Participantes são unânimes em defender reformas urgentes no setor

Fonte: FenaSaúde

O 2º Fórum de Saúde Suplementar, realizado no hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio de Janeiro, hoje, dia 23 de novembro, promoveu uma profunda discussão sobre o atual momento do setor e as perspectivas futuras. Com o tema As escolhas necessárias para o futuro, os participantes apresentaram propostas e reflexões de decisões que devem ser feitas por todos para que o setor tenha continuidade.

Para a presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar, Solange Beatriz Palheiro Mendes, os caminhos e alternativas do setor devem envolver toda a sociedade. “Estamos em um momento econômico e social que aguça ainda mais a reflexão das escolhas que queremos e o que devemos fazer com as alternativas existentes e os recursos disponíveis. Os custos são crescentes e a capacidade de pagamento de pessoas e empresas é limitada. Se não fizermos as escolhas adequadas agora, poucos conseguirão usufruir deste modelo”, alerta.

O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos de Souza Abrahão, reitera que os beneficiários, os provedores, as prestadoras e o governo devem se unir para a sobrevivência do sistema. “Precisamos agir enquanto ainda dá tempo. Temos que ter o compromisso de implementar mudanças e construir uma agenda positiva para a sobrevivência deste setor”, afirma.

A solução também passa por uma alternativa de união de esforços. Flávio Carneiro Guedes Alcoforado, subsecretario municipal de saúde, lembra que é necessário desenvolver um sistema de saúde com um todo. “As escolhas devem ser feitas, o sistema deve pensar em conjunto para que haja uma solução única”.

Márcio Coriolano, presidente CNSeg, afirma que o diagnóstico para as soluções do setor existe, porém há uma dificuldade em avançar nas medidas propostas. “O sistema é disfuncional, não consegue exercer as funções da forma que foi criado. Temos empecilhos como a universalidade e integralidade de coberturas, além do aumento vertiginosos procedimentos incorporados fazendo com que operadoras de pequeno e médio porte não sobrevivam. Somados a um custo da medicina privada incompatível com a capacidade de pagamento de empresas, indivíduos e famílias. Temos que rever urgentemente a política, o modelo e a forma de financiamento do sistema”, explica.

A situação econômica atual também foi amplamente discutida durante o 2º Fórum de Saúde Suplementar. Em sua palestra sobre os desafios de curto médio e longo prazos e as perspectivas para o investimento, Octavio de Barros, diretor e economista-chefe do Banco Bradesco, apresentou como o cenário macro da economia brasileira afeta as decisões das famílias. Diante dos mais de 6 milhões de desempregados desde 2016, o economista alerta que o desemprego vem atingindo duramente os jovens e com isso afeta diretamente o setor de saúde suplementar. “A aprovação das reformas trabalhista e previdenciária e a definição do teto de gastos são fundamentais para recuperar a confiança e a economia do pais”.

No painel sobre Saúde e Desenvolvimento, Marcos Bosi Ferraz, professor adjunto da disciplina de economia em gestão de saúde do departamento de medicina e escola paulista de medicina UNIFESP, afirma que o desafio do sistema é fazer escolhas coletivas, exigindo a reinterpretação do direito do cidadão e a responsabilização com a saúde. “Temos o desafio de transformar escolhas individuais, com políticas públicas e que ainda ofereçam o direito de escolha do indivíduo. Há necessidade urgente de definir políticas públicas tanto a saúde suplementar quanto para o setor público para fortalecer o sistema”.

Representando os contratantes de Plano de Saúde, o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro, Paulo Sardinha, afirma que é preciso colocar a previdência e saúde em debate para que não se torne um problema sem solução. “São assuntos e decisões que se não forem discutidos vão entrar em colapso”, alerta.

O 2º Fórum de Saúde Suplementar continuará a debater outros temas, como o que mudou após as denúncias sobre a má utilização de órteses, próteses e materiais especiais, além da judicialização e as propostas que serão elaboradas pelo setor. As palestras continuam amanhã, dia 24 de novembro.

ESCLARECIMENTO – Aon negocia com Admix, consultoria especializada em benefícios

ESCLARECIMENTO:

Luis Felipe Barranco, diretor de marketing da Aon, informou que a noticia não é verdadeira. Porém, as minhas fontes afirmam que a negociação já está concluída.

