Setor de seguros avalia riscos geopolíticos na cadeia global de suprimentos

por Alfredo Chaia, Risk Management especialista em gestão de riscos da Risk Veritas

Estreito de Hormuz & Zona de Guerra. A correlação entre instabilidade regional e cadeia de suprimento e logística global se reafirma, enquanto a interdependência em contexto de incertezas impõe desenvolver redundâncias nas cadeias de suprimento críticas.

Após ataques entre EUA, Israel e Irã em Fev.2026, o Estreito de Ormuz tornou-se zona de guerra. O impacto no transporte marítimo foi imediato e severo, e pelo menos três navios-tanque foram atingidos por mísseis ou drones.

As principais companhias de navegação anunciaram a suspensão das travessias pelo Estreito de Ormuz até novo aviso. Outras instruíram as embarcações que operam ou que estejam em rota na região do Golfo, a se dirigirem para “áreas de abrigo” até novo aviso. Outra, também suspendeu reservas de carga internacionais para a região do Oriente Médio.

Cerca de 20% do comércio de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz. Essas remessas são principalmente de petróleo e derivados provenientes do Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Cerca de 20 milhões de barris por dia; e não existe uma alternativa marítima viável. Os gasodutos podem compensar apenas uma fração do volume.

Tensões na região se irradiam pelas rotas que conectam os produtores do Golfo Pérsico às refinarias, às empresas europeias e aos mercados globais de commodities. Os mercados reagem não apenas à interrupção física, mas também à percepção de vulnerabilidade.

Deixando de lado a política e a retórica, fica claro o motivo pelo qual o Irã ocupa uma posição tão central no pensamento estratégico. Não se trata apenas de ideologia, mas de geografia.

Os ataques reacenderam as ameaças dos Houthis de retomarem os ataques à navegação no Mar Vermelho. Durante a campanha de 2024-2025, mísseis e drones atingiram navios comerciais. As principais linhas de contêineres Ásia-Europa foram desviadas ao redor do Cabo da Boa Esperança – acrescentando de dez a quatorze dias em comparação com a rota de Suez.

A leste, o Paquistão introduz uma camada diferente de risco. Embora não seja equivalente ao Ormuz em peso estratégico, a instabilidade na infraestrutura da região pode afetar a logística, seguros e escala dos navios.

Cerca de 80% do comércio internacional em volume é realizado por via marítima – energia, grãos, fertilizantes, componentes industriais, suprimentos e bens de consumo dependem do fluxo marítimo ininterrupto.

O sistema marítimo mundial está mais uma vez operando sob pressão simultânea. Dois dos corredores mais críticos do planeta estão sob tensão. Isso não é um exercício teórico de modelagem para analistas de risco. É a realidade operacional.

Quando o transporte marítimo falha, as consequências aparecem rapidamente nos mercados de energia, abastecimento de alimentos, e na produção industrial. A ligação entre conflitos no mar e os mercados não é emocional. É variável direta.

Seguradoras cancelam apólices e aumentam preços de seguros para navios no Golfo Pérsico

Fonte: Financial Times

Seguradoras especializadas em riscos de guerra enviaram, neste sábado, avisos de cancelamento de apólices que cobrem navios que transitam por esse importante ponto de estrangulamento do petróleo, disseram corretores ao Financial Times. Os preços devem subir até 50% nos próximos dias.

A medida incomum de enviar esses avisos, antes da retomada das negociações na segunda-feira, ressalta a rapidez da escalada após o Irã lançar ataques retaliatórios contra bases americanas no Oriente Médio.

Os preços dos seguros para navios que transitam pelo Golfo Pérsico eram de cerca de 0,25% do custo de reposição de uma embarcação. Agora, eles podem subir até a metade, disse Dylan Mortimer, líder de seguros de casco marítimo para guerra no Reino Unido da corretora Marsh, ao Financial Times.

Para uma embarcação de US$ 100 milhões, isso significaria um aumento de US$ 250.000 para US$ 375.000 por viagem.

Os custos de seguro para navios que passam por portos israelenses, que representavam cerca de 0,1% do custo de uma embarcação antes dos recentes ataques, também podem aumentar em até 50%, disse Mortimer, enquanto as seguradoras se preparam para possíveis represálias do Irã.

A maior preocupação entre as seguradoras é se o Irã fechará o Estreito de Ormuz, afirmou Mortimer. As seguradoras também estão considerando a possibilidade de grupos armados apoiados pelo Irã tentarem abordar e apreender navios, acrescentou.

“Se Israel e os EUA continuarem a atacar o Irã… é mais provável que o Irã comece a tentar usar seu controle para manipular o transporte marítimo na região”, disse Mortimer.

Seguradoras de risco de guerra para cargas — que cobrem mercadorias transportadas em navios-tanque, como grãos e petróleo — também disseram que estavam se preparando para cancelar apólices na segunda-feira, informou outro corretor.

Após o cancelamento de apólices, esperava-se que as seguradoras renegociassem a cobertura a preços mais altos, disseram corretores, em vez de negar cobertura para os navios que navegassem na região.

Alguns donos de barcos também estão evitando o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial.

Neste sábado, pelo menos três navios evitaram o estreito, em vez de atravessá-lo, enquanto os donos de navios avaliavam o risco de serem atacados na estreita via navegável.

A EOS Risk, uma empresa de consultoria, também afirmou que alguns navios receberam o que parecia ser um aviso por rádio da Guarda Revolucionária Iraniana de que o estreito estava agora fechado à navegação.

Prudential do Brasil fecha parceria com RecargaPay para comercialização de seguros massificados

A Prudential do Brasil, maior seguradora independente em Seguros de Pessoas no país, anuncia parceria com uma das principais plataformas financeiras do Brasil, o RecargaPay, para comercialização de seguros massificados. A iniciativa reforça o compromisso da companhia com a democratização do acesso ao seguro e a proteção do crédito, utilizando canais digitais para distribuir produtos de proteção com o melhor custo-benefício.

A jornada de compra é 100% digital e está incorporada diretamente no fluxo de contratação do empréstimo no aplicativo RecargaPay, plataforma que já contabiliza mais de 13 milhões de clientes. A oferta será do Seguro Prestamista, produto disponibilizado para as operações de empréstimos do RecargaPay com objetivo de proteger o saldo devedor do cliente em casos de imprevistos, além de reduzir inadimplência, aumentando a rentabilidade e segurança da operação de crédito para o negócio.

Para Luciana Amano, vice-presidente de Massificados da Prudential do Brasil, a parceria fortalece a presença da Prudential no mercado de seguros massificados e permite levar inclusão e educação financeira a mais brasileiros. “Estamos muito orgulhosos de estar ao lado de uma das fintechs mais inovadoras e resilientes do mercado, que está sempre repensando o óbvio e transformando a experiência financeira dos brasileiros. Hoje, apenas 18% da população no país possui algum tipo de seguro. Ao unir forças com o RecargaPay, conseguimos expandir nosso alcance geográfico e o acesso à proteção financeira com soluções acessíveis que unem eficiência, confiança e impacto real”, afirma a executiva.

A experiência no aplicativo foi projetada para oferecer ao consumidor simplicidade, agilidade e integração completa ao ecossistema do RecargaPay e com uma camada tecnológica fornecida pela 123seguro. Todo processo é fluido, transparente, sem interrupções ou etapas adicionais, garantindo conveniência e eficiência ao cliente. Ao finalizar, o valor do empréstimo é liberado na hora e a apólice do seguro chega diretamente no e-mail do segurado, com praticidade e proteção, tudo no mesmo lugar.

De acordo com Daniel Matias, vice-presidente de Novos Negócios do RecargaPay, a parceria oferece mais segurança com simplicidade. “A parceria com a Prudential, uma das principais empresas de seguros do país, é um passo estratégico para consolidar o RecargaPay como um hub financeiro completo. Ao integrar seguros ao fluxo de crédito de forma nativa e sem fricção, escalamos nossa oferta de valor e entregamos uma solução de proteção essencial para a realidade financeira de milhões de brasileiros.”

O seguro já está disponível a todos os clientes do RecargaPay. As empresas planejam expandir a parceria e ofertar novos produtos, ampliando o portfólio de soluções de proteção para os clientes.

Ebix investe em IA para transformar análise de crédito e mira expansão no ecossistema de seguros e finanças

A Ebix Latin America anunciou o lançamento da Ebix AI Credit Analysis, plataforma baseada em Inteligência Artificial que reposiciona a análise de crédito empresarial como um ativo estratégico para seguradoras, bancos e instituições financeiras. A solução surge em um ambiente de maior rigor regulatório, crescente complexidade de riscos e pressão por decisões mais rápidas, especialmente em linhas como seguro garantia, grandes riscos e crédito corporativo.

Historicamente marcada por leitura manual de balanços, subjetividade e ciclos longos de avaliação, a análise de crédito passou a representar gargalos relevantes de custo, tempo e governança. A nova plataforma propõe a transformação desse processo por meio de padronização analítica, rastreabilidade completa das decisões e automação do planilhamento de DRE e balanços patrimoniais, convertendo documentos não estruturados em dados organizados, auditáveis e comparáveis.

“Projetada para ambientes de alta demanda, a Ebix AI Credit Analysis opera com múltiplos agentes de IA em paralelo e entrega resultados em minutos, mesmo em análises de maior complexidade. A ferramenta integra o portfólio tecnológico da companhia e dialoga com jornadas completas que envolvem subscrição, avaliação de risco, tomada de decisão e governança”, explica Mario Nogueira, CEO & Division Head da Ebix Latin America, em entrevista ao Sonho Seguro.

Leia os principais trechos da entrevista:

Como a Ebix enxerga a evolução do mercado de seguros nos próximos anos, especialmente em linhas como Seguro Garantia, grandes riscos e crédito corporativo?

O mercado vive uma transformação estrutural. Trata-se de um setor historicamente mais tradicional que agora opera em ambiente dinâmico, competitivo e orientado a dados. Em linhas como Seguro Garantia, grandes riscos e crédito corporativo, houve aumento de relevância, complexidade e exigência técnica. Não basta mais oferecer produto padronizado. É necessário compreender profundamente o perfil financeiro e o momento de cada cliente, estruturando ofertas mais precisas e competitivas — e em menos tempo. Nesse contexto, a análise de crédito deixa de ser operacional e passa a ser estratégica. Não se trata apenas de analisar números, mas de interpretar múltiplas variáveis, cenários e políticas de risco de forma consistente e escalável. As corretoras também ganham protagonismo ao direcionar operações com base em dados estruturados, reduzindo fricções e acelerando o ciclo de negócios.

Além das seguradoras, a plataforma mira instituições financeiras. Como o produto dialoga com a convergência entre seguros, crédito e serviços financeiros?

O produto nasceu dentro do contexto do Seguro Garantia, integrado à plataforma de venda online da companhia. No entanto, a partir da escuta ativa de seguradoras, bancos e instituições financeiras, ficou claro que a solução poderia ser mais ampla: focada no núcleo da decisão de crédito, independentemente do produto final. A plataforma evoluiu para um modelo agnóstico de indústria e altamente configurável. Cada instituição pode definir pesos dos pilares do score, ajustar critérios de classificação de risco e inserir sua própria política de crédito em linguagem natural, por meio de um bloco aberto que orienta o comportamento do sistema. Isso dialoga diretamente com a convergência entre seguros e serviços financeiros, onde fronteiras se tornam mais fluidas. A solução também entrega o planilhamento completo dos dados financeiros em minutos, permitindo análises complementares em Excel ou integração com sistemas internos.

Como foi o desenvolvimento da plataforma?

O projeto foi tratado como missão crítica, dado o uso de dados financeiros sensíveis e decisões de alto impacto. O desenvolvimento combinou pesquisa de mercado, escuta ativa de clientes e ciclos extensivos de testes e validação com seguradoras parceiras. Houve integração entre os times de IA da operação latino-americana e especialistas globais do grupo, garantindo alinhamento técnico e escalabilidade. O foco foi eliminar gargalos clássicos do crédito: subjetividade excessiva, demora na análise, dependência de processos manuais e ausência de rastreabilidade.

Na prática, como a solução equilibra automação, padronização e exigências regulatórias?

A arquitetura combina IA, regras matemáticas tradicionais e codificação determinística. A inteligência artificial atua na leitura, interpretação e consolidação de dados, dentro de limites previamente definidos. Há uma camada robusta de validação para reduzir inconsistências e garantir aderência às políticas internas de cada cliente. As regras de crédito e requisitos regulatórios são parametrizados e auditáveis. A IA não substitui o olhar técnico, mas amplia sua capacidade analítica.

Quais são as expectativas de adoção e expansão internacional?

A companhia afirma já contar com pipeline relevante de seguradoras e instituições financeiras interessadas. Há um roadmap de evolução funcional para diferentes regulações e mercados. Países da América Latina avaliam a adoção da solução, e a expansão dentro do ecossistema global da Ebix é vista como caminho natural. O impacto esperado é imediato: redução significativa do tempo de análise, diminuição de erros operacionais, maior padronização e fortalecimento da governança. Para a empresa, a digitalização estruturada da análise de crédito tende a se consolidar como diferencial competitivo em um mercado que exige velocidade, precisão e controle de risco em escala.

Generali Brasil lucra R$ 138,8 milhões em 2025

Karim Ajroud. Generali Seguros

A Generali Brasil teve mais um ano de grande crescimento financeiro em 2025. A empresa de origem italiana, que completa 101 anos este ano, alcançou um lucro de R$ 137,8 milhões, comparado a R$ 104,9 milhões em 2024, um crescimento de 31,39%. 

Em relação aos prêmios emitidos, a companhia chegou a R$ 2,2 bilhões, dos quais 83% são provenientes do ramo de massificados. Os ativos sob gestão atingiram R$ 1,2 bilhão e o resultado operacional ficou em R$ 189,5 milhões, comparado a R$ 92.8 milhões de 2024. “Impulsionamos nossa performance por meio de três pilares estratégicos: otimização operacional via tecnologia, diversificação do portfólio de produtos e uma experiência do cliente pautada em iniciativas sustentáveis”, destaca Karim Ajroud, CFO. 

Somente em 2025, a área de tecnologia da companhia motivou um investimento de R$ 73 milhões. Como resultado, a Generali foi ranqueada como uma das 20 empresas mais inovadoras do Brasil pelo MIT Technology Review pelo quarto ano consecutivo. No cenário estratégico, a empresa manteve foco em Seguros Massificados, Seguros de Vida em Grupo e Grandes Riscos Corporativos. “Estamos entusiasmados com a evolução da Generali no Brasil. O resultado positivo valida nossa estratégia de integrar novas tecnologias à personalização de produtos. Esse desempenho reforça nosso apetite por inovação e o compromisso em antecipar as necessidades dos clientes em cada etapa de sua jornada”, diz Karim Ajroud. 

Aos 100 anos, a empresa se destacou em 2025 por diversas ações relevantes em comemoração a esse centenário. Entre elas, a criação de um espaço de memória que conta a história da seguradora no país. O local reúne fotos, vídeos, documentos, prêmios e depoimentos, que transportam o visitante ao passado por meio de uma experiência inovadora.  

Também lançou o livro ‘O Legado do Leão’, obra que percorre a trajetória da companhia desde sua chegada em terras brasileiras, destacando sua capacidade de adaptação frente a transformações globais e marcos históricos nacionais, e iluminou o Cristo Redentor, no RJ, com sua icônica cor vermelha. 
 

Além disso, realizou ação simbólica de plantio de 200 árvores nativas em São Paulo e no Rio de Janeiro. A iniciativa reflete a estratégia global do Grupo de alcançar o Net-Zero até 2050 e consolidar uma atuação que une proteção financeira à responsabilidade socioambiental. A excelência da Generali em sua estratégia de comunicação de centenário foi coroada com o prêmio SABRE Awards Latin America 2025, na categoria Employee Communication.  
 

A Generali Brasil consolidou sua posição como a primeira seguradora estrangeira a operar no país, desde 1925. A cada ano, a companhia vem renovando seus produtos e sistemas com tecnologia e se adequando às necessidades dos clientes, com um olhar não somente para inovação, mas também para diversidade, inclusão e ações que refletem papel social e responsabilidade corporativa. 

Go Sellers aposta em agentes de IA para redesenhar vendas em seguros e crédito

Go Sellers
Da esquerda pra direita: marcelo lourenço, paulo sampaio, rodrigo aragão e alan camillo

A Go Sellers escolheu a sede da Seguros SURA Brasil, em São Paulo, para apresentar ao mercado sua visão sobre o futuro das vendas em seguros e crédito: agentes de inteligência artificial operando como extensão das equipes comerciais. O encontro reuniu bancos, seguradoras, fintechs e corretores para discutir como a IA pode sair do discurso e gerar impacto concreto em conversão, produtividade e escala.

Especializada em soluções de vendas com agentes de IA, a salestech defende que a nova geração de tecnologia comercial vai além de CRMs inteligentes, automações tradicionais e dashboards analíticos. Segundo Rodrigo Freire de Aragão, um dos acionistas da empresa, a diferença está na atuação ativa da tecnologia.

“Não existe paralelo entre os Agentes de Vendas da Go Sellers e qualquer outra solução disponível no mercado. Diferente das ferramentas tradicionais, nossas soluções são ativas. A integração profunda com dados permite a criação de jornadas comerciais totalmente novas e, até então, impossíveis de serem executadas”, afirma.

Da análise de dados à assessoria estratégica

Um dos exemplos apresentados foi o da Terra Verde Seguros, corretora especializada no agronegócio. A empresa utiliza um agente de IA para gerar relatórios de risco e análises climáticas detalhadas. Com base nesses dados, a tecnologia assessora o produtor rural na escolha estratégica e na definição dos índices climáticos do seguro.

A proposta, segundo a companhia, é transformar a IA em uma camada operacional e decisória integrada à jornada comercial — da prospecção à qualificação de leads, passando pelo acompanhamento de propostas e suporte ao fechamento, até o pós-venda.

No mercado de crédito, os agentes apoiam operações de crédito pessoal, consignado e financiamentos, respeitando critérios de risco e perfil do cliente. Em seguros, a promessa é elevar produtividade, reduzir tempo de ciclo e ampliar a capacidade de cross-sell e upsell, especialmente em linhas como vida, saúde e patrimoniais.

Conversão até 4 vezes maior

Em termos de indicadores, a Go Sellers afirma já observar ganhos relevantes em clientes com estágio maduro de implementação.

“De modo geral, os clientes têm alcançado taxas de conversão entre 2x e 4x superiores aos modelos anteriormente adotados”, diz Aragão. Ele ressalta que, mesmo com a elevação da média geral de produtividade, profissionais de performance excepcional ainda superam os resultados automatizados, reforçando a tese de complementaridade entre tecnologia e talento humano.

A empresa cita ainda estudo da Boston Consulting Group (BCG), publicado em 2023, segundo o qual instituições financeiras que utilizam IA para personalizar modelos de vendas podem multiplicar taxas de conversão de três a cinco vezes — chegando a oito vezes em clientes com alta propensão de compra.

Além da conversão, a companhia destaca ganhos de eficiência operacional, especialmente no atendimento receptivo, com respostas 24 horas por dia e escalabilidade virtualmente ilimitada. O efeito colateral, segundo a empresa, é liberar equipes para atividades mais estratégicas e aumentar o ticket médio.

Governança e regulação no radar

Em um ambiente de forte exigência regulatória, especialmente em seguros e crédito, temas como LGPD, transparência algorítmica e critérios de risco ganham centralidade. Questionado sobre governança e auditabilidade, Aragão enfatiza que a tecnologia não substitui a decisão humana.

“O repertório técnico e a visão estratégica do corretor e do gerente comercial permanecem insubstituíveis. A Inteligência Artificial deve ser vista como o instrumento que escala o talento e as estratégias de cada empresa”, afirma. Segundo ele, a Go Sellers nasceu da união de executivos C-level com décadas de experiência no setor financeiro e de seguros com engenheiros especializados em IA, buscando garantir aderência às exigências do mercado regulado.

Agent-to-agent e a próxima fronteira

Para os próximos três a cinco anos, a empresa projeta uma transformação ainda mais profunda. Aragão avalia que o horizonte preditivo das organizações foi encurtado para meses e que os agentes de IA tendem a se tornar “novos decisores de consumo” em até 18 meses.

Na visão dele, a jornada do cliente deve migrar das interfaces visuais — como aplicativos — para transações diretas via API, em um ambiente “agent-to-agent”, no qual sistemas dialogam entre si e automatizam escolhas com base em dados estruturados.

