Atenção está em 2021, com previsões menos otimistas para PIB e Selic

Pedro Simoes CNseg

Taxa de juros em 2020 ficou mantida em 2% no boletim divulgado nesta segunda-feira, mas a expectativa dos agentes do mercado financeiro para 2021 subiu de 2,5% para 2,75%, conforme mostra boletim da CNseg

Os olhos de todos já estão voltados para 2021. Com a frágil situação fiscal do País –  que se torna ainda mais desfavorável com gastos que devem elevar o déficit primário para quase R$ 900 bilhões (frente a uma meta anterior à pandemia de R$ 124 bilhões) –, o crescimento no ano que vem e nos próximos anos pode ser menor que o esperado, como sinalizou hoje a expectativa dos analistas entrevistados pelo Banco Central. O crescimento do PIB no ano que vem caiu de 3,47% para 3,42% na edição desta semana do boletim Focus. 

“Isso acontece tanto pelo aumento da incerteza, como da elevação das taxas de juros de prazos mais longos, que já está acontecendo. Nesse cenário, a projeção para a taxa básica de juros de curto prazo, a Selic, apesar de permanecer estável em 2% para o final deste ano – indicando que o mercado não acredita em elevação dos juros pela autoridade monetária nas duas próximas reuniões do Copom – subiu de 2,5% para 2,75% para o final de 2021”, comenta Pedro Simões, economista do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, a Confederação das Seguradoras. 

Leia neste link o boletim Acompanhamento das Expectativas Econômicas semanal das expectativas econômicas feito pela Superintendência de Estudos e Projetos (Suesp) da CNseg.

Sincor Digital: “Inovação não é disrupção, é evolução”, diz Marcio Coriolano

Sincor digital

A LGPD também foi citada como um dos principais itens de inovação adaptativa dessa nova agenda

A inovação foi o tema da pergunta feita para Marcio Coriolano, presidente da CNseg, por Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP, no evento “Conectando o Mercado de Seguros” Sincor Digital, realizada no dia 23 de outubro. O presidente da CNseg abordou os desafios e as oportunidades que vê neste momento de pandemia. Primeiramente, ele fez questão de frisar que inovação não é disrupção. “É uma evolução da criatividade, de processos e rotinas. Muitas vezes é uma ideia, que necessariamente não é tecnológica. E ficou claro que o mercado de seguros, com todos os seus atores, já estava há tempos inovando, de forma séria. Se passaram oito meses da declaração da emergência pandêmica e continuamos atendendo a todos indistintamente. É claro que temos de aumentar nosso passo”, comentou. 

Coriolano também citou o projeto Sandbox, aprovado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), que permitirá avanços para o setor. “Não irá romper paradigmas tecnológicos. Veio em boa hora e é uma forma de permitir, inclusive a inclusão de mais gente no nosso mercado. Vai poder atender nichos de mercado”, ressaltou. Além do Sandbox, ele citou a regra de proporcionalidade para que as seguradoras precisem de menos exigência de capital e reservas, sem descuido da segurança delas. Essa norma pretende aumentar a oferta de produtos e o acesso dos consumidores. 

A inovação foi tratada de maneira ampla, por todos, desde as que vieram sendo acumuladas e que estão permitindo a travessia, sem sobressaltos, do período da pandemia; passando pela necessária construção da reforma tributária, até os desafios da ampliação do papel do corretor de seguros em  suporte ao consumidor nestes anos complexos que virão pela frente. A LGPD também foi citada como um dos principais itens de inovação adaptativa dessa nova agenda.

Em suas considerações finais, Coriolano chamou a atenção sobre todos estarem vivendo o momento mais difícil que o Brasil já tenha vivido neste século. “O sofrimento das pessoas, não só pela morte e dor mas pelo medo. E não parece que isso vai terminar tão rápido, como todos imaginam. Ao mesmo tempo cresce a aversão ao risco de qualquer pessoa. Ficou claro que o raio pode cair duas vezes na mesma pessoa. E isso vemos o clamor das pessoas pelo seguro. Não só do privado, mas também no governo. Temos uma enorme oportunidade de mostrar que estamos à altura da expectativa das pessoas. Principalmente das pessoas mais necessitadas. Para poder tornar esta oportunidade para a população em algo real, é preciso que todo o sistema de seguros esteja unido na mesma direção. Tanto empresários, profissionais, governo, com todas as diferenças do mundo, precisamos convergir em medidas necessárias para o crescimento de todos”, salientou. 

Para Marcio Coriolano, o evento foi paradigmático ao consagrar a possibilidade de uma interação remota com um público tão grande, fazendo jus à segurança que todos precisam em tempos de pandemia. “Uma oportunidade de comemorar a resposta da capacidade do mercado de seguros ter respondido – com tecnologia de ponta, capacidade de seus recursos humanos, e solidez de garantias -, a todas as expectativas e necessidades neste momento inédito de dores e dificuldades. Ninguém ficou desassistido”, afirmou. 

Mediado por Alexandre Camillo, o painel contou com a participação também do presidente da Fenacor, Armando Vergílio; dos deputados federal Lucas Vergílio (SD-GO) e Marco Bertaioli (PSD-SP); do presidente do Sindseg-SP, Rivaldo Leite, e do chefe de Assessoria de Estudos e Relações Institucionais da Susep, Paulo Miller.

Seguro DPVAT registra aumento de 6% nos avisos de sinistro em setembro

DPVAT

Pedidos por aplicativo cresceram 25% em relação a agosto

Fonte: DPVAT

No mês de setembro, os dados do Seguro DPVAT mostram um aumento no volume dos pedidos de indenização, fruto da ampliação dos canais de atendimento e das campanhas de comunicação e educação sobre o Seguro. Com a flexibilização da quarentena e cada vez mais veículos trafegando pelas ruas, mais de 32 mil avisos de sinistros foram registrados no período – número 6% maior que os pedidos recebidos em agosto. No mês, os casos com vítimas fatais foram os que mais se destacaram, com um aumento de 13% nas solicitações de indenização. Já os pedidos relacionados à invalidez permanente cresceram 3% e os de despesas médicas cerca de 12%.

No acumulado do terceiro trimestre, os números mostram 26% de crescimento nos avisos de sinistro, em comparação ao segundo trimestre do ano. Entre os acidentes registrados com vítimas fatais, o aumento foi de cerca de 40%. Solicitações de indenizações para casos de invalidez permanente e reembolso de despesas médicas cresceram, respectivamente, 23% e 28% no período.

O diretor de Operações e TI da Seguradora Líder, Iran Porto, ressalta a importância do Seguro DPVAT para amparar as vítimas e suas famílias, em um contexto econômico de crise, agravada pelo coronavírus. 

“É por isso que trabalhamos constantemente para ampliar o conhecimento sobre o benefício e para aprimorar a experiência do beneficiário em toda sua jornada. Temos investido de forma maciça em soluções tecnológicas para simplificar e dar agilidade aos processos de indenização. Tudo isso tem resultado em uma série de melhorias para os beneficiários, como a redução do tempo médio de pagamento do Seguro DPVAT às vítimas. Este ano, mais da metade das solicitações já são atendidas em menos de dez dias”, aponta Iran. “E, neste cenário de crise, o seguro é a garantia de cerca de um salário mínimo por mês, durante um ano, para muitos beneficiários, vítimas do trânsito brasileiro”, ressalta o executivo.

Como resultado de uma campanha educativa sobre o Seguro DPVAT iniciada no último mês e, também, do investimento em soluções tecnológicas para ampliar os canais de atendimento pela Seguradora Líder – administradora do consórcio que gere o Seguro -, cada vez mais cidadãos têm tomado conhecimento dos seus direitos e requerido a indenização. No mês de setembro, os pedidos pelo aplicativo Seguro DPVAT, por exemplo, tiveram um aumento de 25% e os via Central de Atendimento um crescimento de 12%.


Estados

Das 27 unidades federativas, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Paraná e Santa Catarina se destacam com os maiores números de solicitações de indenização por acidentes em setembro. Juntos, os cinco estados somam 45% de todos os avisos recebidos no mês.

IRB e B3 desenvolvem plataforma blockchain

Marcelo Hirata IRB TI

Objetivo da parceria é conectar corretores, seguradoras e resseguradoras em uma única rede, permitindo que as operações ganhem velocidade, segurança e transparência 

Fonte: IRB

O IRB Brasil RE e a B3 firmaram parceria e estão desenvolvendo uma plataforma inédita no país para conectar corretores, seguradoras e resseguradoras em uma única rede, permitindo que as operações envolvendo contratos de seguros e resseguros sejam realizadas via internet de forma mais ágil, segura e transparente. A ferramenta, que chegará ao mercado em 2021, é baseada na tecnologia blockchain e possibilitará concluir em segundos processos que hoje podem durar meses. O projeto poderá estar sujeito à apreciação dos reguladores a depender do desenvolvimento a ser realizado. 

