Munich Re encerra 2020 com lucro no mundo e no Brasil

Vendas no Brasil avançam 18%, puxadas por auto e rural

O grupo de resseguros alemão Munich Re espera que o lucro líquido se recupere este ano, depois de cair mais da metade em 2020, à medida que a crise do coronavírus ajudou a levar os sinistros a um pico de quase uma década.

“Apesar dos enormes desafios colocados pelo COVID-19, a Munich Re fechou 2020 com lucro”, disse o presidente-executivo Joachim Wenning. O lucro líquido de 1,211 bilhão de euros se compara com 2,707 bilhões de euros um ano antes.

As principais perdas em 2020 com vírus e catástrofes naturais totalizaram 4,689 bilhões de euros (US$ 5,71 bilhões), o maior nível desde 2011, quando a empresa teve que fazer pagamentos por um tsunami no Japão, grandes terremotos na Nova Zelândia e a explosão do Deepwater Horizon plataforma de petróleo. As reivindicações relacionadas à pandemia sozinhas totalizaram mais de 3,4 bilhões de euros.

A Munich Re disse que espera que o lucro se recupere para 2,8 bilhões de euros em 2021 e que não oferecerá mais seguro contra eventos cancelados devido a pandemias. O setor de seguros tem enfrentado grandes reivindicações da pandemia, como eventos cancelados e eventos adiados, incluindo as Olimpíadas, bem como perdas com furacões e incêndios florestais nos Estados Unidos.

Brasil – Apesar dos inúmeros desafios de 2020, a Munich Re continuou com foco no crescimento sustentável, atingindo também maior diversificação de carteira. O prêmio ganho cresceu 18% em relação ao exercício anterior, totalizando R$ 918,376 milhões (R$ 777,308 milhões em 2019), com destaque para os ramos auto e rural, que cresceram 65% e 72%, respectivamente. O lucro líquido recuou para R$ 21 milhões, comparado aos R$ 37 milhões de 2019.

A sinistralidade mostrou-se estável em 2020. O índice do exercício foi de 81% (79% em 2019), aplicando os mesmos critérios prudentes na constituição das provisões técnicas adotados pelo grupo Munich Re ao redor do mundo. A sinistralidade observada nos contratos aceitos é refletida no resultado de retrocessão cedida, com a qual nos protegemos de grandes perdas.

Em 2020, não houve impactos materiais causados pela pandemia de COVID-19. As despesas administrativas foram de R$ 46 milhões (R$ 42 milhões em 2019), alinhadas com o planejamento interno da resseguradora e com o crescimento dos prêmios ganhos.

As posições de patrimônio líquido permanecem sólidas, com métricas de solvência bastante confortáveis, o que contribui para a solidez da companhia localmente para enfrentar crises como a vivenciada recentemente devido à pandemia de COVID-19 com segurança, confiança e estabilidade. O grupo ressalta no balanço que as posições de capital e retrocessão são lastreados inteiramente na força financeira do grupo Munich Re, um dos grupos resseguradores mais sólidos do planeta.

“Graças à estratégia de proteção cambial, o grupo informa que não teve impactos negativos decorrentes da desvalorização da moeda, uma vez que esse tipo de investimento é feito inteiramente para compensar movimentos de câmbio ocorridos em nossas obrigações assumidas em moeda estrangeira”, informou Rodrigo Belloube, presidente da Munich Re Brasil.

A redução da taxa SELIC para 2% em 2020 refletiu também em redução da curva dos investimentos prefixados, em que a Munich Re investe a maior parte dos seus ativos. Esta redução na curva aumentou o valor de mercado das aplicações prefixadas, trazendo um desafio para a melhor alocação destes recursos quando do momento de reinvestimento, devido ao cenário de juros baixos. As aplicações financeiras atingiram o saldo de R$ 1,251 bilhão em 2020 (R$ 1,196 bilhão em 2019).

A Munich Re acredita que o momento atual servirá como catalisador de uma profunda transformação cultural que impulsionará a penetração dos seguros no Brasil. Nesse sentido, a crise vem acompanhada também de grandes oportunidades para o mercado.

A Munich Re enxerga no mercado local um grande potencial, uma vez que enquanto no Brasil a penetração do seguro veicular é de 25%, nos Estados Unidos é de 96%. No seguro residencial, os percentuais são de 14% e de 96% respectivamente. O seguro rural, tão fundamental para o desenvolvimento sustentável do nosso agronegócio, apresenta uma fotografia similar. Outras modalidades emergentes de seguro como, por exemplo, o seguro contra riscos cibernéticos, possui penetração ainda mais inexpressiva.

A Munich Re está atenta a este momento único e assume a corresponsabilidade de impulsionar essa transformação, ajudando na criação do futuro do mercado segurador brasileiro junto aos seus parceiros de negócio. Equipes no Brasil são dedicadas integralmente à criação e desenvolvimento de soluções digitais inovadoras, com parceiros tecnológicos nas mais variadas indústrias. Nossa missão é ajudar na construção das soluções de gestão de risco do presente e do futuro, tornando nossa sociedade mais protegida e mais resiliente para que possa empreender e progredir.

Relatório da ONU propõe abordagem integrada para gerenciar riscos futuros das mudanças climáticas

Segundo o Relatório de Sustentabilidade do Setor de Seguros da CNseg de 2019, 58,8% das empresas presentes no Brasil já consideram as mudanças climáticas na avaliação da exposição de suas carteiras e no desenvolvimento de produtos e serviços

Fonte: CNseg

Um relatório que propõe abordagem integrada para gerenciar os riscos futuros das mudanças climáticas no setor segurador acaba de ser produzido pela Organização das Nações Unidas, com a colaboração de 22 grandes grupos seguradores e resseguradores globais, que respondem por mais de 10% do volume mundial de prêmios e US$ 6 trilhões em ativos sob gestão.

