CNseg Webinars: pandemia altera valores profundos relacionados ao modo de vida, trabalho


Evento discutiu o trabalho remoto e os impactos na cultura organizacional e na legislação

Fonte: CNseg

“A humanidade não se coloca desafios que não possa resolver”, disse o Presidente da Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg, Marcio Coriolano, ao abrir o CNseg Webinars “O Desafio do Trabalho Remoto e os Impactos na Cultura Organizacional”, realizado em 26 de agosto.   Coriolano lembrou ser grande o desafio que a humanidade enfrenta devido à atual crise epidemiológica, que criou uma crise de mobilidade e gerou a econômica, atingindo todos os setores econômicos, indistintamente. “A crise de mobilidade em nosso setor só não foi maior pelos avanços tecnológicos nas comunicações, que já haviam sido implantadas nas empresas”, afirmou. Complementou que outro elemento facilitador foi o fato de a maior parte do serviço prestado no setor ser de natureza intelectual, propensa ao trabalho remoto.    

Essa edição do CNseg Webinars contou, também, com a participação da Presidente da Comissão de RH da CNseg e VP de Capital Humano da SulAmérica, Patrícia Coimbra; da advogada, professora e escritora Vólia Bomfim e da sócia-fundadora da Betania Tanure Associados, Betania Tanure.    

A boa transição do setor para o regime de home office   

Na SulAmérica, afirmou Patrícia Coimbra, já existia uma experiência de home office anterior à pandemia que buscava a flexibilização para retenção de talentos, para a continuidade do negócio em caso de restrição de mobilidade e também por uma questão de sustentabilidade. Entretanto, em sua avaliação, mesmo as seguradoras sem essa experiência prévia conseguiram fazer essa transição repentina para o trabalho remoto com muita segurança e eficiência. “E o mercado continuou a trabalhar muito bem”, assegurou a Presidente da Comissão de RH da CNseg. Observou, porém, que o momento mais complexo e desafiador ainda está por vir, quando as organizações precisarão definir os novos modelos de atuação e de estrutura organizacional no mundo pós-pandemia.     

Mecanismos de consolidação da cultura organizacional devem ser ajustados   

Betania Tanure, por sua vez, afirmou que a questão do home office é apenas a “ponta de um iceberg”, pois essa crise, mais que sanitária ou econômica, é uma crise antropológica profunda e complexa, ao lidar com mudanças profundas no modo de viver, trabalhar e consumir. Segundo Betania, funcionários e consumidores buscam, cada vez mais, empresas que valorizam o bem-estar de seus funcionários e de toda a sociedade. “Para não perderem talentos e market share, as organizações precisam incorporar os conceitos de propósito e bem comum”, afirmou. Para Betania Tanure, os mecanismos de consolidação da cultura organizacional terão que ser ajustados, demandando autoconhecimento e flexibilidade, de forma a incorporarem novas formas de ver o mundo, viver e trabalhar. E salientou: “Ajustes que precisam de método, foco e, sobretudo, patrocínio da alta administração, mas nem todas estão preparadas”.    

Em sua participação, Vólia Bomfim, que é desembargadora aposentada, apresentou o que foi considerado pelo Presidente da CNseg uma verdadeira aula magna sobre as questões trabalhistas que envolvem o home office, também denominado de teletrabalho na legislação.    

Trabalhadores devem concordar expressamente com o regime do teletrabalho   

A Lei que rege o teletrabalho é a 13.467/2017, que o define como “a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação”. Ainda de acordo com a legislação, “a prestação de serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente do contrato individual de trabalho, que especificará as atividades que serão realizadas pelo empregado”. Entretanto, devido à necessidade de distanciamento social acarretada pela pandemia, o Governo editou em 22 de março de 2020 a Medida Provisória 927, que flexibilizava essa lei, permitindo que os empregados fossem colocados em regime de teletrabalho sem a necessidade de aceitação expressa por parte destes. O problema, porém, começou quando o Senado não votou a tempo a validade da MP, fazendo com que perdesse a validade em 19 de julho, gerando insegurança jurídica para os empregadores.    

Apesar de não haver uma resposta jurídica segura para o imbróglio, o conselho de Vólia Bonfim é que os empregados sejam agora colocados em regime de teletrabalho de acordo com as definições da Lei 13.467, inclusive com a assinatura de acordo bilateral para tal. Em caso de aceite por parte do empregado, o funcionário fica ciente de que não terá mais direito a horas extras, adicional noturno, tempo mínimo entre as jornadas, controle de folha de ponto, entre outros direitos e deveres expressos no Decreto-Lei 5.452/1943, que aprova a Consolidação das Leis Trabalhistas mas, em seu inciso 3 do artigo 62, exclui os trabalhadores em teletrabalho desses direitos. Caso, porém, o empregado não aceite esse regime, a empresa deverá providenciar sua volta ao trabalho presencial. Nesse caso, será necessário oferecer todas as condições ambientais adequadas para recebê-lo e, assim, evitar que venha a alegar que foi contagiado por conta de seu retorno.   

Como ficam as horas extras e a compensação da jornada de trabalho?  

Segundo Vólia Bonfim, outra insegurança gerada pelo fim da validade da MP 927 relaciona-se à compensação da jornada de trabalho. Enquanto a Medida Provisória (MP) esteve em vigor, autorizava que as horas negativas (de quem está em casa, recebendo sem trabalhar) e as positivas (daqueles trabalhando além da jornada natural) fossem compensadas em até 18 meses contados a partir de 31 dezembro de 2020. Com a perda de validade dessa MP, Vólia Bonfim aconselha que o empregador pegue um extrato dessas horas em 19 de julho (último dia de validade da MP) e considere o período anterior regido pela MP 927 e, o posterior, pelas regras da CLT, que autoriza a compensação em até seis meses para acordos individuais escritos e 12 meses para os acordos coletivos.    

Orientações aos empregados em home office a respeito das normas de medicina e segurança do trabalho    

A CLT, afirmou Vólia Bonfim, diz claramente que compete ao empregador dar orientações aos empregados em home office, de forma ostensiva, a respeito das normas de medicina e segurança do trabalho relacionadas ao tipo de função que exerce. Para isso, o conselho da professora é que sejam oferecidos alguns vídeos do Ministério Público do Trabalho que explicam bem todas as normas de medicina e segurança do trabalho. Mas, ressaltou: “O empregador precisa ter certeza de que o empregado acessou e assistiu aos vídeos e, para isso, deve colher a assinatura do empregado, mesmo digital, dizendo que ele se compromete a respeitar as referidas normas. A partir de então, passa a ser aplicado o artigo da CLT que isenta a empresa das responsabilidades subjetivas por acidentes de trabalho, que são aquelas que dependem de culpa do empregador.   

Como fica a modalidade do trabalho misto?   

Em relação ao trabalho misto, ou seja, 50% exercido em casa e 50% na empresa, a interpretação mais comum é de que ele não se enquadra como teletrabalho, visto que não é “preponderantemente” feito em casa e, portanto, o empregador deveria, pelo menos, controlar os dias em que o empregado esteve na empresa. “E não duvido que juízes e fiscais entendam que o empregador também deveria fiscalizar o trabalho de casa, pois ou ele é teletrabalhador ou ele não é”, afirmou.    

Cuidados relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados   

Por fim, Vólia Bonfim afirmou que os empregadores também precisam ficar atentos a questões inerentes ao teletrabalho que se relacionam com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) , aprovada no Senado no mesmo dia de realização desse webinar.   

À medida que a modalidade do teletrabalho está relacionada a uma maior possibilidade de invasão da privacidade, o empregador precisa tomar medidas para mitigar o risco de processos por dano moral com base na Constituição e na CLT, bem como por vazamento de dados sensíveis.  “Os trabalhadores precisam ser treinados na utilização das ferramentas de comunicação digital, como o WhatsApp, para evitar que sejam vazados dados sensíveis da empresa ou mesmo de algum trabalhador”, afirmou Vólia.   

Assista à íntegra do CNseg Webinars “O Desafio do Trabalho Remoto e os Impactos na Cultura Organizacional” 

https://www.youtube.com/watch?v=8UDHkpT5xHU

Zurich Seguros usa tecnologia e inovação para mitigar riscos de clientes corporativos

Roberto Hernandez

 “O app Risk Advisor se tornou uma ferramenta extremamente importante, principalmente em situações adversas como a atual, em que o mundo assiste aos desdobramentos do novo coronavírus”

Roberto Hernandez, diretor executivo de Seguros Corporativos da Zurich no Brasil, é um otimista nato. Desde o início da pandemia tem se reunido todos os dias, pelo menos uma vez por dia, com corretores e clientes para entender como pode apoiá-los a enfrentar tamanha crise trazida pela pandemia Covid-19 com mais resiliência. “Este contato diário é muito importante para nós, pois nos ajuda a incluir em nossas estratégias novas diretrizes necessárias para a mudança de cenário que a pandemia trouxe para todos”, comentou ele durante entrevista concedida ao blog Sonho Seguro. 

Como todos, a Zurich teve um primeiro semestre diferente, cheia de desafios por conta da pandemia. A boa notícia é que o grupo tem um plano de contingenciamento de crise que trouxe apoio para a implementação de diversas iniciativas para dar suporte aos funcionários, parceiros e clientes. Um dos pontos destacados por Hernandez foi o projeto de conscientização da importância da gestão de riscos. “Esse trabalho de conscientização envolveu uma série de ações junto aos corretores locais para entregar às empresas coberturas e serviços adequados após uma avaliação criteriosa dos riscos”, cita. 

Desde então, a Zurich vem atuando na implementação de novos modelos operacionais baseados na centralização, especialização e otimização dos processos, visando aumentar a excelência técnica de atendimento a clientes. Todas as ações desde então são conduzidas por uma equipe multidisciplinar qualificada e treinada, capaz de oferecer soluções específicas, de acordo com as necessidades dos negócios. 

Após a OMS ter declarado que a Covid-19 havia se tornado uma pandemia, a Zurich passou a produzir uma série de estudos e documentos com orientações e um norte para as empresas navegarem no ambiente reconfigurado pelo novo coronavírus, como orientações sobre revisões das apólices de seguros e dos planos de gestão de riscos, dicas para cuidar dos colaboradores e evitar riscos de contaminação, gerenciamento dos riscos das obras paralisadas, bem como estudo estratégico com recomendação de um checklist de 14 itens importantes para reabertura gradual e seguro das indústrias, comércios e empresas de serviços. 

O executivo ressalta a funcionalidade incluída no app Risk Advisor para que vistorias e aceitação de riscos fossem feitas de forma remota, em tempo real, em qualquer parte do mundo. “O app se tornou uma ferramenta extremamente importante, principalmente em situações adversas como a atual, em que o mundo assiste aos desdobramentos do novo coronavírus”, disse.

A vistoria remota foi de grande valia para ajudar clientes atingidos pelo ciclone bomba no dia 30 de junho, agilizando o pagamento de indenizações por meio da ferramenta digital e vistoria mobile que capturou fotos dos veículos, dos imóveis e objetos danificado. “A companhia tem desenvolvido serviços orientados a avaliar a exposição das empresas aos riscos climáticos e produzido uma série de relatórios e estudos para auxiliar as pessoas e as empresas a compreenderem a origem destes riscos e se prepararem para minimizar os impactos deles no seu dia a dia”. 

Uma das preocupações da companhia com seus clientes foi com a vulnerabilidade de ataques de hackers, uma vez que o isolamento social exigido pelo governo para conter o avanço da pandemia levou todos para o trabalho remoto. “O home office trouxe uma preocupação maior com os riscos cibernéticos”, acrescenta. O grupo organizou várias lives nas quais ressaltou aos corretores e clientes o que o grupo disponibiliza para gestão deste risco. Um dos serviços é a autoavaliação de riscos cibernéticos disponível no aplicativo ajuda a empresa a ter uma análise dos perigos de segurança online que ela pode apresentar, trazendo uma avaliação completa e de simples entendimento, que abrange: identificação de ativos físicos e de software; controles de proteção em torno dos recursos organizacionais; sistemas de detecção de segurança cibernética; processos e procedimentos de planejamento de respostas e de recuperação.

Ainda no tema conscientização sobre a importância da gestão dos riscos, no início do ano, a Zurich também lançou em parceria com o Fórum Econômico Mundial o relatório de Riscos Globais, um importante estudo que traça um panorama dos desafios globais nos próximos 18 meses na visão de grandes lideranças de todas as regiões do mundo, e que ajuda as companhias a compreenderem quais são os seus desafios. O relatório lançado em janeiro deste ano, antes da pandemia, já pontuava a preocupação dos executivos com a possibilidade de uma recessão econômica prolongada na economia global, o aumento no número de falências de grandes empresas e PMEs, e a restrição de pessoas e comércio entre países.

Neste segundo semestre, a missão da Zurich seguirá com foco na conscientização, afirma Hernandez. Na agenda do executivo constam ações para reavaliar os riscos mediante as transformações que marcam o dia a dia dos governos, empresas e indivíduos. “Acompanhamos de perto o cenário do Brasil, os passos do governo e as tendências como políticas socialmente responsáveis dos investimentos, que ganharam mais força coma pandemia, para podermos trazer produtos que ajudem os gestores de riscos a minimizar perdas e aproveitar as oportunidades que surgem também desta crise”, enumerou.

Nos projetos de infraestrutura que estão na pauta do governo, como energia limpa, saneamento e concessões, Hernandez afirma que o grupo Zurich quer apoiar o desenvolvimento de projetos sustentáveis. “A agenda de concessões e o marco do Saneamento Básico demanda diversos tipos de proteção, como seguros patrimonial, engenharia, garantia, D&O, Cyber, entre outros, e assim mitigar o risco para os investidores dos projetos e também para as empresas gestoras”, comenta. 

No segmento de médias empresas, a Zurich prioriza o desenvolvimento de produtos sob medida para transferências de riscos e para auxiliar as empresas na continuidade dos negócios no mundo pós-pandemia. Outra ação em destaque para o segundo semestre é a criação de um Conselho Assessor com grupo de empresas clientes para melhor conhecer os riscos das empresas e propor soluções que se adequem aos orçamentos e necessidades no “novo normal” recriado pelo riscos de pandemias. 

Os 10 compromissos da Zurich durante a pandemia Covid-19

  1. Zurich está 100% conectada para dar suporte aos nossos parceiros.
  2. Engenheiros 100% ativos – Colaboração remota online em tempo real.
  3. Vistoria remota – Auto Frota.
  4. Aceleramos os processos de Sinistros.
  5. Paralisação Construção – Riscos de Engenharia.
  6. Canal direto com nossos Engenheiros para auxiliar em dúvidas.
  7. Plataformas digitais de cotação e emissão, com propostas simplificadas para os nossos principais produtos, como D&O, o RC Profissional e o Proteção Digital.
  8. Ampliação limites segurados e Proteção de equipamentos portáteis/Patrimonial.
  9. Manter nossos clientes e parceiros atualizados.
  10. Otimismo – de olho na nova normalidade em nosso país, a Zurich continua confiante nas possibilidades que o mercado está trazendo.

Decisões erradas podem prejudicar milhões de beneficiários de planos

Diretora executiva da FenaSaúde alerta para riscos de intervenções na saúde suplementar

Fonte: FenaSaúde

Os planos e seguros de saúde têm demonstrado seus méritos durante a pandemia, ao garantir cuidados e atendimentos aos beneficiários que precisam de atendimento – não apenas para covid-19, mas para as demais doenças. Também se mostram cada vez mais importantes por colaborar com o funcionamento de toda a cadeia de saúde do país, ajudando a desafogar o SUS. Por outro lado, os planos têm sido atingidos por medidas que, no intuito de proteger alguns, podem prejudicar todo o conjunto de usuários.

“Temos que tomar cuidado com iniciativas que são tomadas sem uma avaliação mais completa de suas consequências. No caso da saúde suplementar, algumas decisões miram o individual, o imediato, mas acabam prejudicando o coletivo, comprometem a vida de milhões de pessoas”, afirmou a diretora executiva da FenaSaúde, Vera Valente, durante a 7ª edição do fórum “A Saúde do Brasil”, realizado pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 27.

A saúde suplementar pode ser vista como uma caixa d’água que irriga todo o sistema de prestadores de serviços de saúde, como hospitais, laboratórios, clínicas, médicos e enfermeiros. Em média, 85% de tudo o que as operadoras arrecadam na forma de mensalidades pagas pelos seus beneficiários são repassados para remunerar os demais elos da cadeia. Isso significa quase R$ 1 bilhão a cada dois dias.

Intervenções mal calculadas podem trazer consequências severas para o equilíbrio deste sistema. “Decisões sobre produtos e tecnologias fora do rol, suspensão de reajustes, ampliação de cobertura sem a devida contrapartida, tudo isso compromete a relação contratual e a sustentabilidade do setor”, disse Vera. Tais interferências podem, ainda, colaborar para provocar a expulsão de usuários. “Essa evasão sempre leva a impacto expressivo no SUS”, completou. 

