Economia Verde, Saúde e Justiça Social: uma nova agenda para o mercado de seguros

O seguro, hoje, ultrapassa o papel tradicional de garantir indenizações para se posicionar como agente ativo na construção de soluções sustentáveis. Sua atuação tornou-se peça-chave na redução de desigualdades sociais, na proteção da vida e da saúde, além de apoiar, de forma concreta, a transição para uma economia verde. Foi esse o eixo central dos debates dos dois painéis de abertura da Casa do Seguro, iniciativa promovida pelo Grupo Bradesco, que discutiu o impacto dos seguros frente à crescente relevância das mudanças climáticas e da necessidade de modelos econômicos e sociais mais resilientes.

Agenda dos painéis e temas centrais

Os painéis desta segunda-feira (10) se concentraram em dois pilares fundamentais: “Seguros, Mudanças Climáticas e Sustentabilidade” e “Resiliência e Inclusão: o papel do seguro na proteção das pessoas”. Ambos ressaltaram o seguro como instrumento não apenas de reparação de danos, mas de prevenção, educação, adaptação e transformação social — aspectos essenciais numa realidade cada vez mais marcada por eventos extremos e desigualdade de acesso à proteção financeira e à saúde.
 

Mudanças climáticas e os novos riscos à saúde

O físico Paulo Artaxo (USP) alertou que as mudanças climáticas já constituem uma das maiores ameaças à saúde pública deste século, com efeitos muito além das altas temperaturas. As alterações nos padrões de chuva, o avanço de vetores de doenças e o aumento da pressão sobre sistemas urbanos e produtivos mostram a necessidade de abordagens integradas, nos moldes do conceito “Saúde Única” da OMS, que conecta saúde humana, animal e ambiental.
 

Apesar de cinco décadas de alertas científicos e uma década do Acordo de Paris, as emissões globais continuam crescendo, impulsionadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento. Com o planeta já 1,55°C mais quente do que no período pré-industrial, e temperaturas que superam 2°C nas zonas continentais, o Brasil poderá experimentar acréscimos de 4°C a 4,5°C, especialmente preocupantes em cidades como Belém, que podem se tornar inabitáveis nas próximas décadas.
 

Os impactos já são sentidos de forma concreta: de 2003 a 2022, ondas de calor mataram 130 mil pessoas na Europa, enquanto no Brasil foram registradas 48 mil mortes adicionais ligadas à elevação de temperatura. No contexto global, 70% dos trabalhadores estão expostos a riscos climáticos crescentes. Ivani Benazzi, superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros, destacou também o aumento expressivo dos brasileiros afetados por enchentes — de 21 milhões para 48 milhões entre 2020 e 2023 —, atribuindo parte desse salto ao agravamento dos extremos climáticos.

Doenças infecciosas e saúde pública ameaçada

O vínculo entre mudanças climáticas e doenças infecciosas foi apontado pelo infectologista Celso Granato como “inequívoco e crescente”. Ele detalhou que o aumento das temperaturas e das chuvas cria condições ideais para a disseminação de vetores como o Aedes aegypti, responsável por doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, além do agravamento de enfermidades como leptospirose e cólera. O número recorde de casos de dengue em 2024 — 6 milhões — evidencia como o fenômeno é realidade presente, com projeções de agravamento diante de fenômenos como o La Niña.
 

Granato enfatizou que a vulnerabilidade atinge em especial crianças, idosos e populações pobres, inclusive em países historicamente não afetados, como Itália e Alemanha, onde novos casos de arboviroses vêm sendo registrados. Para ele, além do investimento em saneamento básico e vacinas, o combate concreto às mudanças climáticas é a medida mais efetiva e estrutural.
 

Impactos psicológicos, morte e a sobrecarga do sistema de saúde

Thaís Jorge, diretora médica da Bradesco Saúde, ampliou o debate mostrando que os efeitos vão muito além das doenças transmissíveis. Mudanças climáticas intensificam doenças respiratórias, cardiovasculares e mentais, enquanto a frequência e gravidade dos eventos extremos — como enchentes e tornados — têm causado traumas psicológicos, ansiedade e estresse pós-traumático. O aumento da temperatura e de desastres naturais também provoca descompensações em pacientes crônicos e eleva custos assistenciais e demandas por infraestrutura adaptada nas redes pública e privada.
 

Ela frisou a importância da informação para a transformação de comportamentos em larga escala e apresentou o guia “Nosso Clima, Sua Saúde”, lançado pela Bradesco Saúde, para ajudar a população a adotar ações práticas de adaptação, prevenção e autocuidado em cenários de calor intenso, enchentes e outros extremos.
 

Desigualdade, proteção financeira e inclusão: desafios para o seguro

A questão da cobertura insuficiente foi um dos pontos mais enfatizados. Estevão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência, observou que o Brasil enfrenta, simultaneamente, as transições climática, demográfica e tecnológica. Isso impõe o desafio de ampliar e adaptar soluções de seguro e previdência, sobretudo porque apenas 18% dos brasileiros possuem seguro de vida e somente 8% têm previdência privada — índices ainda menores nas classes C, D e E, mais vulneráveis a desastres e perdas financeiras.
 

Scripilliti defendeu o desenvolvimento de produtos personalizados e acessíveis, comunicação inclusiva (especialmente via redes sociais) e o acoplamento de assistências médicas, psicológicas e financeiras aos seguros. O diretor também mencionou o Indicador de Longevidade Pessoal, pesquisa criada para mapear fatores de bem-estar e qualidade de vida dos idosos — da saúde física à socialização, prevenção e apoio emocional.

O papel do seguro diante dos desafios globais 

Clique Para Download
PAINEL 2: SOLUÇÕES PARA O CLIMA: INICIATIVAS QUE IMPULSIONAM A ADAPTAÇÃO E TRANSIÇÃO DOS NOSSOS SEGURADOS

O segundo painel, também moderado por Ivani Benazzi, enfocou a dimensão econômica e social dos desastres e o papel estratégico dos seguros nesse contexto. Em 2024, perdas globais por eventos climáticos extremos chegaram a US$ 368 bilhões, mas apenas 40% estavam seguradas — evidenciando um déficit de proteção de US$ 211 bilhões e, no Brasil, uma lacuna ainda maior. A baixa cobertura é especialmente grave nas regiões Norte e Nordeste e entre as populações de menor renda.
 

Na prática, o seguro deve migrar de um produto percebido como elitizado para ferramenta de inclusão e resiliência. A Bradesco Vida e Previdência trabalha para democratizar o acesso, ofertando microsseguros a partir de R$ 2,50 e previdência sem taxa de carregamento. Em 2024, pagou R$ 1,3 bilhão em indenizações e apostou em fundos ESG (R$ 700 milhões), telemedicina, apoio psicológico e orientação nutricional.
 