O trabalho reúne 107 páginas e busca testar as recomendações da Força-Tarefa do Conselho de Estabilidade Financeira sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TFCD).  Envolve aspectos físicos relacionados ao clima, riscos de transição e contencioso de forma integrada com foco na análise de cenários.

Segundo relatório final dos Princípios para a Iniciativa de Seguros Sustentáveis (PSI) do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEF-FI), há um nível de sofisticação analítica entre as categorias de risco climático, ramos de seguro e setores econômicos. O estudo afirma que as mudanças climáticas apresentam não apenas riscos negativos, mas também oportunidades positivas para desenvolver novos produtos de seguro e expandir os existentes com um cenário de riscos em mudança.

O levantamento, embora inovador, ainda é preliminar para desenvolver uma metodologia para avaliar o risco de litígios relacionados às mudanças climáticas, abrangendo custos potenciais, multas e penalidades, processos judiciais de executivos, impactos na avaliação e classificações de crédito, segurado reclamações e exclusões entre o segurado e a seguradora. Mas é um passo relevante, porque simboliza o início da jornada internacional do setor de seguros sobre o gerenciamento de riscos climáticos.

Segundo o Relatório de Sustentabilidade do Setor de Seguros da CNseg de 2019, 58,8% das empresas presentes no Brasil já consideram as mudanças climáticas na avaliação da exposição de suas carteiras e no desenvolvimento de produtos e serviços, e 62,5% creem que as mudanças climáticas serão integradas plenamente em sua governança, estratégia, gestão de riscos e metas e indicadores nos próximos 5 anos.

Artigo: Por que o mercado de seguros valoriza tanto a Tecnologia da Informação?

icatu vida

por Patricia Gargiulo, Superintendente de TI da Icatu Seguros

Presente na vida de todos, das mais simples às mais complexas operações cotidianas, a área de Tecnologia da Informação (TI) ainda é pouco compreendida por muitos, talvez pela complexidade que envolve. Ela permite desde o simples uso de smartphones e seus aplicativos, postagens em redes sociais, o pagamento com cartão de débito ou crédito, até a verificação de estoques, a contabilidade em tempo real de compra e venda, transações com ações, aplicações financeiras e avaliações do comportamento de uma pessoa assim como o acompanhamento de sua condição física através de sensores.

Trabalhando em TI há mais de três décadas, sempre tive dificuldade de explicar, por exemplo, para a minha mãe, as diversas disciplinas de TI que estão por trás de resultados aparentemente simples, mas que exigem ações complexas e atualizações constantes. Por isso, dois vídeos recentes fizeram tanto sucesso em redes sociais, sendo que um deles reflete em seu texto o que um profissional de TI vivência no seu dia a dia.

Todo dia você acorda e já está desatualizado, não importa o quanto você estude porque já vão ter 10 pessoas com a metade da sua idade que estão anos luz à sua frente. E apesar de você tentar fazer o seu melhor, o que acontece?  Dá pau, dá bug, e os feedbacks são sempre que “não é o suficiente”.  Sempre a culpa é do “sistema”.

O segundo, representa muito bem a forma como a maior parte das demandas chegam para TI:

– Qual o sabor do pastel que o senhor quer?

– Estou com pressa, só tenho 5 minutos, mas vai fritando aí que ainda vou decidir e daqui a pouco eu te falo.

Brincadeiras à parte, TI é uma carreira emocionante e sempre desafiadora.  Temos a possibilidade de entregar produtos e automatizar serviços importantes e alguns imprescindíveis para o dia a dia de todos, podendo ser utilizados por diversos países e indústrias. Seja nas áreas de humanas, saúde, prestação de serviços ou tecnológicas, ser um profissional de TI nos dá a certeza de que deixaremos um legado que contribui para o desenvolvimento e o progresso.

No mercado de seguros, independente do ramo, temos um leque de oportunidades para colocar a TI como o início, meio e fim para se viabilizar o negócio.

Existem duas áreas dentro da TI que não são tão lembradas pelos usuários, mas que são fundamentais para sustentar o negócio: infraestrutura e segurança da informação.  A importância destas áreas é ímpar e elas estão sempre trabalhando à frente das solicitações de demandas do nosso dia a dia. Ferramentas de comunicação, telecom, nuvem, hiperconvergência, SD-WAN não são soluções colocadas no ar de um dia para noite em uma empresa com anos de mercado, sólida e madura tecnologicamente. Estas áreas estão sempre alguns anos à frente das demais para conseguirem suportar um aumento de volume e/ou fusões e aquisições. Em paralelo, a área de arquitetura de software e solução precisa trabalhar também com esta pegada de olhar para o futuro para garantir a escalabilidade, desacoplamento e atualizações tecnológicas tão necessárias no desenvolvimento deste novo mundo. 

As arquiteturas corporativas e de integração são imprescindíveis para que a TI e a estratégia do negócio caminhem juntos, viabilizando negócios entre empresas de verticais distintas e desacoplando o que deve ser desacoplado.  Quem já não ouviu falar de APIs?  A API não nasce repentinamente. É preciso definir a estratégia, selecionar o fornecedor do portal, desenhar todo o modelo canônico, conhecer bem o negócio, definir as métricas e monitoração, para finalmente ter a sua prateleira repleta de informações que poderão ser consumidas como serviços prestados pela sua própria empresa ou pelos seus próprios clientes.

Trabalhar com métodos ágeis, com governança e suportado por uma tecnologia é o que temos de melhor hoje. Eu, que fiz o curso da Rational em 1995, RUP, velho método cascata, e também a certificação do Kanbam em 2018, sei que a transparência, rapidez na identificação do ponto do problema, acompanhamento do fluxo são incomparáveis neste mundo de mudanças constantes que vivemos. 

