Reuters: Aposta ruim da Pimco em emergentes é mais um problema para gestora

JENNIFER ABLAN E GUILLERMO PARRA-BERNAL – Reuters

A aposta em mercados emergentes levou a perdas para muitos no ano passado, mas entre grandes investidores poucos apostaram tão errado como a Pacific Investment Management Co (Pimco), a empresa gigante de bônus que recentemente foi manchete pela relação turbulenta de seus dois principais gestores.

Embora muita atenção venha sendo dada aos desafetos entre seu co-fundador Bill Gross e o ex-presidente-executivo Mohamed El- Erian, e o fraco desempenho de seu principal fundo Total Return Fund, poucos têm tomado conhecimento de que a Pimco falhou em investimentos em dívida de mercados emergentes. Em particular, a Pimco fez algumas apostas inoportunas no Brasil, no México e na Rússia.

A gestora fez substancial investimento em empresas que passaram do céu ao inferno, como a petroleira Óleo e Gás, ex-OGX e controlada por Eike Batista, que apenas dois anos atrás era estimado o sétimo homem mais rico do mundo, mas cujo império de negócios em grande parte já se desintegrou. Gross, El- Erian e um porta-voz da Pimco se recusaram a comentar para esta reportagem.

Investidores já retiraram quase 2 bilhões de dólares dos fundos de dívida de mercados emergentes da Pimco nos quatro primeiros meses deste ano, de acordo com dados da Morningstar, com saída de 639 milhões de dólares só em abril. Em comparação, esses mesmos fundos tiveram resgate líquido de 2 bilhões de dólares em todo o ano passado.

Os erros sugerem que a Pimco, que é propriedade da alemã Allianz, pode ter sido tentada a abrir mão dos baixos retornos disponíveis a partir de investimentos mais seguros de títulos para fazer apostas exageradas em mercados mais arriscados, segundo consultores de fundos.

Os quase 2 trilhões de dólares sob gestão da Pimco lhe dão a capacidade de desempenhar um papel dominante no Tesouro dos Estados Unidos e em outros grandes mercados de dívida soberana, mas tal vantagem não existe com títulos de dívida emergente de baixa liquidez, onde grandes investimentos podem ser difíceis de sair e perdas podem ocorrer quando os preços estão caindo.

A Pimco provavelmente caiu em um “círculo vicioso”, com investimentos errados motivando a saída de investidores e a gestora se vendo obrigada a vender bônus em um mercado volátil, levando os preços dos ativos ainda mais para baixo, disse o diretor da empresa de pesquisa de fundos mútuos S&P Capital IQ, Todd Rosenbluth.

MINERADORA NA MONGÓLIA

Investimentos problemáticos da Pimco nos últimos dois anos incluem uma empresa de mineração da Mongólia, companhias do setor imobiliário no México e uma produtora de açúcar e etanol no Brasil.

A empresa também fez grandes investimentos na Rússia, enquanto o presidente Vladimir Putin ordenava a invasão da Crimeia e a inquietação no leste da Ucrânia crescia, provocando sanções ocidentais contra Moscou. A Pimco tem dito que os preços dos títulos de dívida na Rússia caíram para níveis atrativos, ainda que veja riscos.

“Embora a desaceleração da crise seja nosso cenário-base, potenciais erros de cálculo não podem ser descartados”, disse a Pimco no relatório de investimentos do primeiro trimestre, publicado em 31 de março.

A Rússia era o país em que a Pimco tinha maior exposição no portfólio de títulos corporativos de dívida de emergentes, com perto de 25 por cento de participação no fim de março, de acordo com dados do site da empresa. Os preços de dívida russa caíram 12 por cento e o rublo teve desvalorização superior a 8 por cento até agora em 2014.

As estatísticas de performance refletem tais variações.

O Pimco Emerging Local Bond Fund de 10,86 bilhões de dólares, que investe principalmente em títulos do governo em moeda local em países emergentes, declinou quase 11 por cento em 2013, ficando atrás de 88 por cento de fundos semelhantes na indústria. Este ano, as coisas têm melhorado, mas esse fundo da Pimco ainda está 52 por cento pior que outros pares, de acordo com Morningstar.