Ney Dias, presidente da Bradesco Auto/RE, destacou que, na América Latina, entre 87% e 95% das perdas por desastres naturais não estavam cobertas por seguro — proporção muito superior aos 40% observados nos Estados Unidos. No Brasil, mais de R$ 700 bilhões em prejuízos nos últimos 11 anos foram parcialmente absorvidos pelo setor público, e sete dos dez maiores desastres naturais ocorreram nos últimos 15 anos. O executivo apontou iniciativas da empresa como resposta rápida aos eventos, indenizações ágeis, uso de dados geoespaciais e desenvolvimento de coberturas inovadoras (ex: carros elétricos, sistemas solares).
 

Novas soluções e protagonismo climático do Brasil

Paula Peirão (UNEP FI) reforçou que o setor segurador tem papel triplo no enfrentamento climático: gestor de riscos, tomador de riscos e investidor. Destacou iniciativas inovadoras, como seguros paramétricos, coberturas para agricultura sustentável, energia solar e restauração ecológica — e citou a nova Taxonomia Sustentável Brasileira como referência para canalizar investimentos e seguros para atividades de impacto positivo.
 

Ela lembrou que o Brasil, com alta biodiversidade e sede da próxima COP na Amazônia, pode liderar o movimento por uma economia mais verde, mas isso exige ação coletiva — unindo setor financeiro, empresas, governos e sociedade.
 

Caminhos para o futuro: educação, inovação e ação coletiva

Os painelistas convergiram na ideia de que reduzir o gap de proteção climática exige esforços em educação, inovação e integração de políticas públicas. Sugeriram:

  • Adoção de seguros específicos para eventos extremos, com cobertura de renda temporária para atingidos.
  • Inclusão de autônomos e pequenos empresários em planos de previdência e de vida.
  • Criação de fundo nacional para catástrofes, inspirado no FGTS previdenciário, com contribuições obrigatórias.
  • Compartilhamento de dados e experiências entre seguradoras nacionais e internacionais, ajustando modelos de risco à diversidade regional.
  • Políticas públicas para incentivar o acesso ao seguro em áreas e populações mais vulneráveis.

Reduzir o gap de proteção é, portanto, muito mais que um desafio técnico; trata-se de uma questão de equidade social e adaptação coletiva a uma nova realidade climática. O seguro, nesse contexto, se mostra fundamental para promover resiliência, proteger vidas e criar as bases para uma sociedade mais inclusiva, sustentável e preparada para o futuro.

Zurich reforça protagonismo do setor de seguros na COP30

Edson Franco CEO Zurich COP30 sustentabilidade

por Denise Bueno

A COP30, que começou oficialmente nesta segunda-feira, 10, em Belém, marca um momento histórico para o Brasil e para o setor de seguros. Diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos, as seguradoras assumem um papel cada vez mais estratégico na construção de resiliência e adaptação — não apenas indenizando perdas, mas atuando na prevenção, modelagem de riscos e apoio a políticas públicas.

Entre os players globais mais engajados nesse debate, a Zurich Seguros chega à conferência com o propósito de conectar resultados financeiros a um legado sustentável, reforçando que sustentabilidade e performance caminham juntas. A companhia participa do evento com uma delegação de alto nível, incluindo o chairman global e a chief sustainability officer, e leva à mesa discussões sobre financiamento da adaptação, infraestrutura resiliente e o papel do seguro como catalisador da transição climática.

Em entrevista ao Sonho Seguro, o CEO da Zurich Seguros, Edson Franco, afirmou que o objetivo da presença da companhia na COP30 é “transformar conhecimento técnico em impacto concreto”, apoiando governos e empresas com dados de risco, soluções de mitigação e iniciativas de conservação. Ele destacou ainda o avanço de projetos como o Zurich Forest, em parceria com o Instituto Terra, e o Projeto Origens, com o Imaflora, que unem preservação ambiental, geração de renda e valorização das comunidades tradicionais da Amazônia.

Para Franco, não há futuro econômico sem sustentabilidade e adaptação. O setor segurador, segundo ele, é essencial para reduzir vulnerabilidades e viabilizar investimentos resilientes. A entrevista completa aprofunda como a Zurich está integrando ciência, inovação e propósito à sua estratégia global e por que a COP30 representa um marco na consolidação do papel do seguro como agente de transformação climática e social. Leia os principais trechos da entrevista:

A COP30 coloca o Brasil no centro do debate climático. Como a Zurich enxerga o papel das seguradoras nesse contexto e de que forma pretende traduzir sua presença em Belém em resultados concretos para o país e para o setor?

    A Zurich enxerga esse momento como uma oportunidade para reforçar o papel estratégico das seguradoras na agenda de adaptação e resiliência. Mais do que indenizar perdas, o setor pode contribuir com análises de risco, modelagem climática, orientação técnica e apoio ao planejamento de longo prazo, elementos essenciais para reduzir vulnerabilidades e qualificar investimentos públicos e privados.

    A presença da Zurich em Belém busca transformar esse conhecimento em impacto concreto. A companhia participa de fóruns técnicos, painéis internacionais e encontros setoriais para apoiar discussões sobre resiliência urbana, infraestrutura e financiamento climático. Estamos com uma delegação de alta relevância no evento, incluindo o Chairman do Grupo Zurich e a CSO global, para mostrar que integrar dados de risco desde o início é fundamental para viabilizar projetos e evitar perdas futuras.

    O Brasil enfrenta perdas econômicas significativas associadas a desastres climáticos e, ao mesmo tempo, lidera debates sobre biodiversidade e transição ecológica. Nesse contexto, a Zurich pretende contribuir para o avanço de políticas públicas, ampliar o diálogo com governos e fortalecer mecanismos de prevenção e adaptação.

    A participação na COP30 também está conectada ao apoio da Zurich a iniciativas socioambientais brasileiras, como a Exposição Amazônia, a Floresta Zurich e o Projeto Origens Brasil, que reforçam o compromisso com conservação, desenvolvimento sustentável e impacto de longo prazo.

    A Zurich costuma destacar a importância de conectar resultados financeiros a propósito e legado sustentável. Como essa visão se materializa nas decisões de investimento e na gestão de riscos climáticos da companhia?

    As mudanças climáticas são uma realidade e já estão afetando diretamente os negócios, não só no setor segurador, mas em todo o mercado. Os eventos do Rio Grande do Sul, com perdas estimadas em mais de R$ 80 milhões, evidenciam esse cenário. Para nós, é muito claro que não é possível pensar em sustentabilidade e resultados a longo prazo sem uma agenda de sustentabilidade e adaptação robusta, e por isso, estamos dispostos não só a transformar os nossos negócios, como apoiar nossos clientes, empresas e sociedade em um mundo em transição. 

