“As estatísticas demonstram que o futuro será feminino”

Fonte: Escola Nacional de Seguros

Nos últimos 15 anos, a presença feminina na chefia de famílias brasileiras cresceu 105%, passando de 14,1 milhões, em 2001, para 28,9 milhões em 2015. Os dados fazem parte do estudo “Mulheres chefes de família no Brasil: avanços e desafios”, coordenado pela Escola Nacional de Seguros.

O trabalho foi apresentado em eventos homônimos realizados nos dias 22 e 23 de março, em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. As palestras foram conduzidas pela diretora de Ensino Técnico da Escola, Maria Helena Monteiro, e por José Eustáquio Diniz, um dos demógrafos responsáveis pelo estudo.

O estudo foi desenvolvido a partir do cruzamento de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2001-2015), do IBGE. Nesse período, o total de famílias brasileiras comandadas por mulheres passou de 27,4% para 40,5%.

Para Maria Helena, o aumento da chefia feminina é uma tendência irreversível. “As mulheres estão ganhando espaço em todos os cenários, independente de região, faixa etária ou classe social”.

A pesquisa aponta que a expansão do comando das mulheres é mais acentuada nas famílias de núcleo duplo (casais com e sem filhos). Ao longo de 15 anos, o número de mulheres chefes passou de 1 milhão para 6,8 milhões, nos casais com filhos, um aumento de 551%.

Entre os casais sem filhos, o percentual de crescimento foi ainda maior: de 339 mil famílias para 3,1 milhões, uma expansão de 822%. “Se essas tendências continuarem, provavelmente em 15 anos as mulheres serão maioria como chefes de família. As estatísticas demonstram que o futuro será feminino”.

Jornada dupla

José Eustáquio Diniz destaca, que o Brasil passou por grandes transformações econômicas, sociais e demográficas nas últimas décadas, com diversificação da estrutura produtiva e a abertura de novas oportunidades de trabalho e de aumento dos níveis de escolaridade, especialmente para o sexo feminino.

Ele ressalta, no entanto, que a participação das mulheres no comando das famílias pode muitas vezes prejudicar o desenvolvimento profissional das mesmas, que ficam sobrecarregadas com as tarefas domésticas e demandas dos filhos. “Houve uma revolução incompleta. As mulheres entraram para o mercado de trabalho e para a vida pública, porém os homens não entraram para a vida doméstica na mesma proporção”.

De acordo com Maria Helena o trabalho doméstico não é quantificado e não é contabilizado pelo PIB, mas o tempo dispensado nessas tarefas seria equivalente a milhões na economia do País. “É uma economia oculta. Se as mulheres estivessem menos ocupadas com o trabalho doméstico e mais dedicadas a questões produtivas, o impacto na economia seria muito positivo”.

O estudo voltará a ser tema de debate em evento on-line, no dia 27 de março, às 16h. A participação é gratuita. O download do estudo completo está disponível no site da Escola, www.ens.edu.br, que também é o canal para inscrições no webinar.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS