Bradsaúde atribui crescimento ao ganho de mercado e aposta em PMEs para ampliar carteira

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A Bradsaúde encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentada por uma estratégia que combina expansão da carteira, foco em pequenas e médias empresas (PMEs) e fortalecimento do ecossistema próprio de saúde.

Durante coletiva de resultados realizada nesta manhã, o CEO da companhia, Carlos Marinelli, afirmou que o crescimento da base de beneficiários reflete principalmente ganho de participação de mercado, e não apenas a expansão do setor de saúde suplementar. “Esse número mostra a qualidade do nosso resultado. É um crescimento de penetração do mercado por ganho de market share”, afirmou.

A companhia encerrou junho com 13,6 milhões de beneficiários, após adicionar 229 mil vidas no segundo trimestre e 423 mil no acumulado do semestre. As receitas totais cresceram 11%, para R$ 13,9 bilhões, enquanto a sinistralidade permaneceu praticamente estável em 83,3%. Segundo Marinelli, a estratégia comercial está concentrada principalmente nas PMEs e na regionalização dos produtos.

Apesar do avanço da companhia, Marinelli ponderou que o potencial de entrada de novos consumidores na saúde suplementar continua condicionado ao desempenho da economia. Segundo ele, o setor permanece há algum tempo com penetração próxima de 25% da população, e uma expansão mais acelerada depende principalmente da evolução da renda e do emprego.

O executivo lembrou que o plano de saúde representa uma despesa mensal e exige capacidade contínua de pagamento, tanto das famílias quanto das empresas, principal mercado de atuação da Bradsaúde. “O potencial de penetração da saúde no país depende de alguns fatores econômicos. Os dois grandes fatores são renda e emprego. Como o plano de saúde exige uma contribuição mensal, a família precisa ter capacidade de se planejar e, no caso das empresas, é necessária uma capacidade contributiva contínua”, afirmou Marinelli.

Na avaliação do CEO, a melhora da qualidade do emprego cria espaço para o avanço do setor. Ainda assim, diante das limitações macroeconômicas, a companhia tem buscado crescer por meio da conquista de clientes das concorrentes, da regionalização dos produtos e de políticas comerciais mais ajustadas às características de cada público.

“Temos trabalhado intensamente para entender os diferentes públicos e levar o produto certo, no lugar certo e no preço certo. Não são apenas os planos nacionais que crescem. Os produtos regionais também vêm ganhando espaço”, disse. O executivo destacou que o segmento de pequenas e médias empresas se tornou um dos principais motores de crescimento da companhia. Pela primeira vez, a carteira nesse mercado ultrapassou 3 milhões de beneficiários, impulsionada tanto pelos planos médico-hospitalares quanto pelos odontológicos.

Outro destaque foi a participação da Atlântica Hospitais no lucro consolidado, que passou de 2% para 6%, após registrar lucro de R$ 64 milhões no trimestre, crescimento superior a 300%. Para Marinelli, o resultado demonstra que a estratégia de integrar planos de saúde, hospitais e clínicas começa a produzir efeitos financeiros.

“O ecossistema começa a mostrar sua força. É exatamente essa a tese que buscamos construir ao investir na Atlântica Hospitais: conectar toda a cadeia de saúde e gerar rentabilidade de forma diversificada”, afirmou.  A capacidade de leitos dos hospitais ligados ao grupo também avançou, impulsionada pela inauguração do Hospital Santa Lúcia Bauru e pelo anúncio de uma nova unidade em São Conrado, no Rio de Janeiro.

Questionados sobre a evolução da sinistralidade no segundo trimestre, 83,8% no trimestre – uma alta anual de 1,7 ponto e de 4,7 pontos no sequencial, os executivos evitaram comemorar antecipadamente a estabilidade observada no semestre, que está em 83,3%, praticamente estável em relação aos 84,3% dos 12 meses anteriores. Marinelli lembrou que a companhia já havia adotado um discurso de cautela após o primeiro trimestre e reiterou que a análise deve considerar um horizonte de 12 meses, em razão da sazonalidade dos custos médicos. “Continuamos olhando esse indicador com cautela. Quando observamos os últimos 12 meses, vemos uma relativa estabilidade, mas saúde é um negócio sujeito a variações de frequência e custo médio, por isso acompanhamos esse comportamento continuamente”, afirmou. 