    Mais de 50% do PIB global depende moderada ou altamente de ecossistemas saudáveis. Isso ressalta a importância de investidores e seguradoras apoiarem a proteção e a restauração do capital natural como um imperativo econômico (Fórum Econômico Mundial, 2020). Esses dados de desenvolvimento sustentável contemplam o desempenho financeiro, e essa visão orienta tanto a forma como a companhia investe quanto a maneira como gerencia riscos de sustentabilidade. 

    Nosso Plano Global de Transição Climática deixa isso muito claro, com metas de descarbonização para operações, investimentos e subscrição, além de um direcionamento para o apoio a diferentes stakeholders para uma economia mais resiliente.

    Nos investimentos, a companhia adota compromissos progressivos de redução de emissões e já avançou na diminuição das emissões financiadas no Brasil. Globalmente, a Zurich integra critérios ambientais, sociais e de governança na análise de riscos e oportunidades, com o objetivo de apoiar uma economia mais resiliente e previsível.

    Na subscrição, a gestão de riscos climáticos vem sendo aprimorada com o uso de dados, cenários e modelos que ajudam a entender vulnerabilidades físicas e orientar decisões responsáveis. Isso inclui priorizar clientes que demonstram planos estruturados de transição energética, além de incorporar análises climáticas cada vez mais detalhadas nas carteiras corporativas. 

    Esse posicionamento junto aos nossos clientes conversa diretamente com nosso objetivo tornar a sociedade mais resiliente. Ferramentas como o Climate Spotlight, lançadas recentemente, reforçam essa abordagem ao permitir avaliar riscos presentes e futuros em diferentes cenários climáticos, e incentivar que os clientes adotem medidas de prevenção e adaptação antes dar perdas.

    A companhia trabalha para que suas decisões financeiras e técnicas, bem como os produtos que oferecemos e os projetos com que nos comprometemos, contribuam tanto para a proteção dos clientes quanto para a construção de um legado positivo para as próximas gerações, alinhando performance econômica, responsabilidade climática e impacto de longo prazo.

    Que temas a Zurich pretende levar para o debate técnico durante a COP30? Há alguma proposta específica que a companhia deseja apresentar para fortalecer a agenda de adaptação e resiliência no Brasil?

    A Zurich estruturou sua participação na COP30 com foco em adaptação climática, gestão de riscos físicos e construção de resiliência para empresas, governos e comunidades. 

    A companhia levará ao evento discussões técnicas alinhadas ao seu Plano Global de Transição Climática, destacando a relevância de integrar ciência, dados e modelagem climática ao planejamento econômico e às políticas públicas nacionais. O objetivo é contribuir, de forma qualificada, para que o debate climático avance a partir de diagnósticos precisos e de soluções viáveis para diferentes setores produtivos – o Climate Spotlight, é claro, é uma ferramenta muito relevante nesse sentido.

    Entre os pontos prioritários, a Zurich reforçará a importância de que investimentos em infraestrutura e desenvolvimento passem por avaliações detalhadas de risco, de modo a garantir que novos projetos sejam concebidos para resistir às condições climáticas atuais e futuras. Na agenda oficial, conforme já citado, a companhia participará de debates no Resilience Hub e na Casa do Seguro, com foco em financiamento da adaptação, prevenção de perdas e no papel estratégico do setor segurador na transição climática.

    A participação na COP30 também se conecta ao apoio contínuo da Zurich a iniciativas socioambientais brasileiras que contribuem para conservação e desenvolvimento sustentável. Conforme já mencionado, esse conjunto inclui o patrocínio à Exposição Amazônia, de Lélia Wanick Salgado e Sebastião Salgado; a Floresta Zurich, projeto voltado à restauração da Mata Atlântica junto ao Instituto Terra; e a parceria com o Origens Brasil, que fomenta o empoderamento econômico dos povos indígenas e a consequente preservação da floresta em pé pelas populações tradicionais da Amazônia.

    O portfólio ESG da Zurich inclui ferramentas como o Climate Spotlight. Quais resultados já foram observados com essas soluções e como elas podem apoiar empresas e governos brasileiros na transição para uma economia de baixo carbono?

    A Zurich vem utilizando o Climate Spotlight como uma ferramenta estratégica para apoiar empresas e governos na compreensão dos riscos físicos associados às mudanças climáticas e na construção de ações preventivas fundamentadas em dados e ciência. Embora seja uma solução recente no Brasil, sua aplicação já demonstra como análises climáticas podem qualificar decisões e fortalecer a resiliência de diferentes setores.

    No cenário internacional, se destaca a parceria com a Prefeitura de Madrid, que avaliou a intensificação de ilhas de calor para priorizar intervenções em escolas e rotas de deslocamento de estudantes. Outro exemplo foi o mapeamento de vulnerabilidades climáticas realizado com a Maersk em portos estratégicos ao redor do mundo. Ambos os casos mostram como a ferramenta pode ajudar a orientar investimentos públicos e privados com maior precisão e visão de longo prazo. 

    No Brasil a solução também foi aplicada, entre outras organizações, pela WEG, que utilizou o Climate Spotlight para mapear riscos físicos em instalações globais e estruturar planos de mitigação voltados à continuidade operacional e segurança de colaboradores.

    O conjunto desses resultados mostra que a ferramenta tem potencial para apoiar a transição para uma economia mais resiliente ao fornecer diagnósticos detalhados, antecipar vulnerabilidades e apoiar estratégias que dependem de previsibilidade e planejamento responsável.

    Em poucas palavras, o Climate Spotlight pode orientar decisões de investimento mais eficientes e resilientes. Ao identificar vulnerabilidades em ativos, operações e cadeias produtivas, a ferramenta ajuda empresas a priorizar adaptações que evitam perdas e reforçar a sustentabilidade do negócio a curto, médio e longo prazo.

    Para governos, os diagnósticos climáticos oferecem base técnica para incorporar adaptação e resiliência ao planejamento urbano e de infraestrutura crítica. Como demonstram os casos já citados, o uso de modelagem climática permite direcionar recursos para áreas sensíveis, estruturar políticas mais robustas e fortalecer a capacidade de municípios e estados de acessar financiamentos e desenvolver projetos alinhados à transição econômica e ambiental do país, e que sobretudo, protejam a população mais vulnerável.

    O Projeto Origens e outras iniciativas da Zurich com comunidades tradicionais têm ganhado relevância. Que aprendizados essas experiências trazem sobre o papel do setor segurador em apoiar cadeias produtivas sustentáveis e economias locais?