E as conversas de aquisições no mercado segurador não param. A notícia do dia que circula no 2o. Fórum de Saúde Suplementar é que a AON está negociando a compra ou parceria com a Admix, uma consultoria especializada na gestão de benefícios corporativos, como planos de saúde e odontológicos, seguro de vida, medicamentos, vale refeição, vale alimentação e outros. Tem 25 anos de experiência no mercado, 910 profissionais com foco exclusivo em benefícios, 6.860 empresas clientes, 2,7 milhões de usuários atendidos e movimenta R$ 5,8 bilhões de prêmios emitidos.

A AON é uma das maiores corretoras do mundo e cresce a partir de centenas de aquisições no mundo e também no Brasil.

Vamos apurar mais detalhes.

FenaSaúde lança nova versão de boletim econômico do setor

A deterioração no mercado de trabalho e a queda do rendimento das famílias e empresas afetaram negativamente o desempenho do mercado de saúde suplementar, especialmente em relação à aquisição de planos coletivos empresariais. Esse tipo de contratação registrou queda 3,2% em doze meses, passando de 33,2 milhões em setembro de 2015 para 32,1 milhões em setembro de 2016.”É uma situação muito preocupantes e todos precisam ser chamados para conversar a respeito dos planos de saúde”, alerta Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

“Precisamos ter um produto que caiba no bolso da população”, afirma a executiva que comanda a FenaSaúde. Dados relevantes fazem parte da nova edição do boletim da Saúde Suplementar – Indicadores Econômico-financeiros e de Beneficiários, lançado durante o 2º Fórum de Saúde Suplementar, realizado no hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Como reduzir custo em um plano de saúde? A proposta da FenaSaúde na discussão em curso para criação de planos mais acessíveis dentro do Ministério da Fazenda com a sociedade é reduzir a segmentação em prestadores como médicos e serviços ambulatoriais, observar a regionalização, instituir a co-participação, ter uma rede hierarquizada gerida por coordenador de saúde que vai ser responsável pela gestão da saúde da região, atuando como um médico generalista de saúde. Com tais medidas, o preço poderia ser reduzido em até 25%, acredita Solange

Houve uma perda de 1,5 milhão de beneficiários de planos de assistência médica, com retração de 3,1%, entre setembro de 2015 e setembro de 2016. Nesse período foram fechados cerca de 1,6 milhão de postos de trabalho, com declínio de 4,0%, na mesma base de comparação, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Segundo as grandes regiões, o Sudeste foi responsável pela perda de mais de um milhão de beneficiários, sendo São Paulo responsável diretamente pela extinção de 549 mil vínculos nos planos de assistência médica, seguido do Rio de Janeiro, com 319 mil.

“Há uma clara relação entre a dinâmica do mercado de trabalho formal e o desenvolvimento do mercado de saúde suplementar. Com a retração das atividades econômicas, houve a queda do número de beneficiários. Os planos coletivos empresariais são responsáveis por 66% dos vínculos”, analisa Solange.

Apesar de manter a trajetória de desaceleração em sintonia com a recessão econômica, o segmento de planos de saúde mostra resiliência, já que a redução do número de beneficiários foi bem menor que a queda do emprego e do PIB, nos últimos doze meses terminados em setembro de 2016. Enquanto os planos de saúde registraram queda de 3,1%, o PIB (Produto Interno Bruto) teve uma retração de 4,6% (dados até junho) e o estoque de empregos, 4%.

“A crise e o desemprego geram redução no orçamento do consumidor, mas a saúde tende a ser mais resiliente porque a pessoa abre mão, primeiro, de outros serviços e mantém a assistência privada, até quando for possível. A crise também pesa para o empregador, já que o plano de saúde onera e passa ser um benefício caro”, explica Solange Beatriz.

A publicação traz, ainda, dados do mercado por faixa etária de beneficiários, regiões demográficas, estrutura do mercado de saúde suplementar e indicadores operacionais das empresas do setor, além de informações especificadas das associadas à FenaSaúde.