“A união do IRB, com mais 80 anos de experiência no mercado de seguro e resseguro, e da B3, com know-how e grande capacidade de processamento de registros e de liquidações financeiras, além de todas as credenciais conferidas pela Susep, endossa o avanço seguro dessa nova tecnologia no mercado”, diz o CEO e presidente do Conselho de Administração do IRB Brasil RE, Antônio Cássio dos Santos. “É mais um sinal inequívoco de que estamos dando ênfase no processo de transformação digital, por meio de inovação e parcerias disruptivas”, completa. 

“A B3 suporta o crescimento do mercado financeiro brasileiro, por meio de produtos e serviços que garantem a segurança e otimizam a operação de seus clientes, além de cumprir exigências regulatórias. Essa atuação, como infraestrutura do mercado, nos permite ganhos de sinergia em uma escala sem paralelo para diversos setores. O mercado de seguros é um deles. Já iniciamos essa atuação dando suporte para as seguradoras e fundos através do registro de seus ativos financeiros – dados em garantia das reservas técnicas de suas operações – e agora, mais recentemente, com o Sistema de Registro de Operações (SRO) da Susep. Há muitas outras oportunidades estratégicas no horizonte e esse projeto com o IRB, referência nacional neste mercado, é uma delas”, comenta Gilson Finkelsztain, CEO da B3.  

Criado em 2008, o blockchain, que já é utilizado pelo mercado financeiro, funciona, na prática, como um livro de registro virtual formado por uma rede incorruptível de blocos. Essa estrutura não permite alteração das informações e oferece criptografia segura para a troca, em grande volume, de ativos digitais, sem a necessidade de um intermediário. Aplicada ao setor de seguros e resseguros, possibilitará negociações multilaterais, com segurança, alta velocidade e oferta de informações precisas em tempo real. 

Atualmente, o intercâmbio de contratos e de outros dados entre corretores, seguradoras e resseguradores é realizado, em sua maioria, por meio de e-mails, com arquivos em anexo. “A ideia não é substituir outros sistemas integrados de gestão. Mas a plataforma pensada pelo IRB e pela B3 vai padronizar essa comunicação e possibilitará a criação de modelos de análise das informações, por exemplo. A proposta é conectar todos os players em uma só rede, flexível e customizável, que atenda a diversidade do mercado”, explica o diretor de TI do IRB Brasil RE, Marcelo Hirata. 

Marcio Hamilton Ferreira assume como presidente da BB Seguridade

O conselho de administração da BB Seguridade elegeu, na sexta-feira (23), Marcio Hamilton Ferreira para a presidência executiva da seguradora. O cargo estava vago desde 20 de outubro, quando Bernardo Rothe deixou a empresa para assumir a vice-presidência de atacado do Banco do Brasil (BBAS3).

Ferreira ficará no período que resta até a eleição do novo comando da BB Seguridade, prevista para o ano que vem. Outra mudança na cúpula da seguradora foi a saída de Erik da Costa Breyer, diretor de finanças, relações com investidores e gestão de participações. A BB Seguridade ainda não definiu seu sucessor.

Sincor Digital – seguradores relatam experiências transformadoras e mostram otimismo com o futuro

Sincor SP

Fonte: Comunicação Sincor-SP

Jayme Garfinkel, Nilton Molina e Patrick Larragoiti participaram da primeira palestra do Sincor Digital – Conectando o Mercado de Seguros e compartilharam os momentos mais difíceis e transformadores que viveram em todos os anos atuando no mercado de seguros, além de demonstrarem otimismo em relação ao futuro do País. A palestra “Masterclass – É possível!” aconteceu na manhã desta sexta-feira (23/10) e foi mediada pelo 1º vice-presidente do Sincor-SP, Boris Ber.

“Um dos momentos mais marcantes da minha carreira foi em 1978, quando a companhia tinha acabado de completar seis anos e meu pai faleceu. Fomos obrigados a pagar uma multa alta e não tínhamos a quem recorrer, pois vivíamos em uma ditadura. Tive a oportunidade de me encontrar com o superintendente da Susep e resolver o problema. No momento pensei: não posso largar o sonho do meu pai, meu dever é continuar com o sonho que ele tinha começado a construir”, relata o ex-presidente do Conselho da Porto Seguro, Jayme Garfinkel.

Para o presidente do Conselho de Administração do Grupo SulAmérica, Patrick Larragoiti, o início da carreira como estagiário essencial para a formação profissional. “Eu trabalhava como avaliador de sinistros, recortando os jornais com os valores dos carros para saber quanto tínhamos que pagar de indenização aos segurados”, explica. “Quando assumi a presidência executiva da SulAmérica, era uma companhia muito centralizadora, cheia de feudos dentro das estruturas. Transferi grande parte das responsabilidades da presidência para outras áreas, dando mais agilidade nos processos e as decisões passaram a ser compartilhadas com o Conselho. Então, passamos a ser um time, transformando a companhia numa organização fantástica”, completa.

O presidente do Conselho de Administração da MAG Seguros, Nilton Molina, conta que entrou para o mercado de seguros pela corretagem. “Na época, tinha 30 anos e uma corretora de seguros, onde a SulAmérica tinha 40%, a Atlantica 40% e eu, 20%. Queríamos fazer com que a Bradesco vendesse previdência no balcão do banco e ninguém conseguia convencer eles de fazer isso. Até que me encontrei com o responsável, expliquei como funcionava e ele topou. Essa foi minha primeira experiência como segurador”, declara.

Sobre o futuro, os executivos destacaram o poder de resiliência do setor de seguros e da grandeza e das oportunidades que o Brasil tem. “Olhando para o futuro, vejo que o que está acontecendo, em alguns aspectos, é positivo. Tivemos uma transformação digital que aconteceu de maneira rápida e eficiente. A telemedicina também teve um grande avanço, já que em poucas semanas, milhares de atendimentos foram realizados”, acredita.

“Quase todos os ramos de atividades humanas sofreram as consequências da pandemia, além de enfrentar um clima de incertezas com a economia. No entanto, qual Brasil temos pela frente? Um País com potencial para ser um dos maiores produtores de energia limpa, o 3º maior mercado de consumo, além do agronegócio. O Brasil tem todos os insumos para ser um líder mundial”, destaca Molina.

Para Jayme, o mercado de seguros é privilegiado. “A pandemia trouxe a percepção de proteção para a sociedade, no momento que perceberam a importância de um seguro. Nós não sofremos o que outros setores sofreram, por isso, tenho uma perspetiva positiva para o futuro”.

Durante o painel, o presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, anunciou um Voto de Júbilo aos executivos. A homenagem é da Câmara Municipal de São Paulo, que reconhece o trabalho que os seguradores fizeram pela cidade e pelo setor de seguros. “Em nome de todos os corretores de seguros da capital, recebam essa homenagem de agradecimento”, completa Camillo.

Sincor Digital – presidentes das seguradoras discutem ameaças e oportunidades diante das tecnologias

Sincor SP

Fonte: Comunicação Sincor-SP

O painel “Seguradoras, Big Techs e Customer Experience – Presidentes, e agora?” trouxe os presidentes Carlos Magnarelli, da Liberty Seguros, Eduard Folch, da Allianz, José Adalberto Ferrara, da Tokio Marine Seguradora, Luís Gutiérrez Mateo, da MAPFRE, Murilo Riedel, da HDI Seguros, e Roberto Santos, da Porto Seguro, para debaterem sobre os impactos das tecnologias no mercado de seguros, durante o Sincor Digital – Conectando o Mercado de Seguros. A palestra teve mediação da 2ª vice-presidente do Sincor-SP, Simone Martins.

Diante da pergunta big techs vão tirar o sono do mercado de seguros? É uma ameaça ou oportunidade?, os painelistas ficaram divididos com a resposta. O presidente da Allianz, Eduard Folch, acredita que empresas como Google, Amazon e Facebook, têm a vantagem de saber lidar com o consumidor. “Essas empresas estão constantemente entendendo o que o cliente quer e fazendo mudanças para se adequar a isso. Apostam na personalização, se adaptando com cada perfil e experiência do usuário”, declara.

