Fernando Haddad e Marcos Pinto destacam papel da nova lei de seguros como vetor de confiança e investimento

Ministro da Fazenda e secretário de Reformas Econômicas veem na Lei 15.040/2024 um instrumento de fortalecimento do mercado segurador e de estímulo à poupança e ao investimento produtivo

por Denise Bueno e Adriana Aguilar

O fechamento do evento que celebrou os 25 anos do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), realizado de 16 a 18 de outubro ficou por conta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do secretário de Políticas Econômicas, Marcos Pinto. Eles destacaram a importância da nova Lei de Contrato de Seguro (Lei nº 15.040/2024) como uma das reformas microeconômicas mais relevantes do governo, tendo como encerramento um show de Paulinho da Viola, no Teatro Municipal de São Paulo.

O encontro, que reuniu autoridades, juristas e lideranças do mercado segurador teve como ponto central as discussões sobre o novo marco legal de seguros — aprovado por unanimidade no Congresso Nacional e sancionado sem vetos em dezembro de 2024. A lei entra em vigor em dezembro de 2025 e foi construída ao longo de mais de duas décadas sob liderança do advogado Ernesto Tzirulnik, presidente do IBDS.

Haddad abriu sua fala lembrando que a Fazenda criou uma Secretaria de Reformas Econômicas, sob comando de Marcos Pinto, para coordenar “as pequenas grandes reformas” que têm alto impacto no ambiente de negócios. “Nós fizemos a grande reforma tributária, mas há muitas pequenas reformas que têm grandes efeitos no ambiente econômico de um país. A nova Lei de Seguros é uma delas”, disse.

O ministro afirmou que o projeto chamou sua atenção não apenas pelo conteúdo técnico, mas por sua dimensão institucional e simbólica. “Tive um ‘input’ adicional — uma amizade de longa data com Ernesto Tzirulnik, que conhecia de cabo a rabo esse projeto e lamentava muito que as pessoas não tivessem dado a devida atenção a algo que poderia impulsionar o mercado segurador”, contou Haddad.

Para Haddad, o motivo é claro: “Faltava proteger o segurado. O segurado desconfia da seguradora e não se sente confortável em pagar durante anos se, ao final, a família corre o risco de não receber o seguro de vida, ou se a seguradora usa uma exceção contratual que ele não conhecia para não pagar um sinistro. Essa desconfiança existe, e precisa ser enfrentada.”

Ele defendeu que o Brasil siga o mesmo roteiro adotado no mercado de capitais, mas agora com foco no consumidor de seguros. “Vamos aumentar a proteção ao segurado, para que ele se sinta confortável de que vai receber. Assim, teremos mais dinheiro indo para o setor de seguros. E esse dinheiro não fica parado — ele financia rodovias, infraestrutura, o setor produtivo. É um círculo virtuoso.”

Segundo Haddad, o potencial de expansão é expressivo. “O mercado segurador no Brasil pode ser de 50% a 100% maior do que é hoje em um curto espaço de tempo. Em dez anos, pode dobrar de tamanho em relação ao PIB”, afirmou. “Estamos falando de benefícios sociais inestimáveis. Quando um comerciante perde o estoque num incêndio e não tem seguro, ele pode nunca mais se recuperar. O contrato de seguro tem algo de solidário: todos contribuem para repor o bem perdido por quem quer que seja. Essa beleza precisa ser reconhecida.”

O ministro acrescentou que, ao fortalecer a confiança nos contratos, a nova lei cria as condições para que o seguro cumpra seu papel de estabilizador econômico. “Se o contrato não é bom, se você não crê naquele contrato, toda essa beleza deixa de funcionar. O que a lei traz é essa segurança — especialmente para os grandes riscos, que envolvem contratos complexos e valores bilionários. Uma refinaria, uma usina, um forno industrial — tudo isso depende de confiança jurídica.”

Em vídeo, o secretário Marcos Pinto, por sua vez, reforçou a visão do Ministério da Fazenda de que a nova lei faz parte de uma agenda estruturante de reformas que melhoram a eficiência e a previsibilidade do ambiente de negócios. “A criação da Secretaria de Reformas Econômicas foi justamente para identificar e conduzir mudanças como esta — que não ganham manchetes como uma reforma tributária, mas têm enorme impacto no dia a dia das empresas e das famílias”, explicou.

Em tom didático, Marcos Pinto comparou o desafio do setor de seguros ao caminho percorrido pelo mercado de capitais nas últimas décadas. “Na virada do século, em 2002, 2003, o mercado de capitais brasileiro tinha um volume de emissões pífio, não chegava a R$ 100 bilhões por ano. Foram feitas reformas para proteger o investidor, para dar confiança. Passados 20 anos, temos hoje um mercado de capitais de cerca de R$ 4 trilhões. O setor de seguros, porém, continua praticamente do mesmo tamanho — cerca de 1,5% do PIB”, afirmou em vídeo documentário apresentado sobre a nova lei, que em breve será disponibilizado a todos.

Para ele, a Lei 15.040 é um marco da maturidade institucional do país. “A lei de seguros é uma reforma microeconômica que cria um novo ambiente de confiança, amplia a segurança jurídica e incentiva o crescimento sustentável do setor. É assim que se constrói um país que quer atrair investimento e proteger sua população”, afirmou.

Ao encerrar sua fala, Haddad destacou a relevância do setor segurador como alicerce da estabilidade econômica. “O seguro é um instrumento de paz social e de desenvolvimento. Quando o Estado e o mercado oferecem proteção, as pessoas investem, produzem e arriscam mais. O novo marco legal é, antes de tudo, uma lei que dá segurança — jurídica, econômica e moral — para o Brasil avançar.”

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS