Portaria autoriza Youse a operar, com controle da francesa CNP e Caixa Seguridade

Superintendência de Seguros Privados

Portaria nº 7.087, de 23 de março de 2018

O SUPERINTENDENTE DA SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS – SUSEP, no uso da competência delegada pelo Ministro de Estado da Fazenda, por meio da Portaria n. 151, de 23 de junho de 2004, tendo em vista o disposto na alínea a do artigo 36 do Decreto-Lei n. 73, de 21 de novembro de 1966 e o que consta do processo Susep 15414.630784/2017-67, resolve:

Art. 1º Aprovar as seguintes deliberações tomadas pelos sócios de YOUSE SEG PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n. 24.856.160/0001- 03, com sede na cidade de São Paulo – SP, na assembleia geral de transformação realizada em 27 de maio de 2016 e pelos membros do conselho de administração de YOUSE SEGURADORA S.A., na reunião também realizada em 27 de maio de 2016:

I – Transformação da sociedade em sociedade anônima;

II – Alteração da denominação social para YOUSE SEGURADORA S.A.;

III – Aumento do capital social, no montante de R$ 39.999.000,00, elevando-o para R$ 40.000.000,00, dividido em quarenta milhões de ações ordinárias nominativas, sem valor nominal;

IV – Alteração do objeto social, para contemplar exploração de operações de seguros de danos e pessoas, em todo o território nacional;

V – Mudança do endereço da sede social para: Setor Hoteleiro Norte, Quadra 01, Conjunto A, Bloco E, Sala 201, Parte A, CEP 70701-050, Brasília – DF;

VI – Eleição de administradores; e

VII – Aprovação do estatuto social.

Art. 2º Conceder a YOUSE SEGURADORA S.A. autorização para operar seguros de danos e de pessoas em todo o território nacional.

Art. 3º Ratificar que o controle acionário e a ingerência efetiva nos negócios de YOUSE SEGURADORA S.A. são exercidos por CNP ASSURANCES S.A., sociedade constituída e existente de acordo com as leis da República Francesa; CNP ASSURANCES BRASIL HOLDING LTDA, CNPJ n. 05.088.193/0001-06, com sede na cidade de Brasília – DF; e CAIXA SEGURIDADE PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ n. 22.543.331/0001-00, com sede na cidade de Brasília – DF, conforme Acordo de Acionistas da Holding de Controle S.A., de 29 de dezembro de 2011 e Primeiro Aditamento ao Acordo de Acionistas da CAIXA SEGUROS HOLDING S.A., de 29 de agosto de 2016.

Art. 4º A sociedade deverá adequar o artigo 30 do estatuto social ao disposto no artigo 94 do Decreto-Lei n. 73, de 1966, na primeira assembleia geral a ser realizada após a publicação desta portaria.

Art. 5º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.

JOAQUIM MENDANHA DE ATAÍDES

JB: O Futuro do Automóvel – Da Destruição Criativa à Inovação Disruptiva 

Fonte: JB

A dinâmica do capitalismo e os efeitos das inovações sobre a atividade econômica foram magistralmente descritos pelo economista austríaco Joseph Schumpeter (1883/1950) que cunhou o conceito de “destruição criativa”. Trata-se de fenômeno pelo qual o aparecimento de uma tecnologia ou o desenvolvimento de um processo de inovação tem o poder de destruir mercados, produtos e modelos de negócios de empresas consolidadas, criando uma mudança estrutural e definitiva na oferta do setor produtivo que experimentou tal inovação, mas abrindo uma janela de oportunidades para a reciclagem de empresas e o crescimento da economia.

Mesmo com toda a dificuldade para a avaliação de efeitos do impacto da eclosão de processos tecnológicos disruptivos, há elementos teóricos que nos permitem formular a hipótese de que a indústria automotiva internacional se encontra no limiar de ciclo de grandes transformações. As mudanças estruturais no setor automotivo estão em compasso com impactos de igual magnitude em outros ramos da economia, englobando as indústrias de automação, informática e processadores, telecomunicações e telefonia, atividades de gerenciamento e armazenagem de dados, infraestrutura urbana e rodoviária, transporte de pessoas e cargas, venda e comercialização de autos, organização da prestação de serviços vinculados ao uso de automóveis de aluguel ou compartilhado, com efeitos sobre a prestação de serviços de segurança no transporte etc.