Para o presidente da HDI Seguros, Murilo Riedel, as big techs não são, necessariamente, concorrentes, mas empresas complementares para a distribuição de seguros. “Tais empresas têm muito mais interesse em uma plataforma geradora de anúncios do que num produto, por exemplo. Acredito que é um instrumento importante para o entendimento comportamental do cliente e como podemos utilizar isso em produtos e serviços”.

Já o presidente da Liberty Seguros, Carlos Magnarelli, acredita que não existe risco de as big techs concorrerem com o mercado de seguros, visto que o setor é altamente regulado. “O seguro é um produto de muitas transações e essas empresas não têm estrutura para um pós-venda. O contrato tem que ser explicado para o cliente, detalhadamente. É muito difícil para essas empresas vender um produto tão transacional quanto um seguro”, aposta.

O presidente da Porto Seguro, Roberto Santos, compartilha da opinião e acrescenta:
“O que tem nas big techs? Nada tangível. Tem criação, cérebro, sistemas, o que é muito diferente da nossa atividade. Não vejo o mercado de seguros como atrativo para eles. A ameaça é que, se a gente não ocupa todos os espaços, eles entram e reduzem o escopo dos nossos negócios”, acredita.

Segundo Aldaberto Ferrara, presidente da Tokio Marine Seguradora, seguro não é commoditie. “Para contratar um seguro é preciso consultoria, um aconselhamento financeiro. Certo ou errado, nós vamos conviver, e já estamos convivendo a muito tempo, com novos ecossistemas que estão sendo criados e temos que nos adaptar a esses ambientes”.

Sincor Digital – cenário pós-pandemia é otimista para seguradores e economista

Seguro Digital Sincor SP

Fonte: Comunicação Sincor-SP

“O Brasil terá uma retomada mais intensa do que outros países, graças aos estímulos colocados na economia”, aposta o economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Banco Bradesco, Fernando Honorato. A fala foi feita durante o painel “Cenário econômico pós-pandemia – Perspectivas para o Brasil e o mercado de seguros”, apresentado no evento Sincor Digital – Conectando o Mercado de Seguros, nesta sexta-feira (23/10). 

Segundo o economista, os estímulos na economia feitos pelo governo federal permitirão que o País saia fortalecido da crise sanitária e com oportunidades de crescimento em diversos setores. “O fim do auxílio emergencial vai ter menos impacto do que o esperado. Isso porque, grande parte das pessoas que pegaram o auxílio estavam empregadas; e porque estamos todos em casa, consumimos menos do que a renda”, aponta. 

Para o mercado de seguros, Honorato acredita que haverá menores receitas financeiras, maior necessidade de geração de prêmios, crescimento na venda de casas, carros e caminhões, que geram impacto no setor, além do envelhecimento da população e a própria pandemia, bem como a baixa penetração de seguros no País. 

O CEO da Zurich, Edson Franco, reforça o otimismo do economista e aponta que o setor de seguros é resiliente e soube se adaptar perfeitamente às mudanças impostas pela pandemia. “O mercado colocou todo mundo em casa numa velocidade surpreendente, o que foi uma grande surpresa para todos. Os corretores foram fundamentais na parceria para atender nossos clientes num momento tão difícil”.

Franco ainda comenta que as perspectivas do mercado de seguros para o futuro são otimistas.
“Acredito que teremos um crescimento de 2 dígitos no mercado de seguros para o ano que vem. As pessoas estão ainda mais conscientes sobre a importância da proteção que o seguro traz”, completa. 

“Nós não esperamos uma previsão de PIB para aproveitar todo o potencial que tem o mercado de seguros brasileiro, com baixa penetração e falta de conhecimento por parte da população. Estamos num mercado que ainda tem muito para crescer e que depende mais de nós, do próprio mercado, do que das previsões econômicas”, acredita Gabriel Portella, presidente da SulAmérica.

O executivo ainda destacou o papel fundamental dos corretores de seguros diante das oportunidades de crescimento do setor. “Quando eu olho para os corretores de seguros, eu vejo a maior força de distribuição e a que move o mercado de seguros”. Portella ressalta que os corretores devem explorar o setor ao máximo, oferecendo os ramos de seguros aos clientes da carteira. “Nunca conheci um profissional que tenha explorado tudo que o mercado tem para oferecer, pois o setor está presente em todos os lugares, em todos os ramos”, completa. 

