define critérios objetivos, elegibilidade de produtos e impactos esperados — será submetido a consulta pública no próximo dia 15, abrindo uma fase de engajamento amplo com seguradoras, reguladores e sociedade.

Segundo Claudia, o ponto de partida foi o reconhecimento de que o mercado brasileiro ainda operava sem padronização suficiente para classificar produtos sustentáveis. “Poucas seguradoras classificaram seus produtos como sustentáveis até agora. E isso não acontece por falta de interesse, mas por falta de segurança técnica. Com a taxonomia, vamos conversar com a Susep e validar essas classificações, evitando erros e prevenindo o greenwashing”, afirmou.

A taxonomia, conforme a CNseg detalhou estabelece um arcabouço metodológico único para orientar seguradoras na avaliação de atividades, critérios de elegibilidade, contribuições e características que permitam rotular produtos como sustentáveis. Esse alinhamento se conecta tanto a marcos nacionais (como a Resolução CNSP 473/24) quanto a referências internacionais — um passo decisivo para garantir integridade e comparabilidade entre mercados.

Claudia reforçou que este é um trabalho coletivo, mas já maduro o suficiente para ser discutido abertamente. “Fechamos o arcabouço e agora vamos fazer a consulta pública com as seguradoras, que será lançada no dia 15. É um trabalho a ser terminado, mas já temos a base toda para discutir com o governo. Vamos fazer aberto para todos participarem e teremos um benchmark inspirador para o setor.”

Os impactos esperados da taxonomia, apresentados vão além do próprio mercado. Para as seguradoras, a TSS oferece referências padronizadas para desenvolvimento de produtos, maior segurança jurídica e redução de assimetrias de informação. Para o regulador, cria uma base técnica clara para futuros aprimoramentos normativos. Mas é para a sociedade que Claudia enfatiza os maiores benefícios: “A taxonomia permitirá ampliar o acesso à proteção, fomentar soluções para setores críticos como agro, florestas e cidades, e aumentar a transparência e a confiança no setor de seguros.”

A estrutura prevê ainda um componente essencial: indutores de boas práticas na cadeia de valor. “Essa taxonomia não é apenas um mapa; ela gera incentivos para que as empresas desenvolvam produtos que realmente contribuam para mitigação, adaptação e inclusão. É um processo que eleva a régua do mercado”, disse Claudia.

Na apresentação, a CNseg apresentou exemplos concretos de produtos elegíveis demonstrando como a taxonomia será aplicada na prática. Entre eles:

• Microsseguro de vida voltado a populações vulneráveis, com critérios de precificação acessível, adesão simplificada e indicadores claros de impacto social.
• Seguro Agrícola, com elegibilidade condicionada a cobertura contra eventos climáticos extremos, conformidade com o ZARC e uso de práticas de adaptação climática.
• Seguro Auto para veículos elétricos e híbridos, que deve incluir rede de oficinas especializadas, descarte adequado de baterias e incentivo ao uso de peças recondicionadas.
• Produtos de capitalização com finalidade filantrópica, que devem adotar métricas de impacto, reporte transparente e governança estruturada sobre os recursos repassados.

Esses exemplos ajudam a demonstrar como a taxonomia funcionará como um instrumento orientador, mas também como gatilho de inovação. “Estamos criando um padrão que ajudará o mercado a entender onde estão as verdadeiras contribuições socioambientais. Não basta rotular: é preciso provar impacto, consistência e alinhamento com os objetivos da taxonomia”, destacou Claudia.

A jornada da TSS prevê ainda guias por linha de negócio, governança de monitoramento, processo contínuo de atualização e treinamentos. A ideia é que o instrumento evolua ao longo dos próximos anos, acompanhando avanços regulatórios, climáticos e tecnológicos.

Com a consulta pública marcada e o engajamento crescente das seguradoras, a TSS inaugura uma nova fase para o mercado segurador brasileiro — mais transparente, mais orientado ao impacto e mais próximo da sociedade, afirma Claudia Prates.

Depois de uma primeira fase de filme agitada, com muitos pontos de vistas divergentes, agora a perspectiva é que a “segunda fase do filme”, como definiu o presidente, é justamente essa: um ciclo em que o setor assume papel mais ativo, combate a desinformação, amplia o alcance dos produtos e fortalece sua presença no dia a dia das famílias brasileiras. Se o roteiro será de fato premiado com um final feliz, 2026 começará a contar, sendo o interesse do consumidor pelo setor o melhor spoiler. A conferir.

