Fenaprevi prioriza medidas de estímulo ao setor

ca3xng3hcaa6mg80cad8pai6cadn6tlxcaz3ottwcaaefyopcar0218rcai1n8cgcaiv3uh4cazkze40calm4084caq5afrfca3akjufcauq8v70caqf8l8ncafd5q9wcan7xydicafdtb0fcaw6ls14A redução da taxa básica de juro da economia num ritmo maior do que o esperado — de 13,75% em janeiro para 8,75% em julho, com viés de baixa — trouxe um desafio a mais para as empresas de previdência privada e vida, que já debatiam formas de elevar a captação de recursos diante dos efeitos da crise mundial.

“Este cenário, que todos nós sonhamos há anos para o Brasil, mudará significativamente os tipos de produtos e a forma de distribuição de planos de previdência e de vida no Brasil”, disse disse Renato Russo (foto), vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), na abertura do II Seminário Internacional de Marketing e Vendas de Vida e Previdência, realizado no dia 30 de julho, em São Paulo.

O grande desafio das empresas, segundo Russo, está em orientar os participantes a buscar novas alternativas de investimentos, com diversificação do portfólio. Com taxas de juros declinantes, os poupadores que quiserem taxas mais elevadas de retorno de capital precisarão aprender a aplicar em ativos de maior risco, como ações. Para ganhar neste tipo de investimento é preciso pesquisar o tema ou recorrer a um consultor financeiro para não perder dinheiro. Ainda mais por envolver benefícios fiscais, que se bem usados podem trazer ganhos significativos no longo prazo.

Como a velha e tradicional caderneta de poupança está oferecendo um rendimento maior do que grande parte dos fundos de previdência — TR mais 6% ao ano, livre de tributos e taxas — , as alíquotas dos planos PGBL e VGBL precisam ser revistas. “Nesta nova realidade, a grande responsabilidade é equacionar as taxas dos planos e buscar formas de rentabilizar a operação para recompor as margens”, diz.

Ao mesmo tempo em que a queda de juros impõe desafios para as empresas de previdência traz também oportunidades. A entidade estima que as vendas do setor evoluam até 12% este ano, para R$ 35,6 bilhões, pouco abaixo da expansão verificada em 2008, de 13,3%, com captação de R$ 31,8 bilhões. Para manter o ritmo de crescimento em dois dígitos, a Fenaprevi elegeu cinco pontos principais para serem tratados pela entidade neste ano.

O primeiro deles e em estágio mais avançado é a aprovação junto ao governo dos novos produtos de previdência privada direcionado a acumulação de reservas para gastos com saúde e educação. Tais produtos, segundo a entidade, terão incentivos fiscais diferenciados, caso o projeto seja aprovado pelo governo. “As negociações com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Secretaria Econômica estão avançadas e acreditamos que ainda neste ano o projeto estará aprovado”, disse Renato Russo.

O desenvolvimento de uma tábua biométrica de referência, para ser usada por todo o setor no desenvolvimento de produtos com maior segurança estatística, está em estágio avançado. Segundo Renato Russo, o estudo estará finalizado ainda neste ano.

O desenvolvimento do microsseguro é outro tema que está na pauta do dia a dia da Fenaprevi. Um amplo estudo realizado por uma comissão esta sendo finalizado e será entregue para o governo nos próximos dias. O projeto prevê a regulamentação do microsseguro, que visa atender a emergente camada social brasileira que ingressa no mercado de consumo. “Temos de ter produtos que atendem a estes novos consumidores e canais de distribuição que facilitem o acesso deste publico a indústria de seguros”.

Outro desafio do setor é adequar-se as novas regras de solvência que a Susep desenvolve para o segmento de previdência. Até agora, as normas implementadas englobaram as operações de vida em grupo e de ramos elementares. Está em curso a ampliação das regras de capital mínimo baseado em risco para as operações de previdência e de vida individual. “Isto vai demandar novos aportes de capital e estamos empenhados em fazer com que a implementação aconteça de forma coordenada”, diz o representante da Fenaprevi.

O quinto projeto da entidade, e também prioritário, segundo Russo, é a revisão de todas as regras tributárias do segmento, tanto as que se referem aos produtos como às empresas, uma vez que administram recursos de longo prazo, otimizando a poupança interna que dá sustentabilidade ao crescimento do País. “Precisamos desonerar a atividade para buscar maiores taxas de crescimento”.

