Garantia Fidejussória não é seguro

pedro mattosinho fator seguradora

Muitos comentam que um contrato de seguro é complexo. Isso porque não pesquisaram direito a garantia fidejussória, que entrou no radar das notícias com as investigações da CPI da Covid. Ela foi apresentada pela empresa Precisa Medicamentos para garantir a entrega de 20 milhões de doses da Covaxin ao Ministério da Saúde. O contrato foi cancelado diante das controvérsias surgidas nos depoimentos dos entrevistados pelos integrantes da comissão de investigação e agora todos querem saber mais sobre a garantia exigida pelo poder público.

O Ministério da Saúde recebeu um documento conhecido como garantia fidejussória no valor de R$ 80,7 milhões, ou 5% do valor do contrato. No entanto, este tipo de garantia não é prevista na nova Lei de Licitação, que permite apenas garantias em dinheiro, carta fiança bancária emitida por bancos fiscalizados pelo Banco Central do Brasil ou seguro garantia por seguradoras reguladas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Dai ficou a dúvida, o que são tais garantias? Até a mídia tem suas dúvidas. A CNN, por exemplo, citou em matéria que se tratava de um seguro garantia. Mas não é, garantem os executivos especialistas consultados.

Uma rápida pesquisa no Google traz informações superficiais, por isso é melhor consultar especialistas no tema. A garantia fidejussória, que cresceu fortemente no segmento de empréstimos pessoais e locação de imóveis, não tem um órgão regulador, apesar de ser fornecida com o intuito de dar proteção a um credor. As empresas ou indivíduos que as emitem geralmente não tem balanços financeiros auditados.  E uma coisa em comum entre os emissores é ter no nome o sufixo “bank” e um patrimônio na casa do bilhão. 

“O contrato de seguro garantia é complexo porque ele é contratado por um tomador de crédito para que o cliente tenha proteção de que aquele contrato será cumprido mesmo se algum risco listado nas cláusulas acontecer”, afirma Pedro Mattosinho, diretor da Fator Seguradora, especializada em seguro garantia. Segundo o especialista, para ofertar a garantia, a equipe técnica da seguradora faz o levantamento financeiro da empresa tomadora do crédito, dos sócios, do objeto do contrato. 

Se for para um financiamento, os técnicos avaliam diversas vertentes, desde se o projeto tem bases técnicas para ser concluído até mesmo se a cadeia de fornecedores contratada tem um plano de contenção em caso de algum imprevisto afetar o abastecimento da obra. No caso de fornecimento de vacinas, a seguradora estuda a capacidade de produção, os contratos em carteira, a credibilidade da marca e dos sócios, e, principalmente, o balanço financeiro dos candidatos ao seguro. “Os balanços têm de estar auditados e mesmo assim avaliamos vários outros detalhes, o que nos torna especialistas no assunto”, afirma. 

Com base neste estudo de probabilidades, que compõem a subscrição de risco, o negócio é aceito, recusado ou são solicitadas novas garantias e documentos. “Se fechado o negócio, a seguradora cota o resseguro, que é o seguro da seguradora, e se aceito pelo ressegurador, a apólice é emitida. O passo seguinte é registrar a apólice na Susep e contabilizadas as reservas técnicas, com parte do capital da seguradora separado no balanço para garantir o dinheiro reservado para arcar com prejuízos, caso o seguro seja acionado. Se for, a seguradora indeniza o cliente e tem o direito de reaver as garantias apresentadas pelo contratante do seguro”, acrescenta. 

Já a garantia fidejussória, a que foi apresentada ao Ministério da Saúde pela Precisa, não tem uma subscrição de risco efetiva. Um detalhe no contrato mostra o quanto incerto será o cliente receber os valores em caso de problemas. “A maioria dos contratos que eu tive a oportunidade de ler traz que a empresa só pagará o valor depois que o beneficiário esgotar todas as chances de recebimento das garantias apresentadas pelo tomador. Ou seja, é o cliente que tem de ir atrás das garantias. E isso pode levar anos em uma discussão amigável. Geralmente o caso vai parar na Justiça. O que significa mais um longo período, ainda mais agora com tantas demandas atrasadas por conta da pandemia”, alerta Mattosinho. 

Preocupados com o estrago que a garantia fidejussória pode trazer ao mercado de seguros, assim como o mercado de associações de proteção veicular, que garantem proteção, mas não são seguradoras, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), estuda o tema. “Na realidade, podemos afirmar que embora a nomenclatura possa induzir ao equívoco de equiparação dos institutos, a fiança fidejussória não se assemelha nem ao seguro, tampouco à fiança bancária. E a diferenciação é extremamente relevante para que os segurados e/ou potenciais credores tenham ciência de que a fiança fidejussória definitivamente não traz a mesma segurança que o seguro garantia e a fiança bancária podem proporcionar”, alerta Roque Melo, presidente da Comissão de Riscos de Crédito e Garantia da FenSeg.

Tais empresas, invariavelmente, utilizam-se da expressão “Bank”, o que inevitavelmente leva à confusão por parte do órgão/empresa que deve receber a garantia, acreditando que está recebendo uma garantia emitida por uma instituição financeira”, reforça Melo

Para o setor, explicam os executivos, o risco é de uma competição absolutamente desproporcional, eis que o cumprimento de todas as obrigações impostas pela Susep e Banco Central desde o investimento em pessoas altamente capacitadas; tecnologia de ponta e uma robustez financeira para fazer frente a todas as exigências regulatórias voltadas à solvência do mercado.