Saiba mais:

http://www.fenasaude.org.br/fenasaude/publicacoes/boletim-da-saude-suplementar/

Ana Lúcia D’Amaral da Liberty vence Women in Tech do Prêmio Computerworld IT Leaders 2016

Ana Lúcia D’Amaral, CIO da Liberty Seguros, foi a vencedora da categoria Women In Tech, do Prêmio Computerworld IT Leaders 2016. A premiação, realizada pela Computerworld, elege os 100 CIOs mais inovadores do Brasil, por meio de pesquisa realizada com mais de 1,4 mil profissionais de empresas de diversos segmentos.

Este foi o primeiro ano da categoria Women in Tech, dedicada exclusivamente às mulheres, com o objetivo de incentivar a atuação feminina na área de Tecnologia da Informação e reconhecer a sua presença na liderança do setor. A executiva também foi uma das finalistas na categoria de Seguros.

“Esse é um reconhecimento que vai muito além do gênero, pois mostra que estamos no caminho certo ao incentivar o protagonismo e ao promover diferentes estilos de liderança, algo que valorizo muito no trabalho com minha equipe”, diz Ana Lúcia D’Amaral, CIO da Liberty Seguros.

CNseg: reservas técnicas do mercado de seguros devem atingir R$ 1 trilhão em 2016

SindSeg-SP

Fonte: CNseg

As reservas técnicas do mercado segurador devem acumular cerca de um trilhão de reais em 2016, segundo o presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Marcio Serôa de Araujo Coriolano. Para ele, esse índice, além de reforçar a solidez do setor, ressalta sua importância como agente de desenvolvimento econômico. “O mercado de seguros merece estar no centro das políticas públicas do país, fortalecendo a sua imagem perante os poderes constituídos e a sociedade”, destacou Coriolano, durante solenidade em homenagem aos 50 anos da Superintendência de Seguros Privados (Susep), realizada no Rio de Janeiro.

Em sua fala, o presidente da CNseg parabenizou a Susep, relembrou o período em que integrou a instituição e cumprimentou o superintendente da autarquia, Joaquim Mendanha de Ataídes, os colaboradores e o corpo diretor pelas cinco décadas de supervisão e de fomento do mercado segurador brasileiro. “Que o dia de hoje seja um marco, rumo aos próximos 50 anos dessa instituição cada vez mais fortalecida como reguladora, acompanhando os padrões internacionais”, disse o executivo.

A resiliência do mercado de seguros neste momento de recessão econômica foi outro ponto abordado por Marcio Coriolano. Ele apresentou dados como o crescimento nominal do setor, que registrou alta de 7,2% até setembro deste ano comparado ao mesmo período de 2015, para destacar sua força mesmo em momentos difíceis. “Esse desempenho é ainda mais expressivo quando comparado com outras atividades econômicas. O que demonstra que a população brasileira mantém a preferência pela proteção de patrimônios e rendas, mesmo em momentos de crise”, afirmou.

Coriolano abordou, ainda, a necessidade de que os agentes que compõem o mercado segurador sejam orientados por uma agenda comum, com integração de ideias, propósitos e ações efetivas que posicionem o mercado segurador em lugar privilegiado nas políticas públicas de desenvolvimento do país. “A integração dos agentes do setor deve ocorrer principalmente com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, por meio de um programa de trabalho consistente e propositivo, a fim de buscar o fortalecimento que ajudará o Brasil a retomar o seu ciclo de prosperidade”, pontuou.

Nessa mesma linha, o titular da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes, destacou que a autarquia tem o dever de zelar pela supervisão do mercado e pelo amparo ao consumidor, estimulando sempre um ambiente salutar. Segundo ele, o setor possui uma grande responsabilidade social no país, atuando na linha de frente no desenvolvimento econômico. Outro ponto destacado pelo titular da Susep é que a superintendência atuará sempre de forma a promover a inclusão das pessoas que não têm acesso ao seguro. “O país conta com o mercado de seguros e a Susep está pronta para atender a este chamado”, enfatizou.

Também presente ao evento, o presidente da Escola Nacional de Seguros, Robert Bittar, ressaltou a parceria com a Susep no sentido de aprimorar os conhecimentos da sociedade em relação aos mercados de seguros gerais, previdência privada e vida, saúde suplementar e capitalização no país. Já o presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor) e ex-superintendente da Susep, Armando Vergílio, enfatizou que o mercado de seguros vem dando saltos expressivos em relação à sua contribuição para o desenvolvimento do país. “E o papel da Susep tem sido fundamental nesse sentido”, afirmou. Por sua vez, o deputado federal Lucas Vergílio (SD-GO) também citou a importância da união e dos esforços dos agentes do mercado no enfrentamento aos desafios que se apresentam no caminho da evolução.

