Queda da Selic traz desafios às seguradoras

42-18369667A principal notícia do dia é que mais uma vez o Copom reduziu a taxa de juros da economia. Com a Selic a 8,75%, o nível mais baixo da história, as margens das seguradoras tendem a diminuir e as empresas precisam se tornar eficientes, pois a rentabilidade obtida na aplicação sobre os recursos gerenciados pela seguradora na renda fixa torna-se menor.

Além disso, a concorrência está mais acirrada. Vários bancos, ontem mesmo, divulgaram comunicado sobre redução de juros de diversos financiamentos. Com spread menor, os bancos passam a buscar outras formas de ganhar dinheiro, e o seguro é a que mais tem estado em pauta nas reuniões dos banqueiros.

Isto quer dizer que a concorrência irá aumentar e será difícil para as seguradoras materializarem reajuste no preço do seguro, principalmente no de carro. Algumas já fizeram em março e o resultado tem sido a queda de faturamento no consolidado de junho.

Segundo executivos de várias seguradoras, o balanço semestral já trará um cenário menos positivo do que o apresentado no ano passado. Entre as principais estratégias para se adequar a este novo cenário de taxa de juros de um dígito temos a ampliação da oferta de produtos, busca por canais de distribuição, redução de despesas e migração do portfolio de aplicações para ativos de maior risco, deixando o porto seguro dos títulos públicos, onde estão mais de 90% da carteira de investimentos de quase R$ 180 bilhões das companhias de seguros.

Várias opções de títulos privados começam a surgir. Ontem, a Brasil Foods, novo nome Perdigão, encerrou captação de R$ 5,3 bilhões. A Natura deve captar R$ 1,6 bilhão na oferta que se encerra no próximo dia 28. O apetite dos investidores está mais aquecido, como mostrou o IPO da Visanet, o maior do mundo até agora neste ano, com R$ 8,4 bilhões. Só deve perder a liderança com a emissão da China State Construction Engineering, que deve captar quase US$ 6 bilhões, ou seja, R$ 11,4 bilhões. Com taxas de juros menores, o investimento tende a ser canalizado para a produção, gerando empregos, aumentando a renda, girando o crédito. O que trará mais desenvolvimento para o País, com oportunidades para todos os setores, especialmente o de seguros.

Lazam MDS cria holding internacional

cag42lqxca88scrncabjmttpcah6vaymcap5k7jzcam3ag31ca1ch36mca9t5s60ca5jz9dhca3e582pca7ghqjqcatloedlcap8ngticak1rdhycago2mtyca7veer1cas3l01icaa38vyscaw4kzzqDepois de anunciar duas aquisições no início do ano, a Lazam MDS trouxe mais novidades para a indústria de seguros. O Grupo Suzano assinou ontem pela manhã um contrato para a formação de uma joint venture com o português Sonae – seu parceiro na Lazam-MDS, bem como com a corretora de resseguros Cooper Gay, quinta maior do mundo, e Seguros Continente, uma seguradora portuguesa cativa da rede de supermercados Sonae.

As quatro empresas formam uma holding que reúne os investimentos na área de corretagem de seguros e resseguros. Gerindo uma carteira de prêmios superior a US$ 1,8 bilhão, a joint venture está entre as 15 maiores do mundo. “Ou seja, vamos colocar a bandeira do Brasil no ranking mundial de corretores de resseguro. No total, são cerca de 1,2 mil colaboradores em 21 países”, disse Eduardo Bom Ângelo, presidente da Lazam MDS.

O negócio envolveu 47 milhões de euros e troca de ações entre as empresas, informou Sérgio Alves, diretor corporativo da Suzano Holding, durante coletiva de imprensa realizada ontem em São Paulo. Segundo os executivos, as empresas continuam a operar de forma individual. A holding, por sua vez, terá a sua primeira reunião em aproximadamente 60 dias e a partir daí serão traçadas as estratégias internacionais. O conselho de administração será composto por sete integrantes – quatro representantes do sócio português e três do sócio brasileiro – sendo que três deles, José Manuel Dias da Fonseca, Adriano Ribeiro e Eduardo Bom Ângelo, compõem a comissão executiva.

“Esta nova empresa, de abrangência mundial, amplia nossos horizontes de negócios e nos dá musculatura para seguir competindo em um mercado em processo de consolidação”, diz Daniel Feffer, vice-presidente da Suzano Holding.

Segundo os executivos, a operação estava sendo trabalhada há vários meses e pretende reforçar sua presença em áreas em que já vêm atuando, além de participar em um dos setores de serviços que mais cresce no mundo e que passa por um momento de forte consolidação.

