Enquanto a poupança bate recorde de saques em janeiro de 2023 e o Tesouro Direto tem emissão líquida de títulos, negativa, a captação líquida dos planos de previdência privada no mês de janeiro de 2023 cresceu 33,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando R$ 1,7 bilhão.
Esse resultado foi fortemente impactado pelo crescimento de 20% na captação bruta, quando comparada a janeiro do ano passado, totalizando R$ 13,9 bilhões, o maior resultado para o mês de janeiro desde o início da série histórica (de quando a quando?). Desse montante, 91% foram realizadas em planos individuais, 8% em planos coletivos e 2% em planos para menores de idade.
Os resgates cresceram 18,4%, na mesma base de comparação, totalizando R$ 12,3 bilhões no mês, sendo54% resgates parciais e o demais resgates totais. Ademais, o total de ativos do setor ultrapassa os R$ 1,2 trilhão, correspondendo a, aproximadamente, 12,5% do PIB nacional e registrando alta de 13,2% em relação ao valor de janeiro de 2022.
Resultado por produto
O levantamento permite, ainda, segmentar as informações conforme o produto contratado. Dos 13,8 milhões de planos comercializados no país até janeiro de 2023, 61% foram do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), 21% em PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e os demais 18% nos planos Tradicionais ou FAPI.
Quanto à captação bruta especificamente por plano, 93% são em VGBL; 6% em PGBL e 1% nos planos tradicionais. Em aportes foram mais de R$ 12,9 bilhões em prêmios no VGBL, R$ 788 milhões em contribuições no PGBL e de R$ 234 milhões nos planos tradicionais. Ao mesmo tempo, 83% dos resgates foram em VGBL, 15% no PGBL e 2% nos demais.
Comparação Internacional
Recentemente a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE divulgou um levantamento que permite comparar o nível de reservas previdenciárias em relação ao PIB de 71 países para 2021. O Brasil ocupa a 26ª posição nesse ranking, atrás de Nova Zelandia, Jamaica, Croácia, Singapura, Estados Unidos e Dinamarca, que liderou o estudo. Ao mesmo tempo, o país estava à frente do Paquistão, último colocado, Portugal, Espanha, China, Angola e Malásia.
Para a América Latina, Para a América Latina, o estudo abarca dez países, entre os quais o Brasil ocupa a sexta posição. O Chile foi o primeiro colocado na região, e outros como Colômbia e Uruguai possuem um maior volume de ativos previdenciários em relação ao PIB do que aqui. Por outro lado, o país superou o resultado do Panamá, último colocado na região, Guiana, Suriname e Peru.
O Lloyd’s of London, mercado londrino de seguros, registrou em 2022 lucro de subscrição de £ 2,6 bilhões (2021:£ 1,7 bilhão) e um índice combinado de 91,9%. “Nosso resultado de subscrição segue vários anos de melhoria de desempenho, um plano abrangente de digitalizar nosso mercado, de progresso constante e sustentado em nossa cultura e de propósito para ajudar nossa indústria e sociedade a gerenciar os maiores desafios do nosso tempo”, comenta John Neal, CEO do Lloyd’s, em nota.
O prêmio bruto (GWP) avançou em 19%, para £ 46,7 bilhões (2021: £ 39,2 bilhões). Em um ano em que grandes perdas contribuíram com 12,7% para o índice combinado – incluindo sinistros substanciais do conflito na Ucrânia e do furacão Ian nos EUA – o Lloyd’s pagou mais de £ 21 bilhões em indenizações aos clientes.
O índice de perdas melhorou para 48,4% (2021: 48,9%), enquanto o índice de despesas melhorou 1,1 ponto percentual para 34,4% (2021: 35,5%), refletindo os esforços para oferecer um forte desempenho e reduzir o custo de fazer negócios no Lloyd’s. Com os prêmios aumentando 8%, o mercado do Lloyd’s registra 20 trimestres consecutivos de melhoria na precificação.
Olhando para 2023, o Lloyd’s espera um forte crescimento de prêmios para cerca de £ 56 bilhões, um índice combinado abaixo de 95% e um desempenho total de investimento em nossos ativos de mais de 3% – permitindo-nos apoiar os clientes nos tempos incertos à frente.
As posições de capital e solvência do Lloyd’s continuam reforçadas, com um índice de solvência central e de solvência de mercado de 412% e 181%, respetivamente (2021: 388% e 177%). Os recursos líquidos ficaram em £ 40,2 bilhões, apesar da perda de investimento, demonstrando a força e a resiliência excepcionais do balanço do Lloyd’s.