Durante a cerimônia, foi realizada a premiação do 1º Concurso Cultural ‘Minha Vida Mais Segura’ (#minhavidamaissegura), uma iniciativa da CNseg, com apoio da Susep, que premiou o melhor vídeo e o melhor post no Facebook que contava ou representava uma história acerca do tema “Qual a importância do seguro na sua vida?”.

Acontece hoje no Rio o 2º Fórum da Saúde Suplementar

Especialistas e autoridades se reúnem nesta quarta e quinta-feira, no Rio, no 2º Fórum da Saúde Suplementar Escolhas Necessárias para discutir as escolhas da sociedade para garantir a sustentabilidade do setor e debater o retrato atual do mercado e os caminhos possíveis para o seu desenvolvimento nos próximos anos. Estão confirmadas as presenças do diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, José Carlos Abrahão; vice-presidente de Finanças Globais, Edson Carlos de Marchi, superintendente do hospital do Coração (HCor), Ary Ribeiro; presidente do Conselho de Medicina e Saúde da ACRio, Josier Villar; desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Ney Wiedemann Neto; ministro do Superior Tribunal de Justiça, Paulo de Tarso Vieira Sansevereino; além do presidente da CNseg, Marcio Coriolano; e a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, entre outros.

Trata-se de uma grande oportunidade reunir essas autoridades e especialistas para debater os atuais desafios do atendimento ao sistema de saúde. A partir dessas discussões, precisamos apontar caminhos para o desenvolvimento do mercado. O momento exige mudanças e o compromisso de todos governo, operadoras, prestadores e beneficiários. Precisam sair de suas zonas de conforto em prol do futuro da Saúde Suplementar. Temos que fazer escolhas e o consumidor precisa estar consciente disso, como agente participativo, afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde.

O 2º Fórum de Saúde Suplementar trará palestras e painéis sobre os desafios das escolhas impostas pelo cenário macroeconômico, com crescimento do desemprego e queda na geração de renda, resultando na perda de 1,6 milhão de beneficiários de planos de saúde e no encolhimento do poder econômico das famílias brasileiras; as decisões necessárias diante do envelhecimento populacional e consequente transição demográfica, da incorporação tecnológica acrítica e sem avaliação de impacto do custo-efetividade, a escalada crescente das despesas na saúde e, historicamente, acima das receitas e, ainda, a redução da capacidade de pagamento da população.

O fórum ainda promove a discussão do custo dos procedimentos médicos e a qualidade dos serviços oferecidos como fatores fundamentais para a tomada de decisão do consumidor, tornando-o mais consciente e participativo na gestão de sua própria saúde; a utilização de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) apenas com suporte em evidências médicas, dificultando fraudes e o implante sem a real necessidade comprovada; e, por fim, as escolhas do Poder Judiciário, que se refletem no aumento das despesas assistenciais em razão da ausência de pareceres técnicos de profissionais de saúde que possam embasar a tomada de decisão dos magistrados no sentido oposto, iniciativas como os Núcleos de Apoio Técnico (NATs), formados por especialistas da área de saúde, são experiências positivas para diminuir o impacto da judicialização da saúde.

ARTIGO: Do excesso de elefantes às Insuretechs: 50 anos do decreto-lei 73/66

Pois é….Isso aí…

Fonte: Migalhas, em 21.11.2016.

Por Pedro Souza, Caroline Kimura, Rafael Edelmann e Felipe Blanco (*)

Ao longo desses 50 anos, o mundo mudou. A preocupação com os elefantes agora gira no sentido oposto: teme-se pela sobrevivência da espécie.

Em 21 de novembro de 1966, há exatamente 50 anos, foi editado o decreto-lei 73. Naquele dia, os jornais noticiavam com preocupação a superpopulação de elefantes na África. A elevada multiplicação da espécie causava temor nas autoridades locais.