O Pimco Emerging Markets Fund Corporate Bond –com patrimônio de 1,37 bilhão de dólares e que investe em títulos de renda fixa emitidos por empresas em mercados emergentes– também sofreu, com retorno negativo de 1,89 por cento nos 12 meses até 30 de abril, contra uma ligeira oscilação positiva de 0,002 por cento no índice de referência JPMorgan Corporate Emerging Markets Bond Index Diversified, ou Cembi.

A culpa por pelo menos parte do mau desempenho do Total Return Fund, com seus 232 bilhões de dólares em ativos, pode ser atribuída ao impacto de seus 6 a 8 por cento de recursos aplicados nos países emergentes nos últimos 12 meses. O fundo, cuja carteira é composta principalmente por títulos do Tesouro dos EUA e papéis de dívida lastreados em hipotecas, tem visto uma enorme saída de 55 bilhões de dólares desde maio passado.

EIKE BATISTA

Na verdade, a aposta em empresas de países emergentes têm afetado também o desempenho de fundos geridos por alguns dos maiores rivais da Pimco, incluindo grandes nomes de Wall Street como BlackRock, Morgan Stanley e Goldman Sachs.

E embora a Pimco tenha passado tempos mais difíceis nos últimos dois anos, o seu histórico de investimentos de longo prazo para um empresa de seu tamanho é incomparável.

Os fundos de bônus de mercados emergentes da Pimco são também de alguma forma longe de ter o pior desempenho neste ano –no primeiro quadrimestre, seus quatro fundos no setor foram classificadas em 43o, 53o, 68o e 81o de um total de 100, de acordo com a Morningstar.

Mas tais posições na tabela estão muito longe dos dias quando a aposta ousada e altamente rentável de El- Erian em títulos públicos do Brasil em 2002, quando outros tinham preocupações infundadas sobre o eleição de um governo de esquerda, ajudou a fazer a reputação da Pimco de um ‘player’ forte na gestão de recursos.

Talvez a maior falha da Pimco em mercados de dívida de países emergentes tenha sido o investimento na ex-OGX, de Eike.

A fortuna do empresário brasileiro sucumbiu de estimados 30 bilhões de dólares em março de 2012 para menos de 300 milhões de dólares dois anos depois, de acordo com a revista Forbes, devido, principalmente, à combinação de uma grande dívida com investimentos em ativos que não conseguiram produzir retornos.

O império de Eike já estava começando a entrar em colapso quando a Pimco acumulou uma grande posição em bônus da petroleira com vencimento em 2018 e 2022. Fontes familiarizadas com a situação disseram à Reuters estimar que a posição chegou a 800 milhões de dólares em maio do ano passado.

A Pimco se recusou a responder perguntas sobre sua posição em bônus da OGX. A petroleira protagonizou o maior pedido de concordata da história corporativa da América Latina em outubro passado, com mais de 5 bilhões de dólares em dívidas.

O valor de face dos títulos de dívida da empresa no exterior com vencimento em 2022 caíram 93,7 por cento em 2013. De acordo com uma das fontes, as perdas da Pimco com seu investimento na rebatizada Óleo e Gás estão até agora estimadas em mais de 300 milhões de dólares.O momento das compras dos bônus da petroleira pela Pimco foi particularmente desconcertante, disseram as fontes.

A gestora de portfólio de mercados emergentes Su Fei Koo, da DoubleLine Capital, uma das principais concorrentes da Pimco, disse: “Todo mundo estava animado com a OGX por volta de maio de 2011 –logo antes que emitiu bônus– e eu pensei: ‘Aqui está uma empresa sem geração de caixa e sem ter descoberto petróleo'”. Ela disse não ter visto nenhuma melhora nas perspectivas de crédito da companhia e decidiu não comprar os bônus. Não está claro quem na Pimco tomou a decisão de investir em títulos de dívida Óleo e Gás.

De acordo com o analista Eric Jacobson, da Morningstar, o chefe global de gestão de bônus corporativos, Mark Kiesel, e sua equipe de crédito abriram o caminho na cobertura da petroleira pela Pimco. Kiesel recentemente foi promovido a um dos seis vice-presidentes de investimentos da Pimco abaixo de Gross, na esteira da saída de El- Erian.

