HDI Global mantém trajetória de crescimento e eleva lucro nos nove primeiros meses de 2025

A HDI Global registrou avanços consistentes em receita e lucro líquido no acumulado de janeiro a setembro de 2025. Segundo a companhia, o desempenho positivo foi impulsionado sobretudo pela expansão de novos negócios e por ajustes de preços relacionados à inflação, reforçando a contribuição da seguradora para os resultados do Grupo Talanx.

A receita de seguros somou 7,6 bilhões de euros nos nove meses, alta de 6% em base cambial (4% em termos nominais) ante os 7,3 bilhões de euros do mesmo período de 2024. O resultado de serviços de seguros alcançou 638 milhões de euros, frente a 692 milhões um ano antes. As indenizações por grandes sinistros totalizaram 314 milhões de euros, praticamente em linha com os 313 milhões registrados no período anterior e abaixo do orçamento proporcional de 424 milhões de euros.

O índice combinado ficou em 91,6%, levemente superior aos 90,5% de 2024, mas ainda dentro da meta anual de permanecer inferior a 92%. O resultado financeiro e de investimentos, antes dos efeitos cambiais, subiu para 147 milhões de euros, impulsionado por maiores volumes investidos e pelo aumento das receitas de juros. Já o lucro operacional (EBIT) avançou 15%, atingindo 551 milhões de euros, enquanto o retorno sobre o patrimônio cresceu para 16,9%. O lucro líquido da HDI Global aumentou 13%, chegando a 409 milhões de euros.

O CEO da HDI Global SE, Dr. Edgar Puls, destacou o papel do crescimento orgânico, especialmente na originação de novos negócios. “A HDI Global apresentou resultados positivos nos nove meses, com impulso vindo sobretudo das novas oportunidades comerciais. Isso é particularmente satisfatório porque demonstra que clientes e corretores valorizam nossa forma de trabalhar: próxima das necessidades, com profundidade técnica, agilidade e soluções que resistem ao tempo”, afirmou.

Ele ressaltou ainda a combinação entre solidez financeira e especialização em gestão de riscos, programas internacionais, soluções para cativas e serviços de sinistros. “Entregamos soluções sob medida, e não respostas padronizadas”, disse.

Puls ponderou que o cenário segue exigindo cautela. “Seguimos confiantes – e prudentes. O ano tem sido relativamente calmo em termos de grandes perdas para nós, mas permanecemos vigilantes, já que riscos climáticos e outros riscos sistêmicos estão em ascensão. Nosso subscrição disciplinada e o trabalho de prevenção são a base para sermos um verdadeiro parceiro de transformação nos próximos anos.”

O executivo agradeceu clientes, corretores e colaboradores. “Minha sincera gratidão aos clientes e parceiros pela confiança, e aos mais de 5.000 colegas da HDI Global ao redor do mundo. Sua curiosidade, profissionalismo e foco no cliente transformam uma performance forte em valor duradouro”, concluiu.


Mudanças climáticas desafiam mercado de seguros, mostra estudo da MAPFRE 


O avanço das mudanças climáticas está provocando prejuízos cada vez maiores e pressionando o mercado global de seguros. É o que conclui um estudo da MAPFRE Economics, que será apresentado nesta terça-feira (18/11) na ‘Casa do Seguro’, durante a programação da COP30 em Belém (PA). O levantamento mostra que menos da metade das perdas econômicas causadas por desastres naturais no mundo têm cobertura de seguro.

Segundo o relatório, intitulado “Mudanças Climáticas,Riscos Extraordinários e Políticas Públicas”, apenas 48% dos prejuízos globais registrados durante o ano de 2024 foram devidamente indenizados. O restante, que equivale a cerca de 191 bilhões de dólares, ficou descoberto, causando prejuízos a pessoas físicas e jurídicas.

“Os desastres estão se tornando mais intensos e frequentes e, em alguns casos, de dimensão sistêmica”, afirma a diretora de sustentabilidade da MAPFRE, Fátima Lima. “Nenhum governo ou empresa pode lidar com isso sozinho. Fechar essa brecha é um desafio de política pública”, alerta a executiva.

O relatório aponta ainda que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média 1,6°C acima dos níveis pré-industriais. O fenômeno El Niño, em intensidade recorde, provocou secas na Amazônia, redução do nível do Canal do Panamá e chuvas extremas em todo o continente americano.

Esses episódios, somados a ondas de calor, incêndios e tempestades cada vez mais violentas, elevaram o custo dos seguros e aumentaram a incerteza sobre os riscos futuros. “O impacto climático já não é só ambiental, é econômico”, afirma a diretora da MAPFRE.

De acordo com o estudo, as perdas globais por desastres naturais chegaram a 368 bilhões de dólares em 2024, número semelhante ao de 2023 (397 bilhões de dólares) e 20222 (365 bilhões de dólares). A maior parte veio de eventos de menor intensidade, mas mais recorrentes, os chamados “riscos secundários”, como granizo, vendavais e enchentes, que são fenômenos da natureza comuns no Brasil.

Brecha maior em países pobres
 

A chamada lacuna de proteção, que é a diferença entre o total de perdas econômicas causadas pelas catástrofes e a quantia efetivamente coberta pelos seguros, é mais profunda nos países em desenvolvimento. Na Ásia, apenas 17% das perdas estão seguradas, e na América Latina a proporção é de 19%. 

Em países como o Brasil, o relatório aponta que o crescimento urbano desordenado, a ocupação de áreas vulneráveis e a falta de infraestrutura de prevenção ampliam o impacto das catástrofes. Mesmo na Europa, onde o mercado é mais consolidado, quase 70% dos prejuízos ainda ocorrem sem cobertura. Já a América do Norte e a Oceania apresentam as menores lacunas de proteção do mundo, com 43% e 41% das perdas permanecendo descobertas, respectivamente.

Para os especialistas da MAPFRE, o avanço do aquecimento global pressiona o setor de seguros de duas formas: eleva o custo das indenizações e torna mais difícil precificar os riscos futuros.“O seguro é um amortecedor importante, mas precisa estar conectado a políticas de adaptação e prevenção para poder ter estabilidade”, explica Fátima, da MAPFRE. 

Ações para reduzir riscos

O relatório da MAPFRE Economics recomenda que governos e empresas adotem medidas conjuntas para ampliar a cobertura e reduzir vulnerabilidades. Entre as propostas estão parcerias público-privadas, uso de seguros paramétricos, que pagam indenizações automáticas com base em índices climáticos, melhoria dos dados de risco e incentivos à prevenção.