Para o presidente da Bradesco Seguros, Vinicius Albernaz, o otimismo deve ser cauteloso, já que a pandemia ainda não acabou e o cenário econômico é incerto. “Vejo muitas oportunidades para o mercado. A pandemia trouxe a urgência de um olhar especial para o seguro de vida, de saúde e a previdência, por exemplo. Precisamos redirecionar o foco e a concepção de risco”, declara.

Inter lança Seguro de Vida no aplicativo

banco inter seguros

Com a atualização, clientes poderão fazer a contratação de forma 100% online e digital, em poucos cliques

Fonte: banco Inter

A versão 9.0 do aplicativo do Inter está chegando com diversas melhorias na usabilidade e experiência do usuário e inclui mais de 10 novos produtos. Entre as novidades, está a opção de contratar seguro de vida pelo app. Outra novidade da área é possibilidade de renovação automática na modalidade seguro auto. Alguns clientes já podem experimentar os lançamentos na versão beta para Android e iOS e a expectativa é que até o início de novembro o app esteja disponível para todos. 

A Plataforma de Proteção Inter, a mais completa do país, terá a contratação do Seguro de Vida de forma 100% digital. São três categorias de planos, cujas coberturas podem ser por morte e acidentes, invalidez permanente, indenização por acidente e indenização por doenças graves. Além de assistência funeral, pet, para animais de estimação, e segunda opinião médica internacional. As indenizações partem de R$ 60 mil até R$2 milhões. 

“A nova versão do aplicativo trará melhorias em todas as áreas. Na Inter Seguros, estamos disponibilizando a modalidade Vida, com uma experiência totalmente inovadora, digital, sem burocracia e letras miúdas, que leva em conta o que realmente importa para o cliente na proteção à sua família e patrimônio.”, diz Paulo Padilha, CEO da Inter Seguros. 

No app, ao acessar a Plataforma de Proteção, os correntistas encontram todos os produtos para cuidar de tudo que importa de verdade. De Previdência a Consórcio, de Auto ao Seguro Pet, já são mais 15 produtos 100% digitais. Quem ainda não é cliente pode baixar o aplicativo na Apple Store ou Play Store, abrir uma conta de forma rápida e segura e acessar todos os benefícios da conta. 

Setor de seguros está atento à inflação, mas o principal é o déficit fiscal

Esse é o resumo da opinião dos participantes do webinar da CNseg, realizado no dia 22

Fonte: CNseg

As recentes notícias relacionadas à pressão de preços, tendo como pano de fundo a longa história do Brasil envolvendo a inflação, acenderam a luz amarela para alguns analistas de mercado em relação à possibilidade de escalada de preços, razão pela qual a CNseg realizou em 22 de outubro mais um webinar da série CNseg Webinars, tendo como tema: “Inflação: há algo com o que se preocupar?” 

O webinar, moderado pelo Presidente da Confederação Nacional das Seguradoras, Marcio Coriolano, contou com a participação do Professor de Economia e Decano do Centro de Ciências Sociais da Puc-RJ, Luiz Roberto Cunha; do Diretor Financeiro do Grupo Bradesco Seguros, Vinicius Cruz; da Estrategista-chefe da área de Investimentos da MAG Investimentos, Patrícia Pereira; e da Economista Chefe da Icatu Seguros, Victoria Werneck.  

Brasil e inflação, um caso que vem de longe 

No início do webinar, o Presidente da CNseg lembrou que a inflação só começou a ser debelada no Brasil após 1995, com o Plano Real, beneficiando principalmente os mais pobres, que tinham suas rendas sistematicamente corroídas, mas beneficiando também o setor segurador, pois seus investimentos em garantias de riscos necessitam de um ambiente de estabilidade. Setor que atualmente possui R$ 1 trilhão e 260 bilhões em reservas para garantir os compromissos com seus segurados, representando aproximadamente 27% da dívida pública brasileira. Lembrou o Presidente da CNseg que foi a estabilidade de preços que propiciou salto da proteção dos seguros, hoje atingindo perto de 3,7% do PIB nacional.