“Empresas que não estruturarem seus dados para leitura de máquinas ficarão invisíveis nesse novo ecossistema”, afirma. A Go Sellers acredita que as primeiras vendas nesse modelo deverão ocorrer por meio de sua própria solução.

Ao final do encontro, os participantes seguiram para um happy hour dedicado ao networking, em um sinal de que, apesar do avanço tecnológico, o relacionamento humano segue como ativo estratégico no ecossistema de seguros e crédito.

Bradesco anuncia Bradsaúde, um IPO reverso histórico no país

Bradesaude
Elsen Carvalho, CEO da Odontoprev, Marcelo Noronha, presidente do Banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Ivan Gontijo, presidente do Grupo Segurado e Carlos Marinelli, CEO da Bradsaude

A consolidação do setor de saúde suplementar ganha um novo capítulo com a criação da Bradsaúde, empresa que passa a reunir todos os negócios de saúde do Bradesco e será listada no Novo Mercado da B3. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa inédita, realizada de forma conjunta pelo banco e pelo grupo segurador, com a presença das principais lideranças da organização.

O Bradesco permanecerá com 91,35% da nova companhia. No início do pregão, as ações chegaram a subir quase 30%, liderando as altas do Ibovespa, em sinal de recepção positiva por parte do mercado. O banco pretende realizar uma oferta para ampliar o free float e atender ao mínimo de 25% exigido pelo Novo Mercado, além de solicitar à B3 um waiver temporário.

Para o presidente do Banco Bradesco, Marcelo Noronha, o valor de mercado da Bradsaúde pode ficar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, mais próximo do teto, a depender da precificação. Ele destacou que a operação tende a gerar impacto positivo para o banco, uma vez que ativos hoje contabilizados pelo valor histórico passarão a refletir valor de mercado após a listagem. “É tudo de bom para a organização”, afirmou, ressaltando que o movimento fortalece o pilar de seguridade no modelo de negócios do grupo.

Embora concorrentes já tenham avançado na verticalização — como Dasa com Amil e SulAmérica com Rede D’Or — o IPO reverso é considerado histórico por reunir, sob uma única estrutura, operadora de saúde, odontologia, hospitais, clínicas, tecnologia e participação relevante em diagnósticos.

O presidente dos conselhos de administração do Bradesco e da Odontoprev, Luiz Carlos Trabuco Cappi, classificou a operação como o maior IPO reverso da história do País. Segundo ele, a estrutura — com a Bradsaúde substituindo a Odontoprev na B3 — permite acelerar etapas e reduzir custos em comparação a uma oferta tradicional. “Essa junção nos dá a possibilidade de listar a companhia em 60 dias”, afirmou, ressaltando que a transação ainda depende de aprovações regulatórias.

A Bradsaúde nasce da consolidação de ativos como Bradesco Saúde, Odontoprev, Atlântica Hospitais e Participações, Mediservice, Orizon e Meu Doutor Novamed, além de investimentos em oncologia por meio da Croma e da participação de 25% no Grupo Fleury. Considerando números consolidados de 2025, a nova companhia estreia com receita de R$ 52 bilhões, lucro líquido de R$ 3,6 bilhões, ROE de 24%, mais de 13 milhões de beneficiários, cerca de 3.600 leitos hospitalares e 35 clínicas de atenção primária.

“A Bradesco Saúde é a maior seguradora de saúde do País, a Odontoprev alterna entre o primeiro e o segundo lugar no segmento odontológico e o Fleury é referência em medicina diagnóstica”, afirmou Ivan Gontijo, presidente do Grupo Bradesco Seguros. Ele lembrou ainda a joint venture com a Rede D’Or e as participações hospitalares, como no Grupo Santa, além de parcerias com Einstein e Mater Dei.

Do ponto de vista estratégico, a criação da Bradsaúde é vista como movimento estruturante para sustentar crescimento orgânico e seletividade em aquisições em um setor pressionado por custos médicos acima da inflação.

Trabuco ressaltou que a robustez da operação decorre de uma construção iniciada em 1983, quando o grupo passou a atuar em planos de saúde. Segundo ele, a junção entre a força financeira do banco e a experiência da seguradora evidencia a penetração do Bradesco no mercado brasileiro. A nova empresa nasce com balanço sólido, escala relevante e capacidade de escalabilidade, elemento essencial no negócio de seguros, sustentado pela lei dos grandes números.

Ivan Gontijo reforçou que a companhia não começa do zero: carrega mais de quatro décadas de experiência enfrentando desafios da saúde suplementar. Reconheceu as pressões do setor, mas afirmou que a empresa já desenvolveu capacidade de adaptação, mantendo foco na qualidade assistencial. Destacou ainda a necessidade de ampliar o acesso com soluções mais acessíveis e regionalizadas, ajustadas às características de cada mercado.

Carlos Marinelli, que assumirá a liderança executiva da Bradsaúde, afirmou que o setor continuará passando por transformações. Com cerca de 53 milhões de beneficiários em planos de saúde e mais de 35 milhões na odontologia, trata-se de um mercado estruturalmente relevante. Segundo ele, a integração do ecossistema — atenção primária (Meu Doutor Novamed), rede hospitalar (Atlântica), tecnologia e dados (Orizon) e diagnóstico precoce (Fleury) — permitirá ganhos de eficiência, maior resolutividade e expansão do acesso.

Marinelli destacou que o objetivo não é apenas ampliar escala, mas gerar valor superior à saúde brasileira, com foco em prevenção e longevidade. O principal vetor de crescimento segue sendo o segmento de pequenas e médias empresas, considerado o motor da economia e a principal alavanca de expansão do grupo.

Encerrando a coletiva, Trabuco enfatizou que o movimento vai além de uma reorganização societária. Segundo ele, a Bradsaúde reforça a cultura de atenção à saúde e suporte à longevidade. A companhia pretende ser o melhor lugar para beneficiários, profissionais de saúde, corretores e investidores. Para o executivo, saúde suplementar exerce papel institucional fundamental, atuando como complemento à saúde pública. “Por mais forte que o Estado seja, ele não consegue atender 100% das necessidades de atenção à saúde”, afirmou.

O CEO da Odontoprev, Elsen Carvalho, reforçou durante a coletiva que todos os detalhes da transação seguem rigorosamente as regras do mercado de capitais e os dispositivos regulatórios aplicáveis. Segundo ele, as informações divulgadas estão formalmente comunicadas à B3 e devem respeitar os pareceres da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além do estatuto social da companhia.

Carvalho destacou que o conselho de administração da Odontoprev é atualmente independente e foi o responsável por conduzir a análise e a aprovação dos termos da operação. A partir da proposição da transação, foi estabelecida uma relação de troca, que resultará na participação dos atuais acionistas da Odontoprev em 8,55% da nova companhia, dentro da estrutura anunciada ao mercado.

O executivo ponderou que eventuais etapas futuras dependem de aprovações formais e não podem ser antecipadas além do que já foi comunicado oficialmente. A operação, conforme já explicado por Luiz Carlos Trabuco, Marcelo Noronha e Carlos Marinelli, envolve a incorporação de todos os ativos e negócios de saúde do Grupo Bradesco na estrutura hoje listada da Odontoprev, que passará a operar sob a marca Bradsaúde.

Com isso, a companhia permanece listada no Novo Mercado da B3, agora como holding do mais completo ecossistema de saúde do País, com acesso direto ao mercado de capitais. Em relação ao cronograma, Carvalho explicou que a operação foi comunicada ao mercado em fevereiro e já informada à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), cuja aprovação é condição essencial para a consumação da transação. Estão previstas assembleias gerais do banco e da Odontoprev nas próximas semanas — com convocação ainda em fevereiro e deliberações ao longo de março e abril. À medida que as aprovações regulatórias e societárias forem obtidas, a companhia poderá formalizar a mudança de nome e iniciar a negociação das ações sob a nova denominação na B3. Até lá, todas as etapas seguirão o rito regulatório previsto para operações dessa natureza.

Para finalizar, Cappi demonstrou entusiasmo ao comentar a criação da Bradsaúde e fez questão de enfatizar que, mais do que uma reorganização societária, o movimento reforça a cultura e o propósito do grupo na área de saúde. Segundo ele, o que distingue a Bradesco Saúde é justamente a cultura de atenção à saúde e de suporte à longevidade, valores que agora passam a estruturar a nova companhia.

Trabuco fez um paralelo com os princípios que norteiam o banco e a seguradora. No banco, afirmou, o objetivo é ser o melhor lugar para o cliente tomar crédito e fazer investimentos, o melhor lugar para o acionista investir seu dinheiro e o melhor ambiente para se trabalhar. Na seguradora, a ambição é semelhante: ser o melhor lugar para o segurado proteger sua vida, seu patrimônio e sua longevidade, além de ser o melhor espaço para os corretores colocarem sua produção.

Ao tratar especificamente da Bradsaúde, ele ampliou o conceito de “melhor lugar” para incluir todos os públicos estratégicos. A nova companhia pretende ser o melhor lugar para participantes de planos e segurados confiarem suas vidas e angústias, já que a saúde, segundo ele, é um processo dinâmico. Também quer ser o melhor ambiente para os profissionais de saúde — médicos, enfermeiros e demais especialistas — que, nas palavras de Trabuco, são fundamentais para a cultura e o propósito da empresa, que ele definiu como uma companhia de medicina e de saúde.

O executivo destacou ainda o compromisso com investidores e acionistas, lembrando que a empresa nasce com a base de acionistas da Odontoprev e poderá ampliar sua base societária no futuro, por meio de oferta subsequente de ações. Para ele, a nova estrutura reforça um compromisso social num contexto em que saúde e longevidade se tornaram temas centrais.

Trabuco ressaltou que o século XX deixou heranças importantes, como o respeito à diversidade, o avanço das mulheres e o aumento da longevidade, e que, no século XXI, essas questões ganham ainda mais relevância. Nesse cenário, afirmou, o Brasil enfrenta desafios e a saúde suplementar cumpre papel institucional relevante. “Por mais forte que o Estado seja, ele não consegue atender 100% das necessidades de atenção à saúde”, disse, defendendo que a saúde suplementar atua como braço adicional à saúde pública, complementando-a e funcionando em paralelo.