Willis eleva faturamento no semestre

A Willis, terceira maior corretora de seguros do mundo, faturou US$ 1,6 bilhão no primeiro semestre deste ano, acima dos US$ 1,4 bilhão do mesmo período do ano passado, em comissões e fees. O crescimento orgânico registrado foi de 1%. O lucro líquido subiu de US$ 205 milhões para US$ 280 milhões no período analisado. O lucro operacional saiu dos US$ 302 milhões para US$ 439 milhões, segundo comunicado divulgado pela corretora.

Joe Plumeri, presidente e CEO da Willis, creditou o bom desempenho as operações internacionais do grupo, que compensaram os impactos negativos da recessão nas economias dos Estados Unidos, Reino Unido e Irlanda. Enquanto os negócios internacionais evoluíram 5%, na América do Norte declinaram 8%. Os melhores desempenhos foram registrados na Espanha, Rússia, Polônia, Venezuela e Argentina.

ACE mantém faturamento estável no semestre

images12O grupo ACE registrou prêmio líquido de US$ 6,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, ligeira alta diante dos US$ 6,7 bilhões do mesmo período anterior. Deste valor, os prêmios captados na América do Norte totalizam US$ 2,8 bilhões e US$ 2,5 bilhões com negócios internacionais. Resseguro gerou prêmios de US$ 688 milhões e seguro de vida de US$ 713 milhões.

O lucro líquido do semestre se manteve estável em US$ 1,1 bilhão. O valor de mercado do grupo evoluiu 12%, para US$ 16,6 bilhões, com ganhos sobre investimentos não realizados de US$ 1,2 bilhão. No resultado do segundo trimestre, a ACE registrou queda de 27% no lucro líquido. Segundo nota do grupo, o fraco desempenho foi acarretado pelo declínio da venda de apólices e realização de perdas com investimentos.

“Tivemos um ótimo segundo trimestre e um excelente primeiro semestre, com evolução de 12% em nosso valor de mercado no trimestre ou 14% no semestre”, disse Evan Greenberg, CEO da ACE. Segundo comentou em nota, o grupo está bem posicionado para crescer em um cenário de fraco crescimento das economias mundiais.

O balanço completo pode ser acessado no site www.acelimited.com

PartnerRe lucra US$ 615,8 milhões no semestre

cao73m6qcafyptcpca1lcs7ucapz605icamumgc9ca9ajxzscav23o13ca0u942acayrjt4ecafe2zh3caeagrgjca1sfi4pcarnptl0caqng19vcaboji60cayr26vyca5tmin0caktxa3ccaq2aj58A resseguradora PartnerRe divulgou ontem lucro líquido de US$ 615,8 milhões no primeiro semestre deste ano, incluindo ganhos extraordinários, resultado bem acima dos US$ 103 milhões do mesmo período do ano anterior. O lucro operacional deste primeiro semestre chegou a US$ 335 milhões, 13% melhor do que os US$ 294 milhões do mesmo período de 2008. Os prêmios líquidos recuaram de US$ 1,86 bilhão para US$ 1,7 bilhão. O índice combinado registrou melhora de quase quatro pontos, passando de 89% para 85,3%.

Patrick Thiele, CEO e presidente da PartnerRe, comemorou o desempenho do grupo em comunicado, destacando o retorno sobre o patrimônio de 18%. O patrimônio líquido em junho totalizou US$ 4,8 bilhões, acima dos US$ 4,2 bilhões de junho de 2008. Segundo ele, tanto o desempenho das operações de resseguros como da retomada do mercado acionário contribuíram para o resultado do grupo no período. Ele também citou as renovações de contratos realizadas no início de julho, que comprovaram a melhora do cenário do setor, com incremento de 11% na carteira. Outro destaque do balanço semestral do grupo foi a compra da Paris Re, por aproximadamente US$ 1,7 bilhão.