Não dá para trocar o recheio do pastel enquanto se está atendendo a uma demanda, pois, por vezes você não tem o ingrediente e ainda vai ter que pesquisar para ver onde compra, custo, aderência, integrações, antes de utilizá-lo. A cada término de fritura, você até pode colocar um novo pastel, já com o recheio correto, mas o tempo para que o profissional prepare esse novo pastel é inevitável, saudável em alguns cenários, mas precisa ser levado em consideração. Do contrário, com certeza a qualidade ficará prejudicada.

Enfim, para que suas entregas sejam consistentes e escaláveis, é preciso ter reaproveitamento, governança, sólidos alicerces, empatia e comprometimento com o seu cliente e com a empresa. Se você tiver vários grupos de pessoas desenvolvendo a mesma coisa, em linguagens e tecnologias diferentes, apenas com o objetivo de entregar mais rápido, seu negócio não ficará no ar por muito tempo. O custo vai disparar, a sustentação ficará inviável, o conhecimento vai estar na cabeça de cada profissional – e, como falei anteriormente, eles são cada vez mais novos, excelentes e movidos a desafios. O conhecimento tem que ser corporativo, da empresa; é preciso experimentar e inovar. Isso tem que fazer parte do nosso DNA.

Na Icatu, trabalhamos com todos os conceitos e tecnologias de ponta.  Nosso conselho administrativo e principais executivos da empresa não medem esforços e investimentos para oferecermos o melhor serviço para nossos clientes, parceiros e corretores.  Utilizamos em infraestrutura o conceito de nuvem, virtualização e hiperconvergência, em desenvolvimento e arquitetura APIs, desacoplamento e em alguns casos microsserviço, mantemos nossos ambientes atualizados em termos de versões de banco de dados e linguagens de programação, utilizamos os métodos ágeis para execução das nossas demandas.  Temos o Icatu Ágil, realizado anualmente e aberto para todo o mercado onde trocamos experiências com palestras de profissionais do mercado e profissionais da própria empresa.  O Icatu Techmonth é um evento mais técnico, também anual, realizado com a participação de fornecedores e consultorias que estão aderentes à nossa jornada e também por profissionais nossos que têm muito a compartilhar e divulgar.

Enfim, sempre ouvimos que o mercado segurador é tradicional e fortemente regulado, mas isto não atrapalha em nada a criatividade, inovação e atualização tecnológica.  Pelo contrário, desafia para que cada vez mais sigamos fortes na governança e transparência, flexibilização e habilidade em dosar as entregas comerciais, legais e técnicas. 

Os desafios da distribuição de seguros pós-Covid foi tema do debate do CVG-RJ

Fonte: CVJ-RJ

O CVG-RJ realizou, nesta quarta-feira (24 de fevereiro), evento
internacional “Os Desafios da Distribuição de Seguros pós-Covid no Brasil e
na Europa”, que foi transmitido pelo canal do CVG-RJ no Youtube e contou com as participações de um destacado especialista do mercado europeu, o advogado e corretor de seguros espanhol César García González, delegado da Associação Profissional de Mediadores de Seguros (APROMES-Portugal); e de dois dos mais experientes líderes do setor, no Brasil, os presidentes do Conselho de Administração da MAG Seguros e do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, Nilton Molina, e do Sincor-RJ, Henrique Brandão. 

Coube ao presidente e ao vice-presidente do CVG-RJ, Octávio Perissé e Enio
Miraglia, a mediação do encontro. “A nossa intenção foi traçar um paralelo
entre os mercados da Europa e do Brasil no que se refere à distribuição de
seguros”, revelou Perissé, que anunciou ainda a intenção de promover novo
evento no mesmo formato, para abordar a questão da longevidade. “Vou
conversar com o Molina a respeito”, adiantou.

Já Enio Miraglia frisou que o evento propiciou “uma aula”, permitindo a
quem assistiu ao vivo ou ainda verá no canal do CVG-RJ ficar ainda mais
enriquecido em termos de informações. “Foi um encontro maravilhoso em que fizemos um intercâmbio entre Brasil e Europa. Temos isso na nossa bagagem, agora”, observou.

Mercado Europeu – Apresentado como a grande atração do evento, César García González destacou que o cenário atual na Europa, provocado pela pandemia, tem muitas semelhanças com a crise financeira e social de 2007/2008, provocando o aumento do desemprego e a queda do PIB. Contudo, ressaltou que a crise de 2020, ao contrário daquela, “ainda não é estrutural”. Ainda assim, alertou que, “se não atuarmos de forma certa”, esta crise não será temporária e também pode vir a ser estrutural.

Gonzáles revelou que, neste contexto, o mercado de seguros registra queda
no faturamento e do percentual de renovação nas apólices. “Os seguros de
vida e de fundos de investimentos são os grandes perdedores. Há resgate de
investimentos para pagar contas e não há mais dinheiro sendo investido em
fundos”, explicou. Em contrapartida, o “grande vencedor” é o ramo saúde,
pois as pessoas têm agora, mais conhecimento sobre a importância da saúde suplementar, e querem contratar um plano, mas não vão ao médico, o que aumenta a receita do setor e reduz os sinistros.

O especialista apontou ainda a ocorrência de uma “tormenta perfeita”, em
que a pandemia coincide com a implementação de mudanças obrigatórias nas diretrizes para a distribuição de seguros na Europa e o avanço da Brexit
(saída do Reino Unido da União Europeia), neste caso, especialmente pelo
fato de Londres sediar o Lloyds, que tem forte influência sobre os rumos do
mercado de seguros e de resseguros no continente.

Assim, ao conviver concomitantemente com os efeitos da pandemia, a
necessária adaptação às novas regras para distribuição e às mudanças
causadas pelo Brexit, o setor precisou se “reinventar”. Essa necessidade
levou o mercado a realizar fortes investimentos na digitalização. “Foi feito
em três ou cinco meses o que seria desenvolvido em cinco ou 10 anos”, afirmou.