Adicionalmente, alegam, o risco também advém do equívoco em se comparar os institutos (Seguro e Fiança Bancária) que não guardam qualquer relação com as afiançadoras. “Tais equívocos ocorrem, também, porque tais empresas, invariavelmente, utilizam-se da expressão “Bank”, o que inevitavelmente leva à confusão por parte do órgão/empresa que deve receber a garantia, acreditando que está recebendo uma garantia emitida por uma instituição financeira”, reforça Melo.

Os executivos também citam a nova lei de licitações, que expressamente aboliu as fianças fidejussórias do rol de garantias possíveis de serem apresentadas para garantir contratos públicos. “Portanto, qualquer órgão público que aceite um fiança fidejussória como forma de garantia à luz da nova lei de licitações está, por consequência, cometendo uma ilegalidade e poderá responder por seus atos nos termos previstos na mesma lei”, afirmam os executivos. 

Por meio da FenSeg, o mercado segurador vem dialogando com diversos setores, sobretudo órgãos públicos e a Susep na tentativa de que o assunto seja debatido amplamente e que todos os interessados sejam esclarecidos a respeito das profundas diferenças entre os institutos. Principalmente, para que haja compreensão de que o atual texto da nova Lei de Licitações apenas materializou a necessidade de restringir as formas de garantias contratuais àquelas que, efetivamente, possam garantir o interesse maior do Estado.

“Perante os órgãos públicos, o argumento legal deveria ser suficiente para afastar a aceitação de qualquer forma de garantia não prevista em lei”, argumenta Melo. “Adicionalmente, e como forma de atestar o cumprimento de todos os rígidos requisitos que lhe são impostos, a Susep disponibiliza em seu site um mecanismo simples e fácil para atestar a validade e regularidade de cada garantia emitida pelo mercado segurador, o que tem se mostrado uma ferramenta importante para aferir não apenas a regularidade da garantia emitida, mas também para evitar fraudes no tocante ao próprio documento apresentado”. 

Bem, #ficaadica: garantia fidejussória não é seguro.

MAPFRE registra crescimento de seguros voltados para bares e restaurantes

Fonte: MAPFRE

O ano de 2020 foi atípico para muitos setores da economia, como bares e restaurantes sendo um dos mais afetados. Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 30% dos estabelecimentos fecharam as portas e o faturamento durante todo o período foi de R$ 175 bilhões. Em 2021, a estimativa é de que o setor fature cerca de R$ 215 bilhões – dando sinais de recuperação. 

Nos últimos meses, com a flexibilização das restrições e a ampliação dos horários de funcionamento, o setor tem mostrado fôlego para voltar a operar mais próximo da sua antiga normalidade. De acordo com pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas com o Sebrae, o índice de confiança pela retomada do faturamento nos restaurantes chegou a 92.2, apenas um pouco menos do que foi registrado em fevereiro de 2020 (95.1), antes do começo da pandemia do coronavírus. 

Proteção para pequenos e médios negócios

O mercado de seguros vem observando essa mudança. Depois do período desafiador vivido no ano passado, pequenos e médios empresários passaram a se preocupar mais com a segurança e proteção dos seus negócios, funcionários e clientes. Prova disso é o expressivo crescimento que a MAPFRE registrou na adesão de seguros para restaurantes na Capital, região metropolitana e no Litoral Sul de São Paulo. 

No comparativo entre o primeiro semestre de 2021 com o de 2020, houve um aumento de 270% na contratação de seguros para restaurantes na Capital. No mesmo período, na Grande São Paulo, esse número foi de 500%. O crescimento também se manifestou no litoral Sul (167%) e na região do ABC (100%). 

“Os seguros têm se tornado cada vez mais um instrumento eficaz na manutenção dos negócios e na proteção de bens e pessoas. A pandemia e os seus efeitos econômicos devastadores mostraram a importância de se adotar um perfil mais preventivo. O movimento que vemos hoje reflete a preocupação dos empreendedores com as suas empresas e seus públicos – uma tendência que passará a ser adotada com mais frequência a partir de agora”, comenta Sandro Moraes, diretor territorial da MAPFRE para a região metropolitana de São Paulo e Litoral Sul. 

As coberturas para bares e restaurantes reúnem proteção contra roubos e furtos, incêndio, danos elétricos, explosão, contaminação ou deterioração de mercadorias, quebra de vidros e equipamentos, e Responsabilidade Civil – que cobre danos que o negócio ou seus funcionários possam causar a terceiros. 

“Apesar do futuro ainda incerto, entendemos que quanto mais os proprietários de bares e restaurantes se anteciparem a eventuais problemas que possam surgir, mais estarão preparados para resolvê-los com agilidade e menor impacto financeiro,” complementa o executivo. 

Travelex faz parceria com Assurant para vender seguros aos clientes da corretora de câmbio

Fonte: Assurant e Travelex

A Travelex, especializada em câmbio, fez parceria com a seguradora Assurant para oferecer seguros com assistência Pet e Residencial para clientes da corretora de câmbio. A empresa espera faturar mais de R$ 16 milhões nos próximos cinco anos e aumentar sua receita de produtos adicionais, não relacionados a câmbio, em 45% até o final deste ano. Segundo o comunicado, o portfólio foi idealizado para atender às principais necessidades do dia a dia ou até mesmo dos imprevistos corriqueiros do cliente da Travelex, que já tem uma relação de confiança com a marca.