Notadamente, a atividade de seguros será afetada fortemente por tais inovações com impactos sobre o ordenamento jurídico (normativo e regulatório) que atualmente rege a assunção de responsabilidade e os contratos de seguro em especial as coberturas de natureza indenizatória, relacionadas às eventuais “falhas” de atores/ agentes envolvidos no novo ambiente, e suas relações com a atividade e os processos de fabricação, comercialização e uso de automóveis.

A Revolução Industrial 4.0 e o automóvel 

Essa nova realidade será o fruto de uma nova concepção industrial, a chamada Indústria 4.0, que aglutina tecnologias inovadoras com o uso de tradicionais, em novos formatos de processos e produção, como podemos verificar nos arranjos que emergem da criação de protótipos em uso desde o ano de 2013 onde grandes empresas montadoras convivem em associação, com empresas de tecnologia situações reais, com a expectativa do alcance de mais 1.300 milhão ao longo dos próximos dois anos.

O impacto do uso de tais tecnologias e a configuração de mudanças estruturais em diversos setores da economia tem contribuído para a adoção de esforços e incentivos ao desenvolvimento de tais inovações, por parte de governos (Reino Unido, Alemanha, Japão) seja ao nível federal quanto estadual, Cingapura, também colocou em pratica um projeto de incentivo ao uso carro com condução autônoma, focando no transporte de passageiros em especial serviços de taxi em áreas delimitadas.

O auto do futuro é um sistema integrado de materiais recicláveis e cambiáveis, gerido por plataformas digitais móveis. No segmento de autos de passeio, deixará de ser uma peça de ostentação e uso exclusivo, passando a ser um produto solidário, cooperativo e passível de compartilhamento no uso.  Como no caso dos computadores, o carro do futuro passará por alguns upgrades antes do seu descarte.

No segmento de autos para uso comercial, teste com caminhões de transporte de cargas e utilitários para uso em minas (Volvo na Suécia), fazendas e canaviais (Volvo no Brasil), tem apresentado desempenho (consumo de combustíveis, desgastes de materiais em percentuais inferiores aos de uso envolvendo a tecnologia tradicional e nenhum acidente envolvendo pessoas).

Embora os testes ainda se encontrem em fase embrionária a possibilidade de acesso a áreas de alta insalubridade (minas,) trabalho noturno em temperaturas oscilantes (fazendas) e áreas extensas (canaviais) com rotinas rígidas situações operacionais em longo de períodos, sem a possibilidade de acidentes (noventa por cento, associados com a presença de fadiga e falha humana), o que pode agregar elevados ganhos de produtividade às atividades. A grande vantagem apresentada nos testes é a possibilidade da utilização dessa tecnologia em ambientes inóspitos e a eliminação de situações de elevado estresse psicológico.

Um nova regulação estatal para os automóveis

Uma grande mudança na regulação estatal incidente sobre o transporte de pessoas e carga e o arcabouço legal vinculado (tributário, contratual, direitos e obrigações).

Isto significará maior ênfase na segurança com a minimização de situações passiveis de colisão e acidentes, como o recente acidente envolvendo um automóvel em teste pela UBER em parceira com a VOLVO, o que obrigou a uma paralisação temporária dos testes, por conta da ocorrência de uma fatalidade que ocasionou a perda da vida de uma ciclista.

No entanto a nova tecnologia, apresenta indicadores mais do confiáveis em experimentos repetidos em quase dezenas de milhões de milhas de teste. A grande vantagem da tecnologia apresenta é o fato de  ter elevada funcionalidade,  ser totalmente elétrico, não ter nenhuma combustão e geração de calor,  ou qualquer tipos de contaminação ambiental e zero emissão de poluentes, na modalidade hibrida detém maior flexibilidade no uso de múltiplos combustíveis ou fontes de células de energia e alto valor adicionado em programas e processadores. Estima-se que esse automóvel, que já existe experimentalmente, estará disponível ao público nos próximos 5 a 15 anos.

Outra característica é que serão autos que se comunicam entre si e com os sinais de trânsito e sistemas de gerenciamento de trafego urbano e estradas. Efetuarão comunicação com estacionamentos e centrais de monitoramento de vagas e receberão informação de centrais de controle de congestionamentos, ao mesmo tempo em que serão carros dotados de instrumentos capazes de gerir sistemas complexos de dados.