BNP Paribas Cardif Brasil e Stellantis Financial Services Brazil anunciam parceria em seguros

A BNP Paribas Cardif Brasil, referência nacional em seguros massificados, e a Stellantis Financial Services Brazil anunciam uma parceria exclusiva para a oferta de seguros prestamistas. O produto de proteção financeira começa a ser distribuído nos mais de 1.200 pontos de venda da Stellantis no país e tem a expectativa de atingir cerca de 250 mil pessoas ao longo dos próximos 30 meses.

Com a aliança, clientes de Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram passam a poder proteger o financiamento de automóveis dessas marcas com soluções de seguro que quitam parte ou até mesmo toda a dívida em casos de desemprego ou morte, respectivamente. Com valores que começam em R$ 1.199 – diluídos pelo tempo de financiamento –, o prestamista pode incluir ainda a opção de auxílio funeral ou sorteios mensais de títulos de capitalização, dependendo da oferta escolhida.

“Usar toda nossa expertise no segmento de Mobilidade para agregar valor ao negócio do parceiro, tornando o financiamento da Stellantis cada vez mais competitivo e permitindo que seus clientes possam sair da concessionária 100% protegidos, é um passo importante do nosso propósito de tornar os seguros mais acessíveis. Estamos muito felizes em potencializar os negócios de uma companhia que impacta milhões de pessoas em todo o mundo e contribuir para uma melhor proteção dos consumidores brasileiros”, afirma Emmanuel Pelège, CEO da BNP Paribas Cardif Brasil.

“Essa parceria reforça nossa estratégia de oferecer soluções completas e integradas aos clientes Stellantis, unindo conveniência, segurança e inovação. Com o seguro prestamista, ampliamos o acesso à proteção financeira, aportando valor e fortalecendo ainda mais a jornada de compra e o relacionamento de longo prazo com nossos clientes”, complementa Jean Avril, CEO da Stellantis Financiamentos.

Com um modelo de negócios B2B2C baseado em grandes parcerias, a BNP Paribas Cardif conecta estratégia, dados e tecnologia para desenvolver produtos e ofertas específicas para trazer mais rentabilidade e agilidade a seus parceiros. Hoje, a área de Mobilidade representa cerca de 30% do faturamento da operação brasileira da seguradora e deve seguir crescendo dois dígitos nos próximos anos, impulsionada em parte pela nova aliança.

De acordo com a edição 2024 da Protect and Project Oneself, pesquisa global realizada pela seguradora junto do Instituto Ipsos e que ouviu 1.000 pessoas no Brasil, mesmo que 72% dos brasileiros estejam preocupados com o aumento das taxas de juros e 63% se considerem expostos ao risco de perder sua fonte de renda no curto e médio prazo, 61% deles estão dispostos a tomar crédito para a aquisição de um carro.

Por isso, as coberturas oferecidas por produtos como o seguro prestamista têm um forte papel social, reduzindo as taxas de inadimplência e endividamento. “Queremos garantir que os brasileiros se sintam mais tranquilos para financiar seus projetos e sonhos. Esse entendimento é chave para que possamos transformar a relação das pessoas com os seguros e levar a cultura de proteção no país a um novo patamar”, finaliza Pelège.

Nova lei de contratos de seguros vigora a partir desta quinta

Com a entrada em vigor da nova lei de contratos de seguro nesta quinta-feira, 11 de dezembro, o mercado segurador brasileiro se prepara para mudanças significativas que impactarão desde a gestão interna das empresas até a relação direta com o consumidor. O advogado Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), principal idealizador do novo marco legal, destaca que, embora a lei respeite o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, ela terá eficácia imediata em relação aos fatos supervenientes, como o regime de aviso e regulação de sinistros.

“A lei não volta para trás, mas a partir do início de sua vigência, regulamenta aspectos que não correspondem a direitos adquiridos, negócios aperfeiçoados ou coisa julgada. Por exemplo, um contrato antigo terá sua cobertura inalterada, mas um sinistro que ocorra após o dia 11 de dezembro estará sujeito às novas regras de transparência e prazos de regulação,” explica.

Leia mais Fernando Haddad e Marcos Pinto destacam papel da nova lei de seguros como vetor de confiança e investimento

Tzirulnik afirma que a alteração mais perceptível e urgente é a fixação de um prazo máximo de 30 dias para que as seguradoras concluam a regulação e liquidação do sinistro. O prazo começa a contar a partir do aviso do sinistro, desde que acompanhado dos documentos básicos listados na apólice, e pode ser suspenso por, no máximo, duas vezes.