Caixa Seguridade lucra R$ 4,29 bi em 2025

A Caixa Seguridade encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro gerencial 6,4% maior que um ano antes, de R$ 1,12 bilhão. O lucro contábil caiu 8%, na mesma base de comparação, para R$ 1,07 bilhão. No ano completo, a Caixa Seguridade apresentou lucro líquido contábil de R$ 4,29 bilhões, o maior resultado histórico da companhia, com crescimento de 14% ante o apurado em 2024. O lucro líquido gerencial somou R$ 4,31 bilhões, equivalente a um crescimento de 15%.

A melhora no resultado gerencial foi influenciada pelo maior resultado financeiro, mais uma vez beneficiado pela Selic em níveis altos, mas também pelo avanço de 2% no resultado operacional.

Em termos de emissão de prêmios de seguro, houve queda de 3,3% no último trimestre ante o mesmo período de 2024. O recuo foi puxado sobretudo pela linha prestamista, repetindo um comportamento visto nos trimestres anteriores, diretamente influenciado pelo cenário mais difícil para o crédito e para a contratação do produto.

Nas linhas habitacional e residencial, houve crescimento de 10,6% e 24%, respectivamente, acompanhando o comportamento da carteira de crédito imobiliário da Caixa. Em vida, o avanço foi de 1% no período.

Em negócios de acumulação, a Caixa Seguridade viu um aumento de quase 10% na receita com previdência, para R$ 545,7 milhões, e de 15% em capitalização, para R$ 165,1 milhões. Consórcio avançou cerca de 17%, alcançando receita de R$ 279,2 milhões no trimestre.

As receitas operacionais aumentaram 14,5%, para R$ 5,73 bilhões, enquanto o resultado de investimento em participações societárias avançou 22%, para R$ 3,27 bilhões.

O resultado financeiro cresceu pouco mais de 60%, para R$ 182,2 bilhões, impulsionado pelo comportamento da Selic e pelo aumento do saldo médio das aplicações financeiras.

Bradsaúde nasce com R$ 52 bilhões em receita e consolida ecossistema integrado de saúde do Bradesco

O Banco Bradesco e o Grupo Bradesco Seguros anunciaram a criação da Bradsaúde, estrutura que consolida os principais ativos de saúde da organização e que nasce como o mais completo ecossistema do setor no país. A nova companhia reunirá empresas líderes em seus segmentos e será listada no Novo Mercado da B3, em um movimento que reorganiza e integra verticalmente a atuação do grupo em saúde suplementar, segundo fato relevante. Ainda nesta manhã, o grupo concederá uma coletiva de imprensa para comentar mais detalhes.

Considerando os resultados consolidados de 2025, a Bradsaúde inicia operações com receita de R$ 52 bilhões, lucro líquido de R$ 3,6 bilhões e retorno sobre o patrimônio (ROE) de 24%. A base soma mais de 13 milhões de beneficiários, cerca de 3.600 leitos hospitalares e 35 clínicas de atenção primária, configurando uma estrutura que combina financiamento, prestação de serviços e tecnologia em saúde.

O conglomerado reúne operadora de saúde e odontológica, hospitais, clínicas, healthtech e participação relevante em laboratório de diagnósticos, estruturando uma cadeia integrada que vai do plano ao cuidado assistencial. Entre os principais ativos estão a Bradesco Saúde, líder do segmento, com R$ 41 bilhões de faturamento e R$ 3,4 bilhões de lucro em 2025, atendendo 3,9 milhões de beneficiários; a Odontoprev, com mais de 9 milhões de beneficiários, receita de R$ 2,4 bilhões e lucro de R$ 550 milhões; a Mediservice, operadora com foco em compartilhamento de rede; a Atlântica Hospitais e Participações, criada em 2021 para expandir a presença hospitalar privada e que já conta com mais de 3.600 leitos contratados, em operação ou desenvolvimento; a Orizon, empresa de tecnologia voltada à integração de dados e eficiência operacional; e a rede de clínicas Meu Doutor Novamed, com 35 unidades e mais de 3 milhões de atendimentos realizados.

O ecossistema inclui ainda investimentos estratégicos em oncologia, por meio da Croma Oncologia, joint venture entre Atlântica, Fleury e Beneficência Portuguesa, e participação de 25% no Grupo Fleury, ampliando a presença em medicina diagnóstica.

A nova estrutura nasce com a proposta de complementariedade de negócios e captura de sinergias, buscando diversificação de investimentos e fortalecimento da liderança em planos de saúde e dental. Entre as ambições estratégicas estão acelerar a expansão da rede hospitalar da Atlântica, desenvolver e escalar a atenção primária e o atendimento oncológico, fomentar novos negócios na cadeia de valor e ampliar a oferta de produtos e serviços por meio de corretores e canais do banco, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas.

Para Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco e da Odontoprev, a constituição da Bradsaúde representa um marco na trajetória da organização. Segundo ele, o conglomerado reforça a estratégia de crescimento em um dos pilares mais relevantes da economia brasileira e amplia o potencial de geração de valor para investidores, parceiros e sociedade, comentou em nota.

O presidente do Banco Bradesco, Marcelo Noronha, destacou em nota que o grupo segurador é parte essencial do modelo de negócios da instituição, estruturado sobre os pilares financeiro e de seguridade, e afirmou que o movimento fortalece as possibilidades de crescimento e transformação da organização. Já o presidente do Grupo Bradesco Seguros, Ivan Gontijo, ressaltou que a consolidação é fruto de uma estratégia de longo prazo voltada à ampliação da presença no setor de saúde suplementar, diante da demanda estrutural crescente por serviços de qualidade.