“As estatísticas demonstram que o futuro será feminino”

Fonte: Escola Nacional de Seguros

Nos últimos 15 anos, a presença feminina na chefia de famílias brasileiras cresceu 105%, passando de 14,1 milhões, em 2001, para 28,9 milhões em 2015. Os dados fazem parte do estudo “Mulheres chefes de família no Brasil: avanços e desafios”, coordenado pela Escola Nacional de Seguros.

O trabalho foi apresentado em eventos homônimos realizados nos dias 22 e 23 de março, em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. As palestras foram conduzidas pela diretora de Ensino Técnico da Escola, Maria Helena Monteiro, e por José Eustáquio Diniz, um dos demógrafos responsáveis pelo estudo.

O estudo foi desenvolvido a partir do cruzamento de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2001-2015), do IBGE. Nesse período, o total de famílias brasileiras comandadas por mulheres passou de 27,4% para 40,5%.

Para Maria Helena, o aumento da chefia feminina é uma tendência irreversível. “As mulheres estão ganhando espaço em todos os cenários, independente de região, faixa etária ou classe social”.

A pesquisa aponta que a expansão do comando das mulheres é mais acentuada nas famílias de núcleo duplo (casais com e sem filhos). Ao longo de 15 anos, o número de mulheres chefes passou de 1 milhão para 6,8 milhões, nos casais com filhos, um aumento de 551%.

Entre os casais sem filhos, o percentual de crescimento foi ainda maior: de 339 mil famílias para 3,1 milhões, uma expansão de 822%. “Se essas tendências continuarem, provavelmente em 15 anos as mulheres serão maioria como chefes de família. As estatísticas demonstram que o futuro será feminino”.

Jornada dupla

José Eustáquio Diniz destaca, que o Brasil passou por grandes transformações econômicas, sociais e demográficas nas últimas décadas, com diversificação da estrutura produtiva e a abertura de novas oportunidades de trabalho e de aumento dos níveis de escolaridade, especialmente para o sexo feminino.

Ele ressalta, no entanto, que a participação das mulheres no comando das famílias pode muitas vezes prejudicar o desenvolvimento profissional das mesmas, que ficam sobrecarregadas com as tarefas domésticas e demandas dos filhos. “Houve uma revolução incompleta. As mulheres entraram para o mercado de trabalho e para a vida pública, porém os homens não entraram para a vida doméstica na mesma proporção”.

De acordo com Maria Helena o trabalho doméstico não é quantificado e não é contabilizado pelo PIB, mas o tempo dispensado nessas tarefas seria equivalente a milhões na economia do País. “É uma economia oculta. Se as mulheres estivessem menos ocupadas com o trabalho doméstico e mais dedicadas a questões produtivas, o impacto na economia seria muito positivo”.

O estudo voltará a ser tema de debate em evento on-line, no dia 27 de março, às 16h. A participação é gratuita. O download do estudo completo está disponível no site da Escola, www.ens.edu.br, que também é o canal para inscrições no webinar.

Susep autoriza Youse a atuar como seguradora digital

Finalmente chegou ao fim o primeiro capitulo da série estilo NetFlix da Youse. A partir de segunda-feira, oficialmente ela é a seguradora digital da Caixa Seguridade. A autorização foi dada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e será publicada no Diário Oficial de segunda-feira, dia 26.

Foi protagonista de uma série no estilo NetFlix. Essa inovadora seguradora, mesmo sendo ligada ao governo, teve de enfrentar quase dois anos de disputas para entrar no ar oficialmente. Já vendeu centenas de seguros de forma totalmente digital, mesmo durante as disputas para se manter no ar e a previsão agora é fazer ajustes para deslanchar em vendas.

Se tem corretor, se é moeda de troca para captar mais recursos num futuro IPO da Caixa, e se é a maior anunciante no setor de seguros do País com dinheiro público são debates para os próximos episódios. O primeiro capítulo encerrado nesta sexta-feira é que a Youse é uma seguradora e atendeu todos os requisitos da regulamentação da Susep para atuar como tal e vender seguro de carro, residência e vida.