    As iniciativas da Zurich junto a comunidades tradicionais, especialmente por meio do Projeto Origens, reforçam não só como o setor segurador, mas todo o setor privado, pode contribuir para fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, desde que estruture uma agenda de investimento social privado estratégica e direcionada a este fim.

    Diante das mudanças climática, a Zurich tem a preservação da biodiversidade e empoderamento econômico como frentes importantes de sua atuação social. E o Projeto Origens, para o qual renovamos o nosso apoio no ano passado, é a síntese dessas duas premissas. O foco está em gerar renda por meio de relações comerciais éticas, com preços justos e rastreabilidade total dos produtos da sociobiodiversidade, fatores essenciais para reduzir vulnerabilidades socioeconômicas e valorizar o conhecimento tradicional. Promover a inclusão econômica para os povos indígenas, preservando suas tradições, é a melhor forma de contribuir para a preservação da floresta. Eles são os guardiões daquele espaço. 

    Essa experiência evidencia que a promoção de mercados éticos fortalece tanto a conservação ambiental quanto a autonomia econômica. A rede evita a dependência de atividades ilegais, estimula a permanência das comunidades em seus territórios e contribui para preservar culturas que correm risco de se perder. A nova fase da parceria também traz inovações relevantes, como um mecanismo financeiro para equalizar preços pagos aos produtores e atrair especialmente mulheres e jovens, além de uma agenda voltada ao engajamento de empresas e ao aprimoramento de políticas públicas relacionadas à produção sustentável na região.

    Quando falamos em mudanças climáticas, não há fronteiras. Preservar o patrimônio natural e a rica biodiversidade brasileira influencia nos cenários climáticos com que, de diferentes formas, todos os governos, empresas e pessoas terão que lidar no presente e no futuro. Por isso, a atuação do setor público, privado, das organizações sociais e de toda a sociedade precisa ser conjunta e integrada. 

    Iniciativas como essa demonstram que a atuação social responsável está diretamente conectada à agenda climática e à construção de resiliência. Também reforçam o papel das empresas em estimular modelos de desenvolvimento mais inclusivos, transparentes e compatíveis com a transição climática. 

    Como o projeto Zurich Forest evoluiu desde seu lançamento e quais são as metas de impacto ambiental e social associadas à parceria com o Instituto Terra?

    O projeto Floresta Zurich, desenvolvido em parceria com o Instituto Terra, tem avançado de forma consistente desde o seu lançamento e já se consolidou como uma das principais iniciativas socioambientais da Zurich no mundo todo. 

    O programa contribui diretamente para a restauração de parte da Mata Atlântica na região de Aimorés (MG), em uma área que sofreu décadas de degradação antes da atuação da organização. Até o momento, mais de 800 mil mudas de espécies nativas foram plantadas — um trabalho de longo prazo que envolve plantio, manejo, manutenção e enriquecimento florestal.

    A meta estabelecida pela Zurich é plantar 1 milhão de mudas até 2028, ampliando a cobertura florestal e fortalecendo serviços ecossistêmicos essenciais, como recuperação do solo, proteção de nascentes e retorno da biodiversidade local. A escolha por um projeto de regeneração de Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo, reforça o compromisso da companhia com soluções de impacto mensurável.

    Além do impacto ambiental, a parceria com o Instituto Terra também gera benefícios sociais relevantes ao envolver comunidades da região em atividades de educação ambiental e capacitação técnica. Essas ações ampliam a conscientização local, estimulam o engajamento com práticas sustentáveis e contribuem para o fortalecimento de uma cultura de conservação ambiental entre crianças, jovens e pequenos produtores. 

    A Floresta Zurich evidencia como projetos baseados em ciência e execução técnica podem apoiar a restauração de biomas e gerar impactos positivos duradouros para ecossistemas e comunidades.

    A COP30 é vista pela Zurich como uma “parada importante” na construção de um futuro sustentável. Que tipo de legado a companhia espera deixar após o evento, tanto para o setor segurador quanto para a sociedade?

    A Zurich enxerga a COP30 como um passo de virada importante para o setor segurador e para o país, unindo ciência, dados e colaboração para acelerar a agenda de sustentabilidade. O legado que a companhia busca deixar após o evento está concentrado em três frentes.

    A primeira é reforçar no mercado a importância de integrar adaptação climática, prevenção e visão de longo prazo. A Zurich quer consolidar a percepção de que as seguradoras são parceiras estratégicas na redução de riscos físicos e na construção de resiliência para empresas, governos e comunidades, e não apenas na etapa de indenização.

    A segunda é ampliar o debate técnico sobre modelagem climática, uso de dados de risco e investimentos resilientes. A companhia pretende influenciar a incorporação dessas práticas em políticas públicas, projetos de infraestrutura e decisões financeiras, deixando contribuições que sigam além da conferência.

    A terceira é fortalecer e dar maior visibilidade iniciativas sociais e ambientais já existentes, como a Floresta Zurich, mostrando que a proteção de pessoas e ecossistemas deve caminhar junto. O objetivo é evidenciar que sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento local fazem parte da construção de um futuro mais seguro.

    Com isso, a Zurich espera contribuir para um legado que una impacto técnico, avanço setorial e benefícios sociais, conectando o evento global a resultados concretos para o Brasil.

    Como a Zurich pretende usar sua influência global para fortalecer o protagonismo do Brasil na agenda climática internacional? Há planos de ampliar parcerias com governos, reguladores ou outras empresas do setor financeiro?

    O Brasil, por seu imenso e rico patrimônio natural, ampla disponibilidade de recursos naturais e seu consequente potencial de influenciar o futuro, é um dos protagonistas da agenda climática internacional, sem dúvidas. Não à toa, a Floresta Zurich, umas das principais iniciativas do Grupo Zurich voltadas à preservação da biodiversidade, está aqui, no Brasil.

    Nosso papel, portanto, através de nossa presença global e da aproximação com diversos fóruns técnicos nacionais e internacionais, públicos e privados, é fortalecer o protagonismo do setor segurador nesse debate. 

    Precisamos levar para diferentes setores e alçadas públicas de decisão discussões fundamentais sobre adaptação, prevenção e uso de dados na gestão de risco — são temas de profundo conhecimento deste mercado e que podem ajudar o país a se posicionar como referência em soluções climáticas e políticas baseadas em ciência. Neste contexto, aprofundar o diálogo contínuo com governos, reguladores e empresas do setor financeiro, sempre mapeando oportunidades de cooperação, é fundamental.