Ao comentar a recente decisão da ANS que suspendeu os aumentos das mensalidades até dezembro, a diretora executiva lembrou que, de maneira voluntária, as operadoras associadas à FenaSaúde suspenderam todos os aumentos de todos os contratos individuais, coletivos por adesão e de pequenas e médias empresas até 29 vidas por três meses, entre maio e junho. “Agora todos os reajustes estão congelados até o final do ano”.

O setor de saúde suplementar vem se preparando para desafios que já estão surgindo e devem se intensificar no pós-pandemia. Em um cenário de permanência, e até de agravamento, da crise econômica, a FenaSaúde defende novos modelos de coberturas, mais condizentes com a realidade atual do mercado de trabalho, para permitir que novos usuários consigam acessar os planos.

Vera Valente destacou, ainda, que a pandemia acelerou mudanças e deixou aprendizados, como a necessidade de maior foco na atenção primária à saúde e a rápida evolução da telemedicina, conquista que precisa ser preservada quando a modalidade for definitivamente regulamentação a partir de 2021 – a legislação atual só vale enquanto durar o estado de emergência de saúde pública.

“O modelo precisa sair do hospitalocêntrico, ser organizado de outra forma. É bom para o paciente, que não vai ao hospital, e reduz os custos do sistema como um todo”, afirmou Vera. “As pessoas estão vendo como é bom valorizar o autocuidado, ser responsáveis por sua própria saúde. A covid mostrou agravos maiores em pessoas com comorbidades”.

Neste ano, pela primeira vez, o seminário foi realizado em formato virtual, em razão da pandemia. Além de Vera Valente, o painel “Crise Econômica e Transparência” contou com a participação do médico infectologista e ex-secretário de Saúde do Estado de São Paulo, David Uip; do superintendente do HCor, Fernando Torelly; e do professor da Faculdade de Saúde Pública da USP Gonzalo Vecina. A mediação foi de Mariana Versolato, editora de Ciência e Saúde da Folha de S.Paulo.

Crescimento dos seguros cibernéticos

Aumento foi de 148,7% na arrecadação na comparação mensal entre junho/20 e junho/19

Fonte: CNseg

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, os riscos cibernéticos estão entre as mais frequentes ameaças às empresas e pode impactar mais os negócios do que desastres ambientais. Com as restrições impostas pelo governo para conter a disseminação do novo coronavírus e a adoção do regime de teletrabalho por grande parte das empresas, os riscos cibernéticos ficam mais latentes e a busca por proteção contra os seus danos apresenta forte crescimento.

Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o seguro Compreensivo Riscos Cibernéticos registra aumento de 148,7% em sua arrecadação na comparação mensal entre junho/20 e junho/19 – taxa superior a de maio/20, de 53,3%. Desta maneira, o resultado de 2020 para o produto é mais que o dobro daquele observado primeiro semestre de 2019, com crescimento de 115% em sua arrecadação.

O produto é direcionado para pessoas jurídicas, incluindo pequenas e médias empresas. Em relação a coberturas, os pedidos de resgate, no caso de “sequestro de dados” por ransomware, estão amparados pelo seguro, bem como a investigação para entender o que ocorreu e, ainda, outros prejuízos consequentes (tais como: lucros cessantes e despesas operacionais decorrentes da paralisação das atividades das empresas, o que pode ocorrer por conta do ransomware). Além disso, uma vez que os dados de uma empresa foram vazados (e, como consequência, houve a extorsão) podem incorrer custos para tentar recuperar e reparar estes dados. Adicionalmente, podem ocorrer investigações por órgãos reguladores, cujos custos para resposta a tais investigações também se encontram amparados pela apólice contratada, bem como as multas impostas nos processos regulatórios. Caso surjam reclamações judiciais de clientes pelo vazamento de dados, os custos de defesa e de eventuais indenizações também estarão amparados.

IRB consegue R$ 2,2 bi em recursos; sobras serão vendidas em leilão especial

O IRB Brasil RE informou hoje que o processo de aumento do capital social da companhia registrou, até a última segunda-feira (24/08), a subscrição total de 323.506.789 ações, ao preço de emissão de R$ 6,96 cada, somando o valor de R$ 2.241.902.047,77. Ou seja, 97,47% das ações ofertadas na capitalização foram subscritas até o momento. 