Kiesel teve reunião privada com Eike no fim de 2012, meses antes de a dívida da petroleira ter ficado sob pressão de venda forte, e em um momento em que Pimco estava montando posições em títulos de dívida, disse uma pessoa familiarizada com a situação à Reuters.Os resultados dessa reunião não puderam ser verificados.

Brigitte Posch, que liderou a área de investimentos em dívida corporativa emergente na Pimco até o fim do ano passado, não quis comentar esta reportagem. Ela agora está liderando uma nova equipe de investimentos de dívida de mercados emergentes da Capital Management Babson, em Londres.

Seu último chefe na Pimco, Michael Gomez, que é co-responsável pela gestão de carteiras para mercados emergentes da empresa, também não quis se pronunciar.A Pimco recusou-se a disponibilizar Kiesel para comentar o assunto.

A Óleo e Gás se recusou a comentar o assunto. Os esforços para encontrar Eike para esta matéria foram infrutíferos. Os advogados e os bancos de investimentos atuando como conselheiros de Eike, da Pimco e de algumas empresas de gestão de investimentos envolvidas no plano de reestruturação da petroleira também não quiseram falar.

Entre as participações que o fundo de dívida de empresas de emergentes da Pimco fez no ano passado estão títulos de dívida emitidos pela produtora de carvão da Mongólia Mining Corp, que caíram 30 por cento em 2013, com os preços do carvão recuando para uma baixa recorde.

Outro investimento da Pimco foi feito nas construtoras mexicanas Corporación GEO SAB –que pediu concordata em março–, na Urbi Desarrollos Urbanos SAB e na Desarrolladora Homex SAB, que têm lutado contra restrições a subsídios governamentais para projetos nas periferias e visto queda no valor de seus terrenos. Os preços de seus bônus caíram pelo menos 50 por cento no ano passado.

No fim do ano passado, a Pimco também tinha bônus da produtora de açúcar e etanol brasileira Aralco SA Indústria e Comércio, que em março deste ano entrou em concordata após os preços do açúcar caírem para a mínima em três anos. Não está clara qual a responsabilidade direta de Gross e de e El- Erian nos investimentos de retorno ruim.

Mas Gross no ano passado estava incentivando investimentos no Brasil e no México pouco antes de suas moedas se desvalorizarem. Em janeiro deste ano, Gross mudou sua visão, ao afirmar em um evento que o Brasil não era mais o mercado emergente de grande preferência da Pimco.

No fim de abril, no entanto, Kiesel escreveu em relatório a clientes de que ele é “mais otimista” sobre o Brasil depois de uma viagem recente e que vê oportunidades em títulos soberanos e de dívida de empresas brasileiras, incluindo os da estatal Petrobras.

Olívio Américo é reeleito presidente da ACONSEG-RJ

Olivio AméricoRelease

Foram realizadas ontem, dia 07 de maio, na sede própria da Associação das Empresas de Assessoria e Consultoria de Seguros do Rio de Janeiro (ACONSEG-RJ), as eleições da nova diretoria da entidade para o biênio 2014/2016. Com apenas uma chapa inscrita, Olívio Américo foi reeleito presidente e anunciou ainda mais integração em seu próximo mandato.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos os que me apoiaram durante essa gestão e ainda por me confiarem mais dois anos no comando da diretoria da ACONSEG. Fizemos a inauguração desta sede no ano passado e minha meta agora é incorporar ainda mais assessorias a esta entidade, que hoje conta com 21 associadas. Isso deve nos fortalecer frente às questões pelas quais temos lutado, como por exemplo, a modificação do Artigo 18 da Resolução 297”, agradeceu o presidente reeleito, reafirmando o seu compromisso.

Esta será a quarta vez que Olívio Américo presidirá a ACONSEG. Seus primeiros mandatos, também consecutivos, foram os biênios 2004-2006 e 2006-2008. “A minha nova reeleição atesta que, aos olhos das assessorias que compõem esta Associação hoje, estou fazendo um bom trabalho. Nessa nova gestão, vamos avançar ainda mais na integração com outras entidades e com as seguradoras, a exemplo dos Cafés da Tarde que já promovemos com importantes nomes do mercado segurador”, afirmou Américo.

SulAmérica Investimentos debate novo cenário para fundos

sulamericaRelease

A SulAmérica Investimentos realiza amanhã (9) o Summit 2014. Voltado para clientes institucionais, o evento terá como tema “Brasil: Para onde vamos? Como alinhar seu portfólio a essa realidade”. O Summit 2014 será comandado pelo vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello, e contará com a presença do presidente da SulAmérica, Gabriel Portella. Aproximadamente cem fundos de pensão de todo o Brasil e representantes de empresas e conglomerados, assim como clientes de alta renda e distribuidores, devem comparecer ao evento.

Palestras e debates serão organizados em torno de quatro painéis:

· “Cenário Econômico Brasil – Desafios para o próximo governo”
· “Cenário Político: Eleições 2014 – Mudança com continuidade?”
· “Alocação de Ativos diante dos desafios macroeconômicos”
· “Gestão na era pós-digital”

Entre os participantes dos painéis estarão especialistas da asset, como o economista-chefe, Newton Rosa, o diretor de renda fixa, Marcelo Saddi, o diretor de renda variável, Fernando Tendolini, e fundações e consultorias parceiras.

O painel “Gestão na era pós-digital” terá presença do presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, e do presidente da agência Grey Brasil, Walter Longo.

A SulAmérica Investimentos é a gestora de ativos de terceiros do grupo SulAmérica, que completa 118 anos. De perfil fundamentalista e multiproduto, a asset tem 17 anos de atuação e recebeu rating máximo da Standard & Poor’s (AMP 1 – Muito Forte) pelo quinto ano consecutivo.

O Summit 2014 acontece no hotel Hyatt, em São Paulo.

Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo receberá o novo presidente do Sincor-SP

Release

Dia 13 de maio será uma data especial para o Clube Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP), que receberá em seu tradicional almoço mensal o ex-mentor, e agora presidente do Sincor-SP, Alexandre M. Camillo. Afastado da mentoria do CCS-SP, em janeiro, para concorrer à presidência do Sincor-SP, ele se encontrará com os associados e convidados da entidade, desta feita para apresentar, juntamente com a diretoria executiva do sindicato, o plano de gestão para os próximos quatro anos.

Em março, quando ainda estava em campanha eleitoral, Camillo participou de almoço do CCS-SP, juntamente com seu opositor, Mário Sérgio, apresentando os pontos principais de seu programa gestão. O programa está estruturado em quatro pilares: Negócios do Corretor de Seguros; Divulgação da Importância do Corretor e do Sincor-SP; Benefícios que Atendam às Necessidades; Eficiência da Gestão do Sincor-SP.

O mentor Adevaldo Calegari ressalta que nas últimas três décadas o Sincor-SP foi presidido por corretores de seguros associados ao Clube dos Corretores. “Para a nossa honra e privilégio, o novo presidente foi mentor desta casa, o que muito nos orgulha”, diz. Para ele, o almoço do próximo dia 13 será uma oportunidade para os corretores paulistas conhecerem e debaterem cada um dos pilares que compõem o plano de gestão da atual diretoria do Sincor-SP. “Um evento imperdível”, acrescenta.

Almoço do CCS-SP com o novo presidente do Sincor-SP e diretoria

Data: 13 de maio – terça-feira

Horário: 12h

Local: Restaurante do Circolo Italiano – Av. Ipiranga, 344 – 1º andar – Edifício Itália – Centro – São Paulo

Para participar é imprescindível confirmar presença pelo e-mail: atendimento@ccssp.org.br ou telefone (11) 3104-0416, com Kátia Freitas.

Supersimples: Armando Vergilio critica texto aprovado na Câmara

Release

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (7) um texto base do Projeto de Lei Complementar 221/12, que universaliza o acesso do setor de serviços ao Simples Nacional (Supersimples), o regime de tributação das micro e pequenas empresas. Contudo, por acordo entre os partidos, os destaques apresentados à matéria ainda serão analisados na próxima semana, o que deve provocar mudanças nesse texto.

O texto aprovado sofreu várias críticas de diversos parlamentares, incluindo o deputado Armando Vergilio (SDD-GO), presidente da Comissão Especial que discutiu mudanças no Estatuto da Micro e Pequena Empresa. Esssa Comissão aprovou, no final de 2013, por unanimidade, um substitutivo tratando da matéria. Armando Vergílio alerta que o texto aprovado nesta quarta-feira (06/05), se não for alterado, vai aumentar a tributação das empresas de serviços, que foram incluídas no Simples em uma tabela intermediária.

Segundo ele, esse texto representará apenas “um pequeno avanço” se não for mudada, por exemplo, a tabela VI. “A emenda 22, de minha autoria, e que será votada na próxima terça-feira (13/05), reduz essa tabela perversa em 20% e aí sim teremos um benefício bem maior”, comenta o deputado, que lamenta o fato de o texto votado não ter sido o do substitutivo aprovado na Comissão Especial.

A educação financeira é a melhor forma de regulação do mercado

cnseg 7_painel_pqFonte: portal da CNseg

Muito já foi feito – inclusive um simpático samba pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) – para divulgar o seguro de forma simples para a sociedade. “Mas ainda há uma infinidade de ações que precisam ser tomadas para contribuirmos com o desenvolvimento do Brasil. O crescimento é consequência das escolhas das pessoas. E quanto mais educadas elas forem, mais capazes serão de trilhar um caminho de empreendedores”, comentou Marcio Coriolano, presidente da FenaSaúde e da Bradesco Saúde, responsável pela moderação do 7 painel — Iniciativas de Educação Financeira – O que é seguro, para que serve, qual o valor para o segurado – realizado na 4ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, em São Paulo.

Nelson Le Coq, diretor de autorização da Susep, seguiu na mesma linha do moderador e afirmou que boa parte da crise do subprime foi consequência da pouca noção financeira das pessoas que tomaram mais crédito do que poderiam. Em sua opinião, a educação financeira é a melhor forma de regulação do mercado. A idéia é que quanto mais o consumidor estiver preparado, mais consciente será a sua escolhas, além de ter condições de comparar produtos financeiros e optar pelo produto mais adequado para a realização de seu sonho. Caso contrário, o sonho pode se transformar em um pesadelo chamado “inadimplência”. “Educação financeira tem a capacidade de dar poder ao consumidor que torna mais efetiva a ação do Estado na regulação dos mercados”, conclui Le Coq.

Entre as várias ações da Susep, que faz parte do Comitê Nacional de Educação Financeira (CONEF), responsável pela coordenação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), está o projeto “Torcedor Seguro”. Desenvolvido em parceria com a CNseg, a ação é focada em divulgar o seguro em praças públicas, com distribuição de material informativo e uma encenação teatral com o objetivo de conscientizar a população da importância do seguro e da previdência complementar para suas vidas.

Uma das grandes colaborações do grupo Bradesco no desenvolvimento da cultura de seguro é a Universeg, que completa 10 anos em 2014 e já contabilizou mais de 1 milhão de participações de funcionários e colaboradores. “Nosso objetivo é promover um ambiente que propicie desenvolvimento”, afirmou Rosana Gonçalves de Rosa, sub-gerente do departamento de desenvolvimento e gestão de pessoas de pessoas da Bradesco Seguros. “Até mesmo com cursos para nossos líderes, que são considerados educadores e vitais para impulsionar o desenvolvimento das equipes”. Uma das novidades para os próximos dias é o lançamento de mais uma edição da Maratona do Conhecimento, um projeto que visa incentivar que os funcionários mantenham-se atualizados.

Nuno David, diretor de marketing da Mongeral Aegon, destacou a importância do mercado segurador em desenvolver mecanismos mais simples para a divulgação dos produtos, como usar exemplos que todos têm dentro de casa, como os clientes que receberam benefícios. “Tanto os corretores como as pessoas beneficiadas são a principal propaganda que podemos fazer do produto seguro”, afirmou ele para a plateia, disponibilizando dois vídeos de curta duração, porém de grande apelo sentimental.