O Professor Luiz Roberto Cunha lembrou que o Brasil foi o país que mais sofreu com a inflação na era moderna e apontou para o recente descolamento entre os índices IPCA e IGP-M, como não acontecia há tempos. Segundo ele, a explicação reside na maneira como esses dois índices são compostos, particularmente o IGP-M, que tem o índice de preços no atacado em sua composição, sofrendo variações sazonais. “Somente soja, milho e minério de ferro representam 14% desse percentual”, afirmou. Mas, se por um lado, os alimentos têm pressionado a inflação, o setor de serviços deve fechar o ano com deflação e com o risco de isso se repetir em 2021. Para o professor, a preocupação não é com a inflação, mas com a questão fiscal. 

O impacto da pandemia do déficit público 

Concordando, a Economista Chefe da Icatu Seguros afirmou que o “brutal aumento” do déficit público precisa ser resolvido em espaço médio de tempo para não comprometer a política fiscal do Governo. Déficit público que foi ampliado pelo necessário fornecimento do auxílio emergencial, que alcançou 67 milhões de brasileiros e demandou muito mais recursos que os utilizados no Bolsa Família. “A reforma da Previdência tinha o objetivo de economizar 800 bilhões ao longo de 10 anos, mas só em 2020 gastamos com o auxílio emergencial quase todo esse dinheiro”, afirmou Victoria Werneck. Ainda assim, ela acredita que a inflação deve permanecer dentro da meta nos próximos quatro anos. 

Na visão da Estrategista-chefe da área de Investimentos da MAG Investimentos, porém, a necessidade de aumento dos gastos não é a única causa de nosso problema fiscal. “Além de gastarmos muito, gastamos muito mal. Educação e Saúde, por exemplo, têm orçamentos enormes, mas a qualidade é péssima”, disse ela, complementando que “a nossa carga tributária não suporta mais aumento de imposto para arcar com a dívida pública, só nos restando a reforma fiscal”. 

Para ajudar na compreensão do comportamento da inflação, ela fez um exercício de decomposição do IPCA, que é ancorado em quatro grupos: alimentação no domicílio, serviços, administrados (preços regulados) e bens industriais. Enquanto os alimentos têm trajetória ascendente de preços, os bens industriais têm trajetória descendente. E segmentando o grupo de bens industriais em bens duráveis, semiduráveis e não duráveis, se observa que os duráveis tiveram grande desaceleração, diferentemente dos outros dois, que permaneceram na média. 

Serviços em baixa e alimentos em alta 

Assim, a conclusão de Patrícia Pereira é de que são os alimentos o vilão da inflação. Segundo ela, o comportamento de alimentos em alta no Brasil é semelhante a outros países da América Latina que cresceram acima da média global, inserindo muita gente nos hábitos de consumo. Para 2021, ela informa que as projeções apontam que a inflação de alimentos deve oscilar de forma sazonal, mas menos pressionada quem em 2020. 

Abordando a inflação relacionada a serviços, Patrícia afirmou que a queda nos preços se deu, principalmente, devido ao isolamento social.

Segundo o Diretor Financeiro do Grupo Bradesco Seguros, grande parte do que está ocorrendo em relação aos preços pode ser explicado pelas distorções criadas pela pandemia. Por outro lado, a pressão do IGP-M também se relaciona à exportação de commodities e ao boom de consumo chinês. Abordando, particularmente, os impactos no setor segurador, Vinicius Cruz lembrou que temos contratos bastante importantes pagando renda para aposentados que são anteriores a esses índices de inflação, que sofrerão correções bastante significativas e poderão impactar os balanços das seguradoras. Ele também lembrou que a Taxa Selic atravessa um momento de baixa, pois a atividade econômica também está baixa, mas o ritmo da inflação dependerá da política monetária com a volta das atividades. 

O novo marco legal de investimentos do setor 

“O Brasil sempre quis a inflação e os juros em patamar baixo, mas isso coloca um grande desafio para o setor de seguros, obrigando os gestores a buscarem maior rentabilidade de suas aplicações”, concluiu o Presidente da CNseg, lembrando que a Confederação está envolvida em proposta de novo marco legal de investimentos do setor, de modo a permitir melhor combinação entre ativos e passivos dependendo da duração dos contratos.

“Nosso setor tem os investimentos muito concentrados em títulos públicos, mas estamos diversificando ao longo dos anos”, esclareceu Vinicius Cruz, já ao fim dos debates, e, com o olho no consenso de inflação comportada doravante, essa diversificação merece ter novas possibilidades com a revisão da regulamentação proposta para o Banco Central e para a Susep.