Segundo ele, essa previsibilidade tende a aumentar a confiança no produto e, consequentemente, a demanda por seguros, reduzindo a incerteza sobre o tempo de espera pela indenização.

O novo marco legal reforça o princípio da boa-fé objetiva e estabelece um novo padrão para a recusa de sinistros, limitando as negativas genéricas. As seguradoras ficam vinculadas aos fundamentos da negativa de cobertura apresentados durante a regulação do sinistro. 

O advogado explica que deixa de ser aceitável que a seguradora traga um argumento “novo”, não ventilado na fase de regulação, para justificar a falta de cobertura em uma eventual contestação judicial. Isso exige maior responsabilidade e minúcia na análise de cobertura, incentivando o investimento em corpo técnico qualificado.

A lei também traz mais clareza sobre as responsabilidades de intermediários, especialmente em seguros coletivos: Os chamados estipulantes, como bancos, associações, terão responsabilidade clara perante segurados e beneficiários por seus atos e omissões, além da obrigação de cumprir os deveres contratuais e assistir o segurado. “Este entendimento, antes jurisprudencial, agora está formalizado em lei, oferecendo mais segurança”, afirma Ernesto Tzirulnik que também é presidente da Comissão Especial de Direito do Seguro e Resseguro da OAB-SP.

Com a mudança na legislação, os corretores passaram a ter um prazo máximo de cinco dias úteis para transmitir ao segurado ou beneficiário documentos e dados que lhes forem confiados, garantindo agilidade na gestão de informações cruciais, como negativas de cobertura.

Para o mercado, acredita Tzirulnik, as novas regras para a cessão de direitos e transferência de carteiras promovem uma cessão responsável. As operações exigirão concordância prévia dos segurados conhecidos ou autorização específica da autoridade fiscalizadora (SUSEP), que avaliará a solvência das partes.

A lei também estabelece a continuidade da responsabilidade da cedente por um período, caso a cessionária se torne insolvente, incentivando a diligência e prevenindo repetições de crises no setor. “Ainda que isso possa implicar em mais etapas prévias à consumação da operação de cessão, é fundamental para evitar a repetição de episódios como a cessão de carteira prejudicando beneficiários com problemas relacionados ao corte da rede credenciada e limitação de acesso a tratamentos”, explica.

Para a plena implementação da lei, alguns pontos cruciais dependem de regulamentação da SUSEP. Entre eles, estão que a autoridade fiscalizadora precisa indicar quais tipos de seguros, por sua complexidade, terão o prazo de regulação e liquidação do sinistro estendido para até 120 dias. 

Para Tzirulnik, quanto menos a Susep e o CNSP regulamentarem, mais eficaz será a lei, “pois parafrasear e adotar raciocínios com os quais acostumou-se durante a vigência da lei revogada ameaça embaçar a nitidez do novo regime que foi pensado para evitar a intervenção regulatória”.

O advogado destaca também que falta a regulamentação sobre a forma como será feita a “divulgação obrigatória dos conflitos e das decisões respectivas, sem identificações particulares”, para disputas resolvidas por arbitragem, conforme previsto na lei.

Empresas já se preparam

Para a Austral Seguradora, que atua em segmentos corporativos e em operações que exigem elevada especialização técnica, o novo ambiente regulatório já foi plenamente incorporado à atuação da companhia. 

Ao organizar conceitos e padronizar deveres e direitos, o marco moderniza práticas e oferece condições mais adequadas para o desenvolvimento de contratos sofisticados. “A seguradora está 100% preparada para as alterações provocadas pela Lei de Seguros. A nova regulamentação mantém a segurança jurídica e reduz incertezas nas relações entre seguradoras, corretores e clientes. Apesar dos desafios trazidos pelo novo marco legal, as alterações favorecem o uso de plataformas digitais e a automação de processos, especialmente em riscos complexos, onde a lei passa a delimitar com mais clareza direitos, deveres e responsabilidades”, afirma o Diretor de Subscrição da Austral Seguradora, Rodrigo Campos. 

A Austral destaca ainda que o novo marco legal reforça o protagonismo da gestão de riscos baseada em dados, prevenção e governança, ao estimular transparência, clareza contratual e processos mais estruturados. “A legislação favorece abordagens preventivas e consultivas, apoiadas por tecnologia e plataformas digitais. Para setores críticos, isso significa menos exposição, mais eficiência operacional e proteção alinhada ao risco real, respeitando limites claros entre as partes”, avalia Campos. 