Assim como a Lazam, sócia da portuguesa MDS desde 2002, ter adquirido várias corretoras nos últimos anos, suas concorrentes internacionais como Aon, Marsh e Willis também foram às compras nos últimos anos na busca por escala e especialização. Este movimento de consolidação foi estimulado bem antes da crise mundial, que apenas intensificou o processo. Os clientes têm exigido redução das comissões e melhora dos serviços para justificar a presença de um intermediário no negócio.

Na área de resseguros, a Lazam MDS entrou este ano, com a compra da corretora Miral. Também logo que assumiu a Lazam, depois de ter deixado a presidência da Brasilprev, empresa de previdência priavada aberta do Banco do Brasil, Bom Ângelo também negociou a compra da corretora de seguros de Santa Catarina, a ADDmakler.

Além de participar da estratégia de expansão por meio de aquisições em outros países, a holding facilitará o acesso ao resseguro aos clientes da Lazam no Brasil. “Ter 32,2% do capital da Cooper Gay simplifica as negociações no mundo. Ser acionista traz mais peso ao relacionamento”, diz Bom Ângelo.

Segundo ele, até o primeiro semestre deste ano a receita da Lazam cresceu 13%, acima da média de 10% da indústria de seguros. A área de benefícios e de ramos elementares foram as que mais se destacaram. Sem divulgar o faturamento, Bom Ângelo diz que a Lazam já é a terceira maior corretora de seguros e de resseguros do Brasil, excluindo as corretoras de bancos. Segundo ele, a expectativa é manter o ritmo de crescimento até o fim do ano.

Excesso de regulamentação ameaça seguro*

images10Ajudar a indústria mundial de seguros em seus desafios tem sido o dia a dia da Geneva Association há mais de 30 anos. Formada por 80 dos principais CEOs de seguradoras, a única organização mundial do setor sem fins lucrativos funciona como um fórum de debate de temas internacionais. Atualmente, a crise financeira e seus impactos tem sido o principal assunto entre os membros do comitê.

“As seguradoras foram bem menos afetadas pela crise do que os bancos. E muitas oportunidades surgem para a indústria, pois a necessidade de proteção ficou mais aguçada com a crise”, diz Patrick Liedtke (foto), presidente da associação, sediada em Geneva, Suíça. Em relação ao Brasil, o executivo expressa otimismo. “A crise e a abertura do resseguro ressaltaram o potencial da indústria de seguros brasileira, que tem bons desafios daqui para frente.”

Apoiando-se na força da indústria de seguros ser responsável por 11% do total do PIB mundial, com prêmios anuais que ultrapassam US$ 4 trilhões, a associação entregou uma carta ao grupo que compõe as 20 maiores economias do mundo, G-20, solicitando prudência na nova regulamentação dos mercados financeiros. “O excesso de regulação é uma ameaça real para a indústria de seguros”.

Depois de participar do 4º Seminário LatinoAmericano de Seguros y Reaseguros, em Buenos Aires, Patrick Liedtke veio visitar o Rio de Janeiro, cidade que sediará a reunião anual realizada pela Geneva Association, e também a CNSeg, onde concedeu entrevista à Revista de Seguros sobre os impactos trazidos pela crise financeira global para a indústria de seguros, bem como sobre as oportunidades que as companhias podem tirar deste tsunami financeiro que atingiu todas as nações. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

Na sua opinião, como a crise afetou as seguradoras?
A indústria de seguros tem sido bem menos afetada nesta destruição de ativos gerada pela grave crise financeira. Como os maiores investidores institucionais do mundo, as seguradoras e resseguradoras naturalmente registram perdas. No entanto, elas não ameaçam a solvência da indústria, embora alguns seguradores de vida, especialmente nos Estados Unidos, estejam sobre forte pressão, com algumas recorrendo ao programa de ajuda dos governos. A crise de crédito não trouxe dúvidas sobre o modelo de negócios básico da indústria, ao contrário do que aconteceu com o setor bancário. A imagem do seguro permaneceu inalterada, uma vez que o setor continuou honrando todos os contratos envolvidos para pagamento de indenizações.

Quais oportunidades a crise trouxe para a indústria de seguros?
A crise financeira terminará e então teremos uma série de oportunidades para a indústria de seguros. Entre elas, posso citar a conscientização da população sobre a importância do seguro e do gerenciamento de risco como proteção. Acredito que os clientes valorizarão as estratégias de investimento mais conservadoras, o modelo de negócios mais consistente e sustentável, bem como as garantias ofertadas nos negócios envolvendo seguros em comparação com o que outras instituições financeiras têm a oferecer.