A Allianz Partners Brasil acaba de anunciar sua mais nova parceria com a BYD, empresa pioneira em alcançar um ecossistema de energia solar, armazenamento de energia e transporte eletrificado de emissão zero e fabricante de automóveis, caminhões e ônibus. Agora, os clientes de automóveis da marca contarão no país com serviços de assistência 24h como solicitações de reboque, meios de transporte alternativo, recuperação de veículo, hospedagem, chaveiro, troca de pneus, pane seca e carro reserva. Os serviços são gratuitos, pelo prazo de 24 meses, a partir da entrega do veículo zero quilômetro.
A Sompo Seguros comemora seu sexto ano consecutivo na liderança do segmento de Seguro de Transporte no Brasil. A companhia encerrou o ano de 2022 com 17% de market share (4 pp acima do segundo colocado) e emitiu R$ 917,4 milhões em Prêmios Emitidos ante R$ 701,6 milhões emitidos em 2021, o que representa um crescimento de 30,8%, índice bem acima dos 23,2% alcançado pela totalidade do mercado nesse ramo, segundo dados da SUSEP – Superintendência de Seguros Privados. A expectativa da companhia é de superar R$ 1 bilhão em Prêmios de Seguros no ano de 2023.
“Em 2022 observamos a consolidação de um trabalho iniciado há anos, que nos trouxe e mantém na liderança de mercado por conta do reconhecimento alcançado junto aos corretores de seguros, embarcadores e transportadores em relação à qualidade da entrega em termos de coberturas e serviços “, observa Adriano Yonamine, diretor Técnico de Transporte e Auto Frota da Sompo Seguros.
“Mesmo com as dificuldades da economia, que afetam o setor logístico, nossa operação cresce ano a ano. A cada novo exercício, implementamos ferramentas e melhorias que agregam valor e contribuem com a eficiência operacional de nossos segurados. Essa é uma conquista alcançada pelo comprometimento de uma equipe de mais de 120 colaboradores diretos, além dos parceiros que trabalham com uma equipe de cerca de 130 pessoas com dedicação exclusiva, alocados em nossa central de monitoramento própria”.
Além do crescimento em termos de market share e faturamento, o trabalho de consultoria estratégica está entre os principais fatores para a manutenção da companhia na liderança do mercado. Exemplo disso é que a Sompo Seguros registrou um índice de 53% de recuperação de cargas com medidas de pronta resposta, o que representa milhões de reais em cargas recuperadas, e totalizou R$ 134 bilhões de cargas monitoradas em 2022. “O valor agregado e retorno financeiro e operacional alcançados têm gerado um aumento na procura por essa categoria de serviço. Tanto é que nesse ano, devemos ter um incremento de cerca de 30% somente no número de profissionais dedicados exclusivamente à atividade de monitoramento de cargas em nossa central”, ressalta Adailton Dias (foto), diretor Executivo de Produtos Corporativos e Resseguro da Sompo Seguros.
A insurtech Azos, que oferece seus produtos em conjunto com a Excelsior, agora vai contar com a experiência da Swiss Re para ressegurar seu portfólio. A Swiss Re, uma das maiores resseguradoras do mundo e com 160 anos no mercado, vai apoiar a precificação das apólices, aprimorando as coberturas de seguro de vida para os clientes.
Com atuação internacional e grande influência no mercado, a Swiss Re possui um DNA de inovação, baseado em estudos que ajudam a identificar tendências e riscos emergentes. “Agora temos como parceiros as duas maiores resseguradoras do mundo: a Munich Re como sócia investidora e a Swiss Re como parceira resseguradora da Excelsior, que é a seguradora dos produtos da Azos”, afirma Rafael Cló, CEO da Azos, que quer ser um dos 10 maiores players de seguro de vida individual do Brasil até 2025.
“A Swiss Re entende que esta parceria, intermediada pela Guy Carpenter, vai contribuir para a redução da lacuna de proteção na área de vida, um dos nossos objetivos como empresa. Queremos impulsionar o mercado segurador e possibilitar que as pessoas comprem seguro de vida de forma rápida e descomplicada. Ao combinar o conhecimento de risco da Excelsior e o comprometimento com inovação e tecnologia da Azos, a Swiss Re soma sua própria capacidade de risco, dados e inovação para juntos, ajudarmos a tornar as sociedades mais resilientes”, diz Fred Knapp (foto), Head Reinsurance Brazil & Southern Cone da Swiss Re.