“Com a pandemia, notamos uma mudança no comportamento dos nossos clientes, que passam mais tempo em casa e tornaram-se muito mais preocupados com a segurança e proteção do seu patrimônio. Os nossos seguros oferecem proteção para quem contrata, para o patrimônio e para pets, independentemente de estar em casa ou em viagem. Sabemos que em breve estaremos seguros para viajar novamente e nós queremos que nossos clientes encontrem tudo o que precisam para se sentirem bem e protegidos”, diz Rogério Rocha, diretor de varejo da Travelex Confidence.

Segundo a empresa, para a idealização do projeto foi feita uma pesquisa com os clientes que revelou a busca por coberturas que sejam simples, acessíveis e que atendam às situações mais corriqueiras do dia a dia, seja em casa, no cuidado com os pets ou até mesmo para ajudar na adaptação de imóveis para garantir acessibilidade a pessoas com limitações de locomoção. Além disso, os viajantes revelaram o desejo por proteções para o smartphone com coberturas em caso de roubo, quebra, ou qualquer outro acidente que possa ocorrer durante a viagem.

Segundo Rocha, a criação dos novos seguros levou em consideração o custo benefício em se pagar um produto com características essenciais e que as pessoas realmente vão utilizar. “Os seguros criados em parceria com a Assurant possuem várias assistências que podem ser utilizadas em diversas situações ao longo do ano e que são uma verdadeira ‘mão na roda’ na hora do sufoco. Tudo isso com preços acessíveis e justos”, completa Rocha. Outra novidade dos seguros é que os clientes Travelex ainda concorrem, mensalmente, a sorteios de R$ 50 mil bruto de IR, de acordo com o plano contratado.

Com essa parceria, a Assurant amplia a rede de atendimento e fortalece a presença tanto no ponto de venda físico, quanto online. “A parceria da Assurant, especialista em seguros com a Travelex que conhece profundamente os clientes resultou em uma solução de seguros em que o benefício e a tranquilidade são superiores ao investimento. Com isso reforçamos o nosso compromisso de proteger o que mais importa para as pessoas”, afirma Marcel Giacon (foto), diretor de Produtos e Digital da Assurant no Brasil.

Os produtos estarão disponíveis em todas as mais de 100 lojas localizadas nos principais shopping centers do País, por meio do e-commerce ou também pela mesa de operações, via telefone, e-mail ou WhatsApp.

Insurtech IZA capta R$ 13 milhões em duas rodadas

Gabriel de Ségur, Amanda Senedesi e Amanda Nespatti

A insurtech IZA, aprovada na primeira edição do Sandbox da Superintendência de Seguros Privados (Susep), captou R$ 13 milhões em duas rodadas de investimento. A operação foi lançada em abril deste ano, oferecendo um seguro de acidentes pessoais em plataforma mobile e web, com cobertura de R$ 30 mil pelo custo de R$ 1 por dia. O plano integra cinco coberturas decorrentes para serem acessadas em caso de acidentes (atendimento médico, hospitalar e odontológico; incapacidade temporária; invalidez permanente; morte e assistência funeral). O capital será utilizado para reforçar e ampliar canais de distribuição e fechar modelos inovadores de parceria com empresas interessadas em oferecer benefícios para funcionários e prestadores de serviço.

“O valor é usado como uma poupança, na qual o segurado tem autonomia para utilizar a proteção financeira de acordo com a necessidade do seu sinistro”, explica Gabriel de Ségur , CEO e fundador da IZA, em release divulgado. “Nascemos com a ideia de desenvolver uma solução que permitisse proteger o brasileiro que só depende dele para sobreviver. Ou seja, todos que não podem contar com um plano de saúde, que, caso não consigam trabalhar, não têm poupança para tratamento médico adequado. Como trabalhei a vida toda com seguros, vi a oportunidade de lançar produtos mais adequados a essa população, hoje desassistida pelo mercado tradicional”.

Ao lado de Gabriel, completam o trio Amanda Senedesi e Amanda Nespatti. Os três se uniram para transpor barreiras que limitavam inovações tecnológicas e democratização do acesso à diversidade de coberturas. Desenvolveram, então, um modelo de seguro disruptivo, capaz de se adequar e atender uma demanda de profissionais autônomos e de empresas de prestação de serviço, até então à margem dos grandes players. “Possuímos um sistema capaz de personalizar o produto conforme a necessidade de cada cliente, principalmente de empresas. A IZA consegue fazer a proteção no formato intermitente, ou seja, por um dia, por algumas horas, durante uma entrega ou prestação de serviços, dependendo do segmento em que o cliente trabalha”, afirma em nota.

Bárbara Capurucho está à frente do novo Departamento de Produtos no Seguro PASI

Fonte: PASI

Para atender às novas demandas do mercado, o Seguro PASI criou recentemente o Departamento de Produtos e anunciou Bárbara Capurucho como gerente da nova área. A executiva atua na empresa há 12 anos. “A idealização do Departamento de Produtos surgiu a partir da necessidade de desenvolvimento e oferta de novos produtos, parcerias, novas assistências para agregar aos seguros já existentes e também visando a melhoria e digitalização dos processos do PASI”, ressaltou Bárbara. 

Formada em Publicidade e Propaganda, com MBA em Marketing Estratégico com Ênfase em Branding, Bárbara atuava no departamento de marketing da companhia e pontuou que é gratificante fazer parte desse time, pois são notórios os impactos positivos nas famílias dos segurados. “Um departamento estratégico e inovador tem tudo a ver com este novo momento do PASI e estou muito animada para tirar do papel os projetos que temos em mente”, explicou a executiva. 