A transformação digital trouxe um desafio maior, que é a necessidade de
humanizar o processo de relacionamento com os clientes algo que, de acordo com ele, tem peso maior para os latinos, que sempre priorizaram o
atendimento pessoal.

O novo contexto obriga corretores e agentes do mercado europeu a
direcionarem o foco de sua atuação para a manutenção das carteiras de
negócios, pois há dificuldades imensas para prospectar e atrair novos
clientes. “As seguradoras têm planos para reduzir os valores e facilitar o
pagamento dos prêmios, com o objetivo de ajudarem o corretor a, pelo menos, manter a carteira. Mas, a verdade é que o seguro, como um bolo, precisa de uma boa massa para crescer”, alertou.

Gonzáles disse ainda que a pergunta atual não é saber se a distribuição
terá futuro, mas “se nós estaremos nesse futuro”. Ele citou ainda a importância que as plataformas (assessorias) de seguros
poderiam ter para ajudar o pequeno corretor. Mas, ressalvou que, ao
contrário do que ocorre no Brasil, esse segmento ainda é incipiente no
mercado europeu, com a exceção da França. Na visão dele, esse instrumento não funciona no mercado europeu em razão da baixa densidade populacional e territórios menores. Mas, revelou que as plataformas começam a surgir em algumas regiões como nas áreas mais isoladas e despovoadas de Portugal.

Molina – Já Nilton Molina frisou que a pandemia trouxe para a sociedade a
evidência do risco para a vida, o patrimônio e os negócios. “No seguro de
vida, o mercado inteiro nunca teria recursos para fazer uma campanha como uma grande emissora de televisão fez durante a pandemia, com notícias diárias sobre o risco da morte, abrindo os olhos da sociedade”, acentuou.

Segundo ele, há muito espaço para o setor avançar, até porque, considerando apenas os “seguros tradicionais” (vida e ramos elementares), o mercado pouco avançou nos últimos 25 anos. “Entre 1996 e 2019, a participação dos seguros tradicionais no PIB passou de 1,42% para 1,68%. Então, o mercado não saiu do lugar”, pontuou Molina, para quem o seguro saúde e os planos de acumulação não integram “o mercado tradicional de seguros”.

Na visão dele, cenário, que aparenta ser ruim, pode, na verdade, mostrar um enorme potencial para crescimento e que ainda “está tudo por fazer”. Nesse contexto, Molina observou que o foco deve ser direcionado para o seguro de indivíduos, até pelo fato de, no mundo inteiro, o processo digital ter empoderado o consumidor, que foi “colocado no comando do processo de distribuição”, algo potencializado pela pandemia. “Aconteceu algo
extraordinário. Nossos corretores de vida, acostumados em vendas
presenciais, aprenderam, durante a pandemia, a vender o presencial remoto. Antes, fazia duas entrevistas por dia. Hoje, faz seis. Isso é muito
importante para o corretor, cujo principal capital é o tempo”, asseverou.

Ele advertiu, contudo, que o corretor agora precisa ser ainda mais hábil do
que já era, pois se não tiver capacidade e conhecimento na venda remota, o
cliente simplesmente aperta um botão e o deleta. Molina pontuou ainda que o novo cenário também obriga as seguradoras a reduzirem custos administrativos e também de distribuição. Mas, ressalvou que isso não significa cortar os ganhos do distribuidor, mas, sim, ganhar em eficiência e produtividade. “Não queremos reduzir os ganhos da distribuição, mas reduzir os custos da distribuição. Esse é o grande desafio”, acrescentou.

Para ele, ainda é rara no Brasil a figura do corretor especialista em gente
e que sabe explorar toda a capacidade de atender a todas as necessidades do indivíduo. “O corretor de vida, não vende planos de saúde. O de auto, não vende propriedade. Isso precisa mudar. O corretor tem os clientes, não pode ser mais especialista em produtos, tem que ser especialista em gente”, sugeriu.

Brandão – Por sua vez, Henrique Brandão comentou que há um processo global de desintermediação que afeta todos os setores da economia. “Estamos vivendo o maior desafio da história de distribuição do mundo, que inclui a definição pela sociedade entre a relação humana e a relação tecnológica. Há o sentimento que tudo é tecnologia e que o ser humano deixou de ser prioritário. Mas, quanto mais vejo tecnologia, mais certeza tenho da sobrevivência da intermediação. As pessoas querem outras pessoas do outro lado para fazer algo”, enfatizou.

Ele fez uma correlação do momento atual com o início da entrada dos bancos no mercado de seguros. O presidente do Sincor-RJ relembrou ter dito na época que o corretor não apenas resistiria como iria crescer muito mais. “Havia 20 mil corretores de seguros. Hoje, somos 100 mil. Os bancos nos ajudaram a fazer a massa. Hoje, o mundo está vivendo impacto da generalização ou especialização. As seguradoras entenderam a importância da trilogia perfeita, envolvendo cliente, corretor e as companhias. Isso beneficia a todos os envolvidos”, asseverou.

Por fim, ele admitiu que há um grande impacto decorrente da pandemia, seja na reavaliação dos processo de intermediação e a venda direta. Assim,
Brandão considera inevitável a revisão do processo de distribuição. Mas,
assegurou que, seja qual for o resultado desse processo, o corretor irá
resistir. “Já disse muitas vezes e repito: nós, corretores, somos semelhantes às baratas, pois podemos resistir até à bomba atômica”, concluiu.

ESSOR Seguros registra crescimento de 9% em prêmios emitidos e 16% de lucro líquido em 2020

Temos a certeza que 2021 será ainda mais desafiador que o ano passado e precisamos buscar continuamente soluções e melhorias operacionais, diz CEO

Mesmo em um ano atípico como foi 2020, a ESSOR Seguros teve um crescimento de 9% nos prêmios emitidos, fruto do fortalecimento dos produtos atuais e lançamentos de novos produtos e tecnologia.  O lucro líquido teve um aumento de 16% no ano passado e a seguradora apresentou um excelente índice combinado, que segundo informações da Superintendência de Seguros Privados (Susep), analisadas pela consultoria Siscorp, se classificou como a 8ª melhor seguradora em termos de lucratividade no país.

“Estamos muito orgulhosos dos números divulgados, pois reflete o esforço de todos os nossos colaboradores e parceiros estratégicos da Seguradora, junto aos corretores de seguros. Temos a certeza que 2021 será ainda mais desafiador que o ano passado e precisamos estar focados em buscar continuamente soluções e melhorias operacionais, otimizando assim o retorno de cada produto”, afirma Fabio Pinho, CEO da ESSOR.

Willis Towers Watson e Liberty Specialty Markets lançam seguro de risco reputacional

Novo produto oferece cobertura para perda de lucro bruto de uma organização, caso ocorra um evento deste tipo, também oferece proteção financeira que fornece ferramentas às empresas de que precisam para proteger sua reputação

Fonte: companhias

A Willis Towers Watson, empresa líder global de consultoria, corretagem e soluções, e a Liberty Specialty Markets, líder global em seguros comerciais e especializados, lançaram um seguro contra riscos reputacionais que permite às organizações transferirem os riscos associados a certos tipos de crises de reputação, além de fornecer acesso a uma variedade de recursos não relacionados a seguros, incluindo análise de dados com base em inteligência artificial.

A solução está disponível para todos os países e inicialmente apenas para empresas dos setores de turismo, manufatura, varejo e transporte. A líder de mercado Polecat Intelligence Limited é a responsável por fornecer dados de reputação e análises de inteligência para as empresas. 

Para Garret Gaughan, líder do Hub de P&C de mercados globais da Willis Towers Watson, a confiança pública nas autoridades, seja no setor privado ou estatal, mudou radicalmente nos últimos cinco anos. “O equilíbrio de poder no contexto de influenciar a percepção do público mudou da sala de reuniões para as mãos da geração de smartphones. As organizações estão em um ambiente de reputação perigoso e volátil “, explica. Com esse lançamento, a Willis Towers Watson sai na vanguarda, entregando um mecanismo de suporte fiduciário tangível para os clientes.”

Para Lewis Edwards, diretor de subscrição e specialty da Liberty Specialty Markets, o aumento da exposição do cliente às mídias tradicionais e sociais levou a um aumento das perdas de reputação em todo o mundo. A maioria dos produtos de reputação no mercado hoje só inclui taxas de comunicação de crise incorridas após um evento de crise de reputação.

“Este novo produto é um dos poucos que oferece cobertura para a perda de lucro bruto de uma organização após esse evento, proteção financeira e fornece aos clientes as ferramentas de que precisam para proteger sua reputação. A capacidade de agir com rapidez e transparência pode ter um impacto muito positivo no desfecho de uma crise”, afirma.

Adam Garrard, líder de Risco Corporativo e Corretagem da Willis Towers Watson, afirmou que: “Enquanto o mundo luta com o surto da COVID-19, a importância de manter o impulso na inovação permanece clara. Ameaças emergentes continuam a surgir e as empresas precisam da opção de soluções modernizadas de transferência e mitigação de riscos em resposta.

“No seguro de riscos reputacionais, temos o prazer de oferecer aos nossos clientes uma solução de gerenciamento de risco que combina análise de dados, consultoria e transferência de risco de seguro com tecnologia de inteligência artificial em um só lugar. Para organizações de todos os tipos, o gerenciamento de riscos emergentes, como notícias falsas, engenharia social e manipulação de percepção, será fundamental para manter o valor”, afirma Garrard.

Francisco Aguirre Leiva, líder regional de Casualty para a América Latina na Willis Towers Watson, afirmou: “Atualmente e em um mundo em constante evolução, a reputação organizacional como um ativo intangível pode ser um fator de destaque reconhecido pelas partes interessadas ou, pelo contrário, um destruidor determinante do valor do negócio. O incipiente crescimento do ativismo social e do uso da hashtag nos últimos anos, bem como a proliferação de redes sociais e influenciadores, juntamente com a disseminação de notícias falsas, podem instantaneamente causar desconfiança do público em geral em detrimento das empresas e, consequentemente, nos seus resultados financeiros”.

O executivo ainda acrescentou que “o seguro de risco reputacional não deve ser considerado como uma apólice de seguro, mas sim como uma solução versátil, abrangente e acima de tudo inovadora que incorpora tecnologia de ponta (IA) para promover a gestão proativa de riscos, cobrindo as lacunas das apólices tradicionais a fim de proteger adequadamente não só a reputação, mas também a marca das empresas”.

Depois de enfrentar a pandemia e de arrumar a casa em 2020, IRB Brasil Re está otimista com 2021

IRB Brasil Re balanco 2020

Crise que era de credibilidade passou a ser uma crise econômica e financeira

No quarto episódio da série “De Portas Abertas com o IRB Brasil RE”, conversei com presidente do Conselho e CEO, Antonio Cassio dos Santos, sobre os resultados da empresa no quarto trimestre de 2020 e no ano completo. Foi um período difícil, complicado, mas a equipe conseguiu conquistas importantes, como levantar R$ 4,3 bilhões em novos recursos.

“Em meio a pandemia, enfrentamos o desafio de superar uma crise de credibilidade por informações inverídicas sobre a nossa base acionária, pela instalação de fiscalização especial da Susep sobre os ativos garantirdes de providos técnicas e pela reapresentação dos balanços de 2019 e 2018, que trouxe a real situação financeira da empresa e exigiu que nosso empenho para buscar capital neste período tão dificil do mundo com a Covid-19”, disse.

Segundo ele, o foco estava no plano de “re-underwritting”, chamado de CFG – clean, fix e growth. “O IRB encerrou 2020 com ativos da ordem de R$ 22,7 bilhões, patrimônio total liquido de R$ 4,3 bilhões e com ativos financeiros da onde de R$ 8,3 bilhões. Foi o ano de recuperação e saneamento da empresa. 2021 é o ano do saneamento do portfólio de negócios e com várias novidades na pauta, inclusive parceria com empresas que possibilitem a entrada em novos nichos de mercados, de riscos cibernéticos até celulares, passando pela oferta de resseguro para substituição de passivos atuariais em fundos de pensão”.

Assista a entrevista completa no vídeo abaixo:

Tokio Marine registra crescimento de 12,6% em 2020, melhor desempenho em 61 anos de Brasil

José Adalberto Ferrara Tokio marine

Em ano marcado pela pandemia de Covid1-19, companhia demonstra enorme resiliência e a força de seu relacionamento com Corretores e Assessorias

Fonte: Tokio Marine

Diante da maior crise humanitária dos últimos cem anos, a Tokio Marine, uma das maiores Seguradoras do País, deu uma enorme demonstração de resiliência, excelência operacional e força do seu relacionamento com mais de 33 mil Corretores e Assessorias, atingindo um crescimento de 12,6% em Prêmios Emitidos em 2020 em relação ao ano anterior.  Além do resultado de dois dígitos, a Companhia registrou um Índice Combinado de 89,3%. No geral, foi o melhor desempenho da Tokio Marine em 61 anos de História no Brasil.  

“Em um ano no qual a nossa grande prioridade foi, em primeiro lugar, preservar a saúde de nossos Colaboradores e Parceiros de Negócios, conseguimos manter a qualidade e a excelência dos serviços prestados aos nossos Clientes. Atribuímos essa excelente performance a uma infraestrutura bastante robusta de TI, que nos permitiu trabalhar de forma remota sem impactos à operação, e à grande motivação do time de 2,1 mil Colaboradores, a quem agradeço muito pela enorme dedicação e empenho no atingimento das metas da Companhia, mesmo em um cenário tão cheio de incertezas”, afirma José Adalberto Ferrara, Presidente da Tokio Marine. 

Entre os produtos Massificados, o destaque foi o crescimento expressivo do Seguro de Vida Individual, devido à maior conscientização a respeito da importância da proteção para as famílias. Ainda tiveram bons desempenhos os segmentos de Fiança Locatícia, Condomínio e Residencial. No Automóvel, carteira bastante atingida pelos impactos da pandemia, a Tokio Marine manteve a estabilidade nos negócios e ultrapassou a marca de 2 milhões de veículos segurados, um aumento de 11% em relação a 2019. Hoje, detém a terceira maior frota segurada do mercado nacional.

Já na Carteira de Produtos Pessoa Jurídica, a Tokio Marine registrou a marca histórica de R$ 2 bilhões em Prêmios Emitidos em 2020 O resultado, o mais expressivo já alcançado pela Companhia, demonstra, entre outros fatores, a autonomia de gestão local da Seguradora, mesmo fazendo parte de um Grupo internacional; a estabilidade de preço e a disponibilidade de buscar soluções para as demandas dos Corretores e dos Clientes. Os destaques em desempenhos de produtos foram Riscos de Engenharia; D&O; Riscos Financeiros Total; E&O; Riscos Nomeados e Rural Total.

“Para 2021, as perspectivas são de um cenário marcado ainda por baixa taxa de juros, câmbio alto e recuperação do Produto Interno Bruto. Não há dúvida de que os efeitos da pandemia na economia ainda estarão bastante evidentes e será necessário um grande esforço, tanto das empresas quanto do governo, para superarmos o desafio do crescimento econômico. Quanto ao mercado de seguros especificamente, sou otimista sobre como podemos contribuir para essa recuperação, voltando a crescer dois dígitos em 2021”, argumenta José Adalberto Ferrara.

O executivo acredita que um fator primordial para que isso ocorra é o notório crescimento da conscientização do Corretor quanto à necessidade de diversificação de suas carteiras e o uso cada vez mais frequentes dos canais digitais disponibilizados pelas Seguradoras. “A crise sanitária impulsionou a implementação de soluções e serviços digitais, e precisamos estar cada vez mais atentos às necessidades dos Clientes”, finaliza o Presidente da Tokio Marine.

Brasilseg registra receitas de R$ 10,3 bi em 2020, alta de 15,4%

Rodrigo Caramez

Segmentos de seguros de pessoas e de agronegócio puxaram o bom resultado da seguradora que apurou R$ 10,39 bilhões em prêmios no ano passado 

Fonte: Brasilseg

A Brasilseg, uma empresa BB Seguros, emitiu R$ 10,39 bilhões em prêmios em 2020, o que representa um crescimento de 15,47% sobre o ano anterior. Os segmentos de seguros de pessoas e de agronegócio foram os principais responsáveis pelo bom resultado, alcançando crescimentos de 12,32% e 22,65%, respectivamente. Em 2020, o lucro líquido da seguradora atingiu R$ 1,47 bilhão, um aumento de 1,28% em relação a 2019, valores representativos no resultado da holding BB Seguros. 

“Esse forte impulso em nossos resultados é exemplo do nosso constante esforço de proporcionar uma jornada cada vez melhor aos nossos clientes, com oferta de soluções digitais, especialmente no campo, o que gera, de um lado, uma melhor experiência com nossos seguros, e, de outro, maior acurácia na subscrição de riscos, regulação de sinistros e em outros processos-chave da nossa atividade”, diz o CEO da Brasilseg, Rodrigo Caramez. 

A ambição da Brasilseg é continuar com seu crescimento sustentável, disponibilizando todos os seus serviços em canais digitais, além de promover aumento da automação nas esteiras de regulação de sinistro e solicitação de assistência, visando à satisfação do cliente e a excelência operacional da empresa. Na linha de produtos a seguradora continuará com o foco no aprimoramento contínuo do portfólio, buscando benefícios e serviços que reflitam o propósito da companhia de cuidar de pessoas e proteger o que é valioso para elas. 

O desempenho em 2020 permitiu à Brasilseg manter boa posição em suas principais linhas de negócios: a companhia segue líder absoluta em seguros para o agronegócio, com 57,08% do mercado; e divide a liderança dos seguros de pessoas, com participação de 14,82%. Reunidos todos os segmentos em que atua, a seguradora se mantém líder de mercado, com share de 17,08%. 

“Em um cenário de pandemia, esses são resultados que demonstram a solidez do negócio e o foco desta administração na proximidade com os clientes e na geração de valor aos acionistas”, afirma Caramez. “E isso só tem sido possível com a incrível dedicação dos nossos times, que estão superando desafios importantes com grande engajamento e dedicação, e que se reflete também no certificado que recebemos do Great Place to Work. Nessa pesquisa 85% dos nossos colaboradores identificam que aqui é um ótimo lugar para se trabalhar”, completa. 

O ano de 2020 para a Brasilseg também foi marcado por investimentos em inovação e transformação digital, visando aumentar o foco nos clientes e respostas mais simples e ágeis. A empresa lançou, em outubro último, seu programa de conexões com startups, batizado de Impulso Open, que visa estabelecer parcerias estratégicas em inovação e transformação digital para os negócios da companhia. 

Além disso, em 2020 foi desenvolvida a Central de Seguros, disponível dentro do aplicativo do Banco do Brasil, serviço que oferece autonomia, agilidade e conveniência; e o Sensoriamento  

Remoto, serviço de monitoramento das propriedades rurais que disponibiliza informações importantes para uma gestão mais eficiente da lavoura. 

Em produtos, a empresa lançou nova linha de seguros para pessoas, com novas coberturas para o seguro prestamista e um inovador seguro de vida com assistências e benefícios voltados para saúde e bem-estar, como terapia online, pulseira inteligente e mapeamento genético. 

Notícias mostram o fim das barreiras para a inovação do setor, com seguros para todos os bolsos

seguro morreu de velho

Processo já estava acelerado, mas agora ficou claro que o seguro que se deixar ficar velho, vai morrer, como sinaliza a nova campanha do Nubank

Um dos assuntos mais comentados em seguros neste mês veio do Nubank e da Porto Seguro, que lança em marco o seguro de automóvel por assinaturas. O que os dois tem em comum? A inovação. A venda final. Mais gente protegida. A reinvenção do setor de seguros. O fim do mimimi. De barreiras ao novo. De levar seguros para todos os bolsos. Assumir que este é o único caminho a seguir, como várias seguradoras, corretores e resseguradoras já se posicionaram.

As notícias veiculadas em 2021 sinalizam que nem mesmo se partidos políticos pedirem o cargo da titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira — que tem colocado em prática o que há anos se tentava –, nada será como antes. O setor mudou. Se caso voltar a ser presidido por corretores de seguros ou seguradores, o setor seguirá aprimorando a experiência dos novos hábitos do consumidor. Se não, morrerá de velho, como diz a nova campanha do Nubank.

Além do anúncio da Porto Seguro, a maior seguradora de auto do Brasil, com um produto inovador, antes temido por ser visto como um inimigo do seguro de carro tradicional, o Nubank, em parceria com a Chubb Seguros, anunciou que em menos de três meses conseguiu vender 90 mil apólices de seguros de vida com valor de coberturas em R$ 9 bilhões. Algo incrível, pois dificilmente alguém vende esta quantidade de seguros num prazo tão curto.

O fato gerou muitos elogios dos clientes e análises dos concorrentes. Ainda avaliando a estratégia do banco, as seguradoras de vida foram provocadas mais uma vez com uma campanha provocativa: “O seguro morreu de velho”. Se nao bastasse o tom da campanha, o banco digital atualizou os números, para deixar claro que não há engano: Agora são mais de 101 mil contratos ativos do Nubank Vida, administrado pela Chubb Seguros – o que totaliza uma cobertura que supera os R$ 10,5 bilhões.

O banco digital tem gerado muitas polêmicas, ao promover disrupções no setor financeiro. Basta fazer uma simples busca no Google com o nome Nubank e encontrará várias notícias. Levando-se em conta apenas jornais de primeira linha, saberá que “Nubank é avaliado em US$ 25 bilhões mesmo sem dar lucro algum”, “Nubank pretende contratar 2 mil pessoas negras até 2025”, “Nubank publica compromisso antiracista”, “Nubank capta US$ 400 mi e está entre instituições financeiras mais valiosas”, “Nubank chega a 25 milhões de clientes”, ‘O Nubank é uma ameaça’, diz presidente do Bradesco”e por ai vai.

Já nos comentários das redes sociais temos “… o Nubank é operado pelo Bradesco..”, escreve Gustavo Burrati no post de Vinicius Soares, um dos novos segurados de vida da Chubb via Nubank. Ele tece criticas ao setor de seguros e elogios aos serviços recebidos. “Como alguém pode achar normal o Nubank valer US$ 25 bilhões? Há algum tempo tentei contratar um seguro, tanto por meio das grandes seguradoras quanto de um banco, e minha experiência foi horrível. Inúmeros documentos solicitados, vários asteriscos na apólice para no final receber uma mensagem genérica: “Não é possível seguir com a contratação do seu seguro neste momento”. Não vou entrar no mérito dos processos seguidos pelas seguradoras, cada uma tem sua metodologia para avaliar a probabilidade de sinistro e determinar se aceitam ou não o risco”, dispara o head de produtos da Monetus.