Nas eleições de 15 de novembro de 1966, poucos dias antes, a Arena sairia como a grande vitoriosa no Senado, restando poucas cadeiras ao MDB. A Guerra Fria estava longe de terminar. No Vietnã, a operação Rolling Thunder, marcada por terríveis bombardeios, estava no auge. Por outro lado, a geração Baby Boomer florescia, com novos ideais culturais e artísticos. No Brasil, as rádios tocavam Negro Gato, e Eu te Darei o Céu. Os Beatles estouravam com Yellow Submarine e Eleanor Rigby.

Na economia, Castelo Branco lançava o PAEG – Programa de Ação Econômica do Governo idealizado pelo então Ministro da Fazenda Delfim Neto, com o objetivo de combater a elevada inflação, aumentar investimentos em infraestrutura, diminuir as desigualdades regionais e atrair investimentos externos.

Naquele ano a arrecadação em prêmios de seguros no Brasil atingiu o equivalente a R$ 3.76 bilhões (CPES), contra R$ 95.7 bilhões em 2015 (SUSEP).

Vigia o Código Civil de 1916. O IRB carregava o sentimento nacionalista e concentrava a função de regular as operações de resseguro e desenvolver operações de seguros em geral. A fiscalização das companhias securitárias ficava à cargo do Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, vinculado ao Ministro da Fazenda.

Foi nesse contexto que nasceu o DL 73, principal marco regulatório das operações de seguros e resseguros no Brasil. A norma manteve o monopólio do IRB, instituiu o Sistema Nacional de Seguros Privados, composto por Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP, Superintendência de Seguros Privados – Susep, corretores habilitados e as sociedades seguradoras autorizadas, além do próprio IRB. Além disso, criou avanços sistêmicos como o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, até hoje vigente.

Ao longo desses 50 anos, o mundo mudou. A preocupação com os elefantes agora gira no sentido oposto: teme-se pela sobrevivência da espécie. A geração Baby Boomer interage de modo complexo com a chamada geração Y no mercado de trabalho.

Na política, o DL 73 assistiu ao fim da era de bipolaridade leste-oeste, ao fim de um regime militar, uma nova CF e a (“re”) construção da democracia. O fenômeno da globalização, muito intenso a partir da década de 1990, criou nova dinâmica da vida no mundo. O desenvolvimento fenomenal dos transportes aeronáuticos, da tecnologia da informação e das telecomunicações encurtaram as distâncias e subverteram as noções de espaço e tempo. Consolidou-se uma sociedade de risco, dinâmica e imprevisível.

No campo jurídico da atividade estatal, o modelo regulatório de interação piramidal top-down entre Estado e mercado, iniciado no new deal pós-29, clama por um modelo de governança na forma de rede, apto a contemplar múltiplos interesses.

Para além desse clamor e da efervescência da sociedade de risco, a atividade securitária se depara com novos desafios. As necessidades de proteção securitária são hoje muito mais complexas. Buscam-se garantias de pés de jogadores de futebol a satélites. De bens a cyber risks. De variações climáticas a riscos políticos. Da tradicional atividade agrícola à tecnologia da informação. Clama-se por coberturas inimagináveis há 50 anos, demandando os ramos tradicionais, como vida, bens e responsabilidade.

Eis que surge a revolucionária insuretech, impondo ainda maiores desafios à regulação. Tal como as start-ups financeiras, denominadas fintechs, inovaram na atividade bancária pela virtualização da moeda, as insuretechs, equivalentes securitárias, brevemente modificarão a forma de interação entre segurados, seguradores e Estado.

A ideia das insuretechs é utilizar ferramentas de alta tecnologia, como blockchain, smart contracts, oracles, internet of things, entre outras, para solucionar problemas e criar novas possibilidades. Do efetivo controle de fraudes à custódia de valores e reservas técnicas, há em curso uma revolução auspiciosa para os seguros.

Os quinquagenários DL 73 e instituições nele criadas, que honrosamente cumpriram a dura missão de alçar o mercado securitário brasileiro a patamar robusto, veem-se desafiados. A nova revolução bate à porta. A tradicional tutela estatal da relação seguradora–corretor–segurado terá de se adaptar à nova realidade.

O decreto-lei 73, de 21 de novembro de 1966, nascido em meio ao excesso de elefantes, merece ser reformulado para não ser atropelado pela superpopulação de gadgets em nível mundial.