Judicialização preocupa

Apesar dos resultados positivos, a companhia reconheceu que a judicialização continua sendo um dos principais desafios da saúde suplementar. Segundo Marinelli, decisões judiciais envolvendo procedimentos e tratamentos não previstos originalmente nas coberturas representam custos adicionais para as operadoras, uma vez que ficam fora das premissas utilizadas nos cálculos atuariais.

“Quando surge uma demanda que não faz parte desse cálculo, ela gera um custo que inicialmente não estava previsto. É um tema que nos preocupa e que vem ganhando intensidade”, afirmou. O executivo ressaltou, porém, que o setor vem amadurecendo na forma de lidar com essas demandas e citou maior atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do próprio Judiciário na consolidação de entendimentos sobre cobertura assistencial.

Para enfrentar esse cenário e preservar a sustentabilidade da carteira, a Bradsaúde ampliou o uso de inteligência artificial no monitoramento da utilização dos planos. Segundo Marinelli, as ferramentas analisam o comportamento dos beneficiários e identificam padrões fora do perfil esperado, permitindo detectar indícios de fraude e abuso. “Hoje utilizamos inteligência artificial principalmente na prevenção de fraudes. Com uma carteira de mais de 13 milhões de beneficiários, esse tipo de ferramenta é essencial para identificar comportamentos atípicos e preservar o equilíbrio do sistema”, afirmou. 

Apenas 12,3% da Geração Z têm alto nível de educação financeira, revela estudo da Allianz Trade

Um novo levantamento da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, revela um paradoxo geracional na forma como as pessoas lidam com dinheiro na era da inteligência artificial: quanto mais jovem o público, maior o uso de IA e a busca por orientação financeira automatizada, porém menor o nível de conhecimento sobre conceitos básicos como juros compostos, inflação e diversificação de risco.

O estudo Financial literacy pays: Smarter investing goes beyond AI, que ouviu mais de 8.000 pessoas em oito países  (Áustria, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos) e mostra que apenas 17,5% dos respondentes atingem o nível alto de educação financeira, enquanto 25,9% ficam no nível baixo. Entre os jovens, o cenário é mais preocupante: só 12,3% da Geração Z alcançam alto conhecimento financeiro, ante 22,2% dos Baby Boomers. (Gráfico abaixo)

Inteligência artificial já faz parte da rotina dos jovens

De acordo com os autores, o uso geral de ferramentas de IA já é significativo no dia a dia: 48,1% dos entrevistados afirmam usar IA pelo menos uma vez por semana, número que salta para 77,1% entre a Geração Z.

Quando o recorte é especificamente sobre utilizar a tecnologia para orientação financeira, apenas 14,1% do total de respondentes citam a IA como uma de suas principais fontes de conselho. Entre a Geração Z, no entanto, esse número sobe para 26,1%, e entre os Millennials atinge 21,6%. No recorte por gênero entre os mais jovens, 30,9% dos homens jovens recorrem à IA como fonte principal de orientação financeira, contra 22,7% das mulheres jovens.

O risco da confiança sem competência

O dado mais relevante do estudo para o debate sobre IA e finanças pessoais é o descompasso entre confiança e conhecimento real. Usuários de IA para conselhos financeiros se declaram mais seguros sobre seu próprio conhecimento do que aqueles que não a utilizam; 42,5% se avaliam como “na média” ou “acima da média”, contra 33,3% do total de entrevistados. Porém, quando medido o conhecimento efetivo, apenas 18,1% dos usuários dessas ferramentas atingem o nível alto de literacia financeira, contra 17,5% da amostra geral. 

Sendo assim, os economistas acreditam que a IA está reduzindo barreiras de acesso à informação financeira, mas não está necessariamente formando pessoas mais capacitadas para avaliar essa informação. O estudo aponta que esse cenário cria o risco de um viés de excesso de confiança, especialmente entre usuários com menor conhecimento financeiro, que tendem a usar a IA como substituta e não complemento da orientação profissional.

O que muda com mais educação financeira?

Os autores destacam ainda que para famílias com maior nível de literacia financeira, a IA pode complementar o aconselhamento profissional, tornando a informação mais acessível e fácil de processar. Já para o público com menor conhecimento financeiro, a tecnologia corre o risco de reforçar decisões equivocadas, ao fornecer respostas que a pessoa não tem repertório para avaliar criticamente.

Entre as recomendações do estudo, está o desenvolvimento de uma educação financeira que ensine as pessoas não apenas a acessar informação, mas a julgar sua qualidade, reconhecendo quando é necessário buscar aconselhamento profissional e entendendo os limites da IA como ferramenta de apoio, não de substituição.

Porto Seguro lança Plano Safira e amplia as opções de proteção no seguro-viagem

Jarbas Porto Seguros

A Porto Seguro amplia o portfólio de seguro-viagem com o lançamento do Plano Safira, nova solução voltada a viajantes que buscam mais proteção durante suas experiências internacionais. Com cobertura de até US$ 200 mil ou € 200 mil, o produto foi desenvolvido para atender clientes que viajam para destinos de maior custo médico, tais como Estados Unidos, Europa e países da Ásia.

O lançamento acontece em um momento de expansão das viagens internacionais dos brasileiros. Segundo dados do Banco Central, os gastos no exterior atingiram US$ 21,7 bilhões em 2025, o maior patamar dos últimos anos. Além disso, levantamento do Ministério do Turismo mostra que 53% dos brasileiros pretendem investir mais em viagens em 2026 do que no ano anterior.

“O viajante brasileiro está cada vez mais atento aos riscos e aos custos envolvidos em uma viagem internacional. Em destinos como Estados Unidos, Canadá ou países do norte da Europa, uma emergência médica pode representar despesas elevadas e inesperadas. Observamos que a proteção passou a fazer parte da experiência de viagem, e não apenas do planejamento burocrático da jornada”, afirma Jarbas Medeiros, diretor de Ramos Elementares e Vida da Porto Seguro.

O Plano Safira foi desenvolvido justamente para atender esse perfil de consumidor. Além da cobertura para despesas médicas e hospitalares, o produto reúne mais de 23 coberturas, incluindo atraso de voo e bagagem, com a conveniência do atendimento 24 horas via WhatsApp e telemedicina. Além de benefícios como descontos em aluguel de veículos, hospedagem pet e chip de internet internacional.

O lançamento também reforça a estratégia da Porto Seguro de ampliar sua atuação no segmento de seguro-viagem. Com um portfólio que contempla planos de US$ 30 mil à US$ 300 mil, a companhia disponibiliza proteção internacional para viagens de até 365 dias e atendimento para clientes com até 90 anos, atendendo diferentes perfis e necessidades de viagem.

O Plano Safira está disponível para comercialização por meio da rede de corretores parceiros da Porto Seguro, reforçando a importância da orientação especializada na escolha das coberturas mais adequadas para cada perfil de viajante, destino e duração da viagem.

A atuação da Porto Seguro no segmento também vem sendo reconhecida pelos consumidores. Em 2026, a marca foi eleita, pelo sexto ano consecutivo, a melhor seguradora na categoria Seguro Viagem em levantamento realizado pelo Datafolha, reforçando sua trajetória de confiança e cuidado junto aos viajantes brasileiros. O reconhecimento reflete o compromisso contínuo da empresa em oferecer soluções cada vez mais completas, alinhadas às necessidades de diferentes perfis de clientes.

“O corretor tem um papel fundamental nesse processo, especialmente quando falamos de viagens internacionais mais complexas ou de clientes que buscam uma proteção mais personalizada. Nosso objetivo é combinar uma cobertura robusta com uma experiência de contratação consultiva e próxima, mantendo o padrão de qualidade e confiança que tem marcado a atuação da Porto Seguro no segmento de seguro-viagem”, completa Jarbas.

Como a IA está reescrevendo o underwriting de seguros de vida no Brasil

Por André de Brito Iziquiel — Head of Sales & Business Development, Altiora Advisory Group

Até poucos anos atrás, contratar um seguro de vida no Brasil significava papel, assinatura física, exames médicos completos e um prazo de análise que podia levar semanas. Esse modelo foi construído para um mercado que vendia pouco e devagar. Ele começou a ficar visivelmente incompatível com a velocidade que o restante do setor financeiro já havia alcançado, especialmente à medida que o próprio setor passou a crescer com mais força.

Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), com base em dados da SUSEP, o setor de seguros de pessoas arrecadou R$ 72,7 bilhões em prêmios em 2024, crescimento de 16,2% frente a 2023, impulsionado principalmente pelo seguro de Vida Individual, que avançou 21,5% no período. Em 2025, esse total subiu para R$ 78,8 bilhões, um crescimento adicional de 8,3%. Um mercado nesse ritmo de expansão não sustenta operação em papel por muito tempo.

A digitalização não veio, na maior parte dos casos, de um plano de longo prazo cuidadosamente desenhado. Ela nasceu de uma necessidade abrupta. Durante a pandemia, com o atendimento presencial inviabilizado, seguradoras que ainda dependiam de processos manuais precisaram digitalizar operações inteiras em poucos meses. Contratação com assinatura eletrônica, integração de dados via API com plataformas parceiras e novos modelos de aceitação de risco deixaram de ser diferencial competitivo. Passaram a ser condição de sobrevivência comercial.

Na minha opinião, a inteligência artificial representa a maior transformação estrutural no underwriting de seguros de vida desde a digitalização da contratação. O passo seguinte, e talvez o mais relevante dessa evolução, foi a entrada da AI no processo de análise de risco: a etapa que define se, e em quais condições, uma apólice será emitida. Modelos baseados em árvores de decisão automatizadas passaram a avaliar parte relevante das propostas sem intervenção humana. Apólices que levavam dias para ser emitidas passaram a sair em minutos, a partir da assinatura digital do cliente.

O impacto disso não é só de velocidade. É de escala. Um processo que depende de um analista humano por proposta tem um teto de capacidade natural: mais volume exige mais gente contratada e treinada, e o crescimento vira linear. Um processo automatizado, bem calibrado, escala de outro jeito. O mesmo motor de decisão que processa poucas centenas de propostas por mês consegue processar milhares, sem que a estrutura por trás precise crescer na mesma proporção. É esse tipo de mudança que permite a um canal de distribuição de seguros de vida, seja via corretoras, bancos ou plataformas de investimento, ampliar o número de parceiros e o volume atendido sem comprometer prazo ou qualidade de serviço.

Mais do que acelerar processos, acredito que a inteligência artificial está mudando a lógica operacional das seguradoras. Pela primeira vez, tornou-se possível aumentar significativamente o volume de negócios sem que o crescimento da estrutura acompanhe a mesma proporção. Em um mercado que ainda possui enorme potencial de expansão, essa capacidade tende a se tornar um diferencial competitivo cada vez mais relevante.

O movimento não é exclusivo do Brasil, mas já ganha contornos concretos por aqui. Segundo levantamento da CNseg em parceria com a EY, o setor segurador brasileiro deve investir até R$ 2,8 bilhões em inteligência artificial até 2026, e cerca de 80% das seguradoras já utilizam a tecnologia em alguma etapa da operação, principalmente em subscrição de risco e sinistros.

Exemplos concretos já aparecem no mercado. A Prudential do Brasil, ao lançar em 2021 sua ferramenta de automação de análise de risco, reduziu o prazo médio de emissão de apólice de 13 para 9 dias. Segundo a própria seguradora, hoje 44% dos casos já têm subscrição automática e online, e 20% das apólices são emitidas em até 24 horas. A insurtech Azos desenvolveu sistema próprio de inteligência artificial para apoiar a subscrição, hoje aprovando cerca de 22% das apólices em segundos, com meta de chegar a 40% até o fim do ano. Do lado dos resseguradores, que fornecem boa parte da tecnologia e capacidade técnica por trás dessas soluções, a Swiss Re firmou parceria de resseguro com a própria Azos para sustentar esse ritmo, enquanto a Munich Re lançou uma plataforma de automação de underwriting adotada por seguradoras nos Estados Unidos. Globalmente, a Zurich subiu quatro posições em um ranking internacional de maturidade em IA depois de lançar uma plataforma própria de inteligência artificial generativa integrada à subscrição.

Ainda assim, o espaço para crescer é grande. Segundo pesquisa da FenaPrevi em parceria com o DataFolha, 82% dos brasileiros acima de 18 anos não têm nenhum tipo de seguro de vida. O Brasil ocupa apenas a 42ª posição num ranking da OCDE que avalia 54 países pelo volume de prêmios de seguros de vida sobre o PIB, abaixo do que seria esperado para a 9ª maior economia do mundo. Um mercado com essa margem de crescimento não avança só com mais vendedores. Avança com processos capazes de atender, de forma simples e rápida, uma base de clientes muito maior do que a atual.

Automatizar decisão de risco não pode significar abrir mão de governança. Modelos de IA em underwriting funcionam de forma responsável quando são calibrados com dados de qualidade e passam por auditoria constante, para evitar vieses ou decisões inadequadas em casos de maior complexidade médica ou financeira. A automação resolve bem o volume de propostas mais simples e padronizadas. Casos de maior risco continuam, e devem continuar, exigindo análise humana especializada.

O Brasil está no meio dessa transição, não no fim dela. Na minha visão, a discussão já não é se a inteligência artificial fará parte do underwriting, porque ela já faz parte desse processo. O verdadeiro desafio agora é combinar automação, qualidade dos dados e supervisão humana para construir processos mais rápidos, escaláveis e confiáveis.

Nos próximos anos, acredito que as seguradoras que conseguirem equilibrar eficiência tecnológica e governança na tomada de decisão estarão mais preparadas para ampliar o acesso ao seguro de vida em um mercado que ainda possui enorme espaço para crescer. Nesse cenário, o underwriting deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a representar uma competência estratégica para o crescimento sustentável do setor.

Seguro ganha espaço na estruturação de investimentos climáticos

FONTE: CNseg

A mobilização de capital para financiar a transição climática passa, cada vez mais, pela capacidade de identificar, distribuir e mitigar riscos. O tema esteve no centro das discussões do painel “Financiamento climático e investimento: mobilizando capital para uma transição competitiva em mercados emergentes”, realizado nesta segunda-feira (3), durante evento da SBCOP (Sustainable Business COP), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo. O encontro reuniu representantes do setor financeiro, organismos multilaterais e mercado segurador.

Ao abordar o papel do seguro na estruturação dos investimentos, Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), defendeu que as seguradoras deixem de atuar apenas na etapa final das operações e passem a participar desde a construção da matriz de riscos dos projetos. Segundo ela, essa integração amplia a segurança das operações, reduz incertezas e pode melhorar as condições de financiamento. “Eu gostaria que os bancos olhassem os seguros como mitigadores de risco e que isso se refletisse até no spread, dependendo do projeto”, afirmou.

A diretora lembrou que, em operações internacionais de project finance, a análise do pacote de seguros costuma ocorrer ainda na fase de estruturação dos empreendimentos. No Brasil, segundo ela, esse movimento ainda precisa ganhar escala. A CNseg vem trabalhando para aproximar seguradoras, bancos e setor produtivo, demonstrando como o seguro pode contribuir para reduzir riscos e fortalecer a adaptação às mudanças climáticas.

Claudia também destacou que a nova Lei do Contrato de Seguro trouxe maior segurança ao ambiente regulatório e reforçou a necessidade de ampliar o uso do seguro como instrumento de gestão de riscos. Entre as iniciativas em andamento, citou o trabalho da entidade junto a estados e municípios para desenvolver soluções voltadas à proteção contra catástrofes, além da preparação de uma agenda internacional para a COP31, em parceria com entidades do mercado segurador.

A avaliação converge com a percepção de Diogo Bardal, Operations Officer da International Finance Corporation (IFC), de que muitos projetos climáticos ainda precisam de uma etapa mais robusta de estruturação antes de acessar o mercado de capitais. “Projetos mais inovadores ainda precisam do apoio dos bancos multilaterais na fase de estruturação para se tornarem mais bancáveis e reduzirem as incertezas sobre o fluxo de caixa”, disse.

Segundo Bardal, o mercado brasileiro avançou na utilização de instrumentos capazes de diversificar riscos, especialmente em projetos de bioeconomia e descarbonização. Para ele, a ampliação das provas de conceito deve favorecer a consolidação de soluções como os seguros paramétricos e outros mecanismos de transferência de riscos, ampliando a confiança dos investidores.

