No acumulado do ano, de janeiro a setembro de 2016, o crescimento das vendas foi de 7,2%, para R$ 170,8 bilhões, menor do que os 12% registrados em mesmo período do ano passado, como mostra a tabela
por Lauro Faria, da Economista da Escola Nacional de Seguros
A arrecadação do mercado de seguros regulado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) foi de R$ 56,9 bilhões no 3° trimestre de 2016 aumentando, em termos nominais, 8,7% ante o mesmo trimestre de 2015 e permanecendo constante em termos reais (descontada a inflação). É um resultado auspicioso em tempos de recessão, porém, muito variado conforme os diversos grupos de seguros.
Assim, no mesmo período, a arrecadação bruta de produtos de acumulação cresceu 23,6%, fortemente influenciada pelo comportamento positivo do VGBL. Já o faturamento dos produtos de risco de seguros de pessoas aumentou apenas 4,1% em termos nominais (portanto, queda de 4,3% em termos reais). E as arrecadações de seguros gerais e de planos de capitalização decresceram fortemente: 4% e 0,7% em termos nominais, respectivamente, e 11,7% e 8,7% em termos reais.
Na área da Susep, as indenizações de sinistros e pagamentos de resgates de previdência e de capitalização e sorteios somaram, no 3° trimestre de 2016, R$ 29,3 bilhões, 4,5% acima do resultado de idêntico trimestre de 2015 em termos nominais, e -3,8% em termos reais. Notáveis foram as indenizações de sinistros em seguros de pessoas, com alta de 15,3% no período citado, e a módica evolução dos resgates em produtos de previdência e capitalização, com crescimentos de apenas 6,6% e 6,7%, respectivamente, preservando-se assim captações liquidas positivas nesses produtos.
As seguradoras têm procurado se ajustar à situação econômica vigente. No 3° trimestre, é visível, por exemplo, a contenção de despesas adminis- trativas (evolução de -7,1% em termos reais ante o mesmo trimestre de 2015) bem como o aumento no resultado financeiro (alta real de 0,7%). No entanto, não foi possível obter no período crescimento do lucro líquido, que caiu 4,9% em termos nominais e 12,6% em termos reais. A rentabilidade do patrimônio líquido permaneceu elevada, alcançando 21,3%.
O carro-chefe dos seguros gerais – o grupo de seguro de automóveis – tem sentido duramente a recessão econômica. Tal grupo teve queda nominal da receita de 2,2% no 3° trimestre de 2016 ante o mesmo trimestre de 2015, correspondendo a uma perda de 10% em termos reais. Ao mesmo tempo, experimentou acréscimo de 4,8% nas indenizações de sinistros (-3,6% em termos reais).
A recessão, determinando forte retração nas vendas de veículos novos para o mercado interno, explica esse resultado negativo: no 3° trimestre de 2016, as vendas reais no varejo desses bens caíram 16% em comparação com o igual trimestre de 2015, resultado pior do que o observado no trimestre anterior.
A volta do crescimento desse grupo de seguros depende do fim da recessão, o que se espera ocorrer no primeiro semestre de 2017, mas uma ajuda importante veio do CNSP que deu nova e mais flexível regulamen- tação ao seguro do carro popular.
De fato, a Resolução CNSP n° 340, de 30/09/16 passou a permitir a utilização de peças similares às originais, com garantia dos fabricantes, o que não era previsto no normativo anterior que obrigava o uso de peças provenientes apenas dos desmontes de veículos. As seguradoras devem informem aos segurados o uso de tais peças o que significa implicitamente a necessidade de aval do segurado. Dado que a frota não segurada no país, especialmente de carros usados, é alta, a nova resolução é de fato muito positiva para um setor do mercado de seguros que se mantem atrativo no médio e longo prazo.


