O estudo também cita o potencial de instrumentos como títulos catastróficos e bônus verdes para financiar ações de adaptação climática e fortalecer a resiliência econômica. “O seguro é uma das principais ferramentas de proteção econômica diante das mudanças climáticas, mas ele precisa fazer parte de uma estratégia integrada”, alerta Fátima. 

A apresentação do estudo na ‘Casa do Seguro’, espaço da CNSeg (Confederação Nacional de Seguros) dentro da COP30, reunirá representantes do setor financeiro, autoridades e especialistas em sustentabilidade, como Ricardo González García, diretor de análise e estudos setoriais da MAPFRE Economics Espanha e coautor do estudo; Vinicius Brand, subsecretário do Ministério da Fazenda; o físico Paulo Artaxo, professor da USP e membro do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática); Carlos “Cacá” Takahashi, chairman da BlackRock Brasil e vice-presidente da ANBIMA, além da moderadora Mónica Zuleta, diretora corporativa de sustentabilidade da MAPFRE.

Como o seguro impulsiona uma economia mais inclusiva diante das mudanças climáticas

A Casa do Seguro, em Belém, reuniu lideranças do Brasil e do exterior, na tarde deste sábado (15), para discutir como o setor de seguros e o sistema financeiro podem acelerar a transição climática, reduzir a lacuna de proteção e integrar riscos ambientais e sociais às suas estratégias. 

A programação começou com o painel “Do conhecimento à ação: a jornada do setor financeiro”, que apresentou os resultados do trabalho conjunto entre a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
 

Ao longo de 2025, as três entidades promoveram seis capacitações e estruturaram uma agenda integrada de transição climática para o sistema financeiro. A assessora de Sustentabilidade da Febraban, Thais Tannús, destacou o caráter pioneiro da iniciativa, enquanto a diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Trindade Prates, ressaltou a importância da cooperação entre instituições. “Somos indutores de sustentabilidade. Juntos, conseguimos fazer mais”, afirmou.


Cacá Takahashi, diretor da Anbima e coordenador da Rede Anbima de Sustentabilidade, reforçou o papel da colaboração entre equipes e instituições. O painel concluiu com o compromisso de dar continuidade à agenda após a COP30, incluindo projetos em educação financeira, inventários de carbono setoriais e estudos sobre seguros de desastres e mercado de capitais.


Global Sustainable Insurance Summit destaca o setor de seguros


Claudia Prates: “Estamos sendo referências em diversos eventos, algo nunca visto anteriormente”

Em seguida, a CNseg e a UNEP FI abriram o “COP30 Global Sustainable Insurance Summit”, fórum dedicado ao debate Net-Zero, natureza e transição justa no setor de seguros. Claudia Prates sublinhou o destaque inédito do setor na COP: “Estamos sendo referências em diversos eventos, algo nunca visto anteriormente.”
 

Jéssica Bastos, diretora da Susep, abordou a relação entre riscos climáticos e desafios estruturais de países em desenvolvimento, defendendo planejamento e ação coordenada. 
 

Butch Bacani, chefe de Seguros da UNEP FI, ​​anunciou que cada sessão traria um lançamento inédito da ONU para acelerar a agenda global de seguros sustentáveis. “Precisamos fazer mais, sermos mais inclusivos. Em toda sessão hoje, vamos lançar algo novo para mover essa agenda de seguro sustentável.” 

ONU lança guia global para integração entre seguros e investimentos



Painel “Planos de Transição: acelerando e ampliando uma transição justa rumo a uma economia Net-Zero resiliente”

O painel “Planos de Transição: acelerando e ampliando uma transição justa rumo a uma economia Net-Zero resiliente” marcou o lançamento do guia global “A Total Balance Sheet Transition”, desenvolvido pelo Fórum de Transição em Seguros da ONU (FIT). Segundo Bacani, o documento é pioneiro ao conectar portfólios de investimentos e seguros numa mesma estratégia de descarbonização.
 

Claudine Blamey, diretora de Sustentabilidade do Grupo Aviva, relatou a evolução dos planos de transição da segurança, enfatizando a importância da execução. Catherine Chazal, do Grupo AXA, apresentou iniciativas de capacitação e adaptação climática envolvendo 80 mil funcionários. 
 

Já Patrícia Coimbra, diretora de Gente e Cultura da Porto, destacou os quatro pilares da estratégia de sustentabilidade da empresa: capital humano, mudanças climáticas e circularidade, produtos sustentáveis ​​e engajamento da cadeia de valor. Jéssica Bastos encerrou o painel alertando para o desafio do regulador de avanço na agenda climática sem criar barreiras de mercado.
 

WWF apresenta relatório sobre lacuna de proteção
 

O painel a seguir foi dedicado ao lançamento do relatório global do WWF sobre a lacuna de proteção securitária em um cenário de agravamento das mudanças climáticas. 
 

Aaron Vermeulen, diretor global de Finanças para a Natureza do WWF Internacional, mostrou como os eventos extremos e a degradação ambiental têm causado ​​prejuízos crescentes, especialmente em países em desenvolvimento.
 



Painel a seguir foi dedicado ao lançamento do relatório global do WWF

Vermeulen defendeu que o enfrentamento desses riscos exige ação integrada entre mercado segurador e políticas públicas de mitigação, conservação e restauração ambiental. Ele destacou que soluções baseadas na natureza geram alto retorno econômico e danos em eventos climáticos extremos.
 

Clima e natureza: agendas indissociáveis

No painel “Assegurando um futuro resiliente e positivo para a natureza”, Butch Bacani reafirmou a conexão entre clima e biodiversidade, apresentando o novo guia da ONU para integrar riscos e oportunidades associadas à natureza. Mais de 60 seguradoras e organizações já participam do grupo global sobre o tema.
 

Aurelie Fallon Saint-Lo, head of Sustainable Underwriting do Grupo AXA, destacou o seguro de restauração de ecossistemas do AXA Climate, aplicado em países como Filipinas e México. Hiroko Urashima, senior Sustainability Specialist da MS&AD Insurance Group, destacou que as seguradoras precisam reconhecer seu papel na degradação dos ecossistemas ao financiar e assegurar atividades insustentáveis: “Aceleramos esse tipo de urbanização.” 
 

Mónica Zuleta, diretora corporativa de sustentabilidade da MAPFRE, apresentou iniciativas inovadoras à integração da natureza na estratégia corporativa, incluindo seguros para recifes e florestas. 
 



