Despesas de contenção e salvamento e sua inaplicabilidade aos seguros de pessoas

por Ana Rita Petraroli, advogada especializada em seguros

O debate sobre a aplicação das despesas de contenção ou salvamento aos seguros de pessoas surge no contexto da regulamentação da Lei nº 15.040/2024, que instituiu o novo marco legal do contrato de seguro no Brasil. A interpretação do art. 67 da lei abriu espaço para a discussão acerca da possibilidade de que despesas realizadas para evitar um sinistro iminente ou atenuar seus efeitos possam ser suportadas pela seguradora, até o limite pactuado. Embora a norma tenha origem clara na lógica tradicional dos seguros de danos, sua eventual extensão aos seguros de pessoas passou a ser considerada no processo regulatório conduzido pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. A análise jurídica, econômica e comparada dessa hipótese revela, contudo, obstáculos relevantes à sua implementação, que dizem respeito não apenas à interpretação normativa, mas à própria arquitetura técnica do contrato de seguro.

O seguro de pessoas não nasce da lógica do prejuízo, mas da lógica da soma previamente estipulada. A distinção entre seguros de danos e seguros de pessoas constitui um dos fundamentos clássicos do direito do seguro. Nos seguros de danos, a indenização possui natureza compensatória e busca recompor prejuízos patrimoniais efetivamente sofridos pelo segurado. Já nos seguros de pessoas, a prestação securitária possui natureza diversa: trata-se de seguro de soma, em que o capital segurado é previamente definido pelas partes e independe da demonstração de qualquer prejuízo econômico correspondente. O valor da prestação não varia em função do custo do evento ocorrido; ele decorre da própria estrutura contratual. Nesse contexto, a eventual introdução de despesas de salvamento revela uma tensão conceitual relevante, pois importa transportar para o seguro de soma um instituto cuja lógica foi construída historicamente para o seguro indenitário.

As despesas de salvamento surgem para reduzir prejuízos, não para redefinir riscos. Historicamente, o instituto das despesas de salvamento tem origem no seguro marítimo e posteriormente foi incorporado aos seguros de danos em geral. Sua função econômica consiste em incentivar a adoção de medidas destinadas a evitar ou reduzir o prejuízo decorrente do sinistro. Ao permitir o ressarcimento dessas despesas, o sistema cria incentivos para que o segurado adote condutas destinadas à preservação do bem segurado, o que, em última análise, tende a reduzir o valor final da indenização que a seguradora terá de pagar.

Mas essa lógica pressupõe algo que não existe no seguro de pessoas: o prejuízo patrimonial mensurável. Nos seguros de pessoas, não há dano patrimonial cuja extensão possa ser reduzida por medidas de salvamento. O capital segurado é previamente estipulado e permanece inalterado independentemente do custo do evento ocorrido. Mesmo que despesas sejam realizadas para evitar ou postergar o sinistro, caso o evento venha a ocorrer a seguradora continuará obrigada ao pagamento integral da soma contratada.

A própria Procuradoria Federal junto à SUSEP reconheceu a ausência de experiência empírica nesse campo. No processo administrativo que discute a regulamentação da Lei nº 15.040/2024, foi registrada a inexistência de dados empíricos sobre a cobertura de despesas de salvamento no âmbito do seguro de vida.

O problema, entretanto, não é apenas jurídico. É também atuarial. O seguro de vida é tradicionalmente precificado com base em modelos estatísticos construídos a partir de tábuas de mortalidade e probabilidades relacionadas à ocorrência de eventos biométricos, como morte ou invalidez.

A experiência internacional também aponta em outra direção. Nos principais mercados seguradores, pagamentos ao segurado em vida não decorrem da aplicação de despesas de salvamento ao seguro de vida, mas sim de coberturas específicas cuidadosamente delimitadas.

Isso não significa que o direito brasileiro esteja impedido de inovar. A inexistência de precedentes internacionais não é, por si só, argumento definitivo contra o desenvolvimento de soluções regulatórias próprias. O direito evolui e adapta-se às necessidades de cada sociedade.