Segundo David, há um mercado potencial gigantesco para ser alcançado com a venda de seguro de vida. “Enquanto no Brasil menos de 6% da população tem seguro de vida, nos Estados Unidos esse percentual ultrapassa 70%”. Diante disso, a Mongeral tem investido em diversos canais de venda e geração de conteúdo que mostrem à sociedade a importância do seguro de vida e da previdência. A loja online, lançada em outubro, por exemplo, já começa a dar lucro. “Isso mostra que há demanda pelo produto até mesmo por meio da internet”, conclui.

Paulo Rossi, diretor de marketing da BB e Mapfre, apresentou o projeto Traduzindo o Segurês, que teve inicio em 2009, embalado pelo resultado de uma pesquisa da IBM que afirmava que 65% dos entrevistados acreditava que teria problemas se precisasse usar o seguro. O ponto de partida do grupo foi transformar esse problema em oportunidade de estar mais próximo do cliente e tentar encartar o consumidor. Durante a implementação do projeto, a equipe descobriu que precisa mudar muito mais do que palavras. “Precisamos mudar centenas de atitudes”, disse. Outra coisa que se transformou foram os imensos textos do clausulado em imagens, que falam mais do que palavras e isso foi bem recebido pelo cliente”, contou. O projeto foi implementado para automóvel, vida, residencial e agora o grupo caminha para finalizar a implementação do Traduzindo o Segurês na operação de previdência.

Sandro Leal, gerente-geral da FenaSaúde, elegeu dois itens para reduzir as frustrações dos consumidores com planos de saúde. “Uma se refere ao uso em si e outra a preço”, explicou. Uma das frases mais ditas por segurados insatisfeitos é “Paguei a vida toda e quando fui utilizar….”. Segundo Leal, isso advém de um equívoco financeiro. “O que sustenta a saúde suplementar não é a acumulação. Diferente da previdência, na qual se acumula o patrimônio com os depósitos mensais, no seguro de saúde o pagamento e o risco são mensais. Essa é uma abordagem que nos traz desafios”, afirmou.

Outra questão que mostra dificuldade de entendimento é o reajuste dos custos de saúde. O setor chama de inflação médica o que na verdade é custo da utilização, tanto com aumento de preço de serviços médicos e medicamentos, como de quantidade de uso. “Isso é a inflação médica e é por esse parâmetro que é calculado o reajuste do plano”.

Outra dúvida na área de saúde é sobre a diferença do preço cobrado do idoso e do jovem. Apesar da diferença dos valores, parte dos custos dos planos dos idosos, que utilizam muito mais os serviços, é subsidiado pelos mais jovens, que usam menos. Se não houvesse diferenças de preços por faixa etária, os planos dos mais jovens seriam muito mais caro, o que reduziria sua presença no mercado, encarecendo ainda mais os valores dos planos dos mais velhos. Essa falta. “Isso gera muitas demandas aos órgãos de defesa do consumidor e acreditamos que se conseguirmos levar a educação financeira à sociedade, conseguiremos reduzir boa parte dos conflitos”, sentenciou Leal.

Willis Group cresce mais de 4% no primeiro trimestre de 2014

willisrelease

“Começamos 2014 com um trimestre de sólido crescimento e com contribuições positivas de cada um dos nossos segmentos. Willis Internacional e Willis Norte América ambos cresceram fortemente. Willis Global cresceu com uma forte contribuição dos negócios de resseguro, pela área de varejo no Reino Unido e também pelas empresas de seguros de especialidade,” disse o CEO do Grupo Willis, Dominic Casserley. “O lucro operacional ajustado correspondente ao ano anterior, enquanto nós continuamos a investir em regiões de maior crescimento tais como mercados emergentes, empresas como Global Wealth Solutions na Ásia e melhorias de serviço ao cliente como nossa iniciativa Connecting Willis.”

Casserley complementa, “Em nossa Conferência com os Invetidores em 2013, traçamos uma estratégia de longo prazo, com investimentos contínuos que guiem o crescimento orgânico. Além disso, estabelecemos que o spread entre as receitas e despesas deve ser, em média, igual ou superior a 70 pontos-base resultando na geração de um maior fluxo de caixa. Permanecemos confiantes nisso e comprometidos com esse plano. Além disso, a medida que continuamos a investir para aumentar as receitas, também temos a oportunidade de tomar novas ações em relação às despesas. Hoje estamos lançando um programa plurianual de melhoria operacional desenhado para fortalecer o atendimento ao cliente e garantir uma economia de custos de aproximadamente $420 milhões até 2017 e outros 300 milhões a partir de 2018”.

Divisão Internacional

A Divisão Internacional reportou um crescimento orgânico de 7.2% em comissões e fees no primeiro trimestre de 2014, comparado com o mesmo período em 2013. As operações da América Latina cresceram dois dígitos no período, com resultados fortes no Brasil e um bom desempenho da Venezuela, Argentina, Chile e México. As operações na Europa Ocidental também registraram crescimento com contribuições positivas de quase todos os países da região. Já a Europa Oriental registrou crescimento de dois dígitos e as operações na Ásia estiveram fortes, lideradas por China e Hong Kong.

Entre os principais destaques do trimestre, encerrado em 31 de março de 2014, estão:

· Receita de US$ 1,097 bilhão no primeiro trimestre, comparado com US$ 1,046 bilhão referente ao mesmo período de 2013.

· Lucro por ação de $1,35, um crescimento de 8,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

· Lucro líquido de US$ 246 milhões em comparação aos US$ 219 milhões no mesmo período de 2013.

· Crescimento orgânico em comissões e fees de 4,2%

Swiss Re lucra US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2014, queda de 11%

swiss-reFonte: Dow Jones Newswires

O lucro líquido da Swiss Re caiu 11% no primeiro trimestre deste ano, para US$ 1,2 bilhão, de US$ 1,4 bilhão no mesmo período do ano passado. A queda é explicada, em parte, pelos ganhos excepcionais que haviam sido registrados nos três primeiros meses de 2013, quando a seguradora fechou um acordo de US$ 610 milhões com o Berkshire Hathaway, do investidor Warren Buffett, sobre algumas apólices.

No segmento de resseguros para propriedades e acidentes, sua principal divisão individual, os prêmios subiram quase 8%, para US$ 3,8 bilhões, com o lucro líquido quase inalterado em US$ 1,0 bilhão. A proporção combinada da unidade, uma medida importante da lucratividade que compara quanto a companhia paga em indenizações com quanto ela recebe em prêmios, ficou em 78,8%.

Desafio das ouvidorias está em mudar processos sem burocratizar a venda

cnseg ouvidorias_gdUm dos desafios do mercado segurador é como vender seguro para quem não tem capacidade de ler contrato. “O Brasil tem um elevado índice de pessoas analfabetas, que não sabem ler e escrever, e maior ainda, que chega a 14%, de analfabetos funcionais, que são aqueles que sabem ler e escrever, mas não compreendem. Na média, o índice desses dois tipos ultrapassa 40% em algumas regiões do pais. Como vender seguro a eles?”, questionou o moderador Vitor Morais de Andrade, presidente da Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente Abrarec. Outra brecha citada pelo presidente da Abrarec é deixar claro ao consumidor de quem ele é cliente. “Se compro um celular não sei se sou cliente da operadora, da loja do varejo ou da fabricante do aparelho e fico confuso na hora de decidir quem devo procurar”.

Ele foi mediador do painel 5 — experiência das ouvidorias na solução de controvérsias de consumo –, realizada no segundo dia da 4a. Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, realizada em São Paulo. Segundo Silas Rivelle Junior, presidente da Comissão de Ouvidoria da CNseg, as ouvidorias das 33 empresas que representam 95% do faturamento do mercado segurador receberam 63.623 demandas em 2013. Tais solicitações chegaram para a ouvidoria depois de tentativas de solução no canal de atendimento da companhia.

De acordo com Rivelle Júnior, que também é ouvidor da Unimed Seguros, o seguro de bens foi o principal tema a ser trabalhado pelos ouvidores, com 38.516 queixas, seguido pelo seguro de pessoas, com 13.888, previdência, com 10.479, e capitalização, com 3.740 manifestações recebidas no ano passado. Do volume total, 24.538 foram encaminhadas diretamente pelos segurados aos ouvidores das empresas; 13.151 vieram pela Susep, 11.889 pelos órgãos de defesa do consumidor (Procons) e 4.097 via Banco Central.