Saiba mais

Junto Seguros reforça estratégia para seguir na liderança do seguro garantia sob o novo marco legal de contratos

por Denise Bueno

Referência nacional em seguro garantia — tendo sido pioneira na primeira apólice do país e protagonista na evolução desse produto ao longo de três décadas — a Junto Seguros vive um momento de fortalecimento técnico e expansão em um ambiente regulatório em transformação. À frente de duas áreas-chave para a tomada de risco, Eduardo Cruci lidera Risco de Crédito e Underwriting em uma fase de investimentos estruturais para acompanhar o avanço das concessões, PPPs e grandes contratos públicos e privados, ao mesmo tempo em que se adapta às exigências do novo Marco Legal dos Seguros (Lei 15.040/2024), que entra em vigor em 11 de dezembro de 2025. 

Com quase 30 anos de experiência em crédito, subscrição e finanças corporativas, Cruci comanda iniciativas que vão da avaliação de limites de crédito à aprovação de riscos complexos, integra os comitês estratégicos da companhia e vem consolidando uma operação unificada, mais robusta e ágil — movimento que estreita a parceria com resseguradores e reforça a capacidade de resposta em negócios de maior valor agregado. 

A CNseg, confederação das seguradoras, projeta um crescimento robusto para o mercado de seguro garantia, com estimativas de 17,9% para 2025 e 13,6% para 2026. Em 2024, as vendas superaram R$ 5 bilhões. Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Junto Seguros lidera o ranking deste segmento. Segundo Cruci, o ciclo virtuoso de investimentos em infraestrutura no país, com mais de 560 projetos em desenvolvimento, demanda investimentos privados superiores a R$ 750 bilhões em infraestrutura urbana, logística e social. “Projetos de longo prazo exigem estruturas financeiras robustas, apoiadas por programas de seguros e garantias bem estruturados desenhado juntamente com a concessão de crédito”, diz. 

Nesta entrevista ao Sonho Seguro, ele avalia os desafios do novo marco legal, analisa a conjuntura de investimentos em infraestrutura e explica como a companhia está se preparando para sustentar sua relevância no mercado. O executivo destaca como os principais desafios as elevadas taxas de juros, o aumento da inflação e seus impactos nos custos dos projetos, as mudanças climáticas severas e a necessidade de novas estratégias de resiliência, bem como as dificuldades na cadeia de fornecedores, afetando cronogramas e orçamentos.

Qual é o impacto do novo Marco Legal dos Seguros no segmento de Garantia?

Ele traz uma série de mudanças com novas perspectivas — algumas positivas, outras que exigem atenção redobrada. Em sinistros, por exemplo, o prazo prescricional passa a contar apenas após o aviso, o que gera perenidade no risco e impacto relevante em provisões. Vamos ter que carregar o passivo por mais tempo, e isso mexe diretamente na contabilidade. Além disso, há a exigência de liquidação em até 120 dias, o que comprime a janela de atuação da seguradora, ao mesmo tempo em que o segurado ganha amplitude para formalizar o aviso quando entender adequado. Nosso objetivo é resolver o problema quando ele acontece — e não criar passivos indefinidamente — por isso o tema ainda merece amadurecimento. Outro ponto sensível é a aceitação tácita. O prazo regulatório exige muita agilidade, mas existem riscos bilionários cuja avaliação é naturalmente longa e complexa. Estamos reforçando processos internos para acelerar respostas, porém haverá situações em que a complexidade ultrapassa o prazo. Aí surge o risco de negativas indesejadas. Preferimos evitar decisões precipitadas. Há ainda a obrigação de protocolar condições especiais na Susep. Consideramos um processo oneroso, porque o setor sempre trabalhou com cláusulas particulares devidamente formalizadas entre as partes.

Como as mudanças na alocação de responsabilidades, transparência contratual e segurança jurídica afetam o desenvolvimento de produtos e a relação com tomadores e segurados?

A lei nasce com foco claro na proteção do segurado, o que tende a tornar a relação mais objetiva e diligente. Isso é bom — dá dinamismo ao mercado. Mas não cria necessariamente produtos novos: ela aperta prazos e aumenta o grau de cuidado do segurador no processo de aceitação e de regulação. Por isso estamos refinando critérios de aceitação. Os prazos agora correm menos favoráveis às seguradoras, e isso exige rigor técnico ainda maior.

Como a Junto Seguros vem se preparando internamente para esse novo ambiente regulatório?