O seguro é, em essência, uma ciência internacional de mutualidade e compartilhamento de riscos. Desde suas origens no seguro marítimo europeu até a estrutura contemporânea dos mercados globais de resseguro, o direito do seguro desenvolveu-se por meio de intensa circulação de práticas contratuais, modelos atuariais e soluções regulatórias entre diferentes jurisdições.

Quando diferentes sistemas jurídicos convergem para soluções semelhantes, essa convergência costuma refletir adequação funcional entre determinado instituto e a lógica econômica do contrato de seguro.

Há ainda um fator adicional: a interdependência com o mercado global de resseguro. Grande parte dos riscos assumidos pelas seguradoras é transferida ao mercado internacional de resseguro, mecanismo que permite diluir riscos de grande magnitude e preservar a estabilidade financeira das companhias seguradoras.

Alterações regulatórias que modifiquem substancialmente a natureza do risco segurado podem gerar impactos sobre a capacidade de transferência desses riscos ao mercado ressegurador.

A preservação da distinção estrutural entre seguros de danos e seguros de pessoas não constitui mero apego à tradição jurídica. Trata-se de elemento essencial para a estabilidade técnica do sistema securitário.

Em última análise, o debate regulatório sobre a aplicação das despesas de salvamento aos seguros de pessoas envolve a própria arquitetura conceitual e econômica do seguro. E quando o tema é seguro, arquitetura importa.

Marcelo Goldmam assume vice-presidência comercial e produtos massificados da Tokio Marine

Com o objetivo de fortalecer a integração estratégica e ampliar ainda mais a excelência no atendimento, a Tokio Marine anuncia uma importante atualização em sua estrutura organizacional com a criação da Vice-Presidência Comercial e Produtos Massificados. 

Para liderar a nova área, Marcelo Goldman, até então Diretor Executivo de Produtos Massificados, passa a acumular a função de Diretor Executivo Comercial, mantendo reporte direto ao presidente, José Adalberto Ferrara.

Com a mudança, passam a se reportar à nova vice-presidência a Diretoria de Canais Especiais, liderada por Marcia Silva; a Diretoria Comercial Corporate, sob a liderança de José Luis Franco; e a Diretoria Comercial Varejo e Vida, comandada por Marcos Kobayashi.

De acordo com Goldman, a iniciativa está alinhada à estratégia da Tokio Marine de fortalecer sua atuação comercial. “A criação da Vice-Presidência Comercial e Produtos Massificados reforça nosso compromisso com uma atuação cada vez mais integrada e próxima dos nossos Parceiros de Negócios. A nova estrutura amplia nossa capacidade de atender com excelência nossos Corretores, Assessorias e seus Clientes, sustentando o crescimento da Companhia a longo prazo”, declara o executivo. 

A nova estrutura organizacional entra em vigor a partir de 1º de abril.

Mulheres já são maioria nas contratações de previdência privada na última década

Angela Assis CEO Brasilprev


As mulheres se tornaram maioria nas novas contratações de planos na Brasilprev na última década. Entre 2015 e 2025, a participação passou de 46% para 51%, segundo série histórica da companhia, que tem como acionistas a BB Seguros e a Principal Financial Group e lidera o setor com R$ 471,6 bilhões sob gestão e mais de 2,5 milhões de clientes.


No mesmo período, o volume de recursos em nome de mulheres cresceu cerca de 245%, de R$ 62,9 bilhões para R$ 218,9 bilhões, e a presença feminina no saldo de aplicações chegou a 46,4% do total da companhia.


O levantamento mostra que o avanço foi nacional. De 2015 a 2025, Nordeste e Sudeste cruzaram a marca de 50% de participação feminina (48%→53% e 47%→52%), enquanto Norte, Centro‑Oeste e Sul também cresceram (46%→49%, 43%→48% e 40%→46%).


Esse movimento na carteira da Brasilprev acompanha a tendência nacional identificada pela 8ª edição do Raio‑X do Investidor Brasileiro (ANBIMA/Datafolha, 2024): cerca de um terço das mulheres declara manter algum investimento ativo, 8% investiram em 2024 e 50% das que não investem pretendiam começar em 2025; entre as motivações, segurança (44%) e retorno (28%) lideram as respostas. A pesquisa foi realizada por amostra nacional presencial, com 5.846 entrevistas de pessoas de 16 anos ou mais, entre 4 e 22 de novembro de 2024, com resultados projetados para a população adulta.