Painel “Assegurando um futuro resiliente e positivo para a natureza”

Frederic Olbert, cofundador da Carbonpool, discutiu os seguros que protegem o mercado de carbono contra riscos estruturais. Chip Cunliffe, da Ocean Risk and Resilience Action Alliance, destacou o potencial das soluções oceânicas para reduzir riscos em comunidades costeiras e o uso de tecnologia para identificar pesca ilegal.
 

O painel reforçou a diversidade de caminhos possíveis para que o setor de seguros impulsione uma economia positiva para a natureza.
 

Transição justa e inclusão social

O último painel da tarde, “Assegurando uma transição justa”, apresentou o relatório da UNEP FI sobre o tema na América Latina. Para Bacani, a transição climática só será bem-sucedida se for inclusiva: “Precisamos incluir, não excluir, as pessoas.”
 

Mabyr Valderrama, diretora de sustentabilidade da Fasecolda (Colômbia), apresentou experiências de restauração de ecossistemas e programas de educação financeira voltados à inclusão. 
 

Richard Choularton, do Programa Mundial de Alimentos (WFP), mostrou como os microseguros têm ajudado comunidades vulneráveis ​​a enfrentar secas e enchentes, reforçando a importância da proteção financeira combinada aos mecanismos de apoio.
 

Soenke Kreft, executive Director da MCII, e Craig Pettengell, co-líder de seguros da Climate Champions, defenderam a integração entre políticas públicas, microseguros e soluções paramétricas voltadas para pequenos produtores. O debate concluiu com consenso: sem inclusão social, não há transição justa nem sustentável.
 



Painel “Assegurando uma transição justa”

Um setor em transformação

Ao longo da programação, os painéis da Casa do Seguro revelaram um setor financeiro mais articulado, inovador e comprometido com o enfrentamento da crise climática. 
 

Da capacitação conjunta entre CNseg, Anbima e Febraban ao lançamento de guias globais da ONU, das discussões sobre natureza e biodiversidade às estratégias para promover uma transição justa na América Latina, ficou evidente que o seguro e o sistema financeiro ocupam um papel crescente na agenda climática. 
 

As apresentações apontaram caminhos concretos para fortalecer resiliência, ampliar proteção, integrar riscos ambientais e sociais e aproximar governos, empresas e comunidades. Em comum, prevaleceu a mensagem de que enfrentar a crise climática exige colaboração, inovação e ações que coloquem as pessoas no centro da transição.

“Temos oportunidade de construirmos políticas públicas e privadas de adaptação climática”, diz CEO da Allianz

Sob os holofotes do mundo inteiro, Belém, sede da COP 30, também recebe a Casa do Seguro, idealizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) com o intuito de posicionar o mercado segurador como setor fundamental na busca por soluções relacionadas à sustentabilidade e riscos climáticos. Empoderadora da Casa, a Allianz foi destaque em dois painéis realizados na quarta-feira (12), em que especialistas nacionais e internacionais abordaram o papel do segmento nas mudanças do clima e na construção de um mundo mais resiliente. As apresentações foram acompanhadas por uma plateia presencial e virtual.

Na abertura, o presidente da Allianz Seguros, Eduard Folch, ressaltou a importância da Casa do Seguro e da COP 30 para o enfrentamento dos desafios climáticos de maneira efetiva e o incentivo à reflexão da sociedade. “A Allianz foi a primeira seguradora a apoiar a Casa do Seguro, pois acreditamos que esta é uma grande oportunidade de falarmos sobre proteção financeira, estabelecermos parcerias e construirmos políticas públicas e privadas de adaptação e gestão alinhadas com a agenda sustentável”, disse.

Cidades resilientes: planejamento urbano para um clima imprevisível

O primeiro painel liderado pela Allianz mostrou como a evolução da urbanização e da industrialização levaram ao aquecimento global, um dos principais desafios climáticos do planeta. Se na década de 1960 dois terços da população mundial ainda viviam no campo, hoje 57% estão concentradas nas cidades, o equivalente a 4,6 bilhões de pessoas. No Brasil, em 12 anos, a zona rural perdeu 4,3 milhões de habitantes, enquanto as metrópoles ganharam 16,6 milhões de moradores.

Muitos países sentem os efeitos desse movimento, incluindo o Brasil. A Grande São Paulo, a região metropolitana de Campinas e a Baixada Santista somam, juntas, mais de 27 milhões de pessoas – mais que a população de Minas Gerais, que contabiliza 21 milhões de habitantes. Com cidades e megalópoles concentrando fenômenos como impermeabilização do solo, emissões de gases de efeito estufa e poucas áreas verdes, aumentam também os impactos graves de eventos climáticos extremos, que se tornam ainda mais intensos ao passo que a população cresce. Nesses casos, segundo Eduard, o seguro não é apenas indenização, mas resiliência para o futuro, prevenção, adaptação e reconstrução. “Queremos liderar a transição para um modelo de cidades e de negócios mais sustentável e, assim, ser vistos como um setor que contribui para a adaptação e a reconstrução. O nosso propósito é transformar a ciência em soluções práticas, que tragam impacto real às comunidades e aos negócios.”

A colaboração é essencial

A indústria de seguros desempenha um papel crucial na construção de resiliência, afirmou Lena Fuldauer, líder de Resiliência e Desenvolvimento de Negócios da Allianz Risk Consulting. Mas ela precisa de aliados. Segundo a keynote speaker, a construção de cidades resilientes depende da cooperação entre governos, empresas e sociedade civil, especialmente para proteger as populações mais vulneráveis a eventos extremos. “Construir resiliência não é um custo, mas um investimento em nosso futuro comum”, argumentou.

Com a rápida urbanização e a estimativa de que mais 2,5 bilhões de pessoas viverão em cidades até 2050, Lena alertou para a necessidade de repensar infraestrutura e planejamento urbano diante da “imprevisibilidade previsível” das mudanças climáticas. Ela citou exemplos como Londres, que gerencia bem inundações, mas sofre com superaquecimento no verão; e Nairóbi, no Quênia, onde oscilações entre secas extremas e enchentes afetam especialmente comunidades vulneráveis, incluindo aquelas que vivem em habitações informais. “Precisamos que as cidades evoluam e se adaptem. Soluções baseadas na natureza, integração comunitária e investimento em padrões mais elevados de resiliência e engenharia podem reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida”, disse, destacando medidas como plantio de árvores urbanas para mitigar temperaturas, planejamento para eventos extremos e estímulo à colaboração entre comunidades e especialistas.

A executiva também enfatizou que o seguro desempenha um papel decisivo na redução dos impactos econômicos. “Em países com baixa cobertura de seguros, desastres podem custar até 2% a 4% do PIB local no longo prazo, enquanto em locais que contam com esse tipo de proteção, os impactos de longo prazo são significativamente menores.” O seguro oferece essa proteção financeira, mas seu papel vai além de pagar perdas. Ele contribui para que comunidades, clientes e o setor público compreendam o que gera risco e, com base em evidências e dados, possam reduzi-lo.

Para Lena, o setor deve evoluir de uma atuação reativa para uma atuação proativa na construção de resiliência, promovendo práticas preventivas e apoiando políticas públicas, como códigos de construção e o direcionamento do desenvolvimento urbano para fora de áreas de alto risco. Nesse contexto, ela destacou iniciativas como a plataforma GloRiA (Global Risk Assessment), uma ferramenta global da Allianz focada em seguros massificados, que em breve chegará ao Brasil, e que oferece uma avaliação individual do risco de desastres naturais para qualquer endereço.

Cenário brasileiro

Fábio Morita, diretor executivo de Automóvel, Massificados e Vida da Allianz Seguros, trouxe a perspectiva brasileira sobre as consequências das mudanças climáticas, com ênfase ao aumento de 200% na frequência desses fenômenos nos últimos anos no país. Neste cenário, a indústria de seguros trabalha para influenciar os clientes na adoção de práticas que reduzam a emissão de carbono e no incentivo a medidas que minimizem os impactos quando os eventos ocorrem. “Para isso, é fundamental conhecer profundamente o risco, algo que a Allianz faz globalmente por meio de uma histórica e robusta base de dados georreferenciados que cruzam informações relacionadas a precipitação, ventos, queimadas e outros indicadores”, pontuou.

Morita também chamou atenção para a lacuna de proteção no Brasil, exemplificada pelas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, em que apenas 6% dos R$ 100 bilhões em prejuízos estimados foram indenizados. “Isso mostra a urgência de ampliar a conscientização e a cobertura das soluções ofertadas pelas seguradoras”, disse. Entre as iniciativas da Allianz, o diretor citou a expansão da cobertura contra enchentes, já existente nas carteiras de Auto e Condomínio, para os seguros Residenciais; além de incentivos à instalação de painéis solares nos seguros patrimoniais e da consultoria para medidas de adaptação, como barreiras anti-enchente e bombas de recalque. No segmento automotivo, a companhia ampliou a aceitação para veículos com até 30 anos e reforçou a cobertura para carros elétricos e híbridos, acompanhada da preparação da rede de oficinas e assistência 24 horas para atender as novas demandas, como pane elétrica. “Queremos viabilizar as práticas sustentáveis e garantir proteção a todas as pessoas. Esse é o nosso compromisso com o futuro.”

“O maior e melhor investimento que podemos fazer”

Como convidado para o debate, a Allianz recebeu David White, diretor de Comunicação e Advocacy da CDRI (Coalition for Disaster Resilient Infrastructure). Ele destacou que oito em cada dez impactos de eventos extremos recaem sobre a infraestrutura urbana e que as perdas globais em infraestrutura chegam a US$ 700 a 800 bilhões por ano, o equivalente a até 14% da renda de alguns países. White lembrou que 75% da infraestrutura necessária para 2050 ainda precisa ser construída. “Temos uma oportunidade única de incorporar a resiliência desde agora, e cada dólar investido pode gerar um retorno entre US$ 7 e US$ 12”, explicou, trazendo exemplos de projetos técnicos realizados pela CDRI em países como Índia, Brasil e Sri Lanka, que já reduziram os impactos de ciclones e garantiram o acesso à água potável em áreas vulneráveis. “Esse é o maior e melhor investimento que podemos fazer, pois ele se paga ao proteger vidas, salvar economias e permitir uma recuperação mais rápida após os eventos extremos. Se pudermos construir a resiliência, faremos uma diferença enorme.”

Mudanças climáticas e o novo paradigma do seguro

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, o número de desastres naturais aumentou cinco vezes nos últimos 50 anos. No Brasil, o senso comum era de que o país estava menos exposto a catástrofes climáticas. No entanto, a natureza começou a dar sinais contrários em um curto espaço de tempo e com eventos mais severos, o que vem mudando a percepção do risco climático, inclusive nos negócios. “No estudo Allianz Risk Barometer, o tema foi apontado como a segunda principal preocupação dos empresários brasileiros, atrás apenas dos ataques cibernéticos”, lembrou Eduard Folch, durante o segundo painel da Allianz na Casa do Seguro.

Gabrielle Durisch, Chief Sustainability Officer (CSO) da Allianz Commercial e keynote speaker do debate, fez uma analogia com a pandemia para explicar a diferença de percepção dos riscos pela sociedade. “Quando experimentamos a covid-19, nós estávamos no meio dela. Fomos impactados nos negócios e nas famílias. Com os riscos do clima, não sentimos um impacto agudo ainda, mas ele está aumentando e isso torna a preparação ainda mais desafiadora”, alertou. A especialista apontou que as enchentes e as chuvas severas já indicam os efeitos da mudança climática no Brasil, destacando que a lacuna de proteção no setor de seguros é um ponto crítico. “Muitas áreas vulneráveis ainda não possuem cobertura adequada e isso agrava os impactos físicos e financeiros”, disse. Embora os riscos climáticos já façam parte da precificação e da subscrição, Gabrielle frisou que a verdadeira chave está na visão de longo prazo. “Antecipar os impactos e adaptar os modelos de negócio será essencial para proteger comunidades e empresas em um cenário de mudanças aceleradas, o que exigirá estratégias mais robustas e sustentáveis.”