O Brasil tem tido oportunidades – já atrai 80 grupos estrangeiros — por ter sido menos afetado pela crise e também pela abertura do resseguro. Como o senhor vê o Brasil antes e depois da abertura do resseguro?
Depois de tantos anos de discussões e preparo para a abertura do mercado a sensação é de alívio e orgulho. O mercado está em um processo para se tornar mais dinâmico. A presença das mais importantes companhias de resseguro internacionais facilitará a transferência de tecnologia e expertise, enriquecendo os contratos brasileiros. A abertura também torna o Brasil mais próximo do mercado mundial, o que ajuda a tornar a economia mais sustentável no futuro. As seguradoras e resseguradoras estão muito preocupadas com o excesso de regulamentação que pode ser criado em razão da crise.

Como a associação pode ajudar o mercado?
A Geneva Association tem conduzido muitos debates globais sobre as questões de supervisão e regulamentação da indústria de seguros há anos. Faz parte da nossa rotina estar em contato com todas as organizações internacionais e temos uma parceria com a Associação Internacional de Supervisores de Seguro (IAIS, na sigla em inglês), tanto na troca de informações como na organização de eventos para debater o assunto. Buscamos com isso criar uma melhor compreensão de todos os envolvidos sobre a forma de atuação do setor e suas peculiaridades. Este tem sido um canal importante de comunicação e conseqüentemente um facilitador na criação de soluções eficientes, justas e sustentáveis. Ao mesmo tempo, a Associação tem feito esforços para promover conferências e lançar publicações para compartilhar experiências e assim contribuir para o desenvolvimento dos grupos econômicos.

O que a Associação espera das regras de Solvência II?
A solvência II foi um passo importante da indústria. Não só na Europa, mas também em muitos outros países por ter um caráter abrangente de reforma e internacionalização das práticas contábeis e de gestão das seguradoras. Este último ponto é muito importante, pois obrigará os concorrentes a implementarem sistemas de gestão dos riscos de elevado nível, contribuindo para aprimorar a transparência das operações do setor. É uma pena que nem todas as sugestões tenham sido aceitas na diretiva final e isso exigirá um esforço maior de todos, particularmente em mecanismos de diversificação de riscos. Ao final, no entanto, só se pode cumprimentar a União Européia no esforço de buscar soluções num período tão conturbado e que poderá ajudar a reduzir futuras crises. Politicamente foi um trabalho difícil. Esperamos que outros países sigam na implementação das normas nos próximos anos.

Como o senhor vê as novas regras para as agências de classificação de risco na Europa?
Não acredito que temos um quadro claro ainda de como as agências de classificação de risco funcionarão neste período ainda de crise e o que exatamente acontecerá no período pós-crise. Há ainda espaço para muitas discussões sobre a atuação das agências no futuro e como poderão conduzir o trabalho de análise das empresas. As agências são uma peça fundamental para o funcionamento de mercados financeiros e será extremamente importante conduzir a reforma deste mercado com muito cuidado. O que estamos vendo atualmente é só uma parte das soluções que surgirão nos próximos meses. Ou talvez anos.

As mudanças climáticas podem trazer sérios impactos na solvência das seguradoras e resseguradoras. O que a associação tem feito para auxiliar as empresas a este respeito?
A Geneva Association criou um grupo de trabalho especial para mudanças climáticas, que reúne os mais experientes profissionais do mundo no assunto. Em julho, o grupo emitirá um relatório sobre como a indústria é afetada e quais ameaças e oportunidades existem para as seguradoras em termos de negócios. O grupo também mostrará o que a indústria de seguro pode fazer para não ser tão afetada pelas mudanças climáticas em termos financeiros e como pode ajudar governos e empresas a reduzir as perdas com as catástrofes naturais. Temos buscado formas de ampliar o conhecimento da indústria sobre este tema e assim criar um elo entre as partes interessadas, como governos, políticos e empresários, estimulando um comportamento mais sustentável de todos. Em outubro deste ano organizaremos uma conferência na Colômbia, país que sofre com as catástrofes, para discutir estas questões.

O National Association of Insurance Commissioners (NAIC), órgão regulador dos Estados Unidos, tornou obrigatório que as companhias de seguro informem os riscos financeiros a que estão expostas diante das mudanças climáticas. O senhor acha que esta atitude poderá ser seguida por outros países?
É uma tentativa interessante de fazer as companhias a olharem com mais atenção aos assuntos relacionados à mudança climática. É especialmente notável que isto aconteceu nos Estados Unidos, onde as questões ligadas ao clima não receberam muita atenção e muito menos apoio nas ações tidas por outros países, especialmente a Europa. O problema – pelo menos nesta etapa – é que o conhecimento dos riscos financeiros atrelados a mudanças climáticas não são tão simples. Onde começa e onde termina o impacto das mudanças climáticas? Somente o futuro nos dirá quais serão as melhores iniciativas.