Maria Cristina Bettencourt, diretora técnica da Excelsior, afirma que os corretores da Excelsior também têm o benefício de vender os produtos da Azos, contando com a tradição da seguradora, que completa 80 anos, e com a solidez e a experiência de um ressegurador como a Swiss Re.
Os corretores parceiros da Azos passam a ter acesso a um maior limite de capital segurado e menor período de carência. No seguro de vida, por exemplo, o limite de capital passa de R$ 2 milhões para R$ 3 milhões e o período de carência diminui de 60 para 30 dias.
No seguro por invalidez permanente total por acidente, o limite de capital passa de R$ 2 para R$ 3 milhões e se mantém sem período de carência. E o seguro de assistência funeral individual aumenta o limite de capital de R$ 7 mil para R$ 15 mil e o período de carência diminui de 60 para 30 dias, no caso de morte natural.
Nada muda para os clientes que já possuem apólices do produto Azos. As novas apólices emitidas pela Excelsior já virão resseguradas pela Swiss Re, por meio desta parceria. Para os clientes que já possuíam o seguro Azos, a transferência do resseguro acontecerá automaticamente sem necessidade de nenhum contato com a Excelsior ou com a Azos
Focada em novos negócios, a Generali Brasil fechou parceria com a DM, prestadora de serviços financeiros. O acordo viabiliza a operação de oferta de seguros em todos os canais da DM.
De acordo com a diretora Comercial & Marketing da seguradora, Claudia Lopes, a parceria tem o potencial de beneficiar os 4 milhões de clientes da companhia. “Nosso acordo acontece em um momento estratégico para a Generali, que está buscando expandir seu portfólio junto a empresas que já possuem solidez no mercado”, avalia.
Serão dois novos produtos disponíveis ao consumidor: o DM Proteção Premiada, a partir de R$ 4,99, e o DM Super Proteção Premiada, por R$ 9,99. Ambos visam garantir a segurança financeira para quem contrata.
O DM Proteção Premiada conta com a quitação de saldo devedor de até R$ 500 para gastos não autorizados e com cobertura para morte acidental e invalidez total por acidente, além da segurança contra perda de renda por desemprego. Já o Super Proteção cobrirá até R$ 1 mil para gastos não autorizados e o segurado terá cobertura de até 30 diárias de internação hospitalar. Ambos os produtos contam com sorteios semanais de R$ 2.500 para os segurados.
Os produtos que nascem dessa parceria estão alinhados à tendência do mercado segurador, que está em constante desenvolvimento para o crescimento de proteções inovadoras e que vem se modernizando para atender aos desafios da digitalização. “Além da expertise de um grupo multinacional, buscamos um parceiro que tivesse o propósito de colocar o consumidor no centro da jornada, oferecendo produtos acessíveis a um amplo público que muitas vezes nunca contratou um seguro devido ao alto valor”, pontua Diego Motta, head de Inovação da DM.
“Após a implantação dos dois primeiros seguros, colocaremos no ar, também com a Generali, um seguro residencial para garantir a proteção e a construção do patrimônio dos nossos clientes, em que sortearemos uma casa por ano, além de um seguro proteção com assistência saúde, para que nossos clientes tenham acesso a serviços de melhor qualidade nesse setor”, diz Motta.
A corretora 180º Seguros irá facilitar as operações. Isso porque ela tem foco no modelo de B2B2C e expertise em tecnologia para agilizar a conexão com os clientes de forma simples e digital.
A insurtech Clubfix, que faz parte da segunda edição do sandbox da Susep (Superintendência de Seguros Privados), recebeu autorização para comercializar seguros de danos e de pessoas pelo tempo determinado de 36 meses. A empresa, que passa a chamar Clubfix Seguradora, com sede em Joinville (SC), ingressa no setor com capital social de R$ 1,1 milhão.
Desde 2017, a empresa vendia proteção de danos acidentais para equipamentos eletrônicos, como celulares, tablets e notebooks, novos e usados. “A Clubfix acredita que o seguro para celular deve ser tão simples como o uso de um celular, por isso desenvolveu sólidas estruturas operacionais e tecnológicas, aliadas a soluções 100% digitais. Podendo atender de ponta a ponta desde a venda, atendimento , regulação de sinistro , indenização com agilidade e simplicidade”, conta Sergio Prazeres, fundador e CEO.