A economia depende do enfrentamento à crise climática

O Brasil registrou, em 2024, o maior número de eventos climáticos extremos da última década que causaram ao menos R$ 6,7 bilhões em prejuízos para o agronegócio brasileiro, segundo a Confederação Nacional de Municípios. Com o agro representando 25% do PIB nacional, setor altamente exposto a catástrofes naturais, a mensagem é direta. “A nossa estabilidade econômica e social depende da capacidade de enfrentar a crise climática”, apontou Mauricio Masferrer, diretor executivo de Negócios Corporativos da Allianz Seguros e Managing Director da Allianz Commercial Brasil. A grande questão é ir além da transferência de risco, contribuindo para a resiliência da sociedade. Para isso, a Allianz mantém as suas soluções tradicionais, mas evolui para oferecer ferramentas que ajudem as empresas e a sociedade a mitigar os riscos e se adaptar às mudanças. “Esse compromisso se reflete na subscrição baseada em dados e tecnologia. Com imagens de satélite e análise de 15 variáveis ESG, sendo 11 ligadas à mudança climática, cada área é avaliada pela companhia com rigor. Qualquer desvio dos princípios ESG leva à recusa da proposta, pois as nossas convicções são mais fortes que qualquer negócio isolado”, garantiu Masferrer. Outro aspecto essencial, segundo o diretor, é a capacidade da companhia de gerar dados e transformar informação em estratégia. A plataforma CAReS, desenvolvida pela Allianz com a colaboração dos clientes, é um exemplo. Ao traduzir os riscos físicos em métricas financeiras e operacionais, a ferramenta avalia 12 tipos de eventos, como inundações, tempestades tropicais, granizo, incêndios florestais e ondas de calor, e fornece projeções de risco em quatro marcos temporais: hoje, 2030, 2050 e 2080.

A transição energética é outro pilar estratégico apontado pelo diretor. Globalmente e no Brasil, a Allianz atua em duas frentes. O primeiro está relacionado à engenharia de risco e subscrição especializada, que contribui para a estruturação de produtos adequados a projetos complexos e inovadores e, assim, garantindo segurança aos investidores. O segundo é o investimento direto, que combina transferência de risco com aporte financeiro para apoio a iniciativas que impulsionam a adaptação e a sustentabilidade. “Quando oferecemos suporte técnico e produtos bem estruturados, abrimos caminho para que projetos avancem com confiança. É assim que contribuímos para um futuro mais resiliente e sustentável”.

Head de Seguros do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI) e convidado da Allianz, Butch Bacani ressaltou a importância dos Princípios para um Seguro Sustentável (PSI), que reúne mais de 300 organizações globais – incluindo seguradoras, resseguradoras, corretoras e autoridades reguladoras – como guia para colocar a sustentabilidade no centro das estratégias das seguradoras. “Esses princípios orientam desde a integração da sustentabilidade na estratégia e nos investimentos até o engajamento com toda a cadeia de valor e a colaboração com os governos e a sociedade civil, porque nenhuma companhia conseguirá resolver isso sozinha”, afirmou. Bacani destacou, ainda, a necessidade da responsabilização e transparência para a construção da confiança com todos os stakeholders, citando ações como o guia de gerenciamento de risco sustentável, desenvolvido em parceria com a ONU, e projetos voltados à descarbonização e seguros de natureza positiva. “Precisamos apoiar clientes na transição para uma economia de baixo carbono e criar soluções inovadoras que ajudem a preservar ecossistemas, fundamentais para reduzir riscos e mitigar desastres”, concluiu.

Prudential do Brasil lança estudo inédito na COP30 conectando clima, saúde e proteção financeira

prudential do brasil na cop30

A falta de hábitos saudáveis tende a ampliar os impactos dos riscos climáticos sobre a população nas próximas décadas, já que o clima afeta diretamente a vida cotidiana. Segundo o estudo inédito apresentado pela Prudential do Brasil na COP-30, sem uma gestão adequada desses riscos e das doenças associadas, o volume de indenizações em seguro de vida pode crescer de forma significativa já a partir de 2030. No caso do câncer, por exemplo, a projeção é de que a incidência aumente cerca de 200% até 2050, pressionando sistemas de saúde e a sustentabilidade do setor.

Esses foram os dados apresentados hoje na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-30) durante o painel “O Papel do setor de seguros na resiliência climática e social”. Moderado pela CEO da Prudential do Brasil, Patricia Freitas, o encontro reuniu Adriana Campelo, Coordenadora Regional da Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR); Jessica Bastos, diretora da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP); Mabyr Valderrama, diretora de Sustentabilidade da Federação de Aseguradores Colombianos (FASECOLDA); e Tatiana Assali, sócia da Environmental Resources Management (ERM), no Dia da Prudential na Casa do Seguro, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

Maior seguradora independente em Seguro de Vida no Brasil, a Prudential apresentou seu primeiro estudo de Riscos de Sustentabilidade com foco em vida. Desenvolvido em parceria com a ERM, maior consultoria especializada em sustentabilidade do mundo, o estudo revela como os riscos climáticos e de saúde pública se conectam e podem afetar a economia, a longevidade e a sustentabilidade do seguro de vida até 2050. 

Realizada com base na carteira de clientes Vida Individual da Prudential do Brasil, a pesquisa avaliou o impacto das doenças cardiovasculares e do câncer em possíveis indenizações. Os resultados indicam que promover melhorias na alimentação e adotar hábitos saudáveis podem reduzir em até 65,7% as indenizações por morte decorrente de doenças cardiovasculares até 2050, em um cenário otimista. Por outro lado, o cenário pessimista alerta para os riscos de não agir: hábitos alimentares inadequados, somados ao aumento de temperatura, podem aumentar o índice de mortalidade, elevando significativamente as indenizações por doenças cardiovasculares a partir de 2030.

“Os desafios climáticos trazem riscos também para a saúde, como as doenças tropicais e cardiovasculares. É por isso que este estudo é tão importante. Ele nos ajuda a entender como esses fenômenos ampliam riscos para as pessoas e para as famílias, e reforça a necessidade de ampliar o acesso a proteção e bem-estar”, afirma Patricia Freitas, CEO da Prudential do Brasil.

O estudo aponta ainda que, entre segurados de alta renda e melhor qualidade de vida, pode haver uma redução de até 13% nas indenizações por mortalidade por câncer até 2050 em um cenário otimista. Esse resultado contrasta fortemente com o cenário pessimista, que projeta um aumento potencial de até 53% nas indenizações.

“Temos um desafio que vem antes de qualquer discussão climática: a participação do seguro na vida das pessoas. Seguro de automóvel, por exemplo, só chega a 30% da população, enquanto apenas 18% têm a proteção do seguro de vida. A base para mudar essa realidade é a educação – ambiental e financeira. Quando avançamos nesses pilares, ampliamos a capacidade de cuidar das pessoas e fortalecemos a resiliência do nosso país”, complementa a CEO Patricia. 

Uma resposta concreta do compromisso da Prudential com a saúde preventiva é o Fully, plataforma que incentiva hábitos saudáveis e promove o bem-estar físico, mental e financeiro. Ao transformar o cuidado em recompensas e cashback, a plataforma alinha o interesse financeiro dos segurados com a sua longevidade, agindo como um poderoso mecanismo de mitigação do risco social, tal como evidenciado pela modelagem do estudo.

O estudo também analisou os impactos das mudanças climáticas, evidenciando a necessidade de uma gestão de riscos integrada, combinando variáveis ambientais, sociais e financeiras. A análise mostra que políticas climáticas mais ambiciosas têm o potencial de fortalecer a resiliência das sociedades no longo prazo, reforçando o papel estratégico do seguro de vida como instrumento de adaptação e estabilidade social diante dos novos desafios globais.

CNseg lança na COP30 o HUB de Inteligência Climática

O Brasil registrou R$ 184 bilhões de prejuízos entre 2022 e 2024 devido a desastres climáticos em 67 eventos climáticos significativos, e apenas 9% desses prejuízos estiveram protegidos por apólices de seguro. Outro dado importante: no primeiro semestre deste ano, outros 10 eventos provocaram R$ 31 bilhões em prejuízos para o País. Esses dados fazem parte do Radar de Eventos Climáticos e de Seguros no Brasil, estudo inédito lançado pela Confederação Nacional das Seguradoras em parceria com a Ernst & Young (EY), que consolida os impactos econômicos e sociais dos desastres naturais e o papel do setor segurador na resposta a esses eventos.

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Embora chuvas extremas e inundações sejam os episódios mais frequentes, as secas são as que geram os maiores danos financeiros, por atingirem vastas áreas e de forma prolongada.
 

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O estudo também expõe desigualdades regionais profundas na capacidade de enfrentamento. Enquanto o Sul concentrou as maiores perdas econômicas, o Norte e o Nordeste apresentaram os menores níveis de proteção, com menos de 2% das perdas seguradas.
 

O caso mais emblemático ocorreu em 2024, no Rio Grande do Sul, quando o país registrou o desastre climático mais severo de sua história: 2,4 milhões de pessoas afetadas, 182 mortes e R$ 35,6 bilhões em perdas diretas.
 

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Apesar do cenário desafiador, o setor segurador brasileiro ampliou sua atuação apesar da enorme lacuna de proteção securitária. Em 2024, foram pagos R$ 7,3 bilhões em indenizações relacionadas a eventos climáticos, sobretudo nos ramos Patrimonial (58%), Automóvel (19%), Rural (15%) e Habitacional (6%). A experiência internacional mostra que países com maior participação de seguros se recuperam mais rapidamente de catástrofes e reduzem a pressão sobre gastos públicos emergenciais.
 

O Radar integra o primeiro módulo do Hub de Inteligência Climática da CNseg e detalha quanto cada evento provocou em indenizações nos ramos de danos, vida e previdência entre 2022 e junho de 2025. 
 

Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a ferramenta vai fornecer dados relevantes que permitirão ampliar o diálogo técnico entre o setor segurador e outros setores importantes da economia. 
 

“A partir do Radar, é possível ter um mapa que efetivamente vai dizer, em cada evento climático, quanto isso custou em indenização paga pelo setor de seguros, sendo possível calcular qual é o gap de proteção e o impacto direto na economia, permitindo propor políticas públicas, parcerias com outras instituições, sejam elas públicas ou privadas, e subsidiar a interlocução de alto nível com o governo.”
 

A publicação será atualizada anualmente, criando uma série histórica nacional comparável aos relatórios internacionais da Swiss Re e da Howden, e ampliará a capacidade do Brasil de monitorar riscos e planejar políticas de adaptação.

Novos módulos do Hub fortalecem agenda climática do setor

O Radar integra o HUB de Dados Climáticos, uma plataforma que a CNseg lança também na COP30 com as duas primeiras ferramentas. 
 

• Solução Riscos Climáticos para Inundação 
Baseada em modelagem probabilística, permitirá identificar o risco climático de um endereço, coordenada ou polígono. O módulo começa com risco de inundação e será ampliado para outros eventos, como secas extremas.
 

• Solução Conformidade Socioambiental para o Seguro Rural
A ferramenta atende a Resolução CNSP 485 e apoiará as seguradoras na avaliação da conformidade socioambiental de propriedades rurais, cruzando bases públicas como CAR, listas de trabalho escravo, áreas indígenas, quilombolas, embargadas, unidades de conservação e dados de desmatamento.
 

Hub de Inteligência Climática da CNseg 

Para Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, o Hub simboliza um avanço estrutural na atuação climática do setor. “O Hub é uma das principais entregas da CNseg neste ano e constitui o núcleo estruturante da agenda climática do setor de seguros no Brasil. Seu propósito é reunir, sistematizar e produzir dados climáticos e socioambientais para apoiar as seguradoras na precificação de riscos, fortalecer a resiliência econômica e social diante das mudanças climáticas e reduzir o gap de proteção securitária do país.”
 

Dyogo Oliveira ressalta que o Brasil ainda precisa avançar mais na cultura de prevenção contra riscos catastróficos porque, historicamente, sempre esteve pouco exposto a eventos climáticos extremos. No entanto, diz ele, com o aumento da frequência e intensidade das secas e inundações provocadas pelas mudanças climáticas, a realidade agora é outra. “O Hub busca dar ao setor a capacidade de agir preventivamente e criar produtos inovadores baseados em dados e evidências”, concluiu.

Resultado financeiro da Brasilcap cresce 45% no terceiro trimestre

bb capitalização

por Brasilprev

A Brasilcap, empresa de capitalização do Grupo BB Seguridade, apresentou desempenho consistente no terceiro trimestre de 2025, com destaque para o avanço da arrecadação e da rentabilidade operacional, conforme os resultados divulgados no relatório de Análise de Desempenho do terceiro trimestre de 2025.

O resultado financeiro apresentou evolução expressiva, alcançando R$ 166,8 milhões no trimestre, 45,1% acima do registrado no terceiro trimestre de 2024 (R$ 114,9 milhões), e R$ 363,5 milhões no acumulado do ano, alta de 1,7% ante o mesmo período do ano anterior (R$ 357,6 milhões), sustentado pela gestão ativa da carteira de investimentos, que totalizou R$ 12,45 bilhões em setembro, aumento de 7,3% em 12 meses.

O presidente da companhia, Antonio Carlos Teixeira, comentou sobre os números positivos: “Os resultados do trimestre confirmam o sucesso da estratégia de crescimento sustentável da Brasilcap, baseada na diversificação de portfólio, eficiência operacional e solidez financeira”.