Qual o cenário que o senhor traçaria para a indústria de seguros e de resseguros?
No curto prazo, tudo vai depender do desenrolar da crise financeira. A atividade de seguro e de resseguro são ligadas com o desenvolvimento da economia. Uma recessão longa e profunda irá corroer os lucros e as perspectivas de negócios. Contudo, no médio e longo prazo, e especialmente em países emergentes, tais como o Brasil, há enorme potencial para o setor. As soluções de seguro são necessárias e as pessoas estão conscientizando-se da importância de proteger suas famílias, propriedade e as suas empresas de perdas financeiras. Ao mesmo tempo, os políticos estão descobrindo que a indústria de seguros pode ser um parceiro muito valioso para identificar riscos, criar soluções e garantir a sustentabilidade dos negócios.

O que o senhor acredita que mudará nos negócios de seguros após esta crise?
O modelo de negócios básico não sofrerá modificações, pois o setor se mostrou sólido e resistente dentro do conceito praticado. No entanto, os seguradores precisarão ser mais pró-ativos para buscar as oportunidades trazidas com um novo ritmo de crescimento, clientes melhor informados, um ambiente mais suscetível ao risco, novas normas e regulamentação, uma exposição internacional maior entre outros desafios que exigem uma atenção redobrada dos executivos. Os seguradores também terão que empreender um esforço maior na divulgação do papel da indústria, principalmente aos políticos, sobre quais as soluções de seguro que podem ser ofertadas e as que não estão no escopo dos negócios das seguradoras. Especificamente no Brasil, o setor terá de se tornar uma parte mais integrada do mundo de seguro global, participando mais ativamente em discussões internacionais sobre a política econômica brasileira.

*Matéria produzida com exclusividade para a Revista de Seguros, da CNSeg, edição abril, maio e junho de 2009

Usina Santo Antonio, um case mundial

camv816jca08xhtxcaq47n75ca9ozfxvca9g1ngicaqaekegcanxrcldcajn587oca9di1cqcab8g46ica0j6t3bcaxcdaewcartlax7ca52vygeca7umwsxcahmhollca5cz0sucakqs1rrcao10ftxNem mesmo a crise foi capaz de suspender a necessidade do Brasil em projetos urgentes de infraestrutura. A concretização do “project finance” da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, em um período tão conturbado como o início do ano, é um fato histórico no mundo. Segundo a consultoria internacional que analisa o mercado de investimentos, o project finance de R$ 6,2 bilhões para a Santo Antônio Energia, concessionária responsável pela construção e operação da usina, foi o maior crédito obtido por um projeto no primeiro trimestre de 2009 no mundo.

Do crédito total da Santo Antonio, R$ 3,1 bilhões representam investimentos diretos do BNDES e os outros R$ 3,1 bilhões são repasses conduzidos por oito instituições financeiras, entre elas o Itaú Unibanco, o Santander, a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste do Brasil, Bradesco e Banco do Espírito Santo (BES). O empréstimo tem custo de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e prêmios que variam de 3,8% a 2,8%.

A usina Santo Antônio (foto do projeto), localizada no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), será a terceira maior hidrelétrica do Brasil em energia assegurada, com uma potência instalada de 3.150 megawatts, equivalente a 4% de toda a energia gerada no Brasil.

“O apoio do governo para obras de infraestrutura foi essencial para a realização deste projeto”, diz Felipe Jens, titular da Odebrecht Investimentos em infraestrutura, detentora de 18% das ações e que participa do bloco de controle da Santo Antonio Energia. O apoio do governo por meio do BNDES traz conforto e segurança, facilitando a entrada de investidores no projeto.

O Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI FGTS) se tornou sócio da Santo Antonio Energia recentemente, comprando metade da participação do Santander em um fundo que detinha 20% da controladora da concessionária do Madeira. Com a mudança, o FGTS passou a deter 4,98% do capital total da Santo Antonio Energia, a Cemig 10% , a Andrade Gutierrez, 12,4%, Furnas Centrais Elétricas, 39%, e a Odebrecht 18%.