Focado na melhoria de processos, serviços e oferta de novas soluções para o mercado, o departamento de Produtos irá prezar pela agilidade, aprimoramento de qualidade e inovação. “Sempre atento às novidades e tendências, o Departamento de Produtos atuará também em novos canais de distribuição, modernização de processos e novas parcerias. Pela complexidade e velocidade das mudanças no mercado, houve a necessidade de uma área com foco em aprimoramento e inovação”, destacou Bárbara.

O novo departamento é integrado com todos as outras áreas da companhia, uma vez que as entregas realizadas são o resultado de um trabalho conjunto e sinérgico entre as equipes. O primeiro produto que o departamento está trazendo para o mercado é um novo seguro de contratação imediata. Para os corretores, Bárbara garante que podem esperar novidades em breve, já que há produtos em fase final de aprovação para lançamento no mercado.

Icatu abre aproximadamente 80 vagas de emprego para profissionais de TI

Fonte: Icatu

A Icatu busca profissionais no mercado para atuar na área de Tecnologia da Informação (TI) da companhia. São cerca de 80 vagas disponíveis para contratação imediata, em cargos como Desenvolvedor; Analista de Sistemas; Analista de Segurança da Informação; Arquiteto de Software, entre outras funções em diversos níveis de experiência para atuação em todo o Brasil – inclusive com vagas em home office. As inscrições já estão abertas. 

As novas contratações dão suporte ao processo de transformação digital que vem sendo estruturado na companhia, que conta hoje com 1,9 mil profissionais. Nos últimos cinco anos, a Icatu fez investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões nesta pasta. E, para 2021, além das novas vagas, a previsão de investimento gira em torno de R$190 milhões, contemplando 16 novos projetos. “A Icatu está ainda mais focada em desenvolver soluções mais simples e intuitivas – a partir da inovação e da tecnologia. Para isso, além das competências técnicas, buscamos profissionais versáteis, com atitude proativa e colaborativa, com paixão por inovação”, afirma a executiva.

Em ritmo acelerado de contratação, a empresa digitalizou as etapas da admissão: os novos funcionários só precisam estar presentes fisicamente no exame médico, última etapa do processo seletivo. “Percebemos que este novo modelo é bastante positivo para a experiência do candidato e agiliza o processo de seleção e contratação sem deixar de lado a confiabilidade”, destaca Camila Asenjo, diretora de Pessoas da Icatu.  

A Icatu foi eleita por seis vezes consecutivas pela consultoria GPTW como uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Entre os benefícios, a companhia oferece assistência médica e odontológica; vale alimentação, refeição e transporte; previdência complementar; seguro de vida e de acidentes pessoais; auxílio creche ou babá; bônus de curto prazo (PLRL) e programas de treinamento. 

As vagas e perfis, assim como a lista completa dos benefícios, estão disponíveis no site https://site.vagas.com.br/icatuseguros.

IRB reduz prejuízo para R$ 156,1 milhões no 1o. semestre de 2021

Toneto IRB

Apesar de apresentar prejuízo, os resultado do IRB Brasil RE mostram melhorias em diversas linhas do balanço. Começando pelo próprio prejuízo, que foi bem menor do que os apresentados nos últimos balanços, desde o inicio de 2020 quando a crise teve inicio com as acusações de fraudes contábeis. A perda de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre do ano indica melhora em relação ao mesmo período de 2020, quando reportou prejuízo de R$ 656,7 milhões. Nos primeiros seis meses de 2021, o prejuízo líquido foi de R$ 156,1 milhões, ante perdas de R$ 621,7 milhões no ano anterior.  

Em vendas, o ressegurador registrou R$ 1,24 bilhão em prêmios emitidos no Brasil entre os meses abril e junho. A performance foi quase 7% superior a do mesmo período em 2020, quando a companhia somou R$ 1,16 bilhão. O resultado está em linha com a estratégia da companhia de não renovar os contratos internacionais não lucrativos e focar em oportunidades no país. Os segmentos das atividades nacionais do setor de seguros que mais causaram impacto positivo no resultado do IBRN, no segundo trimestre, foram Vida (+42,9%), Rural (+34%) e outros (+34,5%). 

A avaliação e limpeza dos contratos no exterior terminou em julho deste ano e a tendência é de que a cada trimestre os resultados sejam menos impactados pelo residual de negócios deficitários. “O nosso foco está concentrado nos principais mercados da América Latina, em particular no Brasil, que reúne boas oportunidades no resseguro que virão por meio do novo marco legal do saneamento, da nova Lei do Gás, do 5G e do seguro para o descomissionamento de plataformas de petróleo”, diz o CEO interino e vice-presidente Técnico e de Operações do IRB Brasil RE, Wilson Toneto, em teleconferência com jornalistas. 

O sinistro retido total do IRB Brasil RE, no segundo trimestre de 2021, foi de R$ 1,658 bilhão, uma redução de 29,1% ante o mesmo período de 2020. A companhia obteve ainda queda da taxa de sinistralidade: de 135,3% para 95,7%, quando comparada com igual período do ano passado. Já na análise comparativa semestral, o recuo foi de 108% para 85%. “Quanto menor for este índice, melhor, do ponto de vista da eficiência, é o negócio, pois representa a relação dos sinistros ocorridos nas atividades com os prêmios ganhos no período correspondente, impactando o resultado final do desempenho operacional da empresa”, explica Toneto. 