(*) Pedro Souza é sócio do escritório SABZ Advogados.

(*) Caroline Kimura, Rafael Edelmann e Felipe Blanco são advogados do escritório SABZ Advogados.

Mercado segurador fatura R$ 170,8 bi até setembro, alta nominal de 7,2%

No acumulado do ano, de janeiro a setembro de 2016, o crescimento das vendas foi de 7,2%, para R$ 170,8 bilhões, menor do que os 12% registrados em mesmo período do ano passado, como mostra a tabela

por Lauro Faria, da Economista da Escola Nacional de Seguros

A arrecadação do mercado de seguros regulado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) foi de R$ 56,9 bilhões no 3° trimestre de 2016 aumentando, em termos nominais, 8,7% ante o mesmo trimestre de 2015 e permanecendo constante em termos reais (descontada a inflação). É um resultado auspicioso em tempos de recessão, porém, muito variado conforme os diversos grupos de seguros.

Assim, no mesmo período, a arrecadação bruta de produtos de acumulação cresceu 23,6%, fortemente influenciada pelo comportamento positivo do VGBL. Já o faturamento dos produtos de risco de seguros de pessoas aumentou apenas 4,1% em termos nominais (portanto, queda de 4,3% em termos reais). E as arrecadações de seguros gerais e de planos de capitalização decresceram fortemente: 4% e 0,7% em termos nominais, respectivamente, e 11,7% e 8,7% em termos reais.

Na área da Susep, as indenizações de sinistros e pagamentos de resgates de previdência e de capitalização e sorteios somaram, no 3° trimestre de 2016, R$ 29,3 bilhões, 4,5% acima do resultado de idêntico trimestre de 2015 em termos nominais, e -3,8% em termos reais. Notáveis foram as indenizações de sinistros em seguros de pessoas, com alta de 15,3% no período citado, e a módica evolução dos resgates em produtos de previdência e capitalização, com crescimentos de apenas 6,6% e 6,7%, respectivamente, preservando-se assim captações liquidas positivas nesses produtos.

As seguradoras têm procurado se ajustar à situação econômica vigente. No 3° trimestre, é visível, por exemplo, a contenção de despesas adminis- trativas (evolução de -7,1% em termos reais ante o mesmo trimestre de 2015) bem como o aumento no resultado financeiro (alta real de 0,7%). No entanto, não foi possível obter no período crescimento do lucro líquido, que caiu 4,9% em termos nominais e 12,6% em termos reais. A rentabilidade do patrimônio líquido permaneceu elevada, alcançando 21,3%.

O carro-chefe dos seguros gerais – o grupo de seguro de automóveis – tem sentido duramente a recessão econômica. Tal grupo teve queda nominal da receita de 2,2% no 3° trimestre de 2016 ante o mesmo trimestre de 2015, correspondendo a uma perda de 10% em termos reais. Ao mesmo tempo, experimentou acréscimo de 4,8% nas indenizações de sinistros (-3,6% em termos reais).

A recessão, determinando forte retração nas vendas de veículos novos para o mercado interno, explica esse resultado negativo: no 3° trimestre de 2016, as vendas reais no varejo desses bens caíram 16% em comparação com o igual trimestre de 2015, resultado pior do que o observado no trimestre anterior.
A volta do crescimento desse grupo de seguros depende do fim da recessão, o que se espera ocorrer no primeiro semestre de 2017, mas uma ajuda importante veio do CNSP que deu nova e mais flexível regulamen- tação ao seguro do carro popular.

De fato, a Resolução CNSP n° 340, de 30/09/16 passou a permitir a utilização de peças similares às originais, com garantia dos fabricantes, o que não era previsto no normativo anterior que obrigava o uso de peças provenientes apenas dos desmontes de veículos. As seguradoras devem informem aos segurados o uso de tais peças o que significa implicitamente a necessidade de aval do segurado. Dado que a frota não segurada no país, especialmente de carros usados, é alta, a nova resolução é de fato muito positiva para um setor do mercado de seguros que se mantem atrativo no médio e longo prazo.