Segundo o executivo, com experiência de quase 30 anos no setor de telefonia, a seguradora vai atuar em todo mercado nacional conforme plano de expansão, através de parcerias no B2B, bancassurance e corretores de seguros.
Apesar da queda de investimentos em insurtechs, Prazeres afirma que a empresa está apta a atuar como seguradora. No momento, disse, não há planos de capitalização ou de novas rodadas de investimentos. “A escassez certamente irá frear o crescimento de quem conta com recursos externos, para nos no momento não influencia”, afirmou.
A Pier, insurtech que optou por trabalhar com celulares, foi a primeira a deixar o sandbox da Susep e passou a atuar como seguradora em 2022, e ampliou o portfólio com o seguro de carro. Por ter um crescimento acelerado dentro do sandbox, a Pier teve de sair pois as vendas superaram os valores definidos nas regras do órgão regulador.
A Susep abriu duas rodadas de sandbox, que contam hoje com cerca de 20 empresas em fase de consolidação e testes. Há casos que não vingam. Em janeiro deste ano, a Susep divulgou a portaria 8.087/23, na qual suspendeu a comercialização dos planos de seguros de danos do grupo animais pela Coover Seguradora, autorizada a operar em fevereiro de 2021 dentro do sandbox. A Susep não explicou as razões que a levaram a adotar essa medida.
Com valores entre R$ 2,90 e R$ 24,99 por mês é possível contratar um “Seguro Pix”, como ficou conhecido o produto que promete proteção para transações envolvendo o sistema criado pelo Banco Central, com coberturas que variam entre R$ 3 mil e R$ 50 mil.
Especialistas consultados ressaltam que o consumidor precisa redobrar a atenção antes de contratar as apólices, devido às opções restritas de cobertura.
Via de regra o que se tem no mercado são seguros individuais que cobrem transações Pix em situações específicas, com preços mensais baixos e proteções que variam conforme os planos e a categoria do cliente. Além disso, são facilmente contratados dentro dos apps dos bancos e fintechs.
O modelo ofertado pelo mercado não é exatamente novo. Essa modalidade de seguro é facilmente encontrada para cartões, TED e itens pessoais.
“O que as instituições buscaram foi uma maneira de monetizar o Pix para as pessoas físicas, visto que o recurso é gratuito. Viram essa oportunidade de ampliar o portfólio e dar uma nova opção de produto para os correntistas”, diz Ricardo Pandur, líder de meios de pagamentos na Accenture.
Por que esse seguro é considerado restrito? O que prestar atenção na hora de contratar? Para quem é vantajoso? O InfoMoney separou as principais informações sobre o tema. Confira no portal.
Estudo consolidado pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida – Fenaprevi, com base nos dados da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, mostra que foram pagos R$ 1,2 bilhão em benefícios aos segurados somente em janeiro de 2023, registrando alta de 9,1% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Desse montante, 56% foi pago em seguro de Vida e 17% na modalidade Prestamista.
Quanto ao pagamento de sinistros, o seguro Viagem foi um dos ramos com a maior variação em relação a janeiro de 2022, crescimento de 56,6% fruto da retomada do turismo após um longo período impactado pela pandemia da covid-19. Outros segmentos que também tiveram alta foram os Dotais (60,1%), Doenças Graves / Terminais (35,7%), Acidentes Pessoas (18,5%) e o Funeral (16,5%), impactando o resultado total do mês.
Setor em crescimento elevado
Foram pagos R$ 4,8 bilhões em prêmios diretos, aumento de 18,9% em relação ao último janeiro, o que reforça o resultado da Pesquisa Fenaprevi encomendada ao Datafolha, de que a população está mais preocupada em se prevenir de momentos adversos e parece estar contratando mais serviços de seguros.
O seguro Viagem se sobressai com elevação de 47,9% nos prêmios. Já o seguro de Vida continua com a maior participação de 46%, e registrou elevação de 16,0% em relação ao mesmo mês do ano passado e mantendo o crescimento elevado desde 2020. Com participação de 30% no total, o seguro Prestamista cresceu 26,3% na mesma base de comparação.
Comparação Internacional
Em levantamento recente divulgado pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, é possível comparar o volume de prêmios de seguros de vida em percentual do PIB de 55 países em 2021. Nessa lista, o Brasil ocupa a 43ª posição com 0,6% do PIB de 2021, resultado significativamente abaixo da média dos países da OCDE, que foi de 5,2% do PIB.