“Num país de longevidade crescente, planejar o futuro é essencial. O avanço das mulheres em todas as regiões indica maturidade financeira. Com a solidez e a segurança institucional de nossos acionistas BB Seguros e Principal Financial Group, informamos, orientamos e estimulamos a disciplina de longo prazo para ampliar a autonomia financeira”, afirma Ângela Assis, presidente da Brasilprev.

Seguros Unimed amplia coberturas do seguro empresarial e reforça proteção às empresas

Seguros Unimed

A Seguros Unimed, braço segurador e financeiro do Sistema Unimed, anuncia a ampliação do portfólio de coberturas do Seguro Empresarial, tornando o produto ainda mais completo e alinhado às necessidades atuais das empresas brasileiras. O movimento amplia a capacidade de atendimento a diferentes nichos empresariais, como negócios de logística, indústrias e operações sazonais.

“Estamos fortalecendo nosso Seguro Empresarial com coberturas que ampliam a proteção e acompanham a evolução das empresas. Nosso objetivo é oferecer uma solução cada vez mais completa, que garanta segurança financeira, continuidade operacional e tranquilidade para que os empreendedores foquem no crescimento dos seus negócios”, afirma Rodrigo Aguiar, superintendente Comercial e de Produtos da Seguros Unimed.

Entre as novas proteções está a cobertura para Pequenas Obras de Engenharia (ampliações, reparos ou reformas), garantindo mais segurança financeira durante melhorias no negócio, redução de riscos e maior tranquilidade para investimentos em modernização.

Também passam a integrar o produto as coberturas de Despesas com Honorários de Peritos Contadores, que contribuem na identificação, mensuração e comprovação para uma indenização mais ágil e transparente em garantias de Lucros Cessantes, Despesas Fixas ou Lucro Líquido.

O seguro passa a oferecer cobertura adicional de Inclusões, Exclusões de Bens e Locais e Alterações de Valores em Risco, oferecendo mais flexibilidade para acompanhar o crescimento das empresas. A medida permite período e automaticidade para incluir ou excluir bens e locais segurados, além de ajustar valores em risco ao longo da vigência da apólice. Outra novidade é a inclusão da forma de contratação a Risco Absoluto, mantendo a proteção sempre adequada à realidade do negócio. 

CNseg: um seguro para entrar no planejamento de obras e reformas, inclusive as menores

Reformar um apartamento, ampliar uma casa ou iniciar uma pequena construção costuma estar entre os planos de muitas famílias, especialmente no início do ano. Nesses casos, além de definir orçamento, prazos e materiais, um ponto ainda pouco considerado pode fazer diferença no resultado final da obra: a contratação do Seguro de Riscos de Engenharia, indicado não apenas para grandes empreendimentos, mas também para obras e reformas domésticas.

De acordo com Luciano Martins, presidente da comissão de Riscos de Engenharia da Federação Nacional de Seguros Gerais, toda obra envolve riscos, independentemente do porte. Acidentes, falhas na execução, danos a materiais, eventos climáticos e ocorrências que atinjam terceiros — como vizinhos ou veículos próximos — podem acontecer mesmo em intervenções simples, transformando um projeto doméstico em um problema financeiro e jurídico.


“O Seguro de Riscos de Engenharia deve fazer parte do planejamento desde o começo, inclusive em obras pequenas e reformas residenciais. Ele protege o responsável pela obra contra imprevistos comuns do dia a dia da construção, evitando que um acidente ou erro pontual gere um prejuízo desproporcional ao tamanho do projeto”, afirma o porta-voz da FenSeg.


O seguro garante, dentro dos limites contratados, a cobertura de danos físicos à obra decorrentes de eventos súbitos e imprevistos durante sua execução, desde a chegada dos materiais ao canteiro até a conclusão dos trabalhos. Além disso, pode incluir coberturas adicionais ajustadas ao perfil da intervenção, como despesas extraordinárias, remoção de entulho e proteção a bens existentes no local.