    Potencial do TFFF é de bilhões e bilhões de dólares, diz presidente da CNseg 

    Fonte: Estadão

    O potencial de captação de recursos do investidor privado pelo Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) é de bilhões e bilhões de dólares. O prognóstico é de Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

    “O TFFF oferece três pontos importantes para o investidor. Tem risco baixo. Tem rentabilidade. É verdade que o retorno não é uma ‘Brastemp’, mas é rentável. E ainda oferece liquidez”, disse o ex-ministro do Planejamento.

    O presidente da CNSeg pontuou que muitas seguradoras têm encontrado dificuldade de encontrar ativos “verdes” para compor suas carteiras de investimentos. “A CNSeg tem pedido para o Tesouro Nacional a emissão de ‘green bonds’ no Brasil. O Tesouro já fez duas emissões de ‘green bonds’, mas só no exterior”, disse Dyogo.

    O ex-ministro disse que ficou “realmente muito otimista” com o fundo, que classificou como sofisticado e criativo e que parece oferecer as garantias de liquidez, retorno e risco controlado.

    “O mais difícil o Brasil já fez, que é trazer o dinheiro soberano”, afirmou Lucca Rizzo, especialista em financiamento do Instituto Clima e Sociedade (iCS). “O Brasil lançou a ideia do fundo em Dubai, na COP30, e em dois anos conseguiu tirar do papel”, elogiou Rizzo.

    O especialista do iCS pontuou que o instrumento é um ganha-ganha porque remunera o país em desenvolvimento e realmente conserva a floresta tropical. “É um instrumento de pagamento por resultado”, disse Rizzo.

    “O Novo Mercado de Seguros” é o tema do evento que reúne líderes do setor nos dias 11 e 12 de novembro

    Screenshot

    Começa nesta terça-feira (11) o CQCS Insurtech & Inovação 2025, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo (SP). A edição deste ano já superou o volume de inscrições de 2024 e se confirma como a maior da história do encontro, reforçando o interesse crescente do mercado por tecnologia, inovação e transformação digital no setor de seguros.

    Sob o tema “O Novo Mercado de Seguros”, o evento reúne líderes, executivos e especialistas nacionais e internacionais nos dias 11 e 12 de novembro. A programação apresenta tendências em tecnologia, inteligência artificial e novos modelos de distribuição, além de promover debates estratégicos e conexões de alto nível em um ambiente de negócios e networking.

    “Vivemos em um mundo que vem se transformando intensamente em uma velocidade jamais vista pela Humanidade e este cenário traz um enorme desafio para a Indústria do Seguro, dado que protegemos bens e comportamentos. As mudanças comportamentais acabam sendo o centro das transformações, os novos bens nascem delas e/ou as provocam e acabamos sendo impelidos a reinventar os modelos de serviços e produtos para proteção da sociedade contemporânea. Acreditamos que este cenário é uma enorme oportunidade de fomento e ampliação de valor dos seguros e queremos ampliar o debate sobre alguns temas”, comenta Gustavo Dória, fundador do CQCS.

    “As mudanças climáticas, por exemplo,  são uma realidade, o aumento de eventos catastróficos ratificam esta afirmação e acreditamos que podemos desenvolver produtos e serviços que possam proteger de forma mais adequada a humanidade e acelerar o crescimento de nossa industria. As novas tecnologias não cessam em surgir, as possibilidades de coberturas e serviços parecem ser infinitas, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros está trabalhando duro para atingirmos o equivalente 10% do Produto Interno Bruto em prêmios de seguros. Temos muito trabalho pela frente”, acrescenta.

    Na plenária, o CQCS Insurtech & Inovação recebe nomes internacionais que influenciam diretamente a agenda global de inovação em seguros. Entre os destaques estão Robert Pick (Tokio Marine), Adrian Davis (Adyen), Jing Liao (Solera) e Ian Thompson (IMT Advisory), Martin Hinz (Convista) e Dr. Tunde Salako (Africa Insurtech Lab), trazendo uma visão estratégica sobre inovação aplicada a mercados emergentes.

    Além deles, Terry Buechner (AWS) também sobe ao palco para abordar como tecnologias avançadas, incluindo IA generativa e computação em larga escala, já transformam o desempenho das seguradoras em todo o mundo. O encontro contará ainda com a participação de Jonathan Kalman (Jaguar Capital Partners) e Panos Leledakis (MDRT), ampliando o debate com perspectivas internacionais sobre o futuro do setor.

    O evento apresenta também o painel “IA Made in Brasil”, que reunirá, pela primeira vez, Alessio Alionço (Pipefy), Daniel Barbosa (Cilia) e Igor Mascarenhas (Pier), executivos brasileiros que estão na linha de frente do desenvolvimento e aplicação de soluções de inteligência artificial no mercado de seguros.

    Confirmando a representatividade das principais lideranças do setor na América Latina, o encontro contará ainda com a participação de Ney Dias (Bradesco Seguros), Marcelo Picolo (Solera), Helder Molina (Grupo MAG), Marcus Vinicius Oliveira (Wiz) e Alessandro Octaviani (Susep).

    Salas simultâneas e conteúdo especializado
    Na parte da tarde, período em que ocorrem as salas simultâneas, uma das principais novidades do line-up do encontro de 2025 é o tema único — “Qual o Impacto da IA no Seguro e Uma Visão de Futuro” —, que reúne os CEOs e presidentes das principais companhias do mercado de seguros. O objetivo é garantir que os participantes conheçam os desafios e as oportunidades de integrar a IA de forma ética e eficaz, e como a liderança está moldando a indústria em uma era de inovação sem precedentes.

    As outras cinco salas contarão com quase 200 palestrantes para discutir como os dados e a tecnologia estão transformando o seguro, desde a hiperpersonalização e as novas jornadas do cliente até a eficiência operacional e a prevenção de riscos. Os debates também vão explorar temas como mudanças climáticas, governança, educação financeira e a reinvenção da distribuição, permitindo que os inscritos estejam preparados para um setor que vem ampliando sua relevância social e econômica em um mercado em plena evolução.

    Confira a programação completa: www.cqcsinovacao.com.br

    FenaCap apoia a 4ª Conferência Empresarial ESG promovida pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial

    Para fortalecer o diálogo sobre inclusão e boas práticas empresariais, o Pacto de Promoção da Equidade Racial realiza, neste mês de novembro, a 4ª Conferência Empresarial ESG. A iniciativa, que vai reunir lideranças, investidores e organizações em torno do tema “Estratégias para a Promoção da Equidade e Sustentabilidade Corporativa”, terá agendas no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (24/11), e no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (26/11), além de uma programação itinerante pré-COP30 em cidades como Belém (PA). O evento, que conta com a parceria da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), tem inscrições gratuitas no site do Pacto. 