O documento mostra ainda que o lucro líquido da Brasilcap no trimestre de julho a setembro foi de R$ 91,4 milhões, crescimento de 31,1% em relação ao mesmo período de 2024 (R$ 69,7 milhões) e de 24,1% frente ao segundo trimestre (R$ 73,6 milhões). No acumulado do ano, o lucro atingiu R$ 219 milhões, avanço de 3,9% sobre o mesmo período de 2024 (R$ 210,8 milhões).

Títulos e Cota – No trimestre, a arrecadação com títulos de capitalização atingiu R$ 1,84 bilhão, crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2024 (1,75 bilhão), mantendo-se estável frente ao segundo trimestre deste ano. No acumulado do ano, o volume arrecadado com títulos capitalização somou R$ 5,35 bilhões, alta de 9,2% na comparação com 2024 (R$ 4,37 bilhões), impulsionado pela maior concentração de produtos de pagamento único com prazos mais longos, de 36 meses, de maior valor médio e rentabilidade superior.

A receita com cota de carregamento, que representa o montante destinado a cobrir despesas administrativas e de comercialização, totalizou R$ 175,1 milhões no trimestre, um avanço de 16,3% sobre o terceiro trimestre de 2024 (R$ 150,6 milhões). No acumulado de janeiro a setembro, a receita cresceu 20,6%, partindo de R$ 444,6 milhões em 2024 para R$ 536,5 milhões em 2025.

MAG Seguros marca presença na Oficina de Negócios do Corretor de Seguros

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por MAG

A MAG Seguros participou da Oficina de Negócios do Corretor de Seguros, promovida pela Escola de Negócios e Seguros (ENS), realizada no último sábado (08), em São Paulo. O encontro reuniu mais de 770 corretores, presencialmente e de forma remota.

Representando a companhia, estiveram presentes os gerentes comerciais Ana Cristina Moreira, Giancarlo Gabanella e Tamara Assis de Almeida, além da analista de Gente e Gestão, Rosangela Santiago. Durante o evento, Giancarlo apresentou a MAG Seguros aos corretores recém-formados da ENS, destacando oportunidades de atuação junto à empresa, que possui 190 anos de atuação ininterrupta.

A companhia oferece uma série de vantagens para quem deseja integrar o time, como produtos com alto valor agregado, remuneração atrativa com campanhas de incentivo, plataforma digital completa, suporte comercial, treinamentos contínuos e o respaldo de uma marca reconhecida nacional e internacionalmente.

FF Seguros reforça compromisso com a Amazônia ao apoiar Jaguar Parade e Vozes do Oceano na COP30


Denise Bueno

A FF Seguros, subsidiária brasileira da canadense Fairfax Financial Holdins, participa esta semana de uma agenda intensa em Belém durante a COP30, em sintonia com sua atuação discreta, porém consistente, em projetos de conservação e cultura. A companhia é uma das patrocinadoras da Jaguar Parade Belém 2025, iniciativa que transformou a capital paraense em uma grande galeria a céu aberto, reunindo 51 esculturas de onças-pintadas criadas majoritariamente por artistas da região. Entre elas estão as obras, apoiadas pela seguradora, e assinadas pelos árticas locais Mindello e Moara Tupunambá, , que reforça o elo entre biodiversidade, arte e ancestralidade amazônica.

Hoje, a partir das 19h, um coquetel exclusivo reunirá todas as esculturas no Mangal das Garças, marcando um dos momentos mais simbólicos da exposição, que ocorre paralelamente à conferência climática. O encontro antecede o leilão beneficente das obras, cuja arrecadação será destinada a instituições dedicadas à preservação da onça-pintada e de seu habitat natural. Para a FF Seguros, o apoio ao projeto representa mais do que uma ação de visibilidade: é a expressão de um compromisso construído ao longo dos anos, sem alarde, em favor da conservação e da educação ambiental por meio da cultura.

Segundo Gustavo Mercadante, superintendente de Marketing, Eventos e Patrocínios da Fairfax Brasil, presente em Belém para acompanhar a mostra e as atividades da COP30, a atuação da seguradora em projetos socioambientais antecede a própria estrutura formal de marketing da companhia. Ele conta que, há mais de cinco anos, quando ainda não havia uma área dedicada ao tema, o CEO Bruno Camargo já apoiava iniciativas como o Vozes do Oceano e as primeiras edições da Jaguar Parade. A escolha dos artistas, dos locais de exposição e o custeio integral da produção das esculturas seguem o mesmo princípio: apoiar talentos locais, valorizar a cultura amazônica e ampliar o alcance de mensagens ligadas à conservação.

Além da Jaguar Parade, a FF Seguros também apoia a Casa Vozes do Oceano, organizada pelo Instituto Voz dos Oceanos, da Família Schurmann, instalada no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. O local, que conta com apoio institucional do Governo do Pará e parceria de empresas brasileiras e globais, oferece uma experiência imersiva sobre a importância do bioma marinho e tem atraído visitantes, pesquisadores e representantes do setor privado interessados em discutir como proteger ecossistemas sensíveis.

A integração dessas iniciativas reforça a visão de longo prazo da Fairfax no Brasil, que combina solidez global com orgulho local. Ao patrocinar projetos que nascem da biodiversidade amazônica e dialogam com comunidades, artistas e instituições de conservação, a seguradora busca contribuir para um legado que ultrapassa o período da conferência. Sem discursos grandiosos, aposta na força da arte para sensibilizar e na cultura como ferramenta de educação ambiental — princípios que orientam seu posicionamento e refletem a liderança de Bruno Camargo, cuja trajetória é marcada por uma escuta atenta e por um compromisso genuíno com sustentabilidade.

Na COP30, essa presença se materializa tanto no apoio institucional quanto na participação ativa em encontros e iniciativas sociais, sempre com o olhar voltado para aquilo que a região ensina: proteger a biodiversidade é uma responsabilidade compartilhada. Em Belém, a FF Seguros reforça essa mensagem ao lado de artistas, organizações e da própria comunidade, que hoje se reúne para celebrar a beleza, a simbologia e a urgência de conservar a onça-pintada — um dos maiores ícones da fauna brasileira.

Indústria automotiva e setor de seguros se unem na Casa do Seguro para impulsionar a descarbonização

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O “Fórum da Indústria Automotiva & Seguros na COP30”, realizado nesta quinta-feira (13) na Casa do Seguro, em Belém (PA), reuniu montadoras, seguradoras, especialistas e representantes internacionais, em uma iniciativa conjunta da CNseg e da ANFAVEA. O encontro destacou como a inovação tecnológica, a economia circular e a colaboração entre setores estão redefinindo o futuro da mobilidade de baixo carbono no Brasil, evidenciando o papel estratégico do setor de seguros nesse processo.
 