O empenho da OCS Corretora de Seguros, controlada pelo grupo Odebrecht, que desde 2005 trabalha na conquista de garantias para o projeto, também foi fundamental para a concretização do financiamento. Mesmo com a aparente inexistência de capital para seguro de garantia com a falência da seguradora AIG, até então a maior do mundo, a corretora cativa do grupo conseguiu obter uma apólice de R$ 9,5 bilhões para cobrir os riscos de engenharia. Trata-se da maior importância segurada já dada pela indústria de seguros no mundo. Há também um seguro garantia de R$ 2,4 bilhões, que garante aos financiadores que a obra será construída dentro do prazo previsto.

Segundo Marcos Lima, responsável pela OCS, esta vitória foi fruto da parceria desenvolvida ao longo das duas últimas décadas, quando o project finance se tornou prioritário dentro do grupo Odebrecht para viabilizar investimentos dentro e fora do país. “São mais de US$ 16 bilhões em garantias nos últimos 18 anos sem nunca ter executado um pedido de indenização”, diz.

A Odebrecht projeta investir R$ 19,2 bilhões no triênio 2009 a 2011. Entre os principais investimentos do grupo estão rodovias federais que entram na terceira fase, projetos de energia como Belo Monte, além das possibilidades de desenvolvimento portuário e de aeroportos. Para tudo isso, a aposta do grupo é no desenvolvimento de formas híbridas de programas estruturados de investimento.

A Odebrecht usa o project finance para financiar boa parte dos projetos dos quais participa. O uso de operações estruturadas garantidas por instrumentos financeiros foi responsável inclusive pela formação da empresa petroquímica da Odebrecht, em 2002. “Uma operação estruturada de financiamento, usando o seguro, viabilizou a criação da Braskem”, conta Lima. Em 1992, quando o grupo estava às voltas para fechar o financiamento para a construção da plataforma marítima Petrobras 18, o seguro garantia foi o facilitador. “A apólice é uma espécie de aval que se a Odebrecht não concluísse a obra, a seguradora garantiria o término”. Em pouco tempo, um pool de seguradoras estrangeiras emitiu uma garantia de US$ 272 milhões e a P-18 ainda opera na Bacia de Campos, no Rio, com capacidade de 100 mil barris diários de petróleo.

O atual cenário macroeconômico do Brasil colabora para o sucesso das operações. “Estamos sofrendo nos últimos meses, pois o governo teve de tomar atitudes anticíclicas, mas o Brasil deu um passo importante em termos de respeito de contratos, conquistando a confiança do investidor, que passa a acreditar que qualquer que seja o governante, a estabilidade significa prosperidade”, analisa Jens.

O reconhecimento por parte do governo em priorizar o desenvolvimento de parceiros privados, com garantias, soluções e eficiência é a saída para fazer os projetos decolarem. “O Brasil conseguiu derrubar mitos e o resultado empírico que se percebeu é que tem muito valor agregado no desenvolvimento”.

Esta confiança faz o investidor olhar com bons olhos para os projetos de infraestrutura, tidos como prioritários. “Eles olham os retornos que podem ter em aplicar no longo prazo em ativos de qualidade, com rentabilidade diferenciada e segurança de países desenvolvidos”, diz Jens. E é esta confiança que trará recursos para os projetos acima de 10 anos de maturação.

A conclusão que fica é que o novo ciclo de projetos privados será financiado com o apoio do BNDES, mas deverá contar necessariamente, com um componente crucial de recursos captados através de ativos alternativos, no emergente mercado de capitais doméstico de longo prazo.

*Matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura do jornal Valor Econômico

As maiores de ramos elementares dos EUA

A revista britânica Reactions divulgou o ranking das maiores seguradoras de ramos elementares dos EUA em 2008 produzido pela AMBest. A AIG ainda aparece em boa colocação, segundo lugar. Boa parte dos problemas enfrentados pelas companhias no pior momento da crise financeira no ano passado será refletido no ranking de 2009, que já começa a trazer os impactos das perdas financeiras e redução de vendas causada pela recessão econômica.

As seguradoras de ramos elementares dos Estados Unidos registraram perdas líquidas de US$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano passado as companhias obtiveram lucro líquido de US$ 8,5 bilhões, segundo revela pesquisa divulgada por instituições, entre elas o Insurance Services Office (ISO) e o Insurance Information Institute (III).

Trata-se de pior resultado desde 1986, início da formação do banco de dados das entidades, que reúne informações das seguradoras privadas responsáveis por 96% do volume de vendas de ramos elementares. O volume de prêmios no período registrou queda de 3,6%, para US$ 106 bilhões, conseqüência do recuo da demanda e da redução no preço do seguro.