Um ponto de atenção especial, segundo Martins, é a cobertura de danos a terceiros, considerada fundamental em áreas urbanas. Quedas de ferramentas, desprendimento de materiais ou falhas estruturais podem atingir imóveis vizinhos, veículos ou pessoas. “Mesmo quando o orçamento é mais apertado ou a decisão de contratar o seguro ocorre mais perto do início da obra, a cobertura de responsabilidade civil é essencial. Ela evita conflitos, ações judiciais e a necessidade de arcar com prejuízos do próprio bolso”, reforça o executivo.


A entidade também destaca a importância da orientação profissional na contratação. O corretor de seguros é quem pode avaliar o tipo de obra, o valor em risco e indicar as coberturas mais adequadas, garantindo que o seguro cumpra seu papel de proteção de forma efetiva.

Grupo HDI destaca transformação dos últimos cinco anos e reforça ambição de seguir entre líderes do mercado

O CEO do Grupo HDI no Brasil apresentou ao board da Talanx e a lideranças da HDI International, em Hannover, na Alemanha, um balanço da transformação vivida pela companhia nos últimos cinco anos, período marcado por aquisições, integração de operações, reposicionamento de marcas e expansão da atuação no mercado segurador brasileiro.

Segundo o executivo, a trajetória recente do grupo foi construída a partir de movimentos estruturais relevantes, como a integração das operações da Liberty, das divisões de varejo da Sompo e a união com a HDI Global. De acordo com ele, esse processo foi conduzido com foco em minimizar impactos para clientes, corretores e parceiros, ao mesmo tempo em que buscava ampliar escala, eficiência e competitividade.

Entre os marcos destacados na apresentação está o lançamento da Yelum Seguros, nova marca do grupo, além do avanço para a segunda posição no mercado de seguros de P&C (Property & Casualty). O executivo também ressaltou a construção de um portfólio mais equilibrado, com crescimento em Vida e Ramos Elementares, reforçando a estratégia de diversificação dos negócios.

Outro ponto enfatizado foi a unificação da assistência das marcas Yelum, HDI, Aliro e Santander Auto na Fácil Assist, movimento que, segundo a companhia, trouxe ganhos de escala, maior controle operacional e melhora na qualidade dos serviços prestados. A evolução da experiência de clientes e corretores também foi mencionada como um dos pilares da transformação, com indicadores de NPS em níveis históricos.

No campo interno, o CEO destacou ainda a construção de uma cultura única e integrada, sustentada por índices de engajamento favorável superiores a 84% nas pesquisas realizadas com os colaboradores. Para ele, esse resultado reflete o envolvimento dos times em um processo que exigiu decisões difíceis, ajustes constantes e forte capacidade de execução ao longo dos últimos anos.

Ao comentar o encontro na sede da Talanx, o executivo afirmou que a apresentação ao board reforçou o orgulho da operação brasileira com o caminho percorrido até aqui e, ao mesmo tempo, ajudou a consolidar objetivos para os próximos anos. A avaliação é de que, apesar dos desafios ainda existentes, o grupo chega a essa nova etapa mais robusto, integrado e preparado para continuar avançando no mercado brasileiro.

Porto Bank abre pré-venda exclusiva para o Taste São Paulo 

Os clientes do Cartão Porto Bank contam com o acesso a uma pré-venda exclusiva de ingressos para o Taste São Paulo. Até o dia 23 de março, além da prioridade na compra, os clientes contarão ainda com 25% de desconto na aquisição dos tickets. 

O evento acontece no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, nos dias 22 a 24, 29 a 31 de maio e 4 a 7 de junho, reunindo algumas das principais experiências gastronômicas do país. Considerado um dos maiores festivais gastronômicos do mundo, o Taste São Paulo deve receber mais de 77 mil visitantes ao longo da programação, de acordo com a organização.  

Durante os dez dias de evento, os clientes do Cartão Porto Bank poderão aproveitar a programação do Taste São Paulo, que reúne mais de 30 estabelecimentos gastronômicos, mais de 100 expositores e mais de 650 aulas e atividades gratuitas, incluindo demonstrações culinárias, degustações e workshops com chefs renomados. 

A iniciativa reforça o compromisso do Porto Bank em oferecer experiências exclusivas aos seus clientes por meio de eventos culturais e gastronômicos relevantes. O Taste São Paulo integra o território de entretenimento e cultura da marca, que busca promover conexões autênticas com o público por meio de experiências memoráveis. 