Segundo ele, às 12h30 viu que a aba de seguros havia sido liberada no app. Às 12h40 conseguiu avaliar todas as coberturas oferecidas de forma clara. Às 12h45 o seguro estava contratado, pago com o saldo da NuConta, e a apólice ativa. “Zero estresse! Apenas 15 minutos para eu estar com uma apólice ativa. Em outros lugares, com 15 min eu ainda estaria na metade de um formulário gigante”, afirma.

Um elogio do próprio mercado de seguros veio de Diogo Arndt Silva, CEO da Lojacorr, maior rede de corretores independentes de seguros do Brasil. Ele contratou o seguro para conhecer melhor. No post, ele mostra a sua compra. Um valor mensal de R$ 45,38, com a informação do Nubank de que já está incluso neste valor a comissão do Nubank, que é uma taxa de 35% do pagamento mensal líquido, igual a R$ 16,17.

Vale mencionar que há tempos uma das principais pautas dos setor é sobre fazer a Susep, órgão regulador, desobrigar o corretor de divulgar o seu comissionamento. Se 35% de comissão do Nubank é considerado um percentual elevado, vale dizer que há parceiros que cobram até 60% para vender seguros de vida e acidentes pessoais.

“Precisamos repensar o funcionamento da indústria de seguros e novas formas de orquestrar o ecossistema em direção ao consumidor. Os consumidores clamam por transparência e relações de confiança. Na “Nova Economia” que emerge numa velocidade cada vez maior o “Nome do Jogo” é CONFIANÇA. A transparência gera confiança e a confiança é base para o desenvolvimento de qualquer relação pessoal ou profissional. Muitos viram a notícia de hoje que o Nu Bank conquistou 90 mil apólices de seguro de vida em apenas 3 meses de operação, resultado que muitas seguradoras demoraram décadas para alcançar”, recomenda o CEO da Lojacorr, que superou a marca dos R$ 735 milhões em vendas de produtos de 42 seguradoras parceiras, crescimento de 25% em relação a 2019. 

FenaPrevi: de abril a dezembro de 2020 foram pagas 23.503 indenizações

Para quem cobre o setor há tempos, como eu, gostaria de dizer que a notícia do Nubank confirmou a minha percepção. De que os brasileiros já tem noção da importância do seguro de vida. Ainda mais depois de um ano de pandemia, que já tirou a vida de mais de 250 mil pessoas no Brasil. Segundo o último levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada (Fenaprevi), de abril a dezembro de 2020, quando as mortes por Covid no país eram de 150 mil, foram pagos 23.503 indenizações para clientes de seguro de vida, acidentes pessoais, prestamistas e planos de previdencia, o que resultou em quase R$ 1 bilhão em pagamentos. A pesquisa inclui 23 empresas, que representam 83% do seguro de pessoas.

Os dados da FenaPrevi falam por si. É preciso aumentar a base de clientes no Brasil, para que tantas famílias possam superar perdas. Muito já foi feito em educação financeira e muito ainda há de ser feito. Principalmente ser fácil contratar, ágil e com um preço que cabe no bolso. Muitos argumentam que a oferta do Nubank não é uma cobertura suficiente para amparar a família em caso de infortúnio. Pode ser que não e o valor da cobertura contratada está claro para o consumidor no aplicativo.

É como em saúde. Todos querem hospitais de primeira linha, mas o bolso de muitos só permite contratar serviços de telemedicina, com direito a alguns exames e quiçá uma internação por poucos dias. Pode não ser o produto ideal, mas é um começo. E se esta experiência for bem sucedida, o setor conquistou um cliente para diversos outros produtos. E assim o ciclo virtuoso será estimulado e o Brasil sairá da incomoda posição de “patinho feio” no mercado mundial quando se analisa o consumo per capita de seguro de vida e reservas para a aposentadoria.

“A expressão ‘o seguro morreu de velho’ nunca foi tão verdadeira. O Nubank Vida representa a evolução desse produto, com linguagem simples, contratação 100% digital, transparente e personalizável, em total contraste às velhas e ultrapassadas práticas do mercado de seguro de vida, ainda dominado pelos bancos tradicionais”, afirma Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank. “Nossa nova campanha mostra que é possível falar sobre seguro de vida de um jeito leve e descontraído, com toda a importância que esse produto tem como ferramenta de proteção financeira para diversas pessoas e famílias”.

Certamente vão surgir as críticas sobre Cristina Junqueira, que no ano passado disse no programa Roda Viva que “não dá para nivelar por baixo” , referindo-se à dificuldade de recrutar funcionários negros qualificados.  No entanto, ela já se desculpou e o banco criou um programa para contratar 2 mil pessoas negras até 2025.

Também já está na pauta a multa recebida pela Chubb de R$ 4 milhões do Procon de Minas Gerais depois de promover uma ação comercial para celular. Mas nada disso será mais um impeditivo para frear a inovação que levará o setor de seguros a conquistar seu espaço no cenário econômico e político nacional, sempre ressaltado pelo presidente da CNseg, a Confederação das Seguradoras, Marcio Coriolano: “O mercado mais que dobrou de tamanho em nove anos, saltando de R$ 125 bilhões em 2011 para R$ 273,1 bilhões em 2020, com uma taxa média geométrica de 8,1% no período. A volumosa arrecadação, que é um espelho da demanda crescente da população, torna o setor segurador o maior captador de poupança doméstica do País, com R$ 1,2 trilhão alocados no mercado financeiro. A cifra responde por 25% da dívida pública.”

Borá, temos muito trabalho pela frente. Foco, força e fé.