Pioneira no mundo digital brasileiro, a Youse começou a operar em meados de 2015 após uma decisão da Caixa Seguradora de que era o momento de evoluir para o mundo das seguradoras online. Mas ai fez uma propaganda ofensiva aos corretores, dizendo que ninguém mais precisaria consultar um vendedor, e foi suspensa. Não por ter dito isso, mas porque isso ampliou a potência da lupa do órgão regulador, que encontrou uma série de irregularidades, que agora foram sanadas.

Seguiu vendendo seus produtos via web. Em menos de dois minutos é possivel comprar apólices. Os preços, segundo pesquisa de corretores, ainda está igual ou acima dos ofertados de forma tradicional. Mas a tendência é de ter um custo menor por ser uma operação “sem papel” e “sem corretor”, no entanto tem de direcionar uma parte do valor pago pelo cliente como comissionamento para um fundo como determina a lei. Parte dessa verba é direcionada para educação por meio da Escola Nacional de Seguros.

Agora o jogo é pra valer em seguros. Muitas seguradoras aguardavam o desfecho da Youse para lançarem suas plataformas digitais. Há mais de 50 insurtechs no Brasil cadastradas pela Conexão Fintech, que realiza no início de abril um seminário sobre o tema em São Paulo.

O entendimento de especialistas agora é que foi dada a largada para uma revolução digital. Seguro para tudo, de todos os preços, de forma rápida. O consumidor que se prepare para escolher e não levar gato por lebre. Todo novo mercado é passível de erros e acertos. Por isso, muita atenção na hora de escolher proteções com um clique, na palma da mão. Peça ajuda ao seu corretor ou consultor financeiro. E boa sorte!

Transporte: maior rigor nas apólices

O Valor Econômico publicou a revista Logística, que traz u m raio X do segmento. Nele, uma matéria conta como a violência tem afetado o seguro transporte e mudado a estratégia das seguradoras neste ramo. Leia mais no link   da revista que está no porta do jornal.

Minuto Seguros contrata Romilson Bastos, ex Itaú, para gerir área de marketing

A Minuto Seguros, uma das principais corretoras do País e líder no segmento de seguros online, acaba de trazer um novo integrante para o time de marketing. A corretora contratou um CMO (Chief Marketing Officer) que vai liderar a equipe de marketing numa fase de expansão. É a primeira vez que o cargo é ocupado na Minuto Seguros.

O dono da nova posição é Romilson Bastos, administrador de empresas formado pela USP e com MBA pela Kellogg School of Management. Antes de ingressar na Minuto, Romilson liderou equipes de marketing no Itaú, Itautec e OKI Brasil.

“É um grande desafio e percebi rapidamente que a proposta da Minuto era irrecusável. A corretora está em posição privilegiada para crescer num mercado com muitas oportunidades. Nosso apetite é grande, ou seja, a agenda de marketing será muito intensa e divertida. Além disso (e tão importante quanto, para minha decisão), percebi que Marcelo Blay, CEO da Minuto, conseguiu transferir seu DNA para a empresa, que é eficiente e humana, inovadora e sólida. O futuro é promissor e fazer parte será um grande prazer.”, relata Romilson, novo CMO da Minuto Seguros.

Carta do Seguro: Setor avança 2,3% em janeiro

Fonte: Carta do Seguro, CNseg

Por Márcio Coriolano, presidente da CNseg

Liberados pela Susep os dados de janeiro, o desempenho global calculado em série de 12 meses móveis mostrou avanço de 2,3%, sem contar o Seguro DPVAT e a Saúde Suplementar. O fechamento de 2017 havia resultado em crescimento de 4,6%.

Entretanto, a diferente dinâmica dos vários segmentos do setor de seguros pede análise mais desagregada dos totais, bem como a consideração de sazonali- dades, que são claras nesse mercado. As análises devem considerar, pelo menos, a segregação do comportamento do mercado entre os ramos de patrimônios e responsabilidades (Ramos Elementares), de vida e previdência (Pessoas) e de Capitalização. E também as divisões dentro dos dois primeiros agrupamentos.

Sob esse ângulo, ainda pelas séries de 12 meses móveis que retiram sazonalidades, em janeiro, o segmento de RE prosseguiu em recuperação resiliente, com crescimento de 6,8% (contra os 6,6% em 2017). Destaque para o ramo Automóveis, que cresceu 7,2%. Merecem registro também os ramos Habitacional (9,8%), Patrimonial – Massificados (9,4%), devido ao crescimento dos produtos Residencial (condomínio e empresarial) e Crédito e Garantia (18,0%).