Parte desta melhora nos índices de sinistralidade do IRB acontece em decorrência da estratégia bem-sucedida de reavaliação do portfólio e de manutenção apenas de contratos com margem de risco adequada para a companhia. “Temos observado nos últimos trimestres uma tendência de recuperação deste indicador, fruto de um trabalho contínuo de gestão de riscos e de foco nos negócios rentáveis do IRB no país”, acrescenta Toneto. 

Pelo quarto trimestre consecutivo, o IRB apresentou melhora na geração de caixa operacional. Entre os meses abril e junho, o acumulado da companhia, de R$ 352 milhões, dobrou frente ao trimestre anterior (R$ 176 milhões) e foi cerca de 225% superior se comparado com igual período em 2020 (prejuízo de R$ 282 milhões).  

“Outro dado relevante notado, no período trimestral do IRB, foi o avanço da eficiência operacional em custos e qualidades dos serviços que serão potencializados com inovação e novas ferramentas. No segundo trimestre de 2021, o índice de eficiência foi de 5,5% contra 4,3% no mesmo período do ano passado. Já na comparação dos primeiros seis meses, houve crescimento de 4,6% para 6,1%”, afirma Werner Suffert, vice-presidente Executivo Financeiro e de Relações com Investidores. 

Para isso, desde o ano passado, nota-se uma tendência de recuperação devido à revisão do portfólio, à descontinuação dos contratos no exterior não lucrativos e ao foco nos negócios rentáveis no Brasil. 

Os executivos explicam que o resultado do segundo trimestre foi impactado pela conjuntura econômica que afetou globalmente o setor de resseguros, bem como por sinistros decorrentes de negócios descontinuados (run-off), com efeito de R$ 190,3 milhões, e por eventos não recorrentes (one-offs) de R$ 14,4 milhões. A partir da exclusão de tais efeitos, run-off e one-off, o IRB teria apresentado um prejuízo líquido normalizado bem menor: R$ 31 milhões no 2T21. Já no 1S21, com a retirada dos contratos deficitários e dos efeitos não-recorrentes do resultado, a companhia teria registrado um lucro líquido normalizado de R$ 57,1 milhões. 

Neste período, a companhia obteve resultado de subscrição superior ao verificado no 2T20 em quase R$ 700 milhões, reforçando a curva de melhora nos resultados esperada para este ano. Se excluirmos os efeitos do run-off no período avaliado, a melhora no resultado de underwriting é de R$ 889 milhões.  

Novas perspectivas até o fim do ano

Com a divulgação dos resultados do 2T21, o IRB Brasil RE concluiu tendência positiva para os próximos meses. “A companhia prevê que, de forma gradual, a performance dos negócios continuados irá se sobrepor aos descontinuados. Além disso, há projeção de redução da sinistralidade e melhora no índice combinado em relação aos patamares atuais”, conta o CEO interino e vice-presidente Técnico e de Operações do IRB Brasil RE, Wilson Toneto 

O executivo explica que “há um conjunto de ações a fim de gerar e agregar valores importantes para a companhia nos próximos anos. Contamos com mais de 80 profissionais com business plan que trarão bons frutos à empresa”. Outras boas perspectivas para o ano incluem a redução das despesas de retrocessão em razão da menor exposição internacional e riscos catastróficos, maior representatividade da operação doméstica e na América Latina, manutenção da robustez na solidez regulatória e total, bem como a suficiência de cobertura de provisões técnicas e liquidez regulatória.  

Atividades econômicas nacionais que devem gerar boas oportunidades de negócio, como privatizações, concessões e investimentos em infraestrutura, também estão no radar do IRB para que os próximos meses.   

R$ 28,6 milhões em JCP

Aprovado em Assembleia Geral Extraordinária, o IRB anuncia que o pagamento de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) de R$ 28,6 milhões será realizado no dia 8 de setembro a fim de honrar seu compromisso com os acionistas. Contudo, a companhia avaliará nova programação para liquidação dos dividendos complementares ao longo do segundo semestre de 2021.  Com relação à recompra de ações, tecnicamente e de forma regulatória, a companhia não tem condições patrimoniais de fazê-la. É impraticável por normas regulatórias”, explica Toneto.

Pesquisa da Bain revela que clientes de seguradoras preferem canais de contato humano

Luiza Mattos, sócia da Bain & Company

Por meio do NPS Prism, a Bain & Company mediu os principais canais usados pelos clientes das principais seguradoras do Brasil e concluiu que os contatos humanos, em especial corretor e banco, ainda possuem grande relevância e aparecem como canal principal para 60% dos respondentes. “Isso se dá porque a experiência do cliente ainda é, de modo geral, melhor através do corretor do que em canais digitais, conforme medido pela classificação de NPS”, comenta Luiza Mattos, sócia da Bain & Company, em nota divulgada à imprensa. 

Segundo o levantamento, o NPS do atendimento de um corretor foi até 22 pontos melhor que o da Central de Atendimento e entre 12 e 18 pontos mais alto quando comparado ao atendimento completamente digital. 

O levantamento também apontou a importância de manter o cliente satisfeito em um mesmo canal, uma vez que a mudança do digital para o humano deixa o cliente menos satisfeito com a experiência. No seguro auto, por exemplo, clientes que iniciam seus episódios em canais digitais reduzem seu NPS em 15 pontos, em média, ao serem forçados a migrar para um atendimento humano.

Os níveis de satisfação do cliente variam de acordo com o tipo de episódio. Aquisição, por exemplo, ainda são dependentes do corretores, que são o canal inicial de 52% dos clientes. Enquanto gerenciamento de pagamento e acompanhamento de sinistro possuem maior penetração de canais digitais (53%), seguido de  central de atendimento (38%). 