“Queremos que o uso do Cartão Porto Bank na rotina de nossos clientes se traduza em benefícios reais. A gastronomia é um território estratégico para nós, e estar no Taste São Paulo reforça esse compromisso. Essa pré-venda exclusiva, somada à nossa plataforma Gastronomia Porto Bank, consolida uma proposta de valor focada em proporcionar experiências marcantes e vantagens em restaurantes renomados para o nosso público”, afirma Luciana Hildebrandi, diretora de Meios de Pagamento do Porto Bank. 

Outras frentes de benefícios 

A iniciativa se soma a outras frentes de experiência do Porto Bank, como a recém-lançada plataforma Gastronomia Porto Bank, que conecta clientes a uma curadoria de restaurantes parceiros em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com benefícios como até 15% de desconto e amenidades exclusivas, conforme as condições definidas por cada estabelecimento.

Além da frente gastronômica, o Cartão Porto Bank oferece vantagens em diferentes categorias de experiência e conveniência. Entre elas estão benefícios em mobilidade, como Tag de pedágio e estacionamento gratuita, condições especiais em combustível com Shell Box, acesso a salas VIP em aeroportos, IOF Zero com cashback em compras internacionais e acúmulo de até 3,5 pontos por dólar gasto, além de descontos em eventos culturais e experiências.

Serviço 
Taste São Paulo 2026 

Parque Villa-Lobos – São Paulo 

Datas: 22 a 24, 29 a 31 de maio e 4 a 7 de junho 

Pré-venda exclusiva 

Até 23 de março 

Benefício: 25% de desconto para clientes do Cartão Porto Bank 

Venda: Eventim 
Obs: permitida a compra de até 8 ingressos por CPF, sendo 2 meias-entradas

CNseg: gap de proteção reduz recuperação em cidades afetadas por desastres em SC

Os municípios catarinenses estão entre os que mais receberam recursos federais em 2026 para ações de defesa civil e recuperação de infraestrutura danificada por desastres naturais. Rio do Sul recebeu R$ 3,53 milhões; Luiz Alves, R$ 470 mil; e Massaranduba, R$ 452 mil, conforme levantamento publicado por O Globo, com base nos atos publicados no Diário Oficial da União pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O volume de repasses evidencia a recorrência de eventos extremos na região Sul, especialmente chuvas intensas e enchentes. Segundo o “Radar de Eventos Climáticos e Seguros do Brasil”, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a frequência média anual de eventos climáticos praticamente dobrou no país na comparação entre os períodos 2015–2019 e 2020–2024, passando de 2.500 registros anuais para 4.500. Somente até junho de 2025, os eventos climáticos significativos no país geraram perdas estimadas de R$ 31 bilhões.

As chuvas intensas respondem pelos impactos sociais mais agudos, causando uma média anual de 278 mortes e de 669 mil desabrigados/desalojados em todo o Brasil. Apesar do socorro público para recuperar parte das perdas, em um cenário de eventos cada vez mais frequentes e intensos, a limitada proteção securitária amplia a vulnerabilidade econômica de famílias, empresas e municípios.

Entre os setores econômicos atingidos por esses eventos climáticos extremos, o mais impactado é o agronegócio, que em 2025 contava com apenas 3,3% da área coberta pelo Programa do Seguro Rural.

Embora o setor agropecuário seja o mais afetado em termos de perdas econômicas, ele não concentra o maior volume de indenizações securitárias devido a essa baixa participação do Seguro Rural no Brasil. Nesse sentido, o grupo de seguros patrimoniais apresenta a maior parcela de indenizações relativas a eventos climáticos extremos.

Esse cenário já se reflete no mercado segurador catarinense. De acordo com dados da CNseg, em 2025, em Santa Catarina, as indenizações pagas pelo Seguro Auto cresceram 15,3%; pelo Seguro Residencial, 11%; pelo Seguro Habitacional, 7,3%; e pelo Seguro Empresarial, expressivos 75,4%, evidenciando o impacto crescente dos eventos extremos sobre o patrimônio das famílias e das empresas do estado.