Já o segmento de Pessoas, com aumento de 1,1%, mostrou comportamento distinto em cada um dos seus ramos mais repre- sentativos. Assim é que o VGBL permanece afetado pelo ciclo econômico e dos negócios, que imprimiram preferência aos ativos nanceiros. O comportamento da inflação e da taxa de juros ainda produz efeitos fortes. A queda dos planos de acumulação foi de 1,9% (após crescimento de 2,6% em 2017).

Nos planos de risco, permanece a tendência de liderança dos seguros de vida individual no regime de risco, com 21,8%. Embora o Seguro Prestamista dessa modalidade continue com maior representatividade (37,8% de aumento).

Os planos de capitalização apresentaram queda de 1,6%, nos 12 meses encerrados em janeiro de 2018, a mesma também observada em 2017. Em valores, o setor segurador movimentou R$ 18,8 bilhões em janeiro, com DPVAT.

As provisões técnicas acumuladas chegaram a R$ 914,3 bilhões e os ativos totais a R$ 1.054,1 bilhões. Com esses números, não se pode duvidar da capacidade de contribuição e persistência do mercado de seguros.

A seguir, uma série gráfica comparativa do desempenho de Ramos Elementares e de Pessoas em janelas móveis de 12 meses, até janeiro deste ano.

 

 

 

 

 

 

por Lauro Faria, economista da Escola Nacional de Seguros

A arrecadação de prêmios e contribuições do mercado segurador regulado pela Susep alcançou R$ 18,8 bilhões em janeiro, o que representou queda de 6,7% sobre a arrecadação de igual mês de 2017. Em grande medida, tal queda pode ser explicada pelo desempenho de dois produtos de alta expressividade no mercado: VBGL e DPVAT, que tiveram retração de aportes e prêmios de, respectivamente, 23,4% e 19,5% nas bases de comparação citadas.

No caso do DPVAT, como se sabe, houve nova decisão do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), em ns de 2017, reduzindo, em 2018, o prêmio desse seguro obrigatório. No caso do VBGL, a queda re ete o impacto do ciclo de baixa da taxa de juros Selic sobre a rentabilidade desses planos e daí sobre suas contribuições. Uma vez que, como se espera, o Banco Central será bem mais conservador no processo de xação da taxa Selic em 2018, é possível prever recuperação das inversões em VGBL à frente.

Assim, fazendo-se o cálculo da arrecadação sem esses dois produtos, emerge resultado oposto, ou seja, o mercado cresceu 8,8% em janeiro de 2018 sobre janeiro de 2017, portanto, acréscimo real de 5,6%, dada a in ação de 3% (IPCA). É, dessa forma, um excelente resultado. Mais ainda: o crescimento foi disseminado e forte em quase todos os grupos e ramos de seguros, destacan- do-se os seguros de automóveis (+14,6%), seguros patrimoniais massi cados (+17,7%), seguro habitacional (+11,3%), seguro de transportes (+12,8%), extensão de garantia (+19,7%) e planos de risco de coberturas de pessoas (+10,1%). Mesmo o PGBL teve acréscimo de contribuições de 5,6%, distanciando-se assim do VGBL.

Tais resultados positivos são consistentes com o processo de retomada do crescimento da economia brasileira e seus efeitos bené cos sobre o mercado segurador. De fato, todos os indicadores macroeconômicos do Brasil entraram em fase conjunta de expansão no 4° trimestre de 2017. Na série dessazonalizada, o PIB cresceu 2,1% nesse trimestre em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, acumulando alta de 1% em 2017 perante 2016. A produção industrial avançou 4,8% no 4° trimestre de 2017, em comparação com o mesmo período de 2016, e 2,5% em 2017, contra 2016. As vendas reais no varejo tiveram evolução semelhante: 3,9% de alta no trimestre e 2,0% no acumulado do ano.

Agora, no início de 2018, continuaram a sair dados favoráveis: o volume de vendas no comércio varejista cresceu 3,2% em janeiro passado sobre o mesmo mês de 2017 e 2,5% no acumulado em 12 meses, segundo o IBGE. A produção industrial, apesar de um janeiro fraco, registrou alta de 5,7% sobre janeiro de 2017 e 2,8% no acumulado em 12 meses. A taxa de desocupação foi de 12,2% da população economicamente ativa (PEA) na média entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, 0,4% inferior à registrada no mesmo período do ano passado. Finalmente, a in ação no primeiro bimestre do ano recuou para 0,6%, menor percentual para esse bimestre desde a edição do Plano Real.