A entrada de players digitais no setor de seguros tem impactado também os canais, conforme novas empresas de seguros para auto, vida e previdência totalmente digitais surgem no mercado. “Isso confirma que a indústria de seguros está atrás dos demais ramos de serviços financeiros em digitalização e grandes players precisam estar atentos para o movimento atual de serviços remotos”, completa Mattos. 

Seguro paramétrico inédito protege cacau no sul da Bahia

Uma operação inédita, concluída na semana passada, reuniu iniciativa privada, poder público e produtores na modulação de uma ferramenta customizada para mitigar os impactos das alterações do clima na produção de cacau no sul da Bahia, informa o Valor. Foi emitida a primeira apólice de seguro rural paramétrico do país, que usará o tratamento de dados e as informações climáticas de estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) como indicadores de risco para o contrato entre seguradora e agricultores.

O prêmio contou com a subvenção federal de 20% implementada no início do ano e também inédita. Rodrigo Mortoni, vice-presidente da Newe Seguros, seguradora responsável pela operação, reforça que o maior volume de informações e a confiança nos dados do Inmet reduz os riscos, e que a definição de parâmetros numéricos tira a subjetividade do processo, já que as coberturas são acionadas por um “elemento objetivo”, sem necessidade de apuração ou quantificação de danos.

Outra peculiaridade é a dispensa de vistorias e inspeções presenciais em caso de sinistro. “Se chover menos, a cobertura vai ser acionada e a indenização vai ser paga diretamente na conta do produtor, de maneira célere. Isso tira o risco moral, o custo de inspeção, a ida a campo”, afirma.

Leia o texto completo no portal do Valor, aberto para assinantes.

Artigo: O custo econômico da pandemia no Brasil

por Francisco Galiza, da Rating de Seguros

O objetivo desse texto é discutir uma metodologia para medir o custo econômico resultante dos efeitos da pandemia na sociedade, pelo menos até esse momento. Ou seja, o custo que nós pagamos e ainda pagaremos por toda essa tragédia. Para isso, tomou-se como referência principal um estudo recente feito nos EUA, fazendo em seguida as analogias necessárias para o Brasil. O estudo “The COVID- 19 Pandemic and the $16 Trillion Virus”1 faz tal estimativa para os EUA. A previsão naquele país é que o custo econômico total da pandemia será de astronômicos US$ 16 trilhões.

É interessante observar os números e critérios utilizados nesse trabalho. O texto separa esses custos em dois grandes grupos. Primeiro, o custo econômico direto, as perdas mais claras e de fácil observação. Desemprego, perdas de renda, baixo consumo, falências, endividamento público e privado, todos são fatores relevantes usados nesse cálculo. O quanto que as pessoas e o governo americano gastaram para que se pudesse sobreviver – pessoalmente e economicamente – durante a fase mais crítica da pandemia. Segundo um estudo citado2 no texto original, desenvolvido agora pelo Congresso Americano, a perda econômica com essas medidas seria de U$ 7,6 trilhões, com efeitos distribuídos ao longo da próxima década (2021 a 2030).

O segundo grupo de custos corresponde ao custo que afeta diretamente as pessoas na área médica e em perdas de vida, sendo assim dividido em três partes. Primeiro, as perdas na sociedade pelas mortes das pessoas. Aqui, nessa medição, se usa o conceito “Valor Estatístico da Vida (VEV)”3 4, metodologia bastante usada em economia. Esse número se refere ao valor de quanto uma sociedade ou individuo deveria estar disposto a gastar para prevenir uma morte ou salvar uma vida.

No estudo citado, nos EUA, se considera como sendo o valor médio de US$ 7 milhões (106 vezes o PIB per capta daquele país) por cada vida perdida. Há vários estudos ilustrativos em que tal cálculo é feito, conforme citado nas referências. Aqui, o texto americano usa o valor médio de US$ 7 milhões por cada vida.

Em um cálculo estatístico aproximado, se considera também como “regra de bolso” o valor de 100 vezes o PIB per capta de um país, quando se quer avaliar o valor de uma vida estatística naquela região. Assim, considerando um total de 625 mil mortes nos EUA como resultantes da pandemia, e fazendo a multiplicação pelo valor de cada vida, teríamos naquele país uma perda de US$ 4,3 trilhões. Ou seja, a economia e as pessoas ficaram mais pobres com o falecimento das pessoas, muitas delas em idade produtiva ou com um grande potencial de retorno para a sociedade.

O segundo custo seria daquelas pessoas que irão sobreviver, mas permanecerão com sequelas após a pandemia. O cálculo agora é mais complexo, pois envolve hipóteses médicas. Primeiro, os custos derivados de problemas físicos, como problemas cardíacos e pulmonares, os mais comuns nesse caso. Para tal raciocínio, a conta que é feita é a seguinte. Na média, se observou que, das pessoas que tiveram doenças graves, 1/3 delas terão sequelas permanentes. Uma outra relação encontrada é que há sete vezes doentes graves para cada morte. Ou seja, feitas as contas, aproximadamente, haverá duas pessoas com sequelas graves para cada morte (o produto de 7 x 1/3). Assim, para cada 625 mil mortes nos EUA, haveria, em termos médios, 1,46 milhão de pessoas com sequelas.