A partir de estudo realizado pela CNseg junto às suas associadas, estima-se que apenas cerca de 9% das perdas econômicas dos desastres climáticos são cobertas pelo mercado segurador brasileiro, ocasionando uma maior exposição ao risco por parte de pessoas físicas e jurídicas.

Recorrência de enchentes e chuvas intensas amplia pressão sobre municípios e evidencia necessidade de proteção estruturada. Esse descompasso entre perdas econômicas e cobertura securitária revela a necessidade de soluções estruturais que integrem setor público e privado.

Além de ampliar a proteção securitária da população, a CNseg defende o fortalecimento de mecanismos público-privados para cobertura de catástrofes e o desenvolvimento de seguros voltados à infraestrutura urbana e aos serviços essenciais. A entidade também apoia a e a adoção de medidas de resiliência, com foco em investimentos e reformas voltadas à adaptação climática.

Para a diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, estados como Santa Catarina ilustram a urgência de integrar seguro e planejamento urbano. “O seguro precisa ser reconhecido como instrumento estruturante de política climática. Ampliar a cobertura significa reduzir a dependência de recursos emergenciais, acelerar a recuperação econômica e fortalecer a capacidade das cidades de enfrentar eventos extremos cada vez mais frequentes. O Brasil precisa integrar proteção securitária, planejamento urbano e gestão de risco em uma mesma agenda de resiliência.”

Na avaliação de Claudia Prates, esse esforço também requer o fortalecimento da cooperação entre o poder público e o setor privado podem ampliar a capacidade de resposta do país diante de eventos extremos, seja por meio da criação de mecanismos de cobertura para catástrofes, seja pelo desenvolvimento de seguros voltados à infraestrutura urbana e aos serviços essenciais.

Em linha com a diretora da CNseg, o presidente do Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (SindsegSC), João Amato, afirma que “o mercado segurador comprovou sua solidez e resiliência nos últimos acontecimentos na região, mas ainda persiste o desafio de avançar na ampliação da proteção, especialmente para as populações economicamente mais vulneráveis.

”O setor tem um papel estratégico na gestão e mitigação dos riscos associados a eventos climáticos extremos e vem evoluindo continuamente suas ferramentas de análise, gestão de exposição e apoio às comunidades. Ainda assim, fortalecer a resiliência climática exige um esforço que vai além da atuação isolada do seguro, envolvendo planejamento urbano, prevenção, mitigação e cooperação entre empresas, governos e sociedade. A discussão sobre novos instrumentos e mecanismos colaborativos é fundamental para ampliar a capacidade de adaptação, sobretudo em regiões mais expostas, e para lidar de forma estruturada com o aumento dos riscos climáticos no longo prazo”, concluiu.

A experiência internacional demonstra que países com maior participação do seguro na economia conseguem se recuperar mais rapidamente de desastres, reduzir a pressão sobre o orçamento público e fortalecer suas economias locais. Ampliar a cultura do seguro no Brasil é, portanto, não apenas uma agenda setorial, mas uma estratégia de desenvolvimento e resiliência.

CNseg: seguro rural recua em 2025 e reforça debate sobre financiamento e proteção do agro brasileiro

seguro rural MAPA

O mercado de seguro rural registrou retração em 2025, interrompendo um ciclo de expansão observado nos anos anteriores e acendendo um alerta sobre os mecanismos de proteção financeira disponíveis para o agronegócio brasileiro. 
 

Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano, passando de R$ 14,2 bilhões em 2024 para R$ 12,9 bilhões em 2025. A queda ocorre em um contexto de redução de recursos destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural e de maior cautela por parte dos produtores diante do aumento do custo das apólices.
 

Esse cenário ajuda a explicar por que a proteção financeira no campo ganhou importância nas discussões do setor. O tema estará no centro do “Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio. Proteção rural e novos instrumentos de financiamento”, que será realizado no dia 8 de abril, em Brasília.
 

A retração contrasta com a trajetória de crescimento observada entre 2021 e 2024. Nesse período, a arrecadação passou de R$ 9,6 bi em 2021 para R$ 13,4 bi em 2022, R$ 14 bi em 2023 e R$ 14,2 bi em 2024. A queda registrada em 2025 interrompe esse ciclo e sugere desaceleração na demanda por cobertura securitária rural.
 