Evento da FenaSaúde recebe especialistas e autoridades para debater as escolhas necessárias para o setor

Fonte: Fenasaude

Últimos dias de inscrições gratuitas para o 2º Fórum da Saúde Suplementar – Escolhas Necessárias para o futuro, que acontecerá nos dias 23 e 24 de novembro, no Rio de Janeiro. A proposta do evento é discutir as escolhas da sociedade para garantir a sustentabilidade do setor e debater o retrato atual do mercado e os caminhos possíveis para o seu desenvolvimento nos próximos anos. Para garantir sua participação, clique aqui.

O fórum terá a presença de especialistas e autoridades, como o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, José Carlos Abrahão; vice-presidente de Finanças Globais, Edson Carlos de Marchi, superintendente do hospital do Coração (HCor), Ary Ribeiro; presidente do Conselho de Medicina e Saúde da ACRio, Josier Villar; desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Ney Wiedemann Neto; ministro do Superior Tribunal de Justiça, Paulo de Tarso Vieira Sansevereino; além do presidente da CNseg, Marcio Coriolano; e a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, entre outros.

“Trata-se de uma grande oportunidade reunir essas autoridades e especialistas para debater os atuais desafios do atendimento ao sistema de saúde. A partir dessas discussões, precisamos apontar caminhos para o desenvolvimento do mercado. O momento exige mudanças e o compromisso de todos – governo, operadoras, prestadores e beneficiários. Precisam sair de suas zonas de conforto em prol do futuro da Saúde Suplementar. Temos que fazer escolhas e o consumidor precisa estar consciente disso, como agente participativo”, afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde.

O 2º Fórum de Saúde Suplementar trará palestras e painéis sobre os desafios das escolhas impostas pelo cenário macroeconômico, com crescimento do desemprego e queda na geração de renda, resultando na perda de 1,6 milhão de beneficiários de planos de saúde e no encolhimento do poder econômico das famílias brasileiras; as decisões necessárias diante do envelhecimento populacional e consequente transição demográfica, da incorporação tecnológica acrítica e sem avaliação de impacto do custo-efetividade, a escalada crescente das despesas na saúde e, historicamente, acima das receitas e, ainda, a redução da capacidade de pagamento da população.

O fórum ainda promove a discussão do custo dos procedimentos médicos e a qualidade dos serviços oferecidos como fatores fundamentais para a tomada de decisão do consumidor, tornando-o mais consciente e participativo na gestão de sua própria saúde; a utilização de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) apenas com suporte em evidências médicas, dificultando fraudes e o implante sem a real necessidade comprovada; e, por fim, as escolhas do Poder Judiciário, que se refletem no aumento das despesas assistenciais em razão da ausência de pareceres técnicos de profissionais de saúde que possam embasar a tomada de decisão dos magistrados – no sentido oposto, iniciativas como os Núcleos de Apoio Técnico (NATs), formados por especialistas da área de saúde, são experiências positivas para diminuir o impacto da judicialização da saúde.

Evento: 2º Fórum de Saúde Suplementar – As Escolhas Necessárias para o Futuro
Datas: 23 e 24/11
Horário: 08h30 às 18h (dia 23) e 9h às 12h35 (24)
Inscrições gratuitas: clique aqui
Local: Hotel Sofitel
Shopping Cassino Atlântico – Av. Atlântica, 4.240, Copacabana, Rio de Janeiro.

Programação: http://www.cnseg.org.br/fenasaude/servicos-apoio/noticias/2-forum-da-saude-suplementar-e-o-poder-da-escolha-do-beneficiario.html

Boa parte das empresas aéreas renegocia seguro com descontos

Os principais seguros das empresas aéreas são renovados no período entre novembro e fevereiro. As negociações estão intensas e envolvem o mundo todo, uma vez que os custos de indenizações com a queda de uma aeronave são enormes e por isso suportados por um pool de seguradoras e resseguradoras espalhadas nos quatro continentes.

O blog Sonho Seguro foi entrevistar um dos corretores mais atuantes neste segmento. Veja o que Kedma Fonseca, diretora de resseguros da Aon Brasil, contou sobre o tema:

Como está o cenário mundial para renovação das apólices de aeronaves?

Em 2016 estamos vivenciando uma continuidade do soft market, principalmente para as empresas que não precisam comprar limites muito altos, pois podem beneficiar-se do excesso de capacidade que o mercado oferece. Para aquelas que necessitam utilizar quase toda a capacidade disponível do mercado, e especialmente as empresas que não têm uma sinistralidade muito boa, as renovações têm sido mais desafiadoras. Foi observada uma redução de 8% no prêmio de Cacos e Responsabilidade Civil em 2016 até agora. Um pequeno aumento em relação a 2015, que registrou 7% de redução. O excesso de capacidade é o grande responsável por essas reduções, pois a competição é grande e, às vezes, bastante agressiva.

Ao contrário de anos anteriores, neste não tivemos muitos acidentes. Isso ajudou a reduzir as taxas?

A sinistralidade está de fato inferior à média registrada nos últimos anos, porém os prêmios diminuíram tanto que mesmo agora, no início de novembro, os sinistros registrados no período são superiores à expectativa de prêmios para o ano. Isso significa que a baixa sinistralidade não tem sido o motivador da redução nas taxas. O que tem feito as taxas caírem é o excesso de capacidade e a competição daí advinda.

Por outro lado, temos uma crise mundial instalada e uma grande preocupação com a qualidade das manutenções. Isso tem sido um ponto observado na subscrição de risco?

Com o crescimento da indústria e uma busca por maior eficiência de combustível, a frota mundial tornou-se mais moderna. As técnicas de construção melhoradas resultaram em muito poucas falhas de Casco, sendo a causa provável dos acidentes mais atribuída a erro humano do que falhas na produção. Como resultado, quando acontece um acidente, o foco tem sido menos nos fabricantes de aeronaves e mais em outras partes envolvidas, como fabricantes de motores e oficinas de manutenção. Do ponto de vista da subscrição, essas empresas (oficinas de manutenção) que tem um resultado ruim estão tendo mais dificuldade em renovar seus seguros, mas isso não está afetando os níveis de preços para as Companhias Aéreas.

Os contratos fechados no Brasil têm a mesma taxa dos contratos globais?

Alguns critérios relacionados ao local de operação das aeronaves podem influenciar os níveis de taxação, como áreas do mundo com pouca infraestrutura de aviação, ou empresas que operam nos Estados Unidos (pelo seu caráter litigioso). Mas, as principais companhias aéreas brasileiras são cotadas com base em seus próprios méritos, e não em razão de uma classificação generalista.

Qual a diferença das taxas para o risco de voos nacionais e voos internacionais?

Do ponto de vista da Responsabilidade Civil, um vôo internacional tem uma chance muito maior de transportar pessoas de alto patrimônio líquido e passageiros internacionais, e consequentemente, em caso de acidente, haverá uma tentativa de levar o processo para ser julgado nos EUA, cujo histórico de indenizações é muito mais elevado. Quando os seguradores vão cotar um risco eles levam isso em consideração, sendo um dos critérios de subscrição o percentual de vôos internacionais da companhia.

Como anda a preocupação com o risco terrorismo?

O perfil da aviação significa que o terrorismo sempre será motivo de preocupação tanto para as companhias aéreas quanto para a indústria de seguros. A indústria da aviação, no entanto, vem conseguindo adaptar-se ao risco e, consequentemente, tem havido muito poucos incidentes graves atribuídos ao terrorismo desde 11 de setembro. A cobertura para riscos de Guerra e Terrorismo está, portanto, em grande parte estável ou mesmo em queda de preço.

E o risco de ataques de hackers, é algo que preocupa?

Um ataque cibernético a aeronaves é, sem dúvida, uma preocupação tanto para as companhias aéreas quanto para as seguradoras. Embora tenha havido ataques cibernéticos relacionados à venda de bilhetes e sistemas de bagagem, felizmente até agora não houve nenhuma ocorrência envolvendo uma aeronave ou Torre de Controle. Se isso acontecesse, o mercado de seguros reagiria rapidamente, mas por enquanto não há nenhum sinal de mudança relacionado a esse tipo de risco.

Qual o principal temor das empresas aéreas?

Sem dúvida, uma companhia aérea seria mais qualificada para responder a esta pergunta, mas o nosso entendimento é de que as principais preocupações seriam:

– Uma queda no tráfego de passageiros e/ou carga devido a condições econômicas ou outras, tais como pandemia, etc.
– Aeronaves no solo
– Má publicidade
– Custos Imprevistos