Do lado da atração de investimentos, Luciana Ribeiro, fundadora e CEO da Flying Rivers, avaliou que o Brasil avançou na construção de um ambiente regulatório favorável, mas ainda enfrenta dificuldades para comunicar esse cenário ao mercado internacional. “O Brasil fez o tema de casa para atrair investimentos, mas ainda precisa comunicar melhor esses avanços ao mercado internacional”, afirmou.

Na avaliação da executiva, medidas como o fortalecimento do Fundo Clima, a atuação do Tesouro e do BNDES, a criação de instrumentos de hedge e os avanços regulatórios relacionados ao mercado de carbono contribuíram para ampliar o interesse de investidores. Ainda assim, a disputa global por capital ocorre em um contexto em que a agenda climática divide espaço com preocupações relacionadas à segurança energética, à soberania e às tensões geopolíticas, exigindo do Brasil maior capacidade de posicionar seus projetos no cenário internacional.

Ao longo do debate, os participantes convergiram na avaliação de que a disponibilidade de recursos, por si só, não garante o avanço da transição climática. A qualidade da estruturação dos projetos, a distribuição adequada dos riscos e a ampliação de instrumentos de proteção aparecem como fatores decisivos para ampliar o fluxo de investimentos destinados à adaptação e à descarbonização da economia.

Valor Inovação: Bradesco Seguros é líder no setor de seguros e planos de saúde

Fonte: Denise Bueno, para o Valor

Bradesco Seguros foi a empresa mais inovadora no setor de seguros e planos de saúde, segundo a pesquisa Valor Inovação Brasil 2026, realizada pelo Valor e pela Época Negócios, em parceria com a Strategy&, da PWC, responsável pelo desenvolvimento da metodologia e aplicação da pesquisa e elaboração do ranking.

Além da Bradesco Seguros, Athena Saúde, Brasilprev, Unimed-BH e Junto Seguros completam o Top 5 da inovação no setor.

O anuário Valor Inovação Brasil 2026 aponta quais empresas lideram esse quesito em 26 setores da economia. A metodologia destaca até cinco organizações em cada área de atividade — neste ano, 283 empresas se inscreveram na pesquisa, sendo que 270 foram elegíveis.

BB Seguridade mantém crescimento no semestre e lucra R$ 4,4 bilhões com avanço da previdência

A BB Seguridade encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido gerencial recorrente de R$ 4,4 bilhões, alta de 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi sustentado pela expansão das receitas na operação de previdência, melhora da eficiência operacional da Brasilprev e pelo crescimento do resultado financeiro, mesmo em um cenário de maior volatilidade dos mercados.

O resultado financeiro combinado da holding e de suas investidas atingiu R$ 909,1 milhões, líquido de impostos, avanço de 16% na comparação anual. Segundo a companhia, o crescimento foi impulsionado pela maior rentabilidade dos ativos financeiros.

“O semestre foi marcado por um ambiente de maior volatilidade dos mercados financeiros e pressão sobre indicadores econômicos relevantes, mas mantivemos a solidez dos nossos negócios e a disciplina na execução da estratégia. Os resultados refletem a força do nosso modelo de negócios, a confiança dos clientes e o comprometimento da nossa rede de distribuição”, afirmou o presidente da BB Seguridade, Delano Valentim.

A operação de previdência foi o principal destaque do período. A Brasilprev registrou lucro líquido gerencial de R$ 875,5 milhões, crescimento de 13,5% em relação ao primeiro semestre de 2025. O avanço foi favorecido pelo aumento de 6,9% das receitas com taxa de gestão, melhora de 2,4 pontos percentuais no índice de eficiência e crescimento de 40,7% do resultado financeiro.

Outro indicador relevante foi a recuperação da captação líquida, que somou R$ 2,8 bilhões no semestre, revertendo o resgate líquido de R$ 5,2 bilhões registrado um ano antes. O resultado decorreu do aumento de 7% nas contribuições e da redução dos índices de resgate e portabilidade. Em julho, a Brasilprev alcançou um marco histórico ao superar R$ 500 bilhões em ativos sob gestão.