A combinação entre a perda na arrecadação e a estabilidade das indenizações reforça a percepção de que parte dos produtores pode estar ficando mais exposta aos riscos climáticos e de produtividade, justamente em um cenário de maior frequência de eventos extremos. Especialistas apontam que a redução da contratação de seguros pode ampliar a vulnerabilidade financeira das cadeias produtivas.
 

Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio

O primeiro painel “Novos instrumentos de financiamento como mecanismos que impulsionam o crescimento e a sustentabilidade do agronegócio”, discutirá alternativas para ampliar e diversificar as fontes de recursos destinadas ao setor. O objetivo é avaliar soluções capazes de estimular investimentos em tecnologia, modernização da infraestrutura e práticas produtivas mais sustentáveis.

Participam do debate:

  • Fabiana Perobelli, Client Relationship – Brokers and Agribusiness Companies da B3
  • Marcelo Porteiro, superintendente da Área Agropecuária e de Inclusão Social do BNDES
  • João Rabelo, diretor de Novos Negócios do IRB Re
  • Octaciano Neto, sócio-fundador da Zera.Ag

A moderação será conduzida por Gláucio Nogueira Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação de Seguros Gerais (FenSeg).

A discussão reflete um movimento crescente de aproximação entre o agronegócio e o mercado de capitais, com a criação de novas estruturas financeiras voltadas ao financiamento da produção, da inovação tecnológica e da expansão das cadeias produtivas. 

Na sequência, o segundo painel: “Destravando o seguro rural no Brasil: inovação e resiliência climática”, abordará os desafios estruturais do seguro rural no país e as possibilidades abertas pela transformação digital e pelo uso de novas tecnologias no monitoramento e gestão de riscos. O debate reunirá: 

  • Bruno Alves, diretor de Tecnologia, Portfólio, Soluções Digitais e Analytics da BB Seguros
  • Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
  • Tania Zanella, presidente do Instituto Pensar Agropecuária
  • Monica Sodré, CEO da Meridiana

A moderação será feita por Renato Buranello, vice-presidente da ABAG. O painel discutirá como a ampliação do seguro rural pode ajudar a mitigar perdas causadas por eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes, além de fortalecer a estabilidade financeira das cadeias produtivas. Proteção financeira como pilar do agro Especialistas apontam que o avanço de instrumentos de crédito, seguros e resseguros é fundamental para sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro. 
 

Em um setor altamente exposto a riscos climáticos, oscilações de preços e desafios logísticos, a ampliação das ferramentas de proteção financeira tem papel decisivo para garantir continuidade produtiva, segurança de renda e atração de investimentos. 
 

Nesse contexto, o diálogo entre setor segurador, instituições financeiras, governo e representantes do agro tende a ganhar cada vez mais importância na construção de soluções estruturais capazes de fortalecer a competitividade do campo brasileiro no cenário global. 
 

O evento será encerrado após os debates técnicos, consolidando as discussões sobre como seguros, crédito e inovação podem atuar de forma integrada para ampliar a segurança econômica e a resiliência do agronegócio no país.
 

Promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), o encontro reunirá autoridades públicas, especialistas e representantes do mercado financeiro para discutir caminhos que ampliem o acesso a recursos e reforcem a proteção do produtor rural diante de novos riscos econômicos e climáticos.

Perdas seguradas globais com catástrofes naturais somaram US$ 107 bilhões em 2025, segundo Swiss Re Institute

catástrofe

Os chamados eventos climáticos secundários, como incêndios florestais, tempestades severas e enchentes, responderam por um recorde de 92% das perdas seguradas globais com catástrofes naturais em 2025, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira, 19, pelo Swiss Re Institute. No total, as perdas seguradas somaram US$ 107 bilhões no ano, em um cenário marcado pela alta frequência de eventos em áreas densamente ocupadas e de elevado valor econômico.

De acordo com a instituição, os incêndios em Los Angeles geraram perdas seguradas combinadas de cerca de US$ 40 bilhões, tornando-se o maior evento de perdas seguradas por incêndio florestal já registrado nas séries sigma. Já as tempestades severas convectivas, que incluem granizo e ventos destrutivos, provocaram US$ 51 bilhões em perdas seguradas no mundo, fazendo de 2025 o terceiro ano mais caro da história para esse tipo de evento, atrás apenas de 2023 e 2024, em valores corrigidos.