Segundo o estudo, este grupo de seguradoras divulgou perdas de US$ 16,4 bilhões no período, que não estão computadas nas contas de cálculo do lucro. Desta forma, o índice combinado superou 102,2% no primeiro trimestre deste ano, acima dos 99% do mesmo período do ano passado.

O patrimônio deste grupo de seguradoras foi reduzido em 15%, para US$ 438 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Diante dos números, o ISS acredita que haverá uma recomposição de preços para que as companhias possam recompor seus patrimônios e adequar-se aos níveis de solvência exigidos pelos órgãos reguladores e agências de classificação de risco.
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Recessão é o risco mais temido pelas empresas

42-21523245Recessão, insegurança jurídica, responsabilidade civil e danos físicos. Estes são os riscos mais temidos pelos executivos da América Latina entrevistados pelo grupo Aon na edição do Estudo Global de Gerenciamento de Riscos 2009, divulgado há poucos dias no Brasil. No mundo, os riscos que mais preocupam os 551 executivos de empresas com faturamento acima de US$ 1 bilhão espalhados em 40 países é recessão, mudanças regulatórias e interrupção dos negócios.

O estudo revela, de certa forma, a modernidade trazida com o crescimento. As empresas temem hoje lidar com consumidores mais conscientes de seus direitos. Tanto que a responsabilidade civil ficou em segundo lugar no ranking da América Latina, juntamente com insegurança jurídica. No ranking geral, responsabilidade civil nem aparece, pois já é um risco mitigado pelas empresas, seja através de uma atuação onde o direito do consumidor é respeitado, seja pela compra de apólices de seguros para cobrir riscos improváveis.

O aumento da competição é o quarto risco que mais preocupa os empresários no ranking geral e quinto na América Latina, onde o temos de danos materiais aparece na terceira posição. Fluxo de caixa, falha na distribuição, confiabilidade de terceiros e dificuldade de manter ou atrair talentos para trabalhar no grupo são outros riscos que podem afetar o bom desempenho das organizações, segundo informaram os executivos entrevistados na pesquisa da Aon.

Partner Re compra Paris Re por US$ 2 bilhões

s1050-171A consolidação prevista pelos analistas para a indústria de seguros está a todo vapor. A Partner Re anunciou neste domingo que comprou a resseguradora francesa Paris Re, colocando-a entre as quatro maiores resseguradoras do mundo, atrás de Munich Re, Swiss Re e Berkshire Hathaway. O negócio deve ser finalizado por US$ 2 bilhões, considerando-se a troca de ativos, pagamento a vista e transferência de portfolio de investimentos.

A Partner Re, oitava maior resseguradora mundial, foi criada em 1993 e já fez aquisições de porte em sua história, como a resseguradora francesa SAFR e a Winterthur Re. Foi uma das poucas a divulgar elevação nos ganhos no primeiro trimestre desta ano, quando reportou aos acionistas lucro líquido de US$ 141 milhões, acima dos US$ 129 milhões do mesmo período do ano anterior. Em prêmios, divulgou ligeira queda, passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,3 bilhão no período analisado. O índice combinado no trimestre apresentou melhora de cinco pontos percentuais, para 87%.

A Paris Re, que durante o ano de 2008 inteiro movimentou prêmios de US$ 1,4 bilhão e acumulou patrimônio de US$ 2,1 bilhões, é uma companhia mais jovem. Nasceu no auge da melhor épopa em termos de rentabilidasde e vendas do setor, em 2006, com a criação de um consórcio de investidores liderados pelo fundo Trident III, gerenciado pela Stone Point Capital, um fundo de priivate equity da corretora de seguros Marsh & McLennan.

No final da negociação, os ativos totais deverão superar US$ 23 bilhões, o número de funcionários passará a 1,4 mil, sendo 1 mil da Partner Re e 400 da Paris Re. Ambas tem autorização da Susep para operar no Brasil.

Segundo nota divulgada pela Partner Re, o CEO Patrick Thiele disse que esta é uma importante aquisição para o grupo e que vai trazer oportunidades aos clientes tanto em diversificação de produtos como ampliação da capacidade de resseguro. “Nossa forte presença no mercado, diversificação de risco, solidez de capital e escala proporcionara um balanço mais estável diante da volatilidade financeira dos mercados”.

Mais detalhes podem ser acessados no site www.partnerre.com

Allianz debate sustentabilidade com jornalistas

42-20916361O Impacto do mercado mundial de biocombustíveis na expansão da agricultura brasileira e suas consequências para as mudanças climáticas e a situação atual das emissões de gases de efeito estufa das oito maiores economias do mundo e dos cinco principais países emergentes, entre eles o Brasil serão os dois temas debatidos na 4ª edição do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas organizado pela Allianz Seguros.