Todos esses desenvolvimentos repercutiram positivamente sobre as expectativas econômicas para 2018. Conforme divulgado no Boletim Focus do Banco Central, as medianas das expectativas de crescimento do PIB e da produção industrial subiram para 2,9% e 4%, respectivamente, e a da in ação caiu para 3,7%. A expectativa de diminuição da in ação permitiu também reduzir a pro- jeção da taxa Selic para 6,5% ao m de 2018. Obviamente, a incerteza eleitoral continua pesando sobre a economia de modo que a melhora dos valores centrais das expectativas é concomitante com aumento signi cativo de suas variâncias. De todo modo, a melhora da economia sempre tende a intensi car o crescimento do mercado segurador.

No mercado como um todo (exceto DPVAT), a sinistralidade situou-se em 41,1% em janeiro de 2018, 1,3 p.p. inferior ao dado veri- cado no mesmo mês de 2017. A sinistralidade do grupo de seguros de ramos elementares foi de 48,7%, com queda de 1,5 p.p. na mesma base de comparação, e a do grupo de planos de risco de coberturas de pessoas foi de 26,1%, também com queda de 0,6 p.p. sobre janeiro de 2017. O índice de despesas de comercialização manteve-se praticamente estável em 22,4% no grupo de ramos elementares e passou a 32,1% no grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, 2,3 p.p. acima do ocorrido em janeiro de 2017. No mercado como um todo (exceto DPVAT), esse índice foi de 25,7%, 0,9 p.p. acima de janeiro de 2017.

A margem bruta (100% – sinistralidade – índice de despesas de comercialização) aumentou, portanto, em 0,4 p.p. na citada base de comparação, indicando melhora no processo de subscrição de risco, certamente, uma reação das seguradoras à queda do resultado nanceiro dada a redução dos juros. De fato, tal resultado teve redução de 17,8% em janeiro último em compa- ração com igual mês de 2017. Entretanto, a referida melhora técnica permitiu que o lucro líquido agregado das seguradoras na área da Susep subisse 3,1% nessa base de comparação. A rentabilidade do patrimônio líquido agregado das seguradoras cou em 20% em janeiro de 2018, 2,7 p.p. inferior ao resultado de janeiro de 2017. O total de provisões dessas companhias atingiu R$ 882,9 bilhões, 15,5% acima do dado de janeiro de 2017.

Na Saúde Suplementar, os últimos dados o ciais da ANS ainda se referem a setembro de 2017. Assim, nos três trimestres de 2017, a receita de contraprestações foi de R$ 133,7 bilhões, 10,5% acima do mesmo período de 2016. A sinistralidade nesse mesmo período caiu de 84,2% para 83,5%.

Planos de saúde registram três meses consecutivos de crescimento do número de beneficiários

Pelo terceiro mês seguido, o número de beneficiários de planos de saúde cresceu no Brasil, após certa irregularidade desse indicador no ano passado. Em fevereiro, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 47,4 milhões de consumidores são atendidos na rede privada de assistência à saúde – saldo positivo de 54.041 novos planos, na comparação com janeiro deste ano. Essa alta é alavancada, mais uma vez, pelo crescimento do segmento empresarial, com mais 72.989 vidas. Além dele, o plano coletivo por adesão registrou leve aumento de 3.046 vínculos. Na contramão dessa tendência, no mesmo período, a segmentação individual perdeu 21.647 consumidores.

“O segmento de planos de saúde está intrinsecamente associado ao desempenho econômico, com a criação formal de vagas de emprego e incremento da renda. Esse resultado é mais um reflexo da recuperação inicial das atividades econômicas”, explica Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

No mês passado, o setor de Saúde Suplementar registrou 70,4 milhões de beneficiários, sendo 47,4 milhões de consumidores de assistência médica privada e 23,0 milhões de clientes de planos exclusivamente odontológicos – mais 99.275 vidas, em comparação com janeiro. Os planos de saúde registraram 31,6 milhões de planos empresariais; 6,4 milhões de planos coletivos por adesão; e 9,1 milhões de planos individuais.