Apesar de o volume de perdas ter ficado abaixo da tendência de longo prazo para catástrofes naturais, a Swiss Re alerta que isso não representa uma redução do risco estrutural. Segundo Balz Grollimund, Head Catastrophe Perils da companhia, o resultado de 2025 refletiu mais uma variabilidade favorável do que um enfraquecimento dos riscos subjacentes. “Se as perdas voltarem aos níveis médios de longo prazo, elas chegariam a US$ 148 bilhões em 2026. Em um cenário de pico modelado, as perdas seguradas poderiam subir para cerca de US$ 320 bilhões”, afirmou.

A ausência de um grande furacão atingindo o território dos Estados Unidos também ajudou a conter o resultado do ano passado. Ainda assim, a companhia destaca que as perdas globais com catástrofes naturais seguem trajetória de crescimento anual entre 5% e 7%, impulsionadas pelo aumento da exposição, pela valorização dos ativos e pela elevação dos custos de reconstrução.

Para Urs Baertschi, CEO Property & Casualty Reinsurance da Swiss Re, um ano de perdas extremas pode mais do que dobrar os volumes anuais recentes e ultrapassar US$ 300 bilhões. Segundo ele, o fortalecimento da consciência sobre riscos, das medidas de adaptação e mitigação, além da existência de cobertura securitária e ressecuritária suficiente, será decisivo para ampliar a resiliência da sociedade diante de eventos de baixa frequência, mas alta severidade.

O levantamento mostra ainda que, entre 1970 e 2025, o crescimento da exposição explicou mais de 80% da alta de longo prazo nas perdas seguradas relacionadas ao clima. Na América do Norte, esse avanço foi puxado principalmente pelos incêndios florestais e pelas tempestades severas convectivas, com as perdas por incêndios crescendo a uma taxa média anual de 14%. Na Europa, mais da metade do crescimento das perdas seguradas veio das tempestades severas, com expansão estimada em 10% ao ano. Na Ásia, o avanço foi dominado pelas enchentes, enquanto na Oceania e na Austrália houve divisão mais equilibrada entre tempestades severas e inundações.

Embora os ciclones tropicais continuem sendo o maior componente da média anual de perdas no longo prazo, as tempestades severas convectivas aparecem como o principal vetor histórico de crescimento das perdas seguradas, respondendo por 38% dessa expansão. Os incêndios florestais, apesar das taxas mais elevadas de crescimento, representam cerca de 20%, enquanto as enchentes contribuem com aproximadamente 10%.

O Swiss Re Institute ressalta, porém, que em algumas regiões o aumento da exposição já não explica sozinho a velocidade da alta das perdas. Na América do Norte, temporadas de incêndio mais longas e mudanças persistentes nos padrões de temperatura e precipitação ampliam o potencial de danos. Na Europa, onde as perdas seguradas com tempestades severas crescem mais rapidamente, menos da metade do avanço observado pode ser atribuída apenas ao aumento da exposição, o que indica influência também de alterações nas características das tempestades e de mudanças na vulnerabilidade.

As perdas econômicas globais com catástrofes naturais atingiram US$ 220 bilhões em 2025, das quais 49% estavam seguradas — o maior percentual já registrado pela série sigma. Para a Swiss Re, o dado mostra que o setor segurador vem cumprindo papel relevante na redução da lacuna de proteção, embora esse déficit continue elevado, especialmente em economias emergentes, onde entre 80% e 90% das perdas catastróficas normalmente não têm cobertura de seguro.

Segundo Jérôme Jean Haegeli, Head Swiss Re Institute e economista-chefe do grupo, a maior parte do crescimento das perdas no longo prazo decorre de uma realidade simples: há mais propriedades valiosas sendo construídas em áreas expostas a riscos, enquanto os custos de reconstrução também subiram. Ele acrescenta que, em algumas regiões e para determinados perigos, a evolução dos riscos e da vulnerabilidade parece avançar mais rapidamente do que o crescimento da exposição, o que torna ainda mais importantes as políticas de adaptação, mitigação e ampliação do acesso ao seguro.