As duas pesquisas que serão apresentadas no dia 15 de julho foram realizadas pela ong WWF. A pesquisa G8 Climate Scorecards 2009 revela as propostas do G8 para o clima, propiciando uma visão comparativa sobre as tendências nas emissões de CO2, as opções energéticas e as decisões políticas tomadas por esses países com relação às mudanças climáticas. Os Scorecards 2009 sobre o clima foram promovidos pelo Grupo Allianz, líder global em serviços financeiros, e o WWF.

Segundo nota da Allianz, pela relevância do Brasil nas questões climáticas, o estudo será apresentado pela primeira vez no país, sendo que internacionalmente virá a público na reunião de Cúpula do G8, em L’Aquila, na Itália, entre 8 e 10 de julho. Certamente o resultado dessa pesquisa será peça fundamental nas discussões da Conferência de Copenhague, em dezembro, que estabelecerá o novo tratado em substituição ao Protocolo de Quioto, diz a seguradoras.

O Fórum traz, ainda, uma explanação sobre o Crescimento, tendências e o novo cenário do seguro agrícola no Brasil, sob a ótica das incertezas atuais e futuras dos riscos climáticos. O engenheiro com MBA pela USP em Gestão de Riscos, Luiz Carlos Meleiro, superintendente de Agronegócios da Allianz Seguros, fará esta apresentação.

Pela ong WWF, Cássio Franco Moreira, doutor em agroecologia, engenheiro agrônomo e coordenador do programa de Agricultura e Meio Ambiente, apresentará a pesquisa de biocombustíveis. Karen Suassuna, mestre em Environmental Change and Management pela universidade de Oxford e analista sênior do programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF, explicará os resultados dos Scorecards 2009, tendo como foco o Brasil.

“Acreditamos que as questões a serem debatidas no Fórum são de extrema importância por apresentarem dados inéditos aos jornalistas que muito podem contribuir na realização de matérias que conscientizem empresas, governos, produtores rurais e a sociedade civil de que o único caminho possível a seguir é o do desenvolvimento sustentável”, diz Max Thierman, presidente da Allianz no Brasil, em nota.

Crise reduz vendas mundiais, mas AL avança

O volume mundial de prêmios recuou 2%, para US$ 4,27 trilhões em 2008, segundo estudo divulgado pela Swiss Re. A receita com seguro de vida e contribuições de previdência registrou queda de 3,5%, para US$ 2,5 trilhões. O recuo foi puxado pelos produtos individuais nos países industrializados. No segmento de ramos elementares, houve redução de 0,8% nos prêmios, para US$ 1,77 trilhão.

Os países emergentes seguiram uma rota inversa dos países industrializados. Os prêmios nos emergentes cresceram 11%, para US$ 513 bilhões, com destaque para o Brasil, cujos prêmios avançaram 8,4% em relação a 2007, dando ao país a 17º colocação no ranking mundial e a liderança na América Latina.

Segundo o estudo, a crise afetou fortemente o seguro de vida, principalmente no auge da crise, a partir de setembro de 2008, quando o mercado acionário começou a registrar fortes perdas com o anúncio de falência de grandes corporações, como o quarto maior banco dos EUA, o Lehman Brothers, e da maior seguradora do mundo naquele momento, a AIG. A insegurança dos mercados fez os seguros de vida nos países industrializados cair 5,3% para US$ 2,2 trilhões.

Em contraste, os mercados emergentes registraram crescimento acelerado em vida, com 14,6%. Segundo Daniel Staib, um dos autores do estudo, apesar do recuo dos preços das commodities, os países emergentes continuaram a ter um bom desempenho em suas economias.

Como resultado da crise financeira, o capital segurado no segmento vida recuou entre 30 a 40%, com algumas companhias chegando a 70%. Segundo Staib, isso mostra que as companhias não só assumem riscos, como também gerenciam riscos.

Em ramos elementares, a redução do prêmio se deu basicamente pela queda da demanda e pelas baixas taxas cobradas neste período caracterizado como “soft market”, diz o estudo. Enquanto o volume de prêmios de ramos elementares caiu 1,9% nos países industrializados, nos países emergentes o volume registrarou alta de 7,1%.

O cenário para 2009 continua vulnerável, com uma perspectiva de melhora pela redução da pressão nos mercados acionários. Em vida, a expectativa é de estabilidade, com os consumidores poupando mais com receio da crise, compensando assim os efeitos do desemprego e necessidade das pessoas em usar suas reservas financeiras.