As principais queixas, cerca de 46,6%, se concentram na hora do pagamento da indenização, devido a conflitos em relação a regulação do sinistro. Dúvidas em relação ao pós-venda representam 23,1%; contratação, venda e negócio participaram com 17,7%, problemas com a comunicação ficaram com 7% das estatísticas, assistências com 3,8%, produto com 1,4% e os conflitos em relação aos corretores tiveram um baixo índice, com apenas 0,3% das estatísticas computadas pela comissão de ouvidoria da CNseg.

A maior queixa registrada no ramo de seguros gerais se refere ao tempo na regulação do sinistro, com 21%, seguida pelo valor indenizado, com 11%. Em previdências, as desavenças entre clientes e empresas se refere a portabilidade, com 18%. No segmento de pessoas, os cancelamentos geraram a maior demanda por ouvidor, com 13,% do total. Em capitalização, 33% das reclamações dizem respeito ao resgate, revisão e ao benefício.

Silas Rivelle ressalta que 96% das demandas foram respondidas no prazo regulamentar de 30 dias, considerando-se os dois tipos de ouvidorias: as Internas, que fazem parte da estrutura das próprias empresas; e as Independentes, que são contratadas (terceirizadas) e possuem estruturas separadas da empresa. No caso de grupo empresarial, é facultativo instituir uma única Ouvidoria para todas as sociedades ou entidades que o integrem.

Segundo os palestrantes, a educação financeira é a principal arma das companhias e dos ouvidores para reduzir os conflitos com consumidores, tanto no que diz respeito a usar a experiência do ouvidor para mudar processos como para levar cada dia mais produtos adequados ao público final.

As ouvidoras Gisele Garuzi, superintendente da Bradesco Seguros, e Camila Lana, analista de ouvidoria da Zurich Brasil Seguros, apresentaram a dinâmica do dia a dia departamento. Ambas afirmam que muitos casos são tratados individualmente, pois em alguns casos o lado emocional tem que ser ponderado e prevalece sobre o aspecto técnico. “Além disso, todos os casos analisados são levados para um comitê executivo na busca de mudanças de processos operacionais que tragam melhoria na relação empresa e cliente”, disse Gisele.

A Zurich apresentou um case que tem gerado muitas notícias: o seguro de celular. A questão a ser resolvida envolve a apresentação de nota fiscal na hora do sinistro, sendo que esse procedimento não é solicitado no momento da compra do seguro. “Pedir a nota fiscal na hora da venda é visto como algo burocrático”, explicou Camila. “Mas temos de pedir na hora do sinistro para inibir fraudes e temos como segurança que a exigência da nota fiscal é citada como obrigatória nas cláusulas do contrato disponível no contrato entregue ao consumidor e também nos meios digitais”, acrescentou.

IRB nomeia uma mulher como vice-presidente

Uma novidade no novo IRB Brasil Re, a maior resseguradora local do país. Lucia Maria da Silva Valle, a primeira mulher no primeiro escalão do ressegurador, foi indicada semana passada como vice-presidente de riscos. No IRB do passado, Emília Gitahy de Alencastro foi nomeada como presidente do ressegurado estatal em 1961, por Jânio Quadros. Apesar de ter tido uma gestão relâmpado, ela faz parte do quadro do IRB. Também há registro de Dulce Pacheco Fonseca da Silva Soares no cargo de diretora na história do IRB controlado pela governo.

Graduada em Ciências Atuariais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós graduada em Amostragem pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas, Lucia Maria é especializada em Mercado de Capitais pela Fundação Getúlio Vargas. Com mais de 25 anos de experiência em seguros e previdência, foi superintendente atuarial no Unibanco AIG Seguros e Previdência e diretora atuarial nas seguradoras Zurich Brasil e MetLife. Entre 2009 e 2013, atuou em empresas de consultoria da área de seguros, período que também foi membro do Comitê de Auditoria no IRB Brasil RE, é membro do Instituto Brasileiro de Atuária.