Fizemos dois movimentos estruturais. Reforçamos e qualificamos a área de sinistros: hoje temos um time mais sênior, preparado para lidar com maior complexidade e exigência regulatória. E ampliamos a área de controle de riscos, que passa a atuar de forma protagonista no pré e no pós-sinistro. Essas duas áreas tornam-se ainda mais estratégicas dentro da seguradora, garantindo perenidade e sustentabilidade na exposição ao risco.

Há mudanças nos processos de subscrição, controles de risco e na interlocução com corretores e resseguradores?

Sem dúvida. O corretor também passa a ter novas responsabilidades e precisa se preparar. Muitos têm nos procurado para orientação sobre prazos e requisitos. Estamos trabalhando em rotinas e fluxos que assegurem respostas dentro do prazo regulamentar, sem pedir documentação além do necessário. Queremos uma operação mais limpa: avaliação de risco simples, clara e transparente. Cláusula dúbia vira problema gigante lá na frente. Nosso objetivo é eliminar isso na origem, alinhados com o apetite da companhia.

O mercado de Garantia vive forte demanda em infraestrutura, concessões e PPPs. Onde estão as principais oportunidades e os maiores desafios no crédito?

Existem grandes oportunidades. A agenda de investimentos em rodovias e ferrovias supera R$ 500 bilhões. 2025 foi muito positivo: várias concessões caminharam, apólices com cláusulas de retomada foram acionadas e funcionaram. Para 2026, seguimos com portos, aeroportos e projetos relevantes. Mas temos desafios. Com juros elevados, a taxa de retorno dos projetos é menor — e isso afasta investidores. O mercado está mais seletivo. No caso das PPPs, há o desafio adicional da capacidade fiscal do governo, que terá de assumir compromissos por mais de 20 anos. O investidor olha para isso com muita atenção ao plano do governo para o orçamento da União. Então, o cenário é de otimismo moderado: oportunidades existem, mas exige seleção criteriosa e disciplina técnica na análise.

Você tem uma formação robusta em capital markets, liderança e certificações internacionais. Como isso influencia a estratégia de subscrição da companhia?

Aprendizado contínuo é parte da minha rotina: quanto mais você aprende, mais percebe o quanto ainda falta. E no seguro garantia, risco de crédito e risco de subscrição são indissociáveis. A decisão nunca é sequencial — é integrada, olhando o negócio como um todo. Tenho 28 anos de mercado financeiro, 12 em bancos e 16 em seguros. Essa experiência permite avaliar concessões e projetos com uma visão completa: receita, custos operacionais, risco de execução, viabilidade. Na Junto, construímos uma área coesa, capaz de tomar decisões de negócio com esse olhar único. E sigo buscando certificações internacionais para elevar o padrão técnico. 

Há novos produtos ou práticas internacionais que você deseja trazer para o Brasil no curto prazo?

Estamos sempre atentos a produtos que tenham aderência ao seguro garantia. Já trouxemos alguns para o portfólio. O mercado americano tem um nível de gestão de sinistros extraordinário — lá, o seguro pode chegar a 100% do projeto. A gestão contratual e de mediação é muito mais avançada. Temos um acionista com forte atuação internacional nesse segmento, e isso acelera nosso desenvolvimento. O foco está em gestão de risco ao longo do tempo, especialmente quando há cláusula de retomada. A área técnica trabalha totalmente integrada ao controle de risco para suportar esse modelo.

CNseg estreia websérie sobre a nova lei de contratos de seguros

A nova lei de seguros consolida todas as leis esparsas do contrato de seguro, que até então era regido pelo Código Civil, Decreto-Lei 73/66, Lei Complementar 116 e Lei Complementar 109. Para explicar essas e outras mudanças no novo marco legal do setor segurador, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) lança nesta quinta-feira, 11 de dezembro, data da entrada em vigência da Lei, o primeiro episódio da série especial “Nova Lei de Seguros” , que vai ao ar no canal SeguroPod nas principais plataformas de podcast, incluindo Youtube e Spotify.

O programa procura destrinchar, em cinco episódios, os 134 artigos estruturados em seis capítulos e coloca a legislação brasileira em sintonia com padrões internacionais, como Chile, França, Portugal e Argentina. Para a diretora Jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, que abre a série, a nova Lei de Seguros vai contribuir para o desenvolvimento maior do mercado, porque “traz mais transparência para o consumidor de seguros e ao mesmo tempo também as seguradoras fixam num único diploma todas essas regras”.