    A programação carioca terá painéis que abordarão temas como educação ambiental e corporativa, empreendedorismo negro e acesso ao crédito, taxonomia sustentável, inteligência de dados e a comunicação como agente de transformação. 


    A etapa paulista será marcada por painel sobre sustentabilidade estratégica, abordando alianças para uma nova economia, e debates sobre tecnologia, diversidade e equidade. O evento será encerrado com uma palestra sobre o legado das empresas na construção de um país mais sustentável e justo.

    Este ano, a Conferência integra uma agenda nacional de eventos, preparando o setor empresarial para as discussões da COP30, em Belém (PA). Essas iniciativas têm explorado temas como justiça climática, finanças sustentáveis e métricas raciais, reforçando o protagonismo das empresas signatárias do Pacto na construção de um Brasil mais justo e competitivo.

    Signatária do Pacto desde 2024, a FenaCap mantém seu compromisso com ações voltadas à inclusão e ao fortalecimento de uma cultura organizacional mais equitativa entre suas associadas. Ao apoiar a Conferência, a Federação reafirma o papel do setor de Capitalização na promoção de uma sociedade mais justa e plural. Além da entidade, as associadas Brasilcap, CAIXA Capitalização e Capemisa Seguradora são signatárias do Pacto. 

    Seguradoras mobilizam força-tarefa para apoiar clientes e comunidades atingidas por tornados e chuvas no Sul do País

    O setor de seguros se mobilizou para prestar assistência imediata às famílias e empresas afetadas pelos tornados e fortes chuvas que atingiram o Sul do Brasil, especialmente o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Diversas companhias acionaram planos de contingência, reforçaram equipes e simplificaram processos para acelerar o pagamento de indenizações e garantir atendimento humanizado às vítimas.

    Tokio Marine prioriza atendimentos e envia equipes às áreas mais atingidas

    A Tokio Marine Seguradora está priorizando o atendimento aos clientes atingidos pelos fenômenos climáticos, com foco especial no município de Rio Bonito do Iguaçu (PR), uma das regiões mais impactadas. Desde o início das ocorrências, equipes especializadas trabalham para identificar rapidamente os casos que exigem intervenção imediata e garantir o pagamento célere das indenizações devidas.

    Entre as medidas emergenciais adotadas pela companhia estão:

    • Grupo de trabalho dedicado ao atendimento local;
    • Simplificação de processos e documentos para agilizar pagamentos;
    • Deslocamento de equipes de sinistros e prestadores de outras regiões;
    • Contato ativo com segurados para agendamento de vistorias;
    • Vistorias por imagem e centralização de salvados;
    • Priorização das ligações originadas nas regiões mais críticas.

    “A prioridade absoluta é prestar todo o auxílio necessário a nossos clientes neste momento tão difícil. Não temos como diminuir a dor de quem perdeu um ente querido, mas faremos tudo que estiver ao nosso alcance para amenizar o prejuízo material”, afirma Adilson Lavrador, diretor executivo de Operações, Tecnologia e Sinistros da Tokio Marine.

    Os segurados e corretores podem acionar a companhia pelo telefone 0800 31 86546 ou pelos canais digitais – WhatsApp, SuperApp, Chat Online, Portal Institucional, Facebook Messenger, Apple Messenger e Telegram.

    CAIXA Seguridade aciona plano emergencial e reforça atendimento no Sul

    A CAIXA Seguridade, holding da Caixa Econômica Federal, colocou em prática seu plano emergencial de atendimento para clientes atingidos pelo tornado de categoria F3 que devastou Rio Bonito do Iguaçu (PR) e afetou outras cidades do Sul do País.

    As empresas do conglomerado foram mobilizadas para garantir agilidade na abertura de sinistros, nas solicitações de assistência e no apoio direto aos segurados, conforme o tipo de cobertura contratada. O objetivo, segundo a holding, é oferecer um atendimento rápido e humanizado, reafirmando o compromisso da instituição com as comunidades afetadas.

    Os canais oficiais das seguradoras do grupo CAIXA permanecem disponíveis para orientar os segurados sobre registro de ocorrências e acionamento dos serviços de assistência 24 horas.

    MAPFRE reforça equipes e canais de atendimento 24 horas

    A MAPFRE também intensificou seu plano de contingência para prestar atendimento prioritário aos segurados impactados pelas fortes chuvas e ventanias que atingem a região Sul, com destaque para Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava (PR).

    Para agilizar o suporte aos clientes, a seguradora reforçou as equipes de assistência 24 horas, de atendimento ao cliente e de peritagem de sinistros, além de manter um monitoramento em tempo real das áreas mais afetadas.

    “Nossa solidariedade a todos os impactados por esta situação. Para garantir o suporte necessário aos segurados e minimizar o impacto causado, mobilizamos e reforçamos nossa equipe. Estamos preparados para atender ocorrências relacionadas a automóveis, residências, empresas, propriedades rurais e outros seguros”, afirma Roberto De Antoni, diretor geral de Operações da MAPFRE.

    O atendimento funciona 24 horas por dia via WhatsApp (11 4004-0101), telefone 0800 775 4545, além das plataformas digitais e redes sociais da companhia.

    A seguradora orienta os clientes a:

    • Acionar a Central de Atendimento o quanto antes;
    • Registrar os danos com fotos e vídeos;
    • Informar todos os detalhes possíveis para agilizar a indenização;
    • Seguir as orientações dos atendentes e das autoridades locais, priorizando a segurança.

    CNseg defende Seguro Social Catástrofe e Fundo financeiro para cidades em evento de Defesa Civil

    A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) participou nesta quinta-feira (6), em Brasília (DF), de um evento municipalista totalmente dedicado à área de Defesa Civil. Promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o Encontro Nacional das Defesas Civis Municipais destacou o papel das mudanças climáticas na atuação dos profissionais e as formas de amenizar os impactos diante de desastres.

    Ao participar da abertura das atividades, no painel que debateu o tema “Gestão Climática e Prevenção de Desastres”, o diretor de relações institucionais da CNseg, Esteves Colnago, demonstrou a preocupação com a prevenção a desastres, que sempre passa pela área de Defesa Civil dos Municípios, e exige gestão e mecanismos para auxiliar nestas ações.

    Esteves destacou o papel transversal e essencial do setor de seguros no enfrentamento das mudanças climáticas no Brasil, com foco na necessidade de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Ele apontou o uso de um seguro social para catástrofe e a adequação do Fundo para Calamidades Públicas da Defesa Civil (FUNCAP), para construir resiliência, recursos e fornecer respostas eficazes a desastres naturais.