Elsen Carvalho, CEO da Odontoprev, afirmou que a integração amplia canais de distribuição e cria oportunidades relevantes, especialmente em segmentos ainda pouco penetrados pelo seguro dental, como o de pequenas e médias empresas.

A conclusão da operação está sujeita às aprovações regulatórias usuais. O movimento ocorre em um momento de reorganização do setor de saúde suplementar, marcado por pressão de custos assistenciais e busca por maior eficiência operacional. Ao integrar operadora, hospitais, clínicas, tecnologia e diagnóstico sob uma mesma estrutura, o Bradesco aposta em escala, verticalização e diversificação como vetores de crescimento sustentável no segmento.

Swiss Re lucra US$ 4,8 bi em 2025, alta de 47%, e anuncia recompra de até US$ 1,5 bi

Andreas Berger Swiss Re

A suíça Swiss Re encerrou 2025 com lucro líquido recorde de US$ 4,8 bilhões, crescimento de 47% em relação aos US$ 3,2 bilhões registrados em 2024, superando a meta de mais de US$ 4,4 bilhões estabelecida para o ano.

O retorno sobre o patrimônio (ROE) atingiu 19,6%, ante 15% no exercício anterior. Segundo o CEO Andreas Berger, o desempenho reflete disciplina técnica, forte resultado financeiro e menor impacto de grandes perdas ao longo do ano, exceto no primeiro trimestre.

“O lucro líquido atingiu o maior nível da nossa história, refletindo subscrição disciplinada, forte retorno sobre investimentos e baixa atividade de grandes sinistros fora do primeiro trimestre”, afirmou Berger.

O resultado de subscrição — medido pelo insurance service result — avançou 36%, para US$ 5,8 bilhões. A receita de seguros totalizou US$ 43,1 bilhões, frente a US$ 45,6 bilhões no ano anterior.

O Conselho proporá dividendo de US$ 8,00 por ação na Assembleia Geral de 10 de abril de 2026, alta de 9%. A companhia também anunciou recompra de até US$ 1,5 bilhão em ações ao longo de 2026, incluindo US$ 500 milhões dentro do programa anual sustentável de buyback.

O CFO Anders Malmström destacou que o aumento na remuneração aos acionistas reflete a forte geração de capital e maior resiliência do grupo. A posição de capital segue robusta, com índice Swiss Solvency Test (SST) estimado em 250% em 1º de janeiro de 2026, já considerando os efeitos das ações de repatriação de capital.

P&C Re lidera desempenho

A divisão Property & Casualty Reinsurance (P&C Re) entregou lucro líquido de US$ 2,8 bilhões, mais que o dobro dos US$ 1,2 bilhão registrados em 2024. O índice combinado melhorou para 79,4%, superando a meta anual de ficar abaixo de 85%.

As perdas relevantes com catástrofes naturais somaram US$ 813 milhões, com destaque para os incêndios em Los Angeles e o furacão Melissa. Já as grandes perdas de origem humana totalizaram US$ 345 milhões.

A disciplina de subscrição foi mantida nas renovações de janeiro de 2026, com volume de US$ 12,4 bilhões e aumento nominal de preços de 0,3%, ainda que ajustado por risco tenha havido redução líquida de 4,3%.

Corporate Solutions mantém rentabilidade

A unidade Corporate Solutions registrou lucro líquido de US$ 988 milhões, ante US$ 829 milhões em 2024. O índice combinado caiu para 86,5%, atingindo a meta de ficar abaixo de 91%. O resultado foi sustentado por desempenho técnico sólido e menor impacto de perdas relevantes, especialmente em catástrofes naturais.

L&H Re conclui revisão de portfólio

A área de Life & Health Reinsurance (L&H Re) reportou lucro de US$ 1,3 bilhão, abaixo dos US$ 1,5 bilhão de 2024, impactada pela revisão de portfólio concluída no exercício, com ajustes de premissas em mercados como Austrália, Israel e Coreia do Sul.

Apesar disso, a companhia afirma que todas as unidades de negócios estão agora posicionadas para gerar resultados mais consistentes. A Swiss Re também avançou na saída do negócio iptiQ, com venda ou colocação em run-off de todas as operações.

O retorno sobre investimentos (ROI) foi de 4,0% em 2025, com yield recorrente de 4,2%. O desempenho refletiu receitas recorrentes superiores a US$ 4 bilhões e contribuição positiva da carteira de ações.

Perspectivas para 2026

Para 2026, a Swiss Re projeta lucro líquido de US$ 4,5 bilhões. As metas de índice combinado permanecem abaixo de 85% em P&C Re e abaixo de 91% em Corporate Solutions. Em L&H Re, a expectativa é elevar o lucro para US$ 1,7 bilhão.

A companhia mantém meta plurianual de ROE superior a 14% e crescimento anual de dividendos de pelo menos 7%. “Estamos confiantes na resiliência das nossas unidades, na disciplina técnica e na gestão ativa de ciclo em um ambiente de demanda crescente por resseguros”, concluiu Berger.