Os números foram alcançados após o encerramento do prazo da etapa de subscrição das sobras, que registrou 23.422.932 ações. Nesta sexta-feira (28/08), as 8.383.542 ações que ainda não foram subscritas – 2,53% do total – serão vendidas em leilão especial a ser realizado, às 16h30, na B3. O preço mínimo por ação será R$ 6,93, e os investidores que desejarem participar deverão procurar uma corretora autorizada a operar na B3 para representá-los no leilão.  

No último dia 13, o IRB Brasil RE anunciou o êxito da primeira etapa do processo de capitalização, que havia registrado a subscrição de 300.083.857 ações (90,4%), totalizando R$ 2.079.581.129,01. “O valor subscrito reforça a margem de liquidez regulatória da companhia, que havia sido substancialmente afetada pela desvalorização do real diante do dólar, e viabiliza nossa estratégia de negócios para os próximos anos, por fortalecer a estrutura de capital e melhorar a posição de caixa”, afirma o CEO e presidente do Conselho de Administração do IRB, Antonio Cassio dos Santos. 

Notre Dame Intermédica compra Grupo Medisanitas Brasil em negócio de R$ 1 bilhão

fusões aquisicoes

Medisanitas possui uma carteira de aproximadamente 340 mil beneficiários de planos de saúde

Fonte: Reuters

O grupo Notredame Intermédica fechou acordo para a compra do Grupo Medisanitas Brasil, com o valor da transação fixado em R$ 1 bilhão, de acordo com fato relevante da empresa de saúde nesta quarta-feira.

O preço de aquisição será pago à vista, na data de fechamento da operação, acrescido do caixa líquido, sendo que R$ 100 milhões serão destinados a constituição de uma conta garantia (escrow) para contingências futuras.

Qualicorp tem lucro líquido de R$ 126,7 milhões no 2º trimestre Qualicorp tem lucro líquido de R$ 126,7 milhões no 2º trimestre 

“A transação será paga através de recursos próprios das controladas e linhas de crédito já alinhadas com instituições financeiras”, detalhou a Notre Dame Intermédica.

Segundo a companhia, o preço de aquisição representará um múltiplo implícito estimado de 12,5 vezes Ebitda 2021 quando consideradas as sinergias planejadas para o primeiro ano da operação.

O Grupo Medisanitas Brasil concentra as operações brasileiras do grupo colombiano Keralty (especialistas em saúde integrada com atuação no Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, México, Estados Unidos, Europa, Indonésia e Filipinas).

A empresa registrou em 2019 faturamento líquido consolidado de R$ 572 milhões, com sinistralidade caixa (Cash MLR) de 82,3%. O grupo possui uma carteira de aproximadamente 340 mil beneficiários de planos de saúde e 3 mil beneficiários dental, localizados majoritariamente em Minas Gerais.

Além disso, o Grupo Medisanitas Brasil conta com uma rede própria verticalizada no Estado de Minas Gerais que inclui 1 hospital (58 leitos), 1 pronto-socorro autônomo, 5 centros clínicos, 5 laboratórios de análises clínicas, 3 clínicas odontológicas, 1 centro oftalmológico e 1 clínica oncológica.

A conclusão da aquisição está sujeita ao cumprimento de determinadas condições precedentes, incluindo a aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Tokio Marine cresce 11,6% no primeiro semestre

ferrara Tokio marine

Seguradora emitiu R$3,08 bilhões em Prêmios entre janeiro e junho  

Fonte: Tokio Marine

A Tokio Marine demonstra a força e a resiliência da Companhia no Brasil com os resultados alcançados no primeiro semestre de 2020. Entre janeiro e junho, a Seguradora registrou R$ 3,08 bilhões em Prêmios Emitidos, contra R$ 2,76 bilhões do mesmo período do ano passado. Isso representa um crescimento de 11,6%, um número expressivo diante dos impactos da enorme crise sanitária enfrentada pelo mundo devido ao coronavírus. Segundo a Susep, no mesmo período, o mercado no qual a Tokio atua (sem Previdência, Capitalização e Saúde), apresentou uma pequena queda de 0,5%.   

O bom desempenho pode ser atribuído ao Plano de Continuidade de Negócios (PCN) da companhia, que desde março possibilitou a operação remota da Tokio Marine com os mesmos índices de produção e a mesma qualidade na prestação de Serviços. O PCN foi implementado com o objetivo de preservar a saúde de Colaboradores, Clientes e Parceiros, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos órgãos governamentais. 