    “O setor de seguros oferece soluções e possui a capacidade de ser um aliado, seja prestando auxílio emergencial ágil após um desastre (Seguro Social Catástrofe), ou implementando ações de longo prazo para aumentar a segurança e adaptabilidade do país (Cidades Resilientes). É fundamental que superemos a lentidão burocrática do poder público, permitindo que a área de seguros aja mais rapidamente nos momentos críticos iniciais da catástrofe; este é o propósito da indústria seguradora. Além disso, é essencial que nos concentremos na prevenção e adaptação para promover recursos próprios dos municípios por meio de Fundos para casos de incidentes, cada vez mais presentes nas nossas cidades”, afirmou.

    Para o presidente da CNM, Paulo Ziulcosky, o encontro, que reuniu mais de 700 gestores municipais da área, também buscou selecionar informações importantes para os gestores, com discussões a respeito da gestão climática e prevenção de desastres, além da estrutura das defesas civis municipais e da Política Municipal de Proteção e Defesa Civil.

    “O Brasil só será resiliente se os municípios estiverem estruturados e preparados para agir diante de riscos de desastres, com ações integradas de proteção e defesa civil. Isso exige o cumprimento das obrigações legais e a criação de programas específicos para fortalecer as defesas civis locais e capacitar os gestores municipais”, destacou.

    Estudo Inédito

    Foi divulgado também durante o encontro um Estudo inédito que apresenta um preocupante diagnóstico da estrutura da Defesa Civil Municipal em todo o país, com perdas econômicas de R$ 732,2 bilhões em 95% das cidades brasileiras entre 2013 e 2024. O levantamento mostra que foram registradas mais de 70,3 mil decretações municipais de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública, sendo que mais de 6 milhões de pessoas precisaram deixar suas casas.

    Wiz Co bate o recorde em emissão de prêmios e atinge R$ 289,5 milhões em receita líquida no 3T25

    A Wiz Co (WIZC3), empresa especializada em bancassurance e distribuidora de consórcios e crédito, atingiu R$1 bilhão em emissões de prêmio de seguros, o que representa um avanço de 9,2% na comparação com o 3T24. No que diz respeito à Receita Líquida consolidada, o resultado do 3T25 foi de R$289,5 milhões, 9,1% superior ao realizado no 3T24.

    “Além do recorde em emissões de prêmios no trimestre, estamos com quase R$3 bilhões no acumulado do ano, o que nos posiciona 12,0% acima do 9M24. Tudo isso, feito em cenário macroeconômico conturbado, o que reforça nossa capacidade em atuar nos mais diferentes contextos, sejam eles favoráveis ou não”, explica Marcus Vinícius de Oliveira, CEO da Wiz Co, em mensagem aos acionistas.

    O principal destaque dentro do expressivo resultado foi o Segmento de Seguros, que cresceu 22,7% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$185,6 milhões em Receita Líquida – que representa 64,1% da Receita Líquida Total. As unidades com melhor desempenho comercial dentro do período foram a Bmg Corretora e a BRB Seguros, cujos prêmios emitidos foram de R$258,4 milhões e R$215,2 milhões, respectivamente.

    Também houve crescimento expressivo do Lucro Líquido Consolidado, de R$101,7 milhões, 14,9% maior em relação ao 3T24. Acompanhando o mesmo ritmo, o Lucro Líquido da Controladora teve crescimento de 10,5% e atingiu os R$55,4 milhões. “A consistência apresentada nos últimos trimestres corroborou também para o resultado do EBITDA Consolidado, que atingiu os R$194,3 milhões no 3T25, superando em 3,6% o 3T24”, complementa Marcus Vinícius.

    Destaque para o Segmento de Seguros

    No segmento de seguros, a Wiz Co bateu o recorde de R$1 bilhão em prêmios emitidos no terceiro trimestre de 2025 e está próxima de atingir os R$3 bilhões no acumulado dos nove meses do ano. Destacaram-se a BMG Corretora, que cresceu 150,5% em prêmios emitidos nos produtos de saúde, a BRB Seguros, com crescimento de 2,9% na emissão de prêmios no trimestre, e a Wiz Corporate, que cresceu 54,9% em relação ao 3T24 – recorde histórico, com grande contribuição do produto Garantia.

    “A Receita Líquida do segmento de seguros cresceu 22,7% em relação ao 3T24, resultando também em um crescimento de 13% no Ebitda Consolidado do período. O Lucro Líquido do segmento atingiu o crescimento de 30,1%, na comparação 3T24 vs. 3T25, e 35,6% se compararmos o acumulado de 2024 e 2025”, conta Marcus Vinícius.

    O executivo explica que o crescimento do segmento de seguros tem contribuído ano a ano para os resultados positivos da companhia. “Em comparações anuais, os seguros hoje representam mais de 60% da Receita Líquida da companhia, o que mostra que nossas apostas, tanto na modernização dos produtos quanto no investimento para expansão do segmento, têm se mostrado certeiras”, completa.

    Avanços e conquistas em 2025 

    Em setembro deste ano, a Wiz Co publicou seu Relatório de Sustentabilidade, que mostra as iniciativas ESG e seus impactos para os públicos interno e externo. Além disso, pelo segundo ano consecutivo, a Wiz Co está entre as mil maiores empresas do país, segundo o ranking Valor1000 – única corretora de seguros a figurar no ranking deste ano.

    Outro avanço importante, no que diz respeito à tecnologia, é a plataforma proprietária da empresa, a Wiz Pro. “Seguimos alinhados à nossa visão de que investir em tecnologia é pensar o negócio a curto, médio e longo prazo”, conta Marcus Vinícius. A plataforma é composta por quatro módulos – vendas, operações, gestão e engajamento – e já é utilizada por sete unidades do grupo em suas rotinas diárias.

    Mudanças climáticas expõem vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, alertam líderes 

    por Carla Simões

    “Os efeitos dos eventos climáticos que vivemos hoje têm impacto no custo, na modelagem e na precificação de risco das seguradoras. A metodologia tradicional de riscos com base no passado se torna cada vez menos efetiva porque o futuro não se comportará mais como no passado”, disse o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras durante o painel “Mudanças climáticas e impactos no setor agropecuário”, no I Fórum de Buenos Aires, realizado nesta sexta-feira (7), na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA). 

    Dyogo Oliveira participou do painel ao lado de autoridades e especialistas que discutiram os riscos climáticos e os desafios econômicos e jurídicos que ameaçam o agronegócio que responde por 25% do PIB brasileiro.