Na operação de seguros, o lucro apresentou leve retração de 0,8%. Os prêmios emitidos caíram 3,5%, refletindo principalmente o recuo das vendas de seguros agrícola, penhor rural e vida. Apesar disso, alguns segmentos mantiveram crescimento expressivo, como o seguro de vida para produtor rural, com alta de 14,9%, e o seguro residencial, que avançou 22,9%. A companhia destacou ainda que a sinistralidade permaneceu no menor patamar histórico da operação.

O negócio de capitalização também apresentou forte evolução. A Brasilcap registrou lucro líquido de R$ 179,3 milhões no semestre, alta de 40,5%, impulsionada pelo aumento da margem financeira e pela expansão do saldo médio de ativos. Segundo dados da Susep referentes a maio, a empresa segue líder do mercado, com R$ 11,5 bilhões em reservas, equivalentes a 25,7% de participação.

Já a BB Corretora encerrou o semestre com lucro líquido de R$ 1,7 bilhão, mantendo resultado praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado.

Lucro líquido da Bradsaúde avança 25% no segundo tri, para R$ 1,1 bi, e 28% no semestre, para R$ 2,4 bi 

A Bradsaúde encerrou o segundo trimestre de 2026 com crescimento sustentado pela combinação entre maior presença no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), fortalecimento da rede própria de atendimento e estabilidade dos indicadores operacionais. A receita total alcançou R$ 13,9 bilhões entre abril e junho, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido cresceu 25%, chegando a R$ 1,1 bilhão, enquanto a carteira avançou em 229 mil beneficiários no trimestre. No semestre, o ganho avançou 28%, para R$ 2,4 bilhões. A companhia adicionou 423 mil novas vidas, elevando sua base para 13,6 milhões de clientes — sendo 4,1 milhões em planos médico-hospitalares e 9,5 milhões em planos odontológicos.

O principal vetor dessa expansão continua sendo o mercado de pequenas e médias empresas. Pela primeira vez, a companhia ultrapassou a marca de 3 milhões de beneficiários nesse segmento, considerado estratégico por combinar maior potencial de crescimento com melhor rentabilidade. Nos últimos doze meses, foram incorporadas 288 mil novas vidas nas PMEs, sendo 104 mil em planos de saúde e 184 mil em odontologia.

A estratégia é reforçada pelos lançamentos regionais realizados neste ano. Em abril, a Bradesco Saúde levou o plano Efetivo Plus ao Paraná e também lançou o Bradesco Saúde Regional Noroeste Paulista, ampliando a oferta para empresas de três a 199 vidas, justamente o público onde a companhia concentra sua expansão.

Outro indicador que chama atenção é o avanço da infraestrutura própria de atendimento. A capacidade dos hospitais que integram o ecossistema da Bradsaúde cresceu 33% em um ano, passando de 3.075 para 4.101 leitos disponíveis e contratados. A expansão ocorre em paralelo aos investimentos da Atlântica Hospitais, que anunciou um novo hospital em São Conrado, no Rio de Janeiro, e passou a operar também em São Paulo, por meio do Hospital Santa Lúcia Bauru.

Os investimentos começam a aparecer no resultado financeiro. A participação da Atlântica Hospitais no lucro consolidado mais do que triplicou, alcançando R$ 64 milhões no trimestre, o equivalente a 6% do lucro total da companhia, ante 2% um ano antes.

Na atenção primária, a estratégia também avançou com a expansão da rede Meu Doutor Novamed. A abertura da unidade Itapeva, na Avenida Paulista, elevou para 40 o número de clínicas da rede, ampliando a oferta de atendimento tanto para beneficiários quanto para o público em geral.

Apesar da expansão da operação, a companhia conseguiu manter praticamente estável a sinistralidade consolidada, em 83,3% no trimestre e 81,4% no acumulado do semestre, indicando equilíbrio entre crescimento da carteira e controle dos custos assistenciais — um dos principais desafios do setor de saúde suplementar.

Os ativos financeiros encerraram junho em R$ 30 bilhões, alta de 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado, reforçando a estrutura de capital que sustenta o plano de expansão da companhia.

Favela Seguros inicia expansão para outras regiões do Brasil após consolidar modelo em SP e RJ

Após um ano e meio de atuação em São Paulo e no Rio de Janeiro, a Favela Seguros inicia uma nova fase de expansão nacional. A operação chegará ao Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Amazonas, Paraná, Pernambuco e Piauí, entre outros estados. 
 

Criada pela Favela Holding e pela MAG Seguros, com apoio social da Central Única das Favelas, a CUFA, a empresa desenvolve soluções de proteção familiar conectadas à realidade das favelas e periferias brasileiras. O modelo reúne proteção, capacitação profissional, geração de renda e desenvolvimento econômico local. 
 

Durante o primeiro ciclo de atuação, a Favela Seguros alcançou capital segurado superior a R$ 90 milhões e formou mais de 40 representantes moradores de favelas. Esses profissionais atuam nos próprios territórios, aproximando as soluções das famílias e fortalecendo relações de confiança. 
 

A capacitação dos representantes é um dos pilares da operação. Os moradores recebem formação completa e totalmente custeada pela seguradora, tornando-se corretores de seguros com certificado, para apresentar as soluções de proteção familiar, usando conhecimento que possuem sobre a realidade local. A iniciativa cria oportunidades profissionais e contribui para a circulação de renda dentro dos territórios. 
 

“A Favela Seguros nasceu da convicção de que as favelas têm capacidade de construir suas próprias soluções. Desenvolvemos um modelo que entende a realidade desses territórios e coloca seus moradores no centro da transformação. Esta nova etapa representa um marco importante para o futuro do projeto e para tudo o que queremos construir nos próximos anos”, afirma Celso Athayde, sócio-fundador da Favela Seguros e CEO da Favela Holding. 
 

A expansão será conduzida com base nos aprendizados obtidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, respeitando as características de cada região e priorizando a formação de novos representantes locais. 
 

“O crescimento da Favela Seguros parte da escuta e do conhecimento de quem vive nesses territórios. Ao capacitar moradores para atuarem conosco, ampliamos a proteção das famílias e criamos oportunidades de trabalho e renda dentro das favelas e periferias”, destaca Geraldo Coelho, líder de Relações Institucionais da Favela Seguros. 
 

Com a nova fase, a Favela Seguros amplia sua presença nacional e reforça o compromisso de levar proteção às famílias, gerar renda e fortalecer o protagonismo dos moradores nos territórios. 

MSIG anuncia Ariane Ribeiro Luciano como superintendente de gestão de negócios & relacionamento

A Mitsui Sumitomo Seguros (MSIG) anuncia a chegada de Ariane Ribeiro Luciano como Superintendente de Gestão de Negócios & Relacionamento, à frente do  Canal Large Brokers, reforçando a estratégia da companhia junto a corretores de grande porte e alta produção.

Ariane é graduada em Administração pelo IMES – Universidade de São Caetano do Sul e possui MBA em Marketing pela FGV. Com mais de duas décadas de atuação comercial no mercado segurador, construiu carreira em companhias como Allianz, Berkley e Fairfax, sempre com forte atuação junto a corretores de grande porte. Ao longo da trajetória, liderou a captação de novos negócios e a manutenção de renovações, além de conduzir iniciativas voltadas à identificação de oportunidades e à maximização da rentabilidade de carteira.

Sua chegada reforça o movimento estratégico da MSIG: aproximar cada vez mais a companhia dos seus parceiros, com um modelo de relacionamento que vai além do atendimento transacional. É um investimento direto na capacidade da MSIG de escutar, entender e responder às demandas específicas dos Large Brokers, com agilidade e proximidade.

“A entrada da Ariane no nosso time reforça exatamente o que buscamos para a relação com os Large Brokers: proximidade e capacidade de execução. Ela chega com um histórico consistente de resultados e uma leitura muito clara de como as grandes corretoras operam e o que esperam de uma seguradora parceira. Isso vai nos ajudar a evoluir o modelo de atendimento e fortalecer ainda mais essas relações”, afirma Carlos Eduardo Silvestre, Diretor de Gestão de Negócios & Relacionamento da MSIG.

“Ao longo da minha carreira, sempre acreditei que o relacionamento genuíno com o corretor é a base de qualquer estratégia comercial de sucesso. Estou muito animada para contribuir com a evolução da área de Gestão de Negócios & Relacionamento, unindo proximidade com o mercado, foco em resultado e uma visão estratégica para o atendimento aos Large Brokers”, declara Ariane Ribeiro Luciano, Superintendente de Gestão de Negócios & Relacionamento da MSIG.