O país líder no mundo foi Luxemburgo, com 35,7% do PIB, seguido por Hong Kong e Singapura, com respectivamente 19,7% do PIB e 11,7% do PIB. Na última colocação ficou o Equador, com 0,02% do PIB.
Nesse sentido, considerando apenas os 16 países da América Latina presentes no estudo, o Brasil ocupa a nona posição, atrás de países como o Chile, que é líder na região e possui 2,1% do PIB em prêmios de seguro de vida, o México (com 1,2% do PIB ), e a Bolívia (0,8% do PIB). Ao mesmo tempo, está na frente de países como a Argentina (0,4% do PIB ), o Paraguai (0,2% do PIB), além do próprio Equador.
A TV Apple lançou a série “Extrapolations, um futuro inquietante”. São oito histórias interconectadas ao longo de 33 anos, que exploram como as mudanças climáticas do nosso planeta, tema na pauta da indústria de seguros há anos, afetarão a família, o trabalho, a fé e a sobrevivência.
Não é à toa que o tema sustentabilidade é pauta das seguradoras. As perdas com catástrofes se tornam ano a ano mais custosas com o aumento de enchentes, incêndios, furacões, secas. Além de contribuir com a mitigação de risco, as seguradoras querem um mundo mais sustentável para todos. Inclusive para os negócios.
Com este tema em mente, o Sonho Seguro entrevistou Fátima Lima, diretora de Sustentabilidade da MAPFRE Brasil e Fundación MAPFRE, para falar mais sobre o tema sustentabilidade.
Acompanhe abaixo os principais trechos.
Esta série realmente traz efeitos devastadores para a sociedade e sinaliza que os empresários pouco fazem para realmente mudar o curso do aquecimento global. Em sua opinião, como unir o lucro ao respeito pelo meio ambiente e à justiça social, gerando valor para a sociedade?
A sustentabilidade é uma forma diferente – e mais ampla – de olhar para os negócios. As companhias que não integrarem as questões ambientais, sociais e de governança (ESG) em seus processos de tomada de decisões podem não sobreviver às transformações trazidas pelas novas gerações.
Vivemos em um mundo em plena transformação socioambiental e a integração das questões ESG nos negócios é um dos mais importantes desafios globais para empresas, governos e sociedade. As mudanças climáticas já afetam economias importantes, a transição para uma economia de baixo carbono está fazendo com que novos mercados surjam e outros desapareçam, e as empresas precisam estar preparadas para esses novos riscos – que por sua vez geram grandes oportunidades também.
Esse olhar estratégico a partir de um contexto mais amplo, que envolve não apenas o desempenho econômico-financeiro, mas também aspectos ambientais, climáticos, sociais, reputacionais e de governança, tem ganhado cada vez mais força e tração no ambiente corporativo de forma geral.
Mas essa não é uma jornada fácil porque pressupõe que pessoas e organizações saiam da sua zona de conforto e pensem além daquilo que estão habitualmente acostumadas a entregar. Ou seja, não basta adotar iniciativas de sustentabilidade sem integrar, de fato, esses critérios ao processo decisório.
Em linha com essa tendência global, a MAPFRE desenvolveu o Plano de Sustentabilidade 2022-2024, que define o posicionamento estratégico em relação às questões ESG. Esse Plano se concentra nos grandes desafios globais e sociais que enfrentamos atualmente como as mudanças climáticas, a necessidade de uma economia mais circular, a inclusão e o talento, a educação financeira e de seguros, o envelhecimento da sociedade e a Agenda 2030 das Nações Unidas.
Em nosso Plano de Sustentabilidade 2002-2024, assumimos compromissos globais com a sustentabilidade como: alcançar a neutralidade de carbono em países estratégicos, entre eles o Brasil, até 2024; promover a economia circular; promover a inclusão; investir na transparência; promover produtos e serviços com critérios ESG no portfólio do Grupo; expandir o modelo de análise de subscrição considerando aspectos ESG; e garantir que até 2024, 90% do portfólio global de investimentos seja avaliado a partir de critérios ESG; entre outros.
Além disso, já adotamos alguns filtros como não investir em empresas com mais de 20% da receita proveniente da exploração de carvão mineral ou em companhias de óleo, gás e carvão que não estejam alinhadas com a transição energética compatível com um cenário de aquecimento global limitado a 1,5o C em relação aos níveis pré-industriais, conforme o Acordo de Paris.
De que forma você acredita que o grupo MAPFRE pode acelerar o desenvolvimento sustentável na América Latina, especialmente no Brasil. Acredita que pode haver uma cooperação entre os países ibero-americanos?