O balanço completo do grupo, autorizado a operar no Brasil, pode ser acessado no www.partnerre.com

XL registra queda nas vendas

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Segundo informações da XL, boa parte da redução do lucro veio de perdas de US$ 142 milhões com a variação cambial. O índice combinado subiu de 91,6% para 93% em junho deste ano. O retorno sobre o capital caiu de 13% para 11%. O patrimônio líquido subiu de US$ 6,1 bilhões para US$ 7,4 bilhões, segundo nota divulgada pelo grupo XL, que no Brasil tem parceria com o Itaú na Itaú XL Seguros Corporativos.

Apetite por risco aquece demanda por “cat bonds”

A liquidez começa a voltar para os mercados financeiros mundiais. No Brasil, a prova disso são as emissões de ações e papéis de empresas privadas, como o caso do IPO da Visanet, com captação de R$ 8,4 bilhões, considerado o maior do mundo entre as emissões realizadas no primeiro semestre deste ano. Além da volta da liquidez, o apetite do investidor por risco também começa a retornar, principalmente com as baixas taxas de juros praticadas pelos governos.

Prova disso são as nove emissões de cat bonds, ou seja, bônus contra catástrofes realizadas no primeiro semestre deste ano, segundo estudo divulgado pela Guy Carpenter, corretora de resseguro do grupo Marsh McLennan. Entre as emissoras temos nomes como Liberty, Assurant, Swiss Re, Allianz e Chubb.

No Brasil estes títulos inexistem por duas razões óbvias: temos apenas duas seguradoras listadas em bolsa e o País está fora da rota das catástrofes naturais. A securitização de seguros de risco é uma verdadeira engenharia financeira, mas pode ser comparada ao mercado de capitais assumindo o risco de resseguro. Partindo do princípio de apostas, as seguradoras emitem títulos sobre um risco específico, como perdas causadas por um terremoto no Japão ou inundações na Europa, por exemplo.

A seguradora decide o risco que quer correr e determina um valor. Acima deste patamar, repassa para o mercado financeiro pagando uma taxa de retorno atraente. Costumam pagar o dobro de um investimento normal de baixo risco. Se o evento ocorrer, o investidor perde o direito ao todo ou à parte do principal. A grande vantagem para a seguradora é que uma vez vendido o risco ela não precisa mais reservar capital para cobrir potenciais perdas.

Seis das nove emissões do ano foram realizadas no segundo trimestre, transferindo para o mercado de capitais riscos acima de US$ 800 milhões. Três das seis transações no segundo trimestre de 2009 tiveram demanda acima da oferta em razão dos rendimentos elevados ofertados.

2007 foi um ano recorde de emissões de cat bond, com US$ 3,7 bilhões no primeiro semestre, segundo o estudo. No mesmo período do ano passado, US$ 2,3 bilhões em riscos foram repassados ao mercado de capitais. A emissão em 2009 é ainda menor do que a registrada em 2008. As nove emissões totalizam US$ 1,38 bilhão, longe do valor das 11 transações no primeiro semestre de 2008.

David Priebe, responsável pelo desenvolvimento de clientes globais, está otimista. “Há várias razões para acreditarmos que haverá um aumento do lançamento de cat bonds no segundo semestre deste ano”, revela em comunicado sobre o estudo. Entre os principais fatores está a melhora dos mercados de capitais e o aumento da demanda por ativos de maior risco, que geralmente ofertam maior retorno financeiro.

Segundo a corretora, duas transações estão sendo negociadas no mercado internacional para riscos de tempestades na Europa e nos EUA. Uma época atípica de emissão de bônus de catástrofes, tendo em vista que é o início da safra de furacões nos EUA, geralmente entre julho e setembro.

O estudo completo pode ser acessado no site: http://www.gccapitalideas.com/2009/07/27/cat-bond-update-second-quarter-2009/

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Resultado da Chubb surpreende analistas

images8A Chubb surpreendeu os analistas ao publicar lucro líquido do segundo trimestre acima das expectativas. Segundo balanço divulgado ontem, o grupo americano lucrou US$ 551 milhões no segundo trimestre do ano, 18% acima dos US$ 469 milhões do mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o lucro líquido ficou em US$ 892 milhões, abaixo de US$ 1,1 bilhão obtido no primeiro semestre de 2008.

Os prêmios recuaram diante da recessão econômica, para US$ 5,6 bilhões no semestre. Em linhas pessoais, o volume de prêmios declinou 5%, sendo em residência 5%, automóveis 9% e outras linhas pessoais 2%. Nas linhas comerciais, o faturamento recuou 7%, em riscos especiais 6%, em resposabilidade civil 7% e seguros de garantia ficaram estáveis.

O lucro operacional no primeiro semestre chegou a US$ 1 bilhão, pouco abaixo de US$ 1,1 bilhão do mesmo período do ano anterior. O índice combinado passou de 86,2% para 87%. Em nota, John Finnegan, presidente e CEO da Chubb, ressaltou o bom desempenho do grupo em um momento de tantos desafios nas economias mundiais e mostrou otimismo com o desempenho do grupo neste ano ao rever a meta de lucro operacional das ações de US$ 5,20 para US$ 5,50.

As perspectivas para as seguradoras americanas são boas, uma vez que os indicadores americamos mostram a retomada de dois importantes nichos, o de veículos e também de imóveis. Nos Estados Unidos, a venda de imóveis usados em junho cresceu 3,6%, o dobro do esperado pelos analistas. Ao mesmo tempo, o número de pedidos de seguro-desemprego no país cresceu menos do que o previsto pelo mercado. Em automóveis, praticamente todas as montadoras já fizeram reestruturação e começam um movimento de retomada, que surtirá efeitos em 2010.

Para ajudar o setor a ter efeitos mais imediatos ainda neste ano, o governo dos EUA lançará uma campanha publicitária de US$ 10 milhões para promover a troca do carro velho, que será anunciada na segunda-feira, em Washington, segundo informam as agências internacionais. Com o slogan Dinheiro por ferro-velho, o programa conta com recursos de US$ 1 bilhão em fundos federais. Os proprietários de veículos de elevado consumo de gasolina elegíveis ao programa vão receber um crédito se entregarem o veículo e comprarem ou arrendarem um mais novo, de consumo de combustível mais eficiente.

Mapfre mantém lucro mundial estável e destaca AL

images2O grupo Mapfre divulgou lucro de 530 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, estável em relação ao mesmo período do ano passado. A receita total subiu 13%, para 10 bilhões de euros. Segundo nota do grupo espanhol, a elevação do faturamento contou com a inclusão de receitas das operações Commerce Group, Union Duero Vida e Duero Pensiones. Em prêmios, o grupo movimentou 8,7 bilhões de euros, incremento também de 13%, estimulado pelas operações internacionais. Na Espanha, os prêmios recuaram 1,3%, principalmente em razão da retração do mercado de automóveis.

A América Latina mais uma vez é destaque no balanço do maior grupo segurador espanhol, com elevação de 20% nas vendas, de 25% na rentabilidade e índice combinado estável em 102%. O lucro líquido obtido pela Mapfre na região subiu 25%, para 64,4 milhões de euros. A rentabilidade sobre o PL subiu de 9,3% para 10,5% no período analisado.

A Mapfre América divulgou prêmios de 2 bilhões de euros no semestre, com o Brasil sendo o maior mercado, responsável por 747 milhões de euros, alta de 11% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Neste valor estão incluídos os 119 milhões de euros gerados pelas vendas na Nossa Caixa, acima dos 83,5 milhões de euros registrados no primeiro semestre de 2008.

A Venezuela, no entanto, foi o país que registrou o maior índice de crescimento, com 92% de alta, para 371 milhões de euros em prêmios. O México é o terceiro maior mercado na América Latina, com prêmios de 215 milhões de euros, recuo de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Argentina registrou 194 milhões de euros em prêmio, alta de 20%, e Porto Rico totalizou 143 milhões de euros, avanço de 3%. Outros países (Chile, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Paraguai, Peru e Uruguais) totalizaram 356 milhões de euros em prêmios, crescimento de 22%.

Porto e Bradesco, da ficção para a realidade*

42-21522418A confirmação da Porto Seguro sobre negociações com o grupo Bradesco por meio de comunicado enviado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esquentou o dia a dia das conversas de profissionais da indústria de seguros. A notícia deixou de ser um oba a oba das rodas de conversas – das mais discretas até aquelas formadas pelos fofoqueiros de plantão – para ser estampada na primeira página do principal jornal de economia do País.

Desde então, o assunto passou a ser analisado com mais profundidade e leva a reflexões sobre o segmento de automóvel, a cada dia mais competitivo e que ganha mais destaque com a reestruturação de taxas do VGBL, produto que vinha puxando o crescimento do setor e que agora terá de passar por uma ampla revisão. O tema também trouxe a tona questões como a consolidação da indústria de seguros brasileira diante da crise mundial, beneficiada pelo interesse dos investidores estrangeiros em busca de crescimento e lucratividade.

A Porto Seguro é hoje a principal seguradora de carros do Brasil. Tem o maior volume das vendas de R$ 6,5 bilhões de janeiro a maio deste ano, com market share de 20,28%, enquanto a Bradesco tem 13,40%. E por que consegue vender mais mesmo tendo um dos preços mais caros? Segundo pesquisa da CVA Solutinos, a Porto Seguro é a empresa mais bem avaliada, tanto por quem tem o seguro como por quem não tem. Quem não tem, gostaria de ter seguro com a seguradora.

Além de ter a preferência dos consumidores, tem a dos corretores. Para fazer um seguro de carro, o cliente é muito mais fiel ao corretor do que à seguradora, diz a pesquisa que entrevistou 200 corretores, dos quais 42% estão nesse mercado há mais de dez anos. A Porto, segundo relata o estudo e a realidade de quem observa este mercado atentamente, também é adorada pelos corretores por atender plenamente um dos principais critérios de escolha: a agilidade na resolução dos pagamentos de indenização, momento em que o corretor ganhará o céu ou o inferno com os clientes. É como estar acima do bem ou do mal por ter seguido uma estratégia fundamentada em atitudes justas.

No entanto, ela não é mais a única que oferece bons serviços aos clientes e corretores. Tem concorrentes fortes, focados em estruturar a operação nos últimos anos. Estrategicamente, Jayme Garfinkel e sua equipe de executivos criaram a Azul Seguros para competir no mercado.

Apesar de os executivos do grupo afirmarem que a Azul não compete com a Porto, é óbvio que atrai para si aqueles clientes que mesmo gostando dos serviços extras da Porto se vêem num momento financeiro difícil. Em vez de ir para a concorrência, migram para a Azul. Economizam e mantêm a qualidade de atendimento dos serviços básicos proporcionados pela rede de prestadores já consolidada.

Depois de deixar de lado a busca da liderança do ranking de automóvel a qualquer preço, há uns três anos, a Bradesco vem fazendo de tudo para cativar os corretores. Dia a dia tenta afinar o tato no relacionamento e ainda conta com problemas operacionais que atrasam a cotação ou elevam o preço, comentam os profissionais de vendas.

Em números, o ganho da Porto há anos vem do operacional e o da Bradesco ainda é gerado pelo financeiro. Enquanto o índice combinado da Porto é de 56,30%, o menor entre as seguradoras, a Bradesco ficou na outra ponta, liderando o ranking dos piores índices, com 81,83%, segundo estatísticas de janeiro a maio deste ano.

Para Porto e Bradesco, que juntas passariam a deter 35% do mercado de seguro de carro, escala é vital neste momento de queda de taxas de juros da economia. A Porto tem sentido mais a aproximação da concorrência e com sofrido os impactos das oscilações do mercado acionário. Agregar novos clientes e um canal de distribuição alternativo são caminhos naturais para o crescimento.

O conglomerado Bradesco, que perdeu a liderança com a fusão Itaú e Unibanco e passou a ser presidido por um executivo de seguros, sabe do potencial de ganho que uma operação de seguros bem estruturada pode gerar a um banco, principalmente no maior banco do Brasil em número de clientes e com grande potencial de venda de produtos massificados como o seguro de carro.

Em uma parceria de tamanho porte, onde a única informação é de que não haverá mudança acionária do controle da Porto, só pode se esperar que se mantenha o melhor de cada uma das empresas, como vem fazendo Itaú e Unibanco. Imagine uma Bradesco administrada pela cultura da Porto? Uma Porto Seguro tendo a oportunidade de fazer a inclusão social proporcionada pela dimensão e cultura de um Bradesco?

Seja como for, juntas ou separadas, a realidade é que não há mais espaço para serviços ruins, preço elevado e desrespeito aos direitos dos consumidores. O crescimento será uma realidade para aqueles que respeitarem o tripé da sustentabilidade, que leva em conta três aspectos: o econômico, o humano e o ambiental.