“Desde o anúncio de pandemia de Covid-19, nossa prioridade foi manter a saúde do time e dos nossos Corretores e Assessorias, bem como a adaptar as atividades ao distanciamento social para mantermos a geração de negócios e a prestação de serviços aos Clientes. O resultado do semestre mostra que, graças a uma sólida infraestrutura de tecnologia e à cooperação de todas as equipes, conseguimos vencer este grande desafio”, afirma o presidente da Tokio Marine, José Adalberto Ferrara. 

A companhia adotou uma série de ações para os segmentos de Massificados e Produtos Pessoa Jurídica, a fim de flexibilizar os processos e facilitar o dia a dia dos Parceiros e Segurados. Uma das mais importantes foi a indenização sobre os sinistros de Vida decorrentes da contaminação pelo coronavírus. Além disso, a Seguradora intensificou a oferta de serviços digitais, como a realização de inspeções remotas e vistorias on-line em caso de sinistros. “Um fato incontestável que a pandemia evidenciou é que a tecnologia é uma grande aliada do Corretor na expansão dos negócios, uma vez que os conceitos de espaço e limite territorial não existem mais”, complementa Ferrara. 

Entre as conquistas da Tokio Marine no primeiro semestre, um dos destaques também foi o atingimento da marca de 2 milhões de veículos segurados na carteira de Automóvel. São 100 mil itens a mais do que a frota segurada de 2019 e o dobro da frota de seis anos atrás, fruto da adoção de uma estratégia de diversificação do portfólio. Atualmente, a Seguradora tem 10,2% de market share e a terceira maior frota protegida do mercado. 

O presidente da Tokio Marine tem boas perspectivas para o fechamento do ano de 2020, apesar do cenário completamente atípico. “Eu tenho certeza de que sairemos diferentes e mais fortalecidos dessa situação, social e economicamente falando. Este momento vai passar e posso garantir que a Tokio Marine continuará investindo no Brasil e oferecendo soluções de excelência que protejam a Vida e o Patrimônio das Pessoas e Empresas”, conclui o executivo.

Reservas da capitalização crescem 2,4% e atingem R$ 31 bi no semestre

Fenacap

Fonte: Fenacap

O mercado de títulos de capitalização registrou um crescimento de 2,4% nas Reservas – recursos acumulados em títulos de capitalização – no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período de 2019, alcançando R$ 31 bilhões. Os dados foram divulgados pela Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), com base nas estatísticas da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Na avaliação do presidente da Federação, Marcelo Farinha, alguns fatores contribuíram para a evolução positiva desse indicador e ajudam a compreender a resiliência do setor: “O primeiro é de natureza comportamental, pois a sociedade responde à crise com a busca de segurança”, assinala, acrescentando que a  capitalização – um instrumento de disciplina financeira – permite formar uma reserva e, ao mesmo tempo, participar de sorteios cujas premiações podem mudar a vida das pessoas.
Marcelo Farinha observa, ainda, que a sociedade está mais sensibilizada pelas  causas sociais. “A capitalização responde a essa demanda social com a modalidade de títulos de capitalização Filantropia Premiável”, pontua. Por meio dessa modalidade, os clientes cedem o direito de resgate de suas reservas para instituições filantrópicas. Esses repasses alcançaram R$ 349,7 milhões no período.
O título de capitalização Instrumento de Garantia, por sua vez, funciona como garantia para contratos de crédito e locação de imóveis e, segundo o presidente da FenaCap, atende às exigências dos agentes econômicos que,  em momento de incertezas, tendem a ser mais restritivos em suas contratações, requerendo mais garantias das contrapartes.

No semestre, a arrecadação recuou 7,11%, em comparação ao mesmo período do ano passado,  somando R$ 10,7 bilhões. Os resultados de maio e junho, contudo,  já demonstram uma trajetória de retomada gradual do crescimento. Entre janeiro e junho, foram distribuídos R$ 471,2 milhões em prêmios de sorteios a clientes de todo o país. Somados aos R$ 9,1 bilhões de resgates pagos, a Capitalização injetou na economia quase 10 bilhões nesse período crítico.

“Temos uma visão otimista para o resto do ano, embora não percamos de vista o fato de ainda vivermos uma crise de graves proporções. O título de capitalização é um dos instrumentos mais versáteis do mercado financeiro e em um ambiente de taxa de juros reais potencialmente negativas, passa a ser ainda mais atraente”, destaca Marcelo Farinha.  “ Em essência, as crises escondem oportunidades e é preciso saber identificá-las”, conclui.