 

 

 

 

ARTIGO: Em ano de Copa, a história do seguro para atletas que não vingou no Brasil

Escrito por Marcelo Gama, diretor técnico de Non Marine da JLT Resseguros. O executivo se dedica ao mercado segurador há 20 anos

 

No fim dos anos 1990 com as expectativas para, finalmente, acontecer a tão sonhada abertura do mercado ressegurador brasileiro, havia uma notável movimentação de interessados internacionais em ocupar um espaço no novo mercado que se imaginava atingir um volume de prêmio de US$ 3 bilhões.

Uma verdadeira ponte aérea entre Europa e Brasil se formou, com resseguradores viajando para aprofundarem os conhecimentos sobre o nosso mercado. Grandes companhias demonstraram interesse de se estabelecer como “ressegurador local”, para usufruir do Direito de Recusa (“First Refusal Right”) que, naquele primeiro momento, seria de 60% de cada oferta.

Nesse cenário, embarquei rumo a Londres e fui procurar um broker inglês que ainda não tivesse uma representação por aqui. Naquele magnífico mercado, me deparei com algumas soluções de seguro que nunca tinha visto, tais como stock throughput, environmental impairment liability, port operators, solvency margin surplus relief, motorway PD & BI, dread disease, decennial insurance, entre outros.

Um deles me despertou grande interesse: o sports PA (personal accident) – o seguro para atletas. As alternativas de coberturas são muito interessantes, podendo proteger não só o atleta, em caso de invalidez prematura, como sua família, o clube ou o empresário, em caso de morte. Nos apressamos e traduzimos os termos e condições do seguro e promovemos palestras no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Em 2001, chegamos a implantar uma facility através do IRB que retrocedia 100% para um consórcio de sindicatos do Lloyd’s of London, liderado pelo Mum (Syndicate nº 9264), e que foi renovada por quatro anos seguidos, porém sem qualquer risco declarado. Todavia, existia um notável interesse das federações paulista e carioca em oferecer essa cobertura aos clubes.

Um underwriter britânico esteve no Rio onde visitamos alguns clubes e, depois, a Federação Paulista. Um fato interessante ocorreu na ida ao Fluminense, quando fomos levados à sala de troféus onde tem uma foto mostrando a visita dos nobres ingleses Edward e George (que depois tornou-se George VI, rei da Inglaterra) e que são presidente e vice-presidente de honra do tricolor carioca.

Depois de muitas tentativas, divulgação para a imprensa e uma entrevista na TV, foram apresentadas cotações para vários atletas individualmente e para os clubes coletivamente. Algumas rodadas de negociações depois, a Susep (Superintendência

de Seguros Privados) exigiu que a seguradora apresentasse a sua experiência histórica e atuarial sobre o seguro que estava tentando a aprovação para comercializar no país, o que logicamente não foi possível e emperrou todo o processo. Logo, o consórcio do Lloyd’s declinou de continuar dando suporte à facility e o sonho acabou!

Este tipo de seguro é extremamente difundido nos países europeus e norte-americanos. O futebol moderno envolve cifras multimilionárias e, alguns super jogadores manipulam valores praticamente inseguráveis que, às vezes, impõe a adoção de limites que podem ser considerados insatisfatórios.

Recentemente um importante jogador de um time brasileiro, foi diagnosticado com uma doença grave que vai afastá-lo dos campos por longo período. O clube, além de suportar as elevadas despesas com o tratamento, vai continuar pagando o salário. O seguro cobriria essas despesas, até o limite do valor. Isso sem falar das rotineiras contusões cujos os gastos de recuperação podem ser cobertas por uma apólice.

Há uma atraente lacuna a ser explorada. Um novo esforço coletivo poderia ser realizado para trazer para cá essa importante proteção. É primordial desenvolver uma estratégia para a preparação das notas técnicas e atuariais, em conjunto com uma ou mais companhias interessadas, e obter finalmente a aprovação da Susep.

 

Wiz inicia negociação com Caixa

A Wiz anunciou ontem em nota enviada a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o início de negociações com a Caixa Seguridade, com a CNP Assurances e com a Caixa Seguros Holding com o objetivo de estabelecer as condições de sua atuação no balcão da Caixa Econômica Federal. Logo após o anúncio, as ações da Wiz subiram 12%, cotadas a R$ 11,34.