*artigo escrito com exclusividade para a Revista Apólice

Caixa Seguros baixa em 40% seus preços*

42-20916867A Caixa Seguros cedeu às pressões do governo e vai baixar, em média, 40% o preço do seguro habitacional a partir de agosto, informou Thierry Claudon, presidente da seguradora, que detém 70% das vendas desse seguro. Esse tipo de apólice cobre a dívida do mutuário em caso de morte ou invalidez e também danos causados ao imóvel durante o período do financiamento.

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva tomou conhecimento do peso do seguro durante esforços para baixar o custo do financiamento do programa habitacional “Minha Casa Minha Vida”, lançado em abril, com investimentos orçados em R$ 34 bilhões, para a construção de 1 milhão de moradias para a população com renda de até dez salários mínimos.

Neste programa, o governo irá subsidiar o seguro até que iniciativas sejam tomadas pelo setor. Em discurso durante almoço com seguradores, em maio deste ano, Lula disse que precisa do apoio das seguradoras para desenvolver o setor imobiliário, sendo o seguro um instrumento para facilitar e reduzir o custo dos financiamentos habitacionais.

A redução do preço pela Caixa veio mesmo antes da nova regulamentação, a cargo do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), ter sido publicada. O objetivo das normas, previstas para serem divulgadas em agosto, é aumentar a concorrência entre as seguradoras e beneficiar o mutuário com a redução do preço da apólice.

As regras desenhadas pelo CMN e pelo CNSP valem para os financiamentos feitos pelo Sistema Financeiro habitacional (SFH), Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) e Sistema Hipotecário (SH).

Para tornar a concorrência ainda mais acirrada, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) prepara uma resolução na qual permitirá que as seguradoras de vida também possam vender o seguro habitacional, até hoje restrito às companhias de seguros patrimoniais. Atualmente, este seguro é vendido quase que exclusivamente por seguradoras de bancos.

Segundo Claudon, de 2006 até agosto deste ano, a redução do preço do seguro habitacional na Caixa totalizou 68%. Ele explica que o crescimento da concessão do crédito imobiliário é o principal responsável pela queda do preço.

A Caixa realizou no primeiro trimestre deste ano R$ 7 bilhões em financiamentos imobiliários, crescimento de 119% sobre o mesmo período do ano passado. De 2004 até 2008 o volume saltou de R$ 4,1 bilhões para R$ 20 bilhões. Em volume de contratos, a carteira do banco oficial saltou de 256.650 para 379.870 no mesmo período.

Segundo o banco oficial, a meta inicial era aplicar R$ 27 bilhões em financiamento habitacional em 2009. Porém, com a instituição do novo pacote habitacional do governo federal, o “Minha Casa, Minha Vida”, a previsão é que esse volume cresça em R$ 15 bilhões. “Com o boom imobiliário, a carteira habitacional se oxigenou com a entrada de pessoas mais jovens. Como este novo público tem uma taxa de risco menor do que as pessoas mais velhas, o preço médio do seguro tende a cair”, explica.

O fato é que a Medida Provisória 459, editada em março, acabou com a venda casada do seguro habitacional entre os bancos que concedem o crédito. Agora eles não podem mais ofertar apenas o seguro da seguradora do grupo. Têm de ofertar até cinco opções aos clientes. Desta forma, o acordo de exclusividade entre a Caixa Econômica Federal e a Caixa Seguros foi automaticamente extinto, assim como nos demais bancos.

As mudanças introduzidas pelo governo vieram num momento oportuno. A abertura do resseguro no Brasil e a crise internacional que trouxe perdas recordes para as seguradoras americanas, europeias e japonesas tornaram o Brasil um porto seguro para as seguradoras estrangeiras. Aliado a isso, as seguradoras brasileiras precisam de escala para compensar a queda do ganho financeiro, que vinha até então sendo a principal fonte de lucro das companhias.

Este cenário fez a Caixa Seguros mudar sua estratégia. Desde que assumiu o controle da seguradora, em 2001, o grupo francês CNP vende seus produtos exclusivamente para os clientes da Caixa Econômica Federal. A Caixa, que opera com quatro empresas na área de seguridade – bens patrimoniais, vida e previdência, consórcio e capitalização -, prepara um novo ciclo de expansão. “Nosso grande desafio agora é ofertar nossos produtos para todos os brasileiros”, diz Thierry Claudon.

Esta estratégia foi adotada nos últimos anos por Bradesco e Itaú e mais recentemente pelo Banco do Brasil, agregando corretores independentes e canais alternativos de vendas, como lojas do varejo, à lista de canais de distribuição para atender também não correntistas.

As seguradoras independentes, sem um canal bancário de distribuição, já se movimentam para disputar este mercado. Entre elas temos Chubb, Allianz, Mapfre e Liberty. Todas aguardam a divulgação das normas para que possam definir produtos e serviços e assim iniciar negociações de parceria com bancos para que suas apólices façam parte das opções a serem ofertadas aos candidatos ao financiamento imobiliário.

“Para o banco, o que interessa é oferecer um financiamento mais barato e o seguro tem um peso neste custo. Se o seguro de uma seguradora independente for menor do que o praticado pela seguradora do banco, melhor para o mutuário e para o banco, que conquistará um cliente de longo prazo”, diz Arlindo Simões, diretor da Allianz Brasil, subsidiária da maior seguradora da Europa.

Segundo Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre, a ideia do grupo é fazer parceria com bancos que operam com crédito imobiliário. “Temos o produto na prateleira, porém com vendas insignificantes. Com a nova regulamentação, certamente ele se tornará importante dentro do mix da companhia.”

A mesma opinião tem Acácio Queiroz, presidente da Chubb. “O setor imobiliário é um dos mais beneficiados no Brasil e tem trazido boas oportunidades para as seguradoras. Já estamos nos preparando para ser uma das opções dos candidatos à compra da casa própria prestando um serviço diferenciado.”

As seguradoras de bancos também se movimentam para não perder este rentável negócio. Ricardo Saad Affonso, diretor-presidente da Bradesco Auto/RE, diz que a seguradora já está reformulando seu produto. “Após a regulamentação por parte do CNSP, poderemos concluir os estudos e oferecer novos produtos ao mercado. Não cabe à Bradesco Auto/RE realizar acordos com outras seguradoras para oferecer produtos aos tomadores de crédito imobiliário. O usuário terá livre escolha para optar”, diz.

Mina de ouro – A Caixa Seguros foi responsável por R$ 516 milhões do faturamento total de R$ 717,6 milhões deste segmento em 2008. Bradesco vendeu R$ 26 milhões em seguro habitacional, segundo a Susep. Itaú Unibanco registraram prêmios de R$ 53 milhões (R$ 35,8 milhões e R$ 17,2 milhões, respectivamente); e Santander, R$ 44,9 milhões, considerando-se os R$ 14,5 milhões do banco espanhol e R$ 30,4 milhões arrecadados pela Tokio Marine nas agências do ABN AMRO, incorporado em julho de 2008.

Poucos seguros oferecem a margem de rentabilidade do seguro habitacional. Geralmente, o volume de indenizações representa algo próximo de 60% dos prêmios arrecadados pelas seguradoras. Em saúde e automóvel este percentual é mais elevado, chegando a 80%.

Este é o principal peso do índice que mede a eficiência das seguradoras, conhecido como índice combinado. A ele se juntam as despesas com a administração da carteira e as despesas com a venda do produto. Quanto mais abaixo de 100% a somatória destes índices, mais rentável para o acionista. Se a soma ultrapassar os 100% e a receita financeira obtida com a aplicação dos prêmios no mercado financeiro não for suficiente para cobrir o excedente, o acionista terá de colocar dinheiro do bolso para continuar com a operação.

O que realmente não é o caso do seguro habitacional. As indenizações totalizaram R$ 228,2 milhões em 2008, o que representa em média, 33% dos prêmios totais de R$ 717 milhões. A despesa comercial ficou com R$ 22,8 milhões e as despesas administrativas estão diluídas nas contas gerais das companhias.

Ou seja, restaram R$ 460 milhões de lucro, sem considerar o ganho financeiro dos prêmios aplicados no mercado financeiro durante o período em que não foram usados para pagar as indenizações. Uma mina de ouro, costumam dizer os analistas.

*Matéria escrita com exclusividade para o jornal Valor Econômico, edição do dia 21/07/2009