Unidade da Alphabet forma parceria com Swiss Re para fornecer seguros a empregadores

Fonte: Reuters

A Verily, divisão de ciências da vida da Alphabet, está fazendo parceria com a resseguradora Swiss Re para lançar uma unidade para fornecer seguro contra prejuízos, um produto financeiro adquirido por empregadores para cobrir custos de saúde inesperados de funcionários.

A subsidiária, Coefficient Insurance Company, será apoiada pelo braço comercial de seguros da Swiss Re, que também está fazendo um investimento minoritário na nova empresa, disse a Verily nesta terça-feira.

“A Coefficient visa reduzir os pontos cegos e fornecer maiores mecanismos de controle de custos para empregadores autofinanciados”, disse o presidente-executivo da Verily, Andy Conrad, em comunicado.

Os acordos de autosseguro são cada vez mais comuns entre os grandes empregadores, que normalmente pagam às seguradoras de saúde para administrar seus benefícios de saúde, mas cobrem eles próprios os seus custos.

A Verily, que antes fazia parte da unidade de pesquisa e desenvolvimento do Google, se uniu a várias empresas farmacêuticas em projetos que vão desde pesquisas sobre robôs cirúrgicos até o desenvolvimento da tecnologia de escaneamento de retina para detecção precoce de algumas doenças oculares.

Rede D’Or contrata bancos para IPO previsto em R$ 15 bilhões, informa O Globo

Fonte: O Globo

A Rede D’Or, maior grupo hospitalar do país, contratou bancos para realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e estrear na Bolsa de Valores. Segundo três fontes a par dos planos da companhia carioca, a empresa de Jorge Moll Filho escolheu o Bank of America (BofA) para liderar uma captação inicialmente estimada em cerca de R$ 15 bilhões ainda em 2020. Caso o negócio se concretize, será a maior transação da modalidade, em um ano especialmente movimentado para IPOs. A informação foi antecipada pela coluna Capital, no site do GLOBO.

Segundo as fontes, que preferiram não ser identificadas porque as informações ainda não são públicas, a maior parte da oferta seria do tipo secundária ou seja, sem a emissão de novas ações. Isso permitiria que o fundo de participações americano Carlyle se desfizesse de parte substancial da fatia do grupo que adquiriu em 2015.

Não está claro, porém, quanto cada sócio venderia no IPO. Atualmente, a família Moll controla a Rede D’Or, detendo uma fatia de quase 60%. Além do Carlyle, também é sócio o GIC, fundo soberano de Cingapura.

De acordo com as fontes, além do Bank of America, também participarão da oferta o Bradesco BBI, o BTG Pactual e a XP Investimentos. O Bradesco tem um relacionamento comercial com o grupo hospitalar há anos, enquanto o BTG Pactual foi acionista relevante da Rede D’Or até 2015.

A expectativa é que a operação ocorra entre o fim de novembro e o início de dezembro, permitindo que a companhia apresente aos potenciais investidores dados operacionais relativos ao terceiro trimestre do ano. Esse cronograma também tem a vantagem de prever a oferta após as eleições americanas, evento que terá influência direta sobre as condições do mercado.

Caso esse prazo não seja cumprido, a janela seguinte viria em fevereiro. Deve ajudar no processo o fato de a Rede D’Or já ter registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) desde 2019.

Os detalhes da oferta são preliminares e podem mudar de acordo com as condições de mercado, ponderaram as fontes. Procurados, Rede D’Or e Bank of America não quiseram comentar a informação.

LUCRO DE MAIS DE R$1 BI

O IPO da Rede D’Or é aguardado há anos pelos investidores. De acordo com as fontes, a operação tem potencial para fazer com que a rede de hospitais privados estreie na Bolsa valendo cerca de R$ 100 bilhões.

A Rede D’Or opera 45 hospitais próprios em Rio, São Paulo, Pernambuco, Brasília, Maranhão, Bahia e Sergipe, somando 7,3 mil leitos. O Instituto D’Or, que pertence ao grupo, participa dos testes da vacina de Oxford para o coronavírus no Brasil. O grupo fechou o ano passado com lucro líquido consolidado de R$ 1,2 bilhão e receita líquida de R$ 13,3 bilhões. A dívida líquida encerrou 2019 em R$ 9,9 bilhões.