    Oliveira trouxe números alarmantes: as perdas diretas causadas por eventos climáticos no Brasil somaram R$ 180 bilhões entre 2022 e 2024, sendo 50% concentradas no agronegócio. “Estamos falando de R$ 30 bilhões por ano apenas no agro. E, paradoxalmente, apenas 2,5% da área plantada no Brasil tem seguro rural. Esse índice já foi 16% em 2020 e vem caindo”, alertou. 

    Ele defendeu a aprovação do Projeto de Lei 2951, que torna os recursos do Programa de Subvenção ao Seguro Rural fora dos anúncios de contingenciamento do governo federal. “Este ano tinha R$ 1 bilhão no orçamento destinado para o seguro rural e 50% disso foi contingenciado. É preciso avançar. Sem seguro, não há como enfrentar os impactos das mudanças climáticas”, acrescentou. 

    O executivo reforçou que o tema é preocupante porque terá impacto na macroeconomia. Por isso, a participação do Ministério da Fazenda neste debate é fundamental porque já que terá efeitos no crescimento do País. 

    Fávaro anuncia novo modelo obrigatório

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reconheceu a fragilidade do sistema atual e anunciou mudanças estruturais no próximo ano, respondendo à fala do presidente da CNseg. “Até meados de 2026 teremos um novo marco do seguro rural no Brasil”. 

    Para Favaro, o seguro rural no Brasil se tornou ineficiente e inapropriado e garantiu que o governo está trabalhando para universalizar sua obrigatoriedade para quem busca crédito oficial. “Quem quiser recursos equalizados terá que contratar seguro. Isso reduzirá custos e evitará medidas emergenciais como os R$ 12 bilhões liberados este ano para repactuar dívidas de produtores afetados por intempéries”.

    Fávaro também destacou iniciativas para ampliar a produção sem avançar sobre áreas de floresta: “O que nos trouxe até aqui não é o que levará o Brasil aos próximos 50 anos. Criamos programas como Caminho Verde e Solo Vivo para recuperar áreas degradadas e dobrar a produção sem desmatamento”.

    Judiciário alerta para litigância climática

    Paulo Sérgio Domingues, ministro do Superior Tribunal de Justiça, trouxe a perspectiva jurídica para a questão climática e os impactos no agronegócio.  “Mudanças climáticas não são mais um tema abstrato. Elas desafiam contratos, investimentos e a própria segurança jurídica. Como planejar um investimento de longo prazo se a estabilidade climática não existe mais? Estamos diante de uma crise de incerteza”, afirmou.

    Ele defendeu regras claras e combate rigoroso ao desmatamento ilegal. “Desmatamento não é desenvolvimento, é crime. Quem pratica crime ambiental não pode se apresentar como empreendedor rural. A litigância climática será o novo normal”, alertou.

    Setor financeiro pede convergência e eficiência

    O presidente do Conselho de Administração do Bradesco reforçou a urgência de integrar produção e preservação. Segundo Luiz Carlos Trabuco, nos últimos 30 anos, a área plantada cresceu 115%, mas a produção aumentou 456%, graças à tecnologia. Agora, o desafio é harmonizar eficiência e sustentabilidade. 

    Trabuco disse que a COP30 em Belém, onde participará em debates na Casa do Seguro, é uma grande oportunidade para alinhar a convergência e a prática. “O mercado de carbono precisa evoluir. O mundo tem aprendido que não há prosperidade sem equilíbrio climático”.

    Antonio Zanette, consultor da Comissão Nacional de Direito Agrário e do Agronegócio da OAB, ressaltou a importância da cooperação entre Brasil e Argentina: “Este fórum é um marco para integrar direito, economia e agricultura no Mercosul. Precisamos construir convergência regulatória e políticas públicas que combinem produção, preservação e justiça”, afirmou.

    Sustentabilidade: o futuro inevitável do mercado de seguros

    Regina Dell'Aera Newe Seguros

    por Regina Dell’Aera, Diretora de Pessoas, Cultura e Sustentabilidade da Newe Seguros 

    A proximidade da COP30 reforça uma urgência que já não pode ser adiada: o papel do setor de seguros na transição para uma economia mais sustentável. Não se trata apenas de acompanhar uma tendência, mas de reconhecer que a sustentabilidade precisa estar no centro da estratégia das seguradoras, como parte essencial do modelo de negócio e da sua razão de existir.

    O maior desafio das companhias de seguros, hoje, é trazer a estratégia da sustentabilidade global para dentro da estratégia do negócio. Isso significa olhar para o seguro não apenas como instrumento de proteção financeira, mas como agente de transformação social, ambiental e econômica. O setor nasceu para proteger. E essa vocação, por natureza, é profundamente sustentável.

    Os riscos que enfrentamos mudaram. O risco climático, por exemplo, deixou de ser uma projeção distante e passou a fazer parte do cotidiano, afetando empresas, cadeias produtivas, cidades e pessoas. A mesma lógica vale para os riscos sociais e reputacionais, que se tornaram fatores concretos de sobrevivência corporativa. Nesse cenário, incorporar práticas sustentáveis não é mais uma escolha estratégica. É um movimento de adaptação.

    As seguradoras que evoluírem para um modelo de sustentabilidade integrada terão uma vantagem competitiva clara. Isso porque estarão mais preparadas para antecipar riscos, inovar em produtos e criar valor de longo prazo. Sustentabilidade, quando verdadeiramente aplicada, amplia a capacidade do seguro de gerar impacto positivo e construir resiliência coletiva.

    Mais do que cumprir exigências regulatórias ou divulgar relatórios, é preciso que o compromisso com o desenvolvimento sustentável se traduza em cultura, produtos e relacionamento com os clientes. A sustentabilidade precisa ser uma lente que orienta decisões, da concepção das coberturas à forma como cada companhia se comunica com a sociedade.

    O setor também tem um papel essencial na democratização da proteção. Ampliar o acesso ao seguro é uma das maneiras mais concretas de gerar inclusão e promover prosperidade compartilhada. Tornar o seguro acessível, simples e relevante para diferentes realidades é, em si, um ato de sustentabilidade.

    A COP30, que será sediada no Brasil, deve marcar um novo ciclo de compromissos e responsabilidades. Para o mercado de seguros, ela representa uma oportunidade única de mostrar como o setor pode contribuir para uma economia de baixo carbono e para a construção de um futuro mais resiliente.

    O futuro do seguro será sustentável ou simplesmente não será. O mundo muda rápido demais para que o setor continue olhando o risco apenas pelo retrovisor. É hora de olhar adiante, com coragem, inovação e propósito, conscientes de que a verdadeira transformação virá da capacidade de alinhar rentabilidade e responsabilidade.

    Esse é, mais do que um desafio, o compromisso que o setor precisa assumir com as próximas gerações.