A MAPFRE possui um forte compromisso com a sustentabilidade. Isso se reflete em diversas adesões voluntárias às principais iniciativas locais e internacionais como o Pacto Global da ONU, o Climate Disclosure Project (CDP), os Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), a Força-Tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas a Clima (TCFD), a Aliança de Seguradoras por Zero Emissões Líquidas (NZIA), o Paris Pledge Action, entre outros.
Com um posicionamento proativo e de vanguarda, certamente poderíamos ajudar a promover o desenvolvimento sustentável na América Latina. Mas acredito que isso deve acontecer em breve, em um movimento liderado principalmente pelo mercado de seguros brasileiro, que vive agora um momento muito importante nesse sentido, em que o órgão regulador, a Susep, demonstra o seu compromisso com a integração da sustentabilidade no setor, a partir da regulação de uma Norma de Sustentabilidade e Riscos ESG.
Esse é mais um movimento que vai auxiliar as seguradoras na mitigação de riscos climáticos e ambientais. E, pela importância do Brasil, certamente poderá haver um processo de cooperação e troca de práticas e informações com os demais países ibero-americanos.
O processo de regulamentação do setor de seguros para as questões ESG está acontecendo em um momento muito oportuno, pois a forma tradicional de subscrever riscos não se sustenta mais, ela precisa ser ampliada para uma visão 360, que permeia todo um ecossistema de riscos ainda não são explorados pelas seguradoras.
Essa iniciativa certamente vai trazer novos estímulos e ganhos para o mercado em relação à integração ESG, ao incentivar um olhar diferenciado para esses riscos e promover grandes oportunidades de demandas de seguros que ainda não estão cobertas
A norma parte do entendimento de que as questões de sustentabilidade são importantes para a manutenção da estabilidade do mercado financeiro. E a indústria de seguros, que desempenha papel importante na promoção do desenvolvimento econômico e social, deve considerar esses aspectos em seus modelos de negócio, especialmente por conta de sua atuação fundamental na subscrição e precificação de riscos, contribuindo dessa forma para a preservação de um mercado resiliente e sustentável.
Esses aspectos de sustentabilidade incluem o respeito e a proteção dos direitos e interesses comuns, a preservação do meio ambiente, sua reparação e restauração, a redução dos impactos ocasionados por intempéries frequentes e alterações ambientais de longo prazo, a transição para uma economia de baixo carbono e a promoção de uma sociedade mais resiliente e inclusiva.
Quais os desafios e as oportunidades você tem em mente para o desenvolvimento sustentável no Brasil e no mundo, tendo como ponto de partida o verdadeiro engajamento dos empresários e investidores nas causas sociais, ambientais e de governança?
Muitas empresas já entenderam que a sustentabilidade é um componente essencial para a gestão dos resultados corporativos. Se antes os investidores consideravam os aspectos ambientais, sociais e de governança apenas como um fator de risco, hoje os negociadores já estão abordando todo o ciclo de vida da transação a partir de uma perspectiva ESG.
As empresas precisam do desenvolvimento de estruturas e ferramentas que auxiliem os processos de integração ESG no negócio. Também existe a necessidade permanente de treinamento e capacitação dos executivos e conselheiros para uma gestão ESG determinante no processo de tomada de decisão. Outro aspecto importante é que a liderança tenha consciência da importância desse tema para o futuro do negócio e inclua a sustentabilidade na pauta estratégica da empresa.
A sustentabilidade é realmente um caminho sem volta e, cada vez mais, as organizações têm a responsabilidade de adotar uma posição de vanguarda, atuando como disseminadoras de informação, inspirando e incentivando a mudança de atitude entre seus stakeholders.
Sabemos que os desafios são muitos, mas queremos fazer parte e liderar esse percurso em busca de um setor de seguros mais responsável, transparente, consciente e preparado para o gerenciamento de riscos e o desenvolvimento de soluções sustentáveis.
Pensar em sustentabilidade é ter lucro com impacto social sempre pensando nas gerações futuras. Todos temos que entender que isso é possível. É totalmente viável fazer negócio de uma maneira sustentável, engajando todos os participantes da cadeia, de modo que o entendimento e a atitude se disseminem aos poucos entre os ciclos de relacionamento de cada empresa. O caminho para a sustentabilidade é de longo prazo, mas iniciá-lo é fundamental para garantir a perenidade dos negócios, em todos os setores.
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