Descarbonização do setor automotivo

Moderado por Henry Joseph Jr., assessor especial da presidência da ANFAVEA, o painel “Descarbonização do setor automotivo” abriu o Fórum afirmando: “o setor automotivo brasileiro está acelerando sua transição energética em múltiplas frentes: veículos leves e pesados, biocombustíveis, eletrificação, ciclo de vida dos produtos e captura de carbono”.

Estratégias das montadoras para emissões mais baixas

Fabio Rua, vice-presidente para a América do Sul da GM, reforçou o compromisso da montadora com a transformação energética. “Descarbonização é o nome do jogo. Até 2030, todos os veículos produzidos pela GM no Brasil terão algum tipo de eletrificação.”
 

Ele também destacou o primeiro veículo totalmente elétrico produzido no país, no estado do Ceará, e reforçou a meta global de atingir a neutralidade de carbono até 2040, ressaltando que o Brasil já apresenta avanços significativos no uso de energia renovável em suas plantas industriais. Gustavo Bonini, diretor institucional da Scania na América Latina, estruturou sua fala em três pilares: tecnologia, infraestrutura e políticas públicas.
 


João Paulo Sertã, diretor Green Finance, ILB Labs

“Não existe sustentabilidade sem produção local. Hoje já temos todas as tecnologias de descarbonização produzidas no Brasil”, afirmou. Bonini ressaltou o potencial do biometano, a capacidade nacional de produção de B100 e os desafios de infraestrutura para eletrificação em longas distâncias.
 

Para João Irineu, VP de Assuntos Regulatórios da Stellantis, o Brasil tem uma vantagem competitiva única: matriz energética limpa e diversidade de soluções. “Descarbonizar exige que cada tecnologia caiba no bolso do cliente. Essa é a transição equilibrada que o Brasil pode fazer”, disse. Irineu lembrou que programas como Inovar-Auto, Rota 2030 e Mover já representam 35% de redução de CO₂ em 10 anos, um feito raro mesmo entre países desenvolvidos.
 

Múltiplas rotas tecnológicas


Painel 2 – Do Sinistro à Sustentabilidade: Salvados e Economia Circular no Setor Automotivo

Priscila Rocha, gerente de Sustentabilidade da Volkswagen Caminhões e Ônibus, enfatizou que o transporte pesado exige diversidade tecnológica. “O Brasil precisa de muitas soluções. Trabalhamos com biodiesel, biogás, híbridos e elétricos porque cada cliente tem uma realidade.”
 

O diretor de Comunicação e presidente da Fundação Toyota, Roberto Braun, trouxe a visão de que nenhuma tecnologia sozinha resolverá o desafio climático. “É preciso combinar alternativas. No Brasil, biocombustíveis e híbrido flex são caminhos naturais.”
 

Sinistros como fonte relevante de emissões

João Paulo Sertã, diretor de Green Finance do ILB Labs, apresentou um estudo pioneiro sobre descarbonização na cadeia de sinistros. Sertã mostrou como colisões, reparos, deslocamento de oficinas e substituição de peças compõem uma “camada invisível” de emissões. “Cada sinistro desencadeia uma série de atividades que emitem carbono, e isso é pouco estudado. O setor de seguros tem um papel muito maior do que imaginamos na agenda climática”, enfatizou. O estudo, feito com seguradoras e peritos franceses, apresenta alavancas de descarbonização e incentiva o debate sobre práticas mais sustentáveis na gestão de indenizações.
 

Do sinistro à sustentabilidade: salvados e economia circular

Moderado por André Vasco, diretor de Serviços às Associadas da CNseg, o painel “Do sinistro à sustentabilidade: salvados e economia circular” discutiu como a cooperação entre seguradoras e indústria automotiva pode transformar salvados em vetor de sustentabilidade.
 

Economia circular como política de negócio

Participaram Daniel Morroni (Renova Cap), Gilberto Martins (ANFAVEA), João Irineu (Stellantis) e Marlon Otoni (Allianz). Os debatedores abordaram melhorias regulatórias, rastreabilidade, reutilização de peças, reciclagem e a necessidade de padronização de processos. Morroni resumiu a missão: “Salvados não são resíduos: são recursos. E precisam ser tratados como parte da agenda de descarbonização.”
 

Sinergias entre os setores de seguros e automotivo

Moderado por Renata Agostini (ANFAVEA), o painel “Sinergias entre os setores de seguros e automotivo” destacou a convergência entre inovação de produtos, economia circular e novos modelos de prevenção de riscos.
 


Painel 3 – Sinergias Entre os Setores de Seguros E Automotivo 

Participaram Andrea Serra (ANFAVEA), Gustavo Bonini (Scania), Ivani Benazzi (Bradesco Seguros) e Keila Farias Rocha (Tokio Marine). Um dos pontos centrais foi o potencial do tratamento de salvados como mecanismo de redução de impacto ambiental e geração de eficiência econômica. Ivani Benazzi apontou que “o setor de seguros tem capacidade de induzir comportamentos sustentáveis nas cadeias produtivas.”
 

O papel estratégico do setor de seguros

No encerramento, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, reforçou que o setor de seguros tem papel decisivo na coordenação entre indústria, governo e sociedade.
 


Dyogo Oliveira, presidente da CNseg

“A transição climática exige implementação. O setor de seguros pode acelerar investimentos, estimular inovação e garantir que os riscos da descarbonização sejam administráveis”, disse Oliveira. Dyogo ressaltou a conexão entre o Fórum e a estratégia da Casa do Seguro. “Estamos aqui para mostrar que o seguro é parte da solução. Não existe transformação produtiva sem gestão de riscos — e é isso que o nosso setor entrega.”
 

A visão da ANFAVEA

Igor Calvet, presidente da ANFAVEA, celebrou a parceria estruturada com a CNseg e reforçou que a COP30 é um momento histórico para que Brasil e indústria avancem juntos.
 

Fórum que cria pontes e acelera agendas

O encontro demonstrou que a descarbonização do setor automotivo brasileiro não é apenas possível, mas está em curso, com participação ativa de montadoras, seguradoras, especialistas e formuladores de políticas públicas. A mensagem final, sintetizada ao longo dos debates, foi que, para alcançar as metas climáticas brasileiras, a indústria automotiva e o setor de seguros precisam caminhar lado a lado, compartilhando dados, riscos, investimentos e inovações.


Igor Calvet, presidente da ANFAVEA