Ainda nessa linha, outra conta que é feita é avaliar o grau dessa sequela. Por exemplo, no caso de uma doença pulmonar obstrutiva crônica moderada, doença citada no texto original como uma das mais comuns nesse caso, a perda de utilidade é estimada como sendo de 25% a 35%. Isso vai levar a uma redução total na expectativa de vida das pessoas e também na sua qualidade. As pessoas viverão menos e pior. Assim, o cálculo que é feito leva em conta tal aspecto. Uma diminuição no valor da vida, a perda de utilidade e o aumento da quantidade de vidas com sequelas. Após as contas, chegamos a uma perda de, aproximadamente, US$ 2,6 trilhões.

A última conta é a perda por problemas mentais. Nesse caso, o texto cita inúmeros fatores que influenciaram negativamente as pessoas, como a perda de vidas entre amigos, crises de ansiedade por pegar o vírus, isolamento, preocupação com a segurança econômica, etc. Segundo o texto, 40% dos adultos norte-americanos relatavam sintomas de depressão ou ansiedade no meio de 2020, contra 11% em 2019. Essa diferença de 30%, causada diretamente pela pandemia, resultaria em aumento de 80 milhões de indivíduos com problemas mentais. Em termos simplificados, o texto considera como hipótese um gasto de US$ 20 mil por pessoa por ano, as perdas chegariam a US$ 1,6 trilhão.

Somando todos esses fatores (7,6+4,3+2,6+1,6), encontramos US$ 16 trilhões citados no título do artigo. Com uma população de 328 milhões, para uma família média de 4 pessoas, haveria 82 milhões de famílias, com um custo total de US$ 200 mil por família. Aproximadamente metade desse valor é a renda perdida com a recessão induzida pelo COVID-19; o restante são os efeitos econômicos das mortes e de uma vida mais curta e menos saudável.

O texto original cita mais números para mostrar o tamanho de tal tragédia. A produção perdida na Grande Recessão foi apenas um quarto maior do que o valor perdido na pandemia. A perda econômica é mais do que o dobro do gasto monetário total em todas as guerras que os EUA travaram desde 11 de setembro de 2001, incluindo as do Afeganistão, Iraque e Síria. Por outra métrica, esse custo é aproximadamente a estimativa de danos (como a diminuição da produtividade agrícola e eventos climáticos severos mais frequentes) de 50 anos de mudança climática. Esses US$ 16 trilhões correspondem a 75% do PIB daquele país. Enfim, são números elencados no texto de referência.

Vamos agora levar em conta os números brasileiros, usando um raciocínio análogo, com alguns ajustes. Inicialmente, os efeitos econômicos diretos. Nesse cálculo, usaremos dois critérios, de uma forma mais simplificada do que foi feito no estudo americano.

Um primeiro efeito econômico medido foi a evolução de crescimento do PIB no gráfico 1. Observa-se que houve uma queda de 4% no PIB em 2020, pelo efeito direto da pandemia. Para 2021, a previsão nesse momento é de um crescimento de 5,3%. Ou seja, nos dois anos em questão, teremos um crescimento acumulado positivo de 1%. Antes da pandemia, o Brasil vinha crescendo a uma taxa média de 1,5% ao ano (média de 2017 a 2019), o que resultaria 3% em dois anos. Em 2022, nesse momento, as previsões indicam uma volta à normalidade.page5image342773680

Isto é, podemos dizer que o Brasil perdeu 2 pontos percentuais de crescimento de PIB pela pandemia, nesses dois anos mais intensos (2019 e 2020), caso o país tivesse mantido a taxa original. Em vez de 3%, crescemos 1%. O PIB do Brasil em 2020 foi de R$ 7,4 trilhões. Assim, o valor de 2% corresponderia a aproximadamente R$ 150 bilhões. Essa seria a perda derivada da queda de crescimento econômico.

A dívida pública chegou, ao final de 2020, em R$ 5 trilhões. Antes da pandemia, a previsão era chegarmos ao valor de R$ 4,75 trilhões5. Ou seja, uma diferença a mais de R$ 250 bilhões. A pandemia provocou esse déficit a maior.

Para 2021, a situação ainda está indefinida. Há fatores que ainda pressionam a dívida, como a pandemia continuada, mas em nível bem menor, já aparentemente terminando (aqui, entra um pouco de torcida também). Por outro lado, o país está crescendo, ou, pelo menos, se recuperando do efeito maior da crise. Assim, vamos considerar, por essas hipóteses, que a pandemia não tenha efeito significativo na dívida pública em 2021. Ou, se tiver, o efeito vai ser bem menor do que ano anterior. Uma hipótese simplificadora, sem dúvida, até pelo fato de não termos mais dados, pois a indefinição é grande. É importante considerar também que o setor privado não diminuiu tanto a poupança pela pandemia, tal como aconteceu no setor público em 2020.6 Houve um efeito compensatório, as pessoas ganharam menos, mas acabaram não gastando tanto, diminuindo o seu nível de consumo.

Agora, vamos às contas nas áreas individuais, das pessoas mesmo. Obviamente, já houve e há o aumento das despesas médicas de imediato, no curto prazo, como registram as estatísticas do SUS. 7 Mas as coisas são continuadas, mais complexas e mais difíceis. Assim, vamos seguir um raciocínio análogo ao estudo da economia americana, citado anteriormente.