Em ramos elementares, a projeção é de redução do volume segurado em razão da recessão econômica em diversos países. A necessidade de recompor capital poderá fazer as taxas do seguro subirem e assim compensar o volume de prêmios perdido com menos bens segurados.

O estudo completo pode ser acessado no link “estudo” neste blog ou no site www.swissre.com

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Cresce a demanda por seguro de entretenimento

juliana_santos_-_entretenimento_1Nada melhor do que uma perda para fazer a demanda pelo seguro aumentar. Neste mês o grande beneficiado é o seguro de entretenimento, que ganha a cada dia mais espaço no Brasil. Seja porque a Justiça tem determinado a conta do prejuízo causado a terceiros para as empresas, seja pelo Pais ter entrado na rota dos grandes astros internacionais. Estima-se que este segmento movimente algo próximo de R$ 25 milhões anuais em prêmios no Brasil e tem grande potencial nos próximos anos.

Neste mês, dois novos fatos devem estimular ainda mais a venda de seguros para eventos. O primeiro é a provável perda da produtora AEG Live, responsável pela turnê que seria realizada pelo ídolo da musica pop Michael Jackson, falecido de parada cardíaca na semana passada. Segundo a imprensa internacional, o seguro feito para apenas 10 dos 50 shows previstos cobria as despesas da produtora caso houvesse algum imprevisto com o ídolo pop e exclui doenças pré-existentes e overdose de medicação, dois dos motivos até agora mais comentados para a causa da morte de Michael Jackson.

A segunda razão para elevar a oferta de produtos e serviços neste segmento é a realização da Copa do Mundo em 2014, quando milhões de dólares em cobertura de responsabilidade civil deverão ser contratados por exigência da Fifa para indenizar danos a terceiros e também para proteger os organizadores de riscos com a não realização dos jogos.

Veja a seguir a entrevista com Juliana dos Santos (foto), responsável pela carteira de entretenimento da Chubb, uma das seguradoras mais atuantes neste segmento no Brasil.

Que tipo de coberturas os produtores brasileiros costumam contratar?
Os promotores do ramo de eventos costumam contratar cobertura de responsabilidade civil para indenizar terceiros, ou seja, o público, por dano material e corporal, podendo incluir até mesmo cobertura para os artistas. Uma tendência que vem aumentando é a contratação da cobertura de cancelamento, adiamento e interrupção de evento e musicais. Com relação a seguro de filmes, as coberturas mais solicitadas são: elenco, negativo, equipamento alugado, set, figurino, objeto de cena e RC.

Quais coberturas foram incorporadas nos últimos anos, modernizando este produto?
A Chubb lançou em abril de 2009 o Casamento Seguro. Nos Estados Unidos, esse tipo de apólice é um dos nichos que mais cresce, principalmente após o início da crise financeira. Por isso, a Chubb apostou nesse nicho de mercado, devido aos altos valores envolvidos na realização de um matrimônio e a grande quantidade de cerimônias realizadas. Os noivos podem contratar a cobertura via website (www.casamentoseguro.com.br) e por telefone.

Quais os desafios para este segmento crescer mais no Brasil?
Um grande desafio ainda é cultural, porque muitos organizadores de eventos e produtores de filmes ainda desconhecem a existência do produto. Ou às vezes imaginam que o custo é alto e, portanto, não contratam o seguro mesmo sabendo que imprevistos podem gerar grandes prejuízos.

A abertura do resseguro ajudou a ter produtos mais modernos e impulsionar as vendas?
Sim, mas vale lembrar que a seguradora já trabalha com clausulados internacionais e muito modernos desde a abertura do departamento no Brasil, em 2001.

Levando-se em conta os prêmios registrados na Susep, em RC de eventos, quais os nichos que poderíamos destacar como maiores (filmes, teatro, shows, eventos, jogos de futebol)?
O maior nicho é em RC de eventos, em seguida filmes e o terceiro maior é teatro e musicais.

O quanto esta área de entretenimento é importante para o grupo?
Essa é uma área de destaque para o grupo e vem demonstrando um forte crescimento nos últimos anos. No período de janeiro a maio de 2009, por exemplo, o crescimento foi de 48% com relação ao mesmo período de 2008.

Quais foram os últimos eventos segurados pela Chubb?
Entre os últimos eventos segurados pela Chubb que podemos citar temos o Festival internacional de gastronomia de Tiradentes; Musical My Fair Lady; Casa Cor São Paulo, Casa Cor Goiás e Casa Cor Paraná; Feira Intermodal; Comédia musical Gloriosa.

Como a Chubb se prepara para conquistar os seguros que serão gerados pela Copa de 2014?
Não podemos divulgar nada com relação à Copa de 2014.