A série Conversa Segura tratará de temas como seguros de danos, seguros de vida e integridade física, grandes riscos e resseguros e contará com a participação de:

• 11/12/2025 – Glauce Carvalhal (CNseg) fala sobre os aspectos gerais da nova legislação;

• 12/12/2025 – Angélica Carlini (Advogada e Consultora) e Thiago Junqueira (Junqueira & Gelbecke Advogados) destacam a centralidade do consumidor na nova legislação;

• 15/12/2025 – Simone Negrão (MAPFRE) e Eduardo D’Amato (Grupo HDI) falam sobre as novidades em seguros de danos;

• 16/12/2025 – Washington Silva (Zurich Brasil Seguros) apresenta as novidades em seguros de vida e integridade;

• 17/12/2025 – Ilan Goldberg – (Chalfin, Goldberg & Vainboim Advogados) e Sergio Mello (Mello Machado Advogados) encerram a temporada apresentando as novidades em grandes riscos e resseguros.

Devido à complexidade do tema, a CNseg também lançou um guia sobre o tema que pode ser acessado aqui.

MAPFRE leva IA ao varejo com plataforma de treinamento para equipes de vendas

A seguradora MAPFRE deu mais um passo em sua estratégia de digitalização e passou a oferecer, para o canal varejista, uma versão ampliada de sua plataforma DMA (Digital Made Accessible). O sistema, que integra os principais serviços digitais da companhia, agora funciona também como um hub de treinamentos voltado às equipes que vendem produtos da marca em grandes redes de varejo.

A ideia é facilitar o acesso ao conhecimento e tornar o atendimento ao cliente mais ágil e preciso. A ferramenta reúne conteúdos curtos, vídeos e tutoriais sobre os tipos de seguros oferecidos pela MAPFRE no varejo, como garantia estendida e proteção contra roubo e furto, explicando o funcionamento das coberturas, as condições de uso e os principais diferenciais dos produtos.

Com o apoio de inteligência artificial, o DMA permite que vendedores tirem dúvidas em tempo real, por meio de um assistente virtual que responde perguntas sobre regras, coberturas, características e processos de venda. O sistema funciona 24 horas por dia e pode ser acessado diretamente pelo celular do próprio vendedor. 

A tecnologia utilizada no assistente virtual da plataforma foi desenvolvida com base em modelos de IA treinados para responder a uma ampla variedade de perguntas relacionadas aos produtos da MAPFRE. O sistema aprende continuamente a partir das interações com os vendedores, o que permite aprimorar a precisão das respostas e a experiência de uso ao longo do tempo. 

O diretor comercial de canais estratégicos da MAPFRE, Luciano Bezas, explica que o projeto surgiu para aproximar o vendedor das informações de que ele precisa para atender melhor o cliente. “A iniciativa nasceu do desafio de manter milhares de vendedores atualizados sobre produtos e processos em meio à rotina intensa de loja. A resposta da MAPFRE foi transformar o celular de cada colaborador em um ponto de aprendizado”, afirma o executivo. 

Hub treina 18 mil operadores das Americanas 

Cada parceiro varejista da MAPFRE terá uma versão personalizada da plataforma, com identidade visual própria e conteúdos adaptados aos produtos disponíveis em suas lojas. Nela, os parceiros receberão instruções de como funciona o serviço de seguros para cada produto, além de dicas de como potencializar a conversão dessas vendas. O projeto estreia nas Americanas, com alcance estimado de 1,5 mil pontos de venda físicos e quase 18 mil associados da companhia. A expansão do serviço para atendimento de outras empresas deve ocorrer nos próximos meses, chegando a mais de três mil pontos de venda e cerca de 30 mil pessoas treinadas.

Criado originalmente para simplificar o acesso de corretores de seguros aos canais digitais da MAPFRE, como consultas de boletos, acompanhamento de sinistros, o DMA agora se consolida como um espaço de capacitação e suporte para quem atua na linha de frente do varejo.

A iniciativa faz parte da estratégia de digitalizar a jornada dos principais distribuidores dos seguros da MAPFRE. “O uso da inteligência artificial, nesse caso, não substitui o treinamento humano, mas amplia o alcance das informações e permite que o conhecimento esteja sempre disponível, na palma da mão”, afirma Bezas. 


“Essa parceria fortalece a capacitação dos nossos colaboradores, ao disponibilizar conteúdos que ampliam o entendimento sobre os serviços de seguro oferecidos pela MAPFRE, contribuindo para uma experiência de compra ainda mais completa para nossos clientes”, garante Felipe Amoedo, gerente de serviços da Americanas.