Nesse momento, o país caminha para as 600 mil mortes pela pandemia. Esse será o número de nossa referência. Pode ser um pouco mais ou um pouco menos, mas tudo leva a crer que o número ficará em torno disso, salvo o aparecimento de alguma nova variante. Por esse fato, é estimado também que o Brasil já perderá dois anos na sua expectativa média de vida, além de haver uma queda na qualidade de vida e no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

No Brasil, existem várias abordagens sobre o valor de uma vida, dentro do conceito de “Valor Econômico de uma Vida”. Se levarmos em conta a relação simplificadora de “100 vezes o PIB per capta”, chegamos a um valor próximo de R$ 3,5 milhões por cada vida perdida no país. Por outro lado, existem cálculos bem mais sofisticados, que levam em conta a profissão e o gênero, resultando em números que variam entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, em valores de 2020.9 Já outros textos, em dados de 2017, indicam um número entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões.10 Em um texto também de há quatro anos, o valor estimado médio é de R$ 3 milhões. 11 Em um texto de 2015, avaliando o valor estimado de uma vida resultando da perda de acidente de acidentes de trânsito, o valor estimado foi de R$ 2 milhões, com variações relevantes, dependendo da região do país.

Ressalte-se, porém, que esse critério é variado e não é plenamente uniforme, mesmo em termos jurídicos. Por exemplo, em um caso de morte dentro de escola, já se fixou a indenização em 300 salários mínimos. Em outro exemplo, no caso de morte de um diretor de presídio, o Estado foi condenado a indenizar a família em 1.300 salários mínimos. 12 Ou seja, no máximo, um valor em torno de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. Há questionamentos nas referências teóricas citadas do motivo de a vida no Brasil valer tão pouco, mesmo quando o valor é comparado a outros países em desenvolvimento. 13

Em função dos dados observados, escolheu-se o valor de R$ 3,5 milhões (aproximadamente 700 mil dólares, na cotação atual do câmbio), para cada vida perdida no país. Como comparação, isso representa 10% do valor usado nos EUA, no texto original da referência. Fazendo então o cálculo da perda total, o Brasil terá sofrido, somente pelas mortes com a pandemia, o montante de R$ 2.100 bilhões.

Em termos de danos físicos permanentes, usa-se o raciocínio análogo ao texto já citado. Haverá aproximadamente o dobro de pessoas com invalidez permanente, quando comparado ao número de mortes causadas pela pandemia, com uma perda de utilidade nessas pessoas de 25% com relação à condição inicial. Com isso, chegamos a uma perda financeira de mais R$ 1.225 bilhões.

O problema mental existe também no Brasil14, causado pela pandemia, mas fica difícil medir o seu efeito. Nos EUA, segundo o estudo de referência, a população com algum problema mental passou de 10% a 40%, como resultado direto da pandemia. Caso aplicássemos tal proporção ao Brasil, essa diferença resultaria em mais 66 milhões de pessoas (30% x 220 milhões) com algum tipo de problema mensal. Talvez muita gente, 40%? Por exemplo, em outros levantamentos feitos especificamente no país, o valor estimado de problemas mentais é bem menor, de 20%.

É importante registrar que esses “problemas mentais” podem ser registrados também de forma indireta, em um sentido amplo, como o aumento de consumo de drogas lícitas (cigarros, bebida) e remédios em automedicação16. Isso não apareceria diretamente nas estatísticas oficiais relativas a tal tópico.

E qual seria esse custo médio? Difícil responder. Nos EUA, no estudo de referência, foi estimado o valor de US$ 20 mil por pessoa, de gasto a mais. No Brasil, temos o SUS (e outros serviços gratuitos de saúde), além da nossa renda ser bem menor (só lembrando, o PIB per capta no Brasil é 8 a 9 vezes menor do que nos EUA).

Em função do observado, consideraremos que o aumento ocorreu em 20% da população (mais 45 milhões de pessoas), com um aumento de gastos – derivados de problemas mentais – de R$ 500 ao ano. Valores bem, mas bem mais modestos que nos EUA. Com essas hipóteses, isso resultou em mais R$ 22 bilhões nos gastos. Ou seja, uns US$ 4 bilhões, distantes dos US$ 1.600 bilhões estimados para os EUA.

Assim, na tabela 1, temos o resumo com o custo econômico da pandemia no Brasil, com um total estimado de quase R$ 3,8 trilhões, a partir das cinco parcelas calculadas anteriormente: Queda do PIB, Endividamento, Mortes, Sequelas Físicas e Problemas Mentais. Ao final, isso resulta e, aproximadamente 50% do PIB do país. Só para lembrar, nos EUA, no artigo original, o valor foi 75% do PIB daquele país.

Esse artigo ressalta que é importante observar que o custo econômico com a pandemia não pode ser medido apenas pela perda do PIB ou o aumento de endividamento. Não podemos nos iludir com esse número. Isso só representa 10% do problema. Tal como um iceberg em que só vemos o que está na superfície, 90% do gelo está debaixo d’água. A analogia é imediata.

Na análise do custo econômico, o mais importante é a perda de vidas e também de qualidade de vida dos que sobreviveram17. Somente esses dois fatores representam 90% do montante total das perdas econômicas no Brasil. Ressaltamos que esse é o preço econômico de toda essa tragédia, a mensuração prática dos valores. Não estamos falando, naturalmente, do “preço afetivo” sofrido pela sociedade.

O poeta e pastor inglês John Donne viveu do século 16 para o século 17. Era prática comum os sinos tocarem quando alguém morria. A partir daí, surgiu abaixo o texto genial, mostrando a ligação de todos:

“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós.”18

A morte dessas 600 mil pessoas teve efeitos profundos na economia brasileira, mais